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Arrebatadas Pelo Amor

Arrebatadas Pelo Amor

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Arrebatadas Pelo Amor

Comprimento:
412 páginas
5 horas
Editora:
Lançado em:
Nov 10, 2018
ISBN:
9781386411710
Formato:
Livro

Descrição

Ninguém escreve uma estória de amor como Jill Barnett, cujos contos românticos são "tão mágicos e únicos como nenhum outro que você já teve a alegria de ler" (Romantic Times).

Agora ela nos transporta para uma ilha isolada e cheia de névoa, na costa central do Maine, onde um par de irmãos bonitos se confronta com duas mulheres independentes.


Orgulhosos descendentes de um clã das Highlands, Calum e Eachann MacLaughlan vivem em reclusão em uma ilha do Maine. Os irmãos são tão diferentes em espírito quanto na aparência. Embora um seja um pouco amargo e bastante equilibrado, o outro é alegre e aventureiro, mas eles têm uma coisa em comum: os dois precisam se casar. Quando os dois filhos indisciplinados de Eachann são expulsos da escola, ele fica ainda mais determinado a se casar. Seguindo uma antiga tradição escocesa, Eachann decide resolver o problema tanto para ele quanto para seu irmão.

Espionando uma festa da sociedade, Eachann vê a solução diante dele. A linda debutante Georgina Bayard está se divertindo em sua própria festa. Enquanto isso, Amy Emerson está valentemente lutando para esconder sua primeira decepção amorosa. Raptadas por esse jovem escocês, ambas as jovens se tornam suas prisioneiras. Sequestradas e furiosas, com apoio apenas uma da outra, Amy e Georgina têm uma escolha: lutar pela vida que elas antes conheciam... ou deixar que seus corações sejam arrebatados pelo amor.

Editora:
Lançado em:
Nov 10, 2018
ISBN:
9781386411710
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Arrebatada Pelo Amor

por

Jill Barnett

––––––––

Jill Barnett Books

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são produtos da imaginação do autor ou são usados ficticiamente. Qualquer semelhança com pessoas reais (vivas ou mortas), estabelecimentos comerciais, eventos ou localidades é total e simplesmente uma coincidência.

Jill Barnett Books

Ebook ISBN: 978-1-948053-52-5 

Copyright © 1996 por Jill Barnett

Todos os direitos reservados. Nenhumaparte deste livro pode ser reproduzida de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico ou mecânico, incluindo sistemas de armazenamento e recuperação de informações, sem permissão por escrito do editor, exceto por um revisor, que pode citar passagens breves em uma revisão.

www.jillbarnettbooks.com

Desenho da Capa: Dar Albert

Para as pranchas de surf Dewey Weber e Chevys ‘57,

Palm Springs na Páscoa

e cruzar o Hawthorne Boulevard,

aquelas lutas de comida na cafeteria

e sorrisos tortos na aula de geometria;

para as canções dos Beatles e as noites de danças,

esquiar com um rosto celestial

e ainda assim dançar a dança dos surfistas.

Para carros velozes e bombas de gasolina antigas;

a emoção de pescar o primeiro marlin

e a alegria da paternidade;

às lágrimas e toques,

ronco e piadas muito ruins.

Para um homem que sabia como tudo funcionava

porque em algum momento da sua vida

ele deve tê-lo vivido;

o mesmo homem que ao longo de todos esses anos

mostrou-me o que é amor.

JOHN CHRISTOPHER STADLER

14 de Maio de 1948 – 8 de Fevereiro de1996

Espero que haja excelentes varas para pescar no céu, meu amor

Capítulo 1

O cormorão comum,

Coloca seus ovos em um saco de papel.

A razão pela qual ele faz isso

É para mantê-lo fora da vista.

Mas o que aqueles pássaros observadores

Nunca perceberam é que bandos

De ursos errantes podem vir

E podem roubar os sacos para guardar as migalhas!

