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Os Presentes de Julia: Grande Guerra, Grande Amor - Livro 1

Os Presentes de Julia: Grande Guerra, Grande Amor - Livro 1

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Os Presentes de Julia: Grande Guerra, Grande Amor - Livro 1

Comprimento:
224 páginas
7 horas
Lançado em:
Jul 17, 2019
ISBN:
9781547558193
Formato:
Livro

Descrição

Em meio à devastação da guerra, um grande amor nasce.

Ainda uma jovem garota, Julia começa a comprar presentes para o seu futuro marido, um homem cujo a imagem e a personalidade ela tem muito clara na mente, um homem que ela chama de “amado”.

Assim que os Estados Unidos entra na Grande Guerra, Julia de forma impulsiva se voluntaria para trabalhar em um hospital de campanha na França, sem experiência ou treinamento. Com o desalento por causa da realidade da guerra, Julia irá abandonar a procura do amado? O ingênuo projeto dos presentes irá distraí-la em reconhecer o seu verdadeiro “grande amor”?

Primeiro livro da trilogia “Grande Guerra, Grande Amor”.

Lançado em:
Jul 17, 2019
ISBN:
9781547558193
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do Livro

Os Presentes de Julia - Ellen Gable

Sumário

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Capítulo 21

Capítulo 22

Capítulo 23

Epílogo

Agradecimentos

Sobre a Autora

Dedicado em memória de

Tia Flossie (1917-1988),

Que nasceu durante a Primeira Guerra

E foi como uma segunda mãe para mim

Ó Maria, concebida sem pecado

Rogai por nós que recorremos a Vós

Continuem sempre a rezar o Rosário todos os dias. A guerra terminará, e os soldados irão em breve retornar para casa.

Nossa Senhora de Fátima, 13 de outubro de 1917

"O verdadeiro soldado luta, não porque ele odeia o que está à frente dele,

Mas porque ele ama o que ele deixou para trás’.

G.K. Chesterton

Ó milagre extraordinário! Ó maravilhoso e divino Sacramento! Pão comum é levantado no altar; o imortal Corpo de Cristo desce e o arrebata. O que era comida natural tornou-se comida espiritual. O que era o revigoramento fugaz do homem tornou-se eterno e imperecível sustento dos anjos.

Stephen, Bispo de Autun (1139)

Capítulo I

Meu Amado

17 de dezembro de 1917

As agitadas ruas do centro da cidade da Filadélfia bruxuleavam com luzes elétricas, anunciando que o Natal estava próximo. Julia Marie Murphy levantou o rosto e olhou para o alto. O céu noturno estava cheio de nuvens de neve, o ar revigorante. Ela calçou as luvas e abotoou o topo do casaco. Os pensamentos voltaram-se para o seu futuro marido. Senhor, por favor, proteja meu amado.

Milhares de homens americanos já haviam se alistado para lutar na Grande Guerra. Os cavalheiros que Julia conheceu pareciam ansiosos para partirem. Julia agradeceu a Deus que os três irmãos eram muito novos para lutarem.

Em poucas semanas chegaria 1918. Todos os amigos e conhecidos de seu pai esperavam que a guerra terminasse em breve, com sorte antes do meio do ano. Porém, 1918 tinha mais significado para Julia, pois este seria o ano em que ela completaria 21 anos. 

Ela se aproximou da loja Lit Brothers admirando a vitrine decorada com lâmpadas coloridas. Julia agradeceu que era segunda-feira. Se fosse quinta-feira, por causa do veto da eletricidade em suporte à guerra, a vitrine estaria apagada. 

Julia fitou, petrificada, a vitrine com um item em destaque. Com um vermelho cintilante adornando o suporte, um belo relógio de bolso feito de prata pura estava disposto no topo de um suporte cilíndrico. Os olhos da moça se arregalaram quando ela viu o preço na etiqueta. Mil e duzentos dólares e vinte e cinco centavos, quase vinte por cento do seu salário anual. Mas era lindo e todo homem precisava de um. Não obstante o preço, seria um presente perfeito para o seu amado.

