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Análise Fundamentalista: Avaliação de Empresas para Investimentos em Ações

Análise Fundamentalista: Avaliação de Empresas para Investimentos em Ações

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Análise Fundamentalista: Avaliação de Empresas para Investimentos em Ações

notas:
4/5 (2 notas)
Duração:
649 páginas
11 horas
Lançados:
5 de mar. de 2019
ISBN:
9781234567897
Formato:
Livro

Descrição

O livro Avaliação de Empresas para Investimentos em Ações aborda a análise Macroeconômica, Setorial e Microeconômica através de uma linguagem clara e acessível. O conteúdo é focado nos principais indicadores macroeconômicos e as suas relações com o mercado e com os setores econômicos, nas dinâmicas dos diferentes setores e suas principais características e, por fim, na análise do balanço da empresa e dos seus principais indicadores de rentabilidade, liquidez e endividamento, estabelecendo tendências para o seu desempenho e projeções para o seu valor.


A missão do Capital e Valor é promover a formação de investidores conscientes e racionais, que atuem de forma independente, com estratégia e poder de decisão, fazendo juízo próprio das oportunidades e gerenciando os riscos do investimento no mercado de capitais. Aprenda a investir e analisar o mercado com nosso conteúdo de educação financeira e conquiste a sua independência financeira.


O conteúdo do Capital e Valor visa orientar o desenvolvimento de uma metodologia objetiva para operar e analisar o mercado de forma consciente, demonstrando as diferentes estratégias para momentos de alta e de baixa, incluindo técnicas de gerenciamento de risco e de proteção de capital. Não é um método milagroso de enriquecimento, tampouco dicas de investimentos, mas uma visão realista sobre o mercado financeiro, embasada por informações de qualidade para investidores conscientes e racionais, cujo objetivo é lhe auxiliar a desenvolver o seu potencial de investir bem o seu dinheiro e a garantir a sua prosperidade.

Lançados:
5 de mar. de 2019
ISBN:
9781234567897
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Análise Fundamentalista - Hélio Santiago

Ficha Técnica

Análise Fundamentalista - Avaliação de Empresas para Investimento em Ações 3a Edição

Copyright © 2015, Hélio Santiago, Capital e Valor.

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, de 19/2/1998. É proibida a reprodução total ou parcial sem a expressa anuência do Capital e Valor.

Capital e Valor

Prefácio

Para muitas pessoas os movimentos de alta e de baixa no mercado são misteriosos, sendo bastante influenciados por notícias, muitas vezes ocorrendo quando menos esperado. Mas a verdade é que o mercado não é tão difícil de ser entendido e acompanhado. É preciso apenas compreender a psicologia, as estratégias e a lógica envolvida neste complexo jogo.

O mercado recompensa através de várias estratégias e possibilidades de negócios quando encarado com maturidade e bom senso. É uma atividade lucrativa e um desafio intelectual para aqueles que têm sucesso em gerenciar os riscos da renda variável e a disciplina para fazer o que deve ser feito de forma sistemática. Assim como em muitas situações da vida, persistência, paciência, confiança, competência, e acima de tudo, estar disposto a pagar o preço, trarão o resultado desejado.

Nossa intenção ao escrever o conteúdo do Capital e Valor foi explicar o mercado de capitais e as estratégias de operações, bem como demonstrar os principais mecanismos para sua análise, desde uma perspectiva focada para investidores de longo prazo até estratégias para especuladores, fornecendo informações e mecanismos para que o investidor se torne autossuficiente e conquiste sua independência financeira, pois para ganhar no mercado não se deve depender de ninguém.

Muitos querem aquilo que você tem hoje, mas quando souberem o preço que você pagou por isso irão desistir.

João C. Filho

O conteúdo do Capital e Valor visa orientar o desenvolvimento de uma metodologia objetiva para operar e analisar o mercado de forma consciente, demonstrando as diferentes estratégias para momentos de alta e de baixa, incluindo técnicas de gerenciamento de risco e de proteção de capital. Não é um método milagroso de enriquecimento, tampouco dicas de investimentos, mas uma visão realista sobre o mercado financeiro embasada por informações de qualidade para investidores conscientes e racionais, cujo objetivo é lhe auxiliar a desenvolver o seu potencial de investir bem o seu dinheiro e a garantir a sua prosperidade.

Através de uma linguagem simples e exemplos práticos o Capital e Valor apresenta informações e estudos para orientar e inserir o investidor no mercado financeiro. O conteúdo aborda as diversas estratégias operacionais, avaliando a relação entre risco e rentabilidade, bem como as técnicas de análise do mercado. Através de conhecimento e informações de qualidade você transformará a maneira como lida com o dinheiro e, principalmente, a forma como investe o seu patrimônio.

Mais do que nunca o mercado de capitais está cada vez mais popularizado no Brasil e acessível para os investidores, sendo fundamental para a consolidação de uma cultura de poupança de longo prazo no país. Todo investimento deve ser encarado como um compromisso por quem o faz. Isso significa dedicar tempo para estudar, para acompanhá-lo e, principalmente, para avaliá-lo. Não tenha dúvida de que no longo prazo os retornos dos seus investimentos serão diretamente proporcionais ao seu comprometimento aos mesmos.

Com o passar do tempo as experiências no mercado acabam por revelar muito de nós mesmos, sendo uma atividade em que além do crescimento financeiro ocorre o crescimento como indivíduo. Temos então dois objetivos, fazer dinheiro e aprender. Perdendo ou ganhando é preciso tirar algum conhecimento dessas operações com o intuito de tornarmo-nos melhores investidores no futuro. O mercado nos testa constantemente, em cada situação existe uma profunda sabedoria a ser descoberta. Aceite o que o mercado lhe dá com humildade e bom humor, tenha prazer em aprender.

