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Viajando com Ângela

Viajando com Ângela

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Viajando com Ângela

notas:
5/5 (1 nota)
Duração:
569 páginas
8 horas
Editora:
Lançados:
Sep 1, 2014
ISBN:
9781483537658
Formato:
Livro

Descrição

A experiência centenária de uma senhora que não se abateu com as dificuldades impostas na vida e que rodou o mundo buscando novas culturas e desafios que a levaram a ser conhecida como a vovó aventura.
Editora:
Lançados:
Sep 1, 2014
ISBN:
9781483537658
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Viajando com Ângela - Angela Multedo

2013

ARGENTINA

Buenos Aires

Partimos do Rio de Janeiro pelo vôo da Aerolíneas Argentinas, chegando em Buenos Aires, depois de uma grande atraso da Aerolíneas. Em Buenos Aires pegamos um tremendo engarrafamento, pois era a missa da Evita. Peron. É impressionante o fascínio que continuam a exercer a figura de Peron e Evita.

Buenos Aires, foi fundada às margens do rio da Prata em 1535. Os seus quase 200 km² de superfície já são pequenos e, ela ansia continuar estendendo-se. A sua população aproxima-se dos oito milhões de habitantes e inclui todos os grupos étnicos, todas as nacionalidades, todos os credos, todas as ideologias.

Para descrever Buenos Aires, não sei como começar. Tem cerca de 50 teatros. O teatro Colón é um dos mais célebres palcos líricos e musicais do mundo.

Lavalle, a rua dos cinemas, reúne quinze salas em apenas quatro quarteirões. Existem mais de 40 galerias de arte, dezenas de bibliotecas públicas, a Nacional com mais de um milhão de volumes. Um grande autódromo, um velódromo; os hipódromos de Palermo e San Isidro e estádios grandiosos de futebol.; restaurantes onde se conhecem todos os segredos das cozinhas internacionais; cantinas italianas; churrascarias, onde o gostosíssimo assado crioulo é uma tentação; cervejarias alemãs; bares e confeitarias alinhadíssimos; uisquerias e clubes noturnos.

Na querida Santa Fé e na Calle Florida, as vitrines das grandes lojas e as boutiques, assombram com a infinita diversidade de artigos. De leste a oeste, a Avenida Rivadávia atravessa a cidade com seus dez quilômetros de comprimento. Corrientes, a rua dos boêmios, rua que nunca dorme, o bairro de La Boca. Para o norte, o bairro das residências senhoriais: Palermo, San Isidro, Olivos,etc.

Fragmentos de Buenos Aires, esplendores de uma grande cidade na qual as vozes da bossa nova não conseguem apagar os profundos e comoventes tangos de Carlos Gardel, nos redutos noturnos da música portenha, como é o bairro antigo de SanTelmo, onde aos domingos pela manhã é realizada uma interessante feira, onde se pode comprar objetos antigos de cristal, prata, cobre, etc.

Bariloche

No dia 22, tomamos um avião da Aerolíneas Argentinas e, rumamos para San Carlos de Bariloche.

Pelas terras patagônicas de Neuquém (maçãs), Rio Negro, Chubut e Santa Cruz, ladeada pela Cordilheira dos Andes, estende-se a região dos lagos argentinos, lugar maravilhoso, onde o céu e a terra parecem se contemplarem, onde a imensidão e a eternidade estão perpetuamente representadas na paisagem. O seu centro turístico, por excelência, é sem dúvida San Carlos de Bariloche, cidade com ótimos hotéis, contornada por montanhas majestosas, neves eternas, bosques milenares, lagos azuis, rios, córregos, cachoeiras, ilhas e uma profusão de belezas que abrangem centenas de quilômetros, de norte a sul.

Como espelho central, o lago Nahuel Huapi, com 530 km² de superfície. Em meio a lago, a ilha Victoria, com seus altos bosques, suas inscrições rupestres e os seus veados.

No dia 23, fizemos uma ótima excursão com táxi e chofer do próprio hotel Aconcágua, Puerto Pañuelo, Hotel Llao-Llao, Baía Lopez, Puerto Panorâmico, Lago Moreno e Laguna El Tiebol.

No dia 24, fomos à Ilha Victoria e Bosque de Los Arrayanes, tomando em Puerto Pañuelo uma lancha muito confortável. Esta excursão dura o dia todo e, é realmente uma beleza. O Bosque de Los Arrayanes, um dos maiores do mundo, com suas árvores de formas misteriosas e cores estranhas de canela, maravilha única no mundo, onde inspirou-se Walt Disney para aquele filme imorredouro Bambi.

O Parque Nacional de Nahuel Huapi possui 8.000 km² de natureza preservada, onde a mão do homem não conseguiu destruir esta maravilha de bosques de ciprestes, etc.

No dia 25, fomos pela manhã à Cerro Catedral, magnífico centro de esportes invernais. Acha-se munido dos mais modernos equipamentos utilizados nas práticas de montanha. Aerocadeiras (aerosijas) possibilitam a chegada ao cume de 2.400 metros de altura. Lá em cima, conseguimos pegar com as mãos a neve. É indescritível o panorama no cume do Cerro Catedral. Lá, tudo está pronto para os turistas: refúgio para esquiadores, confeitarias, um reconfortante chocolate quente, etc...

No dia 26, voltamos para Buenos Aires, depois de termos passado dias inesquecíveis. Acho que festejamos maravilhosamente os nossos vinte e três anos de casados!

Ficamos em Buenos Aires até o dia 31 e, aproveitamos para fazer belos passeios. Fomos também ao Tigre, onde o rio Paraná, depois de um longo percurso de 4.500 quilômetros, despeja seu vasto caudal no Prata. Lá vimos luxuosas residências e curiosas construções que assentam na superfície das águas, sustentadas por pilares.