—Anônimo

––––––––

No último dia claro de agosto, sete grandes cormorões negros voaram sobre o Atlântico e iluminaram uma rocha em uma enseada preguiçosa em Arrant Island. Isso não era particularmente incomum; cormorões eram aves marinhas e pássaros marinhos pousavam em rochas o tempo todo. Exceto que aqueles pássaros faziam a mesma coisa, na mesma hora do dia, durante todo o verão. Todas as manhãs, eles iluminavam aquela rocha e ficavam ali com as asas abertas, como se as estivessem secando. Eles não se mexiam, mesmo quando um cardume de alosas(1)nadava; tudo o que eles faziam era olhar, durante horas, como se estivessem esperando que algo acontecesse.

Se os pássaros fossem corvos, suas travessuras podiam ser facilmente explicadas. Os habitantes da Nova Inglaterra sabiam que o número de corvos visto de uma só vez poderia prever o futuro:

Um para tristeza,

Dois para alegria,

Três para um casamento,

E quatro para um nascimento.

Mas essas aves não eram corvos. Elas eram corvos-marinhos, corvos do mar. Os moradores locais diziam que elas eram os pássaros mais irritantes quevoavam nos céus do Maine porque, na maioria das vezes, arruinavam a pesca e as árvores da ilha. Se as pessoassoubessem sobre aqueles pássaros pousados ​​na rocha, eles provavelmente teriamdito que eram apenas: semelhante atraindo semelhante. A ilha,parecia ter uma reputação tão ruim quanto aqueles pássaros.

Da praia, em um dia claro, quando o mar estava calmo e azul-esverdeado, se você desse uma rápida olhada em Arrant Island, a ilha parecia ser um orgulhoso castelo medieval construído sobre um penhasco alto. Mas quando o tempo mudava a ilha também mudava, porque parecia ser apenas uma misteriosa nuvem azul flutuando no horizonte.

Às vezes, quando os ventos vinham do sul, as saliências de pedra ao redor da ilha se partiam com força e com perigo ea espuma do mar pulverizava os promontórios rochosos. Masa ilha permanecia rígida e inflexível, indiferente aos humores do vento e dos mares, como um rosto de pedra que deve esconder segredos.

A sete léguas do litoral recortado do Maine, onde imensas propriedades de verão e casas elegantes ficavam a pouca distância dos casebres dos pescadores e do cais, ficava a foz do rio Kennebec. Quando em bom tempo, a ilha parecia apenas uma pequena vela, para as escunas elegantes construídas nos estaleiros de Bath e não ficava muito longe de onde os barcos de pesca perseguiam bacalhau, cavala e enormes cardumes de arenque prateado que, quando a lua estava alta, fazia a água brilhar como se a Via Láctea tivesse caído bem no meio do oceano.

Ainda assim, apesar da costa movimentada apenas um apito ou algum movimento, fazia desaparecer a solidão da ilha, e sua sensação de isolamento. Não apenas por causa da água que a cercava, mas porque era quase como se Arrant Island fosseoutro mundo, escondido, até que a névoa subisse e você visse com um segundo olhar que ela realmente existia.

A ilha era há muito tempo assunto de conversa fiada. Filhos de pescadores se reuniam em volta das lareiras e contavam estórias sobre os  selvagens escoceses que tinham vivido ali, homens que não eram reais, mas fantasmas daqueles que tinham morrido há muito tempo em Culloden Moor (2), fantasmas que fugiram pelo Atlântico para um terreno acidentado e frioque era como suas amadas Highlands (3).

Outros chamavam os MacLachlans, que eram os donos desta ilha escondida, aqueles loucos escoceses. E as crianças cresciam com medo das noites de lua cheia, convencidas de que, a menos que colocassem uma penade um filhote de papagaio embaixo de seus travesseiros, um MacLachlan louco poderia atacá-los com um cavalo branco com a crina fluindo ao vento e arrancá-los de suas camas quentes!

Quando o vento ficava feroz e soprava as telhas dos casebres dos pescadores, era dito que um MacLachlan estava cavalgando naquela noite, incitando o vento. Algumas noites os salgueiros gemiam, um som exatamente igual a alguém chorando. As mães colocavam os filhos em cobertores de lã quentes e lhes assegurava que não havia ninguém ali. O barulho era apenas o vento formado pelos galhos das árvores.

