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Educação de Surdos: Políticas, Práticas e Outras Abordagens
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Educação de Surdos: Políticas, Práticas e Outras Abordagens
E-book319 páginas5 horas

Educação de Surdos: Políticas, Práticas e Outras Abordagens

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Sobre este e-book

Os indivíduos surdos e ouvintes deste grupo de pesquisa (Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Libras e Educação de Surdos – Giples/Ufes) habitam em diversos contextos sociais e se constituem ao responder positivamente ao imperativo de Benjamim "Ponhamo-nos a caminho" (fragmento do seu texto "Rua de Mão Única"), fazendo da caminhada um ato revolucionário e não uma busca febril pela terra prometida. Dessa maneira, a partir de diferentes produções vividas, experienciadas ou sentidas, nós (individualmente ou compondo um grupo de pesquisa) nos tensionamos, problematizando as práticas pensadas e conduzidas para que a diferença surda seja resolvida no contexto de uma sociedade audista. Não buscamos resolver nada. Nossa caminhada é uma atitude que nos mobiliza a defender a diferença surda como potência. Nossos textos não anunciam verdades. Nossos textos não são o final do caminho. Nossos textos são resultado dos processos vividos por este grupo ao abaixarmos nossa cabeça e pormo-nos a pensar sobre tudo que vivemos e pesquisamos. Transformamos, mas somos muito mais transformados. Assim, os autores desta coletânea têm se debruçado em diferentes temáticas e perspectivas teórico-metodológicas mobilizadas pelo ativismo acadêmico com o objetivo claro de "[...] avaliar as chances e os perigos das soluções já postas e tentadas" (BAUMAN, 2003, p. 11), a fim de nos armarmos de um conhecimento que nos possibilite evitar repetir erros passados e escapar da cilada de transitar num caminho que se percebe sem saída. Por isso assumimos um compromisso como grupo de nos posicionarmos na discussão da educação de surdos. Assumimos nosso lugar ativista na discussão da educação bilíngue, sobretudo em nosso Estado do Espírito Santo. Nossas bandeiras não se descolam do a priori histórico para problematizar as políticas e práticas de nosso tempo discutindo seus efeitos. Desse modo, esta obra resulta de diferentes aspectos da educação dos surdos a partir de pesquisas desenvolvidas pelo Giples e em parceria com outros grupos. Por fim, esta coletânea é um convite para pensar a educação de surdos de outros modos.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento26 de set. de 2018
ISBN9788547311322
Educação de Surdos: Políticas, Práticas e Outras Abordagens
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    Educação de Surdos - Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado

    Editora Appris Ltda.

    1ª Edição - Copyright© 2018 dos autores

    Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

    Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

    Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

    Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

    COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE

    PREFÁCIO

    E das plantas vinha um cheiro novo, de alguma coisa que estava construindo e que só o futuro veria.

    (Clarice Lispector)

    Há algo de rico e desafiador na academia, infinitas possibilidades de se pensar um mesmo tema. O livro organizado por Lucyenne e Euluze traz tanto múltiplas abordagens das temáticas da surdez e da educação de surdos quanto a diversidade do pensamento acadêmico sobre tais temáticas. A riqueza da obra está justamente na pluralidade teórica.

    Quando recebi o convite para prefaciar este livro, ele veio acompanhado de um pedido de desculpas por me gerar mais trabalho para fazer. Também veio acompanhado de um outro comentário sobre o quanto seria interessante que eu escrevesse o prefácio, pois além de produção sobre o tema da educação de surdos, também tenho histórias compartilhadas com alguns dos autores do livro. Sem terminar a leitura do e-mail convite fui logo respondendo para as organizadoras que o aceitava com imenso prazer. Mais do que isso, senti-me mobilizada e honrada por ter a chance de ler, em primeira mão, os escritos dos colegas.

    Há anos acompanho o trabalho sobre educação de surdos realizado em Vitória do Espírito Santo, mais especificamente na Universidade Federal do Espírito Santo. A militância e o ativismo no campo da surdez observados naquela universidade são de se invejar. A comunidade surda está na universidade. Além disso, a formação acadêmica de estudantes surdos que lá é realizada não está pautada pela surdez – o que me agrada e me anima –, mas pela qualidade dos processos formativos.

    No auge das práticas culturalistas e dos festejos identitários, os autores deste livro mostram-nos que é possível pensar a educação de surdos sem reduzir as práticas a uma espécie de surdocentrismo educacional. Importa dizer que os ativistas da cultura surda não partem da centralidade da surdez, mas das práticas que tornam as ações pedagógicas e educacionais sobre os sujeitos com surdez objetos de pensamento. Pensar o próprio pensamento e oferecer tal exercício para que os leitores do livro problematizem suas práticas na educação de surdos é um dos grandes objetivos desta coletânea.

