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Administração de materiais e logística

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Administração de materiais e logística

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4/5 (1 avaliação)
Comprimento:
646 páginas
6 horas
Editora:
Lançado em:
Jul 18, 2017
ISBN:
9788582454657
Formato:
Livro

Descrição

Esta obra apresenta de forma lógica e clara todos os conteúdos a serem aprendidos na disciplina de Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais dos cursos de graduação em Administração e Engenharia de Produção.
Este livro reúne conceitos de renomados estudiosos da área, estruturado em 20 capítulos, iniciando com os conceitos, objetivos, função e atividades da Administração de Materiais e logística. No apêndice encontra-se um glossário com a terminologia utilizada na Administração.
Por abranger todos os assuntos da disciplina de Administração de Materiais e logística, este livro desobriga o professor e o aluno da utilização de vários livros para cumprir o conteúdo programático.
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Jul 18, 2017
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9788582454657
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Livro

Sobre o autor


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Administração de materiais e logística - Loreni Brandalise

DEFINIÇÕES

ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS

1CONCEITOS, OBJETIVOS E FUNÇÕES

As atividades da Administração de Materiais sempre foram primordiais para fazer o produto chegar até o consumidor final. Neste sentido, o desempenho das atividades de Administração de Materiais, de modo a atender às exigências de mercado em termos de eficiência e eficácia logística, é fundamental para o alcance da vantagem competitiva sobre os concorrentes.

Com a abertura dos mercados em nível mundial e com os avanços tecnológicos mais acessíveis, os produtos atingiram um grau de qualidade bastante similar entre os fabricantes. Considerando que a meta principal de uma empresa é maximizar o lucro sobre o capital investido, seja em fábricas, equipamentos, financiamentos de vendas, reserva de caixa ou em estoques, espera-se que o investimento em estoques seja o lubrificante necessário para azeitar a engrenagem de produção e o bom atendimento das vendas. Isso exige uma eficiência logística acurada para ser competitivo.

O objetivo de uma empresa é otimizar o investimento em estoque, aumentando o uso eficiente dos meios de planejamento e controle, minimizando as necessidades de capital para o estoque. Se os investimentos em estoque forem otimizados e bem administrados, tanto em termos de negociações e estratégias de aquisição quanto de dimensionamento dos estoques e projeto de sistemas de distribuição, poderão ser significativamente reduzidos e otimizados com elevados ganhos para as empresas.

Uma Administração de Materiais eficiente é fundamental para o equilíbrio financeiro de uma empresa, o qual pode ser obtido por meio do adequado abastecimento, planejamento e reaproveitamento de materiais. Buscar a elevação de receitas à custa da redução do preço ou do alongamento dos prazos de pagamento dos clientes não é adequado. É recomendável melhorar o produto e/ou sua distribuição.

1.1 O que é Administração de Materiais

Administração de Materiais é a coordenação da movimentação de suprimentos com as exigências de operação. Seu objetivo é prover o material certo, no local certo, no instante correto e em condição utilizável ao custo mínimo¹.

Administração de Materiais é uma função coordenadora responsável pelo planejamento e controle do fluxo de materiais, e seus objetivos são: maximizar a utilização dos recursos da empresa e fornecer o nível requerido de serviços ao consumidor².

Administração de Materiais é a atividade que planeja, executa e controla, nas condições mais eficientes e econômicas, o fluxo de materiais, partindo das especificações dos artigos a comprar até a entrega do produto terminado ao cliente³.

A Administração de Materiais engloba a sequência de operações que começa com a identificação do fornecedor, a compra do bem, seu recebimento, transporte interno e acondicionamento, transporte durante o processo produtivo, armazenagem do produto acabado, e termina na distribuição ao consumidor final⁴.

Assim, a Administração de Materiais tem como função planejar, executar e controlar, nas condições mais eficientes e econômicas, o fluxo de materiais, partindo das especificações dos materiais a serem comprados até a entrega do produto terminado ao cliente. É responsável pela coordenação da movimentação de suprimentos com as exigências de operação.

O departamento responsável pelo fluxo de materiais, que começa a partir do fornecedor, passa pela produção e termina no consumidor, geralmente recebe o nome de Administração de Materiais. Este setor ainda recebe o nome de Setor de Planejamento e Controle da Distribuição ou, ainda, Administração da Logística.