Sim, era extravagante, especialmente no período de guerra. Sim, haviam itens menos caros que ela poderia comprar. Porém não importava. Este era o presente ideal.

Após comprar o relógio, ela o levou para gravar no segundo andar. Atrás do balcão, um homem alto e magro de meia idade, com um bigode comprido e encurvado nas pontas, sorriu.

— O que você gostaria de gravar?

Para o meu amado e na próxima linha, com amor, Julia.

As sobrancelhas dele se levantaram. 

— Eu tenho certeza que o cavalheiro preferiria ter o nome de batismo gravado neste belo relógio. Você não concorda?

— Bem, sim, eu imagino que ele gostaria. Mas eu não sei ainda o nome dele ou quem ele é.

A boca do homem se escancarou e ele gaguejou: 

— Eu... eu... desc... desculpe, senhorita. Eu... eu não entendo. Você comprou um caríssimo relógio para alguém que você não conhece?

Julia suspirou. Ela deveria ter dito nada. 

— Por favor, grave as palavras que eu falei.

O homem acenou e mirou Julia com uma expressão de curiosidade suspeita, um olhar que se daria para alguém no hospício. 

— Quanto tempo vai levar?

— Para gravar? Dez dias. Desculpe, senhorita, mas você não o terá a tempo para o Natal.

— Tudo bem.

Julia virou-se. Dando alguns passos, ouviu o vendedor resmungar:

— Que garota estranha. Comprar presentes para alguém que ela não conhece. Tsk. Tsk.

Encolhendo os ombros, ela verificou o próprio relógio, e correu para começar a caminhada de três quarteirões até o ponto do bonde. Se ela não chegasse a tempo para pegar o bonde das cinco horas, ela esperaria por meia hora.

Naquele ano, Julia estava determinada que conheceria o seu amado, o homem por quem ela estava rezando nos últimos quatro anos. Por que ela não o conheceu ainda?  Algumas de suas amigas já estavam casadas. O seu amado estaria em algum lugar e ela iria encontrá-lo. Sim, 1918 seria o ano que ela conheceria o seu amado.

Cada mês de dezembro, Julia se perguntava o que ela daria de presente de natal para o seu amado. Ano passado, ela procurou em diversas lojas diferentes, mas não encontrou nada especial. Ela finalmente encontrou e comprou um diário de bolso, feito de couro marrom, numa loja especializada na rua Broad and Bingler. Ela não sabia se o seu amado seria do tipo que escrevia em diário, porém pareceu-lhe um presente apropriado, especialmente porque havia uma delicada folha em relevo na capa. No ano anterior, Julia comprou uma medalha milagrosa feita de prata pura, porque o seu amado seria católico. 

Naquele primeiro ano, sua mãe sugeriu que ela começasse a rezar pelo seu futuro marido. Após algumas semanas rezando, Julia sentiu-se inspirada em fazer um pouco mais. Era a semana que antecedia o natal. Ela decidiu que compraria ou faria para ele um presente de natal todo ano até se conhecerem. Sem emprego e sem dinheiro naquele ano, Julia tricotou dois pares de meias — uma azul com verde e outra verde com marrom — usando da primorosa lã que sua mãe lhe deu. 

O fato dela ter feito ou comprado presentes e gastado o suado dinheiro para o futuro marido, não agradou o pai. Ele achava inútil e sentimental. A mãe, no entanto, declarou que era um gesto muito bonito. É claro que, se mamãe soubesse o quanto ela gastou no último presente, Julia tinha certeza que ela não ficaria contente. 

O tinido do sino do bonde impulsionou Julia a correr para o outro lado da rua, ao passo que o veículo freava. Ela entrou no bonde e jogou as fichas na caixa. O motorista avisou.

— Próxima parada, 10th Market. 

