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Pesquisa (auto)biográfica e formação de professores alfabetizadores

Pesquisa (auto)biográfica e formação de professores alfabetizadores

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Pesquisa (auto)biográfica e formação de professores alfabetizadores

Duração:
164 páginas
2 horas
Lançados:
1 de jan. de 2017
ISBN:
9788547303372
Formato:
Livro

Descrição

Pesquisa (auto)biográfica e formação de professores alfabetizadores apresenta, por meio de narrativas e relatos de vida, os processos experienciados por esses profissionais docentes que atuam na rede pública de ensino. Tomando como base todo seu percurso de formação, as docentes revelam, de modo singular, sua trajetória de escolarização e formação, no sentido de apreender o conhecimento de si e, assim, apresentar o modo como foram se constituindo alfabetizadoras de sucesso, atuando, principalmente, com crianças oriundas das classes populares. Para Elizeu Clementino de Souza (2006), o ato de lembrar e narrar possibilita ao ator reconstruir experiências, refletir sobre dispositivos formativos e criar espaços para uma compreensão da sua própria prática.
A pertinência desta obra inscreve-se em um amplo movimento de investigação-formação, no qual a abordagem biográfica apresenta-se como uma perspectiva epistemológica, em que a aprendizagem da docência, dos sujeitos envolvidos, acontece a partir das reflexões e experiências que acontecem ao longo da vida.
O cotidiano humano é marcado pela troca de experiências e pela maneira singular como narramos as histórias vividas, portanto, quando o sujeito entra em contato com as experiências que viveu e que vive, movimenta-se em uma relação de diálogo entre a vida humana e o conhecimento.
O que se percebe a partir dos relatos (auto)biográficos dessas professoras é que o processo de formação e de conhecimento visto a partir de uma perspectiva biográfica acentua os recursos experienciais acumulados, demonstrando aquilo que os sujeitos aprenderam nas circunstâncias da vida.
Lançados:
1 de jan. de 2017
ISBN:
9788547303372
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Livro


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Pesquisa (auto)biográfica e formação de professores alfabetizadores - JUSSARA CASSIANO NASCIMENTO

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE

AGRADECIMENTOS

A toda minha família que se encheu de orgulho me vendo escrever um livro, que tem como objetivo, contribuir com a formação de tantas outras professoras alfabetizadoras. Em especial ao meu marido Lucio da Silva Nascimento, aos meus filhos Lucio Fabio Cassiano Nascimento e Rafael Cassiano Nascimento, aos meus pais Fabio Cassiano e Marlene Da Silva Cassiano que tanto me incentivaram nessa trajetória.

Ao Professor Doutor Dirceu Castilho Pacheco, pelo incentivo constante, me oferecendo a possibilidade de conhecer e utilizar a Pesquisa (auto) biográfica, que investiga a formação de um modo singular, dando voz ao professor. Esse estudo deve muito as suas orientações, rigor científico e amizade.

A Professora Doutora Carmen Sanches Sampaio, exemplo vivo de compromisso com a Educação, que com grande competência e paciência ajudou-me a organizar este trabalho; respeitando minhas escolhas e contribuindo com o meu crescimento e aperfeiçoamento profissional, me mostrando a cada instante a importância de buscar o saber.

A realização desse estudo só foi possível graças à colaboração das professoras Ana Paula Venâncio, Claudia Berçacola Barbosa, Michele Pimenta Martins e Isabel Moreira Pires; professoras alfabetizadoras da rede pública de ensino, que compartilharam comigo suas histórias e lembranças do seu percurso de formação. Agradeço a cada uma de modo muito especial.

Ninguém pode construir em teu

lugar as pontes que precisarás

passar para atravessar o rio da

vida, ninguém exceto tu,

somente tu. Existem, por certo,

inúmeras veredas e pontes, e

semideuses que se oferecerão

para levar-te do outro lado do

rio; mas isso te custaria a tua

própria pessoa: tu te hipotecarias

e te perderias. Existe no mundo

um único caminho por onde só

tu podes passar. Para onde leva?

Não perguntes, segue-o.

(Nietzsche)

APRESENTAÇÃO

Nas páginas deste livro você viajará de forma agradável pela trajetória de formação de professoras alfabetizadoras, que desenvolvem seu trabalho alfabetizador na Cidade do Rio de Janeiro. Elas apresentam sua trajetória de formação a partir de narrativas (auto)biográficas, apontando os caminhos que percorreram para serem professoras que dão conta de alfabetizar seus alunos. Atuam em escolas da rede pública de ensino, mas em escolas diferentes. Ao narrarem sua trajetória de formação, mostram passo a passo como foram se construindo alfabetizadoras na experiência com o trabalho alfabetizador.

Ao analisar as narrativas (auto)biográficas dessas professoras, fui ao encontro da minha história pessoal de também professora alfabetizadora, trazendo marcas daquilo que fui e que hoje sou, percebendo também as minhas dificuldades a partir das narrativas das professoras colaboradoras deste estudo, quando, na década de 1980, fomos pegas de surpresa pela forma diferente daquela que nos formamos para alfabetizar, a qual mudava o foco de como se ensina, para como se aprende a ler e escrever.

