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Educação brasileira: Estrutura e sistema

Educação brasileira: Estrutura e sistema

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Educação brasileira: Estrutura e sistema

notas:
5/5 (2 notas)
Duração:
266 páginas
4 horas
Lançados:
1 de set. de 2018
ISBN:
9788574964218
Formato:
Livro

Descrição

Como é possível ao homem sistematizar? Em que consiste a atividade sistematizadora? O que significa sistema educacional? E estrutura educacional? Pode-se dizer que existe sistema educacional no Brasil? Eis algumas perguntas de crucial importância para a educação cujas respostas o leitor pode encontrar no presente livro.
Tratando do conceito de sistema na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, esta obra forma, com Política e educação no Brasil, com A nova lei da educação (LDB) e com Da nova LDB ao novo Plano Nacional de Educação, um conjunto imprescindível à compreensão global da ordenação jurídico-política da educação brasileira contemporânea. Dado o seu caráter interdisciplinar, este livro, a exemplo do que ocorreu quando das edições anteriores, continuará sendo útil ao magistério das diferentes disciplinas pedagógicas com destaque para filosofia da educação, estrutura e funcionamento do ensino e introdução à educação.
Lançados:
1 de set. de 2018
ISBN:
9788574964218
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Educação brasileira - Dermeval Saviani

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PREFÁCIO À 10a EDIÇÃO

No prefácio à nona edição deste livro, escrito em junho de 2004, registrei a perspectiva da revisão do Plano Nacional de Educação, prevista para ocorrer exatamente naquele ano de 2004, conforme dispôs a própria lei que aprovou o plano em janeiro de 2001, como uma oportunidade para se retomar a mobilização em torno da construção do nosso sistema nacional de educação. Mas nada disso ocorreu. O parágrafo segundo do artigo terceiro da lei n. 10.172, de 9 de janeiro de 2001, que aprovou o Plano Nacional de Educação, tornou-se letra morta. Ninguém se preocupou em cumprir a exigência de revisão prevista nesse documento legal.

Agora, na esteira do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em 24 de abril de 2007, o próprio Ministério da Educação (MEC) induz à retomada da discussão. Pela portaria n. 11, baixada pelo ministro no mesmo dia 24 de abril de 2007, foi constituída a Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Educação Básica a ser realizada em abril de 2008, para a qual deveriam confluir as Conferências Estaduais de Educação, previstas, na mesma portaria, para serem realizadas no segundo semestre de 2007. E o Regimento Interno da Conferência Nacional de Educação Básica estabelece como primeiro objetivo promover a construção de um Sistema Nacional Articulado de Educação. Por sua vez, o documento denominado O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas, lançado pelo MEC, contempla, no ponto 3, o plano de desenvolvimento da educação como horizonte do debate sobre o sistema nacional de educação, justificado com a consideração de que a visão sistêmica da educação é a única compatível com o horizonte de um sistema nacional de educação… (p. 39).

Como se vê, o debate, já no seu lançamento, aparece eivado de problemas e imprecisões. Com efeito, formula-se o objetivo de construção de um sistema nacional de educação no âmbito de uma Conferência Nacional de Educação Básica. Por que não uma Conferência Nacional de Educação que, portanto, abrangesse, também, a educação superior? Dada a restrição do âmbito em que o problema é formulado surgem, também, enunciados do tipo sistema nacional de educação básica. Ora, o sistema se refere ao conjunto que articula, num todo coerente, as várias partes que o integram. Como, então, falar de um sistema de educação básica se esta deveria ser, na verdade, uma das partes do sistema? Igualmente, resulta pleonástica a expressão sistema articulado de educação, que vem frequentando os documentos, uma vez que só se pode falar em sistema se, efetivamente, suas partes estiverem articuladas. E no texto citado do MEC que apresenta as razões, princípios e programas do PDE estabelece-se uma aproximação da noção de sistema com o enfoque sistêmico. No entanto, não podemos perder de vista que a organização dos sistemas nacionais de ensino antecede historicamente em mais de um século ao advento do chamado enfoque sistêmico. Portanto, trata-se de coisas distintas. O enfoque sistêmico é um conceito epistemológico que está referido a uma determinada maneira de analisar os fenômenos. Portanto, quando aplicado à educação, o referido enfoque diz respeito a um dos possíveis modos de se analisar o fenômeno educativo. Em contrapartida, a noção de sistema educacional tem caráter ontológico, pois se refere ao modo como o próprio fenômeno educativo é (ou deve ser) organizado.

