Aproveite esse título agora mesmo, além de milhares de outros, com um período de teste gratuito

Apenas $9.99 por mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

A Noiva de Caversham - Livro I da série "As Crônicas de Caversham"

A Noiva de Caversham - Livro I da série "As Crônicas de Caversham"

Ler a amostra

A Noiva de Caversham - Livro I da série "As Crônicas de Caversham"

Duração:
495 páginas
7 horas
Editora:
Lançados:
May 5, 2018
ISBN:
9781547527656
Formato:
Livro

Descrição

O que você faria para salvar aqueles a quem mais ama?

 Vendida como escrava por homens que deveriam matá-la, Angelia Gualtiero deve agora convencer o homem que a comprou a ajudá-la. Lia faria qualquer coisa para salvar seu irmãozinho das garras de sua tia assassina, até mesmo se casar com um homem que ela sabe que não quer nada além do uso de seu corpo.

Marcus Renfield Halden, nono duque de Caversham, precisa de um herdeiro para proteger seu legado e o futuro de suas jovens irmãs de um primo desesperado, por quem ele suspeita ser perseguido, em sua busca pelo título e fortuna. Quando vê uma mulher fugindo de seu guarda em um mercado em Tânger, é inicialmente cativado por sua beleza. Depois que Ren descobre sua história, fica impressionado com sua coragem. Então, faz uma oferta que Lia não pode recusar.

Seu irmão em troca de um herdeiro.

O que nenhum dos dois esperava era se apaixonar

Editora:
Lançados:
May 5, 2018
ISBN:
9781547527656
Formato:
Livro

Sobre o autor


Relacionado a A Noiva de Caversham - Livro I da série "As Crônicas de Caversham"

Livros relacionados

Amostra do livro

A Noiva de Caversham - Livro I da série "As Crônicas de Caversham" - Sandy Raven

Ele a queria... Ela precisava dele.

––––––––

Após vários minutos, Lia se afastou, enxugando seus olhos com o dorso das mãos.

— Eu o agradarei todas as noites. Passarei meu tempo a seu serviço, de boa vontade. Pagarei os gastos que o senhor assumir por minha causa, caso consiga resgatar meu irmão e nossa ama da casa de minha tia. Farei o que me pedir – qualquer coisa – por eles. Por favor? Irá me ajudar?

— Pensarei sobre isso — respondeu ele, enquanto mentalmente perguntava-se com que velocidade ele poderia chamar de volta sua tripulação e partir para a Itália.

Grandes olhos verdes, avermelhados e brilhantes pelas lágrimas, levantaram-se para olhá-lo e algo apertou seu peito. Mechas de cabelo negro haviam se soltado de seu penteado e esvoaçavam em seu rosto, pela suave brisa do jardim. Ele as afastou com seus dedos, sua palma tocando sua face molhada. Ela apoiou o rosto em sua mão, fechando os olhos.

— Não tenho muito tempo — sussurrou ela. Afastando-se, ela caiu de joelhos diante dele, suas mãos esfregando as pernas nervosamente, enquanto o olhava. — O que posso dizer, o que posso fazer para persuadi-lo a me ajudar? Daria minha própria vida para poupar a dele. — Com as mãos postas em atitude de oração, implorou a ele, enquanto uma nova torrente de lágrimas começou a descer livremente por seu rosto. — Ele é apenas um bebê. Meus pais o amam tanto.

— Eu não me recusei, Lia, disse que pensaria a respeito, o que significa que meus planos devem ser alterados e os preparativos, feitos. — Ele secou as lágrimas do rosto dela e pousou a mão em sua face. — E tenho certeza de que seus pais a amam tanto quanto a seu irmão.

— Eles me amam — sussurrou ela.

Lia tomou-lhe a mão e trouxe a palma até os lábios. Esse simples gesto lançou um verdadeiro inferno em chamas pelo corpo de Ren. A ponta de sua língua traçou uma linha entre os dedos dele, fazendo com que seus calções se tornassem desconfortavelmente apertados. Ele gemeu quando ela tomou seu dedo médio entre os lábios e o sugou suavemente, a ponta de sua língua deslizando para cima e para baixo, fazendo com que seu membro enrijecesse.

Retirando sua mão, olhou fixamente nos olhos dela. Bem nesse momento, ele decidiu. Era a solução para os problemas de ambos.

— Já sei como. — Seu olhar desceu até seu úmido e carnudo lábio inferior, desejando saber como seria senti-lo em seus próprios lábios.

— Qualquer coisa, Sua Graça — sussurrou ela. Segurando novamente a mão dele, beijou-lhe a palma mais uma vez, e depois o pulso e a parte interna de seu antebraço nu.

— Primeiramente, você deve ouvir qual é meu dilema e compreender minha solução proposta.

— Tudo que estiver ao meu alcance é seu.

Ele levantou a mão dela, fazendo-a ficar de pé diante dele. Olhou fixamente dentro de seus olhos de um verde intenso e sentiu um tremor percorrer de seu braço até o peito.

— Preciso de um herdeiro. Um filho legítimo. O mais rápido possível.

Com os olhos arregalados, ela o encarou, obviamente chocada por suas palavras.

