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Pérola Rara

Pérola Rara

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Pérola Rara

Duração:
318 páginas
3 horas
Lançados:
Dec 12, 2017
ISBN:
9781547508822
Formato:
Livro

Descrição

A morte e a destruição da guerra podem acabar até mesmo com os mais fortes de nós. A perda e a dor serão intensas demais para Rebecca suportar?

No ano de 1941, o paraíso é um estilo de vida no Havaí. Para Rebecca O’Shea, as coisas não poderiam estar mais perfeitas. Ela segue a carreira que deseja, a de enfermeira naval, e está apaixonada pelo homem de seus sonhos — parece que conquistou tudo o que queria.
Um dom empático que ela possuiu a vida inteira começa a crescer, cobrindo-a de emoções e premonições que indicam a aproximação de uma grande escuridão. Quando ela acha que já não conseguirá mais aguentar, seu guardião Joel chega para ajudá-la.
A vida de Rebecca vira um caos quando a guerra atinge a costa do Havaí. Enquanto os japoneses bombardeiam seu lar, seu dom explode dentro de si. A perda e a morte se tornam seu novo estilo de vida. Ela abandona toda as esperanças e se desliga de suas habilidades empáticas. Com corpos enchendo os hospitais e poluindo os mares, sua vocação de enfermeira se mostra útil, mas seu coração permanece inacessível. Será que ela conseguirá sair da escuridão e aceitar seu verdadeiro destino? Ou a morte e a destruição da guerra a consumirão?

Lançados:
Dec 12, 2017
ISBN:
9781547508822
Formato:
Livro

Sobre o autor

USA TODAY Bestselling author, DAWN BROWER writes both historical and contemporary romance.There are always stories inside her head; she just never thought she could make them come to life. That creativity has finally found an outlet.Growing up she was the only girl out of six children. She is a single mother of two teenage boys; there is never a dull moment in her life. Reading books is her favorite hobby and she loves all genres.For more information about upcoming releases or to contact Dawn Brower go to her website: authordawnbrower.com


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reconhecimentos

Sou a primeira a admitir que nunca consigo imaginar como uma capa deveria (ou poderia) ser. Fico surpresa quando o artista da capa consegue usar o pouco de informação que lhe dou para criar algo fabuloso e de tirar o fôlego. Victoria Miller excedeu às minhas expectativas, é realmente genial e para lá de brilhante. Obrigada por fazer uma capa incrível e linda para mim. Sua intuição criativa faz com que este livro brilhe com mais intensidade. Não tenho palavras para expressar o quanto você é generosa e maravilhosa — muitos, muitos abraços.

Para aquelas que ajudaram a polir esta história até que ela alcançasse todo seu esplendor: Leona, Amanda e Christina, vocês são todas extraordinárias e maravilhosas. Um agradecimento extra especial para Emily, sua ajuda de última hora foi muito bem-vinda.

dedicatória

Dedico este livro à pessoa mais inspiradora que conheço, minha linda e incrível sobrinha. Ela conseguiu superar adversidades que ninguém acreditava que fosse capaz, e não apenas alcançou seus objetivos, como também os transpôs. A força e a determinação que sustentou dentro de si foram absolutamente surpreendentes. Alison Monaco, você é minha super-heroína. Eu te amo.

Meu único desejo era que você houvesse estado aqui por tempo suficiente para ler isto. Escrevi este livro com você em mente, esperando que lesse as palavras que lhe criei. Meu coração dói, pois nunca poderei dividi-lo com você. Agora você é um dos guardiões que tomam conta daqueles que precisam de seu tipo especial de força. Somos abençoados por estarmos imersos em sua capacidade inabalável de lutar contra todas as adversidades. Os anjos têm sorte de tê-la ao lado.

capítulo um

— Você já viu uma paisagem tão linda assim? — Rebecca O'Shea se virou para seu namorado, David Falcon, com um meio sorriso no rosto. Os couraçados pontilhavam o horizonte com a frota de comando do Pacífico. As ondas turquesa surgiam na água e se espirravam em forma de espuma branca ao atingir as partes rasas da praia. — O Havaí deve ser o melhor lugar da Terra.