    Ao escrever que os autores do livro não fazem uma espécie de surdocentrismo educacional quero dizer que, embora partam de práticas surdas, eles não esgotam a discussão nos próprios surdos. Distante disso, eles apontam para a surdez como condição linguístico-cultural de partida para o desenvolvimento dos sujeitos que a possuem. Os autores e as autoras ensinam que, apesar de a identidade ser fundamental para reivindicarmos direitos individuais e comunitários, além de ser importante para a construção de um campo de significação entre semelhantes, ela é insuficiente para nos instrumentalizar para o embate cultural e das diferenças entre os sujeitos.

    Na convivência com os surdos aprendemos que a identidade está para a diversidade e o direito assim como a subjetividade está para a diferença e o imprevisto. Aprendemos que por mais que tenhamos militado por currículos surdos, por direitos surdos e por uma cultura e identidade surdas, não conseguimos aprisionar a potência de cada indivíduo viver sua condição. Não há um surdo universal que deva ser defendido, embora haja direitos comuns pelos quais os autores e as autoras reunidos/as neste livro se mobilizem.

    Os autores e as autoras do livro partem de distintos ângulos e abordagens teóricas para tratar o tema da educação de surdos. Divididas em três partes, intituladas Políticas de educação de surdos, Práticas na educação bilíngue para surdos e Tradução, estão reunidas discussões contemporâneas que abarcam a educação bilíngue, a inclusão, as práticas pedagógicas e de tradução, bem como as práticas do cuidado de si e literárias em língua de sinais. A riqueza da obra é um presente para quem quer conhecer mais sobre o tema de forma séria e comprometida com o conhecimento acadêmico.

    Ao escrever este prefácio temo ter perdido a medida e ser elogiosa demais. Não quero dar cores exageradas à obra, porém também não quero diminuir o que ela representa tanto para aqueles/as que a escreveram e a organizaram quanto para aqueles/as que irão lê-la e tomá-la como referência.

    Mais uma vez agradeço pelo convite feito a mim para escrever este prefácio. Tomara que minha breve escrita desperte nos leitores e leitoras o desejo de ler esta obra.

    Maura Corcini Lopes

    APRESENTAÇÃO

    E aí... como é que foi?

    Num sei. Só sei que foi assim.

    (João Grilo e Chicó, O auto da Compadecida)

    A reminiscência...acreditamos que a experiência se dá, também, a partir dela. Ela pode ser evocada sob a forma da narrativa e, por isso, retomando a epígrafe. Ela tece a rede que é constituída por todas as histórias que atravessam o narrador, e as histórias dos outros narradores também são ali envolvidas. Ela é personificada no narrador.

    Assim, recorro a Mnemósine, deusa da reminiscência, para contar um pouco da trajetória do nosso grupo de pesquisa completamente focado nas questões da educação de surdos. Focado, dedicado, comprometido e militante.

    Pensar a educação de surdos é o compromisso deste grupo. Partindo da linguagem como criação de sentidos (e não apenas representação, como se os problemas fossem quadros prontos), compreendemos a surdez como uma invenção do nosso tempo (LOPES, 2007), pois na contemporaneidade pensamos os sujeitos surdos a partir das marcas culturais que se entrecruzam na constituição dos sujeitos desse grupo e a Língua de Sinais como a língua que os constitui como comunidade.

    É a essa perspectiva que nos filiamos e assim produzimos pesquisas que olham as subjetividades surdas constituídas em nosso presente. Vale ressaltar que não negamos a marca no corpo. Ela está presente, porém não recorremos a ela para narrar a surdez.

    Como parte deste grupo, olho para ele com muita paixão. E, por isso, peço licença para narrar/contar/tecer um pouco sobre como nos tornamos o que somos. Recorro a Benjamin, com seu texto belíssimo intitulado O Narrador, para narrar comigo na tessitura da minha paixão por este grupo.

    Benjamin afirma que as pessoas que sabem narrar devidamente estão cada vez mais raras, pois a experiência e a arte de narrar estão em vias de extinção. Quando se pede num grupo que alguém narre alguma coisa, o embaraço se generaliza. É como se estivéssemos privados de uma faculdade que nos parecia segura e inalienável: a faculdade de intercambiar experiências (BENJAMIN, 1994, p. 198).