Este conteúdo é dedicado a todos aqueles que tiveram a iniciativa e a coragem de buscar seu sucesso investindo no mercado de capitais. Lhes desejamos bons investimentos e sucesso!

Quando eu era jovem pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza.

Oscar Wilde

Apresentação do Capital e Valor

O Capital e Valor através de uma linguagem simples e exemplos práticos apresenta informações e estudos para orientar e inserir o investidor no mercado financeiro. O conteúdo é direcionado a todos que necessitem de educação financeira para se manterem atualizados, seja para fins pessoais ou profissionais, no intuito de que seus objetivos sejam atingidos por meio do conhecimento e da permanente inovação, promovendo o desenvolvimento de seus próprios métodos e estratégias de investimento e a prosperidade financeira.

Embasado pelo conteúdo do Capital e Valor o investidor tomará decisões mais conscientes e responsáveis, aproveitando melhor as oportunidades de investimento, reduzindo as incertezas, administrando melhor os riscos e maximizando os resultados dos seus investimentos.

Por não estar vinculado a nenhum banco, corretora ou qualquer instituição financeira, as informações e as ferramentas disponibilizadas pelo Capital e Valor possuem total independência em defesa dos interesses do investidor. Através de uma visão realista sobre o mercado financeiro, nosso conteúdo aborda as diversas estratégias operacionais, avaliando a relação entre risco e rentabilidade, bem como as técnicas de análise do mercado.

Através de conhecimento e informações de qualidade, você transformará a maneira como lida com o dinheiro e, principalmente, a forma como investe o seu patrimônio. Conquiste sua independência financeira aperfeiçoando os seus conhecimentos sobre análise técnica, análise fundamentalista e estratégias de investimento em ações, futuros, opções, títulos do tesouro, fundos de investimento, renda fixa, dentre outros.

3.0 – Análise Fundamentalista - Abordamos a análise Macroeconômica, Setorial e Microeconômica através de uma linguagem clara e acessível. O conteúdo é focado nos principais indicadores macroeconômicos e as suas relações com o mercado e com os setores econômicos, nas dinâmicas dos diferentes setores e suas principais características e, por fim, na análise do balanço da empresa e dos seus principais indicadores de rentabilidade, liquidez e endividamento, estabelecendo previsões e tendências para o seu desempenho e para o seu valor.

3.0 - Análise Fundamentalista - Avaliação de Empresas para Investimento em Ações

Neste módulo o Capital e Valor aborda os princípios da análise Macroeconômica, Setorial e Microeconômica. São abordados os principais indicadores macroeconômicos e as suas relações com o mercado e com os setores econômicos, as dinâmicas dos diferentes setores e suas principais características e, por fim, a análise dos fundamentos das empresas, dos seus desempenhos e dos principais indicadores fundamentalistas.

3.01 - Apresentação da Análise Fundamentalista

3.02 - Noções de Macroeconomia e Fundamentos Econômicos

3.03 - Como Analisar os Indicadores Econômicos?

3.04 - Análise Setorial e Tendências de Mercado

3.05 - Análise das Demonstrações Financeiras

3.06 - Como Interpretar um Balanço Contábil?

3.07 - Como Interpretar um Demonstrativo de Resultado?

3.08 - Como Analisar uma Demonstração do Fluxo de Caixa DFC?

3.09 - Valor Patrimonial, Valor de Mercado e Enterprise Value

3.10 - Indicadores de Rentabilidade e Análise Financeira

3.11 - Indicadores de Preço e de Valor

3.12 - Indicadores de Liquidez Financeira

3.13 - Indicadores de Endividamento e de Financiamento

3.14 - Análise Fundamentalista de Bancos e Financeiras

3.15 - O Investimento em Valor - F-Score

3.16 - Considerações Finais Sobre Investimentos e Bibliografia

Apresentação da Análise Fundamentalista

A análise fundamentalista está embasada no conceito de que os investidores têm a capacidade de utilizar as informações financeiras históricas de maneira a elaborarem estratégias de investimentos lucrativos para o futuro. Segundo Joseph Piotroski, a análise está focada na avaliação qualitativa da empresa, do panorama setorial em que está inserida e da conjuntura macroeconômica.

Tem como alicerce a análise de três fatores: análise da empresa (Microeconômica), análise do setor em que a empresa está inserida e a análise geral da economia (Macroeconômica), passando pela análise retrospectiva de suas demonstrações financeiras e estabelecendo previsões para o seu desempenho. É essencial que estes três fatores sejam analisados para fundamentar as decisões sobre quais papéis devem ser comprados ou vendidos e estimar a tendência geral do mercado e da economia.

Assim, ela avalia o respaldo financeiro da empresa, a evolução dos lucros, do valor patrimonial, do seu endividamento, dentre outros aspectos que informam a saúde financeira da empresa, a eficiência na utilização dos recursos, seus pontos fortes e fracos, além de possibilitar a projeção de possíveis resultados futuros, tendências e perspectivas, e avaliar o preço atual dos ativos.

O que faz da economia algo fascinante é que seus princípios fundamentais são tão simples, que podem ser escritos em uma única página, de modo que qualquer um consiga entender. No entanto, são poucos os que entendem.

Milton Friedman

Para isso faz-se necessário uma interpretação dos fundamentos, ou seja, dos dados de seus resultados financeiros e de seu histórico de balanços e dos fatores macro e microeconômicos que influenciam no seu desempenho e no seu setor de atuação, dando suporte à tomada de decisão do investidor. As informações mais relevantes nos campos setorial e macroeconômico são aquelas que se referem à concorrência, às políticas de crédito, fiscal e cambial que envolvem a empresa. Quanto melhor for o conhecimento acerca desses aspectos, e das possíveis implicações que eles venham a ter sobre a atividade da empresa sob análise, melhor ela poderá ser avaliada.

