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Duração:
68 páginas
45 minutos
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350531
Formato:
Livro

Descrição

Estampado diariamente nas manchetes dos jornais, discutido em casa e na rua, temido permanentemente, e o crime ocupa hoje no Brasil o centro da vida social.

Neste livro claro e oportuno, João Ricardo W. Dornelles reúne sua experiência de advogado criminalista e seu conhecimento de professor universitário para esclarecer as causas da formação e difusão da criminalidade.
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350531
Formato:
Livro


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Amostra do livro

O que é crime - João Ricardo W. Dornelles

Eileen

Apresentação

No dia 26 de agosto de 1987, dois dos principais jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo estamparam as seguintes manchetes:

‘PIXOTE’ MORRE BALEADO PELA PM EM SÃO PAULO (Jornal do Brasil);

ATOR DE PIXOTE MORRE EM TIROTEIO; POLÍCIA DO RIO INVADE O MORRO DONA MARTA (Folha de S. Paulo).

Acontecimentos dessa natureza passam a fazer parte do cotidiano das grandes cidades brasileiras, da vida, da realidade de crise e da política nacional.

Algumas semanas antes outra favela do Rio de Janeiro, a da Rocinha, explodiu em revolta contra tudo e contra todos – contra a PM; contra os automóveis dos moradores da classe média-alta dos bairros de São Conrado e Barra da Tijuca –, ocupando as pistas da autoestrada Lagoa-Barra. E mais uma vez a imprensa identificava o ocorrido com a criminalidade incontrolável, com o tráfico de entorpecentes e o crime organizado.

Outros acontecimentos se somam a esses, como a atuação dos grupos de extermínio (os esquadrões da morte), condenando à morte pessoas marginalizadas e agindo nos bairros periféricos das grandes cidades.

Como devemos montar esse quebra-cabeça? Que ligação existe entre todos esses acontecimentos? Como compreender a chamada violência criminal que passou a fazer parte do dia a dia de nossas cidades? E como compreender que esse tipo de fatos produziu uma série de estudos, de explicações acadêmicas, de práticas políticas, de notícias na imprensa, de manipulações e de opiniões diversas?

É sobre esse fenômeno, o crime, e as pessoas consideradas perigosas, os delinquentes, que falaremos, tentando também abordar alguma coisa a respeito da criminologia como área do conhecimento que estuda e tenta explicar essas realidades.

Assim é que as questões da violência urbana, da criminalidade e da segurança pública têm sido tratadas como realidades únicas pela imprensa e pelas autoridades. Esquecem-se de que a violência urbana não se restringe ao crime e que a sensação de insegurança nas grandes cidades engloba outros fatores que afetam a vida dos indivíduos, como o desemprego, a falta de moradia, os acidentes de trabalho, o trânsito caótico, a poluição ambiental, a burocracia das repartições públicas etc.

A violência criminal é apenas a ponta do iceberg. Ela é apenas uma das formas como se expressa a violência nas grandes cidades – principalmente em países como o Brasil, com enormes desigualdades sociais.

Ao falarmos de crime e de violência, nos perguntamos qual o mecanismo que define determinados comportamentos humanos como passíveis de sofrer um tratamento dos órgãos de controle social (polícia, justiça etc.). Por que algumas pessoas são consideradas suspeitas? Por que a ação policial seleciona os indivíduos que serão considerados perigosos? Por que apenas algumas áreas urbanas merecem a zelosa atenção da proteção policial, enquanto outras são invadidas por tropas? E por que apenas alguns indivíduos são punidos pelos seus crimes, quando sabemos que existe impune o chamado crime do colarinho branco?

Ao tocarmos nesses pontos, estamos juntando as inúmeras peças do quebra-cabeça. Estamos tentando entender que a realidade do crime não se restringe a fatos isolados na sociedade e que, para qualquer explicação, é necessário buscar compreender minimamente o tipo de sociedade onde ocorrem tais comportamentos considerados criminosos.

Para buscar essas explicações surgiu a criminologia, inicialmente estudando o ser humano delinquente. As explicações não pararam por aí, mas seguiram ao sabor das investigações, das lutas políticas e ideológicas, dos conflitos sociais e do confronto com outras áreas do conhecimento, englobando a realidade social, a forma como se organiza a sociedade, sua estrutura econômica, sua cultura, enfim, sua maneira de viver.

Escrever sobre o crime, portanto, além da possível importância política e acadêmica, passa a ser também uma forma de desabafo, de vivência, de prazer e mesmo de paixão. Estranho esse tipo de sentimento, não é verdade? Principalmente quando lidamos com um fenômeno que normalmente é malvisto na sociedade. Talvez esteja exatamente aí a sedução. Exatamente pelo seu lado estranho, pelo seu lado perigoso, pelo seu lado malvisto. A loucura, o crime, a violência – coisas tão presentes na vida de cada um de nós que muitas vezes não percebemos o quanto fazemos parte dessas realidades.

Comportamento

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