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Amando Sarah: AS CRÔNICAS DE CAVERSHAM, LIVRO iii

Amando Sarah: AS CRÔNICAS DE CAVERSHAM, LIVRO iii

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Amando Sarah: AS CRÔNICAS DE CAVERSHAM, LIVRO iii

notas:
5/5 (1 nota)
Duração:
427 páginas
7 horas
Editora:
Lançados:
May 14, 2019
ISBN:
9781547568062
Formato:
Livro

Descrição

Ela procurava aventura, ele estava fugindo do destino.

Pretendendo participar de uma competição náutica com o

Editora:
Lançados:
May 14, 2019
ISBN:
9781547568062
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Amando Sarah - Sandy Raven

— A aventura corre nas minhas veias — começou ela. — Antes mesmo que eu nascesse, por centenas de anos, minha família já estabelecia relações de comércio com países do mundo inteiro. Por ter nascido mulher, disseram-me que não posso participar dessas aventuras. Não posso navegar pelos oceanos e escalar os picos mais altos. Foi-me permitido ter uma educação, mas não há lugar onde possa praticá-la. Esse não é o mundo em que desejo viver.

— Deixei um bilhete para que minha família não se preocupasse. E, embora você possa me considerar mimada, por dançar e frequentar festas, isso não é tudo que eu faço. — prosseguiu ela. Agora, Sarah começava a relaxar, graças ao delicioso vinho. Depois de tomar outro gole, continuou: — Quero que saiba que dedico bastante tempo como voluntária no hospital infantil fundado pela mãe de uma amiga e sua tia. Também ajudei na formação de uma biblioteca para empréstimos em nossa aldeia e, atualmente, ensino as crianças a ler em Haldenwood, nossa sede familiar.

— Isto, entre a música e as aulas de dança?

— Se quer mesmo saber — respondeu ela, indignada —, minhas aulas terminaram quatro anos atrás. Farei vinte e um anos de idade daqui a apenas dois meses.

— Hmmm... Então, já é quase uma solteirona, não?

Mesmo que o fino véu do humor tingisse a voz dele, ela ficou ofendida com o seu comentário. Ela sabia que o tempo estava passando e que já era hora de encontrar um companheiro, mas tinha passado esses últimos anos mais preocupada em se divertir do que em encontrar um marido. Não precisava de seu capitão para lembrá-la disso. Assim, jogou nele o fino livro de poesia que estava sob sua perna. Em contrapartida, ele segurou firmemente o seu tornozelo e a puxou até que suas nádegas se apoiassem na coxa dele. Com as pernas sobre o colo de Ian, Sarah sentia o calor vindo dele, irradiando através do fino tecido de lã de suas calças largas, e estava muito consciente do contato da perna musculosa contra o seu traseiro. Estava nua sob as calças que usava, e sua respiração ficou suspensa ao sentir uma das grandes mãos calejadas de Ian subindo por baixo de uma das pernas de suas calças, produzindo uma sensação de calor ao percorrer um doloroso e lento rastro até a panturrilha e vindo a descansar sobre o joelho, enquanto a outra mão a mantinha segura em sua posição.

Não havia como voltar atrás, agora. Foi para isso que o induzira, era o que ela queria. E, mais do que provável, era o que ele queria também, já que poderia ter recusado este implícito convite para um breve caso. O fato de ele não tê-la feito sentir-se desejável e digna de paixão — mas ainda assim a fazia doer por dentro, pois o amor que desejava provavelmente não estava nos planos deste homem.

Mas, naquele momento, ela não se importava.

— Detenha-me, Sarah. — O timbre rouco na voz dele pedia, quase implorava.

O olhar decidido de Ian a mantinha hipnotizada. Ela mal podia respirar, muito menos se afastar dele mas, mesmo assim, conseguiu balançar a cabeça enquanto sussurrava:

— Não.

A mão de Ian descansava sobre o seu joelho, ao mesmo tempo em que o polegar dele acariciava delicadamente a pele sensível do lado interno. Sarah afastou a outra perna e sentiu a virilidade dele enrijecida sob sua coxa. Surpreendida, respirou fundo. Sim. Era o que queria. Com as sensações que o toque dele causava e o desejo se acumulando em seu âmago, como poderia parar? O homem estava louco. Sentia a pressão crescer dentro dela, precisava apressá-lo.

