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Súmulas do tse comentadas: por servidores da Justiça Eleitoral
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Súmulas do tse comentadas: por servidores da Justiça Eleitoral
E-book361 páginas4 horas

Súmulas do tse comentadas: por servidores da Justiça Eleitoral

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Sobre este e-book

O livro foi planejado para permitir a rápida compreensão dos enunciados do Tribunal Superior Eleitoral, sem se descuidar dos aprofundamentos necessários, e para facilitar a consulta em caso de dúvida quanto aos principais temas do Direito Eleitoral. A obra, escrita por servidores da Justiça Eleitoral, proporciona ao leitor um olhar amplo, substancial e imprescindível sobre os entendimentos sumulados do TSE. São mais de 240 ementas de julgados com hiperlinks para o inteiro teor do acórdão.
Prefaciado pelo Juiz Federal Jurandi Borges Pinheiro.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento8 de mai. de 2017
ISBN9788595130296
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    Súmulas do tse comentadas - Tatiana Coutinho Castelo Branco

    enunciado.

    SÚMULA Nº 1 (Cancelada)

    Proposta a ação para desconstituir a decisão que rejeitou as contas, anteriormente à impugnação, fica suspensa a inelegibilidade (Lei Complementar nº 64/90, art. 1º, I, g).

    COMENTÁRIOS

    A Súmula nº 1 refere-se à causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar nº 64/1990 que incide sobre aqueles que, ao requererem seu registro de candidatura, tenham contra si decisão judicial irrecorrível de rejeição de contas – alusivas ao exercício de cargos ou funções públicas – por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa.

    Até a sessão plenária de 24.8.2006¹, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendia suficiente para afastar a mencionada inelegibilidade a mera propositura de ação na Justiça Comum com o intuito de desconstituir a decisão de rejeição das contas prestadas pelo gestor público.

    Exigia-se apenas que a demanda fosse proposta antes do prazo de impugnação ao requerimento de registro de candidatura (RRC) – prazo de cinco dias contados da publicação do RRC, nos termos do art. 3º da LC nº 64/1990.

    Assim, entendia-se que a mera propositura de ação judicial era suficiente para afastar o que fora decidido pelo Tribunal de Contas, prevalecendo o princípio da presunção de inocência do prestador de contas. Ainda que a demanda proposta pelo gestor público fosse manifestamente inidônea – por exemplo, contrária à jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF) –, era apta a afastar a incidência da inelegibilidade.

    Contudo, a partir do julgamento do RO nº 912/RR, rel. Min. Cesar Asfor Rocha, publicado em sessão em 24.8.2006, a Corte alterou seu entendimento. Ficou assentado que a análise da idoneidade da ação anulatória é complementar e integrativa à aplicação da ressalva sumulada, de forma que "a Justiça Eleitoral tem o poder-dever de velar pela aplicação dos preceitos constitucionais de proteção à probidade administrativa e moralidade para o exercício do mandato (art. 14, § 9º, CF/88)".

    Assim, a partir desse precedente, consolidou-se a tese sobre a necessidade de obtenção de medida liminar ou de antecipação de tutela que suspenda os efeitos da decisão de rejeição de contas para que a inelegibilidade não mais incida sobre o candidato.

    Ademais, o entendimento consolidado neste verbete foi definitivamente superado pela edição da Lei Complementar nº 135/2010, que alterou a redação do art. 1º, inciso I, alínea g, da LC nº 64/1990. Desde então, consta expressamente do texto legal a exigência de prova da medida judicial que suspenda ou anule a decisão de rejeição de contas para que seja afastada a inelegibilidade do candidato.

    Em razão disso, em 10.5.2016², houve o cancelamento da Súmula nº 1.

    PRECEDENTES

    Pressupostos para incidência da inelegibilidade da alínea g

    […] O art. 1º, inciso I, alínea g, do Estatuto das Inelegibilidades reclama, para a sua caracterização, o preenchimento, cumulativo, dos seguintes pressupostos fático-jurídicos: (i) o exercício de cargos ou funções públicas; (ii) a rejeição das contas pelo órgão competente; (iii) a insanabilidade da irregularidade apurada, (iv) o ato doloso de improbidade administrativa; (v) a irrecorribilidade do pronunciamento que desaprovara; e (vi) a inexistência de suspensão ou anulação judicial do aresto que rejeitara as contas. […]

    (REspe nº 12-57/TO, rel. Min. Luiz Fux, publicado em sessão em 19.12.2016)

    Suspensão da inelegibilidade pela mera propositura da ação anulatória até 24.8.2006

    […] - Suspensa a inelegibilidade da alínea g do inciso I do art. 1º da Lei Complementar nº 64/90, por força da propositura de ação anulatória nos termos da Súmula nº 1 do TSE, volta a fluir o prazo – já agora de oito anos – a partir de 24.8.2006, caso o candidato não obtenha a anulação ou a suspensão da decisão que rejeitou as suas contas. […]

    (REspe nº 139-77/MG, rel. Min. Arnaldo Versiani, publicado em sessão em 6.11.2012)

    Necessidade de provimento liminar para suspender a inelegibilidade

    […] Após 24/8/06 – data de alteração do entendimento da Súmula n. 01 – o prazo de inelegibilidade não se suspende sem a obtenção de provimento liminar ou antecipação de tutela afastando os efeitos da decisão de rejeição de contas. Precedentes. […]

    (AgR-AgR-REspe nº 33.597/PA, rel. Min. Eros Grau, DJE de 18.3.2009)

    Recurso com efeito suspensivo no âmbito do Tribunal de Contas Estadual afasta a inelegibilidade

    ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. REGISTRO DE CANDIDATURA. VEREADOR (COLIGAÇÃO JUNTOS PRA FAZER ACONTECER - PMDB/PR/PPS/PV/PC DO B/PROS). DEFERIDO. INELEGIBILIDADE. ART. 1º, I, G, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 64/1990. AFASTADA. RECURSO DE REVISÃO. EFEITO SUSPENSIVO CONCEDIDO PELO TRIBUNAL DE CONTAS. NÃO PROVIMENTO. A concessão de efeito suspensivo a recurso de revisão, no âmbito do Tribunal de Contas, é suficiente para afastar a causa de inelegibilidade prevista na alínea g do inciso I do art. 1º da LC nº 64/1990 (REspe nº 50-81/CE, Redator para o acórdão o Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, PSESS de 16.11.2016). Agravo regimental conhecido e não provido.

    (AgR-REspe nº 142-85/CE, rel. Min. Rosa Weber, DJE de 24.3.2017)

    SÚMULA Nº 2

    Assinada e recebida a ficha de filiação partidária até o termo final do prazo fixado em lei, considera-se satisfeita a correspondente condição de elegibilidade, ainda que não tenha fluído, até a mesma data, o tríduo legal de impugnação.

    COMENTÁRIOS

    A Súmula nº 2 versa sobre uma das condições de elegibilidade prevista no art. 14, § 3º, inciso V, da Constituição Federal, qual seja, a filiação partidária – vínculo ideológico que une um cidadão a um partido político.

    No sistema eleitoral brasileiro, as agremiações partidárias são indispensáveis para a efetividade da democracia representativa, não se admitindo a candidatura avulsa no país.

    Logo, para concorrer às eleições, o candidato necessariamente deverá estar filiado a um partido político e em pleno gozo de seus direitos políticos, nos termos do que dispõe o art. 16 da Lei nº 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos).

    Assim, consoante menciona o verbete sumular, a lei estabelece lapso temporal mínimo de filiação partidária para que o filiado possa pleitear um cargo eletivo. Esse prazo foi recentemente reduzido de um ano para seis meses antes do pleito, pela promulgação da Lei nº 13.165/2015, que alterou a redação do art. 9º da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições).

    Admite-se, no entanto, que os partidos políticos estabeleçam em seus estatutos prazos superiores ao mínimo legal, em razão de sua autonomia partidária, os quais somente não poderão ser majorados no ano da eleição (art. 20, caput e parágrafo único, da Lei nº 9.096/1995).

    A questão foi apreciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no julgamento da Pet nº 403-04/DF, no qual se firmou o entendimento de que é permitido aos partidos políticos, mesmo em ano eleitoral, a redução do prazo mínimo de filiação partidária, notadamente porque no caso analisado pela Corte as agremiações pretendiam apenas compatibilizar seus estatutos à Lei nº 13.165/2015, que reduziu o mencionado prazo de um ano para seis meses antes do pleito.

