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Comportamento Animal: Uma Introdução aos Métodos e à Ecologia Comportamental

Comportamento Animal: Uma Introdução aos Métodos e à Ecologia Comportamental

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Comportamento Animal: Uma Introdução aos Métodos e à Ecologia Comportamental

notas:
3/5 (1 nota)
Duração:
408 páginas
7 horas
Lançados:
21 de set. de 2018
ISBN:
9788547316419
Formato:
Livro

Descrição

O livro Comportamento animal: uma introdução aos métodos e à ecologia comportamental traz informações relevantes para todos que se interessam pelo comportamento animal, desde leigos até os que queiram ingressar na carreira de pesquisador dessa área. A obra contempla tópicos básicos que permitirão ao leitor compreender as bases gerais do comportamento animal, bem como tópicos atuais que vêm sendo discutidos no meio científico, com uma linguagem fácil e agradável, permitindo que profissionais e não profissionais compreendam e extraiam dos textos as informações necessárias para uma excelente aprendizagem. Estudantes de diferentes cursos de graduação (Biologia, Medicina Veterinária, Psicologia, Zootecnia etc.), profissionais e entusiastas pelo comportamento dos animais encontrarão nesta obra os princípios desse fascinante ramo da Ciência, que é a Etologia.
Lançados:
21 de set. de 2018
ISBN:
9788547316419
Formato:
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Comportamento Animal - Camila Palhares Teixeira

Editora Appris Ltda.

1ª Edição - Copyright© 2018 dos autores

Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

Às nossas famílias e aos amigos pelo suporte; aos mestres pelos ensinamentos.

AGRADECIMENTOS

Esta obra é fruto de muito trabalho e pesquisa. Horas e horas de coleta de dados, de experiências e descobertas. Assim, seria difícil agradecer a todas as pessoas que contribuíram para que esta obra chegasse a suas mãos.

Agradecemos às instituições que dão suporte à pesquisa: instituições financiadoras das pesquisas brasileiras e estrangeiras, intituições de ensino superior, instituições mantenedoras de fauna e instituições particulares.

Aos revisores do texto, que ajudaram no seu melhoramento.

Aos profissionais e alunos, que, com seu entusiasmo, tentam melhorar a vida dos animais que estudam.

Aos animais, que em suas diversas formas, cores, tamanhos e hábitos nos encantam a cada dia.

APRESENTAÇÃO

O estudo do comportamento animal no Brasil vem crescendo nos últimos anos. Apesar disso, a maior parte das espécies brasileiras ainda não foi estudada, sendo seus comportamentos conhecidos apenas anedoticamente. Apesar do aumento expressivo de pessoas estudando o comportamento animal no País, a literatura nacional sobre o tema é ainda escassa. Esse foi o principal aspecto que motivou os organizadores a convidarem diversos pesquisadores da área a produzirem esta obra. Com ela, aspectos básicos e avançados sobre o comportamento dos animais são fornecidos, com linguagem acessível e utilizando as espécies brasileiras na maior parte dos exemplos citados. Assim, na presente obra, o leitor terá acesso a informações sobre: o que é o comportamento animal e como ele evolui e se desenvolve; como realizar um estudo sobre comportamento animal utilizando a metodologia científica; os principais métodos de coleta de dados comportamentais, tanto para espécies terrestres quanto para espécies aquáticas; como e onde obter referências bibliográficas adequadas para nutrir os estudos, além das bases fundamentais do comportamento animal. Esperamos que esta obra seja adotada não apenas por estudantes de ensino superior, mas também pelos demais estudantes, profissionais, leigos e entusiastas do comportamento animal.