Eles estavam esparramados numa manta quadriculada vermelha e branca, contemplando o nascer do sol. A areia da praia brilhava em contato com os raios solares da manhã. Rebecca e David eram, no momento, as duas únicas almas que ocupavam o litoral isolado. Ela inclinou a cabeça para trás, fechou os olhos e se banhou de calor, enquanto enterrava os dedos dos pés por entre os minúsculos grãos de areia; eles caíam sobre seus pés, provocando leves estímulos quando ela os puxava para fora. Seus olhos se abriram para admirar o ambiente encantador.

— Absolutamente linda — concordou David.

Rebecca virou a cabeça e fitou os calorosos olhos cor de chocolate de David. Seus cabelos negros como ônix estavam cortados em fios curtos na sua cabeça; o barbeiro da Marinha os havia raspado no início da semana, bem baixos conforme os regulamentos; ela adorava passar as mãos pelas mechas aparadas, sentindo a maciez em suas palmas. Ele lhe lançou um sorriso, revelando covinhas a cada lado da boca.

Ao simplesmente encará-lo, ela sentiu no peito uma pontada de incerteza que não conseguia explicar. A alegria que experimentava quando estava perto dele superava qualquer sentimento que pudesse ser explicado com meras palavras, mas essa sensação tinha um toque de tristeza, como se um presságio ruim aguardasse para se chocar contra eles tal como as ondas se quebravam na costa. Rebecca torcia, do fundo do coração, que nada fosse destruir seu relacionamento, mas seus pressentimentos nunca a acometiam sem um tom de verdade. Ela expulsou o medo e sorriu de volta para David. Independentemente do acontecesse, pretendia aproveitar cada momento com ele. Ela o amava. Ninguém jamais conseguiria fazer seu coração disparar da mesma maneira.

— Você nem está olhando para a água. — Sua risada flutuou pela brisa quente e desapareceu com o vento.

— Porque nada é tão deslumbrante quanto você.

Os lábios de Rebecca se dobraram num sorriso sutil, enquanto seu coração se enchia de emoções calorosas e arrebatadoras.

— Você diz coisas tão gentis. Não é de se estranhar que eu o ame tanto.

— O que posso dizer? Sou mesmo muito amável. — David se inclinou para perto de Rebecca. Seu nariz tocou levemente o dela, enquanto ele reclinava a cabeça para dar um beijo suave em seus lábios. — O que, aliás, leva-me ao motivo por que eu a trouxe aqui.

— Quer dizer que não queria observar o brilho laranja-avermelhado do céu enquanto o sol nasce? — zombou ela.

— Não. É uma visão espetacular, contudo você me chama muito mais atenção. — David se pôs de joelhos diante dela; segurou suas mãos e olhou em seus olhos: — Sei que só estamos namorando há alguns meses, mas sinto como se fosse há uma vida inteira. Não consigo me imaginar com ninguém além de você. Quando nos conhecemos, quando eu literalmente esbarrei em você, meu mundo fez sentido pela primeira vez. O que estou tentando dizer... ou melhor, perguntar, é se você quer se casar comigo. Quer ser minha esposa e construir uma vida junto a mim?

Rebecca se sentou e permaneceu atônita por vários segundos, enquanto as palavras de David a inundavam. Ela nunca esperara que ele lhe fizesse uma proposta de casamento. Seu cortejo havia sido um redemoinho em atividade constante e altos emocionais. Conheceram-se na fachada de um teatro no centro de Pearl City. Estavam ambos deixando o local, porém David tinha esquecido alguma coisa, havia se virado para entrar novamente e se chocado com Rebecca, derrubando-a no chão. Pedira inúmeras desculpas pelo mau jeito. O encontro acabara levando a um jantar numa pequena lanchonete à medida que eles se conheciam. Ela não havia imaginado nenhuma vez, desde que David a convidara para acompanhá-lo até a praia algumas horas atrás, que ele lhe proporia.

A pequena sensação de desconforto a afligiu por dentro mais uma vez. Aquela dúvida, o insistente sentimento de hesitação, ordenava que ela recuasse o mais depressa possível. Ela o amava e o adorava, portanto não via motivo racional por que deveria dizer não. Ainda assim, achou melhor refletir a respeito por alguns segundos, para fazê-lo tentar adivinhar qual seria a resposta. Rebecca não queria que ele pensasse que ela era fácil.

