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O que é trânsito

O que é trânsito

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O que é trânsito

Duração:
88 páginas
1 hora
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350692
Formato:
Livro

Descrição

Ninguém duvida de que um dos maiores dilemas da vida nas cidades é o trânsito. Para compreendê-lo, não basta discutir os problemas do dia a dia a ele relacionados, como acidentes e congestionamentos, nem decorar manuais de sinalização.

Trânsito é muito mais do que isso. É preciso analisar como funciona e de que maneira pedestres, motoristas e passageiros participam dele, quais são seus interesses e necessidades. Verdadeira luta pelo espaço, é uma questão social e política, reflexo da desigualdade da própria sociedade, em que uns podem mais que outros.
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350692
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Livro

Sobre o autor


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O que é trânsito - Eduardo A. Vasconcelos

trânsito.

Circulação urbana e trânsito

Para nós, que convivemos com o trânsito difícil das cidades contemporâneas, a ideia de que este tipo de problema já afetava as cidades do Império Romano pode parecer absurda. Mas, na realidade, as primeiras restrições ao trânsito de que se tem conhecimento foram aquelas determinadas por Júlio César, que proibiu o tráfego de veículos com rodas no centro de Roma durante certas horas do dia. Como se não bastasse, em Roma havia também ruas de mão única e estacionamentos fora da via, especialmente construídos para as carroças.

No final do século XIX, com a criação do automóvel e o aumento da circulação nas cidades surgem os primeiros problemas modernos de trânsito e, consequentemente, uma legislação a respeito. Assim, surgiu em Londres, em 1868, o primeiro semáforo de que se tem notícia, com as cores vermelha e verde. Na mesma época, em 1870, já se registravam em Londres cerca de 460.000 carruagens, com as quais ocorreram muitos acidentes, com cerca de 3.200 feridos e 237 mortos.

É no século XX, no entanto, que o trânsito vai generalizar-se como problema urbano, à medida que as cidades crescem: a questão do trânsito faz parte da questão urbana de nossa época. Acidentes, congestionamentos, barulho, poluição parecem configurar um conjunto de condições adversas, que fazem com que o trânsito tenha uma imagem negativa, de caos, entre a maioria das pessoas que moram nas grandes cidades.

Praticamente todos nós já tivemos algum ou vários parentes e amigos feridos ou mortos em acidentes de trânsito; enfrentamos dificuldades para atravessar a rua como pedestres, para chegar ao trabalho ou à escola, dentro do ônibus, para andar de bicicleta, estacionar o carro perto do cinema, por exemplo; além disso, muitas pessoas moram em ruas que são utilizadas por veículos grandes como os caminhões, ou que servem de pista de corrida para alguns motoristas, às quais as crianças não podem sair desacompanhadas.

Mas, afinal, o que é o trânsito? Como poderemos defini-lo, para compreendê-lo melhor e vivenciá-lo de uma maneira mais fácil e segura? Para responder a essa pergunta, vamos começar pensando um pouco sobre a movimentação das pessoas nas cidades.

Imagine inicialmente o que ocorre com uma família de classe média, por exemplo, que compra uma casa num bairro residencial. Suponha que a família possua um automóvel e duas bicicletas e que seja composta pelo pai, mãe e dois filhos pequenos que estudam, e que a mãe contrate ainda uma diarista. Façamos então um exercício de previsão dos deslocamentos que as pessoas farão no seu primeiro dia após ter se mudado para a casa nova. Logo de manhã, às 7h, o pai vai trabalhar de carro, levando os filhos de carona até a escola. A mãe, que trabalha em outra direção, vai de ônibus às 7h30.

Logo depois, às 9h, a empregada, que chegou às 8h e fez o trajeto de ônibus, apanha o carrinho de mão e vai à feira na rua de baixo. Às 11h, a empregada volta da feira com o carrinho cheio e, às 12h, a mãe sai do seu trabalho e vai de ônibus apanhar os filhos na escola, re- tornando com eles para casa também de ônibus. Mais tarde, logo após o almoço, os filhos vão de bicicleta brincar na casa de amigos e a mãe sai de carona com uma amiga. No final do dia, às 18h, os filhos voltam para casa de bicicleta, a empregada vai embora de ônibus e a mãe chega de carro com a amiga. Finalmente, às 19h, o pai volta de carro do trabalho.

O que aconteceu, então? Em primeiro lugar, passou— se um dia e, contando-se os deslocamentos, vemos que as pessoas da família, mais a empregada, fizeram vinte deslocamentos para atender às suas necessidades e obrigações: esses deslocamentos são chamados viagens.

Vamos tentar agora ligar essas viagens ao nosso objeto de análise, o trânsito. Vemos então que o pai, ao sair de casa de manhã, surge como motorista, enquanto a mãe será pedestre, passageira de transporte público e carona (com a amiga), os filhos serão caronas (com o pai), passageiros de transporte público, pedestres e ciclistas, enquanto a empregada será pedestre e passageira de transporte público. Todos, portanto, fazem parte da circulação geral do bairro e da cidade, cada um com a sua condição de deslocamento, seus interesses e necessidades. As vinte viagens realizadas por estas pessoas vão se somar a milhares de outras efetuadas no mesmo dia, por pessoas e mercadorias, que juntas produzirão afinal o conjunto de deslocamentos realizados por vias e meios de transporte disponíveis: eis o trânsito.

Um exemplo dessas diferenças de deslocamento pode ser visto na figura a seguir. A família de baixa renda realiza viagens a pé e de ônibus, para ir ao trabalho (ônibus) e a escola (a pé), por exemplo. No total do dia, as pessoas realizaram dez viagens e percorreram 28 km. A família de renda mais elevada faz viagens a pé (almoço), de automóvel (escola, trabalho, médico, compras), de táxi (negócios) e de bicicleta (padaria). No total do dia, as pessoas realizaram 23 viagens e percorreram 46 km.

Padrões de deslocamento de duas famílias diferentes.

Assim, no espaço urbano de nossas cidades são realizadas diariamente milhares ou milhões de viagens, utilizando-se meios de transporte diferentes, em horários diferentes. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, eram realizados por dia, em 2007, cerca de 38 milhões de deslocamentos de pessoas (viagens), dos quais 13 milhões a pé e 25 milhões em veículos motorizados; dentre estes últimos, 14 milhões eram feitos por transporte coletivo e 11 milhões por transporte particular. Todos esses deslocamentos representam a vida da cidade e estão, portanto,

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