Os organizadores

PREFÁCIO

Eu tive a grande sorte na minha vida de trabalhar durante 12 anos no Brasil estudando o comportamento de seus animais maravilhosos. No entanto o ensino dessa tão interessante disciplina para estudantes universitários no Brasil foi dificultado pela falta de livros didáticos adequados. Os autores deste livro produziram algo que faltava há muito tempo: um livro sobre comportamento animal escrito por brasileiros para brasileiros. Por que isso é importante? A maioria dos livros escritos sobre o comportamento animal diz respeito ao estudo da fauna na Europa ou da América do Norte. A fauna brasileira é maravilhosamente única e diferente, sem mencionar que é incrivelmente diversificada. Além disso, o Brasil é o lar de uma ampla gama de habitats diferentes. Os autores trazem para este livro seu vasto conhecimento da vida selvagem brasileira e os métodos necessários para estudá-la. Dada a importância do estudo do comportamento animal e a importância da fauna brasileira, este livro é uma leitura essencial para todos os estudantes de Ciências Biológicas no Brasil. Naturalmente, os estudos clássicos de comportamento animal de todo o mundo também foram mencionados. Neste livro, os autores conseguiram transmitir seu grande entusiasmo pelo estudo do comportamento animal, o que torna sua leitura um prazer. Agradeço aos autores, por escreverem este livro, em nome de todos os alunos que o lerão e se beneficiarão de sua sabedoria.

Prof. Dr. Rob J. Young

Professor de Conservação da Vida Selvagem

Universidade de Salford, Reino Unido

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO AO COMPORTAMENTO ANIMAL

CAPÍTULO 2

PESQUISAS EM COMPORTAMENTO ANIMAL

CAPÍTULO 3

COMO MEDIR O COMPORTAMENTO ANIMAL

CAPÍTULO 4

COMO OS ANIMAIS PROCURAM ALIMENTO?

CAPÍTULO 5

POR QUE OS ANIMAIS VIVEM EM GRUPOS?

CAPÍTULO 6

COMPORTAMENTO SOCIAL E COMUNICAÇÃO

CAPÍTULO 7

AGRESSÃO, COMPETIÇÃO E COMPORTAMENTO TERRITORIAL

CAPÍTULO 8

REPRODUÇÃO, CUIDADO PARENTAL E CONFLITOS

CAPÍTULO 9

ESTRESSE ANIMAL

CAPÍTULO 10

DESENVOLVIMENTO DO COMPORTAMENTO ANIMAL

CAPÍTULO 11

EVOLUÇÃO DO COMPORTAMENTO

CAPÍTULO 12

MOTIVAÇÃO E BEM-ESTAR ANIMAL

CAPÍTULO 13

COMPORTAMENTO E CONSERVAÇÃO

SOBRE OS AUTORES

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO AO COMPORTAMENTO ANIMAL

Cristiano Schetini de Azevedo & Jonas Byk

1.1 Definindo o comportamento animal

O que é comportamento animal? Podemos definir o comportamento de um animal como as respostas que ele apresenta aos estímulos ambientais (externos); essas respostas são dependentes de fatores internos do animal (corporais, fisiológicos). Por exemplo, imagine um cavalo com sede; a resposta comportamental de beber água somente será exibida por esse cavalo se ele estiver com sede (resposta corporal, fisiológica, interna) e se existir água disponível no ambiente para ele beber (estímulo externo). Portanto mesmo que a temperatura ambiente esteja alta e o organismo do animal esteja sinalizando a necessidade de beber água, esse comportamento não será expresso se o fator ambiental estiver ausente. Concluímos, então, que o comportamento de um animal é a resposta resultante da ação de fatores internos e externos a ele.

A ciência que estuda o comportamento animal é conhecida como Etologia. Proposta inicialmente por Karl von Frisch, Konrad Lorenz e Nikolaas Tinbergen, em 1930, a Etologia tentava explicar aspectos do comportamento dos animais na natureza, levando os aspectos evolutivos em consideração. Hoje, a Etologia apresenta características multidisciplinares, contemplando áreas como a Ecologia, Fisiologia, Genética, Biologia da Conservação, Engenharia (no caso da construção de recintos naturalísticos para a manutenção de animais em cativeiro), Medicina Veterinária, Engenharia da Computação (no desenvolvimento de programas computacionais de análise comportamental) etc.