— Para tanto, o senhor precisaria de uma esposa.

— Para salvar seu irmão e sua ama, você precisa de mim e de meus navios.

— Sua Graça, certamente um homem atraente com o senhor, possuindo dinheiro, pode encontrar uma dama para casar em seu próprio país.

— Não quero ninguém de meu próprio país. — Ele segurou o queixo dela em suas mãos enquanto olhava fixamente para seu rosto. — Quero você.

A NOIVA DE CAVERSHAM

Esse livro é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e situações são produto da imaginação do autor e usados de forma fictícia e não devem ser considerados como reais. Quaisquer semelhanças com pessoas, eventos ou organizações reais são meras coincidências.

––––––––

Copyright © 2012, Sandy Raven

––––––––

ISBN:  978-1-939359-02-5

––––––––

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desse livro pode ser usada ou reproduzida seja de que forma for, sem permissão por escrito, exceto no caso de citações breves inclusas em artigos críticos e/ou resenhas.

––––––––

Desenho da capa por The Killion Group, Inc

http://www.thekilliongroupinc.com

Formatação digital por Author E.M.S.

http://www.authorems.com

Caro leitor,

A Noiva de Caversham foi previamente publicado por um curto período de tempo, em 2001, sob o título The Duke’s Heart (O coração do Duque). Devido a amar tanto essa família que criei, sempre desejei ver a série completa. Então, enquanto preparava As Crônicas de Caversham para publicação, revisei meu ‘Duque’ exaustivamente e percebi que, nessas revisões, a expressão que inspirou o título anterior já não correspondia com o romance. A necessidade premente de Ren por uma noiva e herdeiro legal ainda era crucial para sua motivação, e foi isso que inspirou o novo título.

Espero que você goste da história de Ren e Lia, e que ache que os irmãos de ambos são cativantes o suficiente para que queira ler suas histórias. Procure o segundo, terceiro e quarto livros dessa série nos próximos meses. E, logo após, as histórias da Geração Seguinte, que já está a caminho.

Eu adoraria ouvi-lo! Então, se você tiver alguma pergunta ou comentário, estou online em http://www.SandyRaven.com, e no Facebook, em https://www.facebook.com/SandyRavenAuthor.

Atenciosamente,

Sandy Raven

DEDICATÓRIA

––––––––

Para meu querido Curtis

Meu duque de Caversham

Pertenço a você

––––––––

Para D1 e D2

Vocês são meus Orgulhos e Alegrias

AGRADECIMENTOS

––––––––

Muitos escritores trabalham no vazio durante a maior parte do processo criativo, e eu certamente confesso-me culpada disso também. Mas as publicações são um esforço conjunto de muitas pessoas e, para essas pessoas, devo a minha mais sincera gratidão: Gail Shelton, minha amiga, minha editora. Eu amo você! Quero agradecer a Kim, Abby, Megan e Jennifer, do The Killion Group – vocês, garotas, fazem um trabalho fabuloso E respondem a e-mails à 1 hora da manhã. Mas, tenho uma pergunta: está muito tarde para... (brincadeirinha!)

Para Carolyn, Kristi, Belinda, Gail e Vicky: minhas primeiras amigas escritoras, que acreditaram em mim e me encorajaram. Eu as amo, garotas.

Para Janet, Marilyn, Beverly e Nita: minhas amigas de montaria. Obrigada por me aturarem quando hiberno em minha caverna de escritora. Gostaria de me clonar, assim poderíamos cavalgar mais vezes.

Carol Sue, Mary Michael, Cha-Cha, vocês sempre estão a meu lado. Eu as amo.

CAPÍTULO UM

Gênova, Itália, dezembro de 1818

Os passos que a seguiam não eram fruto de sua imaginação. Lia olhou rapidamente por cima de seu ombro, mas não viu ninguém atrás dela, enquanto seguia seu caminho pela estreita rua que a levava até seu destino. A neblina leve e fria que caiu durante toda a noite transformou-se agora e uma chuva lenta e constante. Ela puxou seu manto de lã mais próximo a ela, mas o calafrio que sentiu vinha mais de dentro de si mesma. Lia parou, e ouviu os passos pararem também. Sentiu cada nervo de seu corpo tencionar, e seus finos pelos dos braços se eriçaram. Apressando o passo, retomou sua caminhada em direção à farmácia, rezando para que pudesse encontrar ajuda ali.

Por que não questionou ao ser enviada nessa missão? Deveria ter visto, com seus próprios olhos, se Julianna estava realmente doente como sua tia disse. Sabia que sua prima vivia atormentada por dolorosos períodos menstruais mas, pelo que sabia, ninguém morrera até então por causa de fluxos mensais. Essa noite, enquanto se preparava para deitar, sua tia entrou em seu quarto e lhe disse que sua prima precisava de um frasco grande de láudano para ajudá-la a aguentar a semana que viria. Então, a mulher a mandara sair e comprá-lo.

Agora, Lia desejou ter pensado sobre a tolice de sair sozinha com semelhante responsabilidade, e a essa hora da noite. Se tivesse, teria recusado.