Desejava o membro intumescido de Ian dentro dela, reivindicando-a e levando-a ao êxtase que, supostamente, ocorreria depois que ele se unisse a ela. Estava pronta para isso.

— Você está jogando um jogo perigoso, milady. — A voz dele era suave e rouca, ainda assim repleta de paixão. — E, com um homem que não tem uma mulher há meses. — Os dedos dele acariciaram a parte interna de seu joelho e subiram ainda mais alguns centímetros. Ela percebeu o brilho determinado nos olhos dele e os lábios contraídos. — Esteja certa de que é o que quer. Quando começo, não paro até que esteja satisfeito.

Ela sustentou o olhar lascivo dele e molhou os lábios com a ponta da língua.

— Quero...

A mão grande e quente de Ian subiu por sua coxa lentamente. Ela segurou o fôlego. O olhar dele lhe dizia que era a sua última oportunidade de detê-lo, se assim ela escolhesse. Mas o vazio ansioso nas proximidades de seu ventre decidiu por ela.

— Também desejo satisfação... capitão. — A mão dele apertou a parte interna de sua coxa, logo abaixo dos pelos úmidos, e um gemido escapou de seus lábios. Se ela nunca viesse a se casar, ou mesmo se viesse, esse seria o momento do qual se lembraria para sempre. O momento em que Ian perguntou, e ela respondeu:

— Quero você, Ian.

AMANDO SARAH

Sandy Raven

Este livro é um trabalho de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são produto da imaginação do autor ou foram usados de forma fictícia e não devem ser interpretados como reais. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou organizações reais é mera coincidência.

Copyright © 2014, Sandy Raven

ISBN: 978-1-939359-08-7

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser usada ou reproduzida em nenhum formato, sem permissão por escrito, exceto no caso de breves citações incorporadas em artigos críticos ou resenhas.

Design da capa: The Killion Group, Inc.

www.thekilliongroupinc.com

Edição: Gail Shelton

E-mail: gshelton54@comcast.net

Caro leitor,

AMANDO SARAH é o terceiro livro da minha série, As Crônicas de Caversham, e espero que você também aprecie a história de Sarah e Ian!

Apaixonei-me por veleiros na época em que crescia na costa do Golfo do Texas. Tive a sorte de ver um deles ser restaurado, ao longo de vários anos, enquanto trabalhava em um edifício ao lado dele. E, quase desde o momento em que comecei a andar, lembro-me de adorar chá quente (mesmo no verão). À medida que me tornava uma leitora voraz, descobri esse curto período de tempo, em meados do século XIX, época em que ocorreram as corridas em veleiros, viagens em que o chá era trazido da China para Londres, antes que o Canal de Suez fosse construído e as locomotivas a vapor tornassem a navegação obsoleta. Apaixonei-me por essas histórias e pelas impressões de pinturas famosas de veleiros transportadores de chá, em viagens repletas de velas de volta a Londres, com seus cascos carregados das melhores ofertas da China naquele ano. Eu sempre soube que seria uma escritora, mesmo quando era forçada a estudar álgebra, e era inevitável que viesse a escrever uma história sobre os veleiros de chá.

AMANDO SARAH e A DAMA DE LUCKY são as histórias que precisei escrever.

Devido ao calendário estar errado, aproximadamente de dez a doze anos, para coincidir com as corridas oficiais de chá, meu cenário fictício para essas viagens está aqui, quando Lucky e Ian competiam em viagens em casa. No próximo livro, menciono o aumento do número de barcos participantes das competições a partir da China.

Embora Ann McKim existisse de fato naquela época, obviamente ela não veio do estaleiro do pai de Ian, porque este não existia. Criei a Watkins Shipbuilding e a Harbour Village, na área chamada Curtis Bay, para atender à minha história.

Além disso, houve muitas maneiras de se escrever o nome do porto chinês de Fuchow (Fuzhou e Foo Chow). Escolhi usar a versão que meu editor selecionou, embora eu tenha visto as grafias acima em registros de navios e em outros documentos referentes ao comércio de chá.

O quarto livro da série, A DAMA DE LUCKY, também foi editado agora. E continua exatamente do ponto onde AMANDO SARAH termina.

