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Caio e Léo

Caio e Léo

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Caio e Léo

notas:
4.5/5 (2 notas)
Duração:
197 páginas
3 horas
Editora:
Lançados:
Jun 14, 2020
ISBN:
9781547567683
Formato:
Livro

Descrição

Caio é um adolescente gay assumido que se apaixona pelo maioral da escola onde estuda. Léo o maioral da escola acaba por descobrir sua verdadeira sexualidade ao se envolver com Caio. Juntos eles passam por varias situações tipicas da problemática adolescente.

Editora:
Lançados:
Jun 14, 2020
ISBN:
9781547567683
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Caio e Léo - Levi Brito

Caio e Léo

Levi Brito

Levi Brito 2018  Todos os direitos reservados

DEDICATÓRIA

Dedico esse livro ao meu companheiro Francisco, minha eterna paixão.

Sumário

Capítulo 1 – O que você está olhando?

Capítulo 2 – Façam silêncio

Capítulo 3 – Entendendo

Capítulo 4 – Sem saída

Capítulo 5 – Finalmente

Capítulo 6 – mais Rápido

Capítulo 7 – Conselhos?

Capítulo 8 – Problemas...

Capítulo 9 – Gelo

Capítulo 10 – No Alto

Capítulo 11 – Primeira Vez

Capítulo 12 – No parque

Capítulo 13 – A tarde

Capítulo 14 – Culpado

Capítulo 15 – Encontro duplo

Capítulo 16 – Meu Léo

Capítulo 17 – Dor

Capítulo 18 – Perdão

Capítulo 19 – praia do Amor

Capítulo 20 – Forte...

Capítulo 21 – Luau dos dezenove

Capítulo 22 – Léo: Um beijo para recordar

Capítulo 23 – Léo: Amo ele e não ela.

Capítulo 24 – Léo: Depois do banheiro...

Capítulo 25 – Definitivamente

Capítulo 26 – Diego

Capítulo 27 – Apenas esperei

Capítulo 28 – O Final?

Capítulo 29 – Fim

Capítulo 1 – O que você está olhando?

Um novo ano letivo e finalmente o meu último do ensino médio. Eu não via a hora de sair da escola e partir para uma vida adulta e madura, deixando a adolescência deprimente, conflitante e cheia de dor para trás. Entrar em uma universidade onde os alunos deixam de ser alunos e passam a ser pessoas racionais e receptivas (assim espero) é o meu sonho desde o primeiro ano. As aulas iniciaram na Escola Municipal Daniel Ferreira e eu percebo que as promessas feitas em dezembro vão perder a força. Elas irão sumir à medida que tudo na escola está do mesmo jeito e aquele desânimo me toma conta.

Os mesmos tipos de alunos, os mesmos professores com suas lições de moral tentando colocar um pouco de juízo naquelas cabeças imaturas cheias de fones de ouvido. E mesmo com a chegada dos calouros do primeiro ano (carne fresca) e dos desgarrados de outras escolas geralmente particulares (que deram trabalho demais para os seus pais e não merecem mais o dinheiro suado gasto em sua educação particular), aquele ambiente não ficava mais agradável para mim.

Era sempre o mais do mesmo. Os alunos nerds, geeks, emos, não-emos, roqueiros, o pessoal alternativo, e eu. Eu não faço parte de nenhum grupo especifico. Mas talvez eu possa me encaixar no grupo dos alternativos. Afinal, já tive vários colegas que assim se consideravam.

Eu poderia fazer parte do grupo dos coloridos. Mas não sei se há gays o suficiente na minha escola para formar um grupo. A maioria está trancada no armário. Diferente de mim, que arrombei essa porta há muito tempo.

No primeiro ano do Ensino Médio, eu fui expulso da minha antiga escola. Eu sempre estudei em escolas públicas. Para minha sorte, foram escolas bem organizadas e que contavam com bons professores. Descobri assim que aquela frase Quem faz a escola é o aluno é realmente verdade. Porém, com o tempo, a antiga escola deixou de ser um sonho que eu perdi. Não que a minha escola anterior tenha piorado depois que eu e o garoto mais bonito de lá saímos. Mas com certeza a escola ficou menos bonita sem ele. Minha ausência, pelo contrário, não fazia tanta diferença.

O que aconteceu entre nós dois foi tão recente que ainda sinto o cheiro dele, o toque e o aperto dele em mim. Eu tinha passado o primeiro ano inteiro do Ensino Médio olhando para ele. Eu o encarava sem a menor timidez. Afinal, ele era tão bonito que até mesmo o mais hétero dos alunos da escola reconhecia isso.

