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Direito Tributário

Direito Tributário

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Direito Tributário

Duração:
601 páginas
5 horas
Lançados:
1 de jan. de 2018
ISBN:
9788577892860
Formato:
Livro

Descrição

Este livro foi testado nos concursos públicos, nas salas de aula das Universidades e na prática judiciária, e garantiu excelentes resultados para quem dele se valeu. Esperamos que esta especial edição continue a ajudar a todos que estudam e aplicam o Direito Tributário brasileiro.
Lançados:
1 de jan. de 2018
ISBN:
9788577892860
Formato:
Livro


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Direito Tributário - Deusmar José Rodrigues

Direito Tributário - 4ª edição

© Deusmar José Rodrigues

J. H. MIZUNO 2015

Revisão:

Celia Siebert

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Maurício Amormino Júnior, CRB6/2422)

R696d

Rodrigues, Deusmar José.

Direito tributário (inclui planejamento tributário e modelo ações judiciais) / Deusmar José Rodrigues.

Leme: J. H. Mizuno, 2015.

Inclui referências.

1. Direito financeiro. 2. Direito tributário – Brasil. 3. Direito tributário - Legislação. I. Título.

Índice para o Catálogo Sistemático

1. Direito Fiscal : Brasil 343.8104

2. Impostos : Legislação 343.8104

3. Legislação Fiscal 343.8104

        Nos termos da lei que resguarda os direitos autorais, é expressamente proibida a reprodução total ou parcial destes textos, inclusive a produção de apostilas, de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos xerográficos, reprográficos, de fotocópia ou gravação.

        Qualquer reprodução, mesmo que não idêntica a este material, mas que caracterize similaridade confirmada judicialmente, também sujeitará seu responsável às sanções da legislação em vigor.

        A violação dos direitos autorais caracteriza-se como crime incurso no art. 184 do Código Penal, assim como na Lei n. 9.610, de 19.02.1998.

        O conteúdo da obra é de responsabilidade do autor. Desta forma, quaisquer medidas judiciais ou extrajudiciais concernentes ao conteúdo serão de inteira responsabilidade do autor.

Todos os direitos desta edição reservados à

J. H. MIZUNO

Rua Prof. Mário Zini, 880 – Cidade Jardim – CEP: 13614-230 – LEME/SP

Fone/Fax: (19) 3571-0420

Visite nosso site: www.editorajhmizuno.com.br

e-mail: atendimento@editorajhmizuno.com.br

Dedico esta edição a Gilciene Veloso Borges, exemplo de profissional, esposa e mãe para todos que com ela têm o privilégio de conviver.

Apresentação

Alterações nos textos legais e infralegais, e, especialmente, a evolução da doutrina e da jurisprudência sempre nos impulsionam a manter o livro atualizado.

Nesse cenário de constantes mudanças, temos a honra de trazer a público a 4ª edição deste livro, revista, atualizada e ampliada.

Nesta edição especial, fomos além e introduzimos temas transversais, como o Planejamento Tributário, temática ausente em obras de perfil similar.

Outra inovação está na inserção de um capítulo sobre Processualística Tributária, com abordagem doutrinária, e um lado eminentemente prático, com modelos de peças judiciais.

Movidos pelo propósito de cooperar, desde logo agradecemos aos nossos preclaros leitores pela acolhida deste trabalho.