O estudo do comportamento animal pode dar-se em diferentes esferas (Figura 1). Podemos estudar o comportamento de um animal como um todo ou o comportamento de apenas células de seu organismo; podemos estudar o comportamento de um indivíduo ou de grupos de indivíduos; assim como podemos estudar o comportamento de todas as populações de uma dada espécie. Ainda, o comportamento animal pode ser estudado tanto na natureza, em que os comportamentos espécie-específicos são definidos, quanto em cativeiro, em que as condições de estudo são controladas. Muitos dos estudos comportamentais ocorrem em cativeiro, principalmente pela possibilidade de controle de variáveis ambientais e de observação dos animais, já que muitas espécies são difíceis de serem vizualisadas em campo, ou por serem pequenas demais, ou por viverem em locais de difícil acesso, ou por terem hábitos de vida secretivos (vida noturna ou vida subterrânea, por exemplo). Idealmente, os estudos comportamentais devem ser conduzidos tanto na natureza quanto em cativeiro, assim informações complementares sobre a espécie-alvo serão adquiridas.

FIGURA 1 – POSSÍVEIS ESFERAS DE ESTUDO DO COMPORTAMENTO ANIMAL

FONTE: o autor.

1.2 Breve histórico do comportamento animal

O interesse dos humanos pelo comportamento dos animais existe desde os primórdios; grupos nômades precisavam saber como os animais agiam para aumentar as chances de caçadas bem-sucedidas; muitas pinturas rupestres demonstram aspectos do comportamento dos animais. Em seguida, com o aparecimento da agricultura, algumas espécies animais de interesse foram domesticadas, especialmente para o fornecimento de alimentos (carne, ovos, leite etc.), mas também como força de trabalho. A domesticação dessas espécies teria ocorrido por volta de 8.000 anos atrás, e só foi possível pelo conhecimento prévio do seu comportamento pelos humanos.

No século XVIII, ocorrem os primeiros estudos lidando com o comportamento animal. Em 1716, o alemão Ferdinand Johann Adam von Pernau observava os pássaros e tentava descobrir como os filhotes aprendiam a cantar. Outro alemão, August Johann Rösel von Rosenhof, publicou, em 1758, um livro contando a história natural de anfíbios, trazendo algumas contribuições sobre o comportamento desses animais.

No final do século XIX, após muitos anos filosofando sobre a natureza dos animais, surgia a Psicologia Animal, ciência influenciada pelos estudos de Charles Darwin e marcada pela forte antropomorfização dos animais. Darwin foi o primeiro a comparar animais e humanos postulando que suas diferenças poderiam ser explicadas evolutivamente. Outros pesquisadores também contribuíram para a Psicologia Animal, como o inglês Douglas Alexander Spalding, considerado o primeiro biólogo experimental que estudou principalmente imprinting e instintos em aves, e o também inglês Sir John Lubbock, o primeiro a inserir os quebra-cabeças e labirintos no estudo da aprendizagem em formigas.

Oriunda da Psicologia Animal, por volta de 1930, aparecia na Europa a Etologia. Os pesquisadores considerados os pais da Etologia foram Karl Ritter von Frisch (alemão; estudou o comportamento de abelhas), Konrad Lorenz (austríaco; estudou o comportamento de imprinting em aves) e Nikolaas Tinbergen (holandês; estudou o comportamento inato de aves). No Brasil, o estudo do comportamento animal teve início apenas em 1980, quando ocorreu o primeiro encontro paulista de Etologia, em 1982.

1.3 Para que serve o comportamento animal?

Não importa qual seja o comportamento ou a espécie em questão, mas todos os comportamentos normais exibidos pelos animais têm dois objetivos finais: reprodução e sobrevivência.

Pense em uma ave limpando as penas com o bico. Esse comportamento permite a retirada de ectoparasitos, além de manter os vexilos da pena em bom estado, o que é importante para o vôo. Se a ave consegue voar, porque suas penas estão em bom estado de conservação, ela consegue fugir de predadores, ou seja, consegue sobreviver. Se ela consegue sobreviver, tem a possibilidade de reproduzir, mas a reprodução também está atrelada à condição das penas; fêmeas escolhem seus machos utilizando a beleza e vistosidade da plumagem como parâmetro.

