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As cadeias fisiológicas- fundamentos do Método Busquet: tronco, coluna cervical, membro superior
As cadeias fisiológicas- fundamentos do Método Busquet: tronco, coluna cervical, membro superior
As cadeias fisiológicas- fundamentos do Método Busquet: tronco, coluna cervical, membro superior
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As cadeias fisiológicas- fundamentos do Método Busquet: tronco, coluna cervical, membro superior

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As cadeias fisiológicas- Volume I
Como compreender o corpo humano?
Como tratar, cuidar, atenuar as tensões que os pacientes sofrem cotidianamente?
Da resposta à primeira pergunta partem as respostas para a segunda. Propondo uma descrição precisa e inovadora do corpo humano, estruturado e dinamizado pelas cadeias fisiológicas (musculares, neurovascular e visceral), este livro oferece novas bases para uma prática terapêutica eficaz. Com o suporte de inúmeros desenhos e fotografias, o corpo humano é integralmente "decodificado" em toda a sua complexidade. Tronco, coluna cervical, membros superiores: cada parte tem sua lógica e responde, ao mesmo tempo, às exigências impostas pelo todo. Seguindo as observações precisas de Léopold Busquet e Michèle Busquet-Venderheyden, nós percebemos como a estática, o equilíbrio e o movimento são verdadeiras perfomances de engenhosidade fisiológica.
Passo a passo, na presença desta releitura esclarecida do corpo, nós acompanhamos o estabelecimento de um método original: o Método das Cadeias Fisiológicas. Considerando pela primeira vez a influência das tensões intracavitárias nas modificações estáticas e nas disfunções em geral, o Método permite abordar lordoses, cifoses e escolioses como jamais fizemos até aqui.
"Cada gesto é uma palavra do corpo cujas frases são posturas" dizia J. Messinger. Fiel a esta expressão e, sobretudo, inteiramente à escuta da linguagem do corpo, este livro vai mudar nossos hábitos de pensar e nossa prática: melhor compreender para melhor tratar.
Léopold Busquet e Michèle Busquet-Venderheyden são osteopatas. Autores de várias obras, eles fundaram o Método das cadeias fisiológicas e lecionam há mais de 35 anos, apoiados por uma equipe de professores internacionais.

Tradução: Murilo de Marco
Ilustração: Cyrille Martinet, Léopold Busquet, Raoùl Ayala, Jean Paul Lacourt
Edição: Marie Lauribe
Revisão: Tânia Neves Barth, Agnès Gayraud
Adaptação ebook: S2Books
IdiomaPortuguês
Data de lançamento25 de jul. de 2017
ISBN9788593941023
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    As cadeias fisiológicas- fundamentos do Método Busquet - Léopold Busquet

    capa

    Prefácio

    Trinta anos passaram desde a primeira publicação do volume I sobre as cadeias musculares. Retomo hoje a escrita dos primeiros livros dessa série. O caminho percorrido, desde então, permitiu recuar, enriquecer, precisar, simplificar e trazer mais coerência a estes primeiros escritos.

    As cadeias fisiológicas constituem

    uma leitura anatômica e fisiológica do corpo humano.

    Não é uma teoria.

    Não é uma filosofia

    Fisioterapeuta desde 1968, osteopata desde 1979, lecionei no Colégio de Osteopatia Sutherland até 1994, quando finalmente senti a necessidade de fazer um certo recuo, de fazer a síntese de tudo que eu tinha aprendido, de investir em um trabalho de integração e colocar em coerência todos esses conhecimentos. A ideia de uma decodificação do corpo em um sistema de cadeias, funcionando em todos os níveis, tornava-se, naquele momento, uma evidência. Confirmada na prática, ela se tornou o fio condutor de toda minha pesquisa.

    O projeto pode parecer fora de uso, como bem é verdade ; nós sabemos que a medicina moderna evolui desde aquela década, no sentido da especialização. Essa especialização permitiu identificar numerosas patologias, e nós não contestaremos que ela pode ser fonte de progressos.

    Mas ela apresenta um defeito considerável: fragmenta o corpo do paciente.

    Colocando em evidência as inter-relações entre todas as partes do corpo, o método das cadeias fisiológicas contradiz essa lógica da fragmentação. Ele reconhece, ao contrário, a unidade do corpo dentro de sua coerência global e substitui o exame analítico, às vezes cego, pela coerência de uma abordagem sintética.