O Autor

Lista de abreviaturas

Sumário

Capítulo 1

O Direito

O Direito

1.1 Concepções filosóficas acerca do direito

1.2 Conceito de direito

1.3 Direito Natural

1.3.1 Conceito de Direito Natural

1.4 Direito Positivo

1.4.1 Conceito de Direito Positivo

1.5 Direito Privado e Direito Público

1.5.1 Conceito de Direito Privado

1.5.2 Conceito de Direito Público

1.6 Ciência do Direito

1.7 Ciência do Direito e Direito Positivo

Capítulo 2

O Estado

2.1 O Estado moderno

2.2 Formas de Estado

2.3 O Estado como pessoa

2.4 O Estado brasileiro

2.4.1 O Estado Financista

Capítulo 3

Atividade Financeira do Estado

3.1 Definição de atividade financeira do Estado

3.2 Móvel da atividade financeira estatal

Capítulo 4

Direito Financeiro

4.1 Conceito de Direito Financeiro

4.2 Institutos Jurídicos de Direito Financeiro

4.3 Classificação das receitas públicas

4.3.1 Categorias de receitas públicas

4.3.2 Crítica às classificações

Capítulo 5

Direito Tributário

5.1 Introdução

5.2 Conceito de Direito Tributário

5.3 Direito Tributário Material e Formal

5.3.1 Direito Tributário Material

5.3.2 Direito Tributário Formal

5.4 Autonomia do Direito Tributário

5.4.1 Antecedente doutrinário

5.4.2 Entendimento majoritário

Capítulo 6

Norma Jurídica Tributária

6.1 Norma jurídica

6.2 Norma jurídica tributária

6.2.1 Norma de conduta

6.2.1.1 Estrutura da norma de conduta

6.2.2 Hipótese de incidência e consequência

Capítulo 7

Fontes do Direito Tributário

7.1 Vocábulo equívoco

7.2 Espécies de fontes

7.3 Fonte constitucional

7.4 Fontes formais superiores

7.4.1 A Constituição Federal

7.4.2 Emenda constitucional

7.4.3 Lei Complementar

7.4.4 Lei ordinária

7.4.5 Lei delegada

7.4.6 Medida provisória43

7.4.6.1 Medida provisória em Direito Tributário

7.4.7 Decreto Legislativo

7.4.8 Resoluções

7.4.9 Tratados ou convenções

7.5 Fontes formais inferiores

7.5.1 Decreto regulamentar

7.5.2 Normas complementares

7.5.2.1 Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas

7.5.2.2 Decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa

7.5.2.3 Práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas

7.5.2.4 Convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios

Capítulo 8

Vigência da Legislação Tributária

8.1 A lei tributária no tempo

8.2 Critérios para resolução de conflito de leis da tributação

8.3 Princípio da territorialidade

8.4 Anterioridade da lei tributária

Capítulo 9

Interpretação da Legislação Tributária

9.1 Prólogo

9.2 Interpretação das normas tributárias

9.2.1 Interpretação literal

9.2.2 Interpretação benigna

9.2.3 Interpretação econômica

9.3 Integração da legislação tributária

Capítulo 10

Aplicação da Legislação Tributária

10.1 Qualificação jurídica

10.2 Fatos geradores futuros

10.3 Fatos geradores pendentes

10.4 Lei retroativa

Capítulo 11

Economia Lícita e Ilícita de Tributo

11.1 Planejamento tributário

11.2 Elisão

11.3 Evasão

11.4 Fraude à lei tributária

11.5 Simulação

11.6 Sonegação63

Capítulo 12

Os Tributos

12.1 Importância

12.2 Conceito

12.3 Finalidade

12.4 Categorias

12.4.1 Impostos

12.4.1.1 Classificação jurídica

12.4.1.1.1 Impostos reais e pessoais

12.4.1.1.2 Classificação do CTN73

12.4.1.1.3 Classificação fundada no elemento quantitativo do fato gerador

12.4.1.2 Classificação econômica

12.4.1.2.1 Imposto direto

12.4.1.2.2 Imposto indireto

12.4.2 Taxas

12.4.2.1 Conceito

12.4.2.2 Classificação

12.4.2.2.1 Taxa de polícia

12.4.2.2.2 Taxa de serviço

12.4.2.3 Taxa, preço público e tarifa

12.4.2.4 Base de cálculo das taxas

12.4.3 Contribuição de melhoria

12.4.4 Empréstimos compulsórios

12.4.4.1 Referência histórica

12.4.4.2 Conceito

12.4.4.3 Classificação

12.4.4.3.1 Empréstimos compulsórios excepcionais (ou emergenciais)

12.4.4.3.2 Empréstimos compulsórios especiais (ou de caráter urgente)

12.4.5 Contribuições (parafiscais ou especiais)

12.4.5.1 Denominação

12.4.5.2 Natureza jurídica

12.4.5.3 Classificação

12.4.5.3.1 Contribuições sociais

