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Um quilombo no leblon

Um quilombo no leblon

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Um quilombo no leblon

notas:
1/5 (1 nota)
Duração:
119 páginas
54 minutos
Lançados:
30 de set. de 2015
ISBN:
9788534705899
Formato:
Livro

Descrição

História e ficção se juntam em Um Quilombo no Leblon para registrar os últimos anos da escravidão no Brasil e do berço de um dos capítulos mais belos do abolicionismo.
Lançados:
30 de set. de 2015
ISBN:
9788534705899
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Um quilombo no leblon - Luciana Sandroni

"Houve sol, e grande sol, naquele domingo de 1888,

em que o Senado votou a lei, que a regente sancionou,

e todos saímos à rua. Sim, também eu saí à rua, eu o mais

encolhido dos caramujos, também eu entrei no préstito,

em carruagem aberta, se me fazem favor, hóspede de um

gordo amigo ausente; todos respiravam liberdade, tudo era

delírio. Verdadeiramente, foi o único dia de delírio público

que me lembra ter visto."

MACHADO DE ASSIS

Sumário

Apresentação

Esta história não é inventada

Esta história é inventada

A fuga

O sapato

Pela janela do trem

O sinhozinho das camélias

Enfim, a corte!

Mar... Mar... Mariana!

O Zezinho nasce!

A chegada ao Leblon

A autora coruja

José de Seixas: entre malas e camélias

Álbum do bebê

Vem aí o Rapa-Coco!

A praia do Zé do Pinto

A princesa e o sorvete

Os bigodes sambam!

O aniversário

Hora do lanche

O dia mais feliz do mundo

Apresentação

ESCRITOR TEM MANIA DE INVENTAR COISAS EXTRAORDINÁRIAS. Luciana Sandroni, por exemplo, inspirou-se na pesquisa histórica e com ela criou uma estória de aventura muito movimentada, leve, gostosa de ler e, ao mesmo tempo, cheia de questões importantes sobre nosso passado, como os grandes malfeitos da escravidão (que ela não esconde) e a maravilhosa aventura de fugir de um sistema social extremamente injusto e renascer do outro lado, novinho em folha, no gozo pleno da liberdade do Quilombo do Leblon. O quilombo é história verdadeira.

Eu disse renascer novinho em folha porque Godofredo e Mariana, quando resolvem fugir de São Paulo para o Rio de Janeiro, já estavam em adiantado estado de gravidez. Calma que eu explico! Na verdade, Mariana é que estava grávida, mas Godofredo não só assume naturalmente a paternidade, como traça junto com sua amada, no escurinho da senzala, seus planos de fuga.

Fugir é sempre um grande atropelo e correria, mas todo o mundo, lendo o livro até o final, poderá perceber que Godofredo é um verdadeiro cavalheiro e protege o tempo inteiro sua Mariana, desde os soturnos cafezais de Campinas, no interior de São Paulo, até o luminoso Quilombo do Leblon, a praia mais linda do mundo, um dos berços simbólicos da liberdade.

Pois foi naquele distante subúrbio do Leblon que nasceu também um menino de nome um tanto misterioso, e até meio desconjuntado, um certo José de Seixas Bento Clapp Barbosa do Patrocínio Rebouças Nabuco. O nome pode parecer um pouco complicado, mas eu não posso explicar tudo numa simples apresentação. As aventuras de Mariana e Godofredo também podem parecer muito complicadas, muito perigosas, e até um tanto rocambolescas, mas não devemos nos esquecer que, no essencial, quase tudo pode ser verdade mesmo e pertence à história e memória do povo brasileiro.

E por falar em verdade histórica, diga lá quem nunca teve vontade de fugir de algum lugar?

Ou se livrar de uma presença incômoda?

Diga lá quem nunca teve vontade de simplesmente sumir no oco do mundo?

Ou no oco de um esconderijo que tinha bem nos fundos do Quilombo do Leblon?

Fala a verdade! Se mesmo a gente que é livre às vezes sente vontade de dar no pé e sumir do mapa, sendo gente escravizada então... podemos imaginar a vontade que dava!

A vontade era grande, mas fugir para a liberdade era uma aventura muito perigosa. Os personagens deste livro, portanto, correm perigo real e concreto. E não são apenas os personagens que se sentem ameaçados. Por vezes a tensão é tanta que a própria autora fica nervosa e se mete diretamente na história para colocar um pouco de ordem nos delírios, agonias e dúvidas dos fugitivos. Luciana tem razão de ficar preocupada. Fugir é perigoso mesmo. Ainda mais com mulher grávida.

A maioria das pessoas, naquela época, achava inclusive que escravo fugir de seu dono não era legal. Um jovem advogado chamado Rui Barbosa de Oliveira, ao contrário, defendia que aquele sistema de escravizar os outros é que era injusto e ilegal. Portanto, fugir (como fizeram Mariana e Godofredo) não era crime nem contravenção, mas apenas uma defesa natural a que tem direito qualquer ser humano. E principalmente, talvez, seres humanos que estivessem para dar à luz outros seres humanos, como era o caso de Mariana e Godofredo. Foi por causa desse advogado, e de outros abolicionistas radicais, que o menino acabou recebendo um nome tão comprido e diferente.

Para fugir é preciso prestar muita atenção em tudo. Olhar para um lado e para o outro. Andar manso e sorrateiro

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