Já os Balanços Patrimoniais apresentam a situação patrimonial da empresa em dado momento e as Demonstrações do Resultado do Exercício mostram os resultados que a empresa alcançou em cada exercício. A análise dos balanços visa relatar com base nas informações contábeis fornecidas pela empresa a sua posição econômico-financeira atual, as causas que determinaram a evolução e o desempenho apresentados, bem como a sua tendência futura. Em suma, a análise fundamentalista permite ao investidor visualizar a performance da empresa no passado, a situação presente, além de extrair informações que subsidiam projeções futuras dos seus indicadores.

Estudando os fundamentos podemos identificar as empresas que apresentam as maiores taxas de crescimento de seus lucros e de seus patrimônios, as maiores pagadoras de dividendos, sem contar as empresas cujas ações estão subavaliadas pelo mercado e que possuem grandes perspectivas no longo prazo, bem como aquelas que estão sobreavaliadas, indicando possivelmente um bom momento sua venda. Entende-se que uma determinada ação apresenta um bom desempenho no mercado até determinado ponto. Em algum momento ela deixará de ser atraente e seu valor de mercado depreciará.

O investimento em conhecimento é aquele que traz os maiores retornos.

Benjamin Franklin

É perfeitamente possível associar a escola fundamentalista à escola grafista ou do preço usando uma análise baseada nos múltiplos para escolher as melhores empresas e identificar momentos de entrada e de saída através da análise gráfica. No momento de montar a sua estratégia de investimento experimente combinar as duas análises.

O primeiro passo é, através da análise fundamentalista, selecionar as empresas mais atrativas, que vêm crescendo ao longo do tempo e que, a princípio, não apresentam grandes riscos financeiros. Posteriormente, através da análise técnica você obterá um histórico da tendência do preço desses ativos, determinará seu preço alvo (objetivo de rentabilidade) e seu preço stop (limite de perda) de acordo com seu perfil.

Para isso é essencial estar de posse da informação necessária, correta e séria no tempo hábil e, além disso, possuir o conhecimento e a capacidade de analisar esses dados. Embora as informações usadas como base sejam todas públicas, saber analisar esses dados leva não só à identificação de bons negócios para o investidor como também à descoberta do que o mercado não está precificando.

A análise fundamentalista faz uma avaliação da empresa orientando-se pelo conjunto de dados econômicos e financeiros, divulgados através de balanços trimestrais e por outras informações relevantes, complementada por uma análise gerencial e mercadológica da empresa. Normalmente isso é feito a partir de séries históricas desses dados complementadas com hipóteses formuladas para o futuro, ou seja, projeções de resultados esperados que determinarão a decisão de compra ou de venda da ação.

É um trabalho individualizado e especializado que, de uma maneira geral, tende a ser muito mais trabalhoso e complexo do que a análise gráfica. É difícil encontrar uma maneira simples de analisar os fundamentos e aplicá-los à tomada de decisão, a menos que você tenha experiência em finanças e contabilidade. Ao ler os relatórios trimestrais elaborados por contadores e analistas facilmente se perde o foco ou se confunde, dado a vasta quantidade de informações e forma complicada como são apresentados, o que dificulta a sua aplicação.

Muitas pessoas investem no mercado de ações em empresas que pouco ou nada conhecem, às vezes nem sabem exatamente o que a empresa faz. Seguem estratégias de investimentos baseadas quase que exclusivamente em gráficos de preço, dicas e expectativas muitas das quais absurdas.

A maioria das pessoas com um mínimo de bom senso ao fazer uma sociedade num negócio procuraria primeiro entender bem o funcionamento desse negócio antes de investir. É preciso estudar as características dos produtos/serviços que esta empresa está vendendo e qual a perspectiva da demanda por eles, como é o seu setor de atuação e a sua concorrência, além comparar este negócio com outros negócios semelhantes. Como disse Peter Lynch, ações não são como bilhetes de loteria. Existe uma empresa por trás de todas elas. Descubra o que esta empresa faz.

Nossa proposta é aprimorar a sua habilidade de análise de mercado através de um conteúdo objetivo e uma abordagem prática para a análise dos fundamentos. Buscamos quebrar a resistência que muitos têm em relação à análise fundamentalista dada sua complexidade e, em muitos casos, em razão da sua impraticidade, contribuindo para a formação de investidores mais conscientes e com foco em estratégias sustentáveis de longo prazo.

A informação mais necessária é sempre a menos disponível.

Murphy

Portanto, assim como na análise gráfica, objetividade e simplicidade são elementos fundamentais. Saber o que buscar, onde encontrar e como interpretar as informações dos resultados. Nada no estudo da análise fundamentalista é tão complexo ao ponto de não ser possível a assimilação por qualquer investidor, o que possibilitará ao mesmo através da análise da performance passada da empresa, avaliar sua posição financeira atual, e tirar conclusões sobre o seu futuro, embasando suas decisões de investimento.

A análise fundamentalista busca, basicamente, avaliar a saúde financeira das empresas, projetar os seus resultados futuros e determinar uma faixa de preço justo para as suas ações, além de fornecer alguns indicadores que permitem ao investidor avaliar o quanto suas ações podem gerar em dividendos, o quanto de risco suas dívidas oferecem, em quanto tempo ele pode recuperar o que investiu, dentre outros. Assim, a análise fundamentalista pode fornecer aos investidores uma poderosa ferramenta de comparação entre empresas concorrentes, podendo ajudá-los a definir em qual vale mais a pena investir.