12.4.5.3.2 Contribuições de intervenção no domínio econômico

12.4.5.3.3 Contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas

12.4.5.3.4 Finalidade

Capítulo 13

Competência

13.1 Soberania fiscal

13.2 Federalismo e competência

13.3 Evolução normativa

13.4 Classificação

13.4.1 Competência privativa

13.4.2 Competência comum

13.4.3 Competência residual

13.4.4 Competência cumulativa (ou múltipla)

13.5 Bitributação e bis in idem

13.6 Competência no CTN

13.6.1 Capacidade tributária

Capítulo 14

Limitações do Poder de Tributar

14.1 Princípios e regras superiores

14.2 Conceito

14.3 Classificação

14.4 Imunidades

14.4.1 Classificação

14.4.2 Lista das imunidades na CF/8885

14.4.3 Imunidades e o STF

14.5 Limitações principiológicas

14.5.1 Princípio da legalidade

14.5.1.1 Matérias submetidas à estrita legalidade

14.5.1.2 Exceção ao princípio da estrita legalidade

14.5.2 Princípio da irretroatividade da lei tributária

14.5.3 Princípio da Anterioridade da lei tributária

14.5.3.1 Exceção ao princípio da anterioridade

14.5.4 Princípio da igualdade (ou da isonomia)

14.5.5 Princípio da vedação de tributo confiscatório

14.5.6 Princípio da liberdade de tráfego

14.5.7 Princípio da uniformidade geográfica da tributação

14.5.8 Princípio da capacidade econômica do contribuinte

14.5.9 Princípio da livre concorrência

Capítulo 15

Obrigação Tributária

15.1 Teoria legal das obrigações

15.2 Obrigação tributária principal ou acessória

15.2.1 Obrigação principal

15.2.2 Obrigação acessória

15.3 Fato gerador da obrigação tributária

15.3.1 Classificação

15.3.1.1 Instantâneo

15.3.1.2 Periódico

15.3.1.3 Continuado

15.3.1.4 Presumido

15.3.2 Aspectos da hipótese de incidência

15.3.2.1 Aspecto material

15.3.2.2 Aspecto pessoal

15.3.2.3 Aspecto temporal

15.3.2.4 Aspecto espacial

15.3.2.5 Aspecto quantitativo

15.4 Sujeito ativo

15.4.1 Ente político como sujeito ativo

15.4.2 Ente não político como sujeito ativo

15.5 Sujeito passivo

15.5.1 Sujeito passivo da obrigação acessória

15.5.2 Sujeito passivo da obrigação principal

15.5.2.1 Contribuinte

15.5.2.2 Responsável

15.5.2.2.1 Substituto

15.5.2.2.2 Sucessor

15.5.2.2.3 Terceiro

15.6 Capacidade tributária passiva

15.7 Domicílio tributário

15.8 Solidariedade

15.9 Responsabilidade por infração

15.9.1 Denúncia espontânea

Capítulo 16

Crédito Tributário

16.1 Comentários iniciais

16.2 Lançamento

16.2.1 Conceito

16.2.2 Natureza jurídica

16.2.3 Modalidades

16.2.3.1 Lançamento por declaração

16.2.3.2 Lançamento por homologação

16.2.3.3 Lançamento de ofício

16.2.4 Alteração

16.3 Suspensão da exigibilidade do crédito tributário

16.3.1 Moratória

16.3.2 Depósito

16.3.3 Reclamações e recursos

16.3.4 Concessão de medida liminar em mandado de segurança

16.3.5 Concessão de medida liminar ou de tutela antecipada

16.3.6 Parcelamento

16.4 Extinção do crédito tributário

16.4.1 Pagamento

16.4.2 Demais modalidades de extinção

16.4.2.1 Compensação

16.4.2.2 Transação

16.4.2.3 Remissão

16.4.2.4 Decadência

16.4.2.5 Prescrição

16.4.2.6 Dação em pagamento em bens imóveis e decisão judicial passada em julgado

16.4.3 Repetição de indébito tributário

16.5 Exclusão do crédito tributário

16.5.1 Isenção

16.5.1.1 Classificação

16.5.1.2 Revogação de isenção condicionada

16.5.2 Anistia

16.5.2.1 Classificação

16.6 Garantias e privilégios do crédito tributário

16.6.1 Presunção de fraude à execução

Capítulo 17

Administração Tributária

17.1 Atividade do Poder Executivo

17.2 Fiscalização

17.3 Dívida ativa

17.4 Certidões negativas

Capítulo 18

Os Impostos em Espécie

18.1 Impostos federais

18.1.1 Imposto sobre importação de produtos estrangeiros

18.1.2 Imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados

18.1.3 Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza

18.1.3.1 Imposto de renda da pessoa física

18.1.3.2 Imposto de renda da pessoa jurídica

18.1.4 Imposto sobre produtos industrializados

18.1.5 Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos ou valores mobiliários

