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Handebol: uma nova proposta metodológica
Descrição
- Editora:
- Simplíssimo
- Lançado em:
- Mar 21, 2018
- ISBN:
- 9788595130883
- Formato:
- Livro
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Amostra do livro
Handebol - Heloisa Reis
TÁTICA
1INTRODUÇÃO
Este livro é fruto de um longo período de pesquisas bibliográficas sobre o ensino de jogos coletivos esportivizados (JCE) (REIS, 1994), de estudos teórico-práticos sobre o ensino-aprendizagem-treinamento (EAT) do handebol e de uma longa experiência dos autores como professores do ensino superior, treinadores e jogadores de handebol. A proposta metodológica vem sendo aperfeiçoada em aulas de cursos de graduação em educação física com os acadêmicos e com equipes de adolescentes e jovens atletas de handebol.
Os principais referenciais teóricos das pesquisas foram Greco (1995), Greco e Benda (1998), Garganta (1998), Graça (1998), Reis (1994), Antón Garcia (2002).
Este livro foi escrito visando contribuir com a formação e a atualização do profissional, bacharel e licenciado em educação física, tratando especificamente do embasamento teórico-prático.
Inicialmente buscamos situar o leitor sobre a nossa visão a respeito do ensino do handebol, delimitando o referencial teórico-metodológico em educação física, assim como situando o handebol historicamente. Em seguida, apresentamos os conteúdos fundamentais para o ensino-aprendizagem-treinamento desse esporte.
Os conteúdos tratados no livro são: os meios técnico-táticos, os postos específicos, as funções específicas dos jogadores perante os diferentes sistemas de jogos, táticas ofensivas e defensivas. O assunto foi abordado com uma linguagem simples, porém com rigor técnico (acadêmico), pois buscamos com este trabalho contribuir para a atualização de professores e profissionais de educação física.
2O ENSINO DO HANDEBOL
Em todas as áreas da educação existem diferentes procedimentos pedagógicos que buscam um objetivo comum: o ensino. Em educação, os caminhos que levam à aprendizagem são denominados de métodos de ensino, e nosso livro trata especificamente de métodos de ensino de handebol.
Esse tema será considerado aqui como um conteúdo clássico da cultura corporal, por estar inserido dentro de uma grande categoria de esporte/jogo e por fazer parte de programas de educação física escolar. O ensino dos esportes coletivos não se restringe apenas ao ambiente escolar, sendo também notória a participação e dedicação de diversas instituições de educação não formal ou mesmo de outra natureza em relação ao ensino de esportes.
Este texto é direcionado ao ensino do handebol, entendendo que no que tange ao seu método de ensino, ele poderá ser aplicado a qualquer instituição que tenha como objetivo o ensino-aprendizagem-treinamento deste esporte.
Existem inúmeras correntes pedagógicas para os ensinos dos esportes coletivos, sendo que neste trabalho focaremos uma contraposição a apenas quatro propostas metodológicas:
•método parcial: é analítico, surge do ensino do atletismo, da natação e da ginástica (que tinha função militar). Trata-se do ensino do gesto técnico, ou seja, enquanto o aluno não souber os fundamentos/gestos técnicos não se ensina o jogo propriamente dito. O aluno não é obrigado a tomar consciência do movimento, apenas reproduz o que o treinador/professor lhe passa;
•método global: baseia-se no jogo propriamente dito, não há o ensino dos fundamentos em situações analíticas. Existe a desvantagem de que a quantidade de informações é muito grande no início do processo de ensino-aprendizagem-treinamento;
•método global-funcional: é baseado no método analítico-sintético, pois o princípio desse método é a simplificação do jogo pensada a partir dos seus elementos técnicos (fundamentos). Há o ensino a partir de séries de jogos com a função de ensino.
•método misto: é uma mescla do método parcial e do método global-funcional. Há o ensino de um fundamento/gesto técnico, sendo que para a fixação da aprendizagem do fundamento ensinado, propõe-se na sequência um jogo que contemple o conteúdo ensinado. Acredita-se que o jogo (simplificado) irá proporcionar a fixação da aprendizagem.
Sendo assim:
Os professores e/ou autores que optam pelo ensino por meio do método parcial acreditam que os conteúdos esportivos da Educação Física devem ser ensinados por etapas, a partir do ensino fragmentado dos fundamentos dos esportes (utilizando-se para isso de sequências pedagógicas) para que, somente após o domínio dos gestos técnicos específicos de cada esporte, as táticas individuais e coletivas, e os sistemas ofensivos e defensivos sejam ensinados. Neste método há o ensino da técnica, para que se saiba executar um fundamento corretamente
, porém são apresentadas as situações nas quais esses devem ser utilizados. Acredita-se que a transferência para as situações de jogos a partir da técnica e de exemplos de variações da mesma possa ser melhor, desde que a técnica tenha um propósito. A partir do ensino da técnica é feito o ensino das situações de jogo, e dada a devida importância a esse conteúdo.