    Ao compartilhar suas histórias, o narrador não está interessado em passar a experiência pura em si como uma informação ou relatório. A experiência narrada mergulha na vida do narrador para, em seguida, retirá-la dele. Assim se imprime na narrativa a marca do narrador, como a mão do oleiro na argila do vaso (BENJAMIN, 1994, p. 205). E [...] quem escuta uma história está em companhia do narrador; mesmo quem lê, partilha dessa companhia (BENJAMIN, 1994, p. 213). Ao compartilhar histórias, ler histórias uns dos outros, podemos intercambiar experiências no sentido mais denotativo da palavra, gravar histórias, fundir com nossas experiências, criando, assim, uma rede de conversações.

    Éramos alunos, éramos jovens. Sonhadores e muito ativos, o que nos movia era a certeza de que poderíamos colocar a educação de surdos na pauta do dia! Atentos a como as questões vinham acontecendo no Brasil, nos mobilizávamos para que a Ufes acrescentasse essas questões em suas discussões inclusivas às quais sempre foi atenta.

    Éramos militantes e trabalhávamos como intérpretes de Libras em espaços onde os surdos precisavam estar. Organizamo-nos e tornamo-nos o Grupo de Estudos Surdos (GES), inspirados em outros GES de outras universidades (na época, no ano de 2006, conheci e me aproximei sobremaneira do GES da Universidade Federal de Santa Catarina). Criamos redes com esses grupos e, como éramos alunos, duas professores da Ufes (Sonia, que foi minha orientadora de mestrado e doutorado, e a saudosa Cida, que foi professora de coração) acreditaram em nós e transformaram nosso grupo em um Projeto de Extensão ligado à universidade e registrado no sistema. Assim pudemos fazer efetivamente ações que contribuíssem para a formação de professores das redes municipais e estaduais, nessa perspectiva.

    Éramos três. Tornamo-nos seis, nove... muitos!

    Várias ações foram realizadas no ano de 2007 visando à questão que agora ia calcando as nossas discussões: a formação dos professores.

    Iniciamos com um Ciclo de Estudos Surdos em Educação com pesquisadoras na perspectiva dos Estudos Surdos em Educação e que eram e são nossas referências. Grandes narrativas tecemos juntas. E também cursos de extensão: um de Formação de Professores Bilíngues e outro de Libras para a comunidade acadêmica. Sem contar que a Ufes sediou o II Seminário Nacional de Pedagogia Surda, que contou com pesquisadores que inspiram o trabalho e a teoria que estávamos encampando.

    Além de tudo, atuamos ativamente na construção de políticas educacionais para alunos surdos em diferentes redes públicas de educação no Estado. Todos esses movimentos no processo de constituição de uma proposta educacional bilíngue, de uma pedagogia em que a diferença surda seja centro das discussões, instiga-nos a refazer as nossas perguntas, outrora tão comuns, sobre a educação dos surdos, sobre o currículo, sobre as identidades, sobre a língua, sobre as práticas pedagógicas. Atravessando essas questões, a formação dos professores de surdos e, mais recentemente, de professores surdos entram como prioridade nas discussões desses processos.

    Hoje somos oito professores (dentre outros professores) da universidade em diferentes campi alcançando o estado do Espírito Santo de norte a sul. Militantes em diferentes cidades. E, assim, somamos ao nosso grupo alunos e outros parceiros, mestrandos e doutorandos.

    Além de nos envolvermos com ações de formação para a comunidade, começamos a nos formar como mestres e doutores, aprimorando nossos estudos e pesquisas. Tornamo-nos assim Grupo Interinstitucional de Pesquisas em Libras e Educação de Surdos (Giples/CNPq/Ufes). E, com a entrada no Programa de Pós-Graduação em Educação, tornamo-nos mais, tornamo-nos maiores, comprometidos em produzir conhecimento e contribuir para pensar de outros modos a educação de surdos.

    E, por fim, encerrando a nossa história, conto ao leitor que este livro apresenta pesquisas com diferentes leituras sobre a surdez. Diferentes bases teóricas e metodológicas. Essa é a marca do grupo: o que nos une é a temática. Mas o que caracteriza a diversidade das pesquisas é que trabalhamos nossas temáticas com diferentes abordagens, trazendo leituras diversas para compreendermos a surdez.

    Por fim, este livro é composto por textos de professores mestres e doutores, mestrandos, doutorandos. Todos envolvidos de diferentes modos com a temática.

