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O observatório no telhado

O observatório no telhado

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O observatório no telhado

Duração:
249 páginas
1 hora
Editora:
Lançados:
18 de mai. de 2017
ISBN:
9788578584993
Formato:
Livro

Descrição

Biografia de Jorge Marcgrave, astrônomo e geógrafo alemão que veio ao Recife com a comitiva de Maurício de Nassau, no século 17, e foi responsável por iniciar o primeiro estudo sistemático de Astronomia no Brasil, a partir do observatório construído no Palácio de Friburgo em 1643, que foi o primeiro do Novo Mundo. O livro foi indicado ao Prêmio Jabuti 2012, na categoria Ciências.
Editora:
Lançados:
18 de mai. de 2017
ISBN:
9788578584993
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Livro

Sobre o autor


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O observatório no telhado - Oscar T. Matsuura

Agradecimentos

Na ordem cronológica, sou grato a Walter Junqueira Maciel, colega do IAG/USP, por me ter passado uma cópia do artigo de John D. North logo que saiu publicado em Crônica da Holanda; a Lupércio B. Bezerra, Audemário Prazeres e Ricardo Luiz da Silva, que foram membros do Clube Estudantil de Astronomia (CEA) e generosamente me passaram vários documentos e informações sobre padre Jorge Polman; a Christoph Ostendord, diretor do Centro Cultural Brasil-Alemanha do Recife, por ter me convidado para participar do Simpósio Internacional Jorge Marcgrave, Pioneiro das Ciências Naturais no Brasil, realizado no Recife de 26 a 29 de outubro de 1998 e, assim, ter me engajado na pesquisa sobre Marcgrave (também pela imagem de alta resolução da aquarela original de Zacharias Wagner e pela ajuda em algumas traduções do alemão); a Antônio Carlos Miranda e Fábio César de Araújo, do Espaço Ciência na época, meus anfitriões, guias e embaixadores no Recife; ao arquiteto José Luiz Menezes, por ter me enviado os mapas arqueológicos do Recife; a Carlos Ziller Caminietzki (atualmente no IFCS/UFRJ) e Ana Maria Ribeiro, do Mast, por terem me providenciado uma cópia dos MP; a Leandro di Bartolo e Luiz Felipe Vieira Ferrão, ambos bolsistas do Mast na época, pela ajuda no início da análise dos MP; a D. José Rodrigues Leandro da Costa OSB, do Mosteiro de São Bento de São Paulo, por ter conferido (e aprovado) minhas primeiras traduções dos MP; a André Luiz da Silva, na época bolsista de iniciação científica no Planetário do Ibirapuera, em São Paulo, pela ajuda na identificação de estrelas observadas por Marcgrave, e a Luiz Sampaio, pela concessão da bolsa da empresa Omnislux a André Luiz de maio a outubro de 2004; a Hélio C. Vital, coordenador de eclipses da Rede de Astronomia Observacional (REA), pelas discussões sobre os erros de observações de eclipses a olho nu; ao arquiteto Filipe Jacopucci dos Reis, por me ter dado conhecimento do programa livre para produzir o modelo tridimensional e a meu filho João Paulo pelas três oficinas tutoriais que me introduziram no uso desse programa; a Fernando Vieira, diretor do Planetário do Rio de Janeiro, por se interessar pelo quadrante de Marcgrave e por ter provocado interessantes discussões sobre ele; ao colega do IAG/USP Enos Picazzio, por ter intermediado o contato com a Universidade Agostinho Neto, de Luanda, em Angola, quando lá esteve para observar um eclipse solar em 2002; a David Baneke, encarregado do The Leiden Observatory Archives, por me encorajar nessa pesquisa praticamente inexplorada, alertando-me da escassez de documentos; a Huib Zuidervaart, do Instituto Huygens, de Haia, meu parceiro na pesquisa das atividades astronômicas de Marcgrave em Leiden; a Beto Pimentel, companheirão da viagem ao Congresso de História da Ciência de 2009 em Budapeste, ajudando-me muito neste livro como leitor crítico perspicaz e meticuloso (e também em algumas traduções do alemão) e aos demais colegas e amigos historiadores da ciência do Grupo dos Etéreos, que se reúne periódica e informalmente no Rio de Janeiro para discutir o éter luminífero e muitas outras coisas; a Rajesh Kochhar, da Comissão de História da Ciência da União Astronômica Internacional (IAU), pelos comentários positivos quando apresentei uma comunicação oral sobre Marcgrave durante a Assembleia-Geral da IAU no Rio de Janeiro em 2009; ao Planetário de Vitória, pela oportunidade de fazer uma apresentação pública do tema, e à Associação Brasileira de Planetários, pela oportunidade de dar uma palestra na Reunião Anual dos Planetários em 2009 em Feira de Santana, BA. Agradeço aos colegas do Departamento de Astronomia do IF/UFRGS e do Grupo de Dinâmica Orbital e Planetologia da Unesp em Guaratinguetá, SP, pela oportunidade que me deram de fazer a apresentação dos primeiros resultados desta pesquisa em seminários da casa. Na fase de busca de editores contei com a ajuda de Sonia Goldfeder, da Livraria Saraiva, Flávia Pedroza Lima, do Planetário do Rio de Janeiro, Ildeu de Castro Moreira, do Departamento de Popularização e Difusão da C&T do MCT, e de José Bertotti, secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Recife. Nas bibliotecas tive a inestimável ajuda da astrônoma Suzanne Débarbat, do Observatório de Paris, Ingrid Pot, do Regionaal Archief Leiden, Hans Hooijmaijers, do Museu Boerhaave de Leiden, das sempre solícitas bibliotecárias do IEB, Museu Paulista, IAG, IME e IGC da USP. Agradeço também a atenção com que fui atendido na Xiloteca Calvino Mainieri, do IPT, na Cidade Universitária, em São Paulo. Muito, muito obrigado aos parentes e amigos mais próximos, que sempre acompanham tudo o que eu faço com muito interesse e, por fim, à minha mulher Maria Helena pela leitura crítica deste texto e com quem me desculpo pela atenção que deixei de dar nos últimos anos porque um jovem mochileiro alemão, fugitivo da Guerra dos Trinta Anos, roubou a minha atenção.