Os passos atrás dela avançaram mais rapidamente. A batida forte de grandes botas no chão avisavam Lia que seu perseguidor era um homem.

Levantando suas saias, correu. Mais 100 metros ou algo assim, e ela alcançaria o estabelecimento de Signore DelPonte. Sua tia lhe garantiu que ele ainda estaria lá. Se não, bom Deus, o que faria? Sabia que o farmacêutico morava acima de seu local de trabalho. Mas ele ouviria, caso ela batesse na porta?

Um gato saiu correndo de uma entrada recuada. Lia pulou agilmente sobre ele e continuou a correr. O homem que a perseguia tropeçou no animal e caiu. O alto grito da criatura atravessou o silêncio mortal, irrompendo uma enxurrada de maldições através da noite úmida. Um frio tremor percorreu-lhe a espinha, ao perceber que seu perseguidor continuava a sua caçada.

Seu coração martelava a cada passo, assim que virou a esquina e não viu luzes acesas na loja de Signore DelPonte. Lia passou correndo por ela, procurando um lugar, qualquer lugar onde pudesse se esconder. Seu perseguidor rapidamente diminuiu a distância entre eles. Atravessando a rua estreita, correu até um beco, esperando perdê-lo de vista.

Um beco sem saída!

Voltando para a rua, chocou-se com seu seguidor, o impacto derrubando-a ao chão. A fraca luz do luar revelou-lhe um homem musculoso, cujo rosto com cicatrizes e barba escura fez uma careta, enquanto estendia suas mãos sujas para agarrá-la. Com toda energia que encontrou, Lia o empurrou o suficiente para desequilibrá-lo. Lutou com as mãos e pés até recuperar o equilíbrio e voltar a fugir.

De repente, Lia foi puxada para trás, sufocada pelo próprio manto. Enquanto tentava alcançar o fecho para soltá-lo, o homem agarrou seu braço e o torceu atrás de suas costas. A dor ardente em seu ombro trouxe-lhe lágrimas aos olhos e ela gritou. Gritou tão alto e tão longamente quanto pôde – até algo bem duro bater em sua cabeça, fazendo-a calar-se por um momento. Mesmo assim, ainda lutou por sua liberdade, dando um coice com seu pé direito, na esperança de atingir a perna ou o joelho do homem.

Che testa dura — disse seu agressor, com voz grave. Lia gritou de novo, bem antes de receber mais um golpe na cabeça. Dessa vez, o golpe a fez perder os sentidos.

––––––––

Vozes. Uma delas, familiar. Lia mexeu-se e tentou levantar-se, mas a intensa dor que latejava em seu crânio a impediu. Tentando dispersar a névoa de sua cabeça, concentrou-se nos sons abafados que ouvia através do áspero saco de aniagem que a envolvia. Estava deitada em algum tipo de carroça, provavelmente uma carroça de fazendeiro, uma vez que a palha embaixo dela cheirava ao acentuado aroma de azeitonas verdes.

Nas proximidades, um jumento zurrou e vozes se aproximaram. Um homem e uma mulher. Lia sentiu suas presenças ao lado da carroça. Alguém espetou suas costelas com um objeto pontudo. Uma dor incandescente trespassou seu corpo, mas ela não se moveu ou emitiu qualquer som, para que não a machucassem ainda mais. Novamente foi espetada e, dessa vez, mordeu o lábio para evitar de gritar.

— Até agora, tudo bem. — A mulher soltou uma risada. — Se ainda não estiver morta, acabe com ela. Então, pegue o corpo e jogue-o no mar. Lembre-se de colocar pesos no saco, para que não o encontrem.

Ottawia! A governanta de sua tia. A velha desprezível falou sobre seu corpo sem vida tão levianamente, sem um mínimo de remorso ou cuidado. Sua tia estava por detrás disso. Ela deveria saber.

Sì, signora — respondeu a voz masculina.

A carroça balançou embaixo de Lia assim que o homem sentou-se em seu banco. Ela ouviu o tilintar de moedas, enquanto Ottawia as contava.

— Essa é a quantia que acertamos, não?

— respondeu o homem.

— Daqui a alguns meses, retorne para mais um. La Contessa quer todos fora de sua casa.

Virgem Santíssima dos céus. Os homens voltarão por causa de seu irmão e sua velha ama, também!

— De bom grado tomaremos conta disso para você — disse a outra voz. — Por um valor, claro.

Um outro homem. Eram dois. Bom Deus, a cabeça dela estava doendo. Lia havia pensado que, pelo menos, poderia ter sorte se lutasse contra um sequestrador. Suas chances diminuíram com dois, mas não morreria sem lutar. E mais agora, ela precisava resgatar seu irmão, além de Maura.

A carroça balançou de novo, assim que o segundo homem subiu no assento. Ouviu as rédeas baterem no lombo do animal e a carroça deu um solavanco ao seguir em frente. Após alguns minutos, os dois homens começaram a conversar. Lia ouvia com atenção.

— Sabe, ela tem um rosto bem aceitável, e seu corpo também não é nada mau — cuspiu um dos homens. — Estou pensando em vendê-la para Najjar e aumentar em dez vezes o dinheiro que aquela bruxa velha nos pagou.

