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Subscrição de riscos e precificação de seguros - série textos didáticos

Subscrição de riscos e precificação de seguros - série textos didáticos

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Subscrição de riscos e precificação de seguros - série textos didáticos

Duração:
344 páginas
4 horas
Lançados:
22 de dez. de 2016
ISBN:
9788570526205
Formato:
Livro

Descrição

Neste livro, o autor discute os diversos métodos e técnicas relativos aos processos de subscrição de riscos e precificação de seguros que garantem o crescimento das companhias e do mercado em que operam. O texto objetiva ser referência nos cursos superiores da Escola Nacional de Seguros sobre esses temas.

SOBRE O AUTOR:
SERGIO RICARDO DE MAGALHÃES SOUZA
Engenheiro Mecânico pela Universidade Gama Filho (UGF). Mestre em Sistemas de Gestão pela Universidade Federal Fluminense (UFF/MSG). Coordenou e lecionou nos cursos de pós-graduação do IBMEC, UFF, Escola Nacional de Seguros, FGV, FUNCEFET, IPETEC-UCP, UVA, CEPERJ, ECEMAR, Estácio de Sá, Trevisan, IBP e CBV. Membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP), diretor do Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ) e colunista da Revista Venda Mais e do Portal CQCS (Centro de Qualificação do Corretor de Seguros). Sócio-Diretor da Gravitas AP – Consultoria e Treinamento, especializada em gerenciamento de riscos, seguros e resseguro.
Lançados:
22 de dez. de 2016
ISBN:
9788570526205
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Livro


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Subscrição de riscos e precificação de seguros - série textos didáticos - Sergio Ricardo De Magalhães Souza

1.1 Considerações iniciais

Alguns dizem que subscrição de riscos é uma ciência que se aprende todos os dias, e o aprendizado não se torna completo nunca, porque os riscos são moldados de forma diferente em cada empresa e por cada indivíduo. É uma verdade parcial, porque há necessidade de combinar base acadêmica com experiência tácita, para que se possa fazer um trabalho de subscrição criterioso e tornar o aprendizado didático e metodológico.

O processo de subscrição é extenso, analítico, baseado em informações de qualidade. Ao longo da história do seguro, a função de subscritor de riscos foi a mais importante em uma seguradora. Isso porque esse profissional é o responsável pela aceitação de riscos, os quais deveriam trazer receitas, e não se converter em sinistros que pudessem significar resultados adversos.

Com o passar dos anos, o mercado transferiu para sistemas informatizados as regras de subscrição, assim como as suas políticas a esse respeito. Aparentemente, isso foi confundido com a substituição do homem pela máquina. A tecnologia da informação veio para retirar as tarefas operacionais de cima da mesa dos subscritores, sobretudo padronizando a entrada de dados, permitindo que eles pudessem exercer a função de análise das exposições de riscos que lhes são oferecidas pelas empresas e pelos indivíduos, por meio dos corretores de seguros e outros canais de distribuição.

De um modo ou de outro, todo o processo de subscrição ocorre porque as pessoas e as empresas têm riscos que querem transferir para o seguro a partir de sua percepção de que não são capazes de suportar as perdas advindas de possíveis sinistros ou que é menos oneroso transferir os riscos do que financiá-los por seus próprios meios. De forma empírica ou estruturada, a transferência de riscos pode ser entendida como uma estratégia de resposta aos mesmos, mas não é a única. Também não deve funcionar sozinha, dissociada de outras que visam a reduzir a exposição aos riscos. Por sua vez, o programa de resposta aos riscos é uma das fases do gerenciamento de riscos.

1.2 Introdução ao gerenciamento de riscos

1.2.1 DEFINIÇÕES DE RISCO E INCERTEZA

As palavras risco e incerteza assumem, na maioria das vezes, significados distintos, embora, em muitos casos, apareçam como sinônimos. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, os termos são definidos da seguinte forma:

RISCO: [Do baixo latim risiku, riscu, este provavelmente do latim resecare, cortar; ou do esp. risco, penhasco alto e escarpado]. S.m. 1. Perigo ou possibilidade de perigo. 2. Jur. Possibilidade de perda ou de responsabilidade pelo dano.

INCERTEZA: [De in+certeza]. S.f. Falta de certeza; hesitação; indecisão, perplexidade, dúvida.

Outros autores definem os termos risco e incerteza conforme o que segue:

RISCO: probabilidade de excedência ou não excedência da distribuição de probabilidade de variáveis aleatórias quando relacionadas a sistemas de interesse, tanto naturais quanto artificiais, ou uma combinação de ambos.