Em seu livro, Lucky se apaixona por uma jovem incrivelmente inteligente, arquiteta naval que projeta navios para seu já idoso marido, dono de um estaleiro naval que constrói os famosos veleiros de Baltimore. Mary Michael Watkins é uma jovem que deseja desesperadamente conceber um filho antes que o marido venha a falecer, e ele deseja também que ela tenha um filho, porque é a única coisa que nunca conseguiu lhe dar. O homem chega ao ponto de ajudá-la a escolher Lucky como o candidato perfeito para gerar a tal criança e facilita para que os dois passem um tempo sozinhos. Sabendo que está correndo contra o tempo, e reconhecendo que há mais do que apenas uma atração comum com o capitão, Mary Michael aceita as investidas galanteadoras de Lucky, sabendo que, assim que as transações com o seu estaleiro terminassem, ele iria deixá-la e, com sorte, ela teria uma criança para criar — um filho ou uma filha que viesse a herdar o estaleiro e a fortuna do marido.

O que não contava era que fosse se apaixonar por um homem para quem família, lealdade e amor significavam tudo.

Eu adoraria conversar com você! Então, se tiver dúvidas ou comentários, estou on-line em:

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Atenciosamente,

Sandy Raven

Agradecimentos

Para a equipe do Beta: Rosetta Boydston, Mary Mallini, Melinda Hicks, Janet Firestone, Gabriella Ortiz e Donna Padilla. Senhoras, vocês são incríveis e eu as adoro. Vocês não se queixam quando necessito de uma resposta rápida.

Para o meu marido, sogra, duas filhas e, agora, um genro... eu os amo mais do que possam sequer imaginar.

E um agradecimento muito especial para Michael.

CAPÍTULO UM

Liverpool, junho de 1835

— E quanto a ela? Parece rápida, não é?

— Hmmm... Aurelia. — Ian Alexander Ross-Mackeever, neto do conde de Mackeever, meditou enquanto passeava ao lado de seu amigo Lucky Gualtiero, irmão da duquesa de Caversham. — Pode parecer rápida, mas não foi construída do jeito que eu gosto. Algo a ver com o seu formato... muito sinuosa, se quer saber. Parece que poderá desmoronar antes que a experiência termine.

— E aquela ali? Evangeline — perguntou seu amigo, cuja pele ostentava um tom bronzeado e azeitonado.

Ian voltou seu olhar para onde Lucky apontou.

— Muito pesada, e sua base é muito estreita para sustentá-la. Irá tombar com um vento forte.

— E aquela ali?

— A sua base é muito larga. Será muito lenta para virar de bordo.

— Bem, você não pode dizer o mesmo sobre aquela ali. Ela tem um casco adequado e bem proporcionado. Pelo menos, pelo que posso ver.

Ele não precisava considerar a embarcação em questão, pois conhecia bem o desenho dela. Era um projeto bem semelhante, se não igual, ao de um navio de seu pai.

— Sim. Curvas agradáveis, construção robusta, e acho que conheço seu dono. Se é quem penso, ele tem muito dinheiro, mas nenhuma habilidade ao leme. — Ele olhou para Ann McKim com admiração. — Ela foi inaugurada há cinco anos, no mesmo estaleiro que meu pai ajudou a fundar, e já quebrou recordes de travessias mais rápidas pelo Atlântico e pelo Pacífico, em ambas as direções. Mas um navio como esse poderia ter um desempenho muito melhor com o homem certo ao leme. — Suspirando, ele se virou para Lucky. — O que essa dama precisa é de um homem com uma mão macia e experiente, com a habilidade necessária para convencê-la quando ela pensar em desistir.

— Então, você acha que temos uma chance? — Lucky parou e se virou para ele.

Ian examinou a concorrência mais uma vez e assentiu.

— Oh, eu diria que as chances são muito boas. Ao lado dessa senhorita McKim, temos definitivamente os melhores barcos nesta corrida. Um pouco menores, um pouco envelhecidos, mas bem treinados. Mais importante, ambos são carinhosamente mantidos e manuseados. — Eles se afastaram da doca e dos preparativos para a cerimônia do dia seguinte. — Acredito que tudo está pronto para a manhã. Se Deus quiser, teremos bom vento.

— O tempo se manterá assim, até que tenhamos partido — disse Lucky, enquanto examinava o céu e o horizonte ao redor deles. Ian não duvidou. Ele tinha conhecimento sobre esses assuntos. Sendo um marinheiro experiente, Lucky tinha um instinto de prever o tempo só de olhar para as nuvens. — Lembre-se, minha irmã está nos oferecendo um jantar de despedida. Chegue por volta das sete.

— Estarei lá. Você sabe que eu não perderia uma oportunidade de comer comida de verdade. Qualquer coisa é melhor do que a gororoba que o Velho Will joga em um caldeirão — disse Ian, enquanto se aproximavam de uma carruagem que estava à espera.

— Você precisa encontrar um cozinheiro melhor — respondeu Lucky. — Então você iria parar de tentar roubar o meu.

O motorista inclinou o chapéu e abriu a porta para os homens.

— Você pode ir sem mim. Irei me limpar, ter certeza de que a vigilância está a postos e estarei bem atrás de você.

— Tudo bem. — Lucky deu um aceno rápido para o homem que segurava a porta, em seguida, perguntou a Ian se ele precisava do endereço novamente. Ian balançou a cabeça e pediu ao motorista para simplesmente voltar para pegá-lo depois que deixasse Lucky. — Então, eu o verei em breve.

A porta do fiacre se fechou atrás de seu amigo. Depois que o condutor preparou o cavalo para seguir em frente, Ian voltou-se para o bote amarrado logo abaixo, e remou até a Revenge, sua melhor esperança de vitória naquela corrida. Os suprimentos foram carregados no início do dia, então ele afastou o seu barco para longe do corre-corre da doca. E de qualquer sabotagem em potencial. Não que ele suspeitasse que seus colegas competidores tivessem tal comportamento dissimulado, mas nenhum cuidado seria demais quando as apostas eram tão altas. Amarrando o bote, ele subiu no convés e verificou mais uma vez se tudo estava pronto para o início da competição.

Normalmente, não teria sequer considerado perder tempo participando de uma competição, mas o prêmio de vinte e cinco mil libras era grande demais para ser ignorado. Mais importante, se ele e Lucky estavam falando sério sobre serem sócios em um empreendimento, a recém-fundada companhia Importadores de Chá do Império, precisariam de mais navios. Duas escunas de Baltimore readaptadas, apesar de um começo respeitável, não gerariam o tipo de lucro necessário para expandir seus negócios da maneira que desejavam. A única viagem de importação de chá que fizeram no ano anterior mal o deixou com o suficiente para viver depois de pagar o sinal — a metade do que eles pediram emprestado — e os salários de suas tripulações. Lucky podia não precisar do dinheiro tanto quanto ele, mas ele seria um desgraçado se deixasse seu sócio pagar até que pudessem ter lucro. Lucky já fizera o suficiente pagando a conta do estaleiro pela readaptação dos dois navios no último inverno.

Seu sonho, e o de Lucky também, era ter uma frota de pelo menos uma dúzia de veleiros, de preferência projetados e construídos de acordo com as suas especificações. Depois de estudar cuidadosamente a publicação do coronel Beaufoy, Experiências Náuticas e Hidráulicas, onde Beaufoy testou e descobriu que a teoria da hidráulica de Newton era improvável, Ian começara a desenhar seus próprios projetos de casco. Com o fim de maximizar o espaço do casco para a valiosa carga, a ideia de Ian foi primeiramente simplificar o desenho do casco; depois, em fazê-lo mais longo e profundo na quilha; então, eliminar a total dependência do lastro e usar placa de chumbo na quilha, em conjunto com o mínimo lastro interno para a estabilização. Ele estava animado e ansioso para testar a sua teoria. Se funcionasse, sabia que mudaria para sempre a maneira como os cascos eram projetados e construídos. E o seu pai, onde quer que a sua alma descansasse, ficaria orgulhoso.

