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A vida que não escolhi

A vida que não escolhi

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A vida que não escolhi

Comprimento:
193 página
2 horas
Editora:
Lançado em:
Aug 8, 2017
ISBN:
9781507172704
Formato:
Livro

Descrição

As decisões que tomamos, por menores que sejam, marcam o rumo de nossas vidas. Quando Nora Clayton, uma imponente vice-presidente executiva de uma importante companhia farmacêutica de Nova York, tem que despedir dez mil trabalhadores que serão substituídos por sofisticadas máquinas, desata a fúria de Bonnie Larson, uma mulher invisível para a sociedade e que provem de uma antiga linhagem de maléficas bruxas. Decide, depois de um longo tempo sem praticar sua magia, amaldiçoar Nora que verá como sua vida dá uma reviravolta inesperada de 180 graus. As pessoas com que compartilha sua confortável existência não a reconhecem, seu luxuoso apartamento no Upper East Side não lhe pertence e a única opção que lhe resta é voltar para Kutztown (Pensilvânia), sua cidade natal, retomar a relação inexistente com sua mãe e começar a viver a vida que ela não escolheu. 

Uma história sobre mundos paralelos, sobre as decisões que não tomamos, as lembranças, a vida, o amor e no final das contas, o destino. Aprendizagem de vida página a página.

Editora:
Lançado em:
Aug 8, 2017
ISBN:
9781507172704
Formato:
Livro

Sobre o autor


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A vida que não escolhi - Lorena Franco

PARTE

A vida que

não escolhi

Lorena Franco

––––––––

Tradução: Caroline Engelman

Copyright © 2016

Lorena Franco

Registro da Propriedade Intelectual.

Todos os direitos reservados.

© A vida que não escolhi

––––––––

Não é permitida a reprodução total ou parcial deste livro, nem sua incorporação a um sistema informático, nem sua transmissão em qualquer formato ou por qualquer meio, seja eletrônico, mecânico, por fotocópia, por gravação ou outros métodos, sem a permissão prévia e escrita do autor.

A infração dos direitos acima mencionados pode ser constitutiva de delito contra a propriedade intelectual (Art. 270 e seguintes do Código Penal).

PRÓLOGO

(Fonte: Misterio a la orden)

A ideia de que existem outros universos e consequentemente, diferentes mundos paralelos ou linhas do tempo, têm sido apoiadas por diversos cientistas ao longo dos anos, entre eles se destaca o físico teórico e ganhador do Prêmio Nobel em 1979, Steven Weinberg; que comparou a teoria do universo múltiplo com o sinal de radio. Ao nosso redor, existem centenas de ondas de rádio diferentes que emitem de antenas distantes até nossos carros, nossas casas ou lugar de trabalho, que estão repletas destas ondas de rádio. Mas um rádio só é capaz de receber uma frequência por vez, enquanto que o restante das frequências continua ali até que sejam sintonizadas. Cada antena possui uma energia e uma frequência diferente e nosso rádio finalmente só será capaz de sintonizar um sinal por vez. Da mesma forma, em nosso universo estamos sintonizados na frequência que corresponde à realidade física. E ainda assim, existe um número infinito de realidades paralelas que coexistem conosco no mesmo espaço sem que possamos sintonizá-las. Ainda que sejam mundos muito similares ao nosso, cada um tem uma energia diferente porque cada um esta composto por bilhões de átomos. Isso significa que a diferença de energia é grande. A frequência dessas ondas é proporcional a sua energia e por isso as ondas de cada mundo vibram em frequências diferentes e não podem interagir entre si.

Por isso, se a teoria dos universos paralelos está certa, a pergunta que todos nos fazemos é: que realidade vemos? Como é nossa vida nas outras dimensões? Em geral, os universos paralelos se dividem em duas classificações. A primeira pode ser chama de um universo divergente, onde duas versões da terra compartilham uma historia em comum até um ponto de divergência. Neste ponto, o resultado de algumas historias acontece de modo muito diferente nas duas Terras e à medida que o tempo passa desde esse ponto, são cada vez mais diferentes.

