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O Matador do Olimpo: Mistérios nas Ilhas Gregas
O Matador do Olimpo: Mistérios nas Ilhas Gregas
O Matador do Olimpo: Mistérios nas Ilhas Gregas
E-book332 páginas4 horas

O Matador do Olimpo: Mistérios nas Ilhas Gregas

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Sobre este e-book

O MAL VOLTA A ATACAR NAS ENSOLARADAS ILHAS GREGAS

Se você pretende passar o próximo verão nas majestosas e ensolaradas Ilhas Gregas, tome cuidado. Há um matador sádico à solta. O MATADOR DO OLIMPO...

Há corpos se acumulando rapidamente nessas belas ilhas. Torturados, mutilados, e estranhamente vinculados à mitologia da Grécia Antiga. O Capitão Costa Papacosta, da Polícia Helênica, é chamado para ajudar a jovem Tenente Ioli Cara, uma cretense eleita a melhor detetive do ano, a rsolver um dos casos mais complicados. O MATADOR DO OLIMPO, como os jornais o apelidaram, é um assassino extremamente sádico e habilidoso, com um passado que o assombra. Esse passado é contado pela história de sua mãe em Dayton, Estados Unidos.

Será que os nossos dois policiais conseguirão pegar o assassino a tempo, ou o Matador do Olimpo conseguirá concluir a sua vingança?

Uma modelo morta e com os braços devepados... Gêmeos decapitados para fazer o sol e a lua com suas cabeças... Ioli e Costa estão sempre um passo atrás do assassino, até o final realmente surpreendente!

Este livro é para quem gosta de um BOM mistério de detetives, com a habitual dose de ação e humor que caracterizou os livros de Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Erle Stanley Gardner, Ellery Queen e tantos outros, porém ambientado no Século XXI e nas pitorescas ilhas gregas.

Quem realmente curte os seriados policiais da TV a cabo certamente não irá olhar para a telinha até chegar ao final deste best-seller.

IdiomaPortuguês
EditoraBadPress
Data de lançamento23 de nov. de 2018
ISBN9781547559077
O Matador do Olimpo: Mistérios nas Ilhas Gregas
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    O Matador do Olimpo - Luke Christodoulou

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    (Mistério nas Ilhas Gregas Nº 1 – uma história de suspense completa)

    LIVRO DO MÊS (maio de 2014) – Suspense Psicológico

    LIVRO DO MÊS (junho de 2014) – Nada melhor para se ler

    LIVRO DO MÊS (outubro de 2014) – Minerador de E-books

    ‘... diferentemente de muitos livros de mistério policial que já li – que tendem a ser pesados e deprimentes pela sua natureza e pelo crimes e acontecimentos que embasam a trama – não achei que era o caso deste romance. Exatamente o contrário. Christodoulou entremeia habilidosamente o humor com a história, juntamente com mitologia, história, cultura e culinária da Grécia, sem comprometer a seriedade dos acontecimentos, apenas dando vida ao enredo. Porque a vida é o que continua, apesar da tragédia e dos crimes hediondos que separam os mundos das pessoas."

    M. J. — Escritor

    Uma sequência de mortes e reviravoltas em rápida sequência nas exóticas Ilhas Gregas. As descrições dos locais são maravilhosas e bem exatas. É muito bem escrito, com personagens magnificamente caracterizados (Ioli Cara e sua boca suja, além de duas avós gregas, são muito divertidas). Sedutor como um enigma Sudoku, o autor montou uma trama engenhosa, que termina com revelações estarrecedoras. Em resumo, se quiser um livro que prende e choca, leia este.

    J. Salisbury — Escritor 

    Um mistério que compete com Patterson

    Ruth Rowley, EUA

    Um excelente e fascinante livro de suspense psicológico

    Jimmy Andrea, Reino Unido

    O Matador do Olimpo é um livro incrível...

    Raghavendra, Índia

    Recomendo enfaticamente este livro a todos...

    Kristin T., Canadá

    Uma variação interessante dos livros habituais de suspense psicológico. Achei bem escrito e muito atraente em função dos elementos da mitologia grega que foram adicionados.

    Sra. G., Reino Unido

    À minha esposa Polina, por seu amor, apoio e paciência.

    Para minha filha Ioli. Obrigado por me lembrar de viver vinha vida ao máximo.

    O MATADOR DO OLIMPO

    Ao desdobrar seu manto a crócea Aurora,

    No vértice do Olimpo cumioso

    Junta o Fulminador a etérea corte;

    Acena, e escutam-no:

    "O que em mim resolvo,

    Celícolas, sabei; nem deus, nem deusa

    Renua, mas unânimes concorram

    Para os projetos meus cumpridos serem."

    Homero, Ilíada, Livro VIII

    Tradução de:

    Manoel Odorico Mendes (1799—1864)

    www.ebooksbrasil.org/adobeebook/iliadap.pdf

    ––––––––

    Capítulo 1

    O sol intenso que iluminara a Grécia acabara se pôs no mar.

    Foi um por do sol magnífico. O modo como a luz saltara sobre as ondas, colorindo com tons de fogo as águas da Baía de Vathy, foi espetacular.

    Um deleite para os olhos, pensou Stacy ao passar pelos pequenos barcos de pesca coloridos, todos alinhados à espera de seus donos, antes de saírem para a pescaria noturna.

    Stacy percebeu que era realmente a primeira vez que conseguia ficar realmente sozinha, desde que o divórcio fora concluído em Los Angeles. Suas amigas socialites a persuadiram a fugir de tudo e, já no dia seguinte, estavam a caminho da ilha grega de Rodes.

    Era tudo tão calmo e tranquilo no rochedo onde ela se sentara para olhar a lua cheia. Observou a silhueta dos barcos parados, adormecidos ao longo do horizonte, antes de tirar seus sapatos de salto alto vermelhos, autênticos Manolo Blahnik, para cuidadosamente descer até a areia dourada daquela praia que os rochedos mantinham isolada do resto do mundo.

    A solidão lhe dava uma sensação um tanto estranha, depois de ter estado rodeada de multidões de todas as idades e cores imagináveis, poucos dias atrás em Failiraki, no maior clube de Rodes. Depois de Rodes, a turma foi para a ilha de Cós, onde a festa continuou a todo vapor. Ela sorriu ao se lembrar de todos enfileirados no balcão do Jacksons Beach Bar dançando a noite inteira. Agora apreciava a serenidade que a ilha de Samos lhe oferecia. Jennifer, Ginger e as outras amigas haviam feito um trabalho magnífico em levá-la por um giro pelas ilhas gregas, saltando de ilha em ilha, como Ginger definia, para ajudá-la a se esquecer dele. Ele. Ficou pensando em quê O Deus estaria fazendo naquela hora. Era assim que todos o chamavam na empresa.

    Todos... menos eu! pensou ela. Lá no fundo ainda tinha alguns sentimentos, mas não conseguia aguentar mais o sofrimento de ficar junto dele. Traidor sem vergonha, pensou e fechou os olhos.

    — Linda noite! — uma voz vinda de trás interrompeu seu devaneio.

    Assustada, ela soltou um gritinho, deu um salto para ficar em pé e se virar para a direção de onde viera a voz.

    — Desculpe. Não quis assustá-la, — o belo homem de cabelos negros se apressou em dizer, com o luar refletindo nos seus brilhantes olhos verdes ao bruxulear pelo seu rosto.

    — Não me assusto facilmente, — respondeu ela, tentando recuperar o fôlego. — Você me pegou desprevenida, nada mais. Há quanto tempo está aí?

    — Ah, não estava de tocaia, Vim aqui para escrever, — brincou ele, com sua voz suave e relaxante.

    O rosto dela se iluminou quando ele sacou uma caneta Parker prateada e um fino bloco vermelho da mochila.

    — Mora aqui? — perguntou ela.

    — Ah, não, cheguei há umas semanas. Também estou em férias, sozinho. Tom Smith, — apresentou-se, estendendo a mão direita.

    — Stacy Anderson, — respondeu ela.

    Sua mão se encaixou perfeitamente na dele. Dava uma sensação estranha voltar a usar seu nome de solteira. Mais estranho ainda era sentir-se à vontade com um homem que mal acabara de conhecer.

    Ginger ficaria muito orgulhosa ao vê-los sentados lado a lado na areia, simplesmente batendo papo enquanto o Mar Egeu acariciava seus pés.

    — E o que você escreve? — perguntou Stacy.

    — É um livro de suspense! — disse ele, fazendo uma voz profunda para dar um tom lúgubre.

    Os dois riram. Fazia tempo desde a última vez que ela rira espontaneamente.

    — Adoro suspense! — disse ela com certa empolgação de paquera.