Em suma, propomos a análise retrospectiva dos demonstrativos de resultado da empresa considerando os últimos 3 anos, realizando uma análise vertical e horizontal do seu desempenho histórico e dos índices econômico-financeiros. A partir daí, a análise prospectiva, projetando os resultados e as suas tendências futuras com base no contexto macroeconômico e nas perspectivas setoriais, comparando-a às demais do seu segmento e avaliando o preço de mercado de suas ações e a sua tendência.

A suposição implícita da avaliação relativa é que as empresas de um mesmo setor têm perfis similares de risco, de operação, de estrutura, de crescimento e de fluxo de caixa e, portanto, podem ser comparadas com maior precisão e fidedignidade.

Uma característica interessante sobre a análise fundamentalista é o fato de indicar mudanças nos resultados da empresa antes da análise técnica, pois elas são identificadas nos fundamentos antes de serem refletidas nos gráficos das cotações, os quais normalmente nos dizem o que já aconteceu.

Além disso, não há nenhuma empresa que possa dissociar a estratégia do negócio face à envolvente macroeconômica. A evolução da inflação, do índice do desemprego, das taxas de juro, do mercado cambial são indicadores que influenciam diretamente na atividade da empresa. E note-se que não são apenas os indicadores do país onde a empresa se insere. Com a globalização, as empresas podem ser afetadas por indicadores de países que se encontram a milhares de quilômetros de distância, ainda que não tenham qualquer relação direta com a empresa.

Os dados para calcular esses indicadores provêm do conjunto de dados econômicos e financeiros da empresa, divulgados através de balanços trimestrais ITR, onde estão detalhados ativos e passivos da empresa e seu valor contábil, dos demonstrativos de resultados por exercício DRE (12 meses), que oferecem as despesas e receitas da empresa, além dos resultados obtidos no período, e por outras informações relevantes como o relatório anual da empresa, que também fornecem alguns conceitos que os investidores devem conhecer como lucro operacional, dividend yield, margem líquida, patrimônio líquido, receita líquida e assim por diante. Isso é feito a partir de séries históricas desses dados.

Por algum motivo as pessoas se baseiam nos preços e não nos valores. Preço é o que você paga, valor é o que você leva.

Warren Buffett

Há, contudo, uma série de críticas à análise fundamentalista de uma maneira geral. A obtenção de estimativas precisas e confiáveis pode ser difícil em razão das projeções futuras dos indicadores e dos resultados muitas vezes acabarem tornando a análise fundamentalista em algo essencialmente subjetivo.

Além disso, haverá sempre a possibilidade de se estar trabalhando com dados maquiados divulgados nos relatórios anuais, ou até mesmo nos ITR’s e DRE’s das empresas analisadas. Tais interpretações são controvérsias e muitas vezes errôneas. Deve-se levar em consideração que esses demonstrativos são elaborados sob a ótica contábil, regulamentada por leis e convenções inerentes ao país onde está situada a empresa analisada, o que pode ocasionar uma avaliação equivocada dos valores reais da empresa e de seu desempenho.

É preciso levar em consideração também o tempo hábil para o uso da informação. Muitas vezes os próprios dados e os indicadores utilizados na análise já estão defasados, principalmente aqueles que dependem do preço de mercado da ação para o seu cálculo. Indicadores como o Dividend Yield, P/L Preço / Lucro, dentre outros, rapidamente se tornam inúteis devido às variações que ocorrem no preço da ação posteriormente à divulgação desses dados. Daí a importância de se utilizar a cotação atualizada para o cálculo desses indicadores, bem como fontes confiáveis e de credibilidade.

Assim, a principal fragilidade não só da análise fundamentalista mas de qualquer tipo de análise é o fato de que não existe a segurança de se ter em mãos todas as informações que importam sobre um ativo para poder analisá-lo, nem de que as informações disponíveis são precisas. Recentemente, diversas empresas como Sadia e Aracruz tiveram perdas bilionárias em seus balanços advindas da irresponsabilidade de seus administradores ao realizarem operações extremamente alavancadas no mercado de câmbio. Em nenhum momento os acionistas foram informados sobre tais operações nem sobre o risco que representavam.

E ainda que se tenha investido numa excelente empresa as condições do mercado podem fazer com que suas ações se desvalorizem, e de forma acelerada, dependendo da tendência do mercado ou à reação generalizada a determinados acontecimentos. O mercado fixa o preço de cada ação não necessariamente com base em seu desempenho estatístico passado, mas em função do desempenho futuro esperado, o qual pode diferir significativamente do seu comportamento passado.

Assim, as tendências de curto prazo muitas vezes podem não estar relacionadas aos fundamentos da empresa, mas a movimentos especulativos no mercado. Por isso, é obrigação dos investidores estudar tanto os fundamentos quanto os demais investidores – não apenas sobre a forma que as ações se comportam, mas como os seres humanos que as possuem se comportam. No geral, é durante as fases de pânico generalizado que temos oportunidades de adquirir bons ativos a preços realmente descontados. Já durante as fases de euforia no mercado é mais comum que os ativos estejam caros se comparados aos seus valores intrínsecos ou patrimoniais.

Quando o barco começar a afundar não reze, abandone-o.

Max Gunther

Contudo, uma decisão de investimento baseada na análise isolada do gráfico de preços não é uma decisão consciente. Não se compra um gráfico, se compra uma ação, uma empresa. O risco de se pagar muito por uma ação ou vendê-la por pouco pode ser reduzido através da análise das informações sobre as empresas, alcançando conclusões acerca do impacto no valor intrínseco das ações.

E uma avaliação de qualidade de uma empresa só pode ser feita se compararmos o seu último resultado trimestral com os seus fundamentos históricos. A escolha da empresa na qual investir dentre a vasta gama de empresas de capital aberto dependerá da comparação entre os resultados dessas empresas. É preciso lembrar que a escolha do que comprar não é a mais importante, mas sim decidir se irá manter o investimento e, principalmente, se irá vendê-lo.

