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Corpo e poesia: para uma educação do sensível
Corpo e poesia: para uma educação do sensível
Corpo e poesia: para uma educação do sensível
E-book176 páginas2 horas

Corpo e poesia: para uma educação do sensível

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Sobre este e-book

A poesia não se faz sem o corpo que a gera e sem o corpo que nela encontra um alento ou um furor. Antes, durante e depois de ser palavra ela se alimenta e confunde-se com um estado do corpo do qual emergem recentes reconfigurações do mundo, modos de escrever o que já foi escrito, especulações e imaginários de um mundo porvir… intensidades existenciais. Ponho-me a pensar assim sobre a poesia ao reler o texto de Gilmar Leite Ferreira. Ele nos toca em seu valoroso empreendimento de reconhecer a criação poética como ação sensível do corpo que gera e frui as palavras como um modo de educar. Ao discutir as relações entre corpo e poesia, o autor, poeta e professor nordestino, lança um olhar atento às suas próprias experiências, a partir das quais encontra cumplicidade nos modos de poetizar de outros artistas e de seus próprios alunos. Assim, a poesia reveste-se dos corpos e os corpos da poesia, não há como pensar as palavras sem esse duplo contágio, sem a impregnação estética das pessoas, dos lugares, das paisagens, das situações, daquilo que tem intensidade suficiente para se expressar nesse mundo já tão habitado. O reconhecimento desse trânsito existencial e estético é suficientemente potente para fazer pensar uma educação sensível que não se fixe no excesso de ordenamento e de modelos de produtividade. Convido você, provável leitor deste livro, a desbravar as páginas deste livro. Elas são dotadas da mesma vivacidade das palavras declamadas pelo autor em suas atuações performáticas, e trazem para a escrita acadêmica a maleabilidade do texto poético. Seja você um educador, um poeta, um interessado pelos estudos do corpo ou mesmo um leitor aventureiro, poderá encontrar nelas horizontes estéticos para pensar a educação.



Karenine de Oliveira Porpino
IdiomaPortuguês
Data de lançamento1 de jan. de 2017
ISBN9788547306274
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    Corpo e poesia - Gilmar Leite Ferreira

    Editora Appris Ltda.

    1ª Edição – Copyright© 2017 dos autores

    Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

    Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

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    Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

    COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO LINGUAGEM E LITERATURA

    Ao saudoso irmão Betinho (José Humberto), responsável pelos meus primeiros passos na vida acadêmica

    AGRADECIMENTOS

    Agradeço a Petrucia Nóbrega, pela realização deste trabalho. Foi a partir das suas sugestões e pela abertura para as coisas do sensível, pelo seu rigor acadêmico, pela ética profissional e pelo respeito à produção do conhecimento que me senti entusiasmado para escrever este livro, influenciando de forma significativa minha maneira de compreender e interpretar a relação Corpo, Poesia e Educação.

    Minha gratidão a Karerine Porpino e Walter Pinheiro, pela atenção e a disposição, apresentando sugestões e incentivos para realização do trabalho.

    Obrigado ao Grupo de Pesquisa Estesia – Corpo, Fenomenologia e Movimento (UFRN) –, pelos momentos de estudos, debates, compartilhamento de ideias, sentimentos e interpretações de noções e conceitos filosóficos, os quais contribuíram de forma significativa à interpretação do fenômeno pesquisado.

    Sou grato à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo acolhimento em abrir as portas do conhecimento, por meio do Programa de Pós-Educação, para que eu pudesse levar ao espaço acadêmico a minha experiência de poeta e educador, tornando possível a produção de um conhecimento sensível, capaz de contribuir na formação de um homem mais sintonizado com as coisas da sensibilidade e do desenvolvimento humano.

    APRESENTAÇÃO

    Quando se fala em educação, geralmente nos remete ao meio familiar ou ao espaço escolar, mostrando a pura compreensão de que só é possível a educação do ser humano nos espaços citados. Geralmente esses dois tipos de educação estão vinculados às questões comportamentais e cognitivas. Neste livro enfatizo a educação do sensível por intermédio da relação Corpo e Poesia, para uma melhor percepção do sujeito que se percebe e percebe o mundo por meio da sensibilidade.

