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O fascínio das danças de corte

O fascínio das danças de corte

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O fascínio das danças de corte

Duração:
212 páginas
2 horas
Lançados:
1 de jan. de 2016
ISBN:
9788547303303
Formato:
Livro

Descrição

Que fascínio é esse produzido pela dança? Como explicar a paixão da corte por uma atividade tão menosprezada nos dias atuais?

A dança se faz presente na civilização humana desde muito cedo. A prática atravessou os séculos e chegou à corte francesa transformando-se em requisito obrigatório para a formação de um bom cortesão.

Este livro revela toda a beleza e o encanto que a dança de corte produziu na França. Sua utilização em grandes eventos da realeza francesa mostra a importância que revelava na vida da sociedade. Uma dança elegante, que influenciou e deslumbrou visitantes estrangeiros que tiveram a oportunidade de conhecê-la.

Tais danças foram a origem do nosso ballet, e chegaram ao seu ápice no reinado de Luís XIV, sendo mostradas neste livro de uma maneira simples e direta, revelando o contexto sócio-político-religioso da época e abordando a inserção dos maîtres de danse, que teriam, mais tarde, o papel de auxiliar a aristocracia da corte na execução técnica dos passos de dança. Convidamos você, leitor, a conhecer um pouco desse incrível universo das danças de corte.
Lançados:
1 de jan. de 2016
ISBN:
9788547303303
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

O fascínio das danças de corte - Bruno Blois Nunes

Editora Appris Ltda.

1ª Edição – Copyright© 2016 dos autores

Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO CIÊNCIAS SOCIAIS - SEÇÃO HISTÓRIA

Dedico este livro a todos os professores, dançarinos, estudantes e curiosos da área da dança. Que esta obra possa servir para o ensino de todos aqueles que buscam algo mais na procura de um maior conhecimento na área da dança.

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Miguel Ângelo Brião Nunes e Angela Maria Dias Blois Nunes, pelo amor e apoio incondicional durante a realização de toda esta etapa.

À minha vó Maria Dias Blois, professora de português, pelas correções e conselhos dados durante toda a minha trajetória escolar e acadêmica.

À Tia Clélia (Poeta K) (in memoriam), pelo incentivo e auxílio prestado na compra de livros utilizados na produção deste livro.

À minha tia Lúcia Maria Blois Villela, pelas inúmeras sugestões e correções em diversos trabalhos durante a minha jornada acadêmica que deu origem a este livro.

Ao meu tio Henrique Dias Blois, pela ajuda na aquisição de livros importantes para a prova de seleção do mestrado, cujo trabalho final deu origem a este livro.

À minha namorada, Maitê Peres de Carvalho, por todo amor, paciência e apoio que foram necessários durante a minha jornada, além da parceria e troca de ideias que muito contribuíram para o meu trabalho e a minha formação profissional.

À minha orientadora do mestrado, Profª Drª Elisabete da Costa Leal, pela aceitação e confiança dedicada ao meu projeto nesses dois anos de convivência.

À comissão avaliadora da minha dissertação de mestrado, Profª Drª Viviane Adriana Saballa e Prof. Dr. Paulo César Possamai, pelas contribuições pertinentes, pela disponibilidade em colaborar e pela indicação de publicação.

Ao Prof. Dr. Alessandro Arcangeli, professor de História Moderna na Universidade de Verona, Itália, pelas preciosas dicas de livros e artigos sobre dança, que foram muito importantes no decorrer desta pesquisa.

Ao Prof. Dr. William Peres e à Profª Drª Carmem Schiavon, pelas conversas, orientações e troca de ideias valiosas para o bom andamento da minha pós-graduação.

Ao meu amigo, Me. Deomar Villagra Neto, pela sugestão feita quanto à orientação e ao curso de mestrado que acabei escolhendo e me dedicando com afinco.

À Márcia Maciel, professora de francês, pelo suporte prestado com o idioma durante essa longa caminhada na busca de decifrar o francês arcaico nas minhas pesquisas que culminaram neste livro.

