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Entre o Prazer e a Dor, o (Des)Encanto da Profissão Docente

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Entre o Prazer e a Dor, o (Des)Encanto da Profissão Docente

notas:
5/5 (1 nota)
Duração:
214 páginas
2 horas
Lançados:
24 de set. de 2018
ISBN:
9788547317027
Formato:
Livro

Descrição

A obra Entre o Prazer e a dor, o (des) encanto da profissão docente apresenta um olhar sobre os problemas enfrentados no dia a dia escolar pelos professores pedagogos, levando em conta as transformações sociais e como estas podem influenciar a vida dos professores, trazendo muitas vezes prejuízos à saúde. A obra traz as principais queixas dos professores em relação ao trabalho, que vão desde a falta de apoio de seus superiores, a falta de limites por parte de alunos, o desrespeito à figura do professor, a desvalorização da categoria, os baixos salários e os ambientes com excesso de barulho e calor excessivo, fatores esses que contribuem para o mal-estar docente. Traz também relatos de professores que encontram motivações a partir de si próprios e desenvolvem técnicas de automotivação para conseguirem lidar com as dificuldades do dia a dia, superando seus medos e angústias. Por seu conteúdo marcante e sua linguagem dinâmica, esta leitura torna-se uma excelente fonte de erudição e discernimento a todos que se interessam em conhecer um pouco mais sobre essa importante profissão, buscando compreender os principais problemas que se abatem sobre essa classe de profissionais. As exigências sociais, as pressões e cobranças aferidas pela busca da qualidade e eficiência, a inserção do ser humano em uma sociedade em acelerada evolução, trazem novos desafios à profissão docente. Os professores, no entanto, nem sempre encontram condições para responder a essas exigências e aspirações de forma adequada, seja por falta de recursos, seja pela burocracia e metodologias ultrapassadas que não dão conta de favorecer a criticidade e a autonomia dos alunos; isso se traduz em inquietações para o professor, gerando insatisfação.
Lançados:
24 de set. de 2018
ISBN:
9788547317027
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Entre o Prazer e a Dor, o (Des)Encanto da Profissão Docente - Anair Bongiovani

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

2

TÓPICOS SOBRE O MAL-ESTAR DOCENTE

2.1 Pressupostos teóricos sobre o mal-estar docente 

2.1. 1. Os novos desafios da profissão docente 

2.1.2. Ser professor neste novo milênio. 

2.1.3 O papel do ensino e do professor frente às mudanças sociais 

2.1.4 Relação professor, aluno, sociedade e mal-estar docente 

2.1.5 Motivação 

2.1.6 Síndrome de Burnout 

2.1.7 Síndrome de Burnout e a profissão docente 

2.2 Estado de arte 

2.2.1 O mal-estar docente nacional e internacionalmente – panorama geral 

2.2.2 Mal-estar docente no contexto internacional 

2.2.3 Mal-estar docente no contexto regional: América Latina 

2.2.4 Mal-estar docente no Brasil 

2.2.5 Sínteses comparativas 

2.2.6 A Legislação Educacional Brasileira 

3

TRAJETOS DA PESQUISA

3.1 Contexto histórico social de Lucas do Rio Verde 

4

MAL-ESTAR DOCENTE: O QUE PENSAM OS PROFESSORES

4.1 Número de professores na rede pública municipal de ensino de Lucas do

Rio Verde. 

4.1.1 Apresentação de atestados médicos pelos professores, dados gerais 

4.2 Plano de carreira e as licenças para tratamento de saúde e readaptação

de função 

4.3 O que pensam os pedagogos de Lucas do Rio Verde sobre mal-estar docente 

4.3.1 Mal-estar docente e as mudanças sociais 

4.3.2 Fatores institucionais e profissionais, que colaboram para o

mal-estar docente 

4.3.3 Fatores profissionais e ergonômicos que desencadeiam o

mal-estar docente 

4.3.4 Professora com síndrome do pânico 

4.4 Políticas de proteção à saúde docente 

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

1

INTRODUÇÃO

A sociedade passa por mudanças aceleradas, consequentemente, mudam também as políticas públicas, o modo de vida, as questões culturais e sociais, mudam também as necessidades dos seres humanos. A tecnologia apresenta novidades quase que diariamente, disponibilizando no mercado novos elementos tecnológicos, mudam-se os contextos familiares, a vida torna-se cada dia mais corrida, não se encontra mais tempo para o diálogo, para as amizades, para o lazer. As escolas e o cotidiano escolar refletem no seu dia a dia o que está acontecendo na sociedade. Tudo se transforma rapidamente com muita fluidez (BAUMAN, 2000), gerando no ser humano angústia e insegurança, pois não se sabe o que encontrará logo à frente, questões estas que podem gerar o mal-estar docente.

O mal-estar docente traz consigo diversos prejuízos não só aos alunos, mas a toda a comunidade escolar. Observa-se que quando o professor necessita faltar ao seu trabalho, ocorre uma ruptura na relação professor/aluno/aprendizagem, na forma de lidar com o conhecimento, pois cada educador tem seu próprio jeito de conduzir o aprendizado ao aluno, e quando ocorre troca de professor, demora um tempo para que o aluno consiga se adaptar ao novo professor, e, ainda, quando o aluno se adapta, uma nova mudança pode ocorrer, pois o antigo professor afastado poderá retornar às suas atividades.

Atualmente, vem sendo comum observar profissionais de diferentes áreas adoecendo em função da profissão que exercem. Não é diferente disso a situação de pedagogo. No dia a dia escolar, observam-se constantemente professores que se afastam de suas atividades diárias em função de um mal-estar.

Inúmeras pesquisas sobre o tema foram realizadas nos últimos tempos, tanto em nível internacional como no Brasil; estas propõem estudos sobre o mal-estar na educação e o sofrimento psicológico dos professores. Lipp (2002) escreveu sobre o estresse do professor, Codo (1999; 2002; 2006) investigou o mal-estar docente nas diferentes regiões do Brasil, Aguiar e Almeida (2006) sobre o sofrimento psíquico do professor, Robalino (2005), investigou as condições de trabalho e saúde, Pourtois e Mosconi (2007) relataram sobre a dor e o sofrimento do professor, Mendes (2011), sobre a saúde docente, Rodrigues (2014), Brzezinski (2002), Costa (1995), Enguita (1991), Esteve (1999), Gatti (1996) Libâneo, (2003) Unesco (2004), Vieira (2002), Marques (2000; 1995; 1999), Nóvoa (1992; 1995), Sacristán (1995) Cortesão (2002), Perrenoud (2000; 2002), Altet e Paquay (2003), sobre ser professor em tempos de crise de identidade e mal-estar docente. Porém o problema ainda parece sem solução, uma vez que se observa um número cada vez maior de professores que adoecem em função de sua profissão docente.

A profissão docente apresenta grandes desafios e exige qualificação constante do profissional para assim conseguir acompanhar as mudanças sociais. Mudanças estas que transformam também valores e hábitos dos seres humanos. Muitos são os fatores que podem influenciar no mal-estar docente, um deles é a feminização do magistério. Para Almeida (1998, p. 64), o ingresso da mulher no mercado de trabalho contribui para um aumento da jornada de trabalho feminino. A mulher passa a ter dupla tarefa, a de cuidar da família, dos filhos, e a jornada escolar ou de trabalho fora de casa.

Nos últimos anos, percebeu-se empiricamente que um número muito elevado de professores estava se afastando constantemente do trabalho. Diante dessa observação, julgou-se importante a realização deste estudo para melhor compreender as causas desses afastamentos, se estão ligados ao mal-estar docente. Diante disso, buscou-se investigar a presença do mal-estar docente, identificando os problemas nos seguintes aspectos: ocorre mal-estar docente em Lucas do Rio Verde, o que pensam os pedagogos sobre as causas profissionais, sociais e institucionais do mal-estar docente nos pedagogos do ensino fundamental I desse município.

A partir da análise bibliográfica, percebe-se que diversos autores confirmam a presença do mal-estar docente e destacam que este possui diferentes aspectos e também diferentes causas, perpassando pela formação de professores, desvalorização profissional, falta de apoio pela equipe gestora, superlotação das salas, dificuldades de relacionamento no ambiente escolar, tanto com alunos quanto com colegas de trabalho.

O trabalho tem como base a utilização dos Métodos Mistos (CRESWEL, 2010), adotando tanto o enfoque quantitativo quanto o qualitativo. Para coletar os dados, utilizou-se a entrevista semiestruturada, questionário autoaplicado (inquérito), com questões abertas e fechadas, a uma amostragem de 26 pedagogos do ensino fundamental I do município de Lucas do Rio Verde, Mato Grosso (MT), sendo essa amostragem intencional, quatro gestores, sendo um secretário de Educação e três gestores escolares. Os professores são representados pela letra (P), durante a análise, e os gestores pela letra (G). Analisaram-se a legislação nacional e municipal, acerca das licenças para tratamento de saúde e readaptação funcional dos professores desde a primeira administração de Lucas do Rio Verde (1991), e as mudanças que aconteceram na legislação até o ano de 2015. Também foi realizada a análise das folhas-ponto eletrônicas dos pedagogos em que constam as licenças para tratamento de saúde, além de dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Educação referente aos atestados médicos apresentados no período estudado.

2

TÓPICOS SOBRE O MAL-ESTAR DOCENTE

Ser professor neste novo milênio representa um grande desafio para todos. A sociedade vem mudando dia a dia, as exigências sociais não são mais as mesmas de um tempo atrás, desafiando constantemente o educador, fazendo com que este esteja em busca constante de novos conhecimentos.

Este capítulo destina-se à fundamentação teórica, destacando alguns pontos fundamentais que na visão dos autores contribuem para o mal-estar docente.

Considera-se importante definir o que se compreende por mal-estar, e mal-estar docente. Mal-estar: [De mal+estar] indisposição ou perturbação orgânica; doença de pouca gravidade; incômodo […] ansiedade mal definida; inquietação. Situação incômoda, constrangimento, embaraço (NOVO, 1975 apud ARANDA, 2007, p. 12).

Já no que diz respeito ao mal-estar docente, Esteve e Frachia (1988 apud LOPES, 2004, p. 94) afirmam que o mal-estar docente está ligado a sentimentos de desmoralização, desencanto e desmotivação em relação à reconstrução da identidade do professor. Para Aranda (2007, p. 15), mal-estar docente é uma manifestação de desconforto, ansiedade, manifestadas nas possibilidades de ação do professor, sobre as quais este não tem condições de intervir.

Para Esteve (1999, p. 120), o mal-estar docente está vinculado à desvalorização do trabalho do professor, nas diferentes condições do trabalho em sala de aula, sobre as quais este acaba sendo responsabilizado pelo que acontece. Já para Jesus (1998, p. 21), são diversos os indicadores que compõem o mal-estar docente, como o stress, a satisfação profissional, o baixo empenho profissional, o absentismo, a vontade de abandonar a profissão, podendo chegar a estados de maior gravidade, como exaustão e depressão.

Stobaus, Mosquera e Santos afirmam que:

O mal-estar docente é doença social que provoca a pessoal e é causado pela falta de apoio da sociedade aos professores, tanto no terreno dos objetivos de ensino, como nas compensações materiais e no reconhecimento do status que se lhes atribui (STOBAUS; MOSQUERA; SANTOS, 2007, p. 263).

A literatura apresenta inúmeros fatores que contribuem para o desprazer dos professores, como pode ser observado na descrição acima, a falta de satisfação para o trabalho no dia a dia, falta de tempo para realizar decentemente as tarefas, salas lotadas, excesso de burocracia imposto pela profissão, entre outros, levam o professor a desenvolver sentimento de inutilidade e ansiedade.

2.1 Pressupostos teóricos sobre o mal-estar docente

Falar sobre o (des)encanto da profissão docente leva ao pensamento da desconstrução (HUSSERL,1962; DERRIDA, 2004) acerca de algo que já existiu, e que por alguma razão a partir de um tempo se desconstruiu, dando lugar a um novo paradigma. Em relação ao professor, Jesus (1999-2006) e Codo (1999), sugerem que este ocupava lugar de destaque na sociedade, fato este que passou a não mais existir após a universalização do ensino.

O ensino universalizado, obrigatório a todas as crianças, trouxe para dentro da escola todos os problemas sociais que, no passado, eram eliminados antes mesmo de chegarem às portas do estabelecimento de ensino, uma vez que as crianças não eram obrigadas a frequentá-la e, dependendo da classe social, também não eram aceitas. Logo, o ensino era para uma elite. Ao apresentarem os primeiros indícios de um comportamento indesejado, as crianças eram duramente punidas, muitas se viam obrigadas a deixar a escola; para isso, está se utilizava de mecanismos coercitivos que levavam os alunos a se afastarem cedo do ambiente escolar.