    A partir da fenomenologia do filósofo Merleau-Ponty (outros autores) e da experiência vivida como poeta e educador, proponho a poesia como campo sensível, capaz de uma educação que tece na existência um diálogo aberto por meio da criação poética, da linguagem, da performance e da experiência de algumas Oficinas de Poesias, na rede básica de ensino do Estado do Rio Grande do Norte.

    No mundo cada vez mais fragmentado, mecânico e desumano, dimensiono a educação poética neste livro como uma proposta de projetarmos a nossa condição audível e legível de perceber as delicadezas das palavras sensíveis, proporcionando o silêncio da imaginação e da sensibilidade e o universo das imagens e sentimentos poéticos que os versos revelam.

    O corpo é feito de palavras, expressões e comunicações. Nesse sentido, a poesia como expressão do sensível habita a palavra, engravida ela de sentidos e significados e, podemos perceber o gosto das coisas quando as palavras poéticas nos afetam; podemos tocar nos campos do visível e do invisível por intermédio da poesia, podemos sentir o cheiro das coisas, abrindo os canais do olfato mediante o sentir poético; podemos deliciar o paladar quando a experiência poética propõe transitarmos nos sabores e gostos que atingem nossa existência sensível. Esse mundo de perceber as coisas por meio da visão, ouvidos, paladar, tato e olfato, a partir da poesia, funda uma educação tecida no corpo, ampliando de maneira sensível nossa condição de ser-no-mundo.

    O Autor

    PREFÁCIO

    Como escrever um prefácio para um poeta?

    Gilmar me pede um prefácio. Mais um? Pergunto inquieta, pois há pouco tempo escrevi um outro para seu livro/tese (O sertão educa), livro ainda não publicado – mas que será em breve. O poeta é um ser inquieto, desassossegado, diria Fernando Pessoa.

    Este livro que temos em mãos, à frente dos nossos olhos – escrito pelo poeta, educador e pesquisador Gilmar Leite – coloca-nos em estado de poesia, mobilizando corpo e alma no ato da performance poética e no ato educativo. Entre o mar e o sertão, Gilmar percorre os caminhos sensíveis da linguagem, provocando torções nas disciplinas científicas, filosóficas e literárias para fazer vibrar nossa sensibilidade e dilatar nossa compreensão de educação e, em especial, os caminhos da formação de professores. Com este livro, estamos em pleno mar, como diria Castro Alves: Mar de poesia, de saberes, de experiências que dialogam filosofia, poesia, corpo e educação.

    É dessa maneira que leio o texto de Gilmar, fruto de sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Amo poesia, amo dizer poesia, amo ouvir poesia, amo estar em estado poético. O estado poético educa nosso ser frágil e cansado, humano em demasiado – como diria Nietzsche, Fernando Pessoa e também Clarice Lispector (A paixão segundo G.H.).

    Com base na fenomenologia de Merleau-Ponty, mas também extasiado dos textos literários e em sua experiência de poeta, Gilmar nos apresenta uma reflexão fundamental sobre linguagem, corpo e educação por meio da qual percebemos a inteligibilidade do sensível que configura nossa corporeidade: o corpo sensível exemplar. Com sua poesia, o poeta educador cria, experimenta junto aos estudantes e professores da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte em suas Oficinas de Poesias. Essa experiência é contada no livro, com depoimentos dos participantes e a partilha da produção cultural construída nesses momentos de intensidades poéticas e educativas de rara beleza, sensibilidade e emoção.

    Para o filósofo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), a literatura é capaz de reinvestir o vivido do sujeito pensante em sua relação com a linguagem, sobretudo a partir do século XX, quando a literatura revela uma subjetividade nova, com destaque para a relação a si mesmo e ao outro. Destaca-se que a compreensão de uma linguagem conquistadora coloca em avanço a capacidade que tem a palavra para renegociar constantemente os horizontes de sentido, notadamente na poesia.