Essas mudanças aconteceram a partir das pesquisas realizadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky e que com seu livro Psicogênese da Língua Escrita, apontava novos caminhos e reflexões sobre a alfabetização. Muitos professores, nesse momento, ficaram atordoados com a mudança repentina e pensaram que os conhecimentos que tinham acerca do trabalho alfabetizador não teriam mais importância. Kramer e Nunes em texto intitulado: Teorias do conhecimento e alfabetização: o bebê e a água do banho, argumentam que não era preciso jogar fora o bebê junto com a água do banho, ou seja, os conhecimentos que havíamos adquirido, ao longo da trajetória docente, eram importantes, mas seriam necessárias reflexões advindas dos diversos espaços em que a professora alfabetizadora participa, e assim, aos poucos, compreender o modo como as crianças constroem seus conhecimentos.

Considero a realização deste estudo, que envolve a trajetória de formação de professoras alfabetizadoras pelo caminho (auto) biográfico, um aspeto importante no atual momento político, em que a escola pública tem sido tão desprestigiada em nosso tempo. É preciso trazer histórias de vida e trajetórias de formação que possam ajudar outros professores a refletirem sobre as suas práticas, além de trazer o modo como esses professores estão se formando e, assim, perceber como dão conta de realizar um bom trabalho alfabetizador.

Ao trazer as marcas construídas na trajetória pessoal de cada uma dessas professoras e as aprendizagens individuais e coletivas que foram construindo ao longo de sua trajetória, segundo Souza (2006), inscreve-se como um processo de formação porque remete o sujeito a uma análise profunda dos seus percursos de vida e de formação, na medida em que possibilita a cada sujeito compreender-se como autor e ator do seu percurso formativo.

A autora

PREFÁCIO

SOBRE NARRATIVAS, EXPERIÊNCIAS E FORMAÇÃO DOCENTE...

Um livro sobre narrativas (auto)biográficas, sobre processos de formação docente experienciados por professoras alfabetizadoras que atuam em escolas públicas cariocas. Um livro que traz como história uma dissertação de mestrado vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e ao Grupo de Pesquisa: Práticas Educativas e Formação Docente (GPPF).

A autora, professora alfabetizadora comprometida com a escola pública, chega ao Mestrado com uma história de vida entrelaçada à luta cotidiana por uma educação que assume o desafio de praticar a igualdade, como defende Jacotot/Rancière¹, ao invés de defendê-la como objetivo a ser alcançado no futuro. Persegue, ao longo de sua trajetória docente, uma prática pedagógica e alfabetizadora que garanta às crianças e jovens das classes populares, que, no nosso país, ainda engrossam as estatísticas de repetência e abandono escolar, a apropriação da linguagem escrita com autoria, inventividade e dialogicidade.

Jussara traz em suas questões de pesquisa esse modo de ser mulher e professora! Não por acaso, o desejo de ouvir outras professoras, como ela própria, mulheres e alfabetizadoras. Conta e ouve, portanto, histórias de vida e de formação, histórias de fazeres e saberes alfabetizadores, que revelam modos de pensar, saber, sonhar, sentir e de ser de quatro professoras cujas práticas pedagógicas podem ser compreendidas como militância política no sentido defendido por Paulo Freire, afinal, inexiste uma prática educativa neutra, descomprometida, apolítica. É preciso, enfatiza nosso mestre, assumir realmente a politicidade da educação. A favor de quem alfabetizo? Com quem vivencio o processo de aprender e ensinar? Por quê? Para quê? Como?

Nas narrativas docentes presentes neste livro, as professoras alfabetizadoras dizem de suas opções pedagógicas – não nos esqueçamos, sempre políticas –, no exercício cotidiano de ser professora. Opções, muitas vezes, articuladas ao vivido na infância: a punição como instrumento repressor vivenciado na escola quando errava a tabuada; o sofrimento na escola pública da primeira à quarta série, a repetência por dois anos seguidos e, sobretudo, a lembrança da professora que não chegava perto de uma aluna negra; a mãe analfabeta, que se esforçava, mas não conseguia ajudar nas tarefas de casa; a mãe que diariamente colocava os quatro filhos para fazer o dever e dizia, enfaticamente, que queria que tivessem o que ela não teve e a troca do sapato pela sandália com a irmã na saída do turno, pois a escola não aceitava que o uniforme não estivesse completo.

As narrativas dessas professoras expressam modos de lidar e de compreender as crianças e jovens afastando-se dos sentimentos de medo, repressão, racismo, fracasso e práticas pedagógicas autoritárias e colonizadoras. Confirmam o defendido por Jussara e pesquisadore(a)s da área: a formação docente é algo que acontece ao longo da vida.

Dúvidas, certezas e incertezas, medo de não saber fazer e de não saber alfabetizar as crianças e jovens são também fios que tecem suas narrativas. Mas a abertura para expor-se, para correr riscos e ousar fazer diferente do habitualmente aceito e compreendido como natural é parte constitutiva da história dessas professoras. Jorge Larrosa², autor com o qual Jussara dialoga em seu texto, alerta-nos que o sujeito da experiência se define por sua disponibilidade, por sua abertura. É experiência aquilo que ‘nos passa’, ou que nos toca, ou que nos acontece, e, ao nos passar, nos transforma.

A pesquisa (auto)biográfica realizada e que dá vida a esta obra narra, legitima e socializa experiências vividas por professoras alfabetizadoras. Sabemos que o registro escrito da experiência, como ressalta a autora deste livro,

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