Neste sentido, reconhece-se a importância do papel da análise fundamentalista como instrumento de quebra de assimetria de informação entre o administrador e os investidores, ou seja, suprir a dificuldade por parte dos investidores de distinguir entre boas e más oportunidades de investimento, o que muitas vezes pode levar a queda da eficiência no funcionamento do mercado de capitais devido à perda de confiança no mercado por parte dos investidores, fruto de escolhas adversas. Como disse Benjamin Graham o investimento é muito mais inteligente quando é feito como se fosse um negócio.

Assim, a conjunção da análise técnica com a fundamentalista é a melhor maneira para se obter uma visão geral mais legítima da saúde dos ativos e da tendência da economia e do mercado em geral. O que permite limitar dentro de uma grande variedade de empresas as melhores opções de investimento.

Isso possibilita ao investidor desenvolver uma estratégia que filtre as ações de empresas que apresentam resultados ruins, grande endividamento e, acima de tudo, empresas concordatárias. Talvez a forma mais inteligente para utilizar ambas seja determinar com a análise fundamentalista quais são os ativos que vêm apresentando os melhores desempenhos, dos quais se espera o melhor potencial de alta, e, com a análise técnica, buscar os melhores momentos para entrar e para sair do mercado.

A partir de critérios fundamentalistas e técnicos o investidor buscará adquirir ações de empresas saudáveis e com bons indicadores fundamentalistas a preços descontados, montando uma carteira com poucos ativos de diferentes setores. É possível ainda utilizar um modelo que realize uma filtragem setorial dada a conjuntura econômica, abordando parâmetros quantitativos e qualitativos. O mercado sempre determinará o preço. Cabe ao investidor determinar o valor.

Quando o assunto é ganhar dinheiro todas as pessoas têm a mesma religião.

Voltaire

Noções de Macroeconomia e Fundamentos Econômicos

O desempenho das empresas e dos ativos financeiros está intimamente ligado ao desempenho da economia. Como investidor de renda variável é preciso estar ciente de que as chances de retorno para tal aplicação serão determinadas por dois fatores básicos, o bom desempenho futuro da companhia em foco e o bom andamento do mercado acionário no período para o qual se espera o retorno.

Alterações nos rumos da economia interna ou externa causam oscilações por vezes bruscas nos mercados de capitais e podem afetar a performance dos títulos de determinada empresa, ainda que seus negócios em nada estejam sendo afetados pelos fatos ocorridos. Torna-se então fundamental aprofundar o estudo das correlações entre as variáveis econômicas e o desempenho do mercado.

A macroeconomia oferece uma visão geral do patamar econômico do país, tanto para o cenário interno quanto para outros países ou em nível mundial. Essa ampla abrangência possibilita antecipar os movimentos do mercado, tanto nacional quanto internacional. Dessa forma, o investidor pode agir e reagir de forma mais rápida, especialmente no sentido de evitar crises e de aproveitar oportunidades.

Portanto, o ambiente macroeconômico deve ser constantemente monitorado e analisado. A definição das premissas macroeconômicas permite o prosseguimento da análise setorial e dos fundamentos das empresas e fornece informações importantes para a adequada definição das taxas de crescimento da economia e das ameaças de riscos sistêmicos.

O fato é que em cada exemplo bem sucedido de desenvolvimento econômico deste século passado, em todos os casos em que uma nação pobre trabalhou seu caminho até atingir um padrão de vida mais ou menos decente, ou pelo menos até um melhor padrão de vida, foi feito através da globalização, isto é, através da produção para o mercado mundial, em vez de tentar a autossuficiência.

Paul Krugman

Basicamente, a economia de um país segue um ciclo de expansão econômica (recuperação e crescimento), seguido por um período de prosperidade, seguido por um período de declínio e recessão econômica (contração), seguido por um período de depressão econômica e, posteriormente, um novo período de retomada econômica (recuperação e expansão econômica). Um ambiente econômico mais instável, menos previsível, sujeito a intervenções e a uma estrutura regulatória incerta cria um ambiente mais avesso ao risco, que pode impactar as decisões gerenciais e, consequentemente, o desempenho das companhias.

Período de Expansão - Após uma profunda crise (depressão econômica), a economia começa a indicar sinais de melhora. A oferta monetária volta a ser expandida através da redução dos juros, o que torna o crédito mais barato e uma maior quantidade de dinheiro passa a circular novamente na economia, as empresas gerenciam suas operações de forma mais coerente e há expansão do crédito e do investimento das empresas. A economia experimenta uma fase de crescimento consistente da produção de mercadorias e serviços, bem como no comércio, proveniente do aumento do consumo e do investimento gerado pelo crédito mais barato. Normalmente as taxas de juros estão numa tendência de queda e a moeda local mais forte, o que posteriormente pode estimular pressões inflacionárias.

Normalmente, aqui se percebe uma mudança no mercado, com empresas e trabalhadores ineficientes de fora, o que coloca a economia novamente em ritmo capaz de inovar e criar novos produtos a preços interessantes. Entra em cena a esperança, força capaz de fazer as pessoas consumirem mais e confiarem mais no sistema financeiro. Nestes períodos grandes volumes de capital retornam para o mercado de ações, provenientes principalmente de investidores institucionais e estrangeiros, impulsionando a valorização das ações, visto que as notícias, os resultados das empresas e os indicadores econômicos de modo geral são positivos, ou pelo menos não estão mais tão ruins como estavam anteriormente durante a depressão econômica.

Período de Prosperidade - Trata-se do ápice econômico de uma nação, fase a qual a produção de bens e serviços alcança o seu ponto máximo. Os níveis de desemprego são muito baixos, há ofertas de melhores salários, maior demanda generalizada, lucros crescentes e mercados imobiliário e de capitais atingindo incríveis patamares. Nesses picos normalmente acontecem desequilíbrios econômicos tal como o aumento da inflação, decorrente do aumento do consumo e do investimento gerados no período de expansão monetária antecedente via o crédito mais barato.