Prefácio

Após aposentar-se na Universidade de São Paulo, o Professor Oscar Matsuura manteve-se engajado a vários projetos. Mas, ao longo de vários anos realizou nas horas livres uma pesquisa histórica sobre a astronomia de Jorge Marcgrave. Essa investigação foi concluída às vésperas do 4º centenário de Marcgrave. Então ele preferiu relatar esses resultados para o grande público neste livro, antes mesmo de publicá-los em revistas especializadas.

Aqui temos a oportunidade de descobrir fatos que são desconhecidos, inclusive dos recifenses. Recife detém títulos como Berço da astronomia moderna das Américas; Marco Zero da ciência no Brasil; A primeira cidade do mundo a construir e manter em funcionamento um observatório astronômico patrocinado por um governo constituído. Para explicar as razões que fundamentaram essas afirmações o livro faz um resgate detalhado da vida e do trabalho do personagem responsável pelos estudos de astronomia que projetaram a cidade do Recife no cenário mundial: o cientista Jorge Marcgrave.

Faz parte do livro o meticuloso trabalho de reconstituição da trajetória de vida desse personagem, a partir de sua formação básica, bem como a peregrinação pelas melhores universidades existentes na Europa do século 17; o trabalho desenvolvido na Universidade de Leiden e, finalmente, a participação como cientista no governo do conde Maurício de Nassau, no Recife. A atuação de Marcgrave nessa cidade teve repercussões muito além de sua função como astrônomo patrocinado por empresa holandesa, a Companhia das Índias Ocidentais, que disputava a exploração do mercado econômico da então colônia dominada por Portugal.

A ciência daquela época vivia uma transição entre a forte influência eclesiástica que freava o seu avanço, como forma de controle político, e a evolução do pensamento científico, produto da combinação do conhecimento prévio acumulado pela humanidade, confrontado com a observação dos fenômenos da natureza.

O Professor Matsuura, com o estudo da trajetória de vida de Jorge Marcgrave (e da comparação entre seu trabalho e o de outros estudiosos como Tycho Brahe, Snell, Hevelius) revela como o eminente astrônomo, mesmo afastado dos principais centros científicos da Europa, utilizou o conhecimento vigente para construir e aperfeiçoar os equipamentos necessários às suas observações do firmamento, atingindo o alto nível de produção de dados científicos descrito neste livro.

Estes feitos de Jorge Marcgrave trazidos à tona pelo Professor Matsuura, permitem-nos resgatar o papel do Recife como Berço da astronomia moderna das Américas e concomitantemente compreendermos o papel da ciência como elemento presente em todos os tempos na construção de nossa sociedade. Permite-nos, ainda, entender a ciência não como produto individual, mas coletivo; tê-la não apenas nos já consolidados grandes centros econômicos e acadêmicos, mas nos emergentes, valorizando o papel da ciência como propulsora do desenvolvimento.