Retornamos dia 31, chegando ao Rio às 20 horas, ainda a tempo de rompermos o ano de 1975!

Viagem ao Alasca

Junho de 1990

Jamais imaginei um dia conhecer o Alasca! O convite da Holland America Line, representada no Brasil pela Pier I, foi um verdadeiro presente de aniversário, pois acabava de completar 60 anos! Apesar de ter perdido tragicamente, no início daquele ano, meu grande amigo e companheiro, Deus ainda me dava forças para poder contemplar as belezas da natureza. Mário, meu marido, partiu para uma outra vida, mas ainda o sinto muito próximo de mim. Ficou seu amor que é o que nunca morre... E a vida continua...

O grupo de dez agentes de viagem convidados para fazer essa linda viagem era muito simpático e todos gentilíssimos comigo, afinal eu era a mais velha do grupo!

Partimos do Rio com destino a Toronto, com conexão direta a Vancouver.

Canadá

Vancouver

Vancouver é uma das cidades mais importantes do Canadá! Em 1873, só possuía 54 habitantes, em sua maioria lenhadores e serradores de madeira, mas hoje tem quase dois milhões de habitantes, é dinâmica e com características que poucas outras regiões possuem.

O mar está sempre presente e sua situação geográfica é estupenda. Cercada ao norte pelas vertentes das montanhas Hollyborn, Grouse e Seymom, a cidade oferece vistas deslumbrantes o ano inteiro. A oeste, estão as doces praias de English Bay e How Sound, e ao sul e a leste, está o fértil delta do rio Fraser, com seu vale cheio de ricas fazendas. Lá, está localizado o Parque Stanley, com mais de 300 hectares, um dos mais célebres e importantes do Canadá!

A região do porto, berço de Vancouver, onde ficavam as serrarias, é hoje a famosa gastown, com construções de 1867 restauradas e transformadas em boutiques, bares, antiquários, galerias de arte e ótimos restaurantes.

Linda a visita que fizemos ao Queen Elizabeth Park com flores lindíssimas, muito bem conservado, inaugurado em 1961, por ocasião do 75º aniversário de Vancouver.

Muito interessante também a arquitetura do Centro de Convenções da cidade. Parece um veleiro com suas velas enfunadas.

Vancouver é uma bela cidade, com avenidas largas e grandes edifícios, uma cidade encantadora.

Victoria

Victoria, capital da British Columbia, era um centro comercial antes de se tornar base de partida para os que lidavam com ouro, foi fundada em 1834 pela Companhia da Baía de Hudson, que precisava de um lugar para seu comércio além de Vancouver. Victoria foi comprada dos Estados Unidos, tornando-se em 1858 a capital da colônia. Hoje é a cidade mais charmosa do Canadá e foi dela que Rudyard Kipling pediu emprestado a beleza de seus livros. Com ruas calmas onde trafegam ônibus de dois andares, jardins feéricos com flores o ano todo, a cidade é elegante e moderna. Mas Victoria não esquece o seu passado: o Parque Oiseau Tonnerre tem uma floresta de totens que relembram a civilização encontrada pelos brancos. O Parque de Butchart Garden é uma visita imperdível, com seus cinco diferentes jardins com flores lindíssimas. No verão, ali são realizados concertos ao ar livre.

Retornamos a Vancouver para no dia seguinte embarcar para o Alasca!

Alasca

Alasca é a parte do continente americano mais próximo da Ásia, da qual dista apenas 90 km do estreito de Bering. O Alasca, descoberto por Bering em 1741 e incorporado à Rússia foi, durante quase um século, governado pela Companhia Russo-Americana, fundada em 1799.

Em 30 de março de 1867, o governo imperial russo vendeu aos Estados Unidos suas possessões americanas por US$ 7.200.000! Em 1912, o Alasca foi transformado em território e em 7 de julho de 1958 passou a membro da Federação como seu 49º estado.

Embarcamos em Vancouver no luxuoso navio Nieuw Amsterdam da Holland América, com destino ao Alasca! Que aventura representava para mim! A partida do navio foi emocionante, observando ao longe o pôr do sol na baía de Vancouver, a orquestra a bordo tocando músicas que me trouxeram muitas lembranças... as lágrimas brotaram dos meus olhos, não por tristeza, mas sim, de emoção.

Nas regiões sul e sudeste do Alasca, banhadas diretamente pelo Pacífico e pelo golfo do Alasca, concentra-se a maior parte da população. Numa faixa estreita de terra, que por vezes não vai muito além de 20 km, está mais da metade da população do Estado.

Ketchikan

A primeira cidade visitada onde o navio ancorou foi Ketchikan, uma pequena cidade essencialmente comercial, com numerosa população de pescadores. Fizemos um city tour interessante, aproveitamos para conhecer o museu local, os tanques de criação de salmão e terminamos com uma visita ao Parque Nacional com suas florestas preservadas, lindos totens esculpidos em madeira e a réplica de uma casa dos antigos habitantes desta região. O comércio é bastante variado com destaque para as casas de artesanato local.

A segunda cidade que iríamos visitar seria Juneau, a capital do Alasca.

Juneau

Juneau está localizada na entrada do mais longo e profundo fjord da região: o canal de Lynn. Além de exercer as funções próprias de uma capital, Juneau se destaca por suas relações comerciais com o resto do país, sendo ainda favorecida por estar próxima de importantes centros de mineração. E, apesar das minas de ouro estarem fechadas, Juneau continua crescendo. Suas casas em estilo vitoriano, a sede do governo e a pequena igreja russa ortodoxa de São Nicolau são pontos interessantes para visitar. Fizemos um lindo passeio às geleiras de Mendehall, há 10 milhas ao norte de Juneau. Esse maciço de gelo azul é formado há muitos séculos e é uma das únicas geleiras do mundo acessível por carro ou ônibus. No caminho, passamos por casas de colonos cercadas por telas para impedir a invasão dos ursos da região, que descem das geleiras e montanhas famintos à procura de comida. Juneau também tem um bom comércio com lojas mais sofisticadas.

De Juneau, rumamos para o ponto mais extremo do Alasca, segundo o roteiro do navio: Glacier Bay.

Glacier Bay

Até chegar lá, passamos por lindas paisagens: de um lado florestas verdejantes, e do outro, geleiras eternas. Esta região foi explorada pelo capitão George Vancouver e é um dos pontos altos do cruzeiro.

O navio ia mais devagar, afastando pequenos icebergs até ao extremo oposto da baía. Lá, ficamos ancorados por um bom tempo, bem perto das impressionantes geleiras de tom azulado. Tivemos que usar óculos espelhados para não cansar a vista. Neste lugar encantado realmente sentimos a beleza e a grandiosidade da natureza e parece que encontramos a paz!

Depois de apreciarmos esta linda e inesquecível paisagem, sentimos a nossa pequenez diante da mão de Deus que criou essa harmonia na natureza. Infelizmente, parece que o homem não sabe preservar esta dádiva de Deus.

De Glacier Bay, o navio começa a descer em direção a Vancouver novamente.

Sitka

Ancoramos também, numa pequena cidade que ainda guarda muitos costumes russos: Sitka. Antiga capital do Alasca Russo tem importância apenas histórica, pois hoje não pode competir com os núcleos mais recentes. É a mais antiga cidade do sudoeste do Alasca, sendo o local onde os Estados Unidos tomaram posse formal do Alasca em 1867, quando o adquiriram da Rússia.

Apesar da copiosa chuva, (parece que chove 300 dias por ano nesta cidade!), fizemos um city tour interessante visitando a Catedral de São Miguel, com seu lindíssimo ícone de Nossa Sra.de Sitka, pintado na Rússia em 1800, pelo famoso pintor Vladimir Lukick Borovikosky. Este ícone foi doado à cidade pelos empregados da Companhia Russa-Americana.

Da catedral, fomos visitar o museu de Sitka, com objetos russos e dos antigos habitantes desta região, os Tlingit. Assistimos também, a um conjunto de danças russas.

Navio Nieuw Amsterdam

A viagem estava quase terminando, mas não poderia deixar de dizer uma palavra sobre este maravilhoso navio, um verdadeiro hotel cinco estrelas flutuante! Todas as noites, após delicioso jantar, assistíamos a ótimos shows, aproveitávamos a programação do cassino e discoteca e à meia-noite feérica ceia! Pela manhã, fazíamos cooper à volta do navio e depois uma ótima aula de ginástica. À tarde, sempre havia uma programação de cinema ou conferências sobre a região visitada. Isso tudo, sem falar do requinte das refeições e do serviço de bordo. A boutique do navio tinha objetos lindos de porcelanas do mundo todo, além de muitas roupas esportivas e de grande gala.

Fizemos também um tour pelo navio organizado pela gerente de relações públicas, no qual nos foi mostrado verdadeiras obras de arte de origem holandesa. O navio era um mini museu flutuante.

Estávamos já no fim dessa linda viagem e começávamos a avistar ao longe os contornos de Vancouver.

Agradeci a Deus ter me proporcionado a grande oportunidade de conhecer esse lindo e pequenino fim do mundo!

Canadá

Toronto

De Vancouver voamos para Toronto, onde iríamos passar dois dias.

Toronto por muito tempo era conhecida por sua tranquilidade, até que nos anos 60 uma grande expansão tornou-a uma das cidades que mais cresceu no mundo. Com mais de quatro milhões de habitantes, a capital de Ontário, ultrapassa até Montreal. Apesar do crescimento, Toronto não se transformou numa Nova York, pois seus governantes através de uma sábia política conseguiram conservar esse gigante com características humanas, é uma das cidades mais agradáveis do Canadá.

Reina em Toronto um clima cosmopolita que contribui especialmente para acolher os imigrantes de todas as partes do mundo; seus idiomas, costumes e culturas permitem que a cidade ofereça hoje aspectos tão variados. Essas diversas comunidades que conservaram seus aspectos originais fizeram da cidade um ponto de encontro mundial, o que, aliás, é o significado da palavra Toronto em dialeto índio.

Muitos espaços verdes contribuem também para dar à cidade um clima caloroso; seus parques são espalhados por toda a cidade e é difícil acreditar que se esteja numa grande metrópole.

A torre C.N tem um ótimo restaurante rotativo que a 400 m de altura oferece uma das mais bonitas vistas da cidade.

Estivemos hospedados no maravilhoso Hotel Sheraton. De seu lobby descíamos uma escada rolante que nos conduzia ao famoso shopping centre subterrâneo com lojas de departamentos espetaculares, ótimos restaurantes, etc.

Essa encantada viagem estava terminando e mais uma vez agradeci a Deus o presente tão maravilhoso!

Estados Unidos

Kentucky

Em ótima companhia de Marília e Gabriel, conheci este lindo estado americano.

A palavra Kentucky vem de uma palavra indígena que significa terra do amanhã. Os indígenas chegaram ao Kentucky há mil anos para caçar, foram formando tribos como os Shawnee e os Cherokee e passaram a se organizar e viver definitivamente no Kentucky.

Em 1760, começaram a chegar os primeiros caçadores, sendo Daniel Boone, o mais famoso. Ele nasceu na Pensylvania em 1734, viveu na Carolina do Norte e quando soube das belezas do Kentucky, partiu para lá em 1769 e, em 1773, levou toda a família. Boone construiu o primeiro povoado: Boonesborough, que os americanos conservam até hoje intacto. É um dos passeios mais interessantes, pois se pode apreciar, in loco, a maneira como viviam seus ancestrais.

A partir de 1780, muitas pessoas foram se fixando definitivamente em Kentucky, construindo pequenas cabanas e plantando milho, e as pequenas cidades começaram a nascer. É dessa época, a fundação das cidades de Frankfort, Louisville, Stanford e Lexington. Em 1790, a população de Kentucky já era de 75.000 pessoas e a região ainda fazia parte do estado da Virginia. Em primeiro de junho de 1792, Kentucky tornou-se o 15º estado americano.

Vamos falar um pouco sobre a geografia de Kentucky.

Muitos estados fazem divisa com Kentucky: Indiana, Ohio, West Virginia, Tennessee, Missouri e Illinois. O estado é banhado pelos rios Ohio, Green e Kentucky e à leste estão as Montanhas Apalaches.

Muitas atividades que fizeram a fama de Kentucky, começaram a se desenvolver em meados de 1800. A região central chamada Blue Grass, (grama azul), por ter uma ótima forragem para cavalos tornou-se ideal para a criação de cavalos de raça estimulando o surgimento de grandes fazendas. A cidade de Louisville é mundialmente famosa pelas corridas de cavalos, é lá que se realiza a mais importante corrida americana: Kentucky Derby. Ainda em 1800 mais um relevante produto nasceu nessa região: o famoso whisky Bourbon, feito à base de milho. A plantação de tabaco tornou-se importante e as fazendas nessa área eram chamadas de plantation. Kentucky, também foi o berço de dois homens famosos da história americana - Abraham Lincoln e Jefferson Davis. Em fins de 1800, muitas estradas de ferro começaram a ser construídas. As minas de carvão começaram a ser exploradas e hoje, Kentucky é o primeiro estado americano em produção de carvão mineral.

Na região de Kentucky Blue Grass também está situada a cidade de Lexington, onde Marília e Gabriel possuem uma adorável casa no Condomínio Griffin Gate. Foi lá que fiquei tão carinhosamente hospedada. Visitamos várias fazendas de criação de cavalos e de gado. Que beleza! Aproveitamos para visitar também o Kentucky Horse Park, imenso parque de diversões só sobre cavalos!

A cidade de Lexington foi fundada em 1779 e hoje é a segunda cidade mais importante do Kentucky. Sua universidade é famosa nos Estados Unidos.

Aproveitamos para conhecer o lindo Parque Nacional de Natural Bridge. Como os americanos sabem preservar a natureza!

Trouxe ótimas recordações desta linda viagem e, em particular, a acolhida carinhosa de Marília e Gabriel.

Viagem a New Orleans

Setembro de 1991

Estados Unidos

New Orleans

Foi uma ótima viagem em companhia de meus caros amigos Maria Odila, Magui e Mega, Dina e Silvano. Partimos do Rio em direção a Miami, onde ficamos três dias, depois seguimos para New Orleans e finalmente Nova York.

New Orleans foi fundada em 1718 pelos franceses chefiados por Bienville, tornando-se logo, a capital da Louisiana. A cidade ficou sob o domínio espanhol de 1764 a 1803, quando foi devolvida à França. Nesse mesmo ano, passou a pertencer aos Estados Unidos em consequência da compra de toda Louisiana.

New Orleans é a porta de entrada e saída de toda a rica região do Mississipi, o que explica a extraordinária importância de seu porto, cuja linha de cais estende-se por mais de 20 km.

New Orleans, destaca-se entre as demais cidades do país, pela forte presença de tradições francesas e pelas relíquias do domínio espanhol. A cidade conserva maravilhosamente o Quarteirão Francês (French Quarter), onde os costumes da França aparecem harmoniosamente mesclados com velhos edifícios de arquitetura mourisca e espanhola. Passear pelas ruas do bairro francês, ouvindo o jazz de seus pequenos bares é algo formidável! Restaurantes atraentes acham-se instalados em torno de acolhedores pátios internos. Respira-se alegria e música em New Orleans! Na Bourbon Street, existem lindos antiquários – uma verdadeira tentação! É interessante fazer um city tour pela cidade para uma visão geral , e também o passeio pelas barcas no Mississipi.

Conhecer New Orleans era um antigo desejo meu. Realmente, é uma cidade muito interessante, completamente diferente das grandes cidades americanas. Nas salas do Preservation Hall ouve-se um ótimo jazz tocado por músicos fantásticos, muito deles com idade bastante avançada!

New Orleans, é hoje, um grande centro cultural com numerosas universidades, sendo considerada a mais romântica cidade dos Estados Unidos.

Seguimos para Nova York para passar uma semana com muita atividade: museus, teatros, compras, etc... Nova York é realmente a capital do superlativo!

I love Nova York!

Estados Unidos - Nova Inglaterra, em Maio de 1993.

Estados Unidos

Estava realizando mais um de meus sonhos: conhecer a Nova Inglaterra, berço da história americana. Essa excursão foi organizada pela companhia de turismo americana Tauck Tours, que ofereceu roteiro e serviços excelentes.

Partimos de Nova York, do Hotel Waldorf Astoria, onde havíamos nos hospedado como reis e seguimos em direção norte, passando por lindos campos e muitas fazendas. Estávamos entrando na região montanhosa do estado de Connecticut. Nas cercanias de Amenia, cidade onde se realiza a tradicional festa da caça a raposa, encontramos famosos haras de criação de cavalos puro sangue. Paramos para almoçar na tranqüila Lakeville, situada nas montanhas de Berkshire.

Depois de um maravilhoso almoço, tipo buffet, no resort Interlaken Inn, continuamos por cidades coloniais como Great Barrington, Lenox, Stockbridge e Willianstown. Estávamos entrando no estado de Vermont.

Paramos em Bennington para uma visita ao museu, aliás, muito interessante, que abriga relíquias da história da Nova Inglaterra. Lá encontramos valiosas coleções de quadros, móveis, cerâmicas e uma importante galeria de vidros com lindos copos, pratos, etc., cuja fabricação teve início nos Estados Unidos em 1820.

Na região de Green National Forest, de paisagem lindíssima, encontramos pequenos riachos alimentados pelo degelo das montanhas, imponentes florestas muito bem preservadas e lindas árvores começando a florescer, depois de um longo sono de inverno.

Visitamos Hildene e a casa-museu que pertenceu a Robert Todel Lincoln, filho de Abraham Lincoln. A localização dessa mansão é sensacional e de seus lindos jardins tem-se uma visão panorâmica das Green Mountains e, em especial da Equinox Montain.

Prosseguimos até Manchester, aonde iríamos nos hospedar no resort Equinox. A região é muito procurada por turistas em todas as estações do ano, especialmente no inverno para esquiar.

Entramos no estado de New Hampshire, com lindos parques florestais, grande abundância de maple – a árvore de onde se extrai o sirup, uma espécie de mel muito utilizado na alimentação dos americanos.

Passamos por Plymouth com grandes fazendas de gado e importante pela fabricação de queijos. Continuamos em direção a Woodstock e Hanover, onde paramos para almoçar. Em Hanover está o famoso Dartmouth College, uma das escolas mais caras dos Estados Unidos. Interessante notar que as pontes sobre os rios dessa região são de madeira e cobertas para se proteger da neve e evitar que esta se acumule.

Seguimos em direção da região de White Mountains e entramos no Franconix Park com imensas florestas, rochedos escarpados e a famosa rocha Old Man, que observada de um determinado ângulo parece com a figura de um velho homem.

Pernoitamos em North Conway, uma região também muito procurada para esportes de inverno. À noite, assistimos a uma projeção de slides sobre a flora e a fauna, realizada por um experiente ecologista da cidade.

Deixamos a região montanhosa de New Hampshire e seguimos em direção da costa do estado do Maine. Passamos ainda por lindos parques, com árvores de folhagens vermelhas e verdes em diversos tons, um verdadeiro colírio para os olhos.

Portland

Entramos no Maine, terra das lagostas, passando por Freybourg, grande produtora de batatas e seguimos para Portland, cidade importante por seu grande porto sobre o Oceano Atlântico. Portland tem 62 mil habitantes, várias universidades, porto com importante terminal de petróleo e é a pátria do poeta Longfellow. Os bairros residenciais são muito pitorescos e a arquitetura colonial das casas nos recorda as casas inglesas de tijolinho vermelho e esquadrias brancas. Uma curiosidade dessas casas são as janelas do terceiro andar, menores que as do segundo e primeiro andar.

A pesca da lagosta é uma importante atividade no Maine e só as pessoas que residem no estado podem pescá-las. A pesca é feita com gaiolas de ferro colocadas no fundo do mar e as lagostas de pequeno porte são sempre devolvidas ao mar.

Almoçamos na beira do cais num ótimo restaurante de frutos do mar, o Channel Crossing. Inútil dizer que nos deliciamos com lagostas, salmões frescos e camarões.

Depois de um passeio pela baía de Casco Bay, seguimos em direção à pequena cidade balneária de Kennebunkport, onde o ex-presidente George Bush tem uma linda mansão à beira-mar. À noite, no hotel, fomos brindados com um autêntico festival de lagostas.

Portsmouth

Continuamos descendo pela costa, em direção a Portsmouth, porto importante e grande base submarina. Foi aí que os Estados Unidos decidiram sua entrada na guerra para atacar o Japão. Muito bonitinha a arquitetura colonial, com algumas reminiscências vitorianas; persistem ainda as janelas menores no terceiro andar das casas e jardins com flores...

Passamos por Hampton Beach, lugar de veraneio à beira-mar, com muitas casas de pedras. Em Cape Anne paramos na encantadora cidadezinha de Rockport, almoçamos no restaurante Peg Leg e flanamos a pé pela cidade, visitando suas boutiques e antiquários.

Já estávamos novamente, no rico estado de Massachusetts. Digo rico porque é, além de tudo, rico em história. O estado tem 65 universidades e colleges. É uma região de grandes fazendas de criação de gado e de cavalos puro sangue. Continuamos por Gloucester, fundada em 1633, uma pequena aldeia de pescadores, conhecida pela pesca da baleia, hoje proibida.

Em seguida, passamos por Peabody, fundada pelos puritanos em 1600 e Salem, uma pequena cidade com casinhas bem ao estilo do interior da Inglaterra. Visitamos a casa, dita mal assombrada, que foi construída em 1668, pelo capitão Turner e mais tarde pertenceu aos primos de Nathaniel Hawthorne.

Dizem que foi aí nessa mansão, hoje museu, que ele escreveu o célebre livro The House of Seven Gables.

Boston

Boston me encantou desde o primeiro momento. Que grandiosa e simpática cidade!

Na península situada à margem direita do rio Charles, junto a sua foz, é que se encontra a parte principal da cidade. Seu sítio primitivo corresponde às três colinas ali existentes, algumas tão estreitas, que nelas apenas é permitido o tráfego em um só sentido. Grandes aterros tiveram que ser feitos a partir do século XVIII, sobretudo para o lado do rio Charles e vizinhanças de Charlestown e Chelsea.

Boston é um dos maiores mercados de lã do país, além de peles e couros. É um grande centro de negócios, pois a maior parte das indústrias da Nova Inglaterra, mantém ali escritórios e representações. Além disso, a cidade tem uma vida cultural muito ativa. Estivemos visitando o famoso Museu de Belas Artes que reúne obras de arte procedentes de diversas culturas e épocas da Europa, América e Ásia, desde a civilização greco-romana até os nossos tempos. Uma visita a este museu é muito importante!

Ficamos dois dias em Boston e fizemos um city tour, passando por Public Gardens com a estátua de Kennedy (sua família é de Massachusetts). Visitamos Quincy Market e Copley Place, conhecemos a mais antiga igreja protestante de Boston – Old North Church, fundada em 1723. Muito interessante o seu interior onde a platéia é dividida em pequenas salas, para cada família rezar junto.

Antes de deixar Boston, gostaria de fazer um pequeno resumo da história americana, para se poder compreender e interpretar o desenrolar dos acontecimentos nessas cidades que iremos passar: a história da Nova Inglaterra.

As antigas culturas indígenas do território americano eram bastante inferiores às grandes civilizações pré-colombianas. Sob o nome genérico de peles-vermelhas, agrupavam povos em geral seminômades, dedicados à caça, pesca e cultivo do milho. Depois do descobrimento da América, grandes potências quiseram explorar as riquezas naturais do Novo Continente. Foi por essa razão que lá chegaram muitos espanhóis, portugueses, holandeses, ingleses e franceses.

Em 1622, houve um levante indígena que colocou em perigo a colonização incipiente, sendo, entretanto reprimido com severidade. Dois anos antes, alguns puritanos ingleses conhecidos como os Peregrinos, ou Pilgrins, a bordo do navio Mayflower, fundaram Plymouth, na costa da Nova Inglaterra. Os problemas religiosos e políticos que dividiam a Inglaterra nessa época foram um grande estímulo à emigração e grupos perseguidos procuravam as terras da América do Norte, povoando rapidamente o litoral atlântico.

Ao mesmo tempo, os ingleses exploravam ao máximo a recente colônia. Depois de 1774, as relações entre os colonos e as autoridades metropolitanas começaram a se agravar. Os impostos onerosos e as restrições ao comércio colonial provocavam grande descontentamento. A situação se agravou e ocorreram os primeiros choques armados em Lexington e Concord, nas cercanias de Boston, em 1775.

A colônia declarou guerra ao rei George III e teve início o movimento para a independência dos Estados Unidos, que só terminou com a vitória definitiva em 4 de julho de 1776, na Filadélfia, Pensilvânia. A luta continuou e estendeu-se para o sul. Em março de 1783, um tratado de paz foi assinado com o reconhecimento da independência definitiva dos Estados Unidos. Depois deste resumo da história da Independência, vamos continuar com o nosso histórico roteiro turístico.

Saindo de Boston, atravessamos o rio Charles em direção de Cambridge, onde está a famosa Universidade M.I.T. (Massachusetts Institute of Tecnology), fundada em 1861. Em seguida, passamos também pela famosa Universidade de Harvard, fundada em 1636, por John Harvard. A Prefeitura de Cambridge é muito bonita, toda em pedra. Mais adiante, a casa do poeta Longfellow.

Estávamos chegando a Lexington, cidade com lindas casas residenciais pela famosa estrada onde Paul Revere iniciou a marcha da Independência. Paul Revere era prateiro de profissão e tornou-se uma figura importante na luta pela Independência. Os Minute Men eram patriotas que lutaram pela Independência em North Bridge, lugar de sangrenta batalha.

Já estávamos em Concord e paramos para visitar Orchard House, a casa da família da célebre escritora americana Louise May Alcott, onde ela escreveu o romance Little Women, em 1868. A casa hoje é um museu e merece uma visita. A guia nos mostrou um livro em português, traduzido do romance Little Women, que para nós é Mulherzinhas.

Plymouth

Prosseguimos em direção a Plymouth, onde iríamos visitar Plymouth Plantation. Foi em Plymouth que o Mayflower chegou trazendo os primeiros colonizadores ingleses, chamados Pilgrins. Na Nova Inglaterra eles já lutavam pela liberdade religiosa e o rei James I deu permissão a eles para partirem. O navio Mayflower era pequeno para 102 passageiros e a viagem foi penosa. Depois de 60 dias de mar, eles finalmente chegaram a Cape Cod e começaram a construir suas toscas casas de madeira, antes que o inverno chegasse. A vida era dura. Quando a primavera chegou, a terra tornou-se verde, o sol aqueceu e eles começaram a plantar. Numa tarde de primavera, os Pilgrins receberam uma visita inesperada: a de um chefe índio que levantou a mão em sinal de amizade. Assim, eles acordaram em viver em paz e de se auxiliarem mutuamente. No outono de 1621, conseguiram a primeira grande colheita que daria para abastecer toda a população, durante o inverno. Em outubro desse mesmo ano, o governador Willliam Bradford reuniu os habitantes de Plymouth e declarou: Deus foi muito bom com todos nós, está na hora de agradecermos a Ele. Let us give thanks. E todos começaram a preparar a grande festa do Thanksgiving. Esta é a origem dessa reunião familiar que até hoje é tão comemorada pelos americanos.

Saindo de Plymouth continuamos em direção a Providence, no estado de Rhode Island. Vimos lindos campos com plantações de cramberry, uma espécie de framboesa e cereja. Na última noite dessa viagem foi servido um maravilhoso jantar regional, com peru acompanhado por uma geléia desta fruta. O suco de cramberry é muito parecido com a nossa groselha.

Já estávamos entrando no estado de Connecticut. Paramos em Mystic Seaport para visitar o museu da história marítima americana, onde está exposto o célebre navio Charles Morgan, construído na cidade de New Bedford, em 1841. Dali atravessamos o rio Thames sempre beirando a costa, passamos por New Haven, Bridgeport, Stamford e começamos a avistar ao longe, a nossa querida Nova York, cidade do superlativo.

Terminei essa linda viagem, feliz por ter realizado mais um sonho. Restava agora para mim, viver e cultivar estas gratas recordações, gravadas no meu coração.

Lagos Andinos em dezembro de 1993

Argentina

Buenos Aires

Buenos Aires foi nosso ponto de partida para essa maravilhosa viagem aos Lagos Andinos.