Tendo crescido com um arquiteto naval como pai, um homem que projetou e construiu cascos de veleiros, Ian sabia que os estaleiros navais de Nova Iorque e Baltimore estavam mais dispostos a construir projetos experimentais; enquanto que, em Aberdeen e Halifax, estavam mais dispostos a insistir que os projetos testados e comprovados, que tiveram uma fabricação de muito sucesso nos últimos vinte anos, eram melhores. Ian sabia que seu projeto era promissor, assim como seu parceiro. Iria distrair Lucky e fazer com que os estaleiros da Aberdeen olhassem os desenhos, mas Ian sabia que eles provavelmente teriam que voltar à América para construí-los.

Ian dirigiu-se para sua pequena cabine, parando para pegar um balde de água fresca do barril perto da escada do tombadilho. Verteu um pouco na bacia de metal, colocou o balde perto do lavatório e depois tirou a roupa. Mergulhou a cabeça na tigela e começou a se lavar. Um dia, gostaria de ter uma casa com um quarto de banho adequado. Não haveria mais necessidade de jogar água fora pelas janelas da popa nem de encher os lavatórios. Sem necessidade de tomar banhos frios, exceto quando estivesse no mar. O pior de tudo foram os momentos em que precisou se banhar com água salgada, pois isso sempre o deixava com uma sensação de estar grudento e com coceira. Por essa razão, entendia por que alguns dos tripulantes ficavam sem banhos durante esses tempos.

A vida no mar não era o sonho romântico e aventureiro que imaginara. Mas essa era sua realidade nos últimos cinco anos, desde que deixou a universidade. Ele supôs que poderia viver de renda e alugar quartos em algum lugar, assim como fizeram outros com situação financeira similar. Mas Ian era americano demais para isso, como Lucky lembrou a ele naquelas raras ocasiões que ele reclamava em voz alta. Podia ser o neto do conde Mackeever, antigo comandante da Marinha Real e um herói que foi gravemente ferido no cerco de Charleston, salvando as vidas de seus marinheiros enquanto o seu navio afundava. Mas ainda era o filho americano de um arquiteto naval de Baltimore, que projetou navios para os americanos durante sua segunda guerra pela independência — uma das duas razões pelas quais seu avô o odiava, e que o velho maluco o lembrava sempre que Ian o via. Claro, depois do incidente, Ian não o vira mais.

Sim, o homem com quem compartilhava o sangue o desprezava por causa disso. Nunca deixou de lembrar a Ian que sua mãe era uma criada na casa dele e que o seu pai foi um traidor da Grã-Bretanha e o responsável pela morte de muitos e bons marinheiros britânicos, talvez até mesmo a do seu tio.

Mas havia outro motivo pelo qual o velho o odiava. Um motivo tão sombrio e vil que Ian nunca contou a ninguém, nem mesmo ao seu melhor amigo. O segredo existia apenas entre ele e seu avô e, quando o velho bastardo morresse, Ian estaria livre para viver uma vida normal. Ou, tão normal quanto o herdeiro de um conde escocês, nascido na América, poderia viver.

Vir para a Inglaterra quando criança não foi fácil. Algumas pessoas, ele aprendera ao longo dos anos, tinham boa memória, especialmente quando haviam perdido entes queridos. E, na medida em que seu pai desempenhara um papel fundamental para acelerar a partida deles para a outra vida, tornou-se ainda mais difícil encontrar um rosto amigável na escola e, depois, na universidade. Frequentemente, Ian achava que era o único estrangeiro indesejado na escola. Somente em Oxford, onde conheceu Luchino Antonio Francesco Gualtiero, o Conte di Loretto — Lucky para aqueles que o conheciam —, que ele encontrou um espírito afim. Seu novo amigo era, da mesma forma, um forasteiro, por causa de sua aparência morena e mediterrânea, na mesma medida que Ian, com o seu sangue americano. Foi neste ambiente que ele e Lucky se tornaram amigos e, logo depois da universidade, parceiros de negócios.

Agora, aos vinte e cinco anos, Ian tinha o mundo inteiro diante dele. E nenhum lugar para chamar de lar, exceto aquele navio. Não era britânico porque nascera na América, mas não era mais americano porque já não possuía mais nada lá, desde que seu pai morrera doze anos antes, quando Ian tinha treze anos. Na última vez em que vira seu pai, Ian tinha doze anos e fora forçado a embarcar em um navio para a Inglaterra para viver com o avô e duas tias que cuidariam de sua educação e preparação adequadas, para que ele ocupasse seu lugar na sociedade como herdeiro de seu avô. Fora algo contra o qual lutara com todas as suas forças de garotinho, sem sucesso.

