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O que é brinquedo

O que é brinquedo

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O que é brinquedo

Duração:
71 páginas
50 minutos
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350197
Formato:
Livro

Descrição

Brinquedos não são apenas instrumentos que se destinam a divertir crianças. Problemas de dominação econômica, social, cultural e etária escondem-se nos brinquedos de aparência mais inocente, passando para as crianças os modos pelos quais mantemos nossa sociedade. Como se posicionar frente a isto?

Como entender as mensagens dos brinquedos industrializados, dos video games, dos brinquedos bélicos, dos jogos chamados educativos? Tentar decifrar essas questões faz parte da luta contra o aprisionamento da fantasia e reprodução eterna na injustiça.
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350197
Formato:
Livro


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Amostra do livro

O que é brinquedo - Paulo de Salles Oliveira

autor

Mistérios do brinquedo

"Poesia

é brincar com palavras

como se brinca

com bola, papagaio, pião.

Só que

bola, papagaio e pião

de tanto brincar

se gastam.

As palavras não:

quanto mais se brinca

com elas

mais novas ficam."

(Convite – José Paulo Paes)

Pode parecer estranho um livro que trate de brinquedo. Não se conhece criança que tenha alguma dúvida a respeito do tema ou deixe de reconhecer sua importância. Ademais, em matéria de brinquedo, o mais provável é que as crianças tenham mais a ensinar que a aprender. Seria um livro-brinquedo, em que o autor se propõe a brincar com o leitor? A trabalhar ludicamente as emoções? A ideia pode ser estimulante, mas requer um refinamento literário, um alvará de livre trânsito pelas letras, que o autor não possui. Não obstante, as afinidades entre brincar e fazer poesia parecem infinitas.

Aqui, entretanto, a proposta não pode ser a de transformar um livro em brinquedo, mas de analisar alguns aspectos peculiares do brinquedo no livro. É leitura que pode ser atraente a algumas crianças, mas que se destina a adultos interessados no universo lúdico.

Alguém poderia manifestar reticência: com tantos problemas graves a afetar o Brasil, vale a pena perder tempo com brinquedos e brincadeiras? Será isso sério? Sim e não, eis a resposta. A não seriedade, entendida aqui como não sisudez, é essencial para que uma brincadeira possa se realizar. Divertir-se é importante porque não nos deixa perder de vista que a vida também precisa ser vivida como brinquedo e que sempre nos oferece possibilidades de encantamento e poesia. As crianças são as primeiras a mostrar que uma das maiores qualidades do brinquedo é a sua não seriedade. O brinquedo não é sisudo para as crianças porque permite a elas fazer fluir sua fantasia, sua imaginação. E justamente por não ser pesado é que ele se torna sugestivo. Encerra uma promessa risonha, reabilitadora da inventiva e, dessa forma, percebe-se o quão significativo é brincar. Em outras palavras, a diversão que o brinquedo propicia é o jeito dele afirmar sua seriedade, isto é, de sua importância para todos nós.

Vamos imaginar crianças brincando. Se essa situação fosse marcada por um clima severo e circunspecto, dificilmente a capacidade de imaginação infantil encontraria canais de expressão e o brinquedo perderia a graça. Justo ela que reserva seus mais profundos segredos aos instantes de distensão. Felizmente, as crianças fazem do brinquedo uma ponte para seu imaginário, um meio pelo qual externam suas criações e suas emoções. O fluir da imaginação criadora dá densidade, traz enigmas, comporta leituras mais profundas, manifestações efervescentes, ricas em significados. Assim, o brinquedo adquire especial relevância e passa a ser merecedor de consideração. É essa a sua seriedade.

Certa vez se falou que toda ciência seria supérflua se o real fosse transparente. As crianças aplicam no brinquedo toda sua sensibilidade em duvidar daquilo que é dado, daquilo que é aparente. Brincando, elas recusam o imediatismo das coisas aparentes, os significados já explicitados de antemão. Para elas, aquilo que é não é. Como assim? Um carrinho não é apenas um carrinho; uma boneca não é apenas uma boneca. É tudo aquilo que a imaginação do ser brincante quiser.

Era um navio de lata de cor alaranjada, feito para andar na terra e não na água: tinha duas rodas na popa e uma na proa. Quando eu lhe dava corda, o barco saía a vagar nas tábuas do soalho e a balançar-se como se navegasse sobre as ondas dum mar escalpelado.

(Solo de clarineta – Érico Veríssimo)

As crianças em sua espontaneidade percebem desde cedo que os aspectos do mundo imediato representam tão somente uma das dimensões do real, mas não são o real. A descoberta do real é uma viagem que vai muito além do mundo das aparências. No brinquedo, a estreiteza dos significados óbvios e visíveis não é capaz de contentar as crianças, ao menos as mais curiosas. Haveria entre elas quem não seja? Querem sonhar, exercitar todos os sentidos com seus brinquedos e, junto a eles, sondar, sentir e conhecer o mundo. Nos brinquedos, exploram a invisibilidade daquilo que está bem diante de nossos olhos, mas que escapam ao discernimento dos adultos, particularmente dos que estão sempre com pressa. Tudo merece o envolvimento infantil. Desde

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