Mas a imaginação fértil das crianças girava tão descontroladamente quanto o vento daqueles salgueiros. Eles apertavam suas cabeças juntas e abraçavam-se com força, enquanto sussurravam que o som estava chorando, chorando por causa de alguma pobre alma que tinha visto na neblina, o cavalo branco de um MacLachlan.

Então, naquele verão, o estranho comportamento daqueles irritantes pássaros marinhos passou despercebido. Já havia muitas estórias para contar, um monte de pesadelos e de sonhos, contos ferozes sobre escoceses selvagens que montavam em seus cavalos brancos e podiam levá-los embora.

––––––––

(1)Alosas - é um gênero de peixe, o arenque do rio, pertencente à família Clupeidae. Junto com outros gêneros na subfamília Alosinae, eles são geralmente conhecidos como shads. 

(2) Culloden Moor - A Batalha de Culloden no dia 16 de Abril de 1746, entre as tropas do governo britânico e os rebeldes jacobitas, ocorreu no pântano de Culloden perto de Inverness, na Escócia, e terminou com uma vitória para as tropas do governo inglês. Os jacobitas (católicos), fiéis ao jovem pretendente ao trono, foram derrotados por cerca de 9 mil soldados, fiéis à casa de Hanover.

(3) Highlands - zona montanhosa do norte da Escócia. Seu centro administrativo é Inverness. Politicamente, as Highlands caracterizavam-se, até o século XVIII, por um sistema feudal de famílias - os famosos clãs escoceses.

Capítulo 2

Eu me pergunto se talvez eu possa

De repente ver um bravo cavaleiro

Andando num caminho do azul para o verde

Exatamente como teria sido

Muitos, muitos anos atrás ...

Talvez eu possa. Nunca se sabe.

—A. A. Milne

––––––––

Para Amelia Emerson, era um daqueles dias claros em que o céu parecia o interior de uma grande tigela azul, como uma panela de barro que o cozinheiro usava para misturar massa de pão todos os sábados de manhã. Até as nuvens brincavam com ela, porque passavam pelo céu azul como se fossem finas tiras brancas de farinha.

Amy virou o rosto para o calor do sol de agosto e fechou os olhos. Em sua mente, ela imaginou Deus em pé no céu acimavestido com uma linda bata branca, e seus longos cabelos grisalhos debaixo de um barrete de linho enquanto fazia o céu ficar perfeito para dar àqueles na terra o presente de um dia magnífico.

Em junho, tinha tido um céu azul como esse de hoje, quando William De Pysters a tinha levado em sua canoa ao rio Kennebunk. Enquanto a canoa se movia silenciosamente sobre a água, as folhas de bordo vermelhas flutuavam ao lado deles como um tapete de veludo colocado diante de uma rainha. Aquele dia tinha sido um dia tão perfeito quanto ela podia se lembrar; alguns sorrisos, uma conversa amena e um doce e terno beijo mais tarde, e Amy saiu da canoa com a mão na forte mão de William, a mesma mão que tinha colocado uma flor vermelha atrás de sua orelha e um anel de esmeralda em seu dedo oficializando o noivado.

Era estranho como a vida pode mudar. Seus pais tinham morrido três anos antes e era por isso que ela passava os verões no Maine. Um de seus testamenteiros sugeriu que o ar do mar poderia ser bom para ela, e os outros rapidamente concordaram.

O círculo social do verão vinha de muitos lugares — Boston, Filadélfia, Nova York, caravanas abastadas da boa sociedade, para passar todo o verão no Maine, onde os mirtilos eram macios e doces, onde a leve brisa do mar tornava a vida fácil e livre, onde eles podiam navegar e socializar em um mundo idílico próprio, um de sangue azul e de muito dinheiro.

