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Sócrates & a Educação
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E-book171 páginas3 horas

Sócrates & a Educação

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Sobre este e-book

Esta obra, integrante da coleção Pensadores & Educação, traz ao leitor uma reflexão sobre o pensamento de Sócrates, um dos maiores filósofos da história, acerca da política do ensino de Filosofia e de seus respectivos atores. Para tanto, Walter Omar Kohan explora as ideias educacionais de Sócrates, figura paradoxal, um personagem com dimensões tão diversas, que o tornaram um enigma a ser decifrado dentro da Filosofia. E é dessa maneira - contrastante, enigmática e estimulante - que Sócrates é apresentado aqui, por meio de sua política para ensinar e aprender Filosofia.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento2 de mai. de 2013
ISBN9788582172261
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    Sócrates & a Educação - Walter Kohan

    Sócrates".

    Primeira parte

    É necessário defender Sