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O que são direitos humanos das mulheres

O que são direitos humanos das mulheres

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O que são direitos humanos das mulheres

notas:
1/5 (1 nota)
Duração:
119 páginas
1 hora
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350302
Formato:
Livro

Descrição

Sempre houve preconceito contra a discussão das questõs específicas das mulheres. Não se concebia que mulheres violentadas por seus maridos/companheiros, espancadas e assassinadas sob a alegação de defesa da honra tinham seus direitos humanos violados. Considera-se normal que mulheres tenham salários mais baixos que homens, que mulheres sejam alvo das ações masculinas de assédio sexual, de estupro e demais tipos de violência de gênero. É como se os direitos do homem incluíssem os da mulher, ou como se estes fossem secundários. A exclusão da cidadania das mulheres está arraigada em nossa cultura. É preciso tratar o tema recuperando os conceitos históricos e as lutas políticas já travadas para conquistar a igualdade. Consolidar os direitos humanos das mulheres é prioridade para uma sociedade justa e digna.
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350302
Formato:
Livro


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O que são direitos humanos das mulheres - Maria Amélia de Almeida Teles

Amélia

Apresentação

Gostaria de esclarecer que só foi possível realizar este trabalho em virtude do acúmulo de ações, e de experiências dos movimentos feministas e porque hoje existem organizações sociais em todo o mundo voltadas para a igualdade de direitos, a dignidade e a justiça sob o prisma de relações igualitárias entre mulheres e homens, entre os diversos segmentos étnico-raciais e com proposições concretas para erradicar a discriminação.

Há documentos internacionais que protegem os direitos humanos das mulheres, dentre os quais destacamos: a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW — Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women), aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Resolução 34/180, em 18 de dezembro de 1979, e a Convenção para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, aprovada em 6 de junho de 1994, na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), ocorrida em Belém do Pará — documento que ficou conhecido como Convenção de Belém do Pará.

Todos esses documentos e as reivindicações neles contidas tiveram maior visibilidade com o desenvolvimento da campanha mundial das mulheres — Sem as mulheres os direitos não são humanos —, que introduziu novos conceitos e maneiras de tratar o tema e cujo ponto culminante foi a realização da Conferência Mundial de Direitos Humanos, em 1993, em Viena. Nesse evento, elaborou-se uma Declaração que, finalmente, reconheceu como direitos humanos os direitos das mulheres.

Antes da década de 1990, os movimentos de direitos humanos eram tratados quase exclusivamente como defensores de bandidos e o grande público via com desconfiança qualquer ação em torno do tema. No caso do Brasil, herdamos o discurso da ditadura militar, radicalmente contrário aos direitos humanos. Prevalecia a ideia de que todo cidadão é suspeito até que se prove o contrário. A segurança nacional sobrepunha-se a quaisquer direitos. Em nome dela, prendia-se, torturava-se e assassinavam-se pessoas que discordavam do autoritarismo. Por sua vez, os movimentos de direitos humanos se voltavam para o emergencial: socorrer presos políticos torturados, assassinados e/ou desaparecidos, e dar apoio moral e político a seus familiares¹.

No que se refere ao feminismo e suas questões mais candentes, os movimentos de direitos humanos compreendiam pouco ou quase nada e não assumiam essa bandeira. Havia grande preconceito contra as mulheres e, principalmente, seus temas específicos referentes ao aborto e à sexualidade, entre outras. Não se concebia que as mulheres violentadas por seus maridos/companheiros, espancadas e até assassinadas sob a alegação de defesa da honra, em nome do amor e da paixão, tivessem, assim, seus direitos humanos violados. Entendia-se que eram questões privadas — menores, portanto — e não mereciam ter um tratamento político e digno. A cultura de exclusão dos direitos e da cidadania das mulheres está de tal forma arraigada na mentalidade institucional que não causa nenhuma comoção social ou política o fato de as mulheres terem salários mais baixos que os dos homens, mesmo exercendo funções iguais, ou de estarem no mercado de trabalho desempenhando atividades profissionais consideradas femininas (o que justifica os menores salários), como enfermagem, magistério do ensino fundamental, educação infantil e secretária. Não há grandes manifestações de protesto em favor das mulheres que morrem de causas evitáveis, como abortos clandestinos ou devido à falta de assistência no parto e no pré-natal. Considera-se natural que as mulheres sejam alvo preferido das ações masculinas de assédio sexual, estupro, assassinatos e de outros tipos de violência de gênero. Tem-se natural a invisibilidade absurda das mulheres indígenas, presidiárias, profissionais do sexo, assim como negras.

Os direitos humanos das mulheres constituem, portanto, um tema novo. Muita gente argumenta que isso não passaria de privilégios para as mulheres. Afinal, fala-se de direitos humanos, mas não de deveres humanos. As mulheres deveriam aprender que têm obrigações e deveres, dizem. Mais uma vez, não se compreende que, para se ter direitos e exercê-los, é fundamental ser responsável e cumprir os deveres. Se não for assim, estamos, de fato, falando de privilégios. Portanto, a cada direito corresponde um dever, ou mais. Não se pode negar a validade da discussão e a implementação de direitos sob a alegação de que estes se opõem aos deveres. Só é possível realizar os direitos humanos se são cumpridos os deveres, se eles forem respeitados, responsabilidade que se impõe tanto à sociedade civil como ao Estado. Tratar de políticas de direitos humanos é enveredar pelo campo dos setores sociais vulneráveis, como mulheres, as crianças e adolescentes, população negra, indígena, imigrantes/emigrantes, gays, lésbicas e transexuais, deficientes e pessoas idosas. É falar dos segmentos historicamente excluídos, mas que buscam uma forma de garantir a obtenção de seus direitos humanos, que já estão oficialmente reconhecidos. É uma questão de justiça.

Na condição de ativista dos movimentos feministas e de direitos humanos, posso afirmar que são raros os momentos em que há interseção de ações e proposições entre os dois movimentos. Eles correm em paralelo, como se fossem assuntos incompatíveis.

A ONU reconhece que:

promover a igualdade entre homens e mulheres ajuda no crescimento estável e no desenvolvimento de sistemas econômicos, com benefícios sociais mensuráveis através de indicadores econômicos.

Indica que a discriminação contra as mulheres provoca grave ameaça aos direitos humanos, pois causa forte impacto negativo no desenvolvimento econômico e social. Conclui que:

buscar e consolidar melhores condições de vida para as mulheres do mundo, além de uma questão de direitos humanos, deve ser encarado como uma prioridade para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa. (Relatório de Direitos Humanos, ONU, 2000).

Na América Latina, por exemplo, se as mulheres recebessem salários iguais aos dos homens, haveria um aumento de 50% em seu poder de compra, o que seria um estímulo para que a produção nacional aumentasse 5%, fortalecendo a expansão da economia e a inserção social da mulher.

Trazer a público este trabalho é necessário porque ainda são poucos os que se dedicam a esse campo, embora sejam muitas as iniciativas desenvolvidas para que se tratem os direitos humanos com equidade de gênero e étnico-racial. Aconselhamos que se tome nota da bibliografia, onde se podem conhecer melhor as diversas iniciativas que estão sendo implementadas e perceber a abrangência dos estudos que estão sendo feitos. Mas há muito para se fazer. A começar pela ideia corriqueira que entende que direitos humanos é deixar o bandido na rua e punir a vítima. A linguagem popular deixa passar despercebida a dominação sexual, naturalizando-a e banalizando-a. Ainda nos dias de hoje, se estabelece o homem como paradigma dos direitos humanos, como se os direitos dele incluíssem os das mulheres, ou como se estes fossem secundários.

Não podemos deixar de destacar o aspecto extremamente absurdo do descompasso existente entre as leis e as medidas oficiais e a realidade social na qual vivemos e para tentarmos entender o porquê de tantas injustiças, negligências, violações de direitos e descaso diário pelos direitos humanos.

Bobbio² infere que

(...) o problema que temos diante de nós não é filosófico, mas jurídico e, num sentido mais amplo, político. Não se trata de saber quais e quantos são esses direitos, qual é sua natureza e seu fundamento, se são direitos naturais ou históricos, absolutos ou relativos, para impedir que, apesar das solenes declarações, eles sejam continuamente violados.

E o professor Dallari nos ensina que:

A imposição de leis injustas e ações arbitrárias fere os direitos de todos e de cada um. Para que isso não ocorra, ou pelo menos se reduza ao mínimo, é indispensável que todas as pessoas procurem conhecer seus direitos e exijam sempre que sejam respeitados.

Tratar o tema dos direitos humanos das mulheres recuperando conceitos históricos e as lutas políticas que já foram travadas em torno deles é uma necessidade que se impõe a fim de que possamos prosseguir a luta para efetivá-los. E foi isso o que buscamos fazer neste trabalho.


A figura de pessoas desaparecidas surgiu à época das ditaduras militares da América Latina, que prendiam, torturavam e assassinavam ativistas políticos de oposição, e sumiam com o corpo, não só impedindo que tivessem um sepultamento digno, como também não reconhecendo sua morte. Negavam-lhes o

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