1.2 Evolução da Administração de Materiais

A evolução da Administração de Materiais inicia-se pelo reconhecimento da necessidade de controle de patrimônio e dos materiais de consumo.

Ao longo do tempo, a Administração de Materiais passou por várias fases, desde a produção artesanal, em que o artesão era responsável por todo o ciclo produtivo de um item e também proprietário de todos os recursos produtivos que utilizava. Logo, artesãos começam a trabalhar com ferramentas pertencentes a proprietários de oficinas, que produziam conforme encomendas, os quais transformaram-se em empresários que trabalhavam para atender a pedidos de outros empresários do comércio.

Na era da Revolução Industrial as empresas eram organizadas em torno de três atividades básicas: (a) suprimento de capital, pessoal e material; (b) produção; (c) venda e distribuição. A organização industrial levou à compra de materiais que antes eram fabricados pelas próprias empresas, a produção especializou-se e, pelo aumento de materiais comprados, a atividade de compras transformou-se numa gerência independente da produção. Com o aumento de intercâmbio de produtos decorrentes das necessidades de mercado, a área de Administração de Materiais foi evoluindo, como mostra o Quadro 1.

Quadro 1 - Evolução da Administração de Materiais

Fonte: Adaptado de Francischini e Gurgel (2002, p.4)

1.3 Organização e Estrutura do Sistema de Materiais

O processo organizacional em administração de materiais é uniforme, mas é tão essencial para uma empresa pequena com poucos colaboradores quanto para uma grande organização.

Um Sistema de Materiais numa organização tradicional pode ser dividido nas seguintes subáreas: compras; planejamento e controle da produção (PCP); controle de estoques; almoxarifado; transporte e distribuição; e importação (Figura 1).

Figura 1 – Subáreas de Materiais

Fonte: Dias (1995).

Compras: responsável pela quantidade, prazo e custo mais favorável possível. Desde a avaliação de fornecedores, análise de valor, negociação, acompanhamento e recebimento.

PCP: Planejamento e Controle da Produção é o setor responsável pela programação e pelo controle de todo o processo produtivo. Em algumas empresas, está subordinado à Administração da Produção (não será tratado neste livro).

Controle de estoques: acompanha e controla os níveis de estoque e o investimento financeiro envolvido. Os estoques podem ser: de matéria prima, produtos em fabricação e produtos acabados.

Almoxarifado: trata da guarda física dos materiais em estoque, sua movimentação/manuseio, manutenção/conservação.

Transportes e distribuição: trata da liberação, embalagem, expedição, transportes, fretes. Realiza a colocação do produto nos Centros de Distribuição ou nos clientes e as entregas das matérias primas na fábrica.

Importação: compreende a realização de uma compra, só que no exterior. Devido aos trâmites legais e por ser uma atividade compradora, este setor está subordinado a área de Materiais. Além disso, em alguns casos, acompanha e realiza o processo burocrático de exportação, que é uma venda, porém, não realiza a venda, e sim o processo legal e administrativo da exportação.

Em algumas empresas, a estrutura se tornou mais compacta, dando-se mais realce ao setor de Planejamento e Controle da Produção (PCP). A área de Materiais é chamada de suprimentos em algumas empresas.

Suprimento: trata das atividades relacionadas com a obtenção de produtos e materiais de fornecedores externos. Incluem localização de fontes de suprimento, negociação, colocação de pedidos, transporte de saída, inspeção de recebimento, armazenagem e manuseio e garantia de qualidade. Incluem a responsabilidade pela coordenação com fornecedores em áreas como programação, continuidade de fornecimento e pesquisas que levem a novas fontes ou programas de suprimento⁵. A Figura 2 mostra um organograma de suprimentos.

Figura 2 – Organograma de Suprimentos

Fonte: Bowersox e Closs (2001).

A área de Materiais em grandes empresas pode ser encontrada em nível de diretoria, como Diretor de Materiais ou como Diretor de Suprimentos (Figuras 3 e 4).

Figura 3 Estrutura de materiais em grandes incorporações

Fonte: Bowersox e Closs (2001).

Figura 4 Estrutura de materiais em grandes empresas

Fonte: Bowersox e Closs (2001).

1.4 Interface da Administração de Materiais com Outras Áreas da Organização

Compreendendo o papel da Administração de Materiais nas organizações, independentemente do modelo de organograma, torna-se importante conhecer a interface com as outras áreas da Administração.

Financeira: pela necessidade de aporte de recursos para a aquisição dos diversos materiais necessários para a produção de bens e serviços.

Produção: por ser responsável pelo fornecimento das previsões de utilização dos diversos insumos, matérias primas e componentes necessários à fabricação dos produtos oferecidos pela empresa, considerando ainda os prazos de entrega de pedidos e previsão de recebimento.

Vendas: por representar elemento chave para definir o volume de fabricação dos produtos e, consequentemente, por estabelecer a correspondência quanto ao suprimento dos diversos itens que compõem o leque de produtos oferecidos pela empresa ao mercado consumidor.

Recursos Humanos: pela necessidade de suprir a área de Administração de Materiais com pessoal devidamente capacitado e treinado.

Informática: por apoiar e manter os registros e informações necessários aos diversos órgãos da empresa, envolvendo as várias etapas do fluxo de suprimento de bens, tanto destinados à produção quanto ao abastecimento do mercado consumidor.

Departamento Jurídico: por emitir pareceres sobre processos de compra e contratos diversos.

Qualidade: por fornecer informações sobre qualidade, especificações de produtos a serem comprados, histórico sobre a qualidade dos fornecimentos.

Engenharia de produto e de processos: por especificar novos materiais, levantamentos preliminares sobre fornecedores, preços e condições de fornecimento.

Um sistema de materiais, portanto, deve estabelecer uma integração desde a previsão de venda, passando pelo planejamento de programa mestre de produção, até a produção e a entrega do produto final. Deve estar envolvido na alocação e no controle da maior parte dos principais recursos de uma empresa: fabricação, equipamentos, recursos humanos e materiais.

Referências do capítulo

ARNOLD, J. R. Tony. Administração de materiais: uma introdução. São Paulo: Atlas, 1999.

BALLOU, Ronald H.. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1993.

BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J.. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. Rio de Janeiro: Atlas, 2001.

DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística, São Paulo: Atlas, 1985.

DIAS, Marco Aurélio P.. Administração de materiais: edição compacta. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1995.

FRANCISCHINI, Paulino G.; GURGEL, Floriano do Amaral. Administração de materiais e do patrimônio. 2.ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

FRANCISCHINI, Paulino G.; GURGEL, Floriano do Amaral. Administração de materiais e do patrimônio. São Paulo: Thompson, 2002.

GONÇALVES, Paulo S.. Administração de materiais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

MARTINS, Petrônio Garcia; ALT, Paulo Renato Campos. Administração de materiais e recursos patrimoniais. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

PIRES, Silvio R.I.. Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estratégias, práticas e caso. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2013.

2LOGÍSTICA

Por fazer parte da Administração de Materiais, muitas vezes o conceito de logística pode ser confundido, por isso é oportuno elencar alguns conceitos de logística, publicados pelos principais autores da área.

2.1 O que é Logística

A palavra ‘logística’ é utilizada para várias situações do cotidiano e serve para quase tudo, muitas vezes sem o conhecimento de seu real significado. Por essa razão, é importante conhecer alguns conceitos.

Logística é uma palavra de origem francesa logistique que significa a arte de guerrear, de planejar estratégias para vencer o inimigo ⁶, o que vai ao encontro com a definição do dicionário Webster’s⁷, em que logística é o ramo da ciência militar que lida com a obtenção, manutenção e transporte de material, pessoal e instalações.

A palavra logística origina-se do grego: logos, que significa razão, racionalidade, portanto, é a arte de calcular⁸, mas também vem de logistiki, que significa administração financeira⁹.

De acordo com o Dicionário Universal da Língua Portuguesa, logística é o ramo da ciência da guerra que trata da organização dos meios de transporte, abastecimento e alojamento das tropas. É o conjunto de meios e métodos relativos à organização de um serviço, especialmente do fluxo de materiais, antes, durante e após a produção.

Noutra visão, logística é a soma de atividades que visam maximizar o resultado de uso de materiais desde sua origem até sua oferta no ponto de vendas, aí já transformados em produtos acabados¹⁰.

Para Dias (1993, p.132),

logística é a atividade que visa coordenar o fluxo de materiais, produtos e serviços, através de equipamentos e mão de obra especializados, chegando sua responsabilidade até o serviço de pós venda, enfatizando a minimização de custos, a satisfação do consumidor e a conquista de vantagem competitiva.