    Sua chave: identificar adequadamente as disfunções que afetam o corpo do paciente e que são responsáveis por uma dinâmica ruim, levando a uma deterioração do equilíbrio geral do corpo.

    Seu objetivo: tratar essas disfunções, a fim de reestabelecer ao corpo um equilíbrio funcional, necessário para recriar uma dinâmica de saúde.

    Meu caminho para o método das cadeias

    MEU CAMINHO PARA O MÉTODO DAS CADEIAS

    Em 1964, começo minha vida profissional como monitor em uma academia especializada na musculação de esportistas, em particular de clubes de rúgbi. Essa primeira experiência me trouxe um contato inicial com o corpo humano e me permitiu financiar meus estudos.

    Em 1968, obtenho meu diploma em Fisioterapia. Insatisfeito com as competências adquiridas (as formações da época não tinham a qualidade das formações atuais), decidi completar meus conhecimentos. Abro um consultório de Fisioterapia e trabalho como autônomo em um clube de rúgbi da cidade, do qual eu sou membro. Novamente, enfrento o mundo esportivo, que exige diagnósticos precisos e resultados rápidos. Paralelamente, um amigo médico me convida para assumir a preparação pré e pós-natal em sua clínica obstétrica. Essa experiência, que durou mais de quinze anos no mundo obstétrico e neonatal, ensina-me a importância do cuidado emocional - atenção, cooperação e confiança - da futura mamãe e de seu bebê. As especificidades da maternidade e do parto me ensinaram o papel central da relação fisiológica - contentor-conteúdo -, que é a base do desenvolvimento do Método.

    Em 1975, entro no Colégio Osteopático Sutherland. São meus primeiros passos em Osteopatia. Em 1977, eu sigo a formação Mézières, com Françoise Mézières e Philippe Souchard. Seguia em paralelo essas duas formações, colégio de Osteopatia e formação Mézières, completando-se parcialmente, elas fazem aparecer dois conceitos que se afrontam. Embora os professores, dos dois lados, fossem notáveis, não existia convergência entre suas proposições. De um lado, Madame Mézières dava uma prioridade absoluta ao músculo ; do outro, os osteopatas julgavam as questões musculares com superioridade. A vantagem dessas atitudes um pouco sectárias era, no entanto, seu rigor respectivo: cada uma dessas formações procurava ir fundo em uma lógica e numa prática precisa. Em meu método proponho, contudo, ultrapassar os aspectos que pareciam limitá-los. Assim sendo, o método das cadeias fisiológicas é reforçado por certas descobertas, notadamente aquelas de Françoise Mézières, sobre a cadeia posterior, e aquelas de Godelieve Struyf-Denys, no que se refere às cadeias musculares e articulares.

    A CADEIA POSTERIOR. MÉZIÈRES

    Historicamente, Françoise Mézières foi a primeira fisioterapeuta a valorizar o trabalho em cadeias. Vários métodos posturais partiram de seu ensinamento, fundado em uma abordagem global do paciente. Mais precisamente, ela colocou em evidência uma cadeia posterior, indo da base do crânio até os pés. Essa cadeia posterior incluía os músculos da extensão. Em contrapartida, os outros músculos não eram considerados em sua descrição. Dentro de sua prática, no entanto, ela ultrapassava os limites de sua teoria. Quando nós a víamos trabalhar, podíamos constatar que, intuitivamente, ela ia muito mais longe e tratava igualmente os músculos do plano anterior.

    AS CADEIAS MUSCULARES E ARTICULARES. STRUYF-DENYS G.D.S

    Posteriormente, uma colega, Madame Godelieve Struyf-Denys, propôs uma organização mais completa, compreendendo várias cadeias, que ela chamou cadeias musculares e articulares. Para identificar e selecionar os músculos de suas cadeias, ela se apoiou na classificação dos meridianos da medicina chinesa. Essa concepção teve o grande mérito de amplificar a análise das cadeias, integrando, pela primeira vez, cadeias posteriores e anteriores. Mas, analisando atentamente sua proposição, não pude aderir completamente às suas ideias, por razões de coerência anatômica e fisiológica.

    REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL RPG. SOUCHARD

    É preciso, enfim, evocar o método desenvolvido na mesma época por Philippe Souchard, com a intenção de se separar do método Mézières. O RPG, Reeducação Postural Global, à semelhança dos outros métodos citados, é interessante, mas precisaria ir mais longe.

