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O que é natureza

O que é natureza

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O que é natureza

notas:
5/5 (1 nota)
Duração:
87 páginas
1 hora
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350920
Formato:
Livro

Descrição

Cada sociedade construída pelo homem, ao longo dos séculos, concebeu a natureza à sua maneira, conforme o "espírito da época" e os interesses dominantes.

Percorrendo com desembaraço a história das relações entre o homem e o meio ambiente, este livro aborda a questão ecológica de maneira inteligente e original. Um convite estimulante e instrutivo à reflexão sobre um tema sempre atual e necessário.
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350920
Formato:
Livro

Sobre o autor


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O que é natureza - Marcos de Carvalho

Copyright © by Marcos B. de Carvalho, 2013

Nenhuma parte desta publicação pode ser gravada, armazenada em sistemas eletrônicos, fotocopiada, reproduzida por meios mecânicos ou outros quaisquer sem autorização prévia do editor.

Primeira edição, 1991

3ª edição, revista e atualizada, 2013

Diretora Editorial: Maria Teresa B. de Lima

Editor: Max Welcman

Preparação de Originais: Maria Esther Nejm

Diagramação e Capa: Carlos Alexandre Miranda

eBook: Ana Clara Cornelio, Bruna Cecília Bueno, João Pedro Rocha e José Eduardo Goés

Produção: Editora Hedra Ltda.

Não importa que a tenham demolido: A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

(Mario Quintana, Preparativos de viagem) para LIGIA, BEL e SOPHIA, naturezas do futuro, presente e passado, ao mesmo tempo.

Sumário

Natural, sobrenatural, artificial...

Natureza e sociedade: uma única história

A invenção da natureza

Sociedades e naturezas

Da mãe terra ao mundo máquina

A evolução e sua nova natureza

O mundo paralelo

Séculos XX e XXI: Enigmas atuais e complexidade ambiental

Século XX!!

Indicações para leitura

Sobre o autor

Natural, sobrenatural, artificial...

Aparentemente é fácil responder à indagação embutida no título deste livro.

Todos sabemos e usamos as expressões natural e natureza como contraponto àquilo que consideramos artificial. De fato, o senso comum nos diz que natural é aquilo que não é artificial. Ou, em várias outras palavras, natural é o que a natureza fez, e só ela. E artificial é o que o homem fez, mesmo que com ajuda ou com os recursos da própria natureza.

Mas a questão não é tão simples assim como aparenta. Não basta a caracterização de quem é o produtor ou o artífice de uma coisa, para que a classifiquemos de natural ou artificial.

Uma árvore, por exemplo, mesmo que tenha sido plantada no pátio de uma escola por um jardineiro, será sempre classificada de objeto natural, ao passo que essa mesma árvore, no momento em que, também por causa do trabalho de alguém, virar escrivaninha, ou livro, não só deixará de ser árvore, mas também deixará de ser natural. No entanto, não há diferença entre essa árvore e a escrivaninha, pelo menos do ponto de vista das suas origens. Ambas são fruto da natureza e ambas só existem porque algum tipo de trabalho humano as fez existir no lugar onde elas se encontram. Se é verdade que escrivaninhas não brotam em árvores, também é verdade que árvores não brotam em pátios de escolas. Mas a árvore e a escrivaninha são diferentes, se considerarmos, por exemplo, que uma é ser vivo e a outra não. É exatamente isso, são iguais e, ao mesmo tempo, diferentes. O que nos levará a ressaltar as semelhanças, ou as diferenças, e a estabelecer as identidades dessas características com aquilo que consideraremos natural, ou não, serão as convenções que adotaremos para satisfazer às nossas conveniências.

Insistir nessa ideia de que entre natural e artificial há um limite convencional não é uma forçação de barra, pois, apesar de ainda hoje não sabermos precisar com exatidão a origem da nossa espécie, ou a origem daquilo que veio resultar nela, não nos resta outra alternativa senão a de admitir o fato de que venha de onde tiver vindo, ou surja de onde tiver surgido, o homem e sua espécie são também uma obra da natureza, e só dela. Raciocínio que, diga-se de passagem, valeria também para aqueles que preferissem atribuir a uma supernatureza, ou ao sobrenatural, a origem de todas as coisas.

Se refletirmos um pouco mais sobre as idealizações e estereótipos (especialmente aqueles vinculados às aparências, aos odores, aos ritmos e aos sons das coisas e dos processos) que costumamos associar às nossas identificações do que é natureza e do que é natural, isso — de que os limites natural/artificial são convencionais — ficará mais claro ainda

Situações de calma e lentidão, o barulho do mar ou o canto dos pássaros, junto com o perfume das flores ou o odor das plantas úmidas, costumam nos deixar convictos de estarmos diante de coisas naturais, diante da natureza. Mas, essas idealizações e imagens estereotipadas que costumam associar ao natural apenas aparências florestais ou bucólicas, ritmos lentos ou suaves e sons agradáveis, arriscam-se a excluir da natureza um bom número de componentes e de características que igualmente lhe conferem realidade.

O fato é que muitos dos ingredientes da natureza, invariavelmente caracterizada por situações de calma, ordenamento, criação e progresso, também se movem por velocidades que nem em imaginação conseguimos alcançar: a luz se propaga a 300 mil km/s e o som a 340 m/s, por exemplo. O Universo, com todas as suas galáxias, sua infinidade de astros, estrelas e sistemas solares, muito pos- sivelmente se originou do caos e da liberação descontrolada da energia provocada por uma grande explosão — Big Bang — ocorrida há 15 bilhões de anos. E se quiséssemos apenas ilustrar com a própria dinâmica da natureza terrestre esses componentes velozes, destruidores e omitidos nas definições idealizadas do natural, bastaria lembrar o papel que os movimentos das placas tectônicas (os fragmentos de uma crosta totalmente fraturada) exerceram, e exercem, na conformação das grandes paisagens em todos os continentes, moldando feições de costas, arrasando montanhas e erguendo cordilheiras, ou, então, poderíamos ainda mencionar as correntes de convecção presentes nas camadas subterrâneas do planeta, cujas energias produzidas, comparáveis apenas àquelas que seriam promovidas por gigantescas explosões nucleares, são, em última análise, as responsáveis por muitos dos principais e grandes movimentos que se verificam na superfície da Terra.

Natureza, portanto, poderia ser considerada como uma espécie de totalidade complexa, em cuja dinâmica ou composição todas aquelas partes ou processos costumeiramente tidos como polos excludentes ou em radical oposição estariam contemplados, tais como: ordem e desordem, velocidade e lentidão, silêncio e ruído, micro e macro, destruição e construção, orgânico e inorgânico, natural e cultural. Mas, as definições mais comuns de natureza, no entanto, costumam editar a concepção dessa totalidade, excluindo ou omitindo partes dos polos, segundo os interesses e as capacidades cognitivas dos

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