    N’A Prosa do mundo, Merleau-Ponty cita o exemplo das crianças estudadas por Piaget, para quem o sol porta em seu centro seu nome. Nossa língua encontra no fundo das coisas uma palavra que as faz existir. Segundo o filósofo essas convicções sobre a linguagem não pertencem ao senso comum. Elas estão presentes nas ciências exatas, com a questão do algoritmo, mas não na linguística. O algoritmo é considerado como a forma da linguagem adulta, uma forma sem erros que remete a signos escolhidos e significações definidas. Ele fixa um certo número de relações transparentes, ele institui, para representá-los símbolos que por eles mesmos nada dizem, que jamais dirão mais que o que foi conveniente dizer (MERLEAU-PONTY, 1969, p. 9).

    O algoritmo se propõe a uma linguagem rigorosa capaz de controlar todas as operações e o sistema de relações possíveis. Desse modo, o signo permanece a simples abreviação de um pensamento que poderia a cada momento explicar-se e se justificar inteiramente. A única virtude da expressão seria então substituir alusões confusas de cada um de nossos pensamentos por atos de significação dos quais seríamos verdadeiramente responsáveis, porque conhecemos o conteúdo exato que pode ser recuperado pelas vias do pensamento e pelo valor expressivo do algoritmo.

    Mas a linguagem não se resume ao algoritmo. Na literatura, o escritor desvia os signos de seu sentido ordinário, realiza uma torção secreta nas palavras. Partindo dessa compreensão, o filósofo esboçará sua teoria da expressão e considerando, sobretudo o fenômeno literário e a experiência da expressão que torna possível relativizar a concepção de representação pura do racionalismo, muitas vezes presentes na filosofia e nas ciências. O livro de Gilmar faz dialogar com essas referências fenomenológicas da linguagem compreendida em seus traços sensíveis e que são impulsionados pela fabricação poética de uma educação sensível.

    O livro de Gilmar sobre corpo, poesia e educação configura-se como um texto poético, sofisticado e que exigirá do leitor a disponibilidade sensível para circular, para movimentar-se da prosa para a poesia e desta para a prosa, inclusive para a prosa do mundo na qual se insere a educação e nossa existência. Com seu livro, Gilmar Leite poetiza a educação, educa nossa sensibilidade, sensibiliza nosso ser cansado de racionalismos.

    Trata-se, pois, de restituir a sensibilidade como processo de expressão. Essa atitude é próxima do desassossego de Fernando Pessoa, como podemos notar quando escreve sobre a ânsia de compreender. Compreender envolve a sensibilidade, o elo entre vontade e emoção, entre a vida material e imaterial, os gestos e o pensamento, como nos ensina o poeta. Cansamo-nos de tudo, exceto de compreender. O sentido da frase é por vezes difícil de atingir. Cansamos de pensar para chegar a uma conclusão, porque quanto mais se pensa, mais se analisa, mais se distingue, menos se chega a uma conclusão (PESSOA, O livro do Desassossego, 1936, excerto 239).

    O escritor, o poeta ao desviar os signos já estabelecidos em uma língua cria outros horizontes sensíveis, instaurando assim o campo estético, epistemológico, educativo da obra de arte, da literatura, da poesia. Sim, a sensibilidade, o sentir mesmo anima nossa vida, impulsiona-nos a nos engajar e faz com que os objetos, as pessoas e as situações possam ter um sentido afetivo para nós. Essa experiência nos educa. É sobre isso que trata o livro de Gilmar Leite.

    Petrucia Nóbrega

    Professora Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    Fevereiro de 2017

    SUMÁRIO

    INTRODUÇÃO

    PRELÚDIO PARA UM ESTADO POÉTICO

    CAPÍTULO 1

    O FENÔMENO DA CRIAÇÃO POÉTICA

    CAPÍTULO 2

    A LINGUAGEM POÉTICA

    CAPÍTULO 3

    A PERFORMANCE POÉTICA

    CAPÍTULO 4

    A POESIA EDUCA

    CAPÍTULO 5

    POSLÚDIO DO ESTADO POÉTICO

    REFERÊNCIAS

    Introdução

    PRELÚDIO PARA UM ESTADO POÉTICO

    Entre os vales da existência sensível; nas cavernas profundas da introspecção; no oceano abissal da subjetividade; na correnteza do líquido endoplasmático; no pulsar tresloucado do coração; na estesia dos

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