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Lisboa Singular
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E-book123 páginas1 hora

Lisboa Singular

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Sobre este e-book

Um estranho Fenómeno assolou Lisboa e agora a capital de Portugal convive, no dia-a-dia, com seres míticos como gárgulas, ninfas, unicórnios, sereias aéreas e marinhas.

É neste cenário que os heróis da história (um intelectual, um poeta
medricas e um líder incontestável) viverão a sua grande aventura.

Conseguirão Artur, Jonas e Xana atingir os seus objectivos?

IdiomaPortuguês
Data de lançamento23 de jul. de 2012
ISBN9781476049656
Lisboa Singular
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Autor

Ágata Ramos Simões

Colaborou na tradução japonesa das obras “Todos os Nomes” e “A Caverna” de José Saramago.Representada com três poemas na colectânea de poesia contemporânea portuguesa, “Ventana A La Nueva Poesía Portuguesa”, editada no México pela Ediciones Desierto.Escreveu “Lisboa singular”, livro infanto-juvenil, publicado em português por uma editora francesa (Éditions 00h00).Teve uma participação no Salão do Livro em Paris, entre os dias 16 e 21 de Março de 2001, convidada pela editora Éditions 00h00.Ganhou o 1o prémio no concurso literário “António Mendes Moreira” da Câmara Municipal de Paredes com o manuscrito “À Procura de um Livro” e ganhou igualmente o 1o prémio ex-aequo no concurso literário Orlando Gonçalves da Câmara Municipal da Amadora com o mesmo manuscrito.No princípio de 2006 foi publicada a obra "Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos" pela editora Saída de Emergência.Participou no DN Jovem durante alguns anos.

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    Lisboa Singular - Ágata Ramos Simões

    LISBOA SINGULAR

    Publicado por Ágata Ramos Simões at Smashwords

    Copyright 2012 Ágata Ramos Simões

    http://www.escrita.blogspot.com

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    of this author.

    INDEX

    CAPÍTULO 1

    CAPÍTULO 2

    CAPÍTULO 3

    CAPÍTULO 4

    CAPÍTULO 5

    CAPÍTULO 6

    CAPÍTULO 7

    CAPÍTULO 8

    CAPÍTULO 9

    CAPÍTULO 10

    CAPÍTULO 11

    CAPÍTULO 12

    CAPÍTULO 13

    CAPÍTULO 14

    CAPÍTULO 15

    CAPÍTULO 16

    CAPÍTULO 17

    CAPÍTULO 18

    CAPÍTULO 19

    CAPÍTULO 20

    CAPÍTULO 21

    CAPÍTULO 22

    1. Tozé

    (Toninho para as tias)

    Eh pá, chatice tramada. Vai um gajo, ali, na maior, a pensar que tá tudo numa fixe, e apanha com sereias pela frente! Bom, não é que eu não goste de sereias...vamos já pôr os pontos nos is, eu sou muita homem. Aliás, eu todo sou homem! Não se vê logo pela pinta? Pela toilette? Blusão de cabedal e botas à cowboy. O problema destas sereias é consumirem homens. Literalmente. Primeiro encantam-nos com aquelas vozes lindas, o tipo depois vai à má-fé...e é filado. Literalmente, repito.

    Já não se pode ir à piscina.

    Dantes, antes da trapalhada, era um descanso... ia à piscina do Lumiar, até era barato. Mas houve a cegada espácio-temporal e acabou-se a paz. Foi há menos de um ano. Em Junho, a escola prós putos ‘tava quase a acabar e as férias já ‘tavam a aproximar-se. Claro que a mim isso não me fazia mossa: trabalhava numa oficina de reparação de pneus e férias grandes eram quatro semanas repartidas duas vezes porque o cabrão do patrão não podia dispensar pessoal e era um unha de fomes para contratar mais gente. E escola... bem, digamos que já não lhe conheço o cheiro vai para anos.

    O ano passado, até Junho, era só calor, água nem vê-la. Até que houve um anticiclone ou uma frente fria ou uma frente quente, sei lá, e desatou tudo em pantanas. Bom, verdade verdadinha, aquilo era uma coisa tão esquisita que os cientistas meteorológicos nem sabiam que nome lhe pôr. Jamais tinham visto fenómeno mais bizarro. Durante duas semanas Lisboa, e só Lisboa, foi assolada por um vento fantasmagórico que ninguém sentia na pele, mas que levava telhados, carros, árvores, às vezes até para o outro lado do Tejo. Além desse vento estranhíssimo havia o nevoeiro.

    Enquanto aquilo durou foram acontecendo coisas estranhas: apareciam centauros, gárgulas, sereias, grifos, quimeras. Todo o género de criaturas mitológicas que até então só se conheciam dos livros (ou pelo menos disseram-me que sim, que eu não costumo ler livros).