    Na primeira seção do livro, o texto intitulado: Pensar as práticas pedagógicas bilíngues na educação de surdos na contemporaneidade traz uma discussão sobre a formação dos professores que atuam diretamente com as pessoas surdas por meio de análises de documentos históricos como as atas e os anais de congressos consagrados historicamente, como o Congresso de Milão (1880) e o Congresso Internacional para o Estudo das Questões de Educação e de Assistência de Surdos Mudos (1900).

    Os trabalhos de Bruna Pereira e Daniel Carvalho vão na direção de discutir a inclusão como espaço de potência na produção de subjetividades docentes a partir de ferramentas de inspiração foucaultiana. No primeiro, docência de professores de Química, e no segundo texto, a docência dos professores surdos.

    Já as autoras Eliane Vieira e Lucyenne Vieira-Machado buscam compreender como diferentes modos de ser surdo podem ser constituídos por meio da arquitetura escolar e como historicamente a mesma arquitetura pode ser utilizada para a produção desses modos de vidas surdas.

    E, fechando essa sessão, na esteira de Norbert Elias, os autores Costa-Junior, Sobrinho e Pantaleão vão discutir a formação de uma estudante surda no ensino superior a partir dos conceitos-ferramenta figuração e interdependência.

    Já a segunda sessão deste livro, que discute as práticas na educação bilíngue para surdos, inicia-se com o texto da autora Aline Bregonci, que discute a temática da educação bilíngue utilizando as ferramentas teórico-metodológicas como egocentrismo, altruísmo, tradução e justiça cognitiva, cunhadas por Boaventura de Souza Santos. Os autores Teixeira, Vieira-Machado e Silva vão discutir respectivamente as práticas bilíngues na educação infantil, metodologias possíveis de ensino de Língua Portuguesa para surdos usuários de Libras bem como o espaço da educação física como espaço de línguas e interações. A primeira autora vai, por meio da abordagem histórico-cultural do materialismo dialético de Vygotsky, problematizar as práticas bilíngues inclusivas em sala de aula e no espaço do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em um centro municipal de educação infantil no município de Vitória do ES. Já Vieira-Machado defende o ensino de Língua Portuguesa para surdos usuários de Libras pelo viés da semântica. Partindo da premissa de que as palavras são polissêmicas, o autor defende o ensino de LP para surdos a partir do texto, fugindo das formas tradicionais de se trabalhar com o ensino de palavras isoladas. E, finalizando a sessão, Silva vai discutir o aluno surdo na educação física escolar a partir da inclusão de práticas corporais.

    Na última sessão deste livro, que trata justamente da tradução e da interpretação da Libras, os autores Santos e Nogueira discutem a tarefa do intérprete de Libras/LP como intelectual específico nas práticas éticas e estéticas de sua formação. Já o autor Santana vai tratar da performance literária em língua de sinais do intérprete a partir da discussão teórica sobre a tradução cultural. O autor utiliza-se dos estudos culturais para fazer as discussões da pesquisa ali descrita.

    Por fim, as autoras Silva e Fortes vão discutir o envolvimento do intérprete de Libras nas aulas de matemática e como suas mediações interpretativas podem produzir conhecimento em sala de aula junto ao professor regente.

    Agradeço ao leitor a paciência de compartilhar esta narrativa comigo, de intercambiar esta experiência. Agradeço também a Mnemósine por permitir que na reminiscência eu encarnasse uma Sherazade por algum tempo. Não com seu brilhantismo, mas para garantir a minha vida após este processo narrativo de morte de mim mesma para viver num grupo de pesquisa.

    Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado

    Referências

    BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: BENJAMIM, Walter. Obras escolhidas I: magia e técnica, arte e política. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

    LOPES, Maura Corcini. Surdez & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

    Sumário

    seção 1

    POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO DE SURDOS

    PENSAR AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS BILÍNGUES NA EDUCAÇÃO DE SURDOS NA CONTEMPORANEIDADE

    Leila Couto Mattos

    Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado

    TORNAR-SE PRESENÇA: A IGUALDADE E A POTÊNCIA COMO

    PREMISSAS PARA A EDUCAÇÃO

    Bruna Gabriela Nico Pereira

    AS CONDUTAS DO SER PROFESSOR SURDO NO ESPAÇO DA INCLUSÃO

    Daniel Junqueira Carvalho

    ARQUITETURA ESCOLAR E A CONSTITUIÇÃO DE DIFERENTES

    MODOS DE SER SURDO

    Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado

    Eliane Telles de Bruim Vieira

    FIGURAÇÕES ESPECÍFICAS NO ENSINO SUPERIOR:

    A FORMAÇÃO DE ESTUDANTES SURDOS EM FOCO

    Euluze Rodrigues da Costa Júnior

    Reginaldo Célio Sobrinho

    Edson Pantaleão

    seção 2

    PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS 1

    A EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS PENSADA A PARTIR DA

    LÓGICA DA ESCOLA PARA TODOS: EGOCENTRISMO, ALTRUÍSMO, TRADUÇÃO E JUSTIÇA COGNITIVA 1

    Aline de Menezes Bregonci

    CONTRIBUIÇÕES PARA PENSAR A EDUCAÇÃO BILÍNGUE EM UMA INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL DE VITÓRIA/ES 1

    Keila Cardoso Teixeira

    ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA SURDOS USUÁRIOS DE

    LIBRAS: PRÁTICAS PELO VIÉS DA SEMÂNTICA

    Leonardo Lucio Vieira-Machado

    EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E O ALUNO SURDO

    Daniel Junior da Silva

    seção 3

    TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

    A TAREFA DO TRADUTOR-INTÉRPRETE DE LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS/LÍNGUA PORTUGUESA

    COMO INTELECTUAL ESPECÍFICO NAS PRÁTICAS

    DO CUIDADO DE SI

    Joaquim Cesar Cunha dos Santos

    Fernanda dos Santos Nogueira

    Tradução Cultural e as Performances Literárias em

    Língua de Sinais

    Jefferson Bruno Moreira Santana

    A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E A EDUCAÇÃO DE SURDOS EM UMA

    CIDADE DE INTERIOR

    Keli Simões Xavier Silva

    Janielli de Vargas Fortes

    SOBRE OS AUTORES

    seção 1

    POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO DE SURDOS

    PENSAR AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS BILÍNGUES NA EDUCAÇÃO DE SURDOS NA CONTEMPORANEIDADE

    Leila Couto Mattos

    Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado

    INTRODUÇÃO

    Este trabalho é parte de uma pesquisa pós-doutoral cujo foco de estudo é o Curso Bilíngue de Pedagogia (CBP) do Instituto Nacional de Educação de surdos (INES). Esse é um curso bilíngue para formação de professores surdos e professores ouvintes que, como egressos e de acordo com a Portaria SESU nº 942/2006, atuarão

    [...] nas seguintes habilitações: a) Magistério para Educação Infantil; b) Magistério para Anos Iniciais do Ensino Fundamental (inclusive Educação de Jovens e Adultos - EJA); c) Magistério das Disciplinas Pedagógicas do Ensino Médio; d) Funções extraclasse, conforme art. 64 da LDB: administração, orientação e supervisão escolar (BRASIL, 2012-2016, p. 33).

    O CBP é um curso pioneiro no Brasil, o que nos leva a concordar com Franco e Cruz quando dizem que o Ensino Superior, reunindo estudantes surdos e ouvintes, é uma experiência inovadora, sobretudo no Brasil, justificando-se, assim, a pertinência de pesquisa na área (2008, p. 3). Nosso interesse neste estudo específico diz respeito às práticas bilíngues e aos caminhos que vêm sendo percorridos e construídos a partir dessas práticas com alunos surdos no Curso Bilíngue de Pedagogia do INES, centro de referência nacional na educação desses sujeitos. O objetivo dessa pesquisa é entender de que forma esse processo de formação pedagógica vem sendo intermediado pelas línguas em questão, a saber, a língua brasileira de sinais (Libras) e a língua portuguesa, em suas modalidades oral e escrita.

    À medida que adentramos nesse contexto de formação várias perguntas que permeiam a pesquisa vão surgindo: a formação de professores surdos para o magistério requer a presença de ambas as línguas? Nesse caso, em quais modalidades a língua portuguesa deve estar presente? Os instrumentos de trabalho do professor requerem fluência na leitura e na escrita? Passam pela necessidade do domínio da língua portuguesa na modalidade escrita ou não? E da língua oral? Como prover o desenvolvimento dessa língua pela comunidade surda? Como ser professor surdo sem ser bilíngue?

    Essas perguntas acompanham a história da surdez e do surdo no mundo há muitos e muitos anos. A questão da acessibilidade das pessoas surdas à educação básica e à educação superior sempre esteve em pauta (BRASIL, 2011, 2013) no contexto educacional e sempre associada aos aspectos linguísticos inerentes à própria surdez.

    Usando a metodologia da análise documental, uma vez que temos como objetivo revisitar a história da surdez a partir de duas fontes bibliográficas específicas, datadas de 1880 e 1900, respectivamente, buscamos compreender melhor o

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