    Foi a última coisa que Stacy Anderson disse na vida. Quando a faca rasgou seu peito e penetrou no seu coração, Stacy tentou pegar fôlego para gritar, porém a mão de Tom foi mais rápida em cobrir sua boca. Com a mão direita, ergueu a faca mais uma vez, e a lâmina refletiu o luar. O sangue pingava da ponta afiada quando ele a esfaqueou mais uma vez, com mais ímpeto, e com um entusiasmo mais evidente em seus diabólicos olhos verdes. Todos os sete golpes foram desferidos contra o coração. Tom inclinou-se sobre ela e lentamente desabotoou sua blusa ensanguentada, demorando um pouco até dirigir sua atenção para o botão da calça jeans.

    Examinou seu magnífico corpo nu, tocando suavemente seus seios artificiais. Eram perfeitos, provavelmente o melhor silicone que o dinheiro podia comprar.

    Então, movido por uma fúria selvagem, enterrou a faca inteira entre as pernas de Stacy, antes de rasgá-la violentamente forçando a lâmina para cima. Comparou, e ficou satisfeito ao ver que a romã que trouxera na mochila iria se encaixar. Ficou parado em pé, admirando a sua obra. Então foi até o mar, entrou na água e, com um sorriso de satisfação no rosto, se afastou a nado.

    *****

    Capítulo 2

    Eram 8h47 da manhã e, como sempre aqui na Grécia, eu estava adiantado. Cheguei a rir da ideia de que a vida em Nova York me tornara ligeiro. Aparentemente os anos que passei como detetive de homicídios na Big Apple haviam deixado marcas em mim. Atenas também era uma selva, porém uma floresta menor do que a anterior onde eu vivera. Uma hora atrás eu recebera um telefonema de uma das charmosas secretárias da central de polícia.

    — Capitão Costa Papacosta?

    — Sim?

    — Bom dia, — disse ela com um de rotina, informando que o chefe havia solicitado a minha presença.

    Meu escritório na Athinon Avenue, onde ficava o departamento de investigações, iria prescindir da minha presença hoje. Eu deveria estar na central de polícia às nove em ponto.

    — De quê se trata? — disse eu, quando consegui interromper a enxurrada verbal da moça. Os gregos falam rápido, mas essa garota é campeã.

    — Esteja lá às nove. Tenha um bom dia, capitão, — disse ela, e o telefone ficou mudo.

    Capitão. Ainda não me acostumara a ser chamado de capitão. Desde que saí da polícia de Nova York há dois anos, voltei às minhas origens e entrei para a polícia da Grécia, como Tenente Costa Papacosta.

    Era abaixo de ser detetive em Nova York, e o salário, acredite se quiser, era ainda pior, mas eu não me importava. Queria ficar longe. Além disso, a vida aqui é mais barata do que nos Estados Unidos, e dá para ver o sol todos os dias.

    O relógio na parede marcava 9h12, e eu ainda estava sentado na penumbra do corredor do último andar daquele enorme prédio cinza com centenas de janelinhas, a central da Polícia Helênica.

    Alguns minutos mais tarde, uma moça alta, com enormes olhos castanhos atrás de óculos de armação preta, vestindo um terno feminino bem justo, e com um sorriso falso no rosto veio me avisar que o chefe estava pronto para me receber.

    — Ele ficou se arrumando esse tempo todo? — perguntei, obtendo um olhar entre perplexo e zangado, tendo em vista que ela não percebera minha tentativa de fazer uma piada. Talvez aquele terno apertado não deixasse espaço para ela levar o humor consigo, ali cabendo apenas uma perfeita secretária da polícia.

    — Pode entrar, — disse ela friamente, apontando para uma porta entreaberta.

    O escritório era imenso em comparação com o meu, e só um pouquinho menor do que o apartamento imundo que eu alugara em Ampelokipoi. O chão era forrado com tapetes velhos e gastos de estilo persa. Nas paredes havia fotos de ex-presidentes, ex-primeiros-ministros, chefes de polícia aposentados, mapas da Grécia e diversos símbolos da polícia. A mesa era de madeira escura de acácia, e tudo sobre ela estava arrumado com precisão militar. A única coisa que parecia ligeiramente caseira no lugar inteiro era um porta-retratos colorido com a foto do chefe, mais jovem, brincando com seus dois filhos.

    — Sente-se, Costa. Precisamos conversar.