INCERTEZA: todo tipo de erros envolvidos na relação do homem com a natureza, notadamente na determinação de informação em variáveis randômicas, no uso de métodos de resolução de problemas e na tomada de decisão.

No texto da Norma ISO 31000 – Gestão de Riscos e Continuidade dos Negócios, publicada no Brasil como ABNT NBR ISO 31000:2009, há algumas definições para uma completa e concisa compreensão do assunto, mais especificamente em um documento denominado ISO Guide 73:2009. Assim, para a ISO 31000, risco é definido como o efeito da incerteza nos objetivos.

Para melhor compreensão de cada vocábulo da expressão, o texto da norma segue com as seguintes notas:

•um efeito é um desvio em relação ao esperado – positivo e/ou negativo.

•os objetivos podem ter diferentes aspectos (como metas financeiras, de saúde e segurança, e ambientais) e podem ser aplicados em diferentes níveis (como estratégico, em toda a organização, de projeto, de produto e de processo).

•o risco é muitas vezes caracterizado pela referência aos eventos potenciais e às consequências, ou uma combinação destes.

•o risco pode ser expressado em termos de uma combinação de consequências de um evento (incluindo mudanças nas circunstâncias) e a probabilidade de ocorrência associada.

•a incerteza é o estado, mesmo que parcial, da deficiência das informações relacionadas a um evento, sua compreensão, conhecimento, sua consequência ou probabilidade.

Risco faz parte do nosso cotidiano, e o percebemos de diversas formas e sentidos. De fato, nada existiria sobre a face da Terra sem que o ser humano se expusesse a riscos. O risco do acidente, o risco de dar errado, o risco iminente e o risco de enriquecer ou não são alguns exemplos corriqueiramente encontrados na literatura técnica ou leiga e mesmo nas revistas e jornais, cujo sentido predominante é representar certa chance de algo acontecer.

Em geral, a sociedade não teme os riscos, mas sim a incerteza, sendo esse um dos fatores que podem complicar uma tomada de decisão racional. A maior parte das decisões, sobretudo as mais importantes, é tomada com base em algum tipo de previsão, o que, por si só, já coloca o fator incerteza no processo de decisão. Mesmo que o problema não exija alguma previsão, outro fator complicador é a insuficiência de informações. Dessa forma, torna-se importante uma avaliação do grau de incerteza existente no processo de decisão, ou seja, procurar uma estimativa do risco envolvido.

Não é difícil intuir que a chance de algo acontecer esteja relacionada, com certo efeito observável, a um bem ou determinada coisa sobre os quais se tem interesse, podendo ser o homem, uma espécie vegetal ou animal, propriedades, equipamentos e até mesmo negócios ou investimentos. Resta entender quais são os interesses, ou seja, como o risco interfere, ou pode vir a influenciar, e identificá-los.

Classicamente, a exposição a risco é definida como a combinação da probabilidade de ocorrência de um evento com a sua consequência, seja ela negativa ou positiva. A adequada composição desses fatores possibilita estimar o risco de uma decisão, sendo o estudo de análise de risco a ferramenta utilizada para esse fim.

Com a estimativa realizada, é possível comparar as diversas formas de expressão do risco com padrões previamente estabelecidos, fazendo-se, então, a avaliação. Daí é viável decidir sobre fazer ou não uma determinada tarefa e em que condições. Esses padrões, que definem se o grau de risco é ou não aceitável para uma determinada situação, para um determinado grupo, para a sociedade como um todo ou até mesmo para uma empresa, são absolutamente particulares, de acordo com o apetite e tolerância ao risco.

A partir do conhecimento dos riscos e da exposição das pessoas, das empresas e até do ambiente, devem ser tomadas medidas de ordem procedimental e/ou financeiras para tratar os riscos, construindo-se, portanto, uma série de respostas no tempo, que devem ser acompanhadas, controladas, monitoradas e comunicadas.

Assim, mais importante que conhecer o que significa risco é saber como gerenciá-lo, com o intuito de minimizar perdas futuras, produzindo respostas, ou tirar partido disso, no sentido de obter vantagens competitivas e, portanto, aproveitar oportunidades para conseguir resultados positivos, que vão de não perder, passam por perder pouco e até ganhar.