Mas um dia, como em um sonho, eu consegui sair de uma terrível aula de química para fugir pro banheiro. Fiz uma cara tão convincente de que estava apertado que ela cedeu e me deixou sair.

Andando pelos corredores vazios do prédio, encontrei ele, o garoto mais bonito da escola. Diminuí o passo para ver se ele ia para sua sala, mas ele continuou no mesmo trajeto que o meu e entrou no banheiro. Levei uns instantes até criar coragem de entrar lá também. Mas entrei.

Lá dentro, tomei cuidado de não fazer barulho no chão úmido, mas para minha surpresa, ele estava encostado na parede de azulejo dos fundos. Ele me encarou quando entrei e fiquei paralisado. Não sabia o que fazer. Os garotos geralmente iam direto para o mictório sem pudor algum. Outros mais tímidos, mas não necessariamente gays, iam para as cabines sanitárias.

Eu abaixei a cabeça e fui caminhando devagar para a cabine mais perto, me sentindo uma presa na frente de um caçador. Quando eu entrei, foi tudo muito rápido.

Ouvi os passos dele se aproximando de onde eu estava. Então, ele abriu a porta da cabine e me encarou. Quando percebi, eu tinha tirado a camisa dele e ele a minha. Ele me beijou, e quando as minhas mãos descontroladas foram deslizando para o seu cinto, alguém entrou no banheiro.

Com certeza, esse alguém nos ouviu e percebeu que tinha alguma coisa errada. Foi até a nossa cabine, empurrou a porta e nos flagrou. Era um funcionário da escola. Ele estava com os olhos e boca bem abertos de espanto. "O que vocês estão fazendo fora da sala de aula?" ele gritou. O bonitão e eu nos olhamos. Eu ainda estava com as mãos prestes a desabotoar a calça dele.

Claro que fomos levados para a sala do diretor logo em seguida. Tivemos que esperar nossos pais chegarem. Porém, antes mesmo que eles chegassem, toda a escola já estava sabendo da história dos dois garotos que estavam se pegando no banheiro. No mesmo dia, fui expulso.

As promessas que fiz para o meu último ano foram de me dedicar mais aos estudos e dar menos bola para coisas inúteis. Coisas inúteis como ficar horas no computador fiscalizando a vida alheia nas redes sociais. Prometi não fazer mais isso. Pelo menos, não por muito tempo. Também prometi não insistir tanto na ideia de ter um namorado. Não mais sonhar com aquela pessoa especial que você sonha em ficar junto para o resto de sua vida e que te chame de 'meu amor'. Eu não sei se quero mais isso.

Prometi focar nos estudos todos os dias, sem dar espaço para saídas desnecessárias com colegas e os colegas dos colegas. Afinal, os amigos são poucos. E esses poucos nem sempre me chamam para sair.

Não quero mais também ficar lembrando do episódio do banheiro. Pensar nisso me lembra da confiança que os meus pais perderam em mim naquela época. Meus pais sempre foram muito compreensivos com a minha sexualidade, e o flagra fez as coisas ficarem estranhas por um tempo. Para minha sorte, não muito tempo.

Meus pais eram tão compreensivos comigo que eu até me entediava ás vezes. Cheguei a pedir para minha mãe ser uma tirana cega e homofóbica só para eu saber como é ter uma família incompreensiva, fria ou fanática por opiniões da sociedade hipócrita e dos tabus religiosos. Sonhava, inclusive, com o dia em que eu levaria meus pais para um programa da tarde na TV aberta e ficaria famoso por isso. Porém, eu amadureci e enfim reconheci a sorte que tenho de ter pais que me aceitaram do jeito que eu sou.

Era o meu primeiro dia de aula depois do Carnaval e eu ainda estava na cozinha de casa, tomando café da manhã quando minha mãe disse: Filho, você chegou no seu último ano. Tenho tanto orgulho de você. Então, ela deu aquele sorriso que eu amava. Abracei ela forte e agradeci.

Parabéns, filho!, meu pai disse sem tirar os olhos do jornal matutino.

Meu pai era tão carinhoso quanto minha mãe. Ele estava sentado, bem atento ao noticiário. Meu pai sempre foi um homem muito concentrado.

Pouco antes de ser expulso da escola anterior, contei para os meus pais que eu não gostava de garotas.

– Como assim não gosta de garotas? Alguma delas te fez mal, te traumatizou, não beija bem? – Meu pai questionou.

– Não, querido! Ele querendo nos dizer que é gay – Minha mãe explicou.

– E por que não falou logo? – Ele murmurou, olhando para mim – Bom, o que eu posso dizer...

Os dois ficaram um bom tempo me observando. Pareciam curiosos, como se eu estivesse encenando uma peça de teatro. Não era essa a reação que eu esperava.