A escola e os professores utilizavam como forma de coerção: suspensões, expulsão, castigos, reprovas, entre outros, que forçavam os alunos indesejados a deixar o ambiente escolar. Os regimentos escolares estabeleciam regras específicas para alunos que não cumprissem com suas obrigações. Pereira (2000, p. 19) diz que punir é reprovar, censurar, afirmar que a regra foi quebrada, essas punições eram consideradas consequências naturais da falta cometida pela criança, e de acordo com a autora, a criança sente haver cometido uma falta moral, quando censurada moralmente. Lancaster (1812, p. 69-70) afirma que os alunos ofensores eram amarrados juntos, com pedaços de madeiras presos ao pescoço, quando os castigos não tivessem efeito poderiam combinar outras formas de castigo, tais como pôr o aluno dentro de um saco ou cesta, suspender a cesta até o teto da escola, à vista de todos os alunos que frequentemente riam [ridicularizando e discriminando] aquele pássaro na gaiola (LANCASTER, 1812, p. 70). Naquele período, segundo Castro (2006, p. 237), eram comuns também castigos corporais, como a palmatória e o uso de cipós e cintas contra os alunos. Outro elemento que confirma excessos cometidos pela escola ou o professor que expulsavam os alunos da escola está contido na fala de Balzan (2015, p. 20), dizendo que recorda os gritos de um professor expulsando alguns de seus alunos da escola.

Esses procedimentos são vedados ao professor e à escola nos dias atuais. A partir da criação do Estatuto da criança (ECA) e do adolescente pela Lei 8.069, no dia 13 de julho de 1990, que regulamenta os direitos da criança e do adolescente, proibindo qualquer ato que leve a criança ao constrangimento e garantindo a estas o direito a frequentar a escola, ao respeito e à dignidade. O ECA e a nova Lei de diretrizes e bases da educação básica (LDB), Lei 9394/96, garante o acesso e permanência da criança na escola, ambas as leis amparadas pela Constituição Federal (CF) de 1988. O aluno tem direito a frequentar e permanecer na escola, esta deve garantir a todos uma educação igualitária e de qualidade. Essas questões se configuraram novas realidades que o professor enfrenta no dia a dia da profissão docente.

De acordo com Zaragoza (1999, p. 13), o sistema educacional cresceu rapidamente nas últimas décadas e não possui capacidade de reagir para atender às novas exigências da sociedade, quando dá conta de atender, o faz com atraso e já se configura uma nova realidade com demandas diferentes, nesse caso, Portanto, os professores se encontram ante o desconcerto e as dificuldades de demandas mutantes e a contínua crítica social por não chegar a atender essas novas exigências (ZARAGOZA, 1999a, p. 13).

Um tempo atrás, remontando à época da Ditadura Militar, a escola, de acordo com Neto (2006, p. 30), era organizada de forma rígida e obedecia a uma hierarquia, que garantia uma preparação para a produtividade. Nas escolas, o trabalho do professor estava baseado no domínio da técnica, este precisava demonstrar domínio técnico, conhecer os procedimentos adequados para o ensino e sua aplicação, devido à separação dos que planejavam e aqueles que executavam. Acredita-se que havia uma dependência de quem executava para quem planejava, nesse caso, os executores, subordinados aos que planejavam.

Esteve (1999) observa que a educação se encontra desacreditada pela sociedade, que não a vê como elemento importante na vida de cada cidadão:

[...] a sociedade parece que deixou de acreditar na educação como promessa de um futuro melhor; os professores enfrentam a sua profissão com uma atitude de desilusão e de renúncia que se foi desenvolvendo em paralelo com a degradação da sua imagem social (ESTEVE, 1999, p. 95).

Essas mudanças de pensamento da sociedade, a forma como percebem a educação e o papel do professor, vem se transformando ao longo dos últimos anos, os professores, antes percebidos como mestres, hoje são vistos como incapazes de possuir uma profissão melhor remunerada, conforme Jesus (2004) e Esteve (1999):

De acordo com a máxima contemporânea busca o poder e enriquecerás, o professor é visto como um pobre diabo que não foi capaz de arranjar uma ocupação mais bem remunerada. A interiorização desta mentalidade levou muitos professores a

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