Este período é marcado pela necessidade de elevação da taxa de juros para conter a inflação, o que leva, além da retração da atividade econômica em razão do crédito se tornar mais caro, à desvalorização monetária e ao aumento do risco país e do endividamento das empresas e das famílias.

Nestes períodos os preços das ações inicialmente apresentam altas moderadas em relação ao período anterior de expansão, mas logo os investidores institucionais e estrangeiros começam a liquidar suas posições e os preços dos ativos se desvalorizam, apesar das notícias, dos resultados das empresas e dos indicadores econômicos de modo geral ainda serem positivos.

Período de Recessão - Trata-se do início de um declínio da econômica após o seu pico. É percebida uma diminuição da atividade econômica e as taxas de desemprego se encontram em tendência de elevação constante.

É portanto um momento de correção, normalmente decorrente de um período de forte expansão do crédito através da redução do juro, o qual resultou no aumento da inflação. E para contê-la, o Banco Central aumenta a taxa de juro neste período, gerando a queda da demanda por produtos e escassez de crédito. Os investimentos se retraem e as pessoas param de consumir em razão do custo do crédito haver aumentado. As empresas auferem menos ganhos, perdem dinheiro com contratos futuros e tendem a vender seus produtos a preços mais baixos – o que nem sempre funciona, já que a população e as empresas, já endividados, sentem a falta de dinheiro e crédito para comprá-los.

Nestes períodos os preços das ações são severamente desvalorizados, havendo fuga de capital estrangeiro e de investidores institucionais em massa do mercado, impulsionados por notícias pessimistas e resultados ruins das empresas e indicadores econômicos ruins.

Período de Depressão - Trate-se do período mais baixo do ciclo econômico, ponto mais forte da crise macroeconômica. Alto desemprego, sobras relevantes de capacidade instalada nas fábricas e empresas, taxas de juros em declínio mas ainda elevadas, salários reduzidos, prejuízos frequentes, dificuldade e baixos níveis de empréstimos e financiamentos são alguns indícios de que uma depressão pode estar em curso.

Neste período os preços das ações, assim como a moeda local, continuam sendo desvalorizados, mas é ao longo desse período que os investidores institucionais e estrangeiros voltam a injetar grandes somas de capitais no mercado, apesar das notícias ainda serem pessimistas e os resultados das empresas e os indicadores econômicos de um modo geral ainda serem ruins, aproveitando a moeda desvalorizada e os preços baixos das ações, antecipando uma provável recuperação econômica (novo período de expansão).

Não entre no mercado com ideias preconcebidas a respeito dele. Mude seus planos conforme o mercado muda.

Alexander Elder

É fundamental que o investidor identifique quando cada uma dessas fases estiver ocorrendo e compreenda bem como elas se desenvolvem, quais são os seus impactos e o que as influenciam. Momentos de inflexão econômica são períodos que podem proporcionar enormes ganhos caso o investidor consiga tomar vantagem das mudanças no cenário econômico, ao mesmo tempo em que também podem causar enormes prejuízos caso o investidor não adapte ou não mude de estratégia diante deste novo cenário.

O cenário macroeconômico consiste na definição de determinadas premissas que permitam projetar o comportamento futuro das principais variáveis econômicas (Demanda e Oferta, também referidas como Consumo e Produção). A sua elaboração visa orientar o processo de planejamento, análise e decisão dos investimentos e fornecê-lo um quadro prospectivo das condições que influenciam essas 2 variáveis, bem como o mercado, as empresas e os ativos, tornando o seu processo de decisão mais eficiente.

A premissa básica desta metodologia de análise afirma que são os dados econômicos que fundamentam as perspectivas futuras do mercado em relação a uma determinada empresa. Estas informações podem ser processadas a partir de uma visão geral da economia, do setor econômico até as informações específicas sobre a empresa (Top-Down) ou, caso já se tenha escolhido a empresa, pode-se iniciar a análise dos dados da empresa e em seguida partir para o contexto setorial e macroeconômico (Bottom-Up). Quanto melhor forem conhecidos estes aspectos e as possíveis implicações sobre a atividade da empresa melhor ela poderá ser analisada e avaliada.

A macroeconomia concentra-se no estudo do comportamento agregado de uma economia, ou seja, das principais tendências da economia no que concerne principalmente à produção, à geração de renda, ao consumo, aos níveis de preços, ao emprego e ao desemprego, ao estoque de moeda, à taxa de juros, à balança de comercial, à taxa de câmbio, ao uso de recursos, ao comportamento dos preços e ao comércio exterior. Os principais objetivos da macroeconomia são: o crescimento da economia, o pleno emprego, a estabilidade de preços, o controle inflacionário e o superavit da balança comercial.

Os impostos transformam o cidadão em súdito, a pessoa livre em escrava e o Estado (nosso suposto servidor) em dono de nossas vidas e propriedades. Quanto maiores são os impostos e mais insidiosa a arrecadação de impostos, mais súditos e mais escravos somos do Estado

Arthur O. Fraser

Um conceito fundamental à macroeconomia é o sistema econômico, ou seja, uma complexa organização que envolve todos os recursos produtivos. Esse sistema é divido em 5 mercados:

- Mercado de Trabalho: Avalia a existência de um tipo de mão-de-obra, determinando a taxa de salários e o nível de emprego. A oferta de mão-de-obra dá-se pelo salário e pela evolução da população economicamente ativa. E a procura de mão-de-obra ocorre pelo seu custo à empresa e do nível de produção desejada pela mesma. O Brasil apresenta historicamente um quadro de baixa produtividade do trabalhador em relação às demais grandes economias do mundo. Os principais fatores são a baixa qualificação profissional e educacional e a baixa utilização de bens de capitais pelos trabalhadores, tais como maquinário, equipamento, instalações industriais, meios de transportes eficientes, etc. A taxa de desemprego afeta diretamente a economia servindo para avaliar o seu desempenho.