Amelia Emerson tinha dinheiro, muito dinheiro. Dinheiro suficiente para que seu nome ficasse bem colocado no Beach - um registro social que listava a quantidade e a origem de cada fortuna ianque. Dinheiro suficiente para abrir as portas sagradas que enclausuravam a coisa mais próxima que a América tinha de aristocracia. Dinheiro suficiente para Amy receber todos os convites certos de nomes como Cabot e Livingstone, Dearborn e Winthrop, as antigas famílias que tinham dinheiro. Ela foi a todas as festas, mesmo depois que percebeu que não era realmente bem-vinda, mas sim uma pária porque sua família tinha tido a audácia de ganhar seus milhões ao invés de herdar o dinheiro de algum bisavô que tinha deixado seu antigo país duzentos anos antes, para vir para a América comer milhocom os índios.

Ela ainda não entendia como a riqueza que tinha sido obtida através de engenhosidade e trabalho árduo, podia ser considerada de menor valor social do que o dinheiro recebido por herança ou que estava mofando em um banco, ou por causa de vastas terras herdadas durante os últimos cem anos ou mais. O conceito de dinheiro antigo versus dinheiro novo escapava de sua compreensão.

Mas Amy entendia muito pouco as pessoas. Ela sempre tinha ficado muito próxima de seus pais, que a mantiveram segura e protegida em sua pequena família onde ela sabia que era amada.

Como se fosse ontem, ela ainda se lembrava da imagem do pai, com as longas pernas dobradas em ângulos estranhos, enquanto ele se sentava em uma pequena cadeira branca com amores-perfeitos pintados nos braços. Ele era um homem muito alto, mas conseguia equilibrar uma xícara de chá miniatura de porcelana em seus joelhos, enquanto comia sanduíches de pepino com o dedo mindinho levantado para o ar.

Ele a ensinara a apreciar a beleza das árvores e das flores, o canto de um pássaro e o brilho de um céu de verão. Ele tinha um forte senso do que era certo e errado e o que era importante para ele.

Às vezes, quando caminhava com Amy, ele balançava a cabeça e dizia que nunca entenderia como alguém podia olhar para uma rosa florescendo, ou um bordo vermelho mudando de cor, ou escutar a música de um estorninho pela manhã e não acreditar que Deus existia. Ele ficava com o mesmo olhar de admiração sempre que olhava para ela e para a mãe de Amy, como se não conseguisse acreditar que elas eram reais.

A mãe de Amy a fazia se sentir inteira e tranquila. Ela tinha o dom de saber o momento exato em que Amy precisava de um abraço, conselhos ou apenas um toque suave de uma mão reconfortante. Ela sabia com um rápido olhar quando Amy estava febril. Ela nunca teve que colocar sua mão ou os lábios em sua testa.

Amy não podia contar o número de vezes em que de repente percebeu que estava com fome, para se virar e encontrar sua mãe parada na porta do quarto com uma tigela de frutas ou um prato com bolo. Sua mãe entrava no quarto de Amyalguns momentos antes que a exaustão pudesse atingi-la. Em um piscar de olhos, Amy estava com sua camisola e aconchegada em uma cama quente e confortável enquanto sua mãe apagava as lâmpadas e dizia boa noite em uma voz tão suave e doce que soava como se ela viessedireto do Paraíso.

Quando ela tinha apenas sete anos, ela e sua mãe tinham visto uma boneca com um requintado enxoval na vitrine da FAO Schwarz (4). Amy se lembrava de ter ficado na ponta dos pés para poder olhar a vitrine da loja.

A respiração dela tinha embaçado a vitrine porque ela tinha pressionado o nariz contra o vidro gelado, mas a mãe se curvou com um olhar gentil e divertido no rosto, e limpou a névoa com um lenço de renda só para que Amy pudesse continuar olhando para a boneca. Elas devem ter ficado ali por pelo menos meia hora, com a neve caindo sobre seus casacos de pele eveludo. Mas apesar do frio, sua mãe não a levou embora, mastinha deixado Amy admirar a vitrine.

No Natal daquele ano, Amy abriu uma caixa após a outra de roupas de boneca, não as que estavam na vitrine da loja, mas roupas de veludo com brocado, gorros em miniatura com laços e penas, até pequenas bolsas de veludo com cordões trançados de seda, todas as roupas exatamente iguais as que ela tinha visto, mas todas feitas à mão por sua mãe.

Seus pais poderiam simplesmente ter comprado as roupas na loja —seu pai já era bem sucedido nesta época —mas eles não tinham feito isso. Sua mãe passara horas fazendo aquelas roupas para a sua boneca, o que as tornava mais valiosas para Amy do que todo o dinheiro em todos os bancos de Manhattan. Cada pérola como enfeite, cada prega e cada fitatinham sido costuradas com o amor de sua mãe.

Por mais maravilhosos e alegres que fossem aqueles anos de ternas lembranças, seus pais cometeram um erro: nunca a expuseram a outro mundo além daquele que haviam criado para ela — um lugar onde ela era amada e protegida, onde ela tinha aprendido bondade e amor e consideração, valores que nada tinham a ver com dinheiro.

Sua infância se passou num mundo especial, centrado em torno de sua família, um mundo que, de repente, em um trágico instante, parou de existir. Porque no momento em que seus pais morreram, o único mundo que ela tinha conhecido também morreu.

Amy foi deixada nas mãos práticas de seus testamenteiros que lhe eram estranhos. Seu pai podia ter confiado neles, mas para ela eles eram apenas homens da lei que não conseguiam entender como era ser uma mulher jovem e de repente ficar completamente sozinha no mundo. Então eles a levavam para o Maine durante o verão.

Tranquila, tímida e deslocada era como ela se sentia sempre que estava em um grupo grande, especialmente o grupo social que em todos os verões escapava do calor das lotadas cidades do leste para a liberdade da fria costa do Maine. Para eles, os valores eram ativos de negócios e os custos das coisas; qual era a sua marca e qual era o seu valor monetário. Dinheiro estava incluso no nome, fosse de uma antiga família respeitada ou de um vestido com a marca da casa de Worth(5).

Todos sempre pareciam muito diferentes dela, tão perfeitos e no lugar correto, como complementos, como uma sala de estar decorada com perfeição suave e sutil. Entre eles, ela se sentia óbvia, uma amostra gritante de vermelho chocante em uma sala cheia de rosas suaves.

E, no entanto, algo mágico aconteceu depois que sua canoa passou pelas flores brilhantes em um belo dia de junho. Era quase como se Amy fizesse parte de alguém. Ela começou, um pouco de cada vez, a se sentir inteira novamente. Em seu coração e em sua cabeça, ela começou a acreditar que teria o poder do nome De Pysters por trás dela, em vez da mancha burguesa do dinheiro novo. Ela não seria mais vermelha. Por causa de William, o maravilhoso e forte William, Amy logo seria um rosa suave, da mesma cor sutil que todas as outras pessoas.

Para ela, eram dias como este último sábado de agosto que desencadeavameventos especiais, eventos que mudariam a vida de uma pessoa para sempre. Em um dia como hoje, um dos sonhos de Amy tinha se tornado realidade.

Por isso, foi com alguma relutância que ela desviou o rosto do sol quente e olhou para o mar, azul-esverdeado e calmo. Ao longe, a ilha mais ao norte aparecia em silhueta contra o céu azul-centáureo. Por um instante, aquela ilha dura e escarpada parecia um castelo em um conto de fadas, alto, cinzento e majestoso. Ela podia imaginar cavaleiros em cavalos brancos cavalgando pela ilha em busca de dragões para matar pelo coração de uma dama.

No entanto, os únicos dragões na vida de Amy eram as brilhantes libélulas de asas rendadas que zumbiam ao redor dela. Elas voavam no ar de agosto, depois disparavam pela encosta em direção a um bosque de arbustos silvestres de mirtilo. Ela as seguiu passando pelas rosas que se entrelaçavam nos bosques, afastando as abelhas que pairavam diante dela em pontos brilhantes.

Perto, nos salgueiros altos, cujos troncos eram grossos e rodeados por heras, ela ouvia a canção lírica de um estorninho voando de galho em galho, suas brilhantes penas azuis se fundindo naquele céu maravilhoso.

Cantarolando sua própria melodia, ela se ajoelhou ao lado daqueles arbustos altos, onde os mirtilos silvestres estavam tão maduros e cheios de suco que se podia tocá-los com a ponta de um dedo e eles caíam direto na palma da mão. Ela cutucou alguns cachos dos frutos.