Rebecca passou os dedos pelo lenço azul amarrado em nó no peito de David e se enfiou sob o colarinho de seu uniforme branco naval. Seus lábios se dobraram num sorriso sutil:

— Sim, quero me casar com você.

David a segurou e a puxou nos braços, envolvendo-a. Afrouxou o aperto e olhou em seus olhos:

— Você me assustou por um minuto. Parecia estar demorando uma eternidade para responder.

— Fiquei surpresa. Isso parece um sonho. Precisei de um momento para entender que estava me pedindo para ser sua esposa. Mal posso esperar para me casar com você e começarmos nossa vida juntos.

— Estou feliz por você dizer isso. Acho que devíamos nos casar após o dia de Ação de Graças. Uma pequena cerimônia aqui na ilha e uma grande celebração nos Estados Unidos. Pedirei licença para que possamos ter uma lua de mel durante o Natal e ir visitar nossa família. — Ele estendeu a mão e acariciou gentilmente a bochecha dela com a ponta dos dedos.

— Acho que é uma ótima ideia. Vou falar com as meninas quando eu voltar, e então começar os planejamentos. Imagino que será possível organizar algo pequeno a tempo. — O entusiasmo preenchia sua voz à medida que ela pensava sobre o casamento. Empolgação se instalava em sua barriga, enquanto um frio aumentava dentro dela. Em seus sonhos, ela nunca havia pensado que encontraria alguém a quem amar e se casar. Rebecca acreditava que tinha sido feita para permanecer sozinha. Pela primeira vez, considerava a possibilidade de tal suposição estar errada. Conseguia imaginar tudo acontecendo e dando certo. — Teremos pouco tempo, já que o dia de Ação de Graças será daqui a apenas uma semana, mas contanto que você não queira nada extravagante, será possível providenciar isso. Conseguiríamos preparar tudo até, digamos, seis de dezembro.

— Excelente. Contanto que você esteja presente, tudo o mais é detalhe ínfimo. O que quer que planeje será perfeito desde que no fim disso tudo você seja minha esposa. — David rolou de volta e se sentou ao lado dela. — Venha aqui e se sente à minha frente para que eu possa abraçá-la por um momento.

Ela se levantou, sentou-se entre as pernas dele, certificando-se de que a saia cobria suas coxas, e apoiou a cabeça em seu ombro. Rebecca virou o rosto para estudar a face inclinada de David. Ele deu um beijo suave em seus lábios, enquanto a apertava confortavelmente contra seu peito largo. Ela levantou as mãos e as apoiou nos antebraços de David com um leve toque. Seu coração batia forte no peito. David intensificou o beijo enquanto abria a boca para tocar a língua dela com a sua. Seus olhos estavam fechados para que ela se permitisse experimentar cada nova sensação sem que a realidade as estragasse. Permaneceram nessa posição, beijando-se e se abraçando por muitos minutos, até que David levantou a cabeça poucos centímetros acima do rosto de Rebecca. Os olhos dela se abriram e encontraram seu olhar cheio de paixão.

— Quase esqueci. Tenho um anel para lhe dar. — David mexeu no bolso do uniforme naval e tirou um pequeno anel com um solitário diamante. Ele segurou a mão esquerda de Rebecca, e então escorregou o anel por seu dedo anelar, encaixando-o com tamanha perfeição que ela não pôde deixar de se admirar. Após o prender em seu dedo, ele levantou sua mão para que ambos pudessem contemplar o brilho radiante, atestando sua intenção de passar o resto da vida juntos.

— Por mais que eu queira ficar e admirar seus lindos cabelos vermelho-dourados e olhos esmeralda, preciso voltar ao navio. Infelizmente estarei de serviço em uma hora, e há uns aparelhos elétricos precisando de reparo. — Sua mão esquerda percorreu o ombro dela e descansou no alto de sua cabeça. Seus dedos se emaranharam nas longas mechas cacheadas.

— Gostaria que pudéssemos ficar aqui para sempre, neste momento, curtindo um ao outro. — Rebecca suspirou, enquanto fitava as profundezas de seus olhos castanhos.