Naquele dia em especial, Ann Fremont — a amiga mais próxima de Julia — saiu do trabalho mais cedo, por isso Julia pegou o bonde para casa sozinha. Além disso, Ann estava ansiosa demais para desejar companhia nos últimos dias, desde o dia que o namorado, Theo, zarpou. Pior, antes do Natal. Ann tinha todas as razões para temer por ele.

As duas moças se conheceram em um colégio católico para garotas e se formaram em 1915. Ambas conseguiram os primeiros empregos no restaurante Horn e Hardart em Center City, Julia preparando os sanduíches e Ann como preparando tortas. 

Ann apoiava com fervor a ideia de Julia em comprar presentes para o seu amado. É tão romântico, dizia ela.

Anos antes, Julia escreveu uma lista completa de atributos que o seu amado teria: olhos azuis, cabelos loiros, feições rosadas, mas bem definidas, bonito, e claro, ele seria alto e de ombros largos. Ela sempre favoreceu homens de cabelos claros para contrastar com o próprio cabelo liso e preto metálico. O mais importante, o seu amado seria gentil e cavalheiro com uma disposição calma, e ele jamais perderia a paciência. Seria, é claro, amor à primeira vista.  E não haveria dúvidas.

Sendo sincera, ela já deveria ter conhecido o seu amado àquela altura. Deus já havia escolhido o seu amado, ela lembrou a si mesma, enquanto fitava a paisagem pela janela do bonde. Ela só precisava ter paciência. Sim, 1918 seria o ano. Ela estava certa disso.

***

Soissons, França

Outro Natal neste buraco infernal de guerra.

O carro sacolejava ao passar pelos buracos numa estrada de terra próxima de Soissons, França. Major Peter Winslow agarrou o volante, enquanto fazia o trajeto para o hospital de campanha em Vauxbuin nas proximidades.

Estava nevando — de novo. Em casa no Canadá, ele gostava de andar com raquetes de neve nos pés, esquiar e patinar no gelo. Contudo ali, no contexto da guerra, a neve era mais irritante do que qualquer outra coisa.

Peter se alistou no 38º Batalhão das Forças Expedicionárias em Ottawa no verão do ano anterior, quando completou 22 anos. Naquela época, ele já havia conquistado dois diplomas na Universidade de McGill, um em Literatura Francesa e o outro em Literatura Alemã. Ele até desenvolveu uma afinidade em escrever sonetos — em inglês, claro.

Ele se recordava de como estava entusiasmado em lutar na guerra do outro lado do oceano, principalmente quando seu irmão mais velho, John, juntou-se ao mesmo batalhão meses antes.

Atrevido. Pomposo. Presunçoso. Ele e seus compatriotas canadenses, australianos e britânicos não tinham ideia do que a guerra exigia. E esta guerra era a pior do que as outras guerras, se considerando as armas modernas de gás e aviões.

Esta Grande Guerra — ou agora como os americanos se juntaram, esta Guerra Mundial — deveria ser fácil.  Dois anos e meio depois, esta guerra para acabar com todas as guerras se assolava sem um fim à vista. Além disso, a devastadora explosão em Halifax no início do mês não ajudou no estado de ânimo dos soldados canadenses.

Peter dirigia ao crepúsculo, agradecido pela luz da lua iluminar a estrada de terra. 

O vento áspero de dezembro cortou o seu rosto, e ele enrijeceu.  Ventos cortantes eram o menor dos seus problemas. Como um tradutor de francês e alemão para as Forças Aliadas, Peter viajava com frequência para áreas perigosas próximas do front ou para as terras de ninguém. As ordens que recebeu eram de prosseguir para o hospital de campanha, interrogar um oficial alemão isolado, e em seguida, escoltá-lo para o campo de prisioneiros de guerra do outro lado do Rio Aisne — se o prisioneiro estivesse bem o suficiente para viajar.