    Senti uma ansiedade na voz dele que eu nunca vira antes. Afinal de contas, tratava-se do homem que tirara de ação Charo, o líder do submundo! Ao menos era o que o pessoal da polícia comentava durante o café.

    — Bom dia. De que se trata, chefe? — perguntei, enquanto me acomodava lentamente na poltrona bordô diante de sua mesa.

    — Você assiste aos noticiários, Costa?

    — Na maioria das vezes, sim, — respondi, pensando na minha figura de cueca sobre o sofá de couro preto, com um kebab numa mão e uma cerveja Mythos gelada na outra, nas noites de solidão passadas diante da TV.

    — O que sabe sobre o assassinato em Chania, cinco dias atrás? — perguntou ele.

    — Turista americano. Quase cinquenta anos. Multimilionário e CEO de uma grande empresa farmacêutica em Chicago. Estava passando férias com uma moça de uns vinte anos, mais quente que o verão daqui. Também americana. Foi encontrado morto a alguns quilômetros do hotel onde estava hospedado, nos arredores de Chania. Estava completamente nu, amarrado a uma árvore, esfaqueado...

    — Esfaqueado? Belo eufemismo! A barriga e a cabeça haviam sido abertas, com suas entranhas saindo para fora, — o chefe interrompeu, e então perguntou num tom de voz mais calmo, — E o que sabe sobre o assassinato em Samos, há três dias?

    — Mais uma turista americana. Trinta e poucos anos. Rica e, pelo que sei, uma loira linda. A polícia a encontrou nua na praia, também esfaqueada.

    Percebi a semelhança logo que respondi, então o que o chefe disse em seguida não me surpreendeu.

    — Foi o mesmo assassino, Costa.

    — E o que nos levou a essa conclusão? — perguntei.

    — Sempre o detetive americano, — o chefe sorriu. — Os dois eram casados até uma semana atrás. Uma jovem tenente lá em Creta fez a ligação. Entenda, a mulher estava viajando com seu nome de solteira. Recebi os relatórios do laboratório hoje cedo, confirmando que os dois foram golpeados pela mesma lâmina. O nome da tenente é Ioli, ela estará esperando por você em Creta amanhã.

    Foram essas as palavras que mais me chocaram.

    — O quê? O que eu tenho a ver com tudo isso?

    O chefe me encarou diretamente e falou como um pai quando explica ao filho que há coisas que é preciso fazer, goste delas ou não.

    — Você era detetive de homicídios, em Nova York. Já viu coisas bizarras na vida.

    — Coisas bizarras? Eu não...

    — Nós escondemos os detalhes mais horripilantes da imprensa, — reconheceu ele, inspirando profundamente e terminando com um longo suspiro.

    — A cabeça do homem foi cortada ao meio, e o cérebro dele também.

    Olhou para mim para ter certeza de contar com toda a minha atenção e acrescentou:

    — O filho da mãe rasgou a vagina da moça com uma faca e enfiou uma romã inteira dentro dela.

    — Uma... o quê?

    — Você me ouviu, Papacosta! É julho. Há mais turistas do que moradores nas ilhas. As duas vítimas eram americanas, e é provável que as possíveis testemunhas também sejam turistas. Quero você neste caso. Sem conversa. Pegue sua passagem com a Helen lá fora e mantenha-me informado.

    Antes de eu poder dizer qualquer coisa, já estava no carro, com a passagem de avião e os arquivos do caso no banco de trás do meu Audi A3 preto de segunda mão, a caminho de casa para fazer a mala.

    *****

    Capítulo 3

    O voo 308 da Olympic Airlines aterrissou às nove da manhã no pequeno aeroporto de Chania, a segunda maior cidade da ilha de Creta. Não gosto de voar, porque sou um sujeito alto, 1,84 de altura, e tenho ombros largos, então sou maior do que o espaço apertado que as companhias aéreas chamam de assento. Felizmente não era um longo voo internacional, apenas 55 minutos para tomar um drinque e comer amendoim rançoso.

    Peguei minha mala Samsonite preta e puxei-a rodando atrás de mim para fora do aeroporto.

    Ioli Cara não era como eu esperava. Não me entenda mal. A Grécia tem algumas das mulheres mais lindas que eu já vi na vida. A questão é que não é comum ver essas beldades investigando homicídios.