    Em 1979, obtenho meu diploma em Osteopatia. Os diretores do Colégio Sutherland me convidaram para integrar a equipe de professores.

    Eu escolhi lecionar os seguintes cursos:

    sobre a organização e tratamento das cadeias musculares, que eu chamei em um primeiro tempo de Eixos Miotensivos ;

    sobre a organização e tratamento do crânio.

    Essa escolha despertou a surpresa do diretor pedagógico ; a relação entre os músculos e o crânio não era evidente. Mas eu tinha adquirido esta certeza: em nossos tratamentos, era absurdo excluir o crânio, pois a dinâmica das cadeias devia intimamente envolver e integrar essa esfera cefálica. Em 1979, eu ainda não havia conseguido explicar como, mas estava determinado em seguir com meus estudos nos anos seguintes, trabalhando não somente na evidência da organização muscular dentro de um sistema de cadeias, mas, ainda, na evidência da relação entre as cadeias musculares e o crânio.

    Era o início de uma bela e apaixonante pesquisa.

    Nesse estágio, para compreender meu caminho, é preciso considerar as observações seguintes:

    Após minhas formações, o funcionamento do corpo humano gerenciado por um sistema de cadeias musculares, tornava-se uma evidência. Não estando plenamente satisfeito com as proposições existentes, eu não podia ficar em uma posição unicamente crítica, era preciso pesquisar, propor um outro modelo e superar o momento temível de formular uma resposta convincente aos problemas que eu tinha descoberto. O projeto era o seguinte: se as cadeias existem realmente, é unicamente pela leitura respeitosa da anatomia que devemos colocar em evidência a sua existência.

    Para descobrir as cadeias, era preciso encontrar uma chave, um código de acesso, uma bússola, para evitar de me perder. Foi um livro que a deu para mim: A coordenação motora de Suzanne Piret e Marie Madeleine Bézier, duas fisioterapeutas belgas. Nesse livro, as autoras falam de uma organização muscular a partir de um sistema reto e um sistema cruzado. Imediatamente, essa proposição suscitou meu interesse e, em seguida, tentei verificar se a organização muscular se inscrevia naturalmente nessas linhas retas (longitudinais) e oblíquas (cruzadas).

    De fato, após numerosas observações, estive em condições de constatar que os músculos se encadeiam bem dentro de tal sistema de circuitos, em perfeita continuidade de direção e de plano. Isso me deixou maravilhado. Os detalhes, as originalidades da anatomia, encontravam, enfim, uma explicação simples dentro do encadeamento funcional dos músculos. Certos músculos revelam assim seu verdadeiro papel dentro da dinâmica global do corpo. Para aprofundar essa descoberta, e receoso de cair na abstração, eu escolhia provocar a anatomia, prolongando a direção das cadeias sobre as zonas que eu não tinha ainda analisado. Eu me dizia: Se o sistema de cadeias existe, a anatomia deve confirmar a continuidade do trajeto, tendo músculos que asseguram exatamente o prolongamento. E a cada vez, eu encontrava na prática uma confirmação dessa hipótese. Da cabeça aos pés, ela se verificava. A bússola, que me tinha sido inspirada por Suzanne Piret e Marie Madeleine Bézier, revelava-se confiável além de minhas esperanças. Mesmo os músculos dos olhos e os músculos das articulações temporomandibulares se integravam perfeitamente nesses circuitos.

    Uma vez decifrada a anatomia das cadeias, isso provocava importantes evoluções sobre a prática. O conhecimento da anatomia de cada uma das cadeias me ditou diferentes manobras, melhor adaptadas. Novas posturas foram desenvolvidas. Elas podem parecer desconcertantes para um praticante habituado com outras referências, mas elas são coerentes e perfeitamente naturais, uma vez inscritas no Método das Cadeias, proposto nesta obra.

    Durante esse período de pesquisa, pude verificar os fundamentos das minhas descobertas nos esportistas de alto nível que sofriam traumatismos, aos quais os métodos tradicionais deixavam pouca esperança de melhora. Obtive resultados muito positivos aplicando meu método. Vários clubes italianos do Calcio me procuraram. Essas diversas experiências me levaram a escrever um livro relacionado ao problema da pubalgia. Após frequentes contatos com os jogadores de grandes clubes europeus de futebol, de rúgbi e de basquete, eu finalmente fui integrado à equipe médica da Seleção Francesa de Rúgbi e da equipe do Estado de Toulouse, durante mais de dez anos.