Abrindo seu armário, lembrou-se do forro de cedro que ainda precisava ser substituído, enquanto retirava sua roupa boa. Os reparos dentro de sua cabine tiveram pouca prioridade durante as reformas mas, agora, enquanto examinava suas melhores calças para se certificar de que não estavam comidas por traças ou rasgadas, decidiu que eles precisavam subir na lista. Verificou o casaco e a camisa de linho, procurando também por pequenos buracos, não viu nenhum e sorriu. Erguendo o único colete que possuía, notou que a costura na borda da lã que se unia ao cetim estava se desfazendo, mas sabia que o defeito permaneceria escondido pelo casaco.

Se, algum dia, ele planejasse assumir o seu lugar na sociedade, precisaria prestar mais atenção em suas roupas. Ian devia isso às irmãs de seu pai, não seria um constrangimento para elas, especialmente depois de tudo o que fizeram por ele ao longo dos anos, desde quando o pai o mandou para uma educação formal, visando patrocinar sua entrada na sociedade. Eventos como este jantar com a família de Lucky, certamente se tornariam mais comuns à medida que eles se fossem mais bem sucedidos. Precisava pensar naquela noite como uma oportunidade para polir seus modos e se acostumar com o mundo em que não nascera, mas no qual agora se via como uma parte relutante.

O sucesso faria com que suas tias, duas velhinhas que adorava, ficassem orgulhosas. Até então, precisava parar de perder tempo se preocupando com o ódio de seu avô.

* * *

Lady Sarah Eileen Halden baixou o olhar quando seus irmãos discutiam sobre a próxima corrida, para que não vissem a alegria em seus olhos, enquanto seu plano final começava a se delinear. A casa alugada em Liverpool, que a família alugara pelos meses seguintes não era nem de longe tão grande ou opulenta como a Caversham House ou Haldenwood, mas tinha algo que lhe serviria bem esta noite. Ela a observara logo após chegar e examinar seu quarto temporário. Ela tinha uma sacada que estava a apenas a cerca de três metros acima do solo. Sarah podia facilmente subir no parapeito e descer. A queda, depois de baixar o corpo o máximo possível, não seria muito mais do que o salto que dava de sua árvore favorita em casa.

Ela via isso como um sinal de que estava destinada a ir com Lucky nesta corrida.

— Ian e eu consultamos os mapas diversas vezes e já traçamos nosso rumo. — Lucky apontou para algo no mapa que o irmão de Sarah, Ren, o duque de Caversham, espalhara sobre a mesa na sala de visitas onde todos se reuniram, enquanto esperavam que o último dos seus convidados para o jantar chegasse. — As duas tripulações estão conosco desde o ano passado. Eles trouxeram a nossa carga de chá e são todos marinheiros veteranos. A maioria cruzou o Atlântico pelo menos uma vez e, alguns, várias vezes. Então, estamos muito confiantes nas habilidades de todos.

— Bom — disse seu irmão, Ren. — Eu sei que este é um desafio excitante para você, mas lembre-se de não forçar seu barco mais do que ele pode suportar. Mesmo se você não vencer esta corrida, saiba que eu o financiarei.

— E eu também, Lucky — disse o marido de Elise, Michael, o conde Camden e cunhado de Sarah.

— Aprecio sua oferta, Ren, de verdade. E a sua também, Michael. Mas isso é algo que quero fazer sozinho, e Ian acha o mesmo.

Nesse momento, o mordomo anunciou a chegada de Mr. Ian Alexander Ross, parceiro de negócios de Lucky e seu amigo de longa data. Quando Sarah olhou para cima e encontrou os olhos dele, poderia jurar que seu coração saltou várias vezes e sua boca ficou seca. O homem estava muito mais bonito do que se lembrava. Seus olhos castanho-esverdeados encontraram os dela e ela rapidamente se virou e tomou um gole de seu vinho de sobremesa.