    Era alta, quase da minha altura, e com aquele tipo de magreza perfeita. Não era magra a ponto de ficar desinteressante, mas aquele tipo de magra saudável e atlética. Seu nome realmente lhe caía bem. Ioli era uma princesa da mitologia, e Cara significa negro em turco. Tinha longos cabelos pretos, lisos e brilhantes, daqueles de propaganda de xampu, olhos escuros e sedutores, e pele bronzeada. Provavelmente era uns 15 anos mais nova do que eu, devia ter uns trinta e poucos anos. À medida que ela caminhava com autoconfiança em sua calça jeans bem apertada, eu via os homens se virarem para olhar, provavelmente pensando τι μανάρι είναι αυτό, um equivalente a que gata!

    — Capitão Papacosta?

    Assenti com um sorriso.

    — Ioli Cara. Estava à sua espera. Meu carro está ali adiante, — disse ela, dando meia-volta e indo em direção ao carro.

    Sem um aperto de mãos? pensei comigo mesmo, enquanto sussurrei um o prazer é todo meu e a segui, tentando não observar o corpo dela, para não causar a impressão de ser um velho tarado. Tendo colocado minha mala no porta-malas, sentei–me no banco do passageiro do seu Opel Corsa azul-marinho. Ioli colocou as mãos com firmeza no volante, e perguntou:

    — Quer ir direto para a delegacia, ou prefere antes passar na pensão onde lhe reservamos um quarto, para... se refrescar? — enquanto olhava para minha barba por fazer, cabelo desarrumado, olheiras por falta de dormir, e meu terno cinza amarrotado.

    — Leve-me aonde o corpo foi encontrado.

    — Direto ao trabalho! Este é dos meus, — disse ela, sorrindo e colocando seus óculos escuros Dolce & Gabanna da coleção Madonna.

    De carro, Chania ficava a quinze minutos dali. Cruzamos a cidade e fomos em direção à praia, onde ficava o luxuoso Atlantica Kalliston Resort & Spa, de cinco estrelas.

    — Era aqui que Eric Blair estava hospedado. O corpo foi encontrado a cinco minutos de distância, naquelas colinas.

    — Então vamos ver a nossa cena do crime.

    Pouco depois, estávamos diante de um carvalho enorme, de tronco bem grosso. Não havia nenhuma construção à vista, chegava-se lá por uma estrada raramente trafegada e, como o homicídio foi à noite, o matador teria estado sozinho com Eric.

    Abaixei-me para passar por baixo da fita da polícia, avancei mais alguns passos, e parei para processar a cena. Comecei percorrendo o local com o olhar. Havia manchas de sangue pelo chão, e os respingos da cabeça haviam pintado uma parte do carvalho de vermelho. Além do sangue, não havia nada que indicasse que algum delito tivesse sido cometido ali.

    Ioli ficou parada a meu lado, pacientemente observando meu método, ou ao menos eu esperava que estivesse. Fechei os olhos, reconstruindo mentalmente o local, tentando imaginar os movimentos do assassino. Deve ser bem forte para ter erguido Blair e carregado até o carvalho. Será que deu um sedativo para a vítima ou o obrigou a andar até a árvore e depois o amarrou?

    Voltei-me para Ioli.

    — Então Tenente Cara, você foi a primeira policial a chegar à cena do crime. Pode me dizer tudo o que viu? Por favor, não omita nenhum detalhe. Não há detalhes insignificantes quando se trata de assassinato. Eu não tinha intenção de parecer tão rígido.

    — O corpo foi encontrado na quinta-feira de manhã logo cedo por um casal de idosos a caminho do seu sítio. A coitada da mulher entrou em choque e teve de ficar internada no hospital pelo resto do dia. Felizmente o marido tinha celular e conseguiu telefonar para nós. Cheguei aqui dez minutos depois. Não se parecia com nada que eu já tivesse visto.

    Ela parou para se recompor emocionalmente, e começou a descrever o que vira. Eu fiquei parado, ouvindo tudo e anotando os fatos mais importantes no meu caderninho preto. Não quis interrompê-la naquela hora com perguntas. Precisava que ela fosse meus olhos em algo que eu não tinha visto.

    — O homem estava completamente nu, amarrado à árvore com duas cordas grossas. Uma em volta das pernas, na altura dos joelhos, e a outra em torno do peito.

    Ela se aproximou e colocou o indicador no meu estômago.