— Eu também, mas o dever me chama. Venha; vamos nos levantar antes que eu comece a considerar a ideia de passar a noite na cela do navio, pagando um pequeno preço por ficar aqui com você mais alguns minutos. — Ele deu um beijo rápido na ponta do nariz de Rebecca e a liberou de seus braços.

— Às vezes, queria que não fôssemos pessoas tão responsáveis. A realidade tem um jeito sorrateiro de nos obrigar a fazer a coisa certa. Por acaso, também vou estar de plantão no hospital daqui a algumas horas. Tenho que voltar ao chalé e trocar de roupa.

Rebecca se levantou e apanhou suas sandálias de alcinhas brancas que havia deixado sobre a manta. David se pôs de pé, pegou a manta quadriculada e sacudiu a areia. Após dobrá-la e colocá-la sob o braço, ele segurou a mão de Rebecca e a acompanhou até um banco de madeira próximo. Ela se sentou e calçou as sandálias para que eles pudessem caminhar de volta aos couraçados. David, cujo posto era atualmente no USS Arizona, tinha de subir a bordo do navio. Como ele precisava chegar lá bem mais cedo do que ela deveria se apresentar ao hospital naval, na base perto de Pearl Harbor, eles costumavam se despedir nas docas. A pequena caminhada levou apenas vinte minutos. O tempo voou, e, antes que Rebecca notasse, eles chegaram às docas que levavam ao navio onde David morava enquanto estava em Oahu, no Havaí. Pearl Harbor, o lar dos couraçados da Marinha, estava saturado de barcos que se banhavam da luz matinal.

— O tempo que ficamos juntos sempre passa rápido. Mal posso esperar para ver você novamente. Por quanto tempo ficará de serviço desta vez?

— Não terei tempo livre durante pelo menos uma semana. Queria poder vê-la antes disso. Talvez quando nos encontrarmos de novo você já tenha feito planos perfeitos para o nosso casamento. — David sorriu, suas deslumbrantes covinhas cegando-a de felicidade.

— Tentarei ao máximo. Agora me beije antes que alguém apareça e arraste você de volta para dentro do Arizona.

David acatou seu pedido e passou os braços em torno da cintura de Rebecca, abraçando-a enquanto seus lábios acariciavam os dela com um beijo delicado e extasiante. Rebecca permitiu que sua paixão a dominasse e aceitou cada bocado de amor que lhe oferecia. Ele a largou muito mais rápido do que ela gostaria.

— Já estou com saudade — sussurrou ela.

— A semana passará voando e você nem se dará conta. Passaremos o dia de Ação de Graças juntos. Talvez possamos fazer algo especial.

— Não. As meninas e eu estamos providenciando um jantar. Você podia fazer uma visita ao chalé e trazer alguns amigos. Estamos organizando um dia de feriado elaborado e cheio de detalhes. Todas sentem saudade de casa, e esse é o jeito que elas têm de lidar com isso. Será divertido.

— Conheço uns rapazes que apreciariam tanto o jantar quanto a companhia de belas moças. Eu os levarei comigo. — David se aproximou e, mais uma vez, beijou-a levemente antes de se virar para caminhar rumo ao navio. Parou a uma curta distância de Rebecca e virou a cabeça para trás em sua direção.

— Pensarei em você a cada momento em que estivermos separados, até vê-la novamente. — Após exprimir essas palavras cheias de convicção, prosseguiu rumo ao navio e embarcou.

Um sentimento morno se expandiu dentro dela. Sim, casar-se com David era a decisão certa. Não importava o que a vida tivesse lhes reservado, ela não se arrependeria de sua escolha. Ele a fazia feliz de modo que ninguém mais seria capaz. Não conseguia se imaginar sem David em sua vida.

Rebecca se afastou dos couraçados e caminhou para o chalé que dividia com outras cinco enfermeiras navais. Mal podia esperar para lhes contar a novidade. Pulariam de alegria ao saber de seu noivado inesperado com David. Todas se ofereceriam para ajudar com os planejamentos para o casamento.