Retorno a Buenos Aires com o mesmo entusiasmo que a visitei pela primeira vez. É uma cidade que me encanta! Mil recordações me brotam à mente das inúmeras viagens que fizemos a esta grande cidade. E lá estava eu mais uma vez!

Além de passear a pé por suas largas avenidas, subir e descer a famosa calle Florida, passear nos bairros boêmios da Boca e conhecer um pouco da história desse bairro com seus alegres emigrantes italianos, tudo isso é Buenos Aires!

Fizemos uma visita muito interessante ao Teatro Colón, acompanhados de uma guia que nos mostrou em detalhes a beleza e a suntuosidade desse grande teatro.

Como não podia deixar de ser, à noite fomos assistir a um ótimo show de tango na casa de espetáculo Tango Mio, aliás, um show espetacular com jantar muito bem servido, uma noite muito agradável.

Deixamos Buenos Aires e seguimos em direção a Bariloche.

Bariloche

Recordar é viver! Bariloche ficará para sempre no meu coração, pois foi nessa cidade que passei a minha lua-de-mel, e lá se vão 42 anos!

Encontramos Bariloche toda florida, coberta de rosas de todos os matizes. Que beleza a vista sobre o lago Nahuel Huapi do cimo do cerro Campanário! Realmente deslumbrante e que traz à alma uma grande sensação de paz! A beleza da natureza sempre me emociona muito.

Fomos visitar o Hotel Llao Llao completamente reformado, mas mantendo sempre a sua imponência e continuamos fazendo um tour panorâmico do circuito chico.

No dia seguinte, começaríamos a parte mais interessante da nossa viagem: a descida de Bariloche até Puerto Montt, passando por parques nacionais, lagos, vulcões, numa paisagem indescritível.

Partimos de San Carlos de Bariloche num ônibus em direção a Puerto Pañuelo, sempre beirando o lindo lago Nahuel Huapi, onde tomamos um catamarã até Puerto Blest, navegando pelo lago com seus múltiplos braços e águas de um azul profundo. Em Puerto Blest fizemos um pequeno trajeto de 6 km. em ônibus até chegar em Puerto Alegre. E aí novamente, navegamos em catamarã por vinte minutos apreciando a beleza do lago Frias, até chegar em Puerto Frias. A paisagem era lindíssima, montanhas íngremes cobertas de pinheiros, grandes pássaros da região – tivemos a sorte de avistar alguns condores – e o lago de um verde profundo!

Chile

Desembarcamos em Puerto Frias onde cruzamos a fronteira argentina para ingressar em território chileno. Estava a nossa espera um pequeno ônibus bem antigo no qual iríamos descer por uma estreita estrada, pelo lindo Parque Nacional Vicente Pérez Rosales.

Essa pequena estrada só permite tráfego num único sentido: pela manhã o ônibus desce e à tarde ele sobe. Que aventura! O parque é lindíssimo, florestas compactas e milenares bem preservadas, os picos das montanhas ainda com bastante neve e, de vez em quando, cascatas imponentes e caudalosas, oriundas do degelo das montanhas que depois se transformam em rios de água cristalina. Esse percurso de 27 km. demora aproximadamente duas horas.

Peulla

Chegamos finalmente em Peulla onde teríamos que passar novamente pela alfândega, que tão precariamente revistou nossas malas.

Peulla é um pequeno povoado à beira do lago de Todos os Santos. Possui um hotel de madeira bem rústico que oferece um frugal almoço. Estávamos com muita fome, pois saímos de Bariloche às sete horas da manhã e com fome não se faz exigências. Tudo bem...

No porto de Peulla tomamos novamente um ótimo catamarã e começamos a navegar nos braços do lindo lago de Todos os Santos, chamado também de lago Esmeralda, devido à cor esmeralda de suas águas. Durante uma hora e quarenta minutos pudemos apreciar uma linda paisagem com o vulcão Osorno ao fundo, tão imponente que nos faz sentir pequeninos diante dessa força, muitas vezes avassaladora, da natureza!

Petrohué

Chegamos no pequeno povoado de Petrohué, à beira do lago de Todos os Santos e, após reconhecer desordenadamente as nossas malas, seguimos num bom ônibus de turismo para conhecer as corredeiras ou saltos do rio Petrohué.

Esse rio nasce no lago de Todos os Santos e vai deslizando suavemente até se transformar em corredeiras e saltos imponentes, para desembocar finalmente no estuário de Reloncavi, lugar de ótima pesca de truta. O salto do rio Petrohué vale uma visita pela beleza cristalina de suas águas verde esmeralda. Interessante apreciar ao longo do rio, muitas rochas pretas oriundas de petrificação das larvas vulcânicas do Osorno, que continuava ali a nos vigiar, do alto de seus 2652 m. de altitude!

Puerto Varas - Puerto Montt

Continuamos nossa viagem em direção a Puerto Montt. A geografia do sul do Chile está sempre mudando por ser essa região, de grandes erupções vulcânicas. A ilha de Chiloé fazia parte do continente, mas devido aos grandes tremores de terra, ela se deslocou formando uma ilha, hoje visitada como atração turística. Toda essa região era habitada pelos índios e só no século XIX começaram a chegar os primeiros colonos alemães.

Estávamos chegando a Puerto Varas, às margens do lago Llanquihué. A cidade foi fundada em 1854 por colonos alemães, impulsionados por Vicente Perez Rosales. A influência alemã pode ser apreciada na arquitetura de suas casas, nos seus jardins bem cuidados bem como na gastronomia e nos costumes.

Puerto Varas tornou-se centro turístico encravado em um marco natural formado pelo lago e pelos vulcões Osorno e Calbuco e conta com diversos atrativos como pesca, Campinas, parques e até um cassino, que funciona o ano todo. É uma pequena cidade muito bonitinha, limpa e nessa época do ano fica coberta de lindas rosas dobradas.