    Nessa linha, a súmula esclarece que o termo inicial da contagem do tempo de filiação partidária para fins de preenchimento do requisito constitucional de elegibilidade será a data de requerimento de ingresso do cidadão na agremiação partidária.

    Não obstante algum filiado da legenda formalize impugnação ao pedido de filiação, e a decisão de deferimento do ingresso do postulante no partido não atenda ao prazo mínimo de seis meses antes da data da eleição, considerar-se-á preenchida a exigência prevista em lei.

    Isso porque o TSE entende que o deferimento posterior do pedido de filiação produz efeitos retroativos à data do seu requerimento, não havendo falar, portanto, em descumprimento do prazo legal.

    Atente-se que, embora tenha sido revogada a Lei nº 5.681/1971, a qual previa expressamente a existência das fichas de filiação partidária, bem como o prazo para sua impugnação, a Súmula nº 2 permanece em vigor. Desse modo, devem ser consideradas as disposições estatutárias do partido sobre o processo de formalização do pedido de filiação.

    Por fim, é importante acrescentar que, a partir da vigência da Lei nº 12.891/2013, a qual alterou a redação do art. 22 da Lei nº 9.096/1995, na hipótese de o candidato apresentar duplicidade de filiação partidária, prevalecerá para fins de registro de sua candidatura o vínculo partidário mais recente, não mais se declarando a nulidade de ambos.

    No entanto, em atenção ao princípio da anterioridade eleitoral, esse entendimento não se aplicou às eleições de 2014, tampouco às anteriores, como se verifica da resposta dada pelo TSE à Cta nº 1000-75/DF.

    PRECEDENTES

    Alteração do prazo de filiação partidária a menos de um ano das eleições

    ELEIÇÃO 2016. PROTOCOLO. CONVERSÃO EM PETIÇÃO. TUTELA DE URGÊNCIA. FILIAÇÃO PARTIDÁRIA. ESTATUTO PARTIDÁRIO: PRAZO DE FILIAÇÃO DE UM ANO ANTES DAS ELEIÇÕES. LEI Nº 13.165/2016: PRAZO DE SEIS MESES ANTES DO PLEITO. PEDIDO DE ALTERAÇÃO A MENOS DE UM ANO DA ELEIÇÃO. REFLEXO NOS PEDIDOS DE REGISTROS DE CANDIDATURA NAS ELEIÇÕES DE 2016. DEFERIDO. 1. O art. 20 da Lei nº 9.096/1995 estabelece que é facultado ao partido político estabelecer, em seu estatuto, prazos de filiação partidária superiores aos previstos nesta Lei, com vistas a candidatura a cargos eletivos, enquanto o parágrafo único do referido artigo define que os prazos de filiação partidária, fixados no estatuto do partido, com vistas a candidatura a cargos eletivos, não podem ser alterados no ano da eleição. Com base na compreensão sistemática dessas regras bem como no direito constitucional à elegibilidade, a Lei dos Partidos Políticos veda que no ano das eleições o estatuto seja alterado para aumentar o prazo de filiação partidária fixado em lei, não proibindo a redução do prazo quando a modificação simplesmente busca a compatibilização à novel legislação eleitoral, editada e promulgada em conformidade com o art. 16 da Constituição Federal de 1988. 2. A eventual negativa do pedido de urgência poderá causar sérios prejuízos à agremiação partidária, pois os candidatos que pleitearam registro de candidatura nas eleições de 2016, respeitando o prazo legal de filiação partidária de seis meses, estarão inviabilizados em razão da norma estatutária. 3. Pedido de tutela de urgência deferido.

    (Pet nº 403-04/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, DJE de 30.9.2016)

    Data do requerimento de ingresso no partido para fins de contagem de prazo de filiação partidária

    Registro de candidatura. Filiação partidária. Prazo. Alegada ofensa ao art. 65, § 1º da LOPP. Conforme jurisprudência recente desta egrégia Corte - Sumula nº 2, tem-se como perfeita a filiação partidária desde que requerida até 2 de abril passado. Recurso a que se nega provimento.