18.1.6 Imposto sobre propriedade territorial rural

18.1.7 Imposto sobre grandes fortunas

18.1.8 Outros impostos

18.2 Impostos estaduais

18.2.1 Imposto sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos

18.2.2 Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior

18.2.3 Imposto sobre propriedade de veículos automotores

18.3 Impostos municipais

18.3.1 Imposto sobre propriedade predial e territorial urbana

18.3.2 Imposto sobre transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos à sua aquisição

18.3.3 Imposto sobre serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, Ii, definidos em Lei Complementar

Capítulo 19

Planejamento Tributário

19.1 Definição

19.2 Passo a passo

19.3 Planejamento antijurídico

19.4 Declaração do imposto de renda da pessoa física

19.4.1 Dependentes

19.4.2 Instrução

19.4.3 Saúde

19.5 Não incidência do imposto de renda da pessoa física

19.6 Isenção do imposto de renda da pessoa física

19.6.1 Catálogo da Instrução Normativa RFB n.º 1.500/2014

19.6.2 Isenções de outros tributos

19.7 Para pessoas jurídicas e figuras equiparadas

19.7.1 Simples nacional

19.7.2 Lucro presumido

19.7.3 Lucro real

19.7.4 Outros

Capítulo 20

Processualística Tributária

20.1 Ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária

20.1.1 Ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributário com pedido de repetição de indébito

20.2 Ação anulatória de débito fiscal

20.2.1 Ação anulatória de débito fiscal com pedido de repetição de indébito

20.3 Ação de repetição de indébito

20.4 Mandado de segurança

20.5 Ação de consignação em pagamento

20.6 Embargos à execução fiscal

20.7 Exceção de pré-executividade

20.8 Ação de execução fiscal

20.9 Medida cautelar fiscal

20.10 Modelos de peças processuais

20.10.1 Ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária cumulada com repetição de indébito e tutela de urgência

20.10.2 Ação anulatória de débito fiscal cumulado com repetição de indébito e tutela de urgência

20.10.3 Ação de consignação em pagamento com tutela de urgência

20.10.4 Mandado de segurança com pedido de liminar

20.10.5 Contestação em medida cautelar fiscal

20.10.6 Embargos a execução fiscal com pedido tutela de urgência

20.10.7 Exceção de pré-executividade

20.10.8 Agravo de instrumento com pedido de tutela recursal

20.10.9 Apelação com pedido de efeito devolutivo

20.10.10 Embargos infrigentes

20.10.11 Recurso especial

20.10.12 Recurso extraordinário

REFERÊNCIAS

Capítulo 1

O Direito

1.1 Concepções filosóficas acerca do direito

Existem alentados tratados e singulares monografias sobre o conceito de Direito. No entanto, nenhum conseguiu contemplar toda a complexidade desse fenômeno. Muitas dificuldades apresentam-se pelo caminho. Entre elas podemos citar a dificuldade de se elaborarem definições reais ou convencionais, o fato de ser a palavra Direito ambígua, além de esta conter uma forte carga emotiva.

Pensava-se que a Ciência do Direito tivesse ensejo de oferecer um conceito universal de Direito. Como o objeto de estudo da Ciência do Direito são as próprias normas, a busca da universalidade não seria alcançada, posto que, assim, se ateria à especificidade de cada ordenamento jurídico. Com isso, o enfoque haveria de ser outro. Propôs-se que a noção universal fosse uma indagação de caráter filosófico, no campo da Filosofia do Direito. Três importantes vertentes filosóficas – representadas pelas doutrinas de orientação sociologista¹, pelo positivismo jurídico² e pelas teorias jusnaturalistas³ – tentam dar o conceito perseguido.