— Quem é ele?

— Um traficante árabe que recebe mulheres e as vende em sua terra, como escravas. Se forem virgens, são vendidas diretamente para o harém de algum sultão.

— Seria uma vergonha deixar sta bellezza ser desperdiçada como uma escrava. Vamos fazer uma farra ou duas, enquanto estamos com ela.

— Não ouviu o que eu disse? — gritou o primeiro homem. — Ela é bonita e, se for virgem, irá direto para um harém.

— E daí? De que isso nos serve?

O segundo homem não parecia ser muito inteligente, pensou Lia. Ainda que soubesse o que isso significava. Eles não iriam matá-la. Ela ainda tinha uma chance de escapar, para salvar Luchino e Maura.

— E daí? Eles pagam o dobro ou mais por uma virgem!

— Como vamos saber se ela é virgem?

— É só um palpite — disse a primeira voz. — Você não estava lá quando a peguei. Sta puttanesca lutou como um animal selvagem. Ela não poderia saber que eu iria matá-la. Não, estava protegendo sua virtù. Estou certo disso.

O segundo homem permaneceu em silêncio por um momento.

— Pode ser que tenha razão. Quanto esse árabe paga por uma mulher como ela?

— Bem, já faz um tempo desde que tive outros bens não usados para vender, mas aquela outra então rendeu-me duas mil liras. Acho que, com a formação e aparência desta agora, poderemos obter três ou quatro mil, facilmente.

Lia ouviu o segundo homem assoviar diante da quantia. Como ousavam considerá-la não mais do que gado? Apesar de irada, não tinha muito tempo para pensar nisso. Precisava encontra um meio de escapar antes que encontrassem esse tal de Najjar. Suas chances de sucesso eram maiores agora, porque os homens que a mantinham pareciam ser um par de idiotas inúteis. Grandes, mas mesmo assim, estúpidos.

Ela ocupou-se com a tira de couro que amarrava seus pulsos, até que estivesse frouxa o suficiente para conseguir soltar uma das mãos. Após esfregar as mãos, para que a circulação voltasse a correr nelas, verificou o nó na abertura do saco de lona. Esse estava mais apertado do que o outro. Mais difícil, mas não impossível. Lia enfiou um dedo pela abertura. Então, outro e mais outro, até prender a corda com um dedo.

Esperou um momento, até ter certeza que ninguém estava prestando atenção nela, então puxou as extremidades da corda através da abertura do saco e começou a desapertar o nó.

Lia sentiu a carroça deixar a estrada da cidade, pavimentada com tijolos e menos acidentada, e tomar uma outra, mais macia, suja e esburacada, em direção ao campo. Essa era a sua chance de escapar. Assim que estavam bem longe dos sons da cidade, moveu-se cuidadosamente em direção à traseira da carroça. Cada vez que a carroça saltava sobre um buraco, Lia deslocava-se um pouco mais, de forma que o saco parecesse estar sendo empurrado.

Como esperava, a traseira da carroça não tinha grade que a impedisse de cair. Preparando-se para a queda no chão, rolou até a borda. O próprio tombo não foi tão ruim, e ela teve sorte de aterrissar sobre a lama mole. Que ainda absorveu o ar deslocado pela queda.

Lia esperou um momento antes de se mover para tentar abrir o saco. Queria estar certa que a carroça continuava seu caminho e que os dois homens estavam longe o suficiente, para que ela pudesse conseguir alguma vantagem.

Abrindo o saco para poder sair, olhou pelo caminho por onde a carroça prosseguia. Uma fração de lua no céu forneceu-lhe luz suficiente para ver a parte traseira da carroça e seus dois passageiros a uns trinta metros adiante. Com seu vestido e manto negros, seria fácil se esgueirar entre as árvores e desaparecer. Lia esticou-se para apanhar o saco e levá-lo consigo, a fim de não deixar nenhuma pista de onde desaparecera.

Nesse momento, ouviu uma voz gritar:

— Ela caiu da carroça e está correndo para o bosque!

— Pegue-a, seu grande tolo — gritou o primeiro homem. — Não a deixe escapar. É ela quem vai nos tornar ricos.

Largando o saco, Lia correu até a densa vegetação ao longo da estrada. As videiras, secas pelo inverno, arranharam a pele exposta de seu rosto e mãos, rasgando suas roupas. Os arbustos espinhosos puxaram seu manto, enquanto ela continuava a correr em direção ao bosque. Soltando o fecho em seu pescoço, deixou o manto cair, esperando correr mais depressa sem ele.

Uma clareira à frente pareceu-lhe ser o pasto de um fazendeiro. Ela correu em sua direção. Se conseguisse alcançá-lo, poderia levantar suas saias e correr.

Minchia.

Ela ouviu o homem que a seguia praguejar, pois ele, também, estava arranhado pelas farpas espinhosas. Com o coração disparado, Lia olhou por cima do ombro. O quão perto ele estava? Oh, Deus, muito perto. E se aproximando mais. Ela emitiu um grito, batendo nas videiras ao longo do caminho.

— Não! — gritou. Alcançando o pasto, levantou suas saias e correu. Correu para salvar sua vida.

