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Manual ilustrado para o cirurgião-dentista da Unidade de Terapia Intensiva

Manual ilustrado para o cirurgião-dentista da Unidade de Terapia Intensiva

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Manual ilustrado para o cirurgião-dentista da Unidade de Terapia Intensiva

Duração:
270 páginas
2 horas
Editora:
Lançados:
20 de jun. de 2018
ISBN:
9788595131286
Formato:
Livro

Descrição

O Manual Ilustrado para o cirurgião-dentista da Unidade de Terapia Intensiva é uma obra idealizada por dentistas residentes multiprofissionais e seus preceptores. Com um caráter interdisciplinar, foi desenvolvido dentro de um Hospital Universitário. Traz, de forma didática, as informações essenciais para que odontólogos consigam desempenhar de forma segura sua função no ambiente hospitalar e intensivo. Como foi fruto de uma prática profissional, compreende tópicos especialmente pensados para cirurgiões-dentistas; porém, pode ser auxiliar na aquisição de conhecimentos em outras áreas da saúde como a enfermagem, a farmácia, a fisioterapia e a fonoaudiologia.
Editora:
Lançados:
20 de jun. de 2018
ISBN:
9788595131286
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Manual ilustrado para o cirurgião-dentista da Unidade de Terapia Intensiva - Luana Taques

Candidose

BIOSSEGURANÇA EM

AMBIENTE HOSPITALAR

A prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência em Saúde

Luciane Patrícia Andreani Cabral

Isabella Maravieski Lipinski

Biossegurança é um conjunto de procedimentos, ações, técnicas, metodologias, equipamentos e dispositivos que são capazes de eliminar ou, ao menos, minimizar, os riscos inerentes a determinada atividade - pesquisa, produção, ensino, serviço-, que podem comprometer tanto a saúde do meio ambiente e dos indivíduos que a ele pertencem ou a qualidade do trabalho desenvolvido¹. Durante a graduação em Odontologia, aprende-se muito sobre biossegurança: como a profissão presta atendimento a diferentes tipos de pessoas, realiza procedimentos invasivos que envolvem contato com fluidos biológicos constantemente e utiliza-se de instrumentais que geram aerossóis, há um enfoque importante na grade curricular no que tange ao uso de equipamentos de proteção, notadamente os individuais (EPIs). Porém, no ambiente hospitalar, existem algumas particularidades, principalmente no que diz respeito à minimização de riscos biológicos.

Após a epidemia de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) nos anos 1980, a transmissão via ocupacional desse vírus tomou uma dimensão maior entre os profissionais de saúde após a confirmação do primeiro caso de contaminação ocorrido em um hospital na Inglaterra². A compreensão do modo de transmissão de muitas patologias foi essencial para a evolução das medidas de biossegurança, evolução esta que vem orientada pelas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). Essas comissões foram instituídas no Brasil em 1983, através da publicação da Portaria nº196, de 24 de junho e, a partir de então, criou-se o Manual de Controle de Infecção Hospitalar, que norteia as CCIHs nos hospitais brasileiros³. Entre as mudanças trazidas pelas CCIHs, podem-se citar a introdução do uso de Equipamentos de Proteção individual (EPIs) na assistência a todos os pacientes, independente do diagnóstico; a esquematização simplificada dos isolamentos, que passaram a ser de duas categorias: precauções padrão e precauções pela rota de transmissão; e o estímulo à imunização dos profissionais, além do adequado processamento de superfícies e artigos hospitalares, que envolve a limpeza e esterilização quando necessário⁴.

Existem quatro diferentes tipos de precauções: primeiro, as Precauções Padrão, cuidados que devem ser adotados frente a todos os pacientes assistidos, com vistas a reduzir o risco de transmissão de patógenos, sejam eles conhecidos ou não. Já as Precauções Baseadas na Transmissão se classificam em três categorias, que são as precauções por contato, por gotículas e por aerossóis⁵.

PRECAUÇÕES-PADRÃO

As Precauções Padrão (PP) são medidas que devem ser tomadas por todo trabalhador da área da saúde, com vistas a diminuir a transmissibilidade de agentes infecciosos, que estão em fluidos corporais, em lesões de pele e mucosas e em material oriundo desse paciente ou que tenha entrado em contato com ele. Consistem, basicamente, na lavagem das mãos, no uso de EPIs, no correto manejo e descarte de materiais biológicos e na imunização dos profissionais⁶.