    O problema é que os seres pareciam tão atarantados como o resto da malta. Não faziam a mínima ideia de como raio tinham ido parar a local tão esquisito (na sua opinião) e, pior, desconheciam forma de sair dali. Quando o fenómeno climatérico excepcional terminou os tipos não desapareceram, pelo contrário, cada vez havia mais. De modo que, ao fim de muita discussão, decidiu-se que ficariam ali a residir com o resto das pessoas (pois muitas tinham, por sua vez, desaparecido, estranhamente o número exacto das que surgiram do nada), e para tal deu-se-lhes o estatuto de cidadão português... temporário. Nem sabem o barulho que as associações de direitos civis fizeram! Que não, não os podiam expulsar como cidadãos de segunda, que não, não podiam ser vendidos para laboratórios americanos como cobaias (o pilim que eles ofereceram!), que não, não podiam ser encerrados numa ilhota no cú do mundo, de maneira a pô-los longe dos olhos e temores da população ainda dita normal. O que mais me impressionou é que os gritos, os uivos e os clamores de justiça!, por parte dessas associações... vingaram. E os tipos foram integrados ao resto da população. Claro que muita má-língua disse que o Governo ‘tava era cheio de miufinha, pois muitos eram bruxas, feiticeiros e afins... e sabia-se lá o que os gajos podiam aprontar!

    De modo que desde então Lisboa, e só Lisboa, tem agora centauros a atenderem em caixas de hipermercado, gárgulas empregados de mesa, esfinges professoras, sereias aladas como trabalhadoras da construção civil (nas aquáticas ninguém toca, já expliquei o motivo acima). E ninguém se queixa. A vida corre como todos os dias. Até para mim, que já não sou empregado numa oficina de reparação de pneus, e trabalho como empregado numa gelataria (ou geladaria, como dizem os finórios).

    A maioria dos seres mitológicos são idóneos, até as bruxas e os magos, no entanto as sereias aquáticas, a essas ninguém doma. Conhecem a lenda de Ulisses? Bom, o tipo no regresso de Tróia para o seu reino encontra as ditas sereias. E elas são lindas, têm vozes maviosas que levam um gajo à loucura. Muitos marinheiros tinham perdido a vida lançando-se ao mar para ir ter com elas. Mal chegavam ao pé das sereias estas de imediato os comiam. A única maneira de sobreviver ao feitiço era encher os ouvidos de cera de maneira a não escutá-las. Todos os companheiros de Ulisses o fizeram, mas ele deu instruções para que o amarrassem (de ouvidos limpos) ao poste do barco, de modo a ouvi-las enquanto passavam pelo local onde elas levavam os homens à loucura e à morte. Ulisses quase marou também. Se não tivesse sido amarrado tinha-se jogado à água e seria devorado pelas maviosas belezeuras.

    As sereias aquáticas que habitam em Lisboa em tudo quanto é lago, piscina ou mero banho de imersão (já ninguém toma banho, só duche), conservaram os mesmos hábitos gastronómicos. O desgraçado que se deixa cair na cantiga... é devorado. Há que ter muito cuidadinho com elas. O bom da história é que, com a migração forçada, elas devem ter perdido alguma da sua mágica força. Já não levam os homens a uma total e incontrolável loucura. É possível fugir-lhes usado apenas o bom senso.

    Mas eu, estupidamente, esqueci-me das sereias aquáticas. Era o meu dia de folga e como o sol apertava decidi ser um óptimo dia para um mergulhinho. Saí de casa, na minha banheira velha (só a uso nos dias de folga por consumir como um beberrolas num bar onde as bebidas são de graça), cheguei ao Lumiar, estacionei à entrada da piscina, perto do mercado municipal. Ia na maior, a gozar aquele sol escaldante, nem estranhando o facto da piscina estar deserta. Claro que ia armado no subconsciente de uma defesa. Parece que tinham inventado uma engenhoca qualquer, que emitia ondas electromagnéticas, impedindo as sereias marinhas de fazerem o gosto ao dente. Tinha assistido à reportagem no dia anterior, no telejornal. Suponho que a sereia que me abordou não tinha visto o mesmo programa.

    Mas digo-vos: era cá uma estampa! Rabo a reluzir de escamas azuis, cabelo amarelo comprido e revolto e olhos de um laranja hipnótico. Não inteiramente, claro, tinha o branco como nós e a menina dos olhos era laranja. Linda!

    E como cantava! Meu Deus, a voz era de anjo! E eu até, na altura, comecei a pensar: não, a tipa não me quer comer. Aliás, via-se à légua que engraçava comigo. Quando se aproximou do meu pescoço, tinha eu os pés a bater na água morna, percebi logo que era para sentir de mais próximo a essência, o odor do perfume que uso sempre: Brutus. Que é tiro e queda, as garinas adoram e com ele engato-as todas. Para dizer a verdade era o que eu teria feito com aquela. Sim, não havia dúvida nenhuma! E provava a toda a gente que não havia que ter medo, o que era preciso era mão forte e pulso firme! Os coitados que foram comidos, foram-no porque tinham sido parvos! Não tinham tido a força suficiente!

    Mas comigo ia ser diferente! Ai aquela voz, aquela voz...! Enquanto cantava tocava-me

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