Já fazia mais de um ano desde que o vira pela última vez, na noite em que ele veio jantar na Caversham House antes de sair para sua viagem à China. Ela se lembrava, sem dúvida, já que a Temporada de Inverno estava em curso e ela pensou que era uma pena que ele não estivesse por perto para divertir a ela e às suas amigas. Afinal de contas, certamente ele era bonito o suficiente na ocasião mas, agora, ele era Adônis ganhando vida. O tempo parecia tê-lo tornado mais bonito e forte. Seus ombros estavam mais largos e seu rosto ganhou um brilho saudável. Seus cabelos louros escuros tinham generosas mechas douradas, de uma maneira que só poderiam ter surgido como resultado do sol em mar aberto, assim como os cabelos dela, quando ela era apenas uma garota navegando em sua pequena corveta ao redor do lago em Haldenwood, fingindo ser uma grande exploradora.

Forte e lindo. Essas foram as únicas palavras que ela pôde pensar quando o olhou novamente. Sem dúvida, sua aparência de deus viking eram a causa dos pequenos tremores que percorriam o seu corpo toda vez que olhava para ele. Ela sentiu que, talvez, se passassem mais tempo juntos, uma infinidade de emoções e sentimentos poderia ter a chance de se desenvolver.

Sarah precisava parar de pensar nele desta maneira. Mesmo sendo tão atraente quanto o homem era, ela não tinha tempo para romances, agora. Tinha que velejar em uma competição com Lucky. Quando terminasse, poderia ceder e verificar para onde um flerte poderia conduzi-la.

De onde estava, meio virada na direção dele, observou-o secretamente, enquanto ele cumprimentava alguns dos outros convidados, e lentamente se dirigia para onde ela estava com seu irmão Ren, seu cunhado Michael e seu concunhado, Lucky. Enquanto ele caminhava, percebeu que o traje de noite dele estava um pouco fora de moda, mas não diminuía sua intensa vitalidade. Antes que se sentisse embaraçada, saiu de perto de Ren, Michael e Lucky e procurou a companhia de sua cunhada, onde esta se encontrava sentada com um grupo de senhoras.

A conversa entre as mulheres logo se voltou para os acontecimentos na cidade, agora que a temporada estava quase no fim.

— Minhas meninas ainda estão na cidade com a tia delas — disse lady Vance —, e se recusam a ir embora. Agora que minhas duas sobrinhas estão casadas, minha irmã está apreciando levar minha filha mais velha durante os eventos da temporada.

Sarah circulava em um grupo diferente de Miss Vance, pois os amigos da menina mais jovem faziam um tipo mais intelectual. Mesmo assim, sorriu educadamente, lembrando o quão emocionante a primeira temporada foi para ela também. Realmente, apreciara sua primeira e mesmo a segunda temporada. Então, suas amigas começaram a se casar, deixando-a ao começarem suas próprias famílias. E, a cada ano, sua tolerância quanto à superficialidade da temporada ficava cada vez menor. Em sua cabeça e coração, ela estava sempre em outro lugar. Suas amigas sabiam disso e os homens que ela conhecera o sentiam, sendo o motivo pelo qual, aos vinte e um anos, ainda estava solteira, sem uma perspectiva no horizonte.

Havia muito que Sarah estava ficando entediada com sua sorte na vida. Ansiava por aventura. Precisava ver o mundo. Ao crescer, sempre questionara por que os homens eram respeitados quando se aventuravam com sucesso fora dos limites que lhes foram estabelecidos pela sociedade, mas nunca as mulheres. Por que a reputação de uma mulher ficava em frangalhos quando ela fazia algo ousado e aventureiro, e a de um homem, não?

No ano anterior, pensara em viajar clandestinamente com Lucky para a China, mas ficou com medo de realmente fazê-lo. Aquele medo era a única coisa que a mantinha dentro de sua confortável gaiola dourada — o medo de não ser aceita depois de voltar de sua grande aventura. Mas não neste ano.

Faltando apenas algumas semanas até o final de sua terceira temporada, Sarah estava começando a sentir que seu destino poderia estar em ficar solteirona, por causa desses desejos desesperados. Sabia que era exigente, mas não estava disposta a comprometer suas exigências quanto a um marido. Não apenas ele deveria apreciar aventuras tanto quanto ela, mas também seu beijo deveria deixar seus joelhos bambos e fazê-la torcer os dedos dos pés — algo que sua irmã e cunhada lhe contaram, sobre como souberam que seus maridos haviam sido feitos para elas.

