der a
clara razão desta atuação desi-gual, ingenuamente pretendendo
que
os
mesmos mecanismos
repressores
se
dirigissem ao
enfrentamento
da
chamada
criminalidade dourada, mais
especialmente
aos
abusos
do
pocíêr
LH^
po.IItico
e-do
poder
econômico.
w^
Parecendo
ter
descoberto
a
supos-ta
solução penaletalvez aindain-conscientemente saudosos dos para-digmas dejustiçadosvelhos tempos
e de
Stalin
(um
mínimo
de
coerênciadeveria levar
a que em
determinadas
manifestações
de desejo ou aplauso
a
acusações
e
condenações levianas
e
arbitrárias
se
elogiassem também
ostristemente
famosos
processos
deMoscou), amplos
setores
daesquer-daaderem à propagandeada idéiaque,
em
perigosa distorção
do
papeldoPoder Judiciário, constróia
ima-
gem do bom magistrado a partir do
perfilde
condenadores implacáveis
e
severos.
Assim,
se
entusiasmandocom aperspectivade ver
estes
"bonsmagistrados"
impondo
rigorosas
pe-
nas
a réus
enriquecidos
(só por
isso
vistos
como poderosos)eaproprian-do-sede um generalizado
e
inconse-qüente clamor contra a impunidade,
estes
amplos setores da esquerda fo-ram tomados por um desenfreado fu-ror persecutório, centralizando seu
discurso
em um histérico e irracional
Tomados
por um desenfreadofurorpersecutório,
amplos
'
setores
da
esquerda
centralizaram
seus discursos
em
histérico
e
irracional combate à corrupção,
não só esquecidos das
lições
da
história,
como
incapazes de ver
acontecimentos
presentes
combate
à
corrupção,
não só
esque-cidos das lições da história, a demons-trar que este discurso tradicionalmen-
te
monopolizado
pela
direita já
fun-
cionara muitas vezes como fator
de
legitimaçãodeforçasasmais reacio-
nárias
(basta lembrar,
no
Brasil,
da
eleição
de
Jânio Quadros
e do
golpe
de
64),
como incapazes
de ver
acon-tecimentos presentes (pense-se
na'
simbólica
vitória
dos partidosaliados
a
Berlusconi nas eleições italianas, noauge
da tão
admirada Operação
Mãos
Limpas).
Este
histéricoeirracional combate
à
corrupção, reintroduzindo
o
pior
do
autoritarismo que mancha a históriade generosas lutas e importantes con-
quistas
da esquerda, se
faz
revitaliza-
dor da
hipócrita
prática
de
trabalharcom dois pesos e duas medidas (o
furor
persecutório
voj.ta-s£__ap_e_nas
contra
adversários
políticos,
eventu-
ais
comportamentos
não
muito
ho-
nestos
de companheiros ou aliadossempre
sendo compreendidos
e
jus-
tificados)
e do
aético
princípio
de
finsque justificam meios, a incentivar orompimento
com
históricas conquis-
tas
da
civilização,
com imprescindí-
veis
garantias das
liberdades,
com
princípios
fundamentais
do
Estado
de
Direito.
Desejando e
aplaudindo
prisões econdenações
a
qualquer preço,
estes
setores
da esquerda reclamam contra
o
fato
de que
réus integrantes
das
classes
dominantes eventualmentesubmetidos à intervenção do sistemapenal melhorseutilizamdemecanis-mosde defesa, freqüentemente
pro-
pondo como
solução
a
retirada
de
direitos e garantias penais e
proces-sjjaís, n o
mínimo
esquecidos
de
qu
e
a
desigualdade
inerente à formaçãosocial capitalista
que,Jógica
e natu-
ralmente, proporciona
àqueles réusmelhor
utilizacãgjJos
mecanismos
de
defesa,
certamentejiã^i_^e_res2liiexia
COTÍI
a
r^tir^Ha
rloJrlirpifO-V P
garímt
1
-
as,
cuja
vulneracão
repercute sim
—
e demaneira
multo
mais intensa
—
sp-
bre as
classes
subalternizadas,_ciue
vivem
o
dia-a-dia
da
Justiça-Griminal,constituindoaclientelapara a
qual
esta
prioritariamente
se
volta.Inebriados pela reação
punitiva,
estes
setores
da
esquerda parecemestranhamente
próximos
dos
arautosneoliberais apregoadores
do
fim
da
história,
não
conseguindo perceberque, sendo a pena, em essência, pura
e
simples manifestação
de
poder
— e,
no
que nos diz
respeito,
poderde
classe
do Estado
capitalista
— é ne-cessária
e
prioritariamente
dirigida
aos
excluídos,
aos desprovidos deste
poder.
Parecendo ter
se
esquecidodas
contradições
e da
divisão
da so-
ciedade em
classes,
não conseguemperceber
que,
sob o capitalismo, a se-leção de que são
objeto
os autoresde condutas conflituosas ou
social-
mente negativas, definidas como
cri-
mes(para
que,
sendo presos, proces-
sados
ou condenados, desempenhem
o
papel
de
criminosos), naturalmen-te, terá que obedecer à regra básica
de uma tal
formação social
— a
desi-gualdade'na distribuição de bens. Tra-tando-se
de um
atributo
negativo,
ostatus
de criminoso
necessariamente
deve recair de forma preferencial so-bre osmembrosdas
classes
subalter-nizadas, da mesma forma que os bens
e
atributos positivossãopreferenci-almente distribuídos entre os mem-
Perdendo sua
antiga
visão
crítica
sobre
a "imprensaburguesa",.setores
daesquerda reproduzemliteralmenteo quedizem
os
órgãos
massivos
de
informação
quanto a um aumentodescontrolado
da
criminalidade
bros
das
classes
dominantes,
servin-
do o excepcional sacrifício,
represen-
tadopelaimposição de pena a um ououtro membro das
classes
dominan-
tes (ou a
algum condenado enrique-cido e,
assim,
supostamente podero-
so),
tão somente para legitimar o sis-tema
penal
e
melhor
ocultar
seu pa-
pel de instrumento de manutenção ereprodução dos mecanismos de do-minação.
Não
percebem
estes
setores da es-
querda que a posição
política,
sociale
econômica dos autores dos
abusos
do poder
político
e
econômico
lhes
dá
imunidade
à
persecução
e à
impo-sição
da pena, ou, na
melhor
dís hi-
póteses,lhes
assegura
um
tratamen-to privilegiado por parte do
sisteTna
penal,
a
retirada
da
cobertura
de in-
vulnerabilidade dos membros
das
classes
dominantes
só se
dando
em
pouquíssimos
casos,
em que conflitosentre setores hegemônicos permitemo sacrifício de um ou outro
responsá-
vel porfatos desta'natureza, que co-
lida
com o podermaior,a que já não
sirva.
Não percebem
que,
quando
chega a
haver alguma punição relaci-onada
com
fatos desta natureza, esta
acaba
recaindo sobre personagens
su-
balternos.
Ao
centralizarem
o
combate
à
cor-rupção na utilização da
reação
puni-