Logística é o processo de gestão estratégica, aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e estoques finais (e os fluxos de informação relacionados) por meio da organização e seus canais de comercialização, de modo a maximizar a rentabilidade através da execução de pedidos, visando o custo benefício. A logística é uma orientação e uma estrutura de planejamento que visam criar um único plano para o fluxo de produtos e informações por meio de um negócio¹¹.

A Associação Brasileira de Movimentação e Logística (ABML) e a Associação Brasileira de Logística (ASLOG) adotam se seguinte definição:

logística é uma parte da cadeia de abastecimento que planeja, implementa e controla com eficácia o fluxo e a armazenagem dos bens, dos serviços e das informações entre o ponto da origem e o ponto de consumo destes itens, a fim de satisfazer todas as exigências dos consumidores em geral.

Diante dos conceitos apresentados, concorda-se que a logística existe com o único propósito de fornecer a clientes internos e externos entregas de produtos corretas no prazo certo. Portanto, o serviço prestado ao cliente é o elemento essencial no desenvolvimento de uma estratégia logística¹².

A principal função da logística é estudar e viabilizar o melhor modo para otimizar os recursos de suprimentos, estoques e distribuição dos produtos e serviços de uma organização, por meio de planejamento, organização, direção e controle das atividades da Administração de Materiais. A meta da logística é reduzir o lead time entre o pedido, a produção e a entrega de tal forma que o cliente receba seus produtos ou serviços no momento desejado, nas especificações acordadas, no local pré-determinado ao menor custo possível.

Assim, é função da logística responder por toda a movimentação de materiais, dentro do ambiente interno e externo da empresa, iniciando pela chegada da matéria-prima até a entrega do produto final ao cliente. Ou seja, a função da logística é concentrar essas quatro atividades fundamentais: (a) negociação e compra; (b) transporte e movimentação; (c) armazenagem; e (d) entrega.

A Logística Empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável¹³.

Em outras palavras, a logística empresarial inclui todas as atividades de movimentação de produtos e a transferência de informações de, para e entre participantes de uma cadeia de suprimentos¹⁴.

Observa-se que os conceitos de Administração de Materiais e de Logística apresentados pelos autores são muito semelhantes, podendo gerar dúvidas sobre o que é Administração de Materiais e o que é Logística. Para simplificar, pode-se dizer que logística é o meio utilizado para realizar com eficiência e eficácia as atividades da Administração de Materiais¹⁵.

2.2 Evolução da Logística

A logística está atrelada ao comércio assim como o crescimento dos povos está atrelado ao comércio, a novas descobertas. Desta forma, a logística é de fundamental importância para esse crescimento, uma vez que movimentar a compra e a venda de produtos sem logística é impossível.

Desde a antiguidade, a logística é necessária para realizar o intercâmbio de produtos. O que mudou foram as técnicas, equipamentos, infraestrutura, sistemas de informação e os modelos de comercialização. Entretanto, os fundamentos permanecem os mesmos, ou seja, retiramos um produto de algum lugar e o levamos para outro, com o objetivo de obter os custos mínimos para obtenção de maior retorno financeiro após sua venda.

Até 1950, não existia nenhuma filosofia para conduzir a logística. Os mercados eram locais e restritos e a preocupação com o nível de serviço e com a satisfação dos clientes não existia. As empresas dividiam as atividades-chave da logística sob a responsabilidade de diferentes áreas, como, por exemplo: o transporte era de responsabilidade do setor de produção; os estoques eram gerenciados pelo setor de marketing, finanças ou produção; o processamento de pedidos era realizado pelo pessoal de finanças ou de vendas.

Esse modo de conduzir a logística gerava conflitos de objetivos e de responsabilidades para as atividades logísticas, culminando em atendimento deficitário ao cliente, resultando em perda de vantagem competitiva. O ponto de partida para muitos dos conceitos logísticos utilizados atualmente surgiu a partir da Segunda Guerra Mundial, quando do uso do conceito de logística - a arte de calcular - pelas forças armadas da América. O sucesso militar da logística influenciou as atividades das organizações governamentais, a princípio.