A verdade é que só vivemos uma vida dentro das muitas possibilidades que temos. As pessoas que escolhemos, nossas relações afetivas, os estudos aos que nos dedicamos, o emprego que possuímos, os bons e maus hábitos, o lugar em que nos instalamos... estas decisões marcam nossa vida com um antes e um depois. Estas decisões são nossa vida. Inclusive a menor decisão, a que parece ser mais insignificante, determina o curso de nossa existência. Mas... o que aconteceria se, de repente, nos vemos vivendo a vida que não escolhemos? Essa na que pensamos o que poderia ter sido, mas que por qualquer razão, descartamos? Decisões e coincidências. Causa e efeito. Temos sempre o controle da situação? O destino influencia e nos guia? Ou como dizia aquela música de Joan Manuel Serrat: «Não há nada mais belo que o que nunca tive, nada mais amado que o que perdi...» Aquilo que não vivemos também influencia em nossas vidas?

Bem vindos a esta historia. Bem vindos a ‘A VIDA QUE NÃO ESCOLHI’.

PRIMEIRA PARTE

7 DE NOVEMBRO DE 2012

O FEITIÇO

Bonnie Larson era o tipo de mulher que ninguém vê. Invisível na sociedade, se acostumou a viver em segundo plano. As humilhações no colégio forjaram nela um caráter introvertido e áspero que somado a um físico pouco agraciado, não ajudaram a levar uma vida como a dos outros. Escolheu o caminho mais fácil. Trancar-se dentro das quatro paredes do seu triste apartamento e sair dele apenas para ir trabalhar. O trabalho era sua vida, e ainda que nele seus colegas também não dessem a atenção que ela em silêncio reclamava aos gritos, se adaptou a uma rotina confortável que facilitava um pouco sua difícil existência. Bonnie era uma simples funcionária em uma grande rede de produção para uma importante empresa farmacêutica pioneira em Nova York. Mas em um frio sete de novembro, num dia que parecia normal, uma nota genérica enviada a todos os trabalhadores mudaria sua vida para sempre.

A imponente vice-presidente executiva da empresa, Nora Clayton, dirigiu-se a todos eles do alto da escadaria que levava aos ostentosos escritórios dos mandachuvas e de onde podiam ter sob controle com uma vista privilegiada a todos os funcionários. Nesse dia parecia mais alta que nunca com seu terninho azul marinho e saltos altos que acentuavam sua fina silhueta. Seu cabelo castanho estava arrumado em um refinado coque alto, estava bem maquilada como de costume, resaltando seus belos e grandes olhos azuis. Seu fino e harmonioso rosto estava em constante tensão, não tinha nenhum problema em mostrar isso apertando seus lábios cheios. Com um bom dia seco, chamou a atenção das vinte mil pessoas que estavam trabalhando arduamente na linha de produção. Inclusive Bonnie, que levantou seu olhar escuro de olhos saltados sob óculos grossos que cobriam quase toda sua cara ossuda.

—Eu lamento informar que dez mil das pessoas que estão trabalhando atualmente na linha de produção serão desligadas em até quinze dias. Ao longo dessa semana vocês receberão os acertos trabalhistas. Obrigada pela atenção.

Essas palavras ressoaram na mente de Bonnie como furadeiras em uma parede. Começou a se sentir mal, igual ao resto dos trabalhadores que começaram a cochichar em tom alterado e com muita raiva. Ninguém estava entendo nada. A empresa faturava bilhões de dólares por ano, mas o que ainda não sabiam era que sofisticadas máquinas de última geração substituiriam aquelas dez mil pessoas que seriam despedidas e que custavam muito mais para a empresa. Redução de custos. Sem más nem menos, não era nada pessoal. Nora Clayton voltou a sua sala com ar de superioridade, Bonnie pode ver em seus olhos claros, que pouco se importava que dez mil pessoas fossem parar na rua repentinamente sem qualquer salário para sobreviver. Ninguém se aproximou de Bonnie. Ninguém a consolou com as palavras que precisava escutar...