Vivemos hoje a sociedade do conhecimento e ainda não compreendemos que a construção histórica da humanidade sempre esteve ancorada no acúmulo do saber científico e na sua aplicação para melhoria da qualidade de vida das pessoas. No momento em que o Brasil assume um papel cada vez mais relevante no cenário econômico internacional, nossa ciência começa a assumir uma importância cada vez maior na consolidação de nossa sociedade e de nossa economia.

Resgatar um personagem como Jorge Marcgrave que construiu no Recife um ambiente para a obtenção dos principais resultados de sua relevante produção científica; resgatar o Recife e o Brasil como centro de produção de conhecimento de ponta ainda no longínquo século 17, permite aprofundar nossas convicções de que todos os povos, a partir do conhecimento produzido pela humanidade, devem participar desse processo inerente ao ser humano e, com essa consciência, projetar uma sociedade que reduza suas desigualdades, tendo como instrumento principal o compartilhamento do conhecimento já produzido, bem como a produção coletiva do que ainda está por vir.

Recife, 5 de setembto de 2011

José Antonio Bertotti

Secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico

Apresentação

Conheci pessoalmente o professor Oscar Toshiaki Matsuura pela primeira vez em 1997 na 2ª Reunião da Associação Brasileira de Planetários, em Porto Alegre (como todo estudante e/ou professor de Física e Astronomia, já o conhecia como autor de livros).

Depois, numa segunda vez, em 1998, quando ele veio ao Recife para um primeiro Simpósio sobre Marcgrave, organizado pelo saudoso Paulo Faltay. Na ocasião, eu e o amigo Fábio César de Araújo, que trabalhava comigo e com o professor Pavão no Espaço Ciências, fomos cicerones do professor Matsuura (é assim que o chamamos; ele prefere ser chamado apenas de Oscar). Passamos por pontos históricos do Recife e de Olinda, incluindo tudo que conhecíamos sobre astronomia, Marcgrave, Nassau, holandeses, padre Polman, Torre Malakoff, cometa de Olinda, trânsito de Vênus pelo disco solar, Espaço Ciências, sociedades e clubes de astronomia.

Mas, o mais prazeroso foi o papo, a conversa, a amizade que surgia a cada piada ou assuntos de nada e de tudo: o cabra é corinthiano roxo, gosta de macaxeira, maracatu e tem uma cultura estratosférica.

Depois nos reencontramos em várias ocasiões: reuniões anuais da Associação Brasileira de Planetários, da Sociedade Astronômica Brasileira etc.

No Ano internacional da Astronomia, 2009, conseguimos trazê-lo para palestrar, pois além de Galileu, homenageamos Jorge Marcgrave durante a Semana Municipal de Ciência e Tecnologia, cujo tema foi Recife Berço da Astronomia nas Américas.

No ano seguinte, 2010, eu, o Christoph Ostendorf do Centro Cultural Brasil-Alemanha, o Luís Henrique Lira da Secretaria de C&T da Prefeitura do Recife (PCR) e o professor Matsuura organizamos e coordenamos de forma audaciosa, hercúlea e franciscana o Simpósio Internacional de Ciência e Tecnologia Georg Marcgrave 400 anos na Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco) cujo apoio foi decisivo, evento este que foi sugerido pelo presidente da Facepe (Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco), Diogo Simões, após assistir à palestra do professor Matsuura em 2009.

Mas, a contribuição desse japonês – paulista para o resgate de Marcgrave pelos pernambucanos não parou por aí: inscrevemos sua palestra sobre a astronomia na época de Nassau na Reunião Anual da SBPC de 2010, em Natal (RN), e fomos lá em comitiva.

Também em 2010, com o apoio do Sindicato dos Professores de Pernambuco, Sinpro-PE, novamente conseguimos trazer (por que não dizer repatriar) o professor Matsuura para Recife: desta vez para a abertura do Enast (Encontro Nacional de Astronomia) realizado na UFRPE, que gentilmente abriu suas portas para o evento.

Diante de tanta contribuição, a Secretaria de Ciência e Tecnologia da Prefeitura do Recife me incumbiu de convidá-lo para compormos, com outros colegas, a Comissão de Elaboração do Projeto Político-Pedagógico do Museu de Ciência e Tecnologia do Parque do Jiquiá, já escrito e tramitando. Além disso, o professor Matsuura ajudou-me com várias sugestões e opiniões sobre o Projeto do Planetário do Recife, que apresentei à PCR quando fui Diretor de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica.