- Mercado de Títulos: Analisa o papel dos agentes econômicos superavitários – que gastam menos e ganham mais, podendo efetuar empréstimos – e dos agentes econômicos deficitários – que gastam mais que ganham, e que geralmente recorrem à empréstimos dos superavitários para cobrirem seus déficits, definindo assim as ofertas e as taxas e preços dos títulos. Para tal, idealiza-se um mercado no qual os agentes superavitários emprestam para os deficitários, que é o mercado de títulos. Ex.: títulos do governo, ações, debêntures, duplicatas, etc. A economia se sustenta em um dinâmico sistema de crédito, formado por poupadores e tomadores de poupança, em geral intermediado pelos bancos.

- Mercado de Divisas: Avalia a entrada e a saída de capital financeiro por meio das exportações e das importações, deduzindo a quantidade de produto exportado pela de produto importado, ou seja, da moeda — estrangeira ou nacional — que entra ou sai do país. A taxa de câmbio é a variável determinada neste mercado que possui interferência do Banco Central, que fixa ou deixa a taxa de câmbio flutuar, bem como interfere através da compra e da venda de moeda estrangeira buscando evitar grande volatilidade através de três tipos de instrumentos: pode atuar com os contratos de swaps cambiais, com os leilões de linha e com a venda direta de dólares do mercado.

- Mercado de Bens e Serviços: Responsável pela determinação do nível de produção agregada, bem como o nível de preços. O nível geral dos preços e do agregado da produção depende da demanda agregada – consumidores, empresas, governo, setor externo – e da oferta agregada de bens e serviços. O mercado de bens e serviços define as variáveis de: nível de renda, produto nacional e de preços, consumo, poupança e investimentos agregados e exportações e importações globais. Portanto, a variação do PIB é o fator mais importante para avaliar o crescimento da economia.

- Mercado Monetário: Avalia as reservas monetárias, a poupança e a disponibilidade de moeda para regular a demanda e a oferta de moeda, bem como a taxa de juros através de operações financeiras de curto e curtíssimo prazo, ou seja, que possuem alta liquidez. O mercado monetário é um importante instrumento para que o Banco Central e as instituições financeiras consigam manter a liquidez da economia, e assim como o mercado de capitais, é utilizado como forma de captação de recursos no mercado financeiro. O Banco Central do Brasil, através do COPOM - Comitê de Políticas Monetárias realiza reuniões a cada 45 dias para definir os rumos da Taxa de Juros (Selic).

O que lhe causa problemas não é aquilo que você não sabe, mas sim aquilo que você jura saber, mas que está errado.

Mark Twain

Basicamente, o planejamento das políticas econômicas pode ser direcionado com o enfoque na oferta ou na demanda, ou seja, na produção ou no consumo. Sob a ótica do consumo, é o aumento dos gastos do governo, das empresas e dos consumidores que fazem a economia crescer.

Dessa forma, quanto mais o governo estimular e facilitar os gastos, maior será o crescimento econômico, visto que o aumento da demanda irá estimular o aumento da produção, ainda que esse estímulo seja através do aumento dos gastos públicos e do estímulo ao crédito (endividamento) para o consumo e investimento das empresas e das famílias, o que pode resultar em inflação de preços, perda do poder aquisitivo, déficit fiscal, endividamento público excessivo e desvalorização cambial, consequências de políticas de expansão monetária através da manipulação da taxa de juros que acabam por gerar ciclos seguidos de recessões e de expansões econômicas.

Quando o governo reduz os juros e os impostos para estimular o crédito e o consumo, apesar de estimular a oferta de bens e a geração de empregos no curto prazo, essa expansão artificial da quantidade de moeda disponível reduz o poder de compra da moeda e acaba resultando em inflação e desvalorização cambial, pois é emitido uma quantidade de moeda muito acima da demanda real por moeda decorrente do crescimento econômico do período, ou seja, gera-se um aumento da demanda sem que haja um aumento da produção, resultando no aumento dos preços.

Para combater isso o governo passa a aumentar a taxa de juros e os impostos para restringir o crédito e o consumo. Apesar de reduzir a inflação, essa contração monetária além de gerar a redução do consumo, tem também como consequência o aumento do desemprego, a redução dos investimentos, bem como a redução da produção de bens e de serviços e, obviamente, da geração de renda. Em outras palavras, recessão.

Já sob ótica da produção, é o aumento da produção de bens e serviços que irá aumentar a geração de renda e, portanto, tornar possível o aumento do consumo, bem como torná-lo duradouro, visto que existe um limite para o endividamento das empresas e das famílias, a partir do qual não apenas o aumento mas a manutenção do mesmo nível de consumo torna-se impossível senão pelo aumento da geração de renda, a qual dependerá do aumento da produção.

Portanto, as políticas econômicas sob a ótica da oferta buscam facilitar a produção de bens através da redução de impostos sobre a produção, sobre o trabalho, sobre a renda e sobre o comércio exterior, da redução da burocracia e das regulações para se empreender, da criação de medidas para liberar mercados, permitindo a entrada de concorrência em vários setores da economia e a pratica de um comércio exterior mais livre e menos restrito.

Para isso, é fundamental uma política monetária que gere estabilidade monetária, o que requer que a dívida pública e o orçamento estejam controlados e em níveis aceitáveis, de forma que o governo não se utilize de expansões monetárias e emissão excessiva de dívida para se financiar, e a redução de medidas protecionistas e barreiras comerciais que prejudicam a produção de bens e serviços para atender às demandas de determinados grupos econômicos que têm poder de lobby junto ao governo.

