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A pedagogia na "era das revoluções": uma análise do pensamento de Pestalozzi e Froebel

A pedagogia na "era das revoluções": uma análise do pensamento de Pestalozzi e Froebel

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A pedagogia na "era das revoluções": uma análise do pensamento de Pestalozzi e Froebel

Duração:
322 páginas
4 horas
Lançados:
24 de nov. de 2015
ISBN:
9788574963488
Formato:
Livro

Descrição

Esta obra vem, em bora hora, possibilitar ao leitor brasileiro acesso a dois grandes clássicos do pensamento educacional: Pestalozzi e Froebel. Ao mesmo tempo denso em seu conteúdo, relevante pelo assunto de que trata, instigante pela forma em que é escrito e profundamente educativo pela cosnciência crítica que o anima, este livro é de grande interesse para todos os educadores. Todas as disciplias do currículo escolar se beneficiarão com o acesso a este texto. Oxalá os professores dos diferentes níveis de ensino lancem mão amplamente desta obra como um recurso educativo de primeira linha para elevar o nível da educação ministrada em nossas escolas.
Lançados:
24 de nov. de 2015
ISBN:
9788574963488
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

A pedagogia na "era das revoluções" - Alessandra Arce

aspas.

C A P Í T U L O  •  U M

A Era das Revoluções

(1789-1848)

O MUNDO NA ÉPOCA DE FROEBEL E PESTALOZZI

A maneira como a sociedade atual trata os pobres é verdadeiramente revoltante. Atraem-nos para as grandes cidades, onde respiram uma atmosfera muito pior do que na terra natal. Designam-lhes bairros cuja construção torna o arejamento muito mais difícil que qualquer outro local. Retiram-lhes todos os meios de permanecerem limpos, privam-nos de água, só lhes instalando água corrente contra pagamento e poluindo de tal modo os cursos da água que ninguém pode se lavar neles; constrangem-nos a jogar na rua todos os detritos e gorduras, todas as águas sujas e até, muitas vezes, todas as imundícies e excrementos nauseabundos, privando-os de qualquer outro modo de se desfazerem deles; e deste modo são obrigados a empestear os seus próprios bairros, mas ainda não é tudo. Acumulam sobre eles todos os males possíveis e imaginários. Se em geral a população das cidades já é demasiado densa, é a eles sobretudo que forçam a concentrar-se num pequeno espaço. Não contentes por terem empesteado a atmosfera da rua, fecham-nos às dezenas numa sala, de tal modo que o ar que respiram de noite é asfixiante. Dão-lhes alojamentos úmidos, porões cujo solo mina água ou mansardas cujo teto goteja. Constroem-lhes casas onde o ar viciado não pode circular. Dão-lhes roupas esfarrapadas, alimentos adulterados ou indigestos. Expõem-nos às mais vivas emoções, às mais violentas alternativas de medo e de esperança; perseguem-nos como caça, nunca os deixando descansar, não os deixam gozar uma existência tranquila. Privam-nos de todo o prazer, exceto o prazer sexual e a bebida, mas em contrapartida fazem-nos trabalhar diariamente até o esgotamento total das suas forças físicas e morais levando-os para os piores excessos nos dois únicos prazeres que lhes restam. E se isto não bastar, se resistirem a tudo isto, são vítimas de uma crise que os transforma em desempregados e que lhes retira o pouco que até então lhes tinham deixado

Engels, 1985

1. AS REVOLUÇÕES INDUSTRIAL, FRANCESA E DE 1848 – UM POUCO DE SUA HISTÓRIA ECONÔMICA, SOCIAL E POLÍTICA

Otrecho apresentado como epígrafe deste capítulo foi extraído da obra de Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra , escrita entre 1844 e 1845. É uma descrição contundente da situação dos trabalhadores ingleses durante a Revolução Industrial. Iniciou-se este capítulo com esta descrição tão dura e nua porque esse ambiente de privações e pobreza se fará presente na história do período que vai de 1789 a 1848. Este período foi marcado por muitas transformações na humanidade, muitas revoluções, e foi nele que Froebel e Pestalozzi cresceram e produziram. A chamada Era das Revoluções (termo este emprestado de Hobsbawm, 1996a) foi marcada pela Revolução Francesa, Revolução Industrial, as guerras napoleônicas, as revoluções que culminaram em 1848, mas, principalmente, marcou o triunfo da indústria capitalista, da liberdade e igualdade para a sociedade burguesa liberal. Para compreender melhor estes processos e entender como os homens da época pensavam e produziam é necessário mergulhar na história deste período.

Segundo Hobsbawm (1996a), o mundo em 1789 era essencialmente agrícola, não havendo diferença radical entre o homem do campo e o da cidade. Como os transportes não eram muito desenvolvidos, o homem quase não se deslocava, geralmente nascia, vivia e morria no mesmo local. Essa pouca mobilidade, aliada à precariedade dos processos de circulação de informação, tornava as pessoas muito pouco informadas sobre o que acontecia para além do seu meio social imediato. É muito importante ressaltar isso logo de início, pois esse fato tem implicações decisivas para a vida cotidiana das pessoas e para a educação.

Era, pois, um mundo essencialmente agrário e, a despeito da existência de um desprezo do homem da cidade pelo homem do campo, o trabalho com a terra era a fonte principal de produção de quase tudo aquilo que as cidades precisavam para existir e prosperar. O tema das relações entre o campo e a cidade, relações essas nem sempre tranquilas e harmoniosas, pode ser percebido em vários autores da época. Não se deve esquecer de que o Emílio de Rousseau é educado no

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