Seu cabelo há muito se soltara de sua presilha e caía livremente por suas costas, fazendo com que fosse muito fácil para seu raptor... A cabeça de Lia foi lançada para trás, a ardência em seu escalpo arrancou-lhe um grito. Ela caiu sobre seu perseguidor, enquanto os braços musculosos dele a agarraram pela cintura e a mão, que lhe segurava o cabelo, cobriu sua boca.

Lutando e chutando, ela reagiu furiosamente. O calcanhar de sua bota bateu na perna dele, provocando uma série de palavrões sujos, vindos de sua boca amarga e malcheirosa. Ele a soltou, tentando ajustá-la sob seu domínio, e ela o empurrou, intentando correr, apenas para ser pega pelo primeiro homem, que chegou com mais cordas e o saco que ela deixara cair na estrada.

O malcheiroso, o maior dos dois, segurou-a, enquanto o mais baixo, claramente o líder, agarrava os pés dela, que chutavam e balançavam, e os amarrou. Então, jogou um dos braços de Lia para trás de suas costas, e o homem fedorento tentava mantê-la imobilizada enquanto ela lutava. O homem mais baixo conseguiu segurar um de seus braços mas, quando tentou fazê-lo com o outro, Lia mordeu sua forte mão, arrancando-lhe sangue e mais impropérios. Ela cuspiu a sujeira salgada no chão, enquanto o grande e fedorento homem agarrou a mão livre de Lia, para ajudar seu amigo. Ela o esmurrou no rosto. Instintivamente, o homem preparou-se para revidar-lhe com um soco, mas foi impedido pelo homem menor.

Non tocare — disse, apertando o braço machucado de encontro ao peito. — Não a toque. Se estragar sua aparência, não obteremos muito por ela.

Empurrou Lia para os braços de seu parceiro e, então, lançou toda sua raiva nela.

— Escute, sua cadela louca, deveria tê-la jogado no mar, como a senhora mandou, mas pensei em dar-lhe a chance de gozar de uma boa vida em algum harém confortável.

A raiva fervilhava em cada poro do corpo de Lia.

— Você só pensa em seu próprio bolso! — Ela cuspiu em seu sorriso sujo e desdentado.

Ele a esbofeteou.

— Outra palavra sua e irá virar comida de peixe, com certeza — disse-lhe, enquanto amarrava uma mordaça em sua boca.

Quase arrancando seus braços de suas articulações, ele amarrou suas mãos nas suas costas, forçando seu peito para a frente. A dor atravessou seu corpo, mas Lia recusou-se a ceder. Não iria derramar uma lágrima de medo ou dor na frente desses homens.

O gigante que a segurava começou a respirar avidamente em seu pescoço. Sua língua molhada movia-se sobre sua pele, e Lia sentiu a bile subir à garganta. As mãos dele avançaram para agarrar seus seios e os apertar. Doía, mas a dor era secundária à revolta que fervia dentro dela. Como esses animais nojentos ousavam tocá-la?

— Não pode mais lutar contra nós agora, não, Signorina? — Uma de suas mãos desceu para alcançar suas partes mais íntimas. Ele tentou levantar suas saias, mas elas estavam amarradas em volta de seus tornozelos. Ele puxou mais forte, mas o primeiro homem o deteve.

— Não temos tempo para isso. Se nos apressarmos, podemos encontrar o árabe antes de que ele deixe Gênova. Soube que ele está esperando pela maré.

O saco desceu pela cabeça de Lia e, em vez de colocar todo seu corpo dentro dele, o homem menor amarrou-o em sua cintura.

— Carregue la signorina de volta.

O gigante a levantou sem nenhum esforço sobre os ombros. A dor em seus braços era excruciante, mas Lia ainda recusava-se a chorar. Fervilhava de intensa raiva, enquanto as mãos dele esfregavam suas costas e acariciavam a parte de trás de suas pernas. Ele tentou mexer entre as coxas dela, mas ela deu-lhe um chute rápido e certeiro e, diante dos xingamentos dele, sorriu sob a mordaça, ao perceber que atingira seu objetivo.

Sua satisfação foi de curta duração, quando ele a jogou dentro da carroça, como um saco de pedras. Sua cabeça bateu na parte de trás do banco e ela mergulhou em uma escuridão sombria, esquecendo-se de quão desconfortável estava, da dor em seu corpo e mesmo de seus planos de fuga.

CAPÍTULO DOIS

Tanger, Marrocos, fevereiro de 1819

Marcus Renfield Halden, nono duque de Caversham, desceu a prancha e pisou no cais, bem antes do pôr-do-sol, esperando ser recebido por alguém da família de Hakim, conforme combinado. Os telhados guarnecidos por cerâmica vermelha dos prédios em terracota, e o cheiro de especiarias de couro do porto de Tanger saudaram Ren com a familiaridade de um velho amigo. Com seus navios descarregados e protegidos, enviou sua mala para o palácio e tratou da vigilância em cada navio.