Um sorriso de felicidade se abriu em seu rosto. Ela abraçou o próprio corpo e se apertou com força na tentativa de segurar o sentimento fugaz bem fundo dentro de si. Nada poderia lhe tirar isso; faria parte dela para sempre, mesmo em seus dias mais sombrios. Com a decisão tomada, ela caminhou ainda mais rápido rumo à sua casa longe de casa. Rebecca tinha muitos planos a fazer, não apenas para o casamento, mas também para o jantar de Ação de Graças, que agora incluiria mais algumas bocas para alimentar. Queria criar o máximo de memórias que pudesse dessa época feliz. Seu coração transbordava de tantas emoções que ela nem imaginava como poderia contê-las.

capítulo dois

Os pássaros cantavam uma melodia feliz enquanto voavam pelo céu cerúleo, mergulhando e girando em sincronia. O sol continuava a subir no alto; quanto mais se elevava, mais quente o dia ficava. O calor permeava o ar à medida que ele soprava pelas palmeiras e envolvia Jaoel, fazendo com que pequenas gotas de suor se formassem em torno de sua nuca. Ele estava a uma pequena distância da mulher que havia sido enviado para proteger, observava-a caminhar para longe dos couraçados.

Seus cabelos vermelho-dourados se agitavam na brisa amena, e seus lábios cor-de-rosa formavam um sorriso satisfeito. Um brilho rosado crescia em suas bochechas, iluminando seu rosto em formato de coração, que já era bonito. Usava uma blusa branca firmemente colocada para dentro de uma saia azul, que oscilava em torno de seus quadris, logo acima dos joelhos.

Suas sandálias brancas batiam na calçada enquanto ela a atravessava. Jaoel a achava absolutamente hipnotizante.

Desde o primeiro momento em que a havia visto, parte dele se apaixonara por ela. Era um amor profundamente enraizado no dever e na honra, em seu puro desejo de garantir a segurança da moça. Esse era um conceito que ele tinha que relembrar a si mesmo continuamente — Jaoel havia desistido de seu direito a uma relação amorosa. A imortalidade não combinava com indivíduos de vida útil finita.

Se isso significava ter que observar escondido e segui-la em segredo, cumpriria sua missão com cada pingo de disposição que havia dentro dele. Rebecca não sabia nada ao seu respeito e, se tudo saísse como o planejado, nunca saberia. Suas ordens eram de se revelar apenas caso ela estivesse em perigo. Até o momento, seu caminho continuava o mesmo. Contanto que nada mudasse, ele poderia permanecer nos cantos escuros, sempre vigiando.

— Parece que sua protegida teve uma manhã agradável hoje.

Jaoel se virou e viu seu comandante, que estava parado atrás dele. Seus dreadlocks dourados caíram ao redor do rosto, belo e esculpido. Um par de olhos azuis gelados o encaravam fixamente, segurando-o no lugar. Jaoel nunca se reportava diretamente a ele, mas às vezes o comandante exigia que se encontrassem em pessoa. Transmitir informações por meio de terceiros muitas vezes fazia com que a mensagem se perdesse. Por isso, de vez em quando, seu líder aparecia para receber uma atualização. Alguns outros membros da unidade achavam angustiante lidar com isso, mas Jaoel nunca havia se incomodado. Ele o cumprimentou como sempre, com a reverência e o respeito que seu superior merecia.

— Michael. — Jaoel acenou com a cabeça para ele. — Ela passou muito bem a manhã. É por isso que seus movimentos denotam tanta alegria.

Rebecca O'Shea se mostrava saudável, vigorosa e feliz. A essa altura, os guardiões não poderiam querer nada mais que isso. Ela ainda não fazia ideia sobre suas habilidades; estavam começando a vir à tona de modo mais intenso. Seu dom havia se acentuado tanto que ela não seria mais capaz de ignorá-lo. O caos emocional que o massacre traria poderia fazê-la desmoronar. Ela não tinha nenhuma proteção e não mostrava sinais de estar criando uma por conta própria. Jaoel seria obrigado a intervir em breve.

— Tudo vai conforme o planejado?

— Até agora, tudo vai bem. Tem certeza de que esse é o caminho correto para ela seguir?

— É, sim. As próximas semanas serão cruciais para nós. Sua maneira de lidar com as decorrências vai determinar como ela terminará. Algumas pessoas se destroem ao lidar com certas situações, enquanto outras prosperam e se fortalecem a partir delas. Esperamos que ela não seja do tipo que é destruído.

— Acho que ela é mais forte do que você imagina. — Jaoel sacudiu a cabeça e olhou nos olhos de Michael. — Você a subestima.

