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Muçulmanos latinos: nossas jornadas para o Islã

Muçulmanos latinos: nossas jornadas para o Islã

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Muçulmanos latinos: nossas jornadas para o Islã

Duração:
454 páginas
4 horas
Editora:
Lançados:
29 de dez. de 2020
ISBN:
9781547549474
Formato:
Livro

Descrição

"Muçulmanos latinos: nossas jornadas para o Islã" é uma coleção de histórias sobre a jornada particular de cada uma das pessoas participantes para a verdade. Esse livro trata das dificuldades, descobertas e revelações durante essa jornada e sobre encontrar, por fim, a paz no Islã.

Elogiado por Michael Wolfe, autor de The Hadj: An American’s Pilgrimage to Mecca...

“Esse é um livro que encherá seus ouvidos com o coro de vozes que talvez você nunca tenha ouvido tão claramente. O que eu gosto nesta grande coleção cuidadosamente apresentada de dissertativas testemunhantes é a sua variedade, inquietude, abertura e amplitude.

Por um lado, os leitores conhecerão um pouco sobre o Islã e sua história será uma surpresa pela ideia de convertidos de raízes hispânicas ao Islã.  Eles devem se preparar para alguns lembretes: que o idioma espanhol está cheio de palavras árabes, que a semelhança arquitetônica entre o México e o Oriente Médio não é acidental, que a Espanha, a pérola social, cultural e intelectual da Europa Medieval esteve cheia de muçulmanos de Meca, Damasco e Marrocos por pelo menos oito séculos, que um grande número de católicos romanos e pessoas seculares que agora vivem na Espanha e suas ex-colônias remotas do novo mundo, pode, se quiser, rastrear suas linhagens até as famílias islâmicas de séculos atrás, e que Jesus sempre teve um papel essencial na teologia islâmica e na vida dos muçulmanos.  

Por outro lado, os muçulmanos que têm todas essas informações também podem se surpreender com o livro de Juan Galvan porque as vozes aqui são particularmente claras ou não suavizam os aspectos problemáticos ao assumir uma nova religião por escolha. Nossas jornadas é uma coleção de vozes humanas atuais e vivas que revelam a beleza da descoberta, mas que também lutam fisicamente com o estresse e pressões de uma decisão que pode facilmente confundir vizinhos e mesmo, talvez principalmente, relações próximas. Prepare-se para uma grande aventura que somente os contadores de histórias verdadeiras podem passar. Às vezes, a religião pode atrapalhar o caminho da história verdadeira. Não neste caso.”

Editora:
Lançados:
29 de dez. de 2020
ISBN:
9781547549474
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Muçulmanos latinos - Juan Galvan

Muçulmanos latinos:

nossas jornadas para o Islã

Editado por Juan Galvan
Traduzido por Juliana Cambiucci 

Muçulmanos latinos: nossas jornadas para o Islã

Editado por Juan Galvan

Copyright © 2018 Juan Galvan

Todos os direitos reservados

Distribuído por Babelcube, Inc.

www.babelcube.com

Traduzido por Juliana Cambiucci

Babelcube Books e Babelcube são marcas comerciais da Babelcube Inc.

Em memória de

Khadijah Rivera,

Ibrahim Gonzalez,

Benjamin Perez.

Índice

Dedicatória

Irmã Khadijah – A irmã do povo

Lembrança de Ibrahim Gonzalez

Tributo a Benjamin Perez

Introdução

Juan Galvan

O crescimento dos muçulmanos latinos

Juan Galvan

Considerações sobre muçulmanos latinos

Juan Galvan

Jesus e a Virgem Maria no Islã

Juan Galvan

Por que aceitei o Islã?

Abdallah Yusuf de La Plata

Em direção ao meu destino

Ali Melena

Nenhuma compulsão fez a minha conversão

Ana Morales

Um presente de natal muito islâmico

Anghela Calvo

Aceitei o Islã no Texas

Cesar Velazquez

Nossas jornadas para o Islã

Daniel Saravia

O Alcorão me salvou

Daoud Ali

O apoio da minha irmã

Denise Padilla

Em memória da minha mãe

Diana Cruz

Encontrando a paz interior pelo Islã

Eddie Yusuf Sencion

As sementes e os brotos

Gabriel Martinez

Quando uma cortina foi aberta

Grysell Fabaro

Quebrando as janelas da ignorância

Hamza Perez

Já chega - minha decisão

Holly Garza

Vou virar muçulmano

Israel Interiano

Do México à Arábia Saudita

Jehan Sanchez

Quando Deus me alcançou

Jessica Nadia

Quando o chão encontra o tapete

Jesus Villareal

Como qualquer outra pessoa... Não!