À Satu Mariia Harjanne, presidente da Cari Ari Library, Estocolmo, Suécia, pela liberação da imagem da capa do tratado de dança Nobiltà di dame (1605), do maître de danse italiano Fabritio Caroso.

Ao fotógrafo Marco Moscarelli, pela liberação da imagem tirada do autor, a qual se encontra na orelha da capa deste livro.

O verdadeiro ato da descoberta não consiste em descobrir novas terras, mas em vê-las com novo olhar.

(Marcel Proust)

APRESENTAÇÃO

Escrevo para uma geração que não vivenciou o período exposto neste livro. Apresento um tempo que chegou até nós unicamente por meio de imagens e documentos, os quais nos possibilitam uma tentativa de exposição de um período de extrema relevância na dança.

Para este livro, pesquisei a importância da dança e seus diversos papeis representados na corte francesa dos reinados de Francisco I a Luís XIV. A partir da contextualização da França no período de estudo, enfocando aspectos religiosos, políticos e culturais importantes da época, foi possível caracterizar as danças presentes na corte. Além disso, analisei os tratados de dança dos chamados maîtres de danse e algumas imagens que representaram acontecimentos importantes desse grande período.

Dessa maneira, espero que esse momento mágico da dança seja desvendado por todos os interessados no assunto. Boa leitura a todos!

O autor

PREFÁCIO

Toda dança é uma forma de produzir imagem. Com essas palavras o autor embasa grande parte do seu livro, buscando analisar as danças de corte francesa nos reinados de Francisco I e Luís XIV. Ao longo da pesquisa que resultou neste livro, o autor se perguntava se seria possível estudar a história da dança, principalmente da evolução dos passos de dança de corte, prescindindo das imagens. Sua constante preocupação era ver a dança de corte ou imaginar um movimento em imagens estáticas. Com esse mote, Bruno Blois pesquisou tratados e manuais de dança de corte que contivessem imagens e posteriormente estendeu sua investigação para pinturas, tapeçaria e litogravuras que retratassem cenas de dança. Tem-se, assim, uma pesquisa inédita no que se trata da história da dança e criativa no que se refere ao uso de imagens como fonte de pesquisa histórica.

O autor é professor de dança, e nisso reside a originalidade da pesquisa ao explicar a execução da coreografia e dos movimentos. As imagens disponíveis nas fontes pesquisadas eram bidimensionais e estáticas ou, muitas vezes, apenas descritas. Bruno Blois, pelo conhecimento técnico de dança, descreveu-as generosamente e com acuidade soube explicar seus movimentos e coreografias.

O autor partiu da premissa de que a sociedade de corte era pautada pela expressividade visual, pelo gesto, pela fala e pelo comportamento, na busca da distinção social em que a aparência e o espetáculo moderavam a arte de ser nobre. Sua contribuição original neste livro foi mostrar como tais parâmetros da sociedade da corte estão presentes na dança, que deveria ser corretamente executada, coroando, portanto, a função dos manuais e dos mestres de dança. Parte da pesquisa centrou-se nesses manuais ou tratados, alguns ilustrados, que ensinavam a coreografia das diferentes danças nos salões franceses. A autoexigência de uma performance que seria vista por todos, nessa sociedade da aparência, elevava o rigor técnico da execução da dança. Os tratados e mestres de dança garantiriam, com isso, o correto dançar.

O livro mostra como a dança de corte tinha força na sociedade aristocrática francesa, estimulando a arquitetura dos castelos para incorporarem salões de baile, inspirando o vestuário, com a criação de passos em que os nobres pudessem exibir suas ricas vestimentas, e influenciando os rituais e cerimônias reais em que a dança tinha espaço privilegiado no programa. A representação do poder real por meio da dança foi, com isso, belamente discutida pelo autor.

Enfim, o livro analisa temas consagrados na historiografia e como o poder e a riqueza da corte francesa são revelados por meio da dança, e inova ao fazê-lo por meio da representação visual. O autor mostra como o ato de dançar constituía aquela sociedade da aparência e integrava um regime de sentidos pautados por experimentações visuais, no que Mike Pearson chamou de etnocenologia, ou mais modernamente nomeado de performance.