Comportamentos anormais não permitem aos animais sobreviverem e se reproduzirem, portanto fogem das duas funções primordiais do comportamento. Animais de cativeiro que vivem altamente estressados podem se automutilar, e esse comportamento é claramente deletério. O comportamento de suicídio em humanos é outro exemplo. Ainda, alguns endoparasitos podem manipular o comportamento de seus hospedeiros tornando-os mais susceptíveis à predação ou menos aptos à reprodução. Por exemplo, uma larva de vespa consegue manipular o comportamento de uma aranha hospedeira estimulando-a a construir um casulo reforçado de seda, local de empupamento da vespa. Uma boa revisão sobre o assunto foi realizada por Thomas e colaboradores, em 2005, e por Poulin, em 2010.

1.4 Por que estudar o comportamento animal?

Os motivos que levam os etólogos a estudar o comportamento animal são bastante variados, mas geralmente caem dentro de uma das seguintes categorias: curiosidade sobre o mundo animal, aprendizagem sobre as relações entre os animais e seu ambiente, estabelecimento de princípios gerais do comportamento animal, melhor entendimento do nosso próprio comportamento, controle de pestes, e conservação e manejo de espécies ameaçadas.

A curiosidade sobre o mundo natural certamente é um dos fatores que mais motivam os etólogos. Normalmente, toda pesquisa tem início porque o pesquisador tem interesse em desvendar alguns dos mistérios comportamentais da espécie animal escolhida. Como veremos no Capítulo 3 deste livro, a escolha da espécie animal a ser estudada vem de interesses pessoais, curiosidades pessoais. Pense agora mesmo na espécie animal que você, leitor, gostaria de estudar. Além disso, pense por que você gostaria de estudar essa espécie. Pensou? Pronto, a curiosidade em responder essa pergunta que você acabou de fazer será o motivo de você começar a estudar o comportamento animal.

A aprendizagem sobre as relações entre os animais e o ambiente que os cercam também motiva os estudos comportamentais. Imagine, por exemplo, bandos de aves migrando de um local para outro. O que motiva essas aves a desempenhar esse comportamento? Que tipo de relação com o ambiente essa espécie migradora mantém? As mudanças de temperatura são as responsáveis pela migração? Ou seria a escassez de alimentos na área inicial? Se pensarmos em um lobo-guará, podemos nos questionar o porquê de eles preferirem defecar no alto de cupinzeiros em vez de diretamente no solo.

O estabelecimento de princípios gerais do comportamento, ou seja, as bases teóricas dessa ciência, talvez seja um dos principais motivos de se estudar o comportamento dos animais. Toda ciência precisa ter bases teóricas robustas. As teorias são postuladas baseando-se em hipóteses validadas por meio de estudos e experimentações; então, muitas ideias são lançadas para se tentar explicar um comportamento, gerando uma infinidade de estudos. Muitas hipóteses são aplicáveis para várias espécies animais, o que acaba permitindo que sejam consideradas universais, tornando as teorias originadas a partir delas fortes o suficiente para serem consideradas bases dessa ciência.

Muitos comportamentos observados nos animais são também exibidos por nós. Comportamentos reprodutivos, sociais, de defesa contra predadores etc. são similares entre muitas espécies animais e o homem. Então, o entendimento das bases desses comportamentos pode ser extrapolado dos animais para os humanos, permitindo-nos maior entendimento sobre nosso próprio comportamento. A Psicologia Evolutiva é a área da ciência que estuda o comportamento humano. É importante salientar que não podemos ou devemos usar o comportamento exibido pelos animais como justificativa para comportamentos humanos indesejados. Por exemplo, muitas espécies cometem infanticídio, ou seja, o ato de adultos matarem filhotes. A observação desse comportamento na natureza não pode ser justificativa para que humanos matem crianças.