Lavagem das mãos

A higienização das mãos é a atitude mais importante a ser tomada quando se deseja diminuir a transmissibilidade de infecções. O uso de luvas não dispensa a necessidade de lavagem das mãos antes e depois de qualquer tipo de contato com o paciente. Trata-se de fricção manual vigorosa e sistematizada de toda a superfície das mãos e punhos, fazendo uso de sabão, seguida de enxágüe com água em abundância. A lavagem das mãos também pode ser feita com o uso de preparações antissépticas, como a clorexidina, dependendo do grau de contaminação, das condições do paciente e do tipo de procedimento que será realizado; é utilizada na antissepsia pré-cirurgica das mãos. Quando não há sujidades, as mãos podem ser higienizadas com álcool em gel, através da técnica correta; vários estudos que compararam a eficácia na redução bacteriana nas mãos quando do uso de sabonetes comuns, sabonetes associados a antissépticos e produtos alcoólicos, concluíram que os alcoóis surtiram maior redução bacteriana mesmo quando comparados a sabonetes associados com PVPI, clorexidina a 4% ou triclosan. Em pesquisas relacionadas a patógenos multirresistentes, as substâncias alcoólicas foram mais efetivas que a lavagem das mãos com água e sabonete na redução da carga microbiana das mãos de trabalhadores da saúde¹²-¹⁶. A importância da higienização das mãos na redução da transmissão de infecções relacionadas à saúde faz com que se despenda tempo e recursos para incorporar essa prática em todos os níveis de atenção à saúde. Na imagem ilustrada abaixo (Figura 1.1), são apresentadas técnicas preconizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para a lavagem simples das mãos e para a higienização antisséptica com preparações alcoólicas.

Figura 1.1. Técnica de higiene das mãos com água e sabão e fricção antisséptica com preparação alcoólica. FONTE: OPAS/OMS³⁷

Uso de EPIs

LUVAS: as luvas, que têm a finalidade de proteger tanto profissional quanto paciente, devem ser calçadas antes do contato com o paciente e retiradas logo após o uso, seguido de lavagem das mãos. São indicadas principalmente quando há risco de contato com fluidos corporais ou membranas mucosas. No geral, as luvas de procedimento não são estéreis; a opção estéril existe para ser utilizada em procedimentos como cirurgias, punções invasivas, ou seja, naquelas situações onde é necessário um maior controle sobre a infecção. Também utilizada em procedimentos comuns em pacientes suscetíveis, como por exemplo, imunossuprimidos.

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AVENTAIS e ROUPAS PRIVATIVAS: Na UTI, é rotina o uso de roupas privativas (ou pijamas) (Fig 1.2), conforme orientado pela NR 32, que indica que o patrão deve fornecer, sem ônus para o empregado, roupas próprias para o trabalho que priorizem a segurança, bem como meios de processamento dessas roupas, de modo que o empregado retire-a ao sair de seu turno, evitando a disseminação de possíveis agentes biológicos¹⁹. Quanto aos aventais, existem os de uso diário (jaleco) e aqueles para uso em procedimentos invasivos ou isolamentos (capote). O segundo é utilizado com freqüência nas UTIs, haja vista que são bastante comuns pacientes sob diferentes tipos de isolamento; porém, em determinadas instituições, em qualquer um dos três isolamentos por rota de transmissão, o uso do capote é exigido.

FIGURA 1.2 - Roupa privativa da UTI, popularmente chamada pijama.

ÓCULOS DE PROTEÇÃO: o uso dos óculos de proteção é obrigatório em todo atendimento que possa vir a produzir qualquer tipo de respingo de sangue em maior quantidade em momento previsível¹⁸: aspiração nasal, aspiração oral, punção venosa, manipulação de curativos, manipulação de pacientes traqueostomizados secretivos, entre outras. MÁSCARA: o uso da máscara cirúrgica depende da situação e do procedimento a ser realizado. É utilizada para minimizar a disseminação de agentes em procedimentos mais invasivos ou naqueles em que se utilize material estéril, como instalação de cateter venoso central (CVC) e aspiração traqueal¹⁸. No caso dos profissionais da odontologia, o seu uso é indicado pela proximidade profissional-paciente requerida para o atendimento. O uso da máscara cirúrgica é indicado em isolamentos respiratórios, exceto naqueles que necessitem proteções por aerossóis; nestes casos é indicado o uso da máscara respirador N95 (Figura 1.7), que deve ser colocada antes de entra no quarto privativo e retirada após a saída do local.

Correto manejo e descarte de perfurocortantes

Conforme a Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA, RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004, os resíduos do grupo E são constituídos por materiais perfurocortantes, como objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontos ou protuberâncias rígidas e agudas capazes de cortar ou perfurar. Estes devem ser descartados separadamente dos demais, no local de sua geração, em recipiente de paredes rígidas, com tampa, devidamente identificados com o símbolo internacional de risco biológico, com a inscrição de Perfurocortante.

Os recipientes coletores são feitos de material resistente, geralmente papelão-couro, e podem ter capacidade ente 3 e 13 litros; é expressamente proibida sua reutilização; tais recipientes só devem ser cheios até dois terços de sua capacidade, e o nível máximo de preenchimento deve ficar a, no mínimo, 5 centímetros da borda. A figura 1.3 ilustra uma caixa coletora de materiais perfurocortantes de 5 litros.