Examinou o cais lotado. Centenas de estivadores e marinheiros de todas as nacionalidades estavam transferindo mercadorias para e dos navios atracados ao longo do cais, e mais outros ancorados na baía. Todos pareciam ter um objetivo e um destino. Todos, exceto a criatura patética encostada preguiçosamente em um prédio construído ao longo das docas, com seu turbante branco e sujo, colocado fora do lugar. Ren não sabia porque esse mendigo específico se sobressaía na multidão; certamente, esse homem, vestido com um caftan grosseiro e manchado, e babuches gastos não seria seu acompanhante até o palácio do príncipe Hakim. Os serviçais de seu amigo estavam sempre impecavelmente aprumados.

Certo de que Hakim simplesmente o esquecera, Ren deu uma última tragada em seu charuto e jogou a ponta na água. Começou a andar, pretendendo alugar uma charrete que o levasse até o palácio, fora de Tanger. Não havia andado um 500 metros quando sentiu alguém o seguindo. Todos os seus instintos lhe disseram que era o vagabundo. Com sua mão na pistola debaixo de seu casaco, Ren voltou-se para encarar seu perseguidor.

A postura encurvada do homem indicava uma vida de trabalho duro, e Ren estava certo que o mendigo simplesmente queria uma moeda ou comida. Assim que o pobre coitado se aproximou, Ren notou a sujeira nas mãos e no rosto do homem, e o mau cheiro que seu corpo exalava. Tirou uma moeda do bolso, com a intenção de jogá-la em sua direção, uma vez que o outro homem estava próximo o suficiente.

Com a cabeça balançando, o homem começou a falar uma língua desconhecida. Havia algo no vadio – não saberia dizer o quê, então afastou o sentimento. Sabendo que a maioria dos árabes, nesta parte de Marrocos, falavam espanhol fluentemente, Ren perguntou-lhe a respeito.

Seu seguidor balançou a cabeça.

A possibilidade era remota, imaginou, mas tentou o francês.

Uma vez mais, o homem encurvado balançou a cabeça, seu turbante caindo para o lado, ameaçando desenrolar-se. Algo não estava certo, Ren sabia, porque o turbante de um muçulmano estava sempre bem amarrado. Ren estendeu a mão com a moeda, pronto para jogá-la, quando ouviu do homem a resposta mais estranha.

— Eu falo inglês, Sua Graça. — O patife endireitou-se, ficando quase tão alto quanto ele, e seus sorridentes olhos cor de chocolate encontraram os de Ren, arqueando as sobrancelhas. — Quase tão bem quanto o senhor.

Os olhos de Ren se estreitaram, então reconheceu o homem. Ficou momentaneamente atordoado, mas não surpreso de todo, pelo traje que seu amigo estava usando. Aproximou-se para saudar Hakim com um abraço, mas o odor repugnante o fez se encolher e recuar. Em vez de o abraçar, estendeu-lhe a mão.

— Eu sei — disse Hakim, enquanto apertavam as mãos. — É ofensivo para mim também. Vamos para o palácio, para que eu possa banhar-me e tirar esse cheiro de mim.

— Qual o propósito desse disfarce? Uma piada?

— Quando soube que você chegou sozinho, quis surpreendê-lo. Sua noiva não viajou com você?

— Não há nenhuma noiva — disse Ren, concisamente. Ele ignorou o assunto e continuou a andar, sem querer pensar sobre isso, muito menos falar sobre seu noivado cancelado e o papel de seu próprio primo em todo o plano vil e abominável. A dor da traição estava ainda muito recente e a ferida, ainda aberta — Esperou muito?

— Cheguei logo após as orações do meio-dia. — O príncipe acompanhou Ren. — Suponho que me contará mais tarde porque você chegou sozinho.

— Pode ser. Veremos se, então, o seu cheiro não estará irritando minhas narinas.

Ren e Hakim andaram juntos outra meia milha, deixando as docas e entrando na área do mercado árabe. Ali, misturaram-se à multidão de estrangeiros de variadas nacionalidades, todos ansiosos para negociar os belos produtos marroquinos e delicados trabalhos manuais. Chegaram à barraca de um peixeiro, onde uma carroça e um jumento esperavam na parte de trás da banca do homem. Atrás de uma divisória de cortina, Hakim colocou uma moeda de ouro na mão do vendedor e agradeceu-lhe. O homem curvou-se e o saudou, como se houvesse reconhecido seu príncipe. Ren olhou Hakim com curiosidade. Os dois homens subiram na parte traseira da carroça puxada pelo jumento e, após esta ter começado a se movimentar, ele explicou:

— Meu condutor é o irmão de um servo fiel. Já me ajudou antes.

A carroça prosseguiu vagarosamente através da multidão de pedestres. O trio a tudo observava, quando um tumulto à frente parou sua marcha. Hakim disse alguma coisa para o seu condutor, e o homem examinou a aglomeração, procurando um caminho ao redor da massa de pessoas.

Então, Ren a viu. Trajando esvoaçantes vestes negras, com o rosto coberto por um véu cinza transparente, uma mulher procurava desesperadamente abrir caminho através do denso tráfego de pessoas. Assim que ela se aproximou da carroça, Ren viu um homem monstruoso, calvo e desajeitado, forçando sua passagem através da multidão, obviamente perseguindo a mulher encoberta.