1.2 Conceito de direito

A eleição de um conceito, dentre tantos franqueados por juristas e não juristas, reveste-se de uma necessidade imperiosa para os fins desta exposição, mas adverte-se, aqui, sobre sua insuficiência. Dante Alighieri⁴ cunhou um dos mais memoráveis conceitos de Direito, concebendo-o assim: O Direito é uma proporção real e pessoal, de homem para homem, que, conservada, conserva a sociedade; corrompida, corrompe-a.⁵

1.3 Direito Natural

Direito Natural é o nato, forjado pela natureza humana e oposto ao Direito Positivo⁶. Identifica-se pelo norte que traça ao poder legiferante, impedindo-o de violar os mais caros princípios jurídicos. Seus principais caracteres são a universalidade, já que não está adstrito tão-somente a um território; a imutabilidade, posto que o Estado, mesmo que o desejasse, não teria como revoga-lo, tal qual faria com o Direito legislado; experimenta-se contato com ele por meio da razão e não de leis escritas; é desprovido de coação.

1.3.1 Conceito de Direito Natural

O Corpus Juris Civilis⁷ plasmou o Direito Natural nos termos seguintes:

O Direito Natural é o que a natureza tem ensinado a todos animais; um Direito não peculiar à raça humana, mas compartilhado por todas criaturas vivas, sejam habitantes do ar, terra ou mar⁸.

Mas, no sentido moderno, o Direito Natural é tido como o que decorre de princípios impostos à legislação dos povos cultos, fundados na razão e na equidade, para que regulem e assegurem os direitos individuais, tais como os de vida, de liberdade, de honra e de todos os direitos patrimoniais, que asseguram a própria existência do homem⁹.

1.4 Direito Positivo

O Direito Positivo notabiliza-se pela aderência a um determinado território; é mutável, na medida em que o processo legislativo prevê o rito para introdução de normas no ordenamento jurídico total e as formas pelas quais essas normas possam evadir-se ou deixar de ter validade; representa ato de vontade do Estado ou da sociedade; é coativo porque independe da vontade das pessoas a ele submetidas.

1.4.1 Conceito de Direito Positivo

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada pela Assembleia Nacional da França, em 26 de agosto de 1789, como produto jurídico do movimento que a história qualificou de Revolução Francesa, já dizia que a lei é a expressão da vontade geral¹⁰. Tal assertiva transformava-se na regra-guia do novo Estado, robustecendo o princípio da legalidade. A primazia da lei e, portanto, do Direito Positivo, acabava de ser reafirmada. O ideal subjacente era o de que passava a lei a reger condutas, seja permitindo-as, proibindo-as ou impondo-as.

Nos dias atuais, o legislador constitucional ou ordinário não resiste à tentação de invadir a seara reservada à doutrina para proclamar conceitos, fazendo-os no corpo das leis¹¹.

É indubitável que entre as disposições jurídicas, por exemplo, de um código, há muitas que não implicam mandado nem proibição de nenhum gênero. Uma consideração mais precisa das mesmas demonstra que, por si sós, carecem de toda significação. Somente a adquirem em união com outras proposições jurídicas, com as quais formam mandados e concessões e somente então recebem natureza de proposições jurídicas, pois unicamente é direito o que tem efeito de tal, ou seja, o que influi na vida coletiva dos homens, ordenando-a e dando-lhe forma. Portanto, são somente partes de proposições jurídicas, proposições jurídicas incompletas. Sua necessidade resulta das exigências da técnica legislativa¹².

Não ignorando a realidade e sabendo que as definições legais deviam fazer-se excepcionalmente e quando imprescindíveis, busquem-se no magistério da doutrina as palavras que bem possam desvelar esta categoria de Direito. "Positivo é o Direito institucionalizado pelo Estado. É a ordem jurídica obrigatória em determinado lugar e tempo"¹³. Por isso, não é demais enfatizar que o direito positivo é o complexo de normas jurídicas válidas num dado país¹⁴.

As duas interpretações retrocitadas dão-nos uma visão panorâmica do Direito Positivo. Impende acrescer que os princípios gerais de Direito e os costumes¹⁵ formam, com a lei, o seu suporte dogmático.

1.5 Direito Privado e Direito Público

Costuma-se, ainda, secionar o Direito Positivo em dois ramos, surgindo, dessa partilha, o Direito Privado e o Direito Público. Desse modo, fica afastada a presunção de prevalência de um sobre o outro, apregoada pelos defensores da teoria monista do Direito.

Algumas teorias tentam fornecer critérios para que o exegeta possa saber se está diante de texto legal que veicula norma de Direito Público ou Privado.