Elisabete Leal

Departamento de História/UFPel

Agosto de 2016

Sumário

INTRODUÇÃO 

1 A FRANÇA E AS CORTES DE FRANCISCO I A LUÍS XIV 

1.1 A ameaça protestante 

1.2 Influência italiana na corte francesa 

1.3 A corte francesa

1.4 A formação do cortesão francês: a arte da aparência 

1.4.1 Vestuário e adereços

2 A DANÇA NA CORTE FRANCESA DE FRANCISCO I A LUÍS XIV 

2.1 Influência italiana na dança de corte francesa 

2.1.1 A influência dos maîtres de danse e dos tratados de dança italianos

2.2 Danças de corte 

2.3 Maîtres de danse e tratados de dança

2.3.1 L’Académie Royale de Danse 

3 IMAGEM E REPRESENTAÇÃO NA DANÇA 

3.1 A descoberta da perspectiva no Renascimento 

3.2 Representação do poder através da imagem 

3.3 Leituras de imagem e representação

3.3.1 A dualidade presença/ausência de movimento nos bailes de corte

3.3.2 A reprodução imagética dos bailes de corte

3.3.3 A reprodução imagética dos tratados de dança

 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

 REFERÊNCIAS 

INTRODUÇÃO

A missão do historiador é sintetizar, encaixar a multiplicidade do passado dentro de um todo.¹ No entanto, não compete a ele julgar os acontecimentos, mas, sim, explicá-los.² Cabe ao historiador, dentro de suas capacidades, representar o passado de uma maneira que seu texto seja coerente e, quando possível, com uma narrativa que capture o leitor. Essa narrativa cativante pode ser possível considerando a história uma arte, assim como Burckhardt, e fazendo dela uma escrita em estilo legível para que pudesse agradar, primeiramente, leitores pensantes de todas as classes antes de seus colegas letrados.³ Para isso, devemos focar naquilo que julgava interessante no passado, em vez de procurar abordá-lo de forma exaustiva.⁴

Aqueles que estudam uma temática de um tempo longínquo possuem, por inúmeras vezes, uma elevada dificuldade em distinguir entre o que é importante para o pesquisador (de acordo com os padrões de seu tempo) e o que foi relevante para as pessoas de um passado distante que é pesquisado pelo mesmo.⁵ Além dos documentos, os historiadores oferecem as suas interpretações, que se diferenciam das interpretações de outras épocas, até porque muitas das ambições de hoje não são as mesmas do passado.⁶

A pesquisa em dança obteve, nos últimos anos, uma maior atenção. Projetos de doutorado vêm abrangendo o tema dança com maior frequência e acabam tornando-se mais um material à disposição para futuras pesquisas.⁷ Entretanto, uma questão importante que deve ser levada em consideração é que a bibliografia sobre a dança não é muito ampla, especialmente se formos analisar os trabalhos disponíveis em língua portuguesa sobre o assunto. Em geral, encontramos variados livros sobre a dança, cuja abordagem não é pautada por uma rigorosa pesquisa. Muitas vezes, os livros sobre dança acabam sendo redundantes, autorreferindo-se e não realizando uma pesquisa original. Por essas razões, acredito que este livro tenha uma profunda relevância para a dança, sendo mais um material que possa amenizar a lacuna bibliográfica da área.

Esta obra sobre as danças de corte na França abrangeu o período das regências de Francisco I a Luís XIV. Escolhi iniciar o estudo no reinado de Francisco I pelo fato de ser considerado como o primeiro no qual uma verdadeira vida de corte organizou-se pela primeira vez.⁸ Foi nesse período que a corte alcançou nova importância na vida francesa e tornou-se o local onde novos estilos e contatos sociais se realizaram.⁹

Embora ainda nômade, característica de todo período medieval, a corte de Francisco I aumentou significantemente de tamanho e suas maneiras tornaram-se mais polidas.¹⁰ Ainda havia a existência de feudos durante a regência do monarca Francisco I, mas o rei já não admitia qualquer independência e repelia a forma feudal de administração e de justiça.¹¹

Analisei a corte francesa até a regência

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