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O que é universidade

O que é universidade

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O que é universidade

Duração:
79 páginas
58 minutos
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350746
Formato:
Livro

Descrição

Muito mais do que um local criado para divulgar a cultura universal, produzir ciência e formar profissionais, a Universidade é, hoje, um instrumento para transformação da sociedade.

Ao garantir o pluralismo ideológico e a liberdade de pensamento, ela cumpre o papel de crítica às instituições e aos sistemas políticos, principalmente nos países subdesenvolvidos, onde as modificações de cunho social são urgentes.
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Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350746
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Amostra do livro

O que é universidade - Luiz Eduardo W. Wanderley

Casanova

Introdução

O termo universidade está ligado a muitos outros – cultura, ciência, ensino superior, pesquisa, autonomia etc.

– que devem ser conjuntamente compreendidos. Como inúmeras instituições sociais de nosso mundo, questiona-se se suas finalidades e seus ideais, tradicionalmente aceitos, permanecem válidos nos dias de hoje. Certas funções, como as de qualificar os mais aptos para as diversas profissões, diferençar o saber científico e o pré-científico, a cultura erudita e a popular, tornar a universidade mais democrática, tanto no sentido do poder interno, quanto no sentido de abri-la para camadas mais vastas da população, transformaram-se em problemas. Qual o seu significado verdadeiro? A que e a quem ela serve? Que caminhos está trilhando? Estas perguntas apresentam muitas respostas.

Minha proposta é a de que para compreender o que é universidade e sua situação atual há necessidade de se buscar uma visão da totalidade que apanhe as relações entre esta instituição e as estruturas e processos sociais da sociedade onde ela está inserida, que mostre como ela foi e está sendo produzida, as forças sociais que atuam nela e sobre ela, as formas de organização que assumiu no passado e as mudanças em curso, o conteúdo de suas políticas de ensino, pesquisa e extensão, os graus de autonomia, seu vínculo com o processo de democratização, as contradições que enfrenta, as carências e limitações de sua missão, o sentido de sua atuação. Tal empreendimento exige uma análise de fatores históricos, estruturais e conjunturais que levem em conta a multiplicidade de di- mensões da vida coletiva, aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais. Ora, esse quadro é muito abrangente e exigiria um espaço que escapa à forma e às finalidades propostas para um livro desta coleção. Assim sendo, tratei de escrutinar um pouco da gênese da universidade na história, aspectos básicos de seus agentes – estudantes, professores e funcionários –, elementos de sua estrutura e relações de poder, algumas de suas finalidades básicas e problemas atuais mais gritantes. Tentando compreendê-la no seu processo de desenvolvimento, uma análise pormenorizada será feita do movimento de reforma universitária na América Latina, bem como de componentes da dinâmica passada e presente da vida universitária brasileira.

Visões da universidade

Se encararmos as visões globais que se têm hoje da universidade, num plano bem geral, elas seguem distintas orientações. Nos países socialistas, as universidades têm sua autonomia condicionada pelo Estado e por uma orientação teórica central, algumas mantendo a rigidez e a hierarquização, outras se modernizando. Seguem uma planificação e buscam avançar nas realizações científicas e tecnológicas, bem como formar especialistas de alto nível, procurando identificar-se com o desenvolvimento e a edificação do próprio socialismo. Nos países capitalistas, as universidades apresentam um grau de autonomia e de avanço tecnológico e científico variáveis, sendo condicionadas de modo diferenciado pelo tipo de desenvolvimento seguido, quer pelos países desenvolvidos centrais, quer pelos países subdesenvolvidos dependentes, como é o caso do nosso país. Tanto nos centrais como nos periféricos, vale a pena destacar as seguintes concepções universitárias:

Existem aqueles que veem a universidade como o lugar historicamente apropriado para a criação e divulgação do saber, para o desenvolvimento da ciência, para a formação de profissionais de nível superior, técnicos e intelectuais de que os sistemas necessitam. E como a instituição social que articula o ensino, a pesquisa e a extensão nos níveis mais elevados da política educacional de um país, satisfazendo os requisitos prefixados pela sociedade. Contida dentro de certos limites, é-lhe permitida relativa autonomia, desde que não se contraponha aos objetivos postos pelos governantes e setores privados mantenedores.

Há outros que encaram a universidade como um dos aparelhos ideológicos privilegiados da formação social capitalista, tanto na reprodução das condições materiais e da divisão social do trabalho em intelectual e manual, quanto para garantir as funções de inculcação política e ideológica dos grupos e classes dominantes. Essa visão salienta que há uma recíproca influência entre os fatores externos socioeconômicos e políticos, e os fatores internos da estrutura universitária, que são determinados por aqueles, podendo por sua vez influenciá-los mais ou menos, segundo as condições concretas de cada situação.

Uma vertente dentro desse grupo, de cunho extremado, supõe que há uma teoria científica global já elaborada para a explicação das leis do capitalismo, e que, portanto, ela se torna repetitiva na academia e o importante é o agir, é transformar o mundo, minimizando ou ignorando a reflexão teórica.

Outra vertente, ainda na mesma concepção, procura colocar a universidade dentro do contexto contraditório do capitalismo, analisando seus limites e possibilidades, e insere a luta universitária no conjunto das lutas sociais, explicitando como os intelectuais universitários podem se constituir em intelectuais orgânicos das classes subalternas, e podem colaborar na conquista da hegemonia da sociedade civil por essas classes.

Existem os que mantêm a visão persistente daqueles que defendem o otimismo pedagógico, segundo o qual se crê na educação

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