E pra quem acha pouco, o danado ainda teve fôlego para, no intervalo de tempo entre o primeiro Simpósio realizado em 1998 e a Semana Municipal de C&T de 2009, fazer pesquisas nas fontes históricas primárias e escrever um livro sobre Marcgrave e sua saga científica contemporânea à de Kepler, à de Galileu e à de Descartes.

Que livro!

Que presente para Pernambuco, para o Brasil e para a nossa História da Ciência!

Obrigado professor Oscar Toshiaki Matsuura!

Recife, agosto de 2011.

Antonio Carlos S. Miranda

Professor Adjunto da UFRPE

Doutor em Astrofísica Estelar.

Introdução

Era um observatório astronômico de pedra, construído em 1639 pelo conde João Maurício de Nassau, governador e comandante do Brasil holandês, para o seu astrônomo, Jorge Marcgrave, numa das torres do Palácio de Friburgo no Recife. O palácio tinha duas torres, em uma das quais havia um farol que podia ser visto pelos navegantes a seis léguas de distância. Foi nesse observatório, o primeiro erguido não só no Brasil, como no Novo Mundo, que se realizaram as primeiras observações astronômicas e meteorológicas sistemáticas no hemisfério sul.

Assim se descrevia o observatório de Marcgrave nas primeiras décadas do século 20. E foi uma dessas descrições que cativou o meu interesse e suscitou a minha curiosidade por um episódio primordial da história da astronomia no Brasil.

Na busca que iniciei há muitos anos, a maior parte das informações que encontrei sobre os estudos de Marcgrave foi em história natural e cartografia. Sobre seus estudos astronômicos as informações eram escassas e vagas. Mas pesquisas motivadas pela celebração do terceiro centenário da morte de Maurício de Nassau, em 1979, trouxeram à luz documentos primários que até então não tinham sido estudados, ou ainda permaneciam no limbo.

Ironicamente, um dos resultados a que cheguei analisando esses documentos foi que muito provavelmente nunca houve um observatório de pedra numa das torres do Palácio de Friburgo. Poderia parecer então que, sem o charme que tinha me cativado, meu interesse por essa história fosse arrefecido. Mas, ao contrário, quando é possível dar vida de novo a um episódio marcante do já longínquo século 17, é a busca dessa nova versão que passa a nos cativar.

O conjunto de informações ora disponíveis indica que o único observatório de Marcgrave foi aquele construído no telhado da residência do conde Maurício de Nassau, um casarão português que já existia na Ilha de Antônio Vaz, no Recife. Essa foi a razão do título deste livro. Segundo estudos já feitos anteriormente, esse casarão se encontrava onde hoje fazem esquina a Rua do Imperador D. Pedro II e a Rua 1º de Março, no bairro de Santo Antônio, a uns 400 metros ao sul do Palácio do Campo das Princesas. Na época dos holandeses a margem do Beberibe chegava até o casarão, isto é, até a Rua do Imperador. O quarteirão adicional que existe hoje até a Avenida Martins de Barros foi ganho ao rio por obra de aterramento.

No quarto centenário do nascimento de Jorge Marcgrave, em 2010, este livro, cujo foco está dirigido principalmente às suas atividades astronômicas (já que as atividades em história natural e cartografia foram publicadas e são muito mais bem conhecidas), objetiva refrescar nossa memória sobre os feitos desse jovem alemão que, através da ciência, estabeleceu um elo entre o Velho e o Novo Mundo. Objetiva também compartilhar novidades recentemente pesquisadas sobre um episódio fundador da ciência brasileira, ocorrido às vésperas da emergência da ciência moderna. Esse episódio é a construção no Recife de um observatório fixo, segundo o modelo do primeiro observatório universitário da Europa, o da Universidade de Leiden, dotado da melhor instrumentação da época. O observatório no Recife já abrigava também, de forma pioneira, uma luneta. Funcionou de 1639 a 1643 e deixou o registro das observações que ali foram feitas.

Este livro foi escrito também para prestar uma homenagem aos compatriotas que hoje vivem no território que foi o Brasil holandês no século 17, especialmente aos pernambucanos e, mais ainda, aos recifenses que, com justiça, reivindicam: Recife, berço da astronomia nas Américas.¹ Espero

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