Como pérolas caindo de um fio, os mirtilos com suas peles escuras e foscas cascateavam em sua mão. Ficaram ali por apenas um segundo antes que ela os colocasse em sua boca, mastigando para que suas bochechas se arqueassem como um rato que encontrou o pudim de Natal.

Ela estava morta de fome porque, em sua pressa para ir colher os frutos, pressa que teve para que os outros não tivessem oportunidade de deixá-la para trás, ela não tinha comido nada no café da manhã.

Com os joelhos afundando na sujeira marrom e macia, ela pegou mais frutos e deixou-os cair em uma cesta de vime que estava ao lado de seus sapatos e meias esquecidos. Dentro deminutos, a cesta estavacheia pela metade e Amy tinha se entocado na moita, seus dedos nus e enlameadosdebaixo dos arbustos.

Vozes masculinas e o som de botas afogaram a música do estorninho e o leve zumbido das libélulas e das abelhas. Amy congelou ao ouvir riso, sem saber se deveria dizer alguma coisa ou apenas ficar quieta. Através das folhas dos arbustos, ela não conseguia ver nada além de alguns pares de calças.

Eu duvido que qualquer coisa possa ser tão ruim assim, Drew. Mesmo eu não tenho estômago para tal sacrifício.

Jonathan Winthrop tinha uma voz distinta que ela reconheceu imediatamente e Drew era Andrew Beale. Ambos eram amigos do seu William. Ela ficou ouvindo quieta enquanto contava as pernas através das folhas. Eram seis homens.

Isto é a melhor e única coisa que você pode fazer... por todo esse dinheiro, um dos homens falou, e todos eles riram.

Eu ia preferir me exilar em Arrant Island com aquele bando de escoceses loucos do que me amarrar a ela.

Xadrez nunca foi adequado para você, Drew. Houve mais risadas. E sua família não precisa desses milhões.

Mesmo se a minha família precisasse, duvido que eu me tornasse o cordeiro do sacrifício.

Você faria o mesmo. Se você precisasse do dinheiro tanto quanto o William.

Amy congelou no momento em que entendeu que estavam falando sobre ela. Ela segurou a respiração e continuou a ouvir.

Quando o cordeiro do sacrifício, ou devo dizer, o carneiro vai para o abate?

Houve mais risadas. Algum dia em dezembro.

Amy ficou sentada ali e quase podia sentir o seu interior murchar, como se suas esperanças e felicidade tivessem sido sugadas dela até que ela não era nada mais do que um ser vazio. Os homens continuavam rindo. Ela corou de vergonha.

Você sabe o que dizem que você pode se casar com uma mulher por dinheiro e sexo e ainda ter amor... Gaste seu dinheiro, gaste seu corpo e ame cada minuto!

Com cada gargalhada, cada piada, suas bochechas ficavam mais quentes e seus olhos ardiam de humilhação. Ela ficou lá, escondida e chorando em silêncio enquanto ouvia os amigos de William a ridicularizando. Estas eram pessoas que não paravam para ver um pássaro voar, ver um pôr-do-sol ou cheirar uma rosa. Roupas de bonecas feitas à mão não serviriam para elas. As coisas precisavam de um preço caro ou uma etiqueta de renome.

Amy não tinha o nome certo, apenas dinheiro suficiente, muito mais do que todos eles juntos. Era quase como se ali nos arbustos de mirtilo ela tivesse se transformado em metade de uma pessoa, ou uma pessoa que não valesse a pena, ou algo muito pior: apenas uma conta bancária.

Ela fechou os olhos e, pelo que pareceu a milésima vez nos últimos três anos, desejou que seus pais estivessem vivos. Ela desejou que sua mãe estivesse lá com seu lenço de renda, não para limpar sua respiração de uma vitrine, mas para enxugar suas lágrimas.

Ela desejou poder sentir os braços de sua mãe em volta dela, só mais uma vez, só que desta vez, para fazê-la se sentir completa, como uma pessoa inteira novamente. Ela desejou que seu pai estivesse vivo para que ela pudesse olhar em seus olhos e verque ela era especial para alguém. Ela desejou estar em qualquer lugar, menos ali, e desejou ter o braço forte de William para segurar.