Então, a menos que — e até que — ela encontrasse esse homem, não consideraria casar-se. Preferia permanecer como a parente excêntrica aos olhos de sua família. Porque nunca cederia nesses dois requisitos.

Sua decisão a fez agarrar esta oportunidade de aventura e dar as costas para a cautela.

— Você está quieta, irmãzinha — disse Elise, enquanto se aproximava de Sarah, que estava à margem do grupo de damas. — Você está com um olhar melancólico. Em que está pensando?

— Imaginando por que não nasci homem. Invejo Lucky.

Lia reprimiu uma risadinha.

— Você seria um homem muito efeminado, e não muito atraente para as mulheres, atrevo-me a dizer.

Sarah encolheu os ombros.

— Você sabe o que quero dizer. Tenho que voltar a Londres e retomar a temporada. E farei isso, desejando o tempo todo estar competindo com eles.

— Como senhoras, nossas recompensas estão em casa – cuidando de nossas famílias, amigos e vizinhos. — disse Lia. — Nosso legado são as crianças que criamos para continuar depois que formos embora. Nunca havia pensado desse jeito até ter Isabel e precisar ser um modelo para ela. — Sua cunhada lhe voltou o olhar e pareceu estudar o rosto de Sarah. — Acho que, na próxima temporada, devemos nos concentrar mais em encontrar um par para você. Devemos conversar com Ren sobre isso, assim que Lucky partir. Acho que você está pronta para casar, agora que a temporada social não a atrai mais.

Elise concordou.

— Lia está certa. E, a partir de minha própria experiência, assim como acontece com uma potranca nervosa, um bebê acalmará esse seu espírito inquieto.

Sarah queria protestar e lembrar suas irmãs a respeito das histórias que ouvira sobre a juventude de Elise, mas a sineta do jantar tocou e todos os convidados entraram na sala de jantar, ocupando seus lugares. Sarah descobriu que seu companheiro de jantar, à sua direita, era o sócio de Lucky, o Sr. Ross-Mackeever. A princípio, ter o belo navegador aventureiro ao seu lado fez com que seu pulso acelerasse. Mas não demorou muito para que ela percebesse que não era porque ele navegara ao redor do mundo, mas que era o próprio homem que despertava seus sentidos. O leve perfume de cedro e limão flutuou em sua direção e ela inalou, trêmula, antes de olhar para ele.

Ela sorriu.

— Então, Sr. Ross-Mackeever, você deve estar animado. Lucky estava, enquanto conversávamos, logo antes da sua chegada. E deve ser bom voltar para sua casa. Mesmo que seja por apenas um dia.

— O destino da competição é Nova Iorque. Gostaria de ter tempo para visitar Baltimore, mas, com toda a honestidade, não há razão para que eu volte lá ainda.

— Oh. Então o senhor planeja fazê-lo, um dia?

— Se vencermos esta corrida, provavelmente retornarei para que o amigo de meu pai construa nossos dois novos veleiros. Não há estaleiro melhor na costa leste.

— O senhor poderia mandar construir seus navios aqui. Tenho certeza de que Sua Graça pode fazer as apresentações necessárias em Aberdeen. É onde a empresa de importação dele tinha sua base, antes que ele a comprasse de seus primos e mudasse as operações para Londres. Tenho certeza de que nossos parentes provavelmente conhecem um ou dois construtores de navios.

— Esse foi um dos lugares onde pretendíamos consultar sobre a construção de veleiros personalizados.

Os lacaios começaram a servir a sopa e Sarah escutou enquanto os homens continuavam seu discurso, começado antes do jantar, sobre as oportunidades de comércio e importação, agora que a Companhia das Índias Orientais perdera seu monopólio como únicos importadores de chá para a Grã-Bretanha. Conversas sobre finanças, comércio e a importância da diversificação pairavam sobre a mesa.

Sarah sentia-se trêmula pela presença do sócio de Lucky. Ou era a emoção da competição? Não tinha certeza. Moveu o garfo pelo prato enquanto ouvia a conversa, tentando esconder sua ansiedade. Sarah não tinha certeza se sua excitação vinha de seu

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