De 1950 a 1970, houve grande desenvolvimento, tanto das teorias quanto das práticas da logística. Tal desenvolvimento ocorreu devido a: (a) alterações nos padrões de demanda dos consumidores, identificada por meio do censo que passou a ser realizado a cada 10 anos; migração das áreas rurais para urbanas; procura por maior variedade de produtos); (b) redução de custos nas indústrias forçados pela necessidade de melhorar a produtividade em períodos recessivos; (c) avanço na tecnologia de computadores, uma vez que técnicas gerenciais informatizadas facilitavam a identificação de economias significativas em gargalos da logística; (d) por fim, a experiência militar, especialmente a invasão da Europa, considerada a mais bem planejada e sofisticada operação logística de que se tem notícia, e que contribuiu fortemente para o desenvolvimento da logística.

A partir de 1970 até 1990, com o início da flexibilidade dos sistemas de produção com redução de set up das máquinas, sobretudo a partir de 1980, deu-se o crescimento da logística. A distribuição física por vezes não recebia a devida importância, em detrimento do alerta de Peter Drucker que, já em 1962, dizia que as atividades de distribuição eram as mais promissoras da América, mas que não recebiam a devida atenção. O crescimento da logística tornou-se revolucionário devido: (a) à explosão da tecnologia da informação; (b) a alterações estruturais surgidas nos negócios e na economia dos países emergentes; (c) à formação de blocos econômicos; e, principalmente (d) ao fenômeno da globalização.

Após 1990, com o desenvolvimento da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e da expansão da internet em todo o mundo, a logística passou a ser entendida como a junção de materiais com a distribuição física. A internacionalização proporcionou a redução no ciclo de pedidos e a terceirização de atividades logísticas. Atualmente há integração na cadeia de suprimentos, os recursos tecnológicos, os processos de colaboração entre fornecedores e clientes, reconhecendo que a logística é uma área de fundamental importância estratégica nas operações de uma empresa para o alcance da competitividade.

2.3 Atividades logísticas

Sempre que houver movimentação de produtos ou de informações de um lugar a outro, haverá envolvimento logístico, seja com processamento de pedidos, documentos, planejamento, movimentação, armazenagem, transporte ou controle. O estudo da logística, por meio de uma visão sistêmica, objetiva otimizar esse conjunto de atividades de modo a alcançar os resultados de distribuição e serviço ao cliente ao menor custo possível.

As atividades logísticas compreendem: suprimentos, previsão de mercado, rastreamento de fornecedor, processamento de pedidos, execução do pedido, diligenciamento e recebimento, manuseio e estocagem, entregas, distribuição, controles de expedição e tráfego, assistência ao cliente, mensurando-se a porcentagem de atendimentos corretos em um determinado intervalo de tempo após o recebimento do pedido, a cobertura do mercado em termos geográficos e em número de clientes.

A logística vincula a empresa a seus clientes e fornecedores. As informações recebidas de clientes e sobre eles fluem pela empresa na forma de atividades de vendas, previsões e pedidos e são filtradas em planos específicos de compras e de produção. No momento do suprimento de materiais inicia-se um fluxo de bens de valor agregado, que resulta na entrega dos produtos acabados aos clientes.

Classificadas em primárias e secundárias, as atividades primárias contribuem com o maior montante do custo total da logística e compreendem: compras, aquisição ou suprimento; gestão de estoques ou apoio à manufatura e distribuição. As atividades secundárias (ou de apoio), mas não menos importantes, subsidiam a obtenção dos níveis de bens e serviços requisitados pelos clientes e compreendem: manuseio, armazenagem, embalagem e sistemas de informação.

2.4 Logística como Vantagem Competitiva

A literatura da área mostra que a logística existe há muito tempo e destaca sua importância, pois a competência logística muitas vezes determinou o sucesso ou o fracasso de diversos empreendimentos.

A posição de superioridade sobre os concorrentes pode ser alcançada por meio de uma gestão logística numa cadeia de suprimentos. A fonte da vantagem competitiva está na capacidade de se destacar de seus concorrentes perante os clientes e operando a um custo mais baixo e, consequentemente, obtendo mais lucro. A ideia de que a venda é garantida pelo próprio produto e que o sucesso de hoje se repetirá amanhã ficou para trás.

Vantagem competitiva é obtida ao oferecerem-se a mais que o concorrente menores custos ou um benefício de valor (ou ambos). Uma vantagem de custo pode ser obtida a partir de economias de escala, ou seja, à medida que o volume de produção cresce, os custos são diluídos e, portanto, diminuem. Entretanto, buscar economias de escala por meio de aumento de volume nem sempre leva à melhor rentabilidade, pois grande parte do custo de um produto está fora da empresa. É aí que entra a logística, fornecendo vários modos para aumentar a eficiência e a produtividade, contribuindo de modo significativo para a redução de custos unitários.