    Esses diferentes desafios me obrigaram a imergir mais profundamente ainda na análise e no tratamento das cadeias. Eu queria literalmente desmontar os diferentes problemas encontrados por esses atletas. Meu consultório se tornou um verdadeiro laboratório para testar minhas ideias. Paralelamente, a preparação dos cursos me obrigava a deixar claro meu saber-fazer, de tal modo que se instalou uma sinergia constante entra a prática do consultório e o ensino, um alimentando o outro, reciprocamente. O ensino, longe de me desviar da pesquisa, obrigava-me a ser o mais claro, preciso e justo possível: eu me esforçava para apoiar meu curso em suportes que, por sua vez, exigiam um rigor de construção, prática e escrita, o que reforçava, em troca, meus conceitos. Na lógica dessa evolução, tornava-se rapidamente necessário perenizar essas ideias pela escrita de livros, a fim de que as novas proposições não fossem distorcidas ou incompreendidas. A escrita de um livro é uma nova etapa de verdade, de honestidade. Nós expomos todas as facetas de nossa proposição e a entregamos à crítica de nossos colegas. É uma etapa necessária para testar a força de suas ideias, para ver se elas são duráveis e férteis.

    Em janeiro de 1980, embora a profissão não fosse ainda legalmente reconhecida na França, abri meu próprio consultório de osteopatia em tempo integral. O esboço das cadeias musculares tornava-se, para mim, cada vez mais legível. Dois anos mais tarde, editava meu primeiro livro sobre as cadeias musculares do tronco.

    No entanto, em minhas consultas, alguns problemas ainda resistiam à minha abordagem. Como se as cadeias tivessem sido programadas de maneira aberrante, nos casos de escoliose, deformações torácicas, atitudes antálgicas, periartrite escápulo-umerais, desvios dos joelhos, subluxações das patelas, pés rodados ou, ainda, arcos plantares modificados etc. Onde está a lógica dessas deformações? Onde estava a lógica dessa aparente anarquia das tensões musculares? Seria preciso me contentar em fazer apenas simples liberações de tensões? Seria preciso me contentar em endireitar as deformações que frequentemente resistiam? Os casos traumáticos se revelavam fáceis de compreender. Mas os outros, todos os casos crônicos, eram mais obscuros.

    Muito rápido, me pareceu absurdo querer endireitar um paciente. A abordagem é não apenas autoritária, mas cega em relação à fisiologia real que produziu a deformação. Quando pensamos em querer endireitar, a estratégia consiste em soltar os músculos, alongando-os, estirando-os. Mas, antes de se colocar a estirar um músculo como um ditador, é imperativo se colocar a questão mais importante: Por que o sujeito não apresenta naturalmente uma boa estática? Essas aparentes deformações, não seriam elas necessárias? O corpo não tem suas razões? Pois, não podemos nos contentar em dizer ao paciente: Você tem dor na coluna vertebral porque você tem uma postura ruim. Eu vou te endireitar. Um paciente que apresenta uma estática muito perturbada, na realidade adotou a estática mais engenhosa, mais inteligente para compensar seus problemas internos. Eu me lembro desta frase de meu amigo, o doutor Patrick Tépé: Nós temos a estática que podemos, não a estática que queremos.

    Mas, faltava ainda uma dimensão: além dos domínios musculares e articulares, tornava-se evidente, aos meus olhos, que o plano visceral intracavitário representava um papel essencial, ao ponto de que ele poderia governar qualquer cadeia, desde que ele se tornasse sede de tensões. Eu me lancei, então, ao trabalho para encontrar as relações entre as cadeias e a organização visceral: precisaria compreender, dentro da fisiologia geral do corpo, qual era o acordo entre esses dois planos.

    Essa nova etapa me conduziu a considerar as cavidades. Ao curso desse estudo, a importância disso que eu chamei simplesmente de relação "contentor – conteúdo" tornou-se evidente. E essa descoberta foi o suporte do desenvolvimento em profundidade do método das cadeias como relação permanente entre o conteúdo visceral e o contentor musculoesquelético. Além disso, essa relação contentor – conteúdo se aplica igualmente à relação psicossomática, frequentemente mencionada, mas raramente explicada, e que analiso como uma relação "psico-víscero- somática". As tensões vindas do nível psicológico penetram no corpo pelo plano visceral para, finalmente, expressar-se sobre o plano musculoesquelético. Mas, nós não nos enganamos de projeto, ficamos em nosso nível de competência. Não se trata de substituir, aqui, o tratamento psicológico ou psiquiátrico. Ficando em nosso campo de competência, quer dizer, no nível do tratamento manual das tensões somáticas, o relaxamento das cadeias musculoesqueléticas e visceral terá logicamente uma repercussão sobre as tensões psicológicas.