— Você pode ter razão. Precisa começar a assumir um papel mais ativo. Ela pode acabar necessitando de uma presença sólida na vida.

— Não entendo. Pensei que eu devia permanecer apenas escondido e vigiando. Até agora, não aconteceu nada que exigisse envolvimento direto. Ela está lidando muito bem com a transição.

— Sim. Esperávamos dar continuidade ao plano estabelecido, mas, nesta manhã, nossos conselheiros identificaram uma alteração na direção em que ela está seguindo. Isso sugere que será preciso sermos um pouco mais proativos a fim de salvá-la.

Jaoel levantou a cabeça, assustado com a notícia dada por Michael. Por que não o haviam informado sobre essa nova direção? Essa informação era necessária para que ele fizesse seu trabalho corretamente.

— Que alteração? O que causou essa mudança? Não entendo como posso não ter ficado ciente disso.

— Nada mudou, pelo menos nada que possamos apontar exatamente. É só um abalo. Não queremos assumir riscos se pudermos evitar que algo catastrófico aconteça. Certas coisas são inevitáveis e não podem ser mudadas. O caminho que ela segue está quase todo definido, mas é possível que se machuque se não tiver auxílio.

O olhar de Michael se apagou, como se visse milhares de cenários diferentes flutuando à sua frente. Pelo que Jaoel podia perceber, estava vendo mesmo.

Depois de uma breve pausa, Michael balançou a cabeça e voltou sua atenção a Jaoel:

— Você sabe o quanto ela é importante para nossa unidade. As coisas que será capaz de fazer apenas beneficiará o mundo ao nosso redor. Precisamos que esteja preparada para lidar com tudo. Quando a crise chegar, a maneira como vai encarar e superar a situação dependerá da habilidade que tem de controlar suas próprias emoções.

— O que é necessário que eu faça?

Jaoel faria qualquer coisa para protegê-la. Era um guardião e levava seu trabalho a sério. O que quer que Michael precisasse que fosse feito, ele teria prazer em realizar. Já esperava usar suas habilidades bem treinadas para esse fim. Não importava qual lhe seria o custo, Jaoel garantiria que ela passasse por isso mais forte que nunca.

— Como eu disse, temos que assumir um papel mais ativo. Você precisa providenciar um jeito de cair nas boas graças dela. Chega de se esconder e vigiar de longe. Para que ela sobreviva ao que está por vir, precisará da presença de seu guardião, conduzindo-a.

Michael se virou e contemplou as ondas turquesa se agitando no Pacífico. Jaoel deixou que suas palavras o atingissem enquanto ponderava sobre qual poderia ser seu próximo passo. Não seria muito difícil se tornar uma parte mais ativa da vida dela. Rebecca trabalhava no hospital de base; ter acesso a ela seria até muito simples. O mais complicado seria se tornar uma parte mais permanente de sua vida. Ir ao hospital uma única vez poderia ser facilmente justificado se ele se fingisse de paciente carente de cuidados; no entanto, persegui-la pelos corredores sem nenhum motivo faria claramente com que a Polícia Militar local o intimasse por estar incomodando. Se ele estivesse regularmente presente, tudo seria mais fácil.

Jaoel pesou todas as opções e chegou a uma conclusão. Se ele visitasse a base com mais frequência, poderia se deparar com ela de vez em quando. Talvez eles acabassem se tornando amigos. Um trabalho no hospital não daria certo para ele, pois não tinha conhecimentos médicos. Jaoel preferia uma abordagem prática e precisava de algo em que pudesse pôr as mãos. Enquanto consertava as coisas, o corpo humano ultrapassava suas capacidades. Já que ele adorava voar, o melhor lugar para estar era num dos aeródromos militares. Poderia reparar os aviões e torná-los dignos dos céus azul-safira que percorriam.

— Compreendo. Sei exatamente o que preciso fazer. Vou começar a tomar as medidas necessárias para me tornar uma parte ativa da vida dela. Até amanhã de manhã, tudo estará encaminhado para que eu seja uma presença firme em sua vida.

Michael se virou e encarou Jaoel. Seus olhos azuis se escureceram, quase parecendo negros, muito diferentes das íris habitualmente cor de gelo. Linhas se formaram ao redor de seus olhos, e sua

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