A mulher em fuga levantou o olhar para Ren. Um bolo se formou no peito dele, impedindo-o de respirar. Ela possuía os olhos do mais rico tom de esmeralda que já vira — olhos cheios do mais desesperado terror.

Ren fez um movimento na direção dela, mas a mão de Hakim em seu braço o interrompeu.

— Não é prudente interferir nos negócios alheios. Provavelmente, ela é uma escrava fugitiva, e como tal deve ser tratada.

— Ela está precisando de nossa ajuda — contestou Ren, no momento em que ela foi capturada pelo gigante. A mulher gritou quando o animal a segurou com punho de ferro, arrastando-a para longe.

— Sigamos nosso caminho — insistiu Hakim.

Ren recostou-se na carroça, relutante em ofender a hospitalidade de seu bom amigo, fazendo uma cena. Mas o olhar apavorado da mulher o atormentava. Então, pensou em uma possível solução.

Saltando rapidamente de seu assento, Ren perseguiu o gigante careca e a mulher que ele arrastava. Em algum momento da luta, ela perdera o pano que lhe cobria a cabeça e o véu, deixando suas madeixas cor de mogno esvoaçando atrás dela. Ele apanhou o tecido e continuou com sua tarefa através do apertado mercado árabe. Seguiu-os até um depósito vazio, mas nem a mulher, nem seu captor estavam à vista.

Ren empurrou a porta de madeira e entrou no aposento sombrio e de aspecto cavernoso. Um velho contornava um canto, inclinando-se pesadamente sobre uma bengala, e um ar de surpresa atravessou-lhe o rosto quando Ren parou bem em frente a ele.

— Estou procurando por uma mulher — declarou Ren em espanhol, incerto se o homem falava inglês.

— Todos os homens que vêm a mim estão procurando por uma mulher — respondeu o homem de barbas grisalhas.

Ren levantou o tecido opaco.

— Ela perdeu isso.

O velho árabe tentou apanhar o pano, mas Ren o reteve.

— Não antes de me responder a algumas perguntas.

— A que perguntas, señor?

— Que crime ela cometeu para ser tão cruelmente perseguida e arrastada?

— Ela fugiu. Uma mulher é uma propriedade muito valiosa para um homem como eu.

Ren enfiou a mão no bolso do casaco.

— Quanto quer por ela? — perguntou, enquanto tirava uma bolsa de moedas.

— Se desejar comprá-la, deve fazê-lo hoje à noite — disse o velho. Ele observou a aparência de Ren antes de se afastar dele. — Quando haverá outros que irão competir com o senhor. — O velho caminhou lentamente até uma alcova fechada por uma cortina, onde um guarda esperava por ele. Ele parou, virou-se e levantou os olhos remelentos em direção a Ren. — Minhas mercadorias atraem homens dos mais altos escalões de poder. Homens que pagam os maiores preços, porque tenho a mais fina seleção disponível.

Ele bateu com a bengala duas vezes, e um guarda de aproximou.

— Agora vá. Volte após o Isha, nossa oração noturna, se estiver mesmo tão interessado.

Ren levantou-se, chocado com a rude dispensa do velho, e então deixou o edifício relutantemente. Encontrou Hakim sentado na carroça, a alguns metros de distância, esperando.

— Foi como eu disse, não? — perguntou Hakim.

Ren assentiu, e olhou para trás, em direção à porta.

— Voltarei hoje à noite. Há algo nela — a súplica e o medo em seus olhos, talvez. Não posso ficar parado e sem fazer nada para ajudá-la.

— E você comprará a liberdade de cada uma das mulheres que estará à venda? — Hakim balançou a cabeça, segurando o turbante que ameaçava cair. A maioria começa assim, você sabe, sem aceitar seu destino. Mas isso muda quando se encontram seguramente abrigadas em um harém. Percebem que o que renunciaram é pouco, em comparação com o luxo que recebem.

Ele ouviu o que Hakim lhe disse, e tentou interpretar suas explicações como verdade, mas foi incapaz de fazê-lo. Aqueles olhos apavorados, da cor da esmeralda, o assombravam.

Mais tarde, enquanto os dois homens atravessavam o enorme e decorado pátio do palácio, Hakim estalou os dedos e um criado surgiu a partir das sombras.

— Espero que seus aposentos sejam adequados. — Ele mandou que o homem levasse Ren a seus aposentos, e então, virou-se para ele. — Depois que você descansar, um criado o acompanhará até o salão de refeições. Um velho amigo meu, um médico, nos acompanhará no jantar.

Ren assentiu e seguiu o servo de turbante, que o guiou à sua suíte. No centro do enorme quarto, encontrava-se uma cama gigantesca, rente ao chão e coberta com uma montanha de almofadas de seda, em tons pálidos de azul, rosa e prata. Ren instruiu o criado para preparar seu banho. Enquanto esperava, analisou o quarto, que era certamente tão grande quanto a suíte de sua residência principal, Haldenwood, ou de qualquer uma de suas outras casas. Finas cortinas de gaze oscilavam suavemente na parede repleta de arcos que levavam ao pátio mais adiante. A solidão daquele jardim privativo o seduzia.