    — Ele foi cortado daqui até aqui, — disse ela correndo o dedo à volta da minha barriga de cerveja. — Foi revoltante. As entranhas deles estavam penduradas para fora. Pedaços das suas vísceras tinham caído na terra, e já estavam cheios de moscas e alguns vermes. Mas o pior era a cabeça. Parecia ter levado um golpe de machado. Foi aberta ao meio e dava para ver que o cérebro tinha sido cortado em dois. Esse matador está com a cabeça fodida de ruim, na minha opinião.

    Parou para ver a minha reação. Como eu não movi nenhum músculo do rosto, tomou ar rapidamente e prosseguiu.

    — Não achamos mais nada. E quero dizer nada mesmo. A frustração é foda. Nem um cabelo, nem uma impressão digital, nem uma porra de pegada na terra.

    Olhei para o chão e vi muitas pegadas por toda parte. Ioli rapidamente explicou que, quando chegou, toda a terra entre a estrada e a árvore havia sido alisada com capricho. As pegadas eram de colegas policiais e paramédicos que haviam recolhido o corpo.

    — Evidentemente, tirei fotos de tudo, e verifiquei o terreno inteiro antes de deixar qualquer um se aproximar, — continuou, e explicou que um colega estava trabalhando numa lista de carros alugados a turistas, mas até o momento nada de suspeito aparecera.

    — Bom trabalho, Cara. Você mesma conversou com a namorada? — perguntei.

    — Sim, eu interroguei a namorada, — respondeu ela.

    — Namorada? — repeti, imitando o jeito dela de virar os olhos.

    — Bem, para ser franca, eu não a chamaria assim!

    — E como você a chamaria?

    — A putana dele! Era uma mulher jovem, debochada, do tipo que seria-puta-se-não-fosse-tão-linda. Visivelmente, estava com ele por dinheiro. Quero dizer, o cara não era tão maravilhoso, estava casado até a semana passada, e tinha idade para ser pai dela.

    A língua da moça era certamente bem afiada. Percebi que mesmo tendo acabado de conhecê-la, eu gostava da sua atitude. Nós, os gregos, xingamos muito, mas eu nunca fui desse tipo. O treinamento da minha mãe funcionou. Sempre que escapava um gamoto! da minha boca de adolescente, vinha um cascudo rápido e fulminante da minha mãe, com uma admoestação, não precisa usar esse tipo de vulgaridade, rapaz. Lembro-me de um dia em que estava sentado na escadaria do nosso apartamento em Astoria, contando a Jimmy, o meu melhor amigo, o que minha mãe achava de palavrões. O Jimmy olhou para mim como se eu fosse de outro planeta.

    — Porra! É só uma palavra fodida. Tem até naquele dicionário grande do cacete! Se não gosta, vá se foder! — disse ele, e os dois caímos na risada.

    Jimmy era uma figura. Também era, como a maioria dos jovens do nosso bairro, o orgulho dos pais, imigrantes da Grécia. Crescemos juntos, e os dois seguimos carreira policial. Jimmy se tornara agente do FBI, como nos filmes, segundo o que Toula, sua mãe, dizia a todo mundo que encontrava.

    — No depoimento, a companheira da vítima, Lizzie McAdam, de 21 anos, disse que, depois de terem feito sexo, Eric saiu da cama, tomou um banho, vestiu-se e disse que iria dar uma volta na praia e fumar um charuto. Foi a última vez que ela o viu. Quando acordou na manhã seguinte, percebeu que ele não voltara, – contou Ioli.

    Folheei as fotos da cena do crime que ela me dera quando saímos do carro. Examinei as fotos em close da mão de Eric e notei o amarelado em seus dedos e unhas. Evidentemente era fumante.

    — Ela ainda está aqui? — perguntei.

    — Não, nós a liberamos depois do interrogatório. As câmeras de segurança do hotel mostraram os dois entrando no quarto e só o Eric saindo algumas horas depois. A suíte ficava no último andar. Ela não conseguiria sair do quarto pelo terraço. De qualquer modo, mal o conhecia, era muito miúda para tê-lo carregado e, francamente, todos nós a achamos de uma burrice irritante. Não conseguiria ter planejado tudo isso. Mas só para garantir, guardamos os dados dela e confirmamos que ela desembarcou em Nova York depois de ter saído da Grécia. A irmã do Eric deve chegar hoje para levar o corpo de volta para os Estados Unidos amanhã. Esperamos que ela nos ajude mais.

    — Então vamos ver o corpo antes de interrogar a irmã.

    *****

    Capítulo 4

    Alicia Robinson não conseguia acreditar na sorte que

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