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A Maldição do Ventre
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E-book49 páginas41 minutos

A Maldição do Ventre

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Sobre este e-book

A velha senhora Dona Maria de Fátima aparenta ser uma velha dama de comuns e modestos hábitos. Porém ela esconde há muito um segredo tenebroso: é na realidade uma canibal que vive há cento e trinta anos. No local onde habita os seus vizinhos tomam-na por uma normal senhora reformada - e ninguém desconfia da sua assaz bizarra dieta alimentar. Até que certo dia Joana Bonfim se muda para o mesmo Bairro. Ela de imediato se apercebe que há algo de muito errado com a simpática Dona Maria de Fátima. No entanto nem imagina a história que a mesma tem para lhe contar.

IdiomaPortuguês
Data de lançamento3 de mai. de 2013
ISBN9781301286829
A Maldição do Ventre
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Autor

Ágata Ramos Simões

Colaborou na tradução japonesa das obras “Todos os Nomes” e “A Caverna” de José Saramago.Representada com três poemas na colectânea de poesia contemporânea portuguesa, “Ventana A La Nueva Poesía Portuguesa”, editada no México pela Ediciones Desierto.Escreveu “Lisboa singular”, livro infanto-juvenil, publicado em português por uma editora francesa (Éditions 00h00).Teve uma participação no Salão do Livro em Paris, entre os dias 16 e 21 de Março de 2001, convidada pela editora Éditions 00h00.Ganhou o 1o prémio no concurso literário “António Mendes Moreira” da Câmara Municipal de Paredes com o manuscrito “À Procura de um Livro” e ganhou igualmente o 1o prémio ex-aequo no concurso literário Orlando Gonçalves da Câmara Municipal da Amadora com o mesmo manuscrito.No princípio de 2006 foi publicada a obra "Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos" pela editora Saída de Emergência.Participou no DN Jovem durante alguns anos.

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    A Maldição do Ventre - Ágata Ramos Simões

    A MALDIÇÃO DO VENTRE

    Publicado por Ágata Ramos Simões at Smashwords

    Copyright 2013 Ágata Ramos Simões

    Site: http://www.smashwords.com/profile/view/agata

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    INDEX

    CAPÍTULO 1

    CAPÍTULO 2

    CAPÍTULO 3

    CAPÍTULO 4

    CAPÍTULO 5

    1.

    A velha senhora Maria de Fátima não revelava aos vizinhos a verdadeira idade. Para quem, como a maioria dos seres, vive no mundo da coerência e lógica, seria difícil - senão impossível - fazer compreender que ela já devia andar pelos cento e trinta anos, mais coisa menos coisa. A velha D. Fatinha tinha um metro e sessenta de formas arredondadas e convexas. Toda ela era bojuda e abaulada. O sinónimo da redondez em pessoa. A curva esférica consumada em carne. Por hábito vestia saia e casaco de tons neutros e material pesado e de qualidade, construído para durar. Tudo o que ela possuía era para durar. Porque, meus caros, uma senhora de cento e trinta anos - embora parecendo não ir além dos setenta -, com uma reforma pequena (ao redor de duzentos euros mensais), não se podia dar ao luxo de gastar o que não tinha e de comprar coisas que não lhe durassem nem duas lavagens. Os seus pertences eram objecto da máxima ponderação, antes de serem adquiridos.

    Ora a velha senhora Fatinha não albergava em si unicamente esse segredo e não queremos esconder nada aos senhores leitores. Na verdade, ela era um túmulo de segredos, tão profundamente escavado que quem quer que o descobrisse não sairia de lá vivo.

    A Dona Fatinha por hábito, e inclinação de carácter, tratava toda a gente com grande atenção e uma espécie de carinho e afecto distanciado. Dava afecto, sim, mas a ninguém permitia intimidades. Era necessário. Afinal de contas, ela era uma canibal moderna.

    Não quero assustar ninguém. Por favor, não desejo transmitir a noção de que, algures, quiçá perto de vós, no vosso Bairro, na vossa cidade, na vossa rua, possa habitar esta querida senhora com costumes alimentares tão pouco ortodoxos. Pode ser que esteja mesmo, mesmo à vossa beirinha - como pode ser que não. Pode dar-se até o feliz caso, imagine-se, da Dona Fatinha estar prestes a consumir o mais cruel e feroz dos vossos inimigos.

    A Dona Fatinha, desde que se conhece por gente, que ingere carne humana de maneira a poder sobreviver. Com qualquer outro alimento ela perece. E já experimentou todo o género de carne - incluindo a dos primatas, desde gorilas a macacos. Ela já comeu de tudo. Porém, o facto é que, após uma semana de estrita dieta alimentar (que não inclui nem molécula de carne humana), a Dona Fatinha é invariavelmente acometida por um torpor, por uma moléstia, uma doença de diagnóstico imperscrutável. Ela fenece, a sua carne dissipa-se rapidamente e em menos de duas semanas fica reduzida a carne e osso, semelhando um esqueleto humano. Tentou de tudo. Dietas rigorosas sem carne; dietas rigorosas só de carne ou só de peixe; dietas de

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