    (Rec nº 10.197/MS, rel. Min. Américo Luz, publicado em sessão em 24.9.1992)

    AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. PREFEITO. REGISTRO DE CANDIDATURA. IMPUGNAÇÃO. FILIAÇÃO PARTIDÁRIA. ART. 9º DA LEI 9.504/97. DUPLICIDADE. PREVALÊNCIA DO VÍNCULO MAIS RECENTE. ART. 22, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 9.096/95. DESPROVIMENTO. […] 2. A teor do art. 22, parágrafo único, da Lei 9.096/95, havendo coexistência de filiações partidárias, prevalecerá a mais recente, devendo a Justiça Eleitoral determinar o cancelamento das demais. […]

    (AgR-REspe nº 126-77/GO, rel. Min. Herman Benjamin, publicado em sessão em 22.11.2016)

    Inaplicabilidade da Lei nº 12.891/2013 às eleições de 2014

    CONSULTA. APLICABILIDADE DA LEI Nº 12.891/2013 ÀS ELEIÇÕES DE 2014. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE ELEITORAL. RESPOSTA NEGATIVA À PRIMEIRA INDAGAÇÃO. PREJUDICADAS AS DEMAIS.

    (Cta nº 1000-75/DF, redator para o acórdão Min. Gilmar Mendes, DJE de 1º.9.2014)

    SÚMULA Nº 3

    No processo de registro de candidatos, não tendo o juiz aberto prazo para o suprimento de defeito da instrução do pedido, pode o documento, cuja falta houver motivado o indeferimento, ser juntado com o recurso ordinário.

    COMENTÁRIOS

    A legislação eleitoral estabelece a necessidade de o pedido de registro de candidatura estar instruído com toda a documentação que comprove o preenchimento pelo pretenso candidato das condições de elegibilidade e de registrabilidade, bem como a não incidência em causas de inelegibilidade.

    A exigência justifica-se em razão de ser esse o momento em que a Justiça Eleitoral verifica a aptidão do candidato em concorrer ao pleito.

    Contudo, consoante dispõe o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.504/1997, caso não tenham sido apresentados todos os documentos necessários, o juiz eleitoral deverá converter o julgamento em diligência e abrir prazo de 72 horas ao candidato para que sane o vício, sob pena de indeferimento do seu pedido do registro de candidatura.

    Caso o magistrado não possibilite ao candidato a oportunidade para suprimento das falhas no requerimento de registro, caberá à parte prejudicada interpor recurso ordinário ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com pedido de reforma da decisão de 1º grau e admissão da juntada do documento faltante no prazo legal (72 horas). É o que se extrai do teor da súmula em análise.

    É relevante ressaltar que nas eleições gerais – nas quais estão em disputa os cargos de governador, senador, deputados federais, estaduais e distritais – o pedido de registro de candidatura é formalizado no TRE.

    Assim, caso o defeito da instrução refira-se a condições de elegibilidade, consoante pacífica jurisprudência da Corte Superior Eleitoral, caberá recurso especial para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no âmbito do qual não se admite a apreciação de fatos e provas, em razão de sua natureza extraordinária.

    Nessa hipótese, se não houver sido concedido prazo para suprimento do defeito na instrução do pedido de registro de candidatura, o TSE anulará o acórdão do TRE, devolvendo os autos ao Regional para nova apreciação do caso com base na documentação faltante.

    Excepcionalmente, o TSE tem, desde logo, considerado o documento juntado ao recurso especial para deferir o pedido de registro de candidatura, quando entender que sua força probante é incontestável. Por exemplo, certidão de nascimento que comprove o preenchimento da idade mínima do candidato para ocupar o cargo eletivo de governador (30 anos).

    Assim, conforme consolidado na súmula nº 3, admite-se a juntada de documentos no registro de candidatura, enquanto não cessada a instância ordinária, se a parte não houver sido intimada para sanar a falha ou omissão.

    Contudo, a partir do julgamento do REspe nº 384-55/AM, esse entendimento foi ampliado, porque nessa oportunidade se admitiu a juntada de documentos no registro de candidatura, enquanto não encerrada a instância ordinária, mesmo tendo a parte sido intimada para sanar a falha ou omissão.

    O voto condutor do acórdão, ao permitir prazo mais amplo para correção dos vícios do processo de registro de candidatura, fundamentou-se na necessidade de garantir maior efetividade à participação popular nas eleições, em razão do caráter instrumental do processo eleitoral (princípio da instrumentalidade das formas), privilegiando-se o direito à elegibilidade do cidadão.

    Também ficou assentado no acórdão do TSE serem aplicáveis ao caso os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, em virtude da natureza estritamente formal da exigência apreciada naqueles autos (apresentação dentro do prazo legal da certidão de antecedentes criminais).

    A limitação legal à elegibilidade do cidadão representaria, segundo concluiu o TSE, uma restrição à igualdade de oportunidades na disputa eleitoral, devendo prevalecer o direito constitucional do candidato de concorrer ao pleito.

    Mesmo sendo os feitos eleitorais disciplinados por prazos exíguos em razão do princípio da celeridade que incide nesta seara jurídica, entendeu o TSE pela necessidade de se observarem as peculiaridades do caso concreto e deferir o pedido formulado pelo candidato em seu recurso naquela oportunidade.

    PRECEDENTES

    Verificação das condições de elegibilidade e das causas de inelegibilidade no pedido de registro de candidatura

    […] O art. 11, § 10, da Lei nº 9.504/97, preceitua que as condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade são aferidas no momento do pedido de registro de candidatura, ressalvadas as modificações de fato e de direito que afastem a inelegibilidade. […]

    (REspe nº 388-12/PB, rel. Min. Luiz Fux, publicado em sessão em 6.12.2016)

    Prazo de 72 horas para sanar o vício do requerimento de registro de candidatura

    AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DESAPROVAÇÃO. QUITAÇÃO ELEITORAL. DESINCOMPATIBILIZAÇÃO. ESCLARECIMENTO. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. […] 5. Havendo qualquer falha ou omissão no pedido de registro, que possa ser suprida pelo candidato, partido político ou coligação, o Juiz Eleitoral competente converterá o julgamento em diligência para que o vício seja sanado, no prazo de até 72 horas. Inteligência do art. 32 da Res.-TSE nº 23.373/2011. […]

    (AgR-REspe nº 270-53/RJ, rel. Min. Dias Toffoli, publicado em sessão de 29.11.2012)

    Juntada de documentos nas instâncias ordinárias

    Registro. Desincompatibilização. - Segundo a jurisprudência deste Tribunal e nos termos da Súmula TSE nº 3, somente é permitida a juntada de documentos a fim de suprir irregularidade no requerimento de registro, posteriormente ao seu indeferimento, caso o candidato não tenha sido intimado para tal providência na fase de diligência a que se referem os arts. 31 da Res.-TSE nº 23.221/2010 e 11, § 3º, da Lei nº 9.504/97. Agravo regimental não provido.

    (AgR-REspe nº 1231-79/RJ, rel. Min. Arnaldo Versiani, publicado em sessão em 15.9.2010)

    Juntada de documentos nas instâncias ordinárias quando o candidato foi intimado para sanar o vício

    ELEIÇÕES 2014. RECURSO ESPECIAL. REGISTRO DE CANDIDATURA. DEPUTADO ESTADUAL. CERTIDÃO CRIMINAL. JUNTADA TARDIA. INSTÂNCIA ORDINÁRIA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS, DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. PROVIMENTO. 1. As normas de direito eleitoral devem ser interpretadas de forma a conferir a máxima efetividade do direito à elegibilidade. 2. A juntada tardia de certidão faltante deve ser considerada pelo julgador enquanto não esgotada a instância ordinária, até mesmo em razão da ausência de prejuízo ao processo eleitoral. Incidência, na espécie, dos princípios da instrumentalidade das formas, da razoabilidade e da proporcionalidade. 3. Recurso provido, para determinar o retorno dos autos à Corte a quo, a qual deverá proceder ao exame do aludido documento.

    (REspe nº 384-55/AM, rel. Min. Luciana Lóssio, publicado em sessão em 4.9.2014)

    SÚMULA Nº 4

    Não havendo preferência entre candidatos que pretendam o registro da mesma variação nominal, defere-se o do que primeiro o tenha requerido.