FIGURA 1.3 - Caixa de perfurocortante

Imunização efetiva dos trabalhadores

O Ministério da Saúde (MS), através dos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIEs), oferece aos profissionais de saúde imunização contra Hepatite B, Varicela e Influenza. Com a maior discussão acerca do tema imunização deprofisisonais da área da saúde, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) publicou um calendário de imunização ocupacional, que recomenda as vacinas de acordo com profissão, levando em conta os riscos inerentes a cada atividade²². Para profissionais da área da saúde, estão aquelas contra Hepatite A e B, Difteria, Tétano, Coqueluche, Varicela, Influenza, Antimeningocócica C conjungada e Tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba)²³. A imunização pode ser considerada, também, uma importante medida de proteção tanto para a saúde dos profissionais quanto dos pacientes²⁴, isso porque além de impedir a perda de dias de trabalho por doença, minimiza a transmissão de agentes carreados pelos próprios profissionais para colegas, pacientes e familiares.

PRECAUÇÕES BASEADAS NA ROTA DE TRANSMISSÃO

Em 1960, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) definiram o isolamento de pacientes como a segregação do infectado, durante o período de transmissibilidade da doença, em local com condições que minimizem os riscos de transmissão, direta ou indireta, do agente infeccioso para indivíduos suscetíveis ou que possam transmitir o agente a outros⁷. Como o isolamento minimiza a transmissibilidade dos agentes, acarreta também em um maior controle das infecções relacionadas à assistência à saúde; porém, para que esse resultado aconteça, e necessário que todos os profissionais responsáveis pelos pacientes isolados adiram a todas as medidas de precauções indicadas²⁰.

Em paralelo às precauções-padrão estabeleceram-se precauções baseadas na rota de transmissão, indicadas para pacientes com infecção comprovada por patógenos epidemiologicamente importantes. Existem três tipos de precauções baseadas na transmissão: precauções por contato, precauções aéreas e precauções por gotículas. Utilizadas isoladamente ou combinadas, todas sempre pressupõem o uso simultâneo das precauções-padrão²⁶. É comum que, próximo à entrada do quarto de isolamento, haja os materiais necessários para proceder às precauções corretas.

Precauções de Contato

Têm o objetivo de prevenir a transmissão de agentes epidemiologicamente importantes por contato direto ou indireto. Envolve contato direto e transferência física do agente do individuo infectado ou colonizado para um hospedeiro suscetível. Pode ocorrer durante a manipulação do paciente pelo profissional de saúde - no momento do banho, da mudança de decúbito, ou qualquer outro procedimento que exija contato físico - ou mesmo entre pacientes, através do contato das mãos. Além da transmissão por contato direto, a disseminação pode ocorrer também através de fômites, objetos inanimados contaminados por agentes biológicos, que transmitem esse agente quando em contato com pele ou mucosas²⁷.

Nesse tipo de isolamento, o paciente é colocado em quarto individual ou, no caso da coorte de pacientes, pacientes infectados pelo mesmo microrganismo podem dividir uma instalação privativa. É obrigatório o uso de capote, que deve ser individual para cada profissional ou descartável (Figura 1.4). Devem-se utilizar também luvas em qualquer tipo de contato com o paciente ou com objetos passíveis de estarem contaminados. As luvas devem ser retiradas e descartadas no próprio quarto e o profissional deve proceder à lavagem das mãos.

FIGURA 1.4. - Foto avental descartável

Todos os equipamentos são de uso exclusivo do paciente, incluindo termômetro, estetoscópio, esfigmomanômetro, entre outros; eles devem ser limpos, desinfetados e, se possível, esterilizados após a alta²⁸,²⁹.

Todos os quartos privativos de isolamento devem ser identificados com placa indicando o tipo de precaução e as orientações relacionadas. A figura 1.5 mostra um exemplo de placa de aviso de isolamento por Contato.

FIGURA 1.5 - placa de isolamento de contato utilizada em hospital universitário (Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais).

Precauções por Gotículas

Também chamadas de precauções respiratórias, são aquelas utilizadas quando da possibilidade de disseminação de agentes veiculados por gotículas, com partículas maiores que 5µm, transmitidas através de saliva e secreções respiratórias. A infecção por gotículas de tamanho grande requer um contato mais próximo entre o indivíduo-fonte e o receptor; isto porque essas partículas se espalham no ar, a uma distância de cerca de um metro²⁶; porém, em procedimentos como aspiração traqueal, nasal ou oral, durante a tosse, espirro ou conversa, pode haver a liberação de agentes infecciosos que podem contaminar indivíduos próximos que não estejam sob adequada proteção individual. Como precauções indicadas, além do quarto privativo ou coorte de pacientes e do uso do avental e da luva (quando ocorre contato com fluidos e mucosa), estão o

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