—Com certeza não vão te despedir, Bonnie. Você é a mais eficiente daqui.

Mas ninguém se aproximou dela. Ninguém falou com ela. E como de costume, ninguém a olhou.

Meia hora depois, Bonnie aproveitou seu tempo de descanso para se encher de coragem e ir até a sala da vice-presidente. Nunca tinha feito isso, nem ela nem ninguém. Nora Clayton era inacessível, fria como gelo e pouco próxima. Qualidades que seus superiores valorizavam enormemente ao lhe dar o cargo de vice-presidente há cinco anos.

Abriu a porta que levava até a recepção da secretária de Nora, uma senhora de cinquenta anos folgada e prepotente chamada Virginia Brown.

—O que você quer? —cumprimentou Virginia sem tirar os olhos da tela do computador.

Bonnie aproveitou para correr até a porta que indicava com uma placa dourada que era a sala da Vice-presidente executiva Nora Clayton. Abriu a porta sentindo a respiração de Virginia em sua nuca e frente o olhar atento de Nora, sentada em sua confortável cadeira de couro branco frente a uma mesa repleta de trabalho amontoado, mal conseguiu balbuciar um ininteligível Bom dia.

—Eu te dei permissão para me interromper? —perguntou Nora desafiadoramente—. Virginia, eu te pago para quê?

—Me desculpe senhora Clayton, vou agora mesmo... —respondeu Virginia que nessas horas, mais do que folgada e prepotente, parecia um cordeirinho a ponto de ser degolado.

—Não, dá no mesmo, pode deixar —interrompeu Nora—. Depois de tanto tempo, você só confirmou que é um inútil. Saia daqui —continuou, dirigindo-se a Virginia que olhava Bonnie com despeito enquanto saía da sala—. E você? O que quer?

—Não... desculpe... eu... Sinto muito, só queria saber se sou uma das pessoas que vão ser despedidas —respondeu Bonnie olhando para o chão.

—Isso está realmente acontecendo? —riu Nora digitando em seu notebook—. Para que serve o pessoal da administração? —suspirou olhando de soslaio a funcionária baixinha e magrela que estava na sua frente—. Seu nome?

—Bonnie, Bonnie Larson.

—Larson... Bem... Sim, você está despedida —respondeu Nora forçando um meio sorriso que enfureceu Bonnie.

—Mas... mas...

—Saia imediatamente de minha sala —Nora se aproximou lentamente de Bonnie—. O que eu te disse? —perguntou levantando a voz quando ficou frente a sua empregada, que era bem mais baixa que ela. Bonnie olhou para cima e num movimento rápido arrancou alguns fios de cabelo da melena castanha de Nora—. Posso saber o que está fazendo?

Bonnie correu o mais rápido que pode e em vez de voltar à linha de produção, passou pelo seu armário e pegou suas coisas para não voltar nunca mais. Sabia que ninguém se importaria, ninguém perceberia sua ausência e a administração não perceberia sua falta na hora de pagar o que lhe pertencia. Nos dez anos em que trabalhava ali, ninguém a tinha olhado, nenhum dos colegas reparara em sua aparentemente frágil presença. Não sentiriam sua falta.

Nora não pensou na estranha situação pelo resto do dia. Tinha trabalho demais para gastar seu tempo pensando em uma pessoa insignificante como Bonnie, cuja existência ela não tinha conhecimento até essa manhã.