Os adeptos da teoria dos interesses preponderantes sustentam que, se o interesse imediato for privado, se tratará de regra de Direito Privado; se público, cuidar-se-á de regra de Direito Público. Essa teoria não satisfaz plenamente, pois nela também não há elementos legais ou doutrinários os quais possam precisar o que venha a ser interesse público ou privado.

Mesma sorte teve a teoria da natureza da relação jurídica. Os defensores desta teoria veem a relação jurídica em um plano vertical, em que a pessoa de Direito Público estaria no topo e a pessoa do particular na base. Daí a subordinação de uma parte e a supremacia da outra. Não há como admitir a proeminência de um sujeito em detrimento da pessoa posicionada no outro polo da relação jurídica. In casu, não haveria uma relação jurídica, mas uma relação de poder, com o que o Direito não compactua.

De minha parte, afirmo, ao falar de regime de direito público, que ele deve ser buscado diretamente nas normas jurídicas. Portanto, só poderei dizer que certos bens (os públicos) são juridicamente diferentes de outros (os bens privados) depois de constatar que as normas jurídicas dão a eles tratamentos diferenciados¹⁶.

A distinção com fulcro no regime jurídico trabalha com dados concretos: as normas de Direito posto. Quiçá o maior atributo deste critério esteja em lidar com dados objetivos e, por conseguinte, superar os demais critérios construídos sobre bases imateriais. Entretanto, isso não coloca essa teoria a salvo de críticas. O Direito é mais amplo do que as normas escritas que o externam e a lei não hesita em conferir certos privilégios às pessoas jurídicas de Direito Público.¹⁷

1.5.1 Conceito de Direito Privado

O Direito Privado regula os direitos e as obrigações de ordem privada concernentes às pessoas, aos bens e às suas relações jurídicas, na esteira do que prevê o Código Civil brasileiro, aprovado pela Lei nº 10.406, de 10/01/02.

1.5.2 Conceito de Direito Público

O Direito Público rege as relações jurídicas entre o Estado, inclusive suas autarquias e fundações públicas, e os particulares, bem como fornece as normas de organização e competência de órgãos e agentes administrativos.

1.6 Ciência do Direito

O ordenamento jurídico dos países descendentes do Direito da família romano-germânica¹⁸ traduz-se em um elenco de normas de variados graus de hierarquia. A norma que dá sustentação às demais é a Constituição. Ela regulamenta diretamente algumas matérias e prevê quem e quais os órgãos que poderão elaborar as demais leis e atos normativos.

O objeto da Ciência do Direito há de ser precisamente o estudo desse feixe de proposições, vale dizer, o contexto normativo que tem por escopo ordenar o procedimento dos seres humanos, na vida comunitária. O cientista do Direito vai debruçar-se sobre o universo das normas jurídicas, observando-as, investigando-as, interpretando-as e descrevendo-as segundo determinada metodologia. Como ciência que é, o produto de seu trabalho terá caráter descritivo, utilizando uma linguagem apta para transmitir conhecimentos, comunicar informações, dando conta de como são as normas, de que modo se relacionam, que tipo de estrutura constróem e, sobretudo, como regulam a conduta intersubjetiva. Mas, ao transmitir conhecimentos sobre a realidade jurídica, o cientista emprega a linguagem e compõe uma camada lingüística que é, em suma, o discurso da Ciência do Direito¹⁹.

1.7 Ciência do Direito e Direito Positivo

A Ciência do Direito compõe-se de proposições descritivas, produzidas por cientistas. Tais proposições são verdadeiras ou falsas, tudo a depender da conformação com o Direito Positivo.

O Direito Positivo compreende o conjunto de normas produzidas por órgãos autorizados pela Constituição do país. As normas dizem-se válidas ou inválidas, consoante sejam ou não elaboradas em sintonia com os ritos prefixados e se afinem ou não com as normas superiores.

1 Advoga essa teoria que o Direito é criado e aplicado pelo homem, tendo vigência social.

2 Para quem defende essa doutrina, o Direito constitui um conjunto de normas elaboradas por quem está autorizado e dentro do iter procedimental previsto. São consideradas primárias as normas que preveem sanção em caso de não realização do mandamento nelas encartado.