Chegamos a Puerto Montt, nome este dado por causa do primeiro mandatário da cidade Manuel Montt. Foi fundada em 1853 por Vicente Perez Rosales, perto da localidade de Meli-Pulli, que quer dizer quatro colinas. Hoje Puerto Montt, capital da Xª Região, conta com uma população de mais ou menos 125.000 habitantes e se caracteriza por ser um ponto de partida para diversas excursões turísticas do Chile. É dessa cidade que partem os cruzeiros Australis e Skorpios. Puerto Montt possui um mercado de artesanato interessante que apesar de bem rústico, vale uma visita. Seu aeroporto recebe vôos internacionais.

Em toda esta região, as terras são férteis e podemos notar grandes plantações de milho, aveia e muitas frutas. A pesca também é abundante. Puerto Montt é uma cidade tranqüila, com alguns bons hotéis e restaurantes onde se pode apreciar ótimas trutas.

Santiago - Valparaíso

Estávamos chegando a última etapa de nossa tão deslumbrante excursão. Voamos pela Ladeco de Puerto Montt até Santiago.

Santiago, a capital do Chile, situa-se no vale Central, a mais rica e povoada região do país. Localiza-se no vale do rio Mapocho, numa larga planície, a mais ou menos 600 metros de altitude, circundada por montanhas. A oeste, a Cordilheira da Costa, a leste, os picos nevados dos Andes, ao norte, as montanhas de Chacabuco e, ao sul, as montanhas de Angostura del Paine.

Em direção noroeste, através da Cordilheira da Costa, chega-se a Valparaíso, segunda cidade mais importante e grande porto, de onde são exportadas as riquezas do Chile. Pelo Passo de Uspallata, vencendo os Andes, pode-se chegar até Mendonza na Argentina.

Santiago foi fundada por Pedro de Valdívia, em 1541. Para se defender dos inúmeros ataques dos índios araucanios, por muito tempo insubmissos ao domínio espanhol, criou-se uma cidade fortificada nas colinas ao redor formando como se fosse uma acrópole, no alto do morro de Santa Lúcia, hoje ponto pitoresco da cidade.

Em Santiago, ficamos hospedados no maravilhoso Hotel Hyatt Regency localizado no moderno bairro Las Condes. Ao lado do hotel ficava o melhor e mais novo shopping center da cidade na época. Esses bairros novos de Santiago já tem edifícios altos, todos dotados de alta tecnologia anti-sísmica, pois a cidade é sujeita a terremotos. Nos bairros antigos as construções são sempre baixas.

Fizemos um interessante tour pela cidade começando pelo Parque O'Higgins, em homenagem ao homem que proclamou a independência do Chile. Esse parque é rodeado de lindos plátanos e jardins floridos.

Pedro Valdívia, o fundador de Santiago, quis dar este nome à cidade em homenagem a Santiago de Compostella, na Espanha. As casas no centro da cidade são uma mistura dos estilos neoclássicos e barroco. Na avenida República encontramos grandes mansões, hoje transformadas em universidades privadas. Muito bonita a Igreja de San Francisco e a Biblioteca Nacional, que abriga seis milhões de volumes. Passamos pelo imponente Palácio do Governo La Moneda, visitamos o lindo palácio da família Cousiño, um verdadeiro museu no centro de Santiago que foi mandado construir por Isadora Cousiño, viúva de um riquíssimo empresário de minas de carvão e prata e também de grandes plantações de parreiras. Suas vinhas produzem até hoje o famoso vinho Cousiño Macul. Isadora Cousiño ficou viúva aos trinta anos e já tinha seis filhos. Apesar de inúmeros pretendentes, nunca mais quis se casar e mesmo assim levava uma vida bem alegre, cortejada por muitos homens. O interior do palácio é riquíssimo, com lindas coleções de porcelanas, mobiliários, lustres, tudo originário de palácios da Europa. Vale uma visita!

Continuamos o nosso tour com uma breve parada no Cerro San Cristobal onde se descortina maravilhosa vista da cidade e da Cordilheira dos Andes, ainda com seus picos recobertos de neve. Retornamos ao hotel depois de passar pelos bairros novos da Providência e Las Condes com lindas casas residenciais.

No dia seguinte, iríamos fazer um interessante passeio a Valparaíso e Viña del Mar. Saímos de Santiago em direção a Valparaíso. Diz-se que Santiago é uma janela rodeada de montanhas. Já fora da cidade, existem bairros residenciais muito chiques, localizados no sopé das montanhas, preferidos pelos grã-finos chilenos por serem lugares mais tranqüilos e sem poluição. Ao longo da estrada encontramos rochas esverdeadas, que são minas de cobre.O Chile é grande exportador desse minério.

Atravessando o túnel da Cordilheira Central com 3 km. de extensão, construído em 1970, chegamos ao vale agrícola do Curacavi, famoso por seu solo fértil e micro clima, com enormes plantações de batatas, abóboras e frutas como pêssegos, nectarinas, ameixas, etc. Existe um sério e honesto controle de qualidade dos produtos. Todas as plantações são fantásticas graças à irrigação do solo, não estando sujeitas às intempéries de chuvas fortes ou grandes secas. Para facilitar a colheita das frutas e as árvores não crescerem ficarem muito altas, os galhos centrais são podados.

Encontramos ao longo desse vale grandes parreirais produzindo uvas de mesa e para fabricação de vinho. Toda essa tecnologia de irrigação foi trazida de Israel, existindo aí, uma grande Estação Experimental onde são estudadas modernas técnicas de biotecnologia. Vimos ao longe grandes silos para armazenar trigo e enormes câmaras frigoríficas para estocar frutas, para depois serem exportadas para o resto do

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