1.2.2 IMPORTÂNCIA E EVOLUÇÃO DO ESTUDO DE RISCOS

A importância do estudo dos riscos é bastante antiga. O dimensionamento das exposições a riscos esteve presente em cada uma das batalhas, desde a Antiguidade e também nas origens do seguro. Adquiriu uma importância maior com a Revolução Industrial e com o desenvolvimento da Indústria, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Também existiu em guerras mundiais, quando aumentaram as técnicas de análise de riscos, devido à necessidade de produzir armamentos e munições em grande escala e à velocidade sem precedentes, sem tempo para testes. A análise de riscos fez parte, por exemplo, dos estudos para substituição das asas dos caças Supermarine Spitfire e para construção das bombas nucleares lançadas no Japão.

Com a Guerra Fria, o melhoramento das técnicas teve ainda mais importância e sustentou muitos dos projetos da Era Espacial, inclusive o Projeto Guerra nas Estrelas, que se tornou bastante popular. Aos poucos, a análise de riscos foi sendo descoberta pelas indústrias, principalmente pelos setores da química e da petroquímica que, ao longo dos anos 1960 a 1990 tiveram rápida expansão devido a acidentes catastróficos, como os de Feyzin, na França; Seveso, na Itália; Flixborough, na Inglaterra; Bhopal, na Índia, e vários outros. Com isso, a análise de riscos, a engenharia de confiabilidade e os estudos de sustentabilidade acabaram se completando, proporcionando o suporte necessário ao estabelecimento de novos patamares para o desenvolvimento da gestão de riscos, da busca pela qualidade e da preservação do meio ambiente.

A essa altura, esses temas eram praticamente internos nas empresas e ficavam a cargo de especialistas, mas com a percepção de que a sobrevivência das companhias e das pessoas poderia estar ameaçada, não só por eventos catastróficos, mas também por questões tecnológicas e produtivas. Com a divulgação de fraudes corporativas, como aconteceu com empresas do porte do Barings, da WorldCom, da Enron, desenvolveu-se um braço importante para o estudo dos riscos associados ao ambiente corporativo e para a percepção de que entre os objetivos das empresas, muitas vezes declarados em sua missão e visão, há conflitos de agência com os seus gestores e com a própria função social. Isso pode significar seríssimos problemas, que chegam ao ponto de comprometer a sua própria sobrevivência, da mesma forma que grandes acidentes.

Neste contexto, o desenvolvimento do Enterprise Risk Management – ERM (Gerenciamento dos Riscos Corporativos) fez com que a visão da necessidade de gerenciamento de risco fosse ampliada, tendo como base uma série de estudos realizados no Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission – COSO, em parceria com a consultoria PriceWaterHouseCoopers – PWC, a partir de 2001, incorporando também várias outras influências internacionais. O período de desenvolvimento dessa estrutura foi marcado por uma série de escândalos e quebras de negócios de muita repercussão, que gerou prejuízos de grande monta a investidores, empregados e outras partes interessadas. Na esteira desses eventos vieram solicitações de melhoria dos processos de governança corporativa e gerenciamento de riscos, por meio de novas leis, regulamentos e de padrões a serem seguidos.

Mesmo assim, a crise de 2008 mostrou que há um enorme hiato entre o que estava no papel e a prática, sendo determinante investir na governança corporativa, na gestão efetiva e responsável dos riscos e na criação de um clima de compliance com envolvimento de toda a empresa, desde o conselho até o chão de fábrica. Tal se deve justamente porque, além dos riscos patrimoniais, os riscos do negócio tomaram um vulto muito importante e significativo, exigindo que sejam gerenciados de forma contínua.

Com a publicação da norma internacional ISO 31000 – Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios, em 2009, a partir de estudos e trabalhos que duraram mais de dez anos, finalmente existe uma linguagem comum em relação ao que é risco, gerenciamento de riscos e o que fazer para implantar programas de gestão nessa área, por meio da definição de uma metodologia comum.

Ao mesmo tempo, as empresas começaram a ser muito pressionadas por seus acionistas e pela sociedade para demonstrarem que têm estruturas robustas de gestão de riscos, sobretudo no que se refere ao acesso a capital e investimentos.