Para expandir o crédito o Banco Central injeta moeda nos bancos, aumentando a base monetária, e os bancos é que decidem se irão oferecer esta moeda por meio da criação de linhas de crédito. Quase toda empresa depende dos bancos para seu capital de giro e financiamento geral.

Por sua vez, os bancos se ancoram nos bancos centrais, de cuja solidez depende todo o sistema. Para compensar os baixos níveis de poupança o crédito tem crescido continuamente ao longo dos anos como forma de estimular a economia, gerando uma crescente alavancagem dos bancos. Assim, um volume excessivo de empréstimos passou a se equilibrar, como uma pirâmide invertida, sobre uma quantidade muito pequena de reservas de caixa, de depósitos e de capital.

Existem duas modalidades de crédito no país, o crédito livre e o crédito direcionado. O crédito livre representa os empréstimos que os bancos podem fazer segundo seus próprios critérios de exigências, de tarifas e de taxa, obviamente sempre acima da taxa de juros. Já o crédito direcionado representa os empréstimos que os bancos são obrigados a fazer a juros abaixo da SELIC, principalmente os estatais (BNDES por exemplo).

Logo, são empréstimos subsidiados pelo governo, concedidos em sua maior parte com base em critérios políticos, e não econômicos, para investimentos mais arriscados e com menores taxas de retorno. Para isso, o Tesouro vende títulos da dívida pública para arrecadar dinheiro do mercado e injetar nos bancos estatais para expandir o crédito público, o que consequentemente além de aumentar o endividamento público gera inflação e desvalorização cambial.

Apesar de estimular o PIB, o emprego, a renda e o consumo no curto prazo, a manutenção dessa política de expansão monetária no longo prazo provocará o aumento generalizado nos preços e o enfraquecimento da moeda, consequentemente levando o governo a aumentar os juros para restringir o crédito, resultando numa contração econômica que reduzirá a renda, o consumo, o investimento e a produção e, consequentemente, a arrecadação fiscal e o emprego.

A crítica à política de expansão artificial do crédito como forma de incentivar o consumo é exatamente a geração de ciclos de crescimento seguidos por ciclos de recessão econômica em razão desse aumento de moeda na economia não ser decorrente do aumento da produtividade e da atividade comercial interna e externa, bem como de uma maior abertura econômica e de um menor protecionismo (menos tarifas, subsídios e burocracia), o que por sua vez evitaria que a expansão do crédito rapidamente se transformasse em inflação de preços e desvalorização cambial.

Visto que num ambiente em que mais pessoas passam a consumir, porém, o nível de produção permanece estável, o resultado de uma expansão do crédito é inflação de preços e perda do poder aquisitivo. Além disso, se um indivíduo aumenta seu endividamento, mas não aumenta sua renda, o que requer o aumento da sua produção, ele não terá como quitar essa dívida a não ser que reduza o seu consumo. Portanto, a demanda de um indivíduo é restringida por sua capacidade de gerar renda ao produzir bens e serviços.

O crescimento econômico saudável deve ser proveniente de políticas econômicas que estimulem a oferta, ou seja, um ambiente que seja propício à produção de bens e serviços, de forma que através do investimento, do livre comércio, do aumento do emprego e da renda, haja geração de poupança, o que irá possibilitar que o consumo seja mantido no longo prazo, ao invés de ser estimulado através do crédito e do endividamento da população, das empresas e do governo.

A melhor forma de estimular a produção é através da redução da carga tributária, das barreiras comerciais, dos subsídios e dos gastos do governo, o que no longo prazo como decorrência do aumento da atividade econômica aumenta a renda, a poupança e a arrecadação de impostos. Existe um limite para o endividamento, a partir do qual novas medidas de estímulo ao consumo através do crédito deixam de gerar resultados, normalmente coincidindo com períodos de recessão econômica. E quanto mais longo for esse período de expansão monetária piores serão os efeitos e a duração do período de recessão subsequente.

O investimento e o empreendedorismo são em sua essência as melhores maneiras para se libertar. É por isso que eu sou totalmente favorável a empreendedorismo e investimentos. Acho a maneira mais segura de se tornar livre. Sem virar escravo do infindável processo de vender horas em troca de dinheiro, tudo para construir os planos de outra pessoa.

Jim Rohn

As decisões de consumo e de poupança da população são influenciadas por diversos fatores, como renda, níveis de poupança, taxa de câmbio, disponibilidade de crédito, entre outros. Ou seja, há uma relação diretamente proporcional entre a renda disponível e o consumo. Portanto, a propensão de consumo e de poupança da população varia conforme a oscilação de sua renda.

Ao se poupar a consequência imediata, e muitas vezes vista de forma negativa, é a redução do consumo no presente no intuito de preparar-se para o consumo no futuro. Contudo, ao se avaliar o contexto maior percebe-se que essa poupança na verdade irá alavancar os investimentos produtivos, pois os bancos captam essa poupança sobre a forma de depósitos, os quais lhes servirão como margem e lhes permitirão fornecer uma quantidade ainda maior de empréstimos para os empreendedores nos mais diversos setores econômicos, de forma que possibilitará o investimento em mão de obra, bens de capital, construção civil, expansão fabril, estoques e capital e giro para negócios. Portanto, a poupança é direcionada para o financiamento de atividades produtivas, transformandoassim poupança em bens de capital, produtos e serviços.

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  • (3/5)
    A synopsis of a likely lucrative process that glosses over very real hazards. Caustic, vaporous chemicals require extreme precautions that are barely mentioned. A respiration mask protects the worker, but not others in and around the home.