– Vocês não estão bravos? Não vão me reprimir e me expulsar de casa? Dizer que estão com vergonha ou com nojo de mim? Que não foi desse jeito que vocês me educaram? – Perguntei.

– Se é isso que estava querendo, sair de casa, pode esquecer, rapazinho. – Minha mãe avisou.

– Mas eu falei sério, eu sou gay! Vocês não estão decepcionados?

– Caio, eu fico feliz por você estar sendo sincero. A nossa maior felicidade foi ter você como filho – Ela pôs a mão em cima da do meu pai. Eu já tinha ouvido a história de que minha mãe teve dificuldades para engravidar, e que eu era o milagre deles. Era isso o que eu era. Um milagre gay. – Eu te conheço o suficiente para saber onde você quer ir e onde vai chegar. Nós não vamos te impedir de ser feliz.

Ela olhou para o meu pai. Ele respirou fundo.

– Se você está feliz e sua mãe também, eu não vejo problema algum.

– E você está feliz comigo, pai? – Perguntei, percebendo o seu desânimo.

– É claro que estou, vem cá – E me deu um abraço tímido, forçado, mas ainda assim um abraço – Fico feliz por nos contar a verdade.

Olhei para eles. Eu realmente sou um garoto sortudo por ter os pais que tenho, pensei.

– Espera aí, você já namorando? – Ele perguntou.

– Não, pai. Ainda não – respondi, um pouco desconfortável.

– E você é... ?

– Virgem? – deduzi.

– Ativo? – Ele disse ativo com tanta convicção que eu realmente não quis discordar do seu palpite. Pelo amor de Deus, como meu pai sabia dessas coisas?

– Pai! – gritei.

– Querido, isso é muito íntimo. Ele pode ser o que ele quiser ser. – Minha mãe falou.

– Eu só queria saber.

– Podemos encerrar essa conversa por aqui? – pedi, constrangido.

Era engraçado (e assustador) ver meu pai me perguntando coisas tão íntimas.

Já faz dois anos que isso aconteceu.

Terminei o café que estava tomando e me levantei para pegar minha mochila. Era início de março e, como de costume nesse país, tudo só começa de verdade depois do carnaval. Minha mochila estava cheia de livros e cadernos, como sempre.

– Não esqueceu de nada, filho? – minha mãe perguntou.

– Não, mãe.

– Boa aula, filho – disse meu pai quando atravessei a porta.

– Até mais tarde! – acenei para os dois.

Os dias de março na única capital do Nordeste que não tem litoral são realmente confusos e abafados. Minha cidade está bem no meio do estado, a quilômetros de distância do mar. Olhei para o céu cheio de nuvens um pouco cinzas. Estava bem frio para um mês de verão. No jornal da manhã, a temperatura marcava 24°C e eu quase não consegui tomar banho. Fechei os olhos enquanto caminhava automaticamente para a escola como uma formiga caminhando de volta para sua colônia. O mesmo caminho dos anos anteriores. Tentei visualizar os objetivos que deveria seguir até o final do ano para passar no exame nacional e entrar na universidade. Mas meus pensamentos logo foram interrompidos.

– Ei! – Alguém gritou e quase tropecei numa raiz de árvore que saltava do chão na calçada.

– Cuidado! Não devia andar por aí de olhos fechados.

– Oi, Deb! – Cumprimentei, desanimado.

– Já terminou todos os trabalhos? Por que eles fazem isso, os professores, duas semanas de aula em fevereiro e eles só passam trabalhos, que saco...

Deb é uma das minhas poucas amigas. Na verdade, a minha única amiga. Estudamos juntos desde a quarta série quando éramos ainda mais esquisitos do que somos hoje. Ela mudou de escola só para ficar do meu lado. Ela era bem diferente das outras garotas, tanto na atitude quanto na aparência.

Mesmo com a farda cinza da escola, ela ainda chamava atenção com o cabelo preto rebelde e o allstar vermelho com um desenho de dentes de tubarão pintados de caneta na parte da frente branca do tênis. Ela era filha única, assim como eu. De alguma forma, ela se identificava comigo por causa disso. Não saía com muitos garotos. Eles a acham esquisita demais, e ela os acha normais demais.

Um fato estranho é que eu nunca falei com os pais dela. Mesmo quando eu ia na casa dela, eles sempre estavam ocupados trabalhando. Eu só os vi uma vez, no último dia de aula da oitava série, quando eles vieram buscar ela de carro.

– Claro que terminei! Eu tive tempo suficiente para terminar todos os trabalhos, antes mesmo do final de semana. – respondi, orgulhoso.

– Hum... – Deb fez uma cara triste – Eu ainda tenho os de matemática e física para terminar. Os de português, inglês

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