Joanna Sigaran

Duas vezes irmãos

Jorge Salinas

Um fuzileiro naval que aceitou o Islã no Japão

Jose R. Valle

De Juan para Shafiq

Juan Alvarado

Como Allah me encontrou no Texas

Juan Galvan

A jornada de um professor cubano a Allah

Julio Cèsar Pino

Venha para o sucesso: o chamado islâmico para oração

Julissa Fikri

De volta às raízes

Justin Benavidez

Jesus disse: Me siga, então me tornei muçulmano

Kenneth Rodriguez

Zulu Nation, Popmaster Fabel e minha jornada para o Islã

Khalil D. Salgado

Minha história muçulmana de pirralha militar

Lena Lopez

O processo para aprender o Islã

Lidia Ingah

De mórmon a muçulmano

Marcela Mesto

Busca por ensinamentos

Maria Echandi

Um caminho ortodoxo para o Islã

Maria Rodriguez

Minha história de conversão

Marta Galedary

Encontrando meu verdadeiro eu no Islã

Melissa Morales

Minha jornada para a verdade

Nylka Vargas

Minha história de conversão ao Islã

Pablo Calderon

Uma mudança no coração

Paulo Silva

O Alcorão e minha decisão

Raheel Rojas

O verdadeiro ensinamento

Ramon Mejia

Uma odisseia nova iorquina

Rahim Ocasio

Em uma palavra

Ricardo L. Pena

Salaams do Vale do Rio Grande

Roberto Solano

Submissão a Deus, da minha maneira

Rodrigo Perez

Dando as boas-vindas à mudança

Samantha Sanchez

Sobre me tornar muçulmana

Shariffa A. Carlo

O passado - Mi Vida Loca. O presente - Muçulmana hispânica.

Theresa Vargas

Como Allah serviu à minha vida

Walter Gomez

Minha batalha pela paz de espírito

Wesley Lebron

Através dos meus olhos

Yusuf Maisonet

Minha jornada para a paraíso na terra

Zeina Mena

Frases islâmicas

Sobre o editor

Dedicatória

Querido Allah (glorioso e exaltado seja o Senhor):

Dedico-o este livro. Obrigado por todos que confiaram neste livro. Obrigado por todos que colocou em minha vida. Obrigado por todos que tornaram este livro possível.

Obrigado pela minha linda esposa, Haneme Idrizi, pelo amor e apoio que dedica a mim. Obrigado pelos meus filhos maravilhosos - Juan, Adam e Daniel. Obrigado pelos meus pais, Roberto e Yolanda Galvan, por dedicarem amor incondicional a mim. Obrigado pelos meus sete irmãos, incluindo minha finada irmã Elizabeth.

Obrigado por Benjamin Perez e Khadijah Rivera por me ensinarem que o valor da generosidade ultrapassa os desafios do tempo. Obrigado por Ibrahim Gonzalez, que me incentivou a valorizar a individualidade de cada muçulmano.

Obrigado por todos os muçulmanos latinos especiais nos Estados Unidos, incluindo Samantha Sanchez, Juan Alvarado, Isa Contreras, Aaron Siebert-Llera, Rocio Martinez-Mendoza, Marta Galedary, Wilfredo Ruiz, Yusef Maisonet, Nylka Vargas, Michael Ramos-Lynch, Mujahid Fletcher, Isa Parada, Hazel Gomez, Walter Gomez, Justin Benavidez, Reymundo Nur, Cesar Dominguez, Abdul Khabeer Muhammad, Yahya Figueroa, Rahim Ocasio, Jorge Fabel Pabon, Shareefa Carrion, Rafael Narbaez, Michelle Raza, Rebecca Abuqaoud, Ricardo Pena, Yahya Lopez, Edmund Arroyo, Alma Campos, Diana Cruz, RuthAldape Saleh, Shinoa Matos, Joaquin Jule, Maria Rodriguez, Alex Robayo, Hamza Perez, Abu Sumayyah Lebron, Jalil Navarro, Nahela Morales, Wendy Diaz, Hernan Guadalupe, Mikhael Nicasio, Khalil Salgado, Daniel Hernandez, Daniel Montenegro, Yusuf Rios, Zane Alsareinye, Gabriel Martinez e Jehan Sanchez. A lista de muçulmanos latinos que admiro fica maior a cada ano e peço desculpas para todos que, de forma não intencional, esqueci.