Considerando que este livro trata, exatamente, do conceito de sistema educacional procurando definir suas características básicas, resulta oportuna sua reedição. Acredita-se que sua leitura contribuirá para aclarar os enunciados a respeito da problemática relativa ao sistema nacional de educação, introduzindo maior grau de coerência nos debates a serem travados nas Conferências Estaduais e, finalmente, na Conferência Nacional de Educação.

Campinas, 18 de janeiro de 2008

Dermeval Saviani

PREFÁCIO À 9a EDIÇÃO

Em 1987, quando ainda estava em curso o processo de elaboração da nova Constituição brasileira, escrevi no prefácio à 6ª edição: se o sistema educacional tal como foi conceituado nesta obra não é possível na configuração atual da sociedade brasileira em razão da estrutura de classes com interesses inconciliáveis, seria ilusão esperar que o ensejo da elaboração das novas diretrizes e bases da educação nacional viabilizaria a construção do sistema educacional no Brasil. E, de fato, o processo de elaboração da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB)e sua consequente aprovação, em dezembro de 1996, corroborou plenamente essa conclusão.

Entretanto, se essa conclusão era previsível tendo em vista o conceito filosófico de sistema educacional desenvolvido no presente livro, esperava-se que, ao menos no âmbito do conceito administrativo de sistema, fosse possível haver algum avanço com a aprovação da nova LDB. Com efeito, do ponto de vista administrativo, o sistema de educação implica a organização, sob normas comuns, dos serviços educacionais voltados para a realização de objetivos, também comuns. Assim, historicamente a emergência dos Estados nacionais no decorrer do século XIX foi acompanhada da implantação dos sistemas nacionais de ensino nos diferentes países como via para a erradicação do analfabetismo e universalização da instrução popular. O sistema nacional de ensino foi, pois, o instrumento para se realizar o objetivo nacional de garantir, a toda a população do país, o acesso à escola e efetivo aproveitamento dos estudos nela realizados. O Brasil, porém, retardou essa iniciativa chegando ao final do século XX sem realizar esse objetivo. Considerando-se que, do ponto de vista lógico, há uma evidente relação entre os conceitos de lei de diretrizes e bases da educação nacional e de sistema nacional de educação, resultava legítimo esperar-se que o ensejo da elaboração da referida lei nos permitisse organizar o nosso sistema nacional de educação. E, já que havíamos perdido a primeira oportunidade quando da aprovação da primeira LDB em 1961, a mesma expectativa se renovou ao ensejo da discussão da segunda LDB. Efetivamente, o projeto que tramitou na Câmara dos Deputados correspondia a essa expectativa ao contemplar, em sua formulação, um título denominado Do Sistema Nacional de Educação. No entanto, o texto aprovado em 1996, que decorreu do substitutivo Darcy Ribeiro, afastou-se dessa trajetória. Consumou-se, assim, a perda da segunda oportunidade.

Resta esperar que, à vista da revisão do Plano Nacional de Educação, prevista para ocorrer neste ano de 2004, conforme o parágrafo segundo do artigo terceiro da lei que o aprovou, e considerando os debates suscitados pelo Ministério da Educação com a proposta de reforma do ensino superior, por ele mesmo atropelada com o projeto já encaminhado ao Congresso Nacional relativo à reserva de vagas nas instituições particulares, se desenvolva uma intensa mobilização voltada à necessidade de se construir o nosso sistema nacional de educação. É esse, com efeito, o instrumento para superar as visões fragmentárias, as soluções parciais e os desencontros que têm marcado a política educacional em nosso país. De fato, como resolver os problemas do ensino superior, em especial a questão da democratização do acesso, sem considerarmos o problema do acesso e conclusão, com qualidade, da educação básica? Assim, embora os debates em curso venham considerando a necessidade de que a chamada reforma universitária que o governo se propõe a implementar se traduza num projeto de lei que venha a tratar do sistema nacional de educação superior, o problema que é preciso enfrentar continua sendo o da construção do sistema nacional de educação. Por ser essa a problemática central do presente livro, alimentamos a esperança de que sua reedição seja útil ao debate que está apenas começando mas que, certamente, haverá de empolgar toda a nação.

Campinas, 4 de junho de 2004

Dermeval Saviani

PREFÁCIO À 7a EDIÇÃO

Após vários anos fora de circulação (a edição anterior data de 1987), este livro é agora relançado em nova edição.