Quando os homens pararam de rir, ela abriu os olhos e olhou para as folhas de mirtilo ao redor dela. Ela percebeu então que realmente não queria que William, o único homem que se importava com ela, ouvisse os gracejos e os risos de seus amigos. Ela não ia suportar que ele visse a vergonha que ela estava sentindo. Vergonha que ela não sabia como superar, uma vergonha que ela carregava porque não tinha nascido com o nome certo.

Mais alguns momentos de piadas cruéis e os homens começaram a ir em direção a casa Cabot, onde uma refeição ao ar livre seria servida nos jardins de rosas em Chassy Cabot antes que todos partissem para assistir ao último evento do verão, o baile de gala anual na casa dos Bayard.

Amy saiu dos arbustos e se levantou devagar, sem se importar que folhas, terra e mirtilos esmagados se agarravam ao seu cabelo loiro e a sua saia de seda, ou que lama escorresse entre os dedos dos seus pés descalços. Ela ouviu uma voz masculina falando — algo sobre merecer uma medalha pelo sacrifício.

Ela se virou rapidamente, atordoada e incrédula, e encarou o cabelo castanho encaracolado e as costas largas de William De Pysters, o único homem que Amy tinha pensado que se importava com ela. Ela sentiu como se estivesse tendo um daqueles momentos lúcidos e ao mesmo tempo horríveis pouco antes dedesmaiar, o momento em que a revelação do que está acontecendo lhe dá um tapa na cara.

Sua garganta se apertou. Ela respirou fundo para não fazer algo tolo como explodir em soluços altos que ela não conseguiria controlar. Sua mão cobriu sua boca enquanto observava os homenscaminhando por um caminho arborizado em direção aos amplos gramados da casa.

No fundo do seu peito, seu coração parecia que estava morrendo. Seu mundo, seu insensato mundo cheio de sonhos, na verdade não existia, e de repente tinha chegado ao fim.

Porque tinha sido a voz de William que ela ouvira, dizendo que ele merecia uma medalha. Então ela o observou por trás enquanto ele estava no meio de seu grupo de amigos cruéis. Ele ainda era tão alto quanto sempre tinha sido. Ele ainda parecia muito forte ali, à luz do sol.

Ela tinha achado que ele seria o homem que mataria todos os dragões para ter seu coração. Mas quando ela levantou o queixo e engoliu o nó que tinha em sua garganta, ela viu a verdade: era seu William quem estava rindo mais alto que todos os outros.

––––––––

(4) FAO Schwarz - famosa loja de brinquedos, baseada na cidade de Nova Iorque, com diversos tipos de brinquedos de todos os preços.

(5) Worth - Charles Frederick Worth (13 de outubro de 1825 - 10 de março de 1895) foi um designer de moda inglês que fundou a Casa de Worth, uma das mais importantes casas de moda dos séculos XIX e início do século XX. Ele é considerado por muitos historiadores de moda o pai da Haute Couture. 

Capítulo 3

A vida é como um pudim.

Leva tanto sal

Quanto açúcar

Para ele ficar bom.

— Antigo provérbio da Nova Inglaterra

Tinha buracos no estofamento. Georgina Bayard pegou uma almofada bordada que pertencera a Maria Antonieta e a jogou no sofá, cobrindo os buracos.  Do outro lado da sala, um relógio soou a hora. Ela se virou e olhou para o relógio. Mais nove horas. Ela pegou um pãozinho de mel da mesa do café da manhã e comeu enquanto passava em frente às grandes portas francesas que davam para os jardins.

Ela engoliu mais um pedaço e olhou para o horizonte, onde hoje o céu encontrava o calmo mar do Atlântico. Mas Georgina sabia que o mar era tão volátil quanto tinha sido a sorte de seu irmão. Um dia, as águas estavam planas e calmas, imóveis, como se o oceano jamais pudesse rugir e bater com tanta força contra a costa rochosa do Maine, que os pescadores locais chamavam de uivadores.

Mas elas podiam mudar para tempestades uivantes, logo

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