Houve um período, na metade do ano passado que Peter queria escalar o cume da montanha mais próxima e gritar. No entanto, na maior parte do tempo, ele meramente se esforçava para terminar a semana vivo, desejando — rezando — que aquela guerra desgraçada terminasse logo. Os americanos finalmente chegaram, mas ele não havia conhecido nenhum. O presidente Wilson queria continuar fora da guerra, apesar dos pedidos dos Aliados. Peter compreendia a relutância deles: muitos americanos descendiam de famílias imigrantes com parentes alemães; alguns tinham raízes na França Aliada, Irlanda e Inglaterra. Mesmo assim, apesar de ele estar aliviado que os americanos se juntaram a guerra, Peter se perguntava se não já não era tarde demais. 

De uma coisa ele estava certo: ele nunca desprezaria sua família novamente. A salvação foi o seu irmão mais velho John, que estava com um posto na França, e eles tiveram a sorte de passarem um fim de semana juntos oito meses antes, quando houve uma calmaria no confronto. John parecia exausto e acabado, por isso Peter odiou dizer adeus a ele. 

— Peter, tome conta de mamãe e papai se alguma coisa acontecer comigo aqui. 

— Nada vai acontecer com você.

Ele acenou com os olhos caídos.

— Você deve estar certo, mas eu tenho um mau pressentimento, como se eu não vou vê-los novamente.

— Você vai. Pare com essa conversa de fossa e fatalidade. Vamos jantar. 

Claro que Peter entendia os sentimentos de mau agouro do irmão. Todos ali — soldados, enfermeiras, cidadãos franceses — entendiam isto. Para Peter, a única coisa que o manteve otimista no início foram as alegres cartas de Lucy.

Lucy McCann era a garota mais adorável em Arnprior, Ontario. Ele achou tempo para escrever diversos sonetos para ela nos primeiros seis meses de guerra. Para o seu azar, ela esperou até o natal de 1916 para enviar uma carta a ele informando-o de seu noivado e iminente casamento com um sujeito chamado Elliot.

Belo presente de Natal.

Peter sentiu-se traído, mas ele decidiu que não pensaria mais nela. Mais fácil dizer do que fazer. E agora, um ano depois, ele pensava nela ocasionalmente — e ainda tinha a foto dela — embora ele não mais conseguisse compor um poema desde então. 

A irmã caçula de 15 anos, Maggie, contou a ele na sua última carta que Lucy tinha dado à luz ao primeiro filho, um menino, e que ela parecia horrível. Peter quis abraçar a irmã, pois ela sabia o que dizer em suas cartas para fazê-lo sorrir.

Embora sua família estivesse bem, a minúscula mãe e sua tímida e modesta irmã Dorothy de 20 anos de idade — conhecida como Dot — começaram a trabalhar em uma fábrica local fazendo cobertores para os soldados. O pai continuava administrando a companhia de seguros da família, mas ele também se voluntariou em ajudar fazendeiros locais, cujo os filhos estavam servindo no exterior.

Peter não frequentava mais a igreja, embora ele ainda acreditasse em Deus. De fato, ele implorou a Deus nos últimos três meses para que aquela terrível guerra terminasse, para que assim ele pudesse retornar à sua família e a sua vida normal na cidade natal Arnprior, uma pequena cidade madeireira em Ottawa Valley. Ele sentia a falta deles, especialmente nos feriados.

O natal na casa da família Winslow envolvia as comidas mais irresistíveis no Valley. Grand-mère’s tourtière, peru com todos os acompanhamentos, o delicioso bolo de frutas de mamãe e cookies amanteigados. Maggie cantaria Noite Feliz com a voz de um anjo, enquanto Dot tocaria o piano. O pai raramente ria, mas o sorriso do pai podia derreter o mais duro dos corações. Junto com os vizinhos, na noite de natal, eles andariam de casa em casa cantando canções natalinas, começando pela John Street, à esquerda no Madawaska Boulervard e então em frente a Daniel Street, não importando o quão frio estivesse, não importando o quanto de neve cairia. Depois todos eles compareceriam a Missa do Galo na Igreja de São João Crisóstomo.

Deus, que saudade da minha família.

Feliz Natal, Sir Robert Borden, enquanto você aproveita a sua

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