Passada a fase de intensa polêmica que marcou a década de 1980, é manifesta na fase atual a necessidade de retornar às fontes, de buscar os fundamentos. E esta obra vai à raiz da questão educacional, desentranhando-a da própria realidade humana a partir da qual evidencia a razão de ser e os limites das principais correntes pedagógicas. Com isso serve de antídoto às leituras unilaterais que se produziram no período polêmico e que prevalecem ainda hoje ante a ausência de retomada das questões fundantes.

Na mesma linha de consideração, a se crer no depoimento de vários educadores, este trabalho já pode ser considerado um clássico da literatura educacional brasileira. E a fase clássica é justamente aquela em que ocorreu uma depuração, superando-se os elementos próprios da conjuntura polêmica e recuperando-se aquilo que tem caráter permanente, isto é, que resistiu aos embates do tempo.

Partindo da questão: Como é possível ao homem sistematizar?, esta obra empreende uma ampla análise da condição humana, desvelando os aspectos que caracterizam a essência do fenômeno-homem. E à medida que esses aspectos vão sendo evidenciados, vão sendo também mostradas as implicações educacionais e derivações pedagógicas das facetas descobertas. Por essa via se monta um amplo painel com as principais correntes pedagógicas que se constituíram ao longo da História.

Com base nessa fundamentação, o livro responde a algumas perguntas de crucial importância para a educação: Em que consiste a atividade sistematizadora? Os termos sistema e estrutura se equivalem ou se distinguem? Se se distinguem, em que consiste a diferença? O que significa sistema educacional? E estrutura educacional? Pode-se dizer que existe sistema educacional no Brasil? Sistema educacional ou tão somente estrutura educacional?

Tratando do conceito de sistema na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, este trabalho traz também uma contribuição à historiografia da educação brasileira ao levantar e analisar as fontes primárias pertinentes, o que permitiu oferecer aos leitores interessados na pesquisa histórica, uma sinopse cronológica completa da tramitação dos projetos de diretrizes e bases da educação no Congresso Nacional.

Reitera-se aqui o lembrete feito na edição anterior sobre a atualização. Esta é feita através dos prefácios, com destaque para a 6ª edição cujo prefácio traz importante esclarecimento relativo à questão metodológica.

Dado o seu caráter interdisciplinar, este livro, a exemplo do que ocorreu com as edições anteriores, continuará sendo útil ao magistério das diferentes disciplinas pedagógicas, em especial Filosofia da Educação, História da Educação, Estrutura e Funcionamento do Ensino e Introdução à Educação.

Campinas, 5 de agosto de 1996

Dermeval Saviani

PREFÁCIO À 6a EDIÇÃO

Com esta edição o presente livro entra em nova fase, passando a ser publicado pela Editora Autores Associados e Cortez Editora.

O momento é particularmente propício para a retomada do conteúdo desta obra. Com efeito, encontramo-nos em plena etapa de elaboração da nova Constituição do país, que deverá estar concluída até o final deste ano de 1987. Consequentemente, em breve será desencadeado o processo de elaboração de uma nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Aliás, subsídios já começam a ser reunidos a esse respeito como ocorreu na X Reunião Anual da ANPEd, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, realizada em Salvador, de 11 a 15 de maio de 1987, ocasião em que o tema Em direção às novas diretrizes e bases da educação foi definido como um dos assuntos centrais da referida reunião. Em tais circunstâncias, espero que as reflexões desenvolvidas neste livro sejam levadas em conta e nos auxiliem a superar, na próxima Lei de Diretrizes e Bases, os limites, as insuficiências e as distorções que a pesquisa relatada nesta obra detectou na Lei de Diretrizes e Bases aprovada em 20 de dezembro de 1961.

Se, como é registrado na conclusão deste trabalho, a teoria não faz o sistema, sendo apenas uma condição necessária para que ele seja feito pelos homens quando assumem a teoria na sua práxis, o mesmo vale para a legislação. Além do mais, se o sistema educacional tal como foi conceituado nesta obra não é possível na configuração atual da sociedade brasileira em razão da estrutura de classes com interesses inconciliáveis, seria ilusão esperar que o ensejo da elaboração das novas diretrizes e bases da educação nacional viabilizaria a construção do sistema educacional no Brasil. Ao contrário, como já está sendo evidenciado nas batalhas que estão sendo travadas no e em torno do Congresso Constituinte, sabe-se que os conflitos de interesse inviabilizam a aprovação de propostas orgânicas que intencionalmente visem equacionar globalmente e de forma coerente e eficaz as questões fundamentais relativas à educação do povo brasileiro. Entretanto, como foi destacado em 1978 no prefácio à 3ª edição deste livro, embora o sistema educacional não seja possível na sociedade brasileira em sua estrutura atual, a tarefa da construção do referido sistema não pode ser adiada para a sociedade futura mas deve ser encetada no presente, a partir das condições contraditórias em que nos encontramos.

Em consequência, cabe mobilizar nossas energias e nossa capacidade de organização no sentido de garantir que a elaboração da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional parta das condições necessárias à construção do sistema educacional e preencha, por sua vez, as características próprias do sistema em questão. Assim, é mister tomar consciência dos principais problemas da educação brasileira, aprofundar o conhecimento da realidade nacional de modo a diagnosticar adequadamente os referidos problemas, formulando, em consequência, a orientação teórica que deverá consubstanciar as diretrizes e bases da educação nacional que emergirão como um produto intencional de uma atividade intencional configurando um conjunto de vários elementos relacionados entre si de modo a formar uma unidade coerente e operante.

Exemplificando: considerando-se que o problema fundamental da nossa educação se traduz no insuficiente índice quantitativo e no baixo nível qualitativo do processo de escolarização, levando em conta os dados que evidenciam o modo de funcionamento da estrutura escolar brasileira, a Lei de Diretrizes e Bases deverá prover os elementos que tornem possível a construção de um sistema de educação escolar que, por ser tal, articulará intencionalmente num conjunto coerente e operante todas as escolas do país desde a educação infantil (pré-escola) até a pós-graduação.

Obviamente, a tarefa acima indicada não estará isenta de obstáculos e dificuldades. A ela certamente se oporão as forças interessadas em manter a educação como um instrumento de preservação de privilégios usufruídos por poucos e de reforço da discriminação a que é condenada a maioria de nossa população. Entretanto, cada passo que se conseguir avançar na direção apontada terá importante significado no processo de realização prática da educação como promoção do homem. Com efeito, já foi enfatizado no prefácio à 3ª edição que,

se promover o homem significa libertá-lo de toda e qualquer forma de dominação; se, nas sociedades em que vigora o modo de produção capitalista, a dominação se manifesta concretamente como dominação de classe, então, educar, isto é, promover o homem, significa libertá-lo da dominação de classe, vale dizer, superar a divisão da sociedade em classes antagônicas e atingir o estágio da sociedade regulada [cf. p. xxvi].

É desta maneira que a tarefa da construção de um sistema educacional para o Brasil estará coincidindo com a tarefa de transformação estrutural da sociedade brasileira.

Para esta nova edição, procedi a uma revisão atenta de todo o livro. Felizmente não houve correção a ser feita que merecesse ser destacada. Quanto à atualização, em verdade ela já vinha sendo feita através dos prefácios que escrevi para cada uma das sucessivas edições. Para facilitar a identificação das passagens que foram objeto de algum esclarecimento nos diversos prefácios, a partir desta 6ª edição o leitor é remetido, através de notas de rodapé localizadas no interior da obra, aos respectivos esclarecimentos. Tal iniciativa permitiu conciliar a versão original com as atualizações, diga-se de passagem de pequena monta, acrescentadas ao texto. Com isso o leitor tem acesso simultaneamente às duas versões, o que não aconteceria se as atualizações fossem diretamente incorporadas ao texto atual.

Há, ainda, uma atualização que cabe ser acrescentada.Trata-se do item inicial do Capítulo III referente ao problema metodológico. No prefácio à 5ª edição, redigido em setembro de 1983, faço referência a trabalhos que publiquei posteriormente a esta obra e afirmo que nesses trabalhos acredito ter superado, incorporando-a, a perspectiva teórico-metodológica que enforma a pesquisa objeto de Educação brasileira: estrutura e sistema. Tal superação se deu – e isso é óbvio aos leitores que vêm acompanhando os meus escritos – pela via do método dialético. De fato, já no presente trabalho cujos originais foram concluídos em 1971, percebe-se que a abordagem dialética é dominante. Em razão disso, alguns leitores por vezes indagam sobre a referência àquilo que chamei de método fenomenológico-dialético. Em verdade, através do prefixo fenomenológico agregado à nomenclatura do procedimento metodológico que considerei o mais adequado, eu quis chamar a atenção, quis dar destaque ao momento analítico-descritivo que eu mesmo já considerava como exigência do próprio

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