Outros autores e/ou professores optam pelo ensino por meio do método global ou global-funcional, pois acreditam que os jogos são os melhores caminhos para que se consiga atingir o objetivo final, que é a prática esportiva. Não há o ensino dos gestos técnicos isoladamente, pois acredita-se que estes surgem e se adaptam em consequência das situações de jogo.
Há ainda o um quarto grupo que prefere mesclar o método global-funcional com o método parcial, extraindo de ambos os seus aspectos positivos para formar o quarto método: o método misto.
A intenção desta introdução, ao citar os métodos de ensino dos esportes coletivos tradicionais (REIS, 1994), é apenas situar alguns conceitos e diferenciar a nossa opção metodológica para o ensino do handebol porque, ainda hoje, lamentavelmente, a opção pelo ensino por meio dos métodos parcial e misto é predominante na maioria dos cursos de Educação Física, nas escolas de ensino fundamental e em instituições não formais de ensino, independente da idade dos praticantes e dos objetivos do ensino.
Em todos os métodos de ensino podemos observar vantagens e desvantagens ao adotá-los, porém a opção pelo ensino de qualquer conteúdo por meio de um método está alicerçada numa determinada visão de homem, de educação e de sociedade, assim como das inter-relações entre esses fatores.
Propomos assim o ensino do handebol de uma forma diferente dos métodos até aqui apresentados. No entanto serão utilizadas, para fins didáticos, as terminologias e descrições dos gestos técnicos dos fundamentos comumente encontrados na literatura sobre os jogos coletivos esportivizados, devido ao fato de considerarmos importante que o graduando em Educação Física e o profissional da área dominem os conteúdos do handebol, tanto os técnicos como os táticos, os técnico-táticos e os sistemas defensivos e ofensivos.
A nossa opção metodológica baseia-se em procedimentos didáticos preconizados pela Iniciação Esportiva Universal (IEU), normalmente referenciado como método situacional
(que tem como seu principal mentor Greco (GRECO; BENDA, 1998), estes são alicerçados também na produção do Grupo de Estudos dos Jogos Esportivos Coletivos, da Universidade do Porto – Portugal, que sugerem como estratégia de ensino dos Jogos Coletivos Esportivizados os jogos reduzidos.
3A GÊNESE DO HANDEBOL E O SEU DESENVOLVIMENTO NO BRASIL
¹
O handebol é originário de diversos passatempos (jogos) dos séculos XIX e XX tendo sido esportivizado no século XX recebeu o nome de handebol de salão, nome que perdurou enquanto este coexistiu com outro esporte denominado handebol de campo.
Fortes indícios indicam que a Suécia foi o país criador
do handebol (contemporâneo), devido a similitude das regras atuais com o jogo praticado na década de 1930 naquele país. Oliver Coronado e Sosa González (1996, p. 19) afirmam que foi na Dinamarca com a fundação da IHF em 1946 sob presidência do sueco Gösta Björk² que se aprovou as regras do handebol. As informações a este respeito são contraditórias as encontradas em Ferreira (s.d.).
Segundo Ferreira (s.d., p. 16), os primeiros campeonatos suecos de handebol ocorreram entre os anos de 1931 e 1932 com regras bastante similares ao handebol praticado atualmente, por exemplo: a permissão da posse de bola sem drible por no máximo cinco segundos; a existência de uma área circular medindo seis metros; sete jogadores por equipe; a permissão do drible. Para ele:
O handebol de Salão surgiu antes do Handebol de Campo, porém sua prática ficou limitada aos países escandinavos, com regras próprias e que foram internacionalizadas e unificadas no Congresso que a Federação Internacional celebrou em 1934, em Estocolmo, iniciando assim o movimento internacional, único no Handebol de Salão³ (FERREIRA, s.d., p. 12).
A Sociologia do Esporte tem como paradigma para a definição dos esportes modernos a institucionalização do jogo. Assim, para que um jogo se torne esporte é necessário a criação de uma instituição internacional responsável pela sua regulamentação, normatização, divulgação e supervisão da sua prática.
As principais características, segundo Dunning (2003), dos denominados esportes modernos são:
•A diminuição da violência por parte dos jogadores e espectadores;
•O aumento do autocontrole;
•A forte regulamentação – regras escritas (delimitação do campo de jogo, número de jogadores, tempo de jogo).
Todas estas estão presentes no handebol quando comparado aos jogos que o antecederam. Handebol de salão foi o nome dado ao esporte praticado em quadra (coberta/ginásio), que ficou até 1946 sob supervisão da International Handball Amauteur Federation (IHAF) e após esta data sob supervisão da recém-criada International Handball Federation (IHF)⁴. O handebol⁵ é o mais jovem dos esportes coletivos tradicionais.
Em analogia a história do futebol⁶, pode-se inferir que o handebol foi uma invenção sueca devido ao pioneirismo da sua federação no que se refere à normatização e