3 Certos valores são fundamentais para essa visão filosófica, avultando o da justiça.

4 Poeta italiano que nasceu em 1265, em Florença, e faleceu em 1321, em Ravena.

5 Apud REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 1987, p. 60.

6 Não estamos a dizer que a maioria das normas de Direito Positivo seja incompatível com o Direito Natural. Contudo, não negamos também que há formulações legais que colidem com alguns direitos naturais, tais como a pena de morte e as lesões corporais, nos países em que elas estão institucionalizadas.

7 Código do Imperador Justiniano (527-565).

8 Em inglês: The law of nature is that which she has taught all animal; a law not peculiar to the human race, but shared by all living creatures, whether denizens of the air, the dry land, or the sea. Fonte: www.fordham.edu/halsall/source/corpus1.html. [capturado em 26/04/2000]

9 SILVA, de Plácido e. Vocabulário Jurídico, v. ii. 12. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1993, p. 91.

10 Article 6. Law is the expression of the general will.

11 Verbi gratia, o artigo 3º do Código Tributário Nacional (CTN) legaliza o que o legislador entende por tributo. A Constituição Federal de 1988 construiu, nos §§ 3º e 4º do artigo 226, a moldura jurídica do que seja entidade familiar. O artigo 213 do Código de Processo Civil conceitua o que vem a ser citação para o legislador processual. Não são normas, claro está, diretamente ordenadoras de condutas, como usualmente ocorre quando se impõem comportamentos matriciais com os verbos obrigar ou proibir. Não obstante, a grossa parte das regras de Direito são do tipo regentes de conduta, prevendo sanção em caso de violação.

12 Tradução nossa de trecho da versão espanhola do volume I do Tratado de Derecho Civil, de Ludwig Enneccerus, Theodor Kipp e Martin Wolf (Barcelona: Bosch, Casa Editoral, Apartado 928, 1947, p. 112).

13 NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito. 13. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 95.

14 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 11. ed. São Paulo: Forense, 1999, p. 1.

15 Não vemos razão plausível para a exclusão dos costumes e dos princípios gerais de Direito do rol do Direito Positivo. Pelo contrário, se ambos são fontes de Direito, consoante o artigo 4º da lei de introdução do Código Civil, deve entender-se que dele sejam partes.

16 SUNDFELD, Carlos. Fundamentos de direito Público. 3. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1998, p. 132.

17 Para exemplificar, o Direito brasileiro confere o prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer quando a parte for a Fazenda Pública, artigo 188 do CPC. O prazo de prescrição contra a Fazenda Pública é de cinco anos e, interrompida a prescrição, volta a correr pela metade, artigo 1º do Decreto nº 20.910/32 e artigo 3º do Decreto-lei nº 4.597/42.

18 Esta família agrupa os países nos quais a ciência do direito se formou sobre a base do direito romano. As regras de direito são concebidas nestes países como sendo regras de conduta, estreitamente ligadas a preocupações de justiça e de moral. (DAVID, René. Os Grandes sistemas do direito contemporâneo. Trad. de Hermínio A. Carvalho. 3. ed., 2. tiragem. São Paulo: Martins Fontes, 1998. pp. 17-18.

19 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito Tributário. 11. ed. São Paulo: Forense, 1999. p. 2.

Capítulo 2

O Estado

2.1 O Estado moderno

Os ensinamentos hauridos nas lições da disciplina Teoria Geral do Estado são unânimes em afirmar que o Estado moderno é reconhecido como aquele composto por três elementos, quais sejam, o físico²⁰, o humano e o político, exemplificados nas figuras do território, do povo e do governo soberano. Apesar da veracidade dessa assertiva, a melhor doutrina sustenta que só a existência desses elementos não seria suficiente para configurar o Estado como pessoa jurídica de Direito Internacional. Assim, para que o Estado passe a integrar o rol das pessoas jurídicas com personalidade internacional, faz-se mister o reconhecimento internacional, ou seja, os demais Estados soberanos deverão, em ato seu, reconhecer a personalidade internacional da novel pessoa política.

Podemos averbar que o Estado moderno alcança personalidade internacional quando reúne quatro elementos, a saber:

I) o físico;

II) o humano;

III) o político;

IV) o reconhecimento internacional²¹.

2.2 Formas de Estado

A classificação jurídica dos Estados mais aceitável é a que atende aos propósitos desta exposição.

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