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O que é criança
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E-book44 páginas40 minutos

O que é criança

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Sobre este e-book

A criança é uma miniatura do adulto? Como pensam e sentem os pequenos cidadãos do mundo? Ser criança no mundo adulto não é fácil. Cercadas por gigantes, as crianças enfrentam uma luta desleal pelo espaço e pela expressão.

Neste livro você vai ler uma radiografia dessa luta. Mais do que isso, será convidado a pensar algumas alternativas para entender, criar e conviver com o mundo infantil.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento8 de set. de 2017
ISBN9788511350906
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    O que é criança - Reinaldo Luiz Damazio

    Introdução: O espanto

    Se você perguntasse a um mestre zen o que é criança, ele provavelmente responderia com um profundo e tranquilo silêncio. Isso porque uma resposta única e definitiva não existe, assim como não existe essa criança in abstracto definitiva (com o perdão dos filósofos). Por outro lado, poderíamos brincar de dialética e dizer o que não é criança: por exemplo, um ser inferior ou primitivo, dada uma visão evolutiva e redutora de humanidade; ou então um simples organismo passivo de ser adestrado e condicionado por mecanismos sociais; ou ainda um indivíduo que sequer vem a ser alguma coisa, levando em conta nossa realidade subdesenvolvida onde o índice de mortalidade infantil se mantém assustador.

    Há alguns anos, entrando com um grupo em uma favela para fazermos pesquisa, cruzei como um bando de crianças que brincava de escolinha, com lousa, professora e tudo. Ao nos ver passar, uma menina perguntou: o que é isso?. A resposta de outra garotinha foi imediata e direta: é gente.

    Essa espontaneidade sempre me espantou. Observando atentamente as crianças, fico sempre com a sensação de que algo se perde pelo caminho. Seja o brilho dos olhos, o sorriso e a palavra espontâneos ou a criatividade fácil e corriqueira.

    Essa conversa com você vai no sentido de inverter o foco de nossa compreensão sobre as crianças. Vamos rever nossas posturas e ideias para uma nova perspectiva: tirar a criança da sua posição de objeto (dos pais, da escola, das teorias, do Estado) e deixar que ela ocupe sua posição de direito, que é a de ser um sujeito em seu momento específico de vida. Não tenho fórmulas para a execução de tal inversão, mas dialogarei com você sobre possibilidades.

    Minha proposta é passear por algumas teorias importantes para vermos o que elas dizem das crianças; em seguida pensar as práticas cotidianas onde crianças, teoria e mundo se misturam para, enfim, chegarmos à própria criança e focalizar o mundo, sob sua ótica.

    Meu pressuposto é bastante simples: entre as muitas preocupações que cercam o homem moderno deve figurar com certa ênfase a do respeito à criança. Não porque elas representem o futuro: mas porque elas são o presente. O seu presente de criança. A negligência com o presente pode significar a inexistência de futuro.

    O respeito começa pelo reconhecimento da autonomia do outro, que no caso da criança se traduz nos seus meios de apreender o mundo, de sentir seus limites, seus potenciais, seus

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