Descendente de uma longa tradição de bruxas, Bonnie se dirigiu diretamente a seu apartamento que ficava em uma perigosa rua do Bronx que ela não temia. Já tinham se aproximado dela várias vezes com a intenção de roubar-lhe, mas com um simples olhar, ela fazia com que os ladrõezinhos fugissem com pressa, muitos deles tinham decidido dar fim à própria vida se atirando de alguma ponte. O poder de Bonnie não tinha fim. A maioria de seus predecessores tinham utilizado a magia para fazer o mal, Bonnie tinha resistido a isso exceto em algumas situações específicas. Enquanto abria a porta de seu apartamento, lembrou a vez em que deixou careca sua nêmese do colégio, a popular Claudia Robinson. A animadora de torcida loira e bonita adorava jogar refrigerante nela, quebrou três óculos, a insultava sem motivos na frente de todo o colégio, colocava minhocas e lixo no seu armário... a gota d’água que fez o copo entornar e motivou Bonnie a enfeitiçar a bela cabeleira dourada, aconteceu no dia em que depois da aula de educação física, ela teve as roupas roubadas enquanto tomava banho. Bonnie teve que correr como sua mãe a trouxe ao mundo pelos corredores do colégio para chegar à direção para pedir ajuda. A mãe de Bonnie deu um sermão. A poderosa bruxa Elisabeth Larson, foi quem deu a ideia de deixar a adolescente valentona careca. Desde então, não tinha voltado a se meter com Bonnie, já que tinha que aguentar as chacotas dos outros colegas e deixando automaticamente de ser a garota mais popular do colégio. Não foi uma época muito boa para a pobre Claudia Robinson que até hoje, aos trinta e cinco anos, continuava sem recuperar seu precioso cabelo. Para Bonnie também não foram bons tempos. Depois do acontecido com Claudia, todos a chamavam de Bruxa e não se atreviam a se aproximar dela. Tinha se tornado invisível até mesmo para os professores, que para evitar problemas, a aprovavam em todas as matérias com a menor nota necessária para passar, Bonnie se conformou com isso. Sempre fora uma pessoa estranha. Mas agora nada disso importava.

Correu até o livro de feitiços e maldições que herdara de sua mãe quando ela morreu de um derrame cerebral. Sim, as bruxas também morrem e das maneiras mais absurdas. Uma veia no cérebro de Elisabeth Larson arrebentou quando estava praticando magia negra com suas primas do Brooklyn. A emoção com que falava cada palavra que acabaria com a vida do homem que tinha sido infiel a sua prima Cassandra, provocou nela uma morte fulminante.

Bonnie abriu o grande livro na página setenta e dois. Pegou os fios de cabelo que tinha arrancado da imponente Nora Clayton, apagou a luz tênue da sala, acendeu quatro velas negras, fechou os olhos e percorreu com os dedos cada uma das palavras impressas há dois séculos no manual.

"Bonnie Larson te invoca. Bonnie Larson te ordena. Bonnie Larson te envia para a vida que não escolheu. A partir de hoje deixará de ser você mesma. As pessoas que preferiu não te conhecerão. As posses que tem não te pertencerão. Ao seu lugar de origem voltará. Deixará de ser quem você é para ser quem decidiu não ser. O pior ser humano da face da terra vai desaparecer.

Bonnie Larson te invoca. Bonnie Larson te ordena. A partir de hoje Nora Clayton vai ser a pessoa que não escolheu ser. Um mundo paralelo se abre frente a ela, o caminho não escolhido protagonizará uma dramática história sem final feliz. Bonnie Larson te invoca. Bonnie Larson te ordena. Bonnie Larson será ao final a rainha".

As velas se apagaram. Os fios de cabelo de Nora Clayton se chamuscaram. Bonnie suava e arquejava, esgotada após gritar com intensidade cada palavra do feitiço que havia acabado de inventar. O livro se iluminou com um tom verde intenso, do jeito que fazia sempre que a maldição havia funcionado e se fechou com um estrondo. Bonnie sorriu satisfeita e decidiu tomar um banho. Horas mais tarde, tudo tinha mudado.

––––––––

DECISÕES IMPORTANTES

Sete de novembro de 2012. Aparentemente uma manhã como qualquer outra, sabia que nesse dia teria que dar más notícias na empresa. Uma das mais importantes do setor farmacêutico

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