    Em 1986, fiz uma viagem de estudos aos EUA, em companhia de um grupo de osteopatas.

    Nós encontramos o Dr. Anthony Chila, da Universidade de Athens OH., para cursar sua formação em terapia fascial e o Dr. John Upledger, na Flórida, para cursar sua formação em Terapia Craniosacral. Pude obter novas perspectivas para meu trabalho.

    Em 1986, tornado diretor do Colégio Sutherland, percebo a necessidade de demonstrar o ensinamento das cadeias em um outro meio, independente das teorias e da filosofia tradicional osteopática. Decidi desenvolver todas as condições necessárias para o desenvolvimento do Método. Convidei um amigo, Bernard Pionner, também procedente do colégio de osteopatia, e tendo igualmente feito a formação Mézières, para vir me encontrar. Após ter tomado conhecimento de meu projeto, das evoluções e das novidades do método que eu desejava defender, ele assumiu plenamente sua participação ao meu lado, o primeiro dos quarenta professores que reunimos ao longo dos anos.

    Desde 1990, o desafio é a introdução da cadeia visceral. Estando bem definidas as relações entre o sistema musculoesquelético e o sistema visceral, faltava ainda estruturar a prática visceral, para inseri-la na lógica do método das cadeias. O mérito desse desenvolvimento do Método é de Michèle Busquet-Vanderheyden que, após ter feito um estudo detalhado das cavidades, realizou a descrição, o exame e o tratamento específico dessa cadeia tão importante. Ela a colocou em evidência, em primeiro plano, no nível das cavidades abdomino-pélvicas (tomo VI, 2004), depois no nível das cavidades do tórax, garganta e boca (tomo VII, 2008).

    Nossas trocas cotidianas, no âmbito de nossas consultas, de nossos cursos, de nossos livros, ajudaram muito na evolução do método.

    Em 1994, a integração íntima da cadeia visceral no funcionamento das cadeias nos permite descobrir a interface da mecânica musculoesquelética. A biomecânica articular torna-se mais compreensível em relação às suas diferentes compensações, uma vez integradas as influências determinantes da cadeia visceral. As concepções que se mantêm em um plano de interpretação puramente articular, no nível da pelve, da coluna vertebral, dos membros inferiores e superiores, parecem- nos obsoletas e deviam ser reconsideradas.

    Em 1999, tratamos de completar o quadro: já que o corpo também é feito de vasos e nervos, uma compreensão aprofundada exige um último plano de análise: o da cadeia neurovascular - a estrutura neuromeníngea estando sempre escoltada pela estrutura vascular (pacote vásculo-nervoso). Esta, inscreve-se naturalmente nos conceitos de cadeia, ao mesmo tempo implicando exigências que lhe são próprias.

    Desde 1995, tomei consciência de que os trabalhos notáveis de nosso colega australiano, David Butler, abordavam, sobretudo, o tratamento do sistema neuromeníngeo periférico, mas, que ele não tinha desenvolvido as partes principais dessa cadeia: a neuromeninge intracavitária visceral e a neuromeninge central no nível do crânio. Porém, as evoluções do Método sobre a cadeia visceral e sobre o crânio permitiam abordar de maneira pragmática esses níveis primordiais.

    Quem fala de sistema neurovascular é também redirecionado à análise craniana, da qual eu sabia a importância desde muito tempo. Em efeito, as cadeias não param no nível do crânio, mas continuam por trajetos anatômicos evidentes na cavidade craniana. Após ter publicado duas obras sobre o crânio: Osteopatia Craniana e Oftalmologia e Osteopatia, eu sentia que era preciso sair do ambiente puramente osteopático para não cair num impasse e romper, em parte, com a análise e a prática tradicional propostas pela osteopatia. Essa evolução não foi sempre bem compreendida pelos colegas fixados à tradição, mas, na lógica de minha pesquisa, ela se impunha. Um osteopata não é o melhor indicado para fazer, com todo conhecimento de causa, uma autocrítica? Devemos ficar presos em nossas tradições e ficar surdos às críticas argumentadas, às incompreensões? Certamente, aquele que propõe reconsiderações atrai o sarcasmo dos colegas tradicionalistas. Nos anos 70 e 80, vários osteopatas ingleses de renome recusavam ensinar a osteopatia craniana, que eles consideravam como pouco crível. Após 25 anos de prática osteopática, eu dispunha de uma experiência e de uma perspectiva suficiente para propor evoluções. Em 2004, publiquei o volume V das cadeias fisiológicas, sobre o tratamento do crânio.

    Essa nova proposição não era uma traição, longe disso, mas um ato construtivo. Ela trazia uma nova análise e uma nova prática da esfera craniana. O conteúdo do livro foi objeto de várias conferências dentro de universidades médicas e odontológicas na França, Rússia e na América. Esses congressos confirmaram que a nova proposição não provocava mais recusa, mas ao contrário, uma melhor compreensão de nossos tratamentos e um real interesse em vista de uma complementaridade terapêutica.

    Com a visão global que nós começávamos a ter, percebemos, entre 2008 - 2012, que o nome do Método, que se chamava até agora cadeias musculares, deveria evoluir. Cadeias musculares era uma formulação muito restrita para uma descrição anatômica que compreendia, além das cadeias dinâmicas musculares, as cadeias estáticas, visceral e neurovascular. Por isso, nós optamos pela denominação de cadeias fisiológicas, que descrevia melhor a organização completa das cadeias, tal como nós concebemos hoje.

    Um método evolutivo não deve se dispersar, ele deve aprofundar sua proposição, a fim de melhorar a integração do saber-fazer que ele propõe. Nós nos autorizamos as evoluções, para que estas tragam uma melhor síntese: este é nosso motor constante.

    O TRATAMENTO DO BEBÊ CONFIRMA ESSA EVOLUÇÃO DO MÉTODO

    A fisiologia do bebê revela estar em total acordo com o modelo das cadeias fisiológicas. Foram precisos vários anos de amadurecimento para poder abordar a pediatria.

    Este trabalho notável foi feito por Michèle Busquet-Venderheyden. Ele é apresentado no volume VIII das Cadeias, O Bebê no coração de vossas mãos. Os praticantes têm, assim, as chaves de acesso para a lógica do tratamento do bebê. Este tratamento implica formação específica, portanto Michèle Busquet-Vanderheyden desenvolveu uma especialização em pediatria com a participação de uma pediatra e uma psicóloga. Essa formação será, nos próximos anos, um motor de progresso dentro desse domínio.

    Fim de 2013, após três anos de trabalho, nós terminamos a escrita do volume I das Cadeias Fisiológicas. Volto, assim, ao início de meu trabalho. O ciclo é fechado. É saboroso ver que os fundamentos do Método são sempre confirmados. Eles não envelhecem, são ainda férteis, coerentes e pertinentes, pois respeitam a anatomia e a fisiologia do corpo humano, ao mesmo tempo que valorizam sua engenhosidade. Os fundamentos foram escritos em um período em que eu começava meu caminho de descoberta. Eu dava, nos dois primeiros livros das cadeias musculares, a direção de minha pesquisa. Trinta anos mais tarde, estou em condições de retomar essas bases, pelo viés de uma análise global, reforçada pelos trabalhos de Michèle.

    Nós estamos em 2014, e tenho hoje cinquenta anos de prática. Devo parar minha carreira aqui? Ela é tão importante para mim quanto a prática musical para um músico. Se o corpo é um instrumento, o qual é preciso saber afinar para tocar o melhor possível e o máximo de tempo possível a partitura da vida, a necessidade de melhor compreender é, para mim, um motor de vida e de serenidade. Ligar, religare, o homem à engenhosidade de seu corpo, à sua harmonia natural com o mundo que o cerca, é um ato de fé cotidiano.

    OBJETIVOS DO MÉTODO DAS CADEIAS

    TRATAR AS DISFUNÇÕES

    As disfunções aparecem quando o equilíbrio funcional é perturbado por tensões. Essas tensões se expressam em uma ou mais cadeias e desregulam o funcionamento harmonioso do corpo.

    O tratamento tem por objetivo relaxar as tensões das diferentes cadeias, a fim de permitir ao organismo reencontrar a plenitude de seu funcionamento fisiológico.

    A postura de relaxamento é o denominador comum do método para tratar as

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