As seguradoras, por exemplo, em todo o mundo, passaram a ter a sua solvência questionada por um conjunto de regras denominado Solvência II que, entre outras diretrizes, estabelece três pilares de atuação prudencial: requerimento de capital baseado em risco (Pilar 1 do

Acordo da Basileia), de atividades de supervisão e de controles internos com foco em riscos (Pilar 2 do Acordo da Basileia) e de reporte financeiro (Pilar 3 do Acordo da Basileia), além da gestão com base em riscos. No Brasil, a Superintendência de Seguros Privados – SUSEP se encarregou de estabelecer as regras para adequação e prazos, por meio das Circulares SUSEP 517/2015 e 521/2015, que preconizam que as próprias seguradoras deverão implantar estruturas de gestão de riscos de acordo com os requisitos mínimos:

•deverá ser proporcional à exposição da supervisionada a riscos e compatível com a natureza, escala e complexidade de suas operações.

•ser alinhada com seu sistema de controles internos, independente da maneira como ambos estejam implementados na estrutura organizacional.

Definem ainda que:

•gestão de riscos: atividades coordenadas para identificar, avaliar, mensurar, tratar e monitorar os riscos de uma organização, tendo por base a adequada compreensão dos tipos de risco, de suas características e interdependências, das suas fontes e de seu potencial impacto sobre o negócio;

•tratamento de um risco: ação que uma organização adota frente a um risco, podendo ter como objetivo evitá-lo, mitigá-lo, compartilhá-lo ou mesmo aceitá-lo de forma consciente, entre outras alternativas possíveis;

•estrutura de gestão de riscos: conjunto de componentes que fornecem os fundamentos e os arranjos organizacionais para a concepção, implementação, monitoramento, análise crítica e melhoria contínua da gestão de riscos através de toda uma organização.

Percebe-se, nos dias de hoje, a exigência do estabelecimento de processos de gerenciamento dos riscos que sejam tanto robustos quanto transparentes. Essa necessidade se apresenta em qualquer segmento da sociedade e das empresas, não só pela percepção de tal premência, mas também pela imposição regulatória.

Entende-se que os riscos que ocorrem dentro das empresas são gerenciáveis, pois estão ao alcance dos mecanismos internos de gestão, e que os riscos externos, ainda que não tenham origem nas empresas, podem influenciá-las e devem, também, ser previstos. O mesmo deve se dar com estratégias para prevenir, eliminar ou minimizar os seus efeitos, pois a preservação das empresas é de interesse da sociedade como um todo, além dos próprios acionistas, diretores e colaboradores.

Os riscos podem ser positivos ou negativos. Observando-se os riscos externos, é possível saber que podem significar oportunidades ou ameaças. Assim é, por exemplo, que o risco de variação cambial pode ser encarado, ao mesmo tempo, como uma oportunidade para o agronegócio ou como ameaça para uma indústria, que depende da importação de bens de capital.

A mesma coisa acontece em relação aos riscos internos, porém destacando o quanto a empresa está ou não preparada para fazer frente às possíveis consequências.

O ambiente externo traz uma série de riscos para as empresas. Em geral:

•riscos políticos – entendidos como possíveis ameaças (ou oportunidades) trazidas pelos arranjos políticos em níveis municipais, estaduais, nacionais ou internacionais. Geralmente, ambientes políticos mais maduros e tranquilos permitem que o ambiente econômico não seja muito volátil.

•riscos de mercado – definido como a possibilidade de ocorrência de perdas resultantes da flutuação nos valores de mercado de posições ativas e passivas detidas pelas instituições financeiras. O risco de mercado inclui os riscos das operações sujeitas à variação cambial, taxa de juros, preços das ações e preços de mercadorias ( commodities ), bem como vários outros, incluindo o risco sistêmico, oriundos do meio externo.

•riscos sociais – entendidos como sinais de agravamento das condições de qualidade de vida da sociedade, piora dos sinais de desnutrição, condições precárias de moradia e saneamento e queda nos níveis de emprego e renda, tornando as pessoas excluídas das camadas economicamente ativas.

•riscos de substituição tecnológica – também denominados riscos de obsolescência, são os que envolvem a ameaça de produtos substitutos por melhorias tecnológicas, com prejuízos às empresas, sobretudo por perda de mercados e clientes.

•riscos regulatórios – advindos da mudança da legislação, com imposição de novas regras e normativos.

•riscos ambientais – quando provenientes do ambiente externo, significam a ameaça às empresas e às pessoas, por conta de mudanças na legislação ambiental ou nos padrões de aceitabilidade. Podem significar alterações de processo, sistemas e rotinas.

•riscos acidentais de origem externa (catástrofes naturais ou produzidas pelo homem) – são riscos acidentais de fora para dentro das empresas.

Dependendo das características de cada empresa e

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