Uma vantagem de valor pode ser obtida por meio do que chamamos ‘valor agregado’. Produtos similares podem ser considerados commodities e, nesse caso, há uma tendência de o cliente comprar do fornecedor mais barato. Para obter tal diferenciação de valor, é necessário desenvolver uma estratégia mais segmentada para o mercado, já que diferentes grupos de clientes atribuem valores diversos a benefícios diversos. A segmentação de tal valor agregado é importante porque muitas vezes há oportunidades para a criação de recursos diferenciados para segmentos específicos.

Outro meio de agregação de valor é o serviço. As dificuldades com declínio da marca, por exemplo, podem ser supridas com oferta de serviços, como meio de alcançar vantagem competitiva. O processo de desenvolvimento de relacionamento com os clientes mediante a oferta de um serviço diferenciado pode incluir serviço de entrega, serviços de pós-venda, suporte técnico, dentre outros.

O nível de serviço logístico é a qualidade com que o fluxo de bens e serviços é gerenciado. O nível de serviço logístico é o fator chave do conjunto de valores logísticos que as empresas oferecem para assegurar sua fidelidade¹⁶. Sendo assim, é possível que uma empresa que desempenhe alto padrão de serviço logístico garanta vantagens competitivas diante de seus concorrentes.

O planejamento e a coordenação do fluxo de materiais, desde a origem até o cliente final como sistema integrado, ligam o mercado, a rede de distribuição, o processo de fabricação e a atividade de aquisição de tal forma que os clientes sejam atendidos em níveis mais elevados, a um custo mais baixo, visando ao alcance da vantagem competitiva, por meio da redução de custos e da melhoria de serviços.

Referências do capítulo

BALLOU, Ronald H.. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1993.

BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J.. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. Rio de Janeiro: Atlas, 2001.

BRANDALISE, Loreni T.. Avaliação da sequência de conteúdos de administração de materiais no ensino de graduação. Revista Eletrônica Científica do CRA-PR-RECC. V.2 N. 2, 2014. Disponível em: http://www.cra-pr.org.br/revista/index.php/recc/article/view/15. Acesso em dez 2015.

CHING, Hong Yuh. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada: supply chain. São Paulo: Atlas, 1999.

CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. Tradução da 4.ed. norte-americana. São Paulo: Cengage Learning, 2011.

DIAS, Marco Aurélio P.. Administração de materiais. São Paulo: Atlas, 1993.

DIAS, Marco Aurélio P.. Logística, transporte e infraestrutura: armazenagem, operador logístico, gestão via TI, multimodal. São Paulo: Atlas, 2012.

NOGUEIRA, Amarildo de S.. Logística empresarial: uma visão com pensamento globalizado. São Paulo: Atlas, 2012.

PIRES, Silvio R.I.. Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estratégias, práticas e caso. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2013.

POZO, Hamilton. Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2010.

SILVA, J. A. Logística: não dá pra viver sem ela. Revista Rodar. n. 1. abr., 2001.

WEBSTER’S NEW ENCYCLOPEDIC DICTIONARY. New York: Black Dog & Leventhal Publishers, 1993. p.590

3CADEIA DE SUPRIMENTO

A logística atua como suporte para o planejamento do processo de qualquer negócio, incluindo todas as funções envolvidas no pedido do cliente. Além de integrar as áreas funcionais da empresa, coordena o alinhamento dos esforços dos departamentos de Marketing, Vendas, Produção e Financeiro, visando à redução de custos e à agregação de valor ao cliente. Essa visão integrada é também chamada de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos.

3.1 O que é Cadeia de Suprimentos

A cadeia de suprimentos (supply chain) ou cadeia de abastecimento, rede logística ou, ainda, cadeia logística, corresponde aos processos requeridos para obter materiais, agregar-lhes valor e disponibilizar os produtos no lugar e na data que os consumidores desejam. É a logística que facilita o gerenciamento dos materiais numa cadeia de suprimento.

Cadeia de suprimento é uma rede de instalações e rotas de transporte que transformam matérias primas em produtos acabados e os entregam aos consumidores¹⁷.

Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos ou SCM, sigla de Supply Chain Management em inglês, é a administração da relação entre o desenvolvimento dos participantes e os processos do produto ou serviço, facilitando e otimizando o fluxo de recursos. Cada empresa envolvida, desde o fornecedor primário até o cliente final, forma um elo da cadeia, conforme ilustra a Figura 5.

Figura 5 – Cadeia de suprimentos linear

Uma nova visão de cadeia de suprimentos representa uma integração plena, estratégica e flexível ao longo da rede de relacionamentos¹⁸, como se pode observar na Figura 6.

Figura 6 – Cadeia de suprimentos plena, estratégica e flexível

Fonte: Novaes, 2001, p.50

Numa cadeia de suprimentos ou rede logística é fundamental o processo colaborativo entre os participantes¹⁹, conforme mostra a Figura 7.

Figura 7: Relacionamento entre empresas.

Fonte: Adaptado de Bertaglia (2003, p.9)

O gerenciamento da cadeia de suprimentos destaca as interações logísticas que ocorrem entre as funções de marketing, logística e produção no âmbito de uma empresa, e destas mesmas interações entres as empresas separadas no âmbito do canal de fluxo de produtos. A coordenação e colaboração entre os integrantes desse canal oportunizam a melhoria dos custos ou serviços aos consumidores²⁰.

A melhoria nos custos aos consumidores pode ser obtida com a otimização dos processos com suprimentos, por meio da redução de desperdícios, diminuição do lead time do produto ou do serviço e redução dos custos de estoque.

As chamadas fronteiras logísticas em geral são consideradas como as últimas etapas que podem ser exploradas para aumentar a praticabilidade das empresas de qualquer categoria de obter a manter ‘vantagens diferenciais competitivas’.

A vantagem competitiva de uma organização é um conceito relacionado com a sua posição em relação às suas concorrentes, representa a diferenciação dos seus serviços, possibilitando um melhor posicionamento no mercado, onde a compreensão do ambiente externo faz ressaltar a visão sistêmica dentro das organizações²¹.

Para usufruir desta vantagem é necessário estabelecer estratégias, em que o valor agregado oferecido seja maior do que os oferecidos por seus concorrentes em mercados semelhantes, priorizando a importância da utilização do sistema logístico para viabilizar este objetivo.

As atividades logísticas compreendem: suprimentos, previsão de mercado, rastreamento de fornecedor, processamento de pedidos, execução do pedido, manuseio e estocagem, as entregas, distribuição, controles de expedição e tráfego, assistência ao cliente, mensurando-se a porcentagem de atendimentos corretos em um determinado intervalo de tempo após o recebimento do pedido, a cobertura do mercado em termos geográficos e em número de clientes.

A gestão eficiente do fluxo de bens e serviços do ponto de origem ao ponto de consumo ou uso requer planejamento, programação e controle de um conjunto amplo dessas atividades aliando-as às informações disponíveis. O controle do fluxo de materiais constitui o fator chave para o sucesso em vários casos, justificando desta forma esta técnica descendente²².

A gestão da cadeia de suprimentos é um poderoso elemento de uma bem-sucedida estratégia de negócios, como se observa em muitos exemplos estudados e comentados, demonstrando que atividades antes consideradas de apoio e operacionais podem ser transformadas em pontos cruciais das estratégias de longo prazo da empresa.

3.2 Estratégias Logísticas

A gestão da cadeia de suprimentos é uma função de integração responsável pela sincronização de funções de negócios e processos entre empresas. Por incluir todas as atividades de gestão logística, bem como operações de fabricação, estimula a coordenação dos processos e atividades conjuntamente com os setores de marketing, vendas, design de produto, finanças e tecnologia da informação, visando à obtenção de vantagem competitiva.

Para tirar o melhor proveito das vantagens, é necessário planejar e implementar estratégias adequadas à organização e ao ambiente no qual está envolvida, visando a estabelecer um possível diferencial que leve a uma posição lucrativa e sustentável em relação às forças provenientes da concorrência.

Assim, a logística é um fator relevante na busca de uma boa posição no mercado perante seus concorrentes para as organizações, principalmente por meio da oferta de um serviço adequado aos seus clientes, do aumento de produtividade, do canal logístico e da melhoria da rentabilidade dos capitais envolvidos. Considerando esses aspectos, cabe à gestão da cadeia de suprimentos:

a) Desenvolver estratégia robusta guiada pela estratégia da

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