Nada melhor do que conhecer bem o comportamento do animal que se queira combater. Isso fica claro quando a espécie em questão é considerada praga. Por exemplo, sabemos que para combater a dengue temos que combater o mosquito Aedes aegypti. O combate ao mosquito vetor do vírus da dengue é facilitado pelo conhecimento do comportamento reprodutivo da espécie. Sabendo que as fêmeas ovipõem em poças de água limpa e parada, podemos focar as estratégias de combate nesses locais.

Finalmente, a conservação de espécies ameaçadas de extinção, hoje, configura-se num grande motivador de estudos comportamentais. O número de espécies animais ameaçadas de extinção aumenta a cada dia, e muitas delas precisam ser corretamente manejadas para que sobrevivam. O manejo pode se dar tanto na natureza quanto em cativeiro. A criação de parques e reservas para a proteção de espécies só será válida se for grande o suficiente, ou que contemple microhabitats específicos, utilizados pelas espécies em questão. Imagine a criação de uma reserva, que tenha cerca de 100 hectares de tamanho, para a proteção de veados-campeiros (Ozotoceros bezoarticus). Ela de pouco adiantaria para a proteção da espécie, já que ela utiliza em média mais de 500 hectares de área. Criar animais em cativeiro, em recintos pouco estimulantes, tende a gerar a exibição de comportamentos anormais, e se existir a intenção de reintrodução desses indivíduos na natureza, a exibição desses comportamentos será ruim. Então, a estimulação adequada precisará ser oferecida ao animal cativo para que ele recupere e exiba os comportamentos naturais da espécie.

1.5 Considerações finais

O comportamento exibido por um animal é resultado da soma de estímulos do ambiente com estímulos internos, como os hormonais. A ciência que estuda o comportamento animal é conhecida como Etologia e foi fundada na década de 1930 por dois pesquisadores europeus, Nikolaas Tinbergen e Konrad Lorenz. A motivação para se estudar o comportamento dos animais é bastante variável, mas normalmente começa pela curiosidade do pesquisador sobre a vida natural. Estudos mais aplicados de conservação e combate de pragas também utilizam dados comportamentais básicos. Não importando o grupo animal ou a motivação que levou o pesquisador a estudá-lo, os comportamentos normais sempre permitem a sobrevivência e a reprodução dos indivíduos.

REFERÊNCIAS

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BERGER-TAL, O.; SALTZ, D. Conservation Behavior: applying behavioral ecology to wildlife conservation and management. Cambridge: Cambridge University Press, 2016.

BUSS, D. Evolutionary Psychology: the new science of the mind. 5. ed. London: Pearson, 2014.

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EBERHARD, W. G. Spider manipulation by wasps larva. Nature, London, v. 406, p. 255-256, jul. 2000.

FERICEAN, M. L. et al. The history and development of ethology. Research Journal of Agricultural Science, Timisoara, v. 47, n. 2, p. 45-51, apr. 2015.

LUBBOCK, J. On the Senses, Instincts, and Intelligence of Animals. London: Kegan Paul, 1888.

POULIN, R. Parasite manipulation of host behavior: an update and frequently asked questions. In: BROCKMANN, H. J. (Org.). Advances in the Study of Behavior. Burlington: Academic Press, 2010, p. 151-186. v. 41. (Capítulo 5).

SOSSINKA, R. Ethologie. Aarau: Sauerlander, 1981.

SOUTO, A. Etologia: princípios e reflexões. 3. ed. Recife: Editora Universitária UFPE, 2005.

SPALDING, D. A. On instinct. Nature, London, v. 6, p. 485-486, oct. 1872.

STRESEMANN, E. Baron von Pernau, pioneer student of bird behaviour. The Auk, New York, v. 64, p. 35-52, jan. 1947.

THOMAS, F. et al. Parasitic manipulation: where are we and where should we go? Behavioural Processes, London, v. 68, n. 3, p. 185-199, mar. 2005.

VERSIANI, N. F. Área de vida e uso de habitat por fêmeas de veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) nos diferentes períodos reprodutivos, no Pantanal Sul-Matogrossense. 2011. 102 f. Dissertação (Mestrado em Ecologia Aplicada Interunidades) – Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2011.

