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Lançado em:
Nov 25, 2013
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Livro

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Obras posthumas - Nicolau Tolentino de Almeida

Portugal).)

OBRAS

POSTHUMAS

DE

NICOLÁO TOLENTINO

DE ALMEIDA.


LISBOA, 1828.

NA TYPOGRAFIA ROLLANDIANA.


Com Licença da Meza do Desembargo

do Paço.

A Sua Alteza.

SONETO I.

Tornai, tornai, Senhor, ao Tejo undoso,

Vinde honrar-lhe outra vez a clara enchente,

E deixai que ajoelhe entre a mais gente

Hum protegido humilde, e respeitoso.

Não leva a vossos pés rogo teimoso

De importuno cansado pertendente;

Vem beijar-vos a mão humildemente,

A mão augusta que o fará ditoso.

Pois foi por Vós benignamente ouvido,

Não vai fazer em pertenções estudo,

Vai só mostrar-vos que he agradecido.

Ante Vós ajoelha humilde, e mudo:

Mostrai-lhe que inda he Vosso protegido;

Que se isto lhe ficou, ficou-lhe tudo.

A Sua Alteza.

SONETO II.

Qual naufrago, Senhor, que foi alçado

Por mão piedosa d'entre as ondas frias,

Tal eu de antigas duras agonias

Por vossas Reaes mãos fui resgatado:

Pois vencestes as teimas do meu fado,

E já vejo raiar dourados dias,

Deixai que possa em minhas poesias

O vosso Augusto Nome ser cantado.

Não he digna de vós minha escriptura,

Nem harmonia, nem estilo a adoça;

Mas valha-lhe, Senhor, vontade pura.

Principe excelso, consentí que eu possa

Fazer inda maior minha ventura,

Contando ao mundo que foi obra Vossa.

Sahindo Conselheiro da Fazenda o Illustrissimo,

e Excellentissimo Senhor D. Diogo

de Noronha.

SONETO III.

Nem sempre em verdes annos a imprudencia

Produz irregular procedimento:

Nem sempre encontra o humano entendimento

Só perto do sepulcro a sã prudencia.

Em Vós não esperou a Providencia

Que longas cans vos dêm merecimento:

Em Vós mostrou que estudos, e talento

Valem mais do que a larga experiencia.

Os eruditos velhos Conselheiros,

Depois que o vosso voto alli for dado,

Serão de Vós eternos pregoeiros:

E dirão que deveis ser escutado

Onde os Ministros vossos companheiros

Não sejão da Fazenda, mas do Estado.

Aos leques mui pequenos, chamados Marotinhos.

SONETO IV.[1]

Fofo colchão, as plumas bem erguidas,

E sobre os hombros nas jucundas frentes

De enrolado cabello anneis pendentes,

Longos chorões, bellezas estendidas,

Era esta das matronas presumidas

A moda, que trazião bem contentes;

Rião-se dellas as modestas gentes

Vendo pequenas poupas esquecidas.

Nisto a gentil Madama aperaltada,

Grande auctora de trastes exquisitos,

Nova moda lhe inventa abandalhada.

Reprova-lhe aureos leques com mil ditos.

Eis senão quando (oh moda endiabrada!)

Abanão-se com azas de mosquitos.

O cruel disfarce.

SONETO V.

Sem murmurar padecerei callado

Cumprindo o teu preceito violento:

Faltava a envenenar o meu tormento

Dever ser por mim mesmo disfarçado.

De trazer o semblante socegado

Farei o inculpavel fingimento:

Nos olhos mostrarei contentamento,

Tendo hum punhal no coração cravado.

Este peito onde nunca engano viste,

Que não sabe a vil arte de affectar-se,

Onde a verdade, e a intacta fé existe,

Martyr do amor, e do infiel disfarce,

Nas tuas adoraveis mãos desiste

Té dos tristes direitos de queixar-se!

Ao Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor

Visconde de Ponte de Lima, Secretario

de Estado.

SONETO VI.

A longa cabelleira branquejando,

Encostado no braço de hum Tenente,

Cercado de infeliz chorosa gente

Hia passando o velho venerando.[2]

Geraes repostas para o lado dando:

«Sim Senhor; Bem me lembra; Brevemente;»

Na praguejada mão omnipotente

Nunca lidos papeis hia aceitando.

Mas eu que já esperava altas mudanças,

Melhor tempo aguardei, e na algibeira

Metti a Petição, e as esperanças.

Chegou, Senhor Visconde, a viradeira:

Soltai-me a mim tambem destas crianças,

Onde tenho o meu Forte da Junqueira.

Fazendo Annos a Illustrissima, e Excellentissima

Senhora Marqueza de Angeja.

SONETO VII.

Senhora, ha muito tempo pertendia

Ser do vosso favor patrocinado:

Mil vezes vos quiz dar este recado;

Porém sempre o respeito me impedia.

Chegou em fim o venturoso dia

A fazer beneficios destinado:

Vou neste privilegio confiado;

Que a não ser isso não me atreveria:

Vou pedir que descendo da Cadeira,

Onde explico os crueis Quintilianos,

Me ensineis a tomar melhor carreira.

Que em mim ponhais os olhos soberanos,

E que me chegue em fim a viradeira[3]

No faustissimo dia destes annos.

Aos Annos do Illustrissimo, e Excellentissimo

Senhor Conde de Avintes.

SONETO VIII.

A varonil idade florecente

Vos tece, illustre Heróe, annos dourados

Para serem á Patria consagrados;

Pois sois de Almeidas claro descendente.

Sobre as terras, e mares do Oriente

Inda vejo os trofeos alevantados:

Vejo beber mil corpos aboiados

Do turvo Gange a fervida corrente.

No difficil caminho d'honra, e gloria

Por ferro, e fogo a seus bons Reis servindo,

Vos deixão por doutrina a sua historia.

Forão

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