Obrigado por todos os associados ao North Hudson Islamic Educational Center (NHIEC), especialmente por Mariam Abbassi. Obrigado por todos os muçulmanos de Austin que me aproximaram do Islã. Obrigado por Golam, que me ensinou como fazer minhas preces diárias, por Jahanara, que me incentivou a frequentar a mesquita, e por seu primo Mamun, por se tornar um amigo. E por Abdul Razzaque, que esteve ao meu lado quando mais precisei de ajuda. Obrigado por meus amigos do ISNA, ICNA, MAS, CAIR, WhyIslam, LADO, ALMA, IslamInSpanish, HablamosIslam, PIEDAD e LALMA, Alianza Islamica, the Bism Rabbik Foundation, muçulmanos latinos da região de Bay, muçulmanos latinos do Arizona e muçulmanos latinos de Chicago. Aliás, obrigado por todas as instituições islâmicas que trabalham regularmente com muçulmanos latinos.

Também preciso agradecer pela comunidade islâmica crescente da América Latina: Juan Suquillo, Omar Weston, Muhammad Ruiz, Isa Garcia, Anas Amer Quevedo, Isa Rojas e o finado Dawud Herrera. E obrigado pelo finado Malcolm X, W.D. Muhammad e T.B. Irving. Obrigado por todos que já contribuíram ao crescente órgão de informações sobre muçulmanos latinos. Obrigado por Aminah McCloud, Debora McNichol, Camilla Stein, Clay Chip Smith, Gaston Espinoza, Harold Morales, Patrick Bowen, Ken Chitwood, Hjamil Martinez-Vazquez e pela finada Linda Delgado.

Allah, obrigado por me dar coragem para concluir este livro. Perdoe-me se eu ofendi alguém. Tudo o que faço é somente por ti. Obrigado pelos seus ensinamentos.

Juan Jose Galvan

Irmã Khadijah – A irmã do povo

Nylka Vargas

Todos nós temos dons, características e traços específicos que infundimos neste planeta e em seus habitantes que permanecem marcados por muito tempo após a nossa passagem. Abençoados são aqueles que possuem em abundância essa capacidade natural e intrínseca. Esse é o caso da Irmã Khadijah.

Khadijah nasceu em Porto Rico como Vita Milagros Rivera em 14 de agosto de 1950, em uma família equatoriana-porto riquenha católica. Todas as vidas ao qual ela tocou, incluindo seus filhos e amigos próximos, descrevem-na como misericordiosa, forte e determinada em servir a outras pessoas.

Conheci Khadijah em 2009, no 7º Dia Anual dos Muçulmanos Latinos em Nova Jersey. Ela era a palestrante convidada e me senti honrado em conhecê-la. Era uma mulher realizada, que irradiava luz e amor. Lembro-me de cumprimentá-la por seu comprometimento inabalável com o serviço. No entanto, ela me corrigiu imediatamente e explicou que tudo isso é possível somente pela intervenção de Allah. Admirei como ela personificou uma capacidade abnegada de servir e liderar pelo exemplo. Esteve infinitamente comprometida com o objetivo, tanto em triunfo como em falha. Sempre recusou qualquer pretensão por liderança ou glorificação a si mesma. Aprendi com Khadijah como não temer os desafios e como manter a perseverança, apesar das exigências de sustentação sem fins lucrativos.

Conheci Khadijah melhor por causa de seu trabalho no dawah (propagação islâmica), ou chamado para o Islã. Seu dawah se manifestou de várias formas: Dawah das mulheres, Dawah latino e treinamento de liderança. Khadijah trouxe o conhecimento do Islã a inúmeras pessoas. A organização que ela cofundou em 1988 na cidade de Nova York (NY), PIEDAD, é seu legado. Piedad, ou Taqwa, significa piedade ou temor a Deus. Seu acrônimo se refere a Propagación Islámica para la Educación de Devoción a Allah el Divino. PIEDAD começou como uma assistência direcionada às latinas ignoradas em NY, mas nem todos os fundadores da PIEDAD eram falantes do idioma espanhol. Os membros sempre foram incentivados a falar livremente e Khadijah estimulou-os a ter uma sede contínua por conhecimento.

Sob sua liderança, a PIEDAD organizou conferências de palestras islâmicas na Universidade da Colômbia, Masjid At-Taqwa no Brooklyn, além de conferências do Islamic Circle of North America (ICNA) e da Islamic Society of North America (ISNA). Ela também organizou, por meio da PIEDAD, a primeira conferência de muçulmanos latinos de Chicago com palestrantes convidados importantes como Jamal Badawi, Imam Siraj Wahhaj, Mohammed Nasim, Dr. Thomas Iring, Dr. Omar Kasule e outros. Khadijah representou a PIEDAD no Segundo Congresso Anual Islâmico Latino da Espanha.

Seguindo os eventos trágicos de 11/09, Khadijah se disponibilizou para a mídia. Ela apareceu no Telemundo e no Christina Show para desmistificar o Islã aos latinos de Miami. Em 2007, Khadijah foi uma das sete irmãs da PIEDAD entrevistadas para fazer parte de uma série de três partes chamada, Muslims in America. Ela falou francamente sobre o motivo por ter ajudado a fundar a organização e os desafios que os muçulmanos enfrentam com o aumento da islamofobia.

O impacto mais significativo que Khadijah teve foi com o dawah individual. Essa personalização do deen (religião) foi a mais poderosa. Ela tinha facilidade em lidava com a realidade do dawah e reconhecia as dificuldades que alguém pode enfrentar após adotar o Islã, expondo planos amistosos de irmã. Ela sempre garantia que houvesse algo para que pudéssemos estar ativos e contribuirmos com a melhoria do mundo. Por meio de tudo isso, Khadijah foi uma grande fonte de esperança. Khadijah disse a todas as suas irmãs de fé para se orgulharem e se empoderarem sem sacrificar a identidade muçulmana. A mensagem ressoou em mim profundamente.

Além do trabalho com a PIEDAD, Khadijah serviu como ativista comunitária em organizações religiosas. Lutou pelos direitos civis, pela justiça e esteve envolvida em causas que ajudaram a lutar contra a fome e a exploração de agricultores. Pelo menos uma vez ao mês, Khadijah trabalhava como voluntária alimentando pessoas famintas ou coletando doações para comprar bicicletas novas para crianças carentes. Serviu como segunda mãe para muitos estudantes em escolas da região social precária de Tampa Bay onde ela trabalhou. Ofereceu aconselhamento e ensinamento verdadeiros quando foi mais necessário. Aqueles a quem ela orientou nunca esquecerão seus conselhos.

Khadijah foi pioneira como muçulmana latina. Ela, junto com outras líderes latinas, ajudou a preparar o caminho para o restante de nós. Tiveram coragem de tentar fazer a diferença com recursos limitados. Tiveram a profecia e ingenuidade de conectarem-se com o público em todo o mundo antes da era das mídias sociais. Cabe a nós honrarmos suas vidas de conquistas e continuarmos seus caminhos.

Nossa Ummah (comunidade islâmica) perdeu uma humanista e ativista com a morte de Khadijah e ninguém tomou ainda o lugar dela.

Khadijah Rivera

14 de agosto de 1950 - 22 de novembro de 2009

Lembrança de Ibrahim Gonzalez

Rahim Ocasio

Os muçulmanos latinos são relativamente recém-chegados à paisagem islâmica dos EUA e sua história é geralmente desconhecida. Gostaria de falar de uma pessoa que fez a diferença na representação dos muçulmanos latinos, empoderando-os de formas que não são totalmente valorizadas atualmente.

Conheci Ibrahim Gonzalez quando ele tinha 12 anos de idade. Ele era muito atencioso e sensível; essas qualidades o levaram a um hábito contínuo de olhar além do convencional e uma propensão à expressão artística. Desenvolveu um amor pela música e se tornou um violonista, pianista e percussionista talentoso. No entanto, a sensibilidade dele também o tornou criticamente ciente da natureza opressiva da vida em El Barrio. Com um senso de justiça teimoso e inflexível, tomou para si como missão de vida defender e lutar contra a injustiça em todos os momentos.

Como jovem adolescente, ele organizou os estudantes do ensino médio como parte da Third World Student League, uma organização de massas do Young Lords Party. Também organizava a segurança para o controle do campus, sempre disposto a assumir a primeira guarda e se colocar na linha de frente. Continuou até o dia em que deu o último suspiro, comprometido com a luta por melhores condições para todas as pessoas oprimidas.