VON ROSENHOF, A. J. R. Historia Naturalis Ranarum nostratium. Nuremberg: Societatis Regiae Scientiarum, 1758.

CAPÍTULO 2

PESQUISAS EM COMPORTAMENTO ANIMAL

Camila Palhares Teixeira

2.1 O que é ciência?

A palavra ciência vem da palavra latina scientia, que significa conhecimento. Até o período do Iluminismo (século XVIII), a palavra ciência (ou seu cognato latino) significava quaisquer conhecimentos gravados, sistemáticos ou exatos. A Ciência, consequentemente, teve um significado tão amplo quanto a Filosofia tinha naquele tempo.

O conhecimento humano pode ser definido de várias maneiras. Na prática, é o processo pelo qual se determina a relação entre o sujeito e o objeto. Essa definição deixa entrever que pode haver vários tipos de conhecimento: o popular, o religioso, o científico, entre outros.

O conhecimento popular é aquele baseado na experiência cotidiana, transmitido de geração para geração e, na maioria das vezes, relacionado às práticas que possibilitam ou facilitam a sobrevivência. Em Filosofia, esse conhecimento poderia ser definido, em um sentido amplo, como o atributo geral que tem os seres vivos de reagir ativamente ao mundo circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevivência.

O conhecimento científico, por outro lado, consiste na apropriação do objeto pelo pensamento; por meio de uma metodologia apropriada, obtemos uma percepção clara, de representação completa, definição e análise dos fenômenos naturais.

Atualmente, a Ciência pode ser definida como a soma dos conhecimentos humanos resultantes da observação e experimentação; ela não pode e não produz uma verdade absoluta e inquestionável; e pode fazer predições baseadas em observações. Essas predições geralmente beneficiam a sociedade ou os indivíduos humanos que fazem uso delas, por exemplo, a teoria da evolução ou a genética.

O método científico é como a ciência será desvendada, ou seja, são os procedimentos e as estruturas das diversas ciências (ex.: biologia, matemática, física, química, entre outras).

Aristóteles (384-322 a.C.) encarava a investigação científica como uma progressão desde a observação até o estabelecimento de princípios gerais, e daí um retorno às observações para a confirmação dos princípios estabelecidos. Esse procedimento é conhecido como método

indutivo-dedutivo. A indução pode ser definida como o uso do raciocínio para, a partir de dados particulares (fatos, experiências, enunciados empíricos) e por meio de uma sequência de operações cognitivas, chegar a leis ou conceitos gerais, indo dos efeitos à causa, das consequências ao princípio, da experiência à teoria. A dedução seria o processo inverso, no qual, a partir de uma ou mais premissas aceitas como verdadeiras, há obtenção de uma conclusão necessária e evidente (ex.: A = B e B = C, logo A = C).

Vários outros intelectuais discutiram o que seria o método científico. Por exemplo, Descartes (1596-1650) utilizava o método dedutivo e, para isso, considerava como exigência essencial que todos os princípios gerais fossem verdadeiros, e começou a sistematicamente colocar todos os princípios em dúvida. Assim, ele construiu uma pirâmide das leis do universo, representando verdades científicas, em cujo topo estavam princípios metafísicos teísticos-creacionistas. Durante a Idade Média, os árabes alquimistas introduziram uma metodologia nova: a experimentação.

Sabemos, hoje, que o método científico não é utilizado de forma arbitrária, porque deve ser sempre submetido à contraprova da observação do próprio fenômeno. A verificação experimental, ou seja, a contraprova, pode sugerir modificações substanciais no modelo teórico. Esse mecanismo de obter o conhecimento (teoria – contraprova – revisão da teoria) é a própria essência do método científico ou da metodologia científica, que não pode ser ignorado por nenhum cientista que pretende fazer avançar a Ciência.

A Biologia é considerada uma ciência empírica, ou seja, não exata ou natural, apesar de hoje o tratamento dado aos resultados de vários tipos de experimentos, desde os utilizados na Sistemática, na Ecologia até na Biologia Molecular, ser altamente matematizado.

A Ciência pode ser dividida em: básica e aplicada. A Ciência Básica, seja teórica ou experimental, propõe unicamente enriquecer o conhecimento humano, enquanto a Ciência Aplicada utiliza-se desses conhecimentos gerados pela Ciência Básica na vida cotidiana. Por exemplo, a Ciência Básica pode fornecer conhecimentos sobre a vida, a distribuição e o funcionamento orgânico de uma dada espécie de planta; já a Ciência Aplicada dedica-se ao estudo das eventuais propriedades dessa planta, seja para efeito do seu cultivo, utilização na alimentação ou outras finalidades.

2.1.1 A Navalha de Occam

A Navalha de Occam, também conhecida como o Princípio da Parcimônia ou Lei da Economia, é uma teoria atribuída ao filósofo inglês e frade franciscano do século XIV, William de Ockhan. Essa teoria afirma, de forma simples, que não se devem fazer mais suposições do que o necessário, ou seja, no dia a dia, entre duas teorias iguais, escolha a mais simples.

Occam defendeu o princípio de que a natureza é por si mesma econômica, sempre escolhendo o caminho mais simples. Por exemplo, depois de uma tempestade, você tem a notícia de que uma árvore está caída; baseada na evidência da tempestade e da árvore caída, uma hipótese razoável seria a de que a tempestade derrubou a árvore. Outra hipótese seria pensar que a árvore foi derrubada por uma nave alienígena que, passando a 200m da árvore, disparou um raio laser e a derrubou. Entretanto devemos assumir primeiro que alienígenas existem e que o raio laser pode ser usado como arma, uma hipótese bem mais complexa do que a anterior. Os biólogos ou os filósofos da Biologia usam essa teoria na Biologia Evolutiva e na Sistemática.

A Sistemática é o ramo da Biologia que tenta estabelecer uma relação genealógica entre os organismos. Na Cladística, um campo da Sistemática, a lei da parcimônia é bastante utilizada: as filogenias mais aceitas são aquelas que requerem o menor número de passos evolutivos para serem produzidas.

2.2 O método científico

O método científico é um conjunto de regras básicas que um cientista deve seguir rigorosamente para desenvolver uma pesquisa controlada que resulte em conclusões confiáveis.

No método científico, a hipótese é o caminho que deve levar à formulação de uma teoria. O cientista, na sua hipótese, tem dois objetivos: explicar um fato e prever outros acontecimentos dele decorrentes. A hipótese deverá ser testada em experiências laboratoriais controladas e, se os resultados obtidos comprovarem perfeitamente a hipótese, então ela será aceita como uma teoria.

O método científico consiste das seguintes fases:

1. observação de um fato;

2. formulação de um problema;

3. proposta de uma hipótese;

4. realização de uma experiência controlada para testar a validade da hipótese;

5. análise dos resultados;

6. aceitação ou rejeição da hipótese;

7. formulação de novas hipóteses e teorias.

O procedimento é o seguinte: primeiro você observa um fato, depois formula uma hipótese, determina o melhor método para testar essa hipótese, observa e experimenta a hipótese, coleta e interpreta os dados; se os dados não confirmarem a hipótese, devemos formular uma nova hipótese e refazer todos os passos a partir da hipótese, mas se os dados confirmarem a hipótese, então usamos as hipóteses confirmadas como base para a formulação de teorias.

Para maior segurança nas conclusões, toda experiência deve ser controlada. A experiência controlada é aquela realizada com técnicas as quais permitem descartar as variáveis que podem mascarar o resultado. Nesse tipo de experiência, utiliza-se o duplo-cego, um método que emprega um grupo teste (o grupo que será efetivamente testado) e um grupo controle (um grupo que não é testado e serve apenas para comprovar que o teste é válido). Imagine o teste de novos remédios, em que temos dois grupos: um que utiliza o medicamento real (grupo teste) e o outro que utiliza o placebo (grupo controle). O médico que aplica a medicação não sabe quais são os pacientes que estão tomando o placebo e quais os que estão tomando o medicamento real, somente

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