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O direito fundamental ao máximo existencial: no âmbito das políticas públicas de saúde para transgêneros
O direito fundamental ao máximo existencial: no âmbito das políticas públicas de saúde para transgêneros
O direito fundamental ao máximo existencial: no âmbito das políticas públicas de saúde para transgêneros
E-book85 páginas1 hora

O direito fundamental ao máximo existencial: no âmbito das políticas públicas de saúde para transgêneros

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Sobre este e-book

A presente obra se baseia no estudo do dever de progresso das políticas públicas de saúde voltadas para a população transexual a partir do paradigma do máximo existencial. O programa de saúde do SUS, a despeito da evolução que representa frente à histórica marginalização de toda a comunidade LGBTQI+,demonstra-se insuficiente não só por não abranger toda a demanda existente, mas também pelos pressupostos teóricos que fundamentam suas práticas.
Um livro que apresenta um breve esboço sobre a recente visibilidade das diversidades sexuais pelo poder público a partir de um texto que pretende ir além de uma descrição, que propõe desconstrução e lança novos olhares sobre a interpretação jurídica em tempos de pós-modernidade.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento12 de jul. de 2018
ISBN9788595131347
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    O direito fundamental ao máximo existencial - Bianca Silva Oliveira

    REFERÊNCIAS

    1 INTRODUÇÃO

    Como o reconhecimento do direito fundamental ao máximo existencial no âmbito das políticas públicas de saúde para transgêneros, tomando a teoria queer como parâmetro de interpretação dos direitos humanos e fundamentais, pode viabilizar uma hermenêutica constitucional inovadora, transformadora e aberta aos diversos grupos de interesse?

    Ainda em busca por respostas e quiçá por outras buscas, muitas são as controvérsias quando da abordagem de qualquer temática relacionada ao gênero e à transexualidade, sobretudo em se considerando os estudos que têm como escopo a discussão dos direitos e garantias fundamentais. O hermético mundo do direito não se integrou completamente com alguns temas que, apesar de fundamentais, ainda ressoam e refletem como frutos de uma era orientada pelo estigma do pós: pós-moderna, complexa e plural.

    A presente pesquisa teve como escopo o estudo do direito fundamental ao máximo existencial no âmbito das políticas públicas de saúde para transgêneros tomando a teoria queer como parâmetro de interpretação dos direitos humanos e fundamentais. Inicialmente, demonstrar-se-á o direito fundamental ao máximo existencial como um paradigma teórico-normativo que impõe o dever de progresso das políticas públicas para a manutenção, a ampliação dos níveis essenciais de prestação efetiva e a promoção dos ditames constitucionais. Tudo isso, em prol da concretização dos direitos sociais até a satisfação suficiente das necessidades existenciais.

    Paralela à abordagem da inexauribilidade dos direitos fundamentais com base na tese do direito fundamental ao máximo existencial, a perspectiva queer será apresentada como um novo olhar que pode e deve ser contextualizado na interpretação dos direitos humanos, em especial no que concerne às políticas públicas de saúde voltadas para homens e mulheres trans, extremamente marginalizados das ações estatais.

    A busca pela proteção integral dos direitos fundamentais requer uma hermenêutica adequada a uma sociedade aberta, pluralista, que a oriente para a realização do conteúdo essencial ótimo dos direitos, e não restrinja o âmbito de justiciabilidade dos direitos à satisfação do mínimo vital, como muitos teóricos têm entendido (DANTAS, 2011). O dever de progresso das políticas públicas de saúde para transgêneros será analisado enquanto um direito social, a partir de uma perspectiva que entende a igualdade, a ordem pública voltada para o bem-comum, a justiça material, o equilíbrio de interesses e a razoabilidade como tarefas-objetivos da interpretação constitucional em sua essência.

    Diante do exposto, justifica-se o estudo do dever de progresso das políticas públicas de saúde voltadas para a população transexual e o direito fundamental ao máximo existencial numa perspectiva constitucional tendo a teoria queer como um viés interpretativo, pois quase vinte anos após a descriminalização da cirurgia de adequação sexual e esta ter sido uma das iniciativas procedimentais do SUS a partir da portaria nº457/2008, apenas cinco estados brasileiros apresentam unidades hospitalares aptas à realização do processo transexualizador, quais sejam Porto Alegre, Rio de janeiro, São Paulo e Goiânia, a despeito da demanda existente, e vários outros são os eixos de desempoderamento a que homens e mulheres transgêneros estão sujeitos. Sendo assim, embora existam unidades hospitalares que concretizem a política pública instaurada por uma série de atos normativos, elas são insuficientes e requerem mudanças quanto ao seu grau de implementação, intensidade e objetivos, sobretudo no que concerne à despatologização das diversidades sexuais.

    Ademais, apoiada em uma abordagem jurídica de natureza predominantemente qualitativa, a pesquisa proposta prevê a inserção da Constituição Federal de 1988 como um projeto estrutural fundamental de inclusão cidadã e multidimensional (OLIVEIRA JUNIOR, 2008). Parte-se, enfim, de uma perspectiva que entende a realização dos direitos previstos constitucionalmente como fator crucial para que a participação dos indivíduos nas oportunidades de progresso ocorra de forma equitativa e as escolhas de seus projetos de vida se deem de forma livre.

    Sendo assim, a análise do direito fundamental ao máximo existencial no âmbito das políticas públicas de saúde para transgêneros se deu a partir da teoria queer e teve como parâmetro o Plano Nacional de Saúde Integral para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais engendrado pelo Sistema Único de Saúde desde 2013, objetivando promover uma hermenêutica constitucional dirigente para fins de controle judicial das obrigações do poder público e de estímulo à formação de uma cultura constitucional por meio do reconhecimento de direitos.

    Para tanto, definiu-se os seguintes objetivos específicos: (a) Analisar as políticas de saúde engendradas em prol de homens e mulheres trans pelo Sistema Único de Saúde enquanto um direito fundamental a partir da abordagem da estrutura, da fundamentalidade (material/ formal), e identificar quais ações podem ser empreendidas diante de possíveis omissões ou abstenções do poder público; (b) Identificar qual o significado do reconhecimento do direito fundamental ao máximo existencial em sua dimensão de direito fundamental social no âmbito dos direitos de homens e mulheres trans com o fulcro de viabilizar uma hermenêutica constitucional pluralista a partir da teoria do máximo existencial, e de modo acessório, através da teoria queer; (c) Apresentar a importância da proteção do direito transindividual ao desenvolvimento e o fomento à expansão da cultura constitucional como elementos essenciais para empreender um controle progressivo das omissões do poder público na garantia de direitos, assim como promover a consolidação da ideia de progressão existencial e inexauribilidade dos direitos em consonância com as necessidades existenciais humanas.

    Cada um dos objetivos específicos apresentados motivaram a criação de um capítulo próprio no desenvolvimento da pesquisa, de modo que esta monografia, além da introdução (capítulo 1) e da considerações finais (capítulo 5), será estrutura do seguinte modo: capítulo 2, com o título " A fundamentalidade do direito fundamental ao máximo existencial e os

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