    COMENTÁRIOS

    A Súmula nº 4 dispõe sobre o critério de escolha da variação nominal quando dois ou mais candidatos pretendam concorrer com o mesmo nome e nenhum deles tenha preferência legal. Esclarece o verbete que, nessa hipótese, prevalecerá a escolha do que primeiro tenha protocolado o pedido de registro de candidatura.

    Consoante disciplina o art. 12 da Lei nº 9.504/1997, o candidato deve apresentar à Justiça Eleitoral, ao pleitear o registro de sua candidatura, o nome que pretende ver registrado nas urnas e com o qual concorrerá às eleições, até o máximo de três opções na ordem de sua preferência.

    Entre as variações nominais, a lei faculta ao candidato optar por seu prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual é mais conhecido. Há, no entanto, uma proibição ao uso de nomes que causem dúvidas no eleitorado quanto à sua identidade, atentem contra o pudor ou sejam ridículos ou irreverentes. O impedimento, de fato, justifica-se em razão da seriedade do processo eleitoral.

    Mesmo com as restrições legais, alguns candidatos conseguem o deferimento do registro de candidatura indicando nomes de gosto duvidoso, a exemplo destes concorrentes ao pleito de 2016: Piolho, Maracujá, X Salada, Todo Feio, Piroca, Já Morreu, Mensageiro do Apocalipse, Cara de Pneu, entre outros.

    Na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há precedentes interessantes sobre o tema. Entre eles, é válido mencionar o registro de candidatura de uma deputada federal pela Bahia sob a variação nominal Xuxa, cujo pedido foi indeferido por identificar no meio nacional pessoa notória que não a candidata, tornando duvidosa sua identidade (REspe nº 8.816/BA). Outro caso curioso é o do candidato clone do Enéas (REspe nº 20.156/SP).

    Neste último precedente, nos termos do que descreveu o Ministro Sepúlveda Pertence, um candidato, beneficiando-se de sua semelhança física e da coincidência de seu nome com Enéas Ferreira Carneiro, ex-candidato à Presidência da República, e imitando seus gestos, sua voz e sua maneira de falar peculiares, pretendia candidatar-se a deputado federal, idêntico cargo ao qual concorria o verdadeiro Enéas. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo deferiu o registro de candidatura do clone, no entanto, proibiu-lhe a utilização do nome do candidato famoso na urna e na propaganda eleitoral. O TSE, ao julgar os recursos interpostos pelas partes, assentou serem plausíveis as medidas da Justiça Eleitoral no sentido de impedir a indução dos eleitores a erro.

    Nota-se, portanto, que o objetivo da Justiça Eleitoral é garantir a normalidade das eleições, evitando-se a utilização de nomes que causem confusão no eleitorado.

    Com esse propósito, a lei eleitoral estabelece ainda critérios para definição do nome de campanha do candidato na hipótese de coincidência entre as variações nominais escolhidas por dois ou mais deles.

    Assim, no momento da análise dos pedidos de registro de candidatura, o juiz eleitoral dará preferência ao candidato que estiver exercendo mandato eletivo ou o tenha exercido nos últimos quatro anos, ou que, nesse mesmo prazo, tenha-se candidatado com um dos nomes que indicou, ou ainda aquele que, pela sua vida política, social ou profissional, seja identificado por um dado nome que tenha indicado.

    Permanecendo a homonímia, a Justiça Eleitoral deverá notificar os candidatos para que, em dois dias, cheguem a um acordo sobre os respectivos nomes a serem usados.

    Não havendo acordo, prevalecerá a escolha do que primeiro protocolou seu pedido de registro de candidatura, devendo os demais utilizar alguma das outras duas variações nominais indicadas no seu requerimento, não sendo isso causa, por si só, de indeferimento do registro de candidatura.

    PRECEDENTES

    Variação nominal concedida ao candidato que primeiro requereu o registro

    RECURSO ORDINÁRIO. VARIAÇÃO NOMINAL. PUBLICAÇÃO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. […] 2. Em situação de igualdade, a variação nominal deve ser concedida ao candidato que primeiro requereu o registro. […]

    (RO nº 275/SP, rel. Min. Edson Vidigal, publicado em sessão em 21.9.1998)

    Vedação ao uso de nome que cause dúvida no eleitor

    CONSULTA. VEREADOR. REGISTRO DE CANDIDATURA COM

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