Ele caminhou até o lado de fora e tentou se lembrar quanto tempo fazia desde sua última visita a Marrocos, e a este palácio. Três, quatro anos? Certamente antes da morte de seu pai e sua madrasta, havia dois anos e meio, e antes de herdar seu título, quando a vida era muito menos complicada. Vendo um banco, sentou-se à sombra do anoitecer, sob uma grande tamareira. Nessa época do ano, o tempo em Tânger era quase perfeito, apesar de ter certeza de que, nos meses de verão, aquela pequena sombra que a árvore oferecia faria uma enorme diferença para quem estivesse procurando alívio do calor. A parte de cima do alto muro era de estuque entalhado, complexamente trabalhado em um delicado padrão, similar ao do portão e pátio principal, mas não tão grande. No centro desse paraíso externo, uma pequena fonte gorgolejava, com o som gentil de água corrente, criando uma atmosfera relaxada, quase serena.

O resistente banco onde ele se sentava era trabalhado no mais fino mogno, e rodeado por plantas em flor. O canto isolado oferecia um magnífico retiro para sua alma cansada. Ele esperava que a sua permanência ali, durante alguns dias, o revitalizaria e ajudaria a exorcizar os contínuos demônios que o atormentavam nos últimos tempos.

As perguntas sobre seu fracassado noivado eram inevitáveis, e ele não achava que poderia evitar de respondê-las tão facilmente uma segunda vez. Então, como iria esconder de seu amigo a raiva e a mágoa que sentia? Mesmo agora, passados muitos meses, sempre que pensava nisso, um gosto amargo subia de suas entranhas. Thomas e Margaret o haviam traído da pior maneira possível. Isso porque, caso estivesse correto em seu julgamento sobre os eventos dos últimos meses, seu primo tentou matá-lo para obter seu título e sua fortuna. Agora, precisava proteger a si mesmo, à sua família e tudo aquilo que possuía.

Ren respirou fundo e entrou novamente no cômodo. O criado havia acabado de encher a banheira no quarto de vestir adjacente, e colocara roupas limpas sobre a cama. Ren dispensou ambos os servos e preparou-se para a noite que viria, receando as perguntas de seu amigo.

––––––––

O opulento salão de refeições estava sem convidados quando Ren entrou. Os criados estavam ainda estavam dispondo uma grande tigela de tajine e uma bandeja de cuscuz, arrumando-as no centro de uma redonda e baixa mesa de jantar.

Hakim logo chegou trajando uma jallaba de seda púrpura, com fios de prata trançados, e um turbante adornado com joias que convinham a seu status como um príncipe de Marrocos. Outro homem acompanhava Hakim. Em vez de usar um turbante, portava um solidéu, e sua túnica estava ajustada à cintura. Os cordões que traduziam seus status de médico envolviam o seu pescoço. O amigo de Hakim era levemente mais alto que ele, porém com constituição mais esbelta e também possuía os olhos castanho-escuros, exceto abaixo de suas espessas sob suas espessas sobrancelhas escuras. Ren acenou com a cabeça, em direção ao homem, que retribuiu-lhe o gesto com um sorriso sincero.

— Ren — disse Hakim. — Gostaria de apresentar-lhe Ismael Bem Sabir, médico real e um amigo muito próximo. Ismael, este é Marcus Renfield Halden, nono duque de Caversham. Ele também possui diversos outros títulos, dos quais não consigo me lembrar, e ostenta uma riqueza equivalente, senão maior, à do rei da Inglaterra.

— É um prazer finalmente conhecê-lo, Sua Graça — disse Ismael, seu inglês falado com um cadenciado sotaque árabe. — Ouvi muito sobre você. — Ele curvou-se para Ren, e estendeu-lhe a mão.

— Por favor, ficaria honrado se me chamasse de Ren.

Apertando a mão do recém-chegado, Ren continuou:

— Imploro que não acredite em tudo que ouviu. — Ren voltou um sorriso diabólico para seu velho amigo, Hakim. — Seja o que for que ele lhe tenha dito, Hakim é igualmente responsável pelos arranhões que ganhamos quando éramos mais jovens.

— Acredito que suas palavras sejam verdadeiras. O mesmo ocorreu quando éramos crianças.

— É impressionante, não?  — disse Hakim enquanto inspecionava suas unhas com entediada afetação. — Como os anos parecem suavizar a vida e retardar as aventuras ao longo dela?

— Se essa tarde foi uma indicação, suas aventuras não foram impedidas por sua idade, no mínimo — respondeu Ren.

— Você sabe o quão difícil é para alguém como eu deixar a prisão da minha casa? Anseio andar com meu povo sem ser considerado uma ameaça para meu irmão, o sultão. — Hakim pediu que seus dois hóspedes se juntassem a ele à mesa. — E tenho

Você chegou ao final dessa amostra. Cadastre-se para ler mais!
Página 1 de 1

Análises

O que as pessoas acham de A Noiva de Caversham - Livro I da série "As Crônicas de Caversham"

0
0 notas / 0 Análises
O que você achou?
Nota: 0 de 5 estrelas

Avaliações do leitor