Ibrahim tornou-se muçulmano em 1973. Como outros muçulmanos latinos de El Barrio, ele veio de um ambiente imerso em militância e resistência, buscou continuar a luta de uma perspectiva islâmica. Alas Ibrahim passou por frustrações recorrentes. Muçulmanos latinos eram poucos e foram descartados pelos grupos muçulmanos estabelecidos mais antigos como insignificantes.

Isso ocorreu enquanto Ibrahim trabalhava na sede da ISNA em Indiana. Observando a ausência de material islâmico em espanhol, ele assumiu a tarefa de preparar a tradução de um famoso catálogo islâmico, preparando até as chapas de impressão. No entanto, a diretoria da ISNA o rejeitou e não demonstrou nenhum interessa pelos latinos ou pelo dawah latino. Ibrahim ficou profundamente magoado e incomodado com a pouca consideração que seus companheiros muçulmanos tiveram pelos latinos. Antes de sua conversão, trabalhava incessantemente pelos direitos dos latinos. Atualmente, seus irmãos muçulmanos deixam muito claros que os latinos merecem receber a mesma importância.

Ibrahim era incansável. Com a mesma determinação que demonstrou quando adolescente, ele idealizou um evento para muçulmanos latinos em El Museo del Barrio em 1985 que foi muito impactante. Muçulmanos latinos foram convidados a participar de conferências e programas de dawah pelas mesmas organizações estabelecidas que os rejeitaram e ignoraram anteriormente. Antes do golpe histórico de Ibrahim, existia um sentimento em alguns círculos de que os latinos deveriam desaparecer, incluindo-se em grupos existentes de imigrantes ou afro-americanos. Após o evento em El Museo del Barrio, entendeu-se que os muçulmanos latinos não poderiam mais ser desconsiderados.

Ibrahim continuou a ser uma figura importante no crescimento da comunidade muçulmana latina. Ele cofundou a Alianza Islamica, a primeira organização islâmica a atender às necessidades de uma comunidade de latinos. Aliás, Ibrahim representou a Alianza Islamica em uma convenção patrocinada pela própria ISNA, que o ignorou repetidas vezes. Tornou-se uma personalidade conhecida na rádio, apresentando dois programas, e participou de um canal a cabo local no Bronx.

Nunca perdeu o amor pela música e se tornou compositor e produtor. Também adorava se apresentar no palco, viajando com frequência pelo país com seu quinteto. Ibrahim tinha uma dimensão espiritual profunda e continuou até o fim como um adepto fiel da ordem sufista de Naqshbandi.

Além disso, Ibrahim Gonzalez foi um dos muçulmanos latinos mais críticos e influentes de nossa curta história e um verdadeiro pioneiro. Ele mudou a forma como os muçulmanos latinos são considerados atualmente, abrindo as portas para a dignidade e o respeito, algo que eu acredito que foi subestimado pela geração atual. Sua perda foi imensa, mas seu legado ainda vive. Que Allah tenha misericórdia dele e que o aceite no Paraíso. Amém.

Ibrahim Gonzalez

26 de janeiro de 1956 - 4 de junho de 2013

Tributo a Benjamin Perez

Juan Galvan

Benjamin Perez nasceu em 7 junho de 1933, em Carlsbad, Novo México. Ele era mexicano-americano e descendente de índios americanos (Seminole e Yaqui) e o segundo mais velho de oito filhos. Sua família ficou no Novo México até se mudarem para Dinuba, Califórnia, quando Benjamim tinha 9 anos. Ele se mudou para Oakland um pouco depois, onde se casou com Cecilia Perez em 1955. Juntos, tiveram um casamento longo e construtivo de 54 anos, com quatro filhos e nove netos. Após uma longa luta contra o câncer, ele faleceu tranquilamente em casa em 8 de dezembro de 2009, rodeado por sua família.

Após uma dispensa honrosa da Força Aérea para poder cuidar de seus pais idosos, Benjamim começou a trabalhar na Calo Pet Foods, uma fábrica de conservas de alimentos para cães e gatos em Oakland. Durante o período de contrato na fábrica de conservas, ele conheceu um colega de trabalho que o convidou para uma reunião na Nation of Islam (NOI). Em uma entrevista em 2002, com Deborah Kong da Associated Press, Benjamin descreveu sua primeira incursão ao Islã, Vi que havia muito conhecimento nos ensinamentos para pessoas negras. A comida era deliciosa. Eles eram amistosos. Eu gostei de lá e fiquei. Ele entrou para a NOI em 1957 e ficou conhecido como Benjamin X.

Após um pouco de rejeição inicial, Benjamin teve permissão para participar do Fruit of Islan (FOI), um subgrupo da NOI somente para homens. Ele começou a frequentar as aulas que incluíam assuntos como relações públicas, que de acordo com o líder da NOI, Elijah Muhammad, permitiria que Benjamin atingisse mais latinos. Por fim, ele se tornou capelão da Assistência a indígenas e latino-americanos no Templo do Islã de Muhammad. Entre os companheiros da NOI, Benjamin teve Malcolm X como amigo respeitado e querido. Eles se conheceram quando Malcolm X veio para Oakland e demonstrou interesse em aprender espanhol. Durante esse período, Benjamin apresentou os ensinamentos da NOI ao seu amigo Cesar Chavez, um agricultor ativista. Mais tarde, Cesar Chavez daria uma entrevista detalhada de um problema de 1972 sobre as Pregações de Muhammad.

Por fim, Benjamin saiu da NOI após questionar alguns de seus ensinamentos e converteu-se ao Islã sunita tradicional. Ele se tornou capelão da World Community of Al-Islam no oeste sob a liderança de Imam W. D. Muhammad, o filho de Elijah Muhammad, que após a morte do pai aproximou a NOI do Islã sunita. Em 1978, ele se tornou membro do Conselho de Capelães Muçulmanos da Califórnia.

Benjamin era muito ativo no sistema prisional da Califórnia desde 1963. Ele deu aulas nos 11 principais presídios da Califórnia e recebeu sete prêmios. Alguns dos presídios onde ele trabalhou incluíram o Presídio Estadual de San Quentin, o Presídio Estadual de Folsom, o Presídio Estadual de Solano e a Instituição Penitenciária de Chino. Benjamin viajou para todas as reservas indígenas significativas da Califórnia, incluindo a Tribo do Hoopa Valley, Tribos indígenas de Round Valley e a Reserva de Checkerboard. Ele trabalhou como presidente da Intertribal Friendship House em Oakland.

Benjamin se tornou o primeiro muçulmano latino dos Estados Unidos a fazer uma peregrinação muçulmana à Meca (Hajj) em 1977. Ele retornou em 1997 e visitou Jerusalém antes de voltar para casa. No retorno do Hajj, ele modificou seu nome para Hajj Ibrahim Benjamin Perez Mahomah. No entanto, ele ficou muito conhecido apenas como Imam Benjamin.

A maior parte de vida de Benjamin foi dedicada a conectar latinos e indígenas ao Islã. Viajou pelo país, dando palestras para os públicos falantes do inglês e do espanhol e concentrou muito de sua energia no diálogo inter-religioso. Tinha um talento natural para mover-se com desenvoltura em uma variedade de ambientes multiculturais, multilíngues e multiconfessionais. Foi fundador da Assistência Islâmica a Indígenas e Falantes do Espanhol em Oakland e foi o primeiro presidente da California Latino Muslim Association (CALMA). Benjamin palestrou em várias convenções islâmicas nacionais e escreveu vários artigos publicados em importantes periódicos islâmicos.

Benjamin foi um grande pioneiro muçulmano que durante várias década tocou as vidas de incontáveis pessoas. Em todo esse país, ele é reconhecido por suas extraordinárias contribuições em nome do Islã e dos latinos. Irmão Benjamin, você preparou o caminho para muitos e sempre será lembrado.

Introdução

Juan Galvan

O shahadah é o primeiro dos cinco pilares do Islã. É o testemunho da fé em um único Deus e Muhammad como sendo o mensageiro de Deus; o que torna alguém muçulmano. Ao pronunciar o shahadah, os novos muçulmanos comprometem-se em viver de acordo com os preceitos do Islã. Apesar do destino daqueles que recitam o shahadah ser o mesmo, as experiências de vida singulares de cada pessoa influenciam o caminho único que percorrem em direção ao Islã. Nenhum grupo exprime essa realidade melhor do que a população diversa, dinâmica e crescente de muçulmanos latinos.

Ao saber do número crescente de latinos que aceitam o Islã, muitos muçulmanos e não muçulmanos reagem com surpresa. Alguns conservam a crença de que ser latino e muçulmano é incompatível. Só é possível imaginar uma resposta semelhante dos não muçulmanos da Península Arábica ao testemunhar a rápida disseminação do Islã durante a época em que o Profeta Muhammad viveu. Por que um povo contaminado por práticas pagãs rejeita todas as suas deidades e aceita a crença em um único Deus?

Os primeiros que se converteram ao Islã, os Sahaba, eram companheiros leais do Profeta que entraram para Islã de diferentes formas. Alguns lutaram firmemente contra o Islã até a sua conversão, como Omar. Alguns entraram para o Islã precoce e livremente, como Abu Bakr. Os Sahaba sacrificaram muito de suas vidas antigas e tiveram que se acostumar a uma identidade nova e reformulada. De muitas formas, as histórias das conversões de muçulmanos latinos são muito semelhantes. Apesar de obviamente não estarem ao nível e prática dos Sahaba, muitos latinos que escolheram seguir o Islã enfrentam as mesmas dificuldades para assimilar uma nova realidade. A história dos Sahaba é o caminho fundamental para entender a ideia por trás desse esforço.

Este livro fala sobre dificuldades. A dificuldade de aceitar o Islã como nova fé e novo caminho de vida. A dificuldade de ser paciente e lidar com a resposta da família e dos amigos à conversão. Algumas histórias são positivas e edificantes, com aceitação total por parte daqueles que fazem parte de suas vidas. Outras começam com angústia e conflito, mas por fim terminam com aceitação completa. Para alguns novos muçulmanos, os problemas continuam não solucionados até os dias de hoje. Cada história é tão única quanto seu autor. Você encontrará histórias de jovens e idosos, ricos e pobres, homens e mulheres e muito mais.

Muitos consideram surpreendente a própria ideia de que eu compilasse, editasse e apresentasse um livro sobre muçulmanos latinos, considerando meu histórico. Como a terceira geração de mexicano-americanos que cresceu no Texas Panhandle, eu não atendo aos estereótipos que existem sobre muçulmanos. Ainda me lembro da primeira vez que alguém perguntou por que eu adotei o Islã. Fiquei espantado com a pergunta e me surpreendi com a minha incapacidade de responder prontamente. Essa pergunta me levou a uma grande autorreflexão e, de certa forma, esse trabalho se tornou a minha busca pessoal por respostas.

A busca pela autodescoberta fez com que eu me aproximasse de pessoas e questionasse porque elas se convertiam. Fiz essa pergunta para centenas de muçulmanos latinos. As respostas deles deram a mim e a minha colega, Samantha Sanchez, a ideia de escrever este livro em 2001. Por sermos jovens e inexperientes, não prevemos as complexidades desse vasto entendimento. Dentre as dificuldades mais consideráveis estava decidir o escopo e o título do livro. O título desenvolveu-se para incluir a palavra jornada para enfatizar o processo que os muçulmanos latinos tomaram no caminho para o Islã. Apesar de Samantha não conseguir contribuir mais para a criação deste livro devido às obrigações familiares, ela insistiu que eu me esforçasse para concluir o projeto sem ela. Essas histórias foram uma inspiração para mim e me mantiveram conectado a este livro. Apesar do escopo deste projeto e seus desafios, tais como exigências legais para lançamentos e o extravio de informações de contato com o passar do tempo, eu nunca vacilei devido ao nível de risco.

Quando me converti, fiquei angustiado e desanimado com a falta de informações disponíveis sobre muçulmanos latinos. Lembro-me de confortar-me ao ler histórias de conversões de outras pessoas. Mantendo minhas experiências em mente, entendi a importância de reunir e centralizar essas histórias por escrito. Muçulmanos latinos querem que suas histórias sejam contadas e compartilhadas com amigos e familiares. Este livro nos permite preservar nossa história individual e compartilhar uma parte de nós mesmos que não é bem conhecida e pouco compreendida. Livros sobre latinos e muçulmanos nos Estados Unidos até recentemente eram desprovidos de informações sobre muçulmanos latinos. Espero que outros muçulmanos latinos confortem-se em aprender sobre as dificuldades semelhantes que outros muçulmanos latinos tiveram.

Minha esperança é que este livro instrua sobre latinos, muçulmanos e o Islã. Apesar dos latinos serem o maior grupo de minorias e o que mais cresce nos Estados Unidos e de o Islã ser a religião com mais rápido crescimento na nossa nação, existe muita desinformação sobre os dois grupos. Nesta época de divisão, alguns americanos veem latinos e muçulmanos com um nível de desconfiança e desprezo semelhante. Este livro pode deixar as pessoas incomodadas porque desafiará equívocos. Os colaboradores tiveram coragem de se abrir e compartilhar suas histórias com todos. Fiz o meu melhor para me manter fiel aos significados e intenções originais. Evitei editar o conteúdo e mesmo declarações que alguns podem considerar controversas porque todos tem o direito de contar suas histórias.

O índice ajudará os leitores a se familiarizarem com o escopo deste livro. Este livro segue um formato simples, começando com alguns artigos de interesse anteriormente publicados para muçulmanos latinos, seguido por histórias de conversão e termina com uma lista de frases islâmicas e uma bibliografia.

Este trabalho de amor é destinado a cada latino que decidiu dar um salto de fé. Cada indivíduo faz parte da base de nossa grande comunidade de muçulmanos latinos. Gostaria de agradecer você, leitor, pelo seu interesse. Quando você terminar este livro, se Deus quiser, você entenderá porque os latinos estão se tornando muçulmanos. Minha esperança é que este livro se torne parte da sua jornada, seja lá quem você for ou onde estiver. Apresento a você: Muçulmanos latinos: nossas jornada para o Islã.

O Islã é para todos. Islam es para todos.

O crescimento dos muçulmanos latinos

Juan Galvan

No Alcorão, Allah (SWT¹) diz: "E nós não enviamos nenhum mensageiro que não falasse a língua do povo, para que possa falar a eles com clareza. Então, Allah deixa os desgarrados que Ele desejar, e guia quem Ele desejar. Ele é o Grande, o Sábio." (14:4) No verso, língua não significa língua em sua forma verbal. Os profetas abordam preocupações, valores, crenças e as necessidades das pessoas para as quais foram enviados. O Profeta Muhammad (PBHU²) nasceu na Arábia e naturalmente falava a língua de seu povo. Ele conhecia o seu povo e seus costumes e estava familiarizado com a forma de pensar deles.

O Profeta enviava companheiros para convidar tribos e reis ao Islã. Ao transmitir a mensagem de forma que não muçulmanos entendessem, seus companheiros puderam esclarecer a mensagem do Islã. É por isso que educamos outros latinos sobre o papel importante da Virgem Maria e de Jesus (PBUH) no Islã. É por isso também que todos os muçulmanos devem esforçar-se em tornar a mensagem do Islã acessível a não muçulmanos na própria língua deles. Somos latinos e muçulmanos e como muçulmanos latinos queremos convidar outros para a linda religião do Islã.

Somos latinos. Latinos são geralmente identificados por sua descendência. Os latinos vem de muitos países. Apesar da maioria ser de países falantes do espanhol, alguns latinos da América Central e do Sul falam inglês e português. Apesar dos latinos não terem sempre a mesma cultura, são geralmente conhecidos por seu amor pela família. Alguns latino são imigrantes recentes nos Estados Unidos, enquanto outros vem de famílias que estão aqui há gerações. Imigrantes recentes podem ter menos domínio do idioma inglês, enquanto que outros latinos que vivem aqui há gerações podem saber pouco ou nada de espanhol.

Somos muçulmanos. Como muçulmanos, testemunhamos que não há ninguém e nada digno de adoração exceto Allah e testemunhamos que Muhammad é Seu último Profeta e Mensageiro. Acreditamos na unicidade e singularidade de Allah, o único Criador e Sustentáculo do universo. Acreditamos que o Profeta Muhammad é o melhor exemplo para a humanidade. Concordamos que a salvação é obtida, com a graça de Allah, por meio das cinco orações diárias, jejuar no mês do Ramadã, doar o zakat³ e fazer a peregrinação à Meca, se tiver possibilidade. Acreditamos que Allah criou os anjos e enviou mensageiros honrosos com livros divinos para guiar a humanidade e avisar sobre o Dia do Juízo Final. Acreditamos no decreto divino, que é o conhecimento e consequência de Allah sobre Sua criação. Buscamos a perfeição na adoração, de modo que adoramos Allah como se pudéssemos vê-Lo e mesmo não podendo vê-Lo, acreditamos inquestionavelmente que Ele está sempre nos observando.

Somos muçulmanos

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