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O que é angústia

O que é angústia

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O que é angústia

Duração:
63 páginas
1 hora
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350944
Formato:
Livro

Descrição

Às vezes, nem na praia, céu azul, mar azul, conseguimos nos livrar de um sentimento vago de apreensão e medo, tão vago e tão doloroso que parece coisa de outro mundo: angústia!
Para Freud, a angústia é vaga porque vem do inconsciente, ela está dentro de nós. Esta leitura o aproximará das causas da angústia, mostrará como funciona nosso psiquismo e o que pode estar por trás daquele famoso "sei lá... mil coisas...".
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350944
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Livro

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Mar azul e sol combinam com a angústia?

A ciência costuma pregar boas peças nas evidências deste mundo. Era para todos muito evidente que o Sol se levantava de um lado e caía do outro. Até que apareceu alguém para dizer que o Sol nem nasce nem se põe, é a Terra que se mexe. Foi um pouco disso que aconteceu com a questão da angústia. A angústia era encarada como uma espécie de maldição do outro mundo, tal sua vagueza e falta de explicação lógica, Vejam o sujeito que está numa praia às dez da manhã, mar azul, céu azul, de repente se percebe tenso como uma corda de violino. Racionalmente não consegue descobrir por quê. Sente-se tomado por um vago sentimento de medo. Tão vago e tão doloroso que parece mesmo coisa do outro mundo, maldição dos deuses ou dos orixás, aos quais talvez seja bom dar um jeito de aplacar.

E nesse ponto que chega Freud e afirma que não é o Sol que se mexe. Afirma que a angústia não é vaga porque vem de outro mundo: é vaga porque vem do inconsciente. Ela não está, portanto, fora, mas dentro de nós. A angústia, diz Freud, é uma excitação sexual reprimida ou, pelo menos, a afirmação freudiana da qual parte Reich.

Uma teoria à primeira vista pouco evidente, meio esquisita, que não bate muito com o senso comum: o sujeito que está tenso na praia vai atribuir sua angústia a um negócio difícil, a uma briga com a mulher, à própria situação do país. Vai apelar para causas conscientes, fora dele. No entanto, ele não sabe muito, mas parece que a tensão por um negócio difícil é muito diferente daquele vago, renitente e doloroso sentimento de angústia que o assalta de vez em quando, até mesmo às dez da manhã, na praia, num belo dia de sol. Por que motivo? Porque o belo rapaz que passava mexeu com sua homossexualidade reprimida? Não é o caso de discutir aqui. Guardemos apenas que ela não é tão vaga e tão de fora como pode parecer.

Toda a angústia é uma excitação sexual reprimida: o que nós vamos discutir neste livro é essa visão freudiana da angústia. Vamos tentar mostrar que, na prática terapêutica, essa afirmação não se revela tão esquisita assim. Só que, para isso, temos de entender como funciona o nosso psiquismo. Se falamos em excitação sexual reprimida, vamos ter de explicar onde ela fica reprimida. Vamos ter de falar do inconsciente.

Vamos ter de falar de prazer. Sim, porque se angústia é uma excitação sexual reprimida, é bom lembrar que toda a excitação tende ao prazer. Cientificamente descrito, o prazer é uma tensão que cresce e se resolve, isto é, chega à descarga. É a transformação de um impulso em movimento: eu dou em alguém um beijo que eu senti vontade de dar. Toda a excitação tende ao prazer. Se a angústia é uma excitação, ela é também um prazer que não chega ao fim. Um prazer que por determinadas razões não é concretizado.

Para entender melhor esta idéia de angústia como prazer frustrado, é preciso entender como funciona o desejo dentro de nós. Antes de chegar à consciência, qualquer desejo nosso tem uma história anterior, que se passa no plano do inconsciente. Quer dizer, antes do desejo, há um pré-desejo, que tem até um nome técnico: pulsão.

A pulsão é o primeiro projeto de desejo. Como a palavra mesmo sugere, trata-se de um impulso, de uma energia que de alguma forma tem de ser descarregada. E que conta, em seu despertar, com três fontes bem definidas: o estado corporal, o ambiente e as experiências passadas. Dou um exemplo: Raul há tempos não mantem relações sexuais, o que implica um determinado estado corporal. No seu ambiente de trabalho há moças loiras muito bonitas. Mulheres loiras lhe propiciam ótimas lembranças de experiências passadas. Dessa tríplice mistura, estado corporal, ambiente e experiências anteriores, surge um impulso numa determinada direção. No caso, ele vai paquerar uma das loiras.

Por que esse movimento se chama pulsão? Porque é algo com carga própria, que faz força, que se impulsiona numa determina direção. Só que, para concretizar uma pulsão, preciso primeiro simbolizála na minha consciência. Preciso fazer na minha cabeça o cineminha daquilo que quero realizar. A gente não faz nada sem antes representar a cena na cabeça. Entendido isso, não é difícil entender o que é repressão, o que é ser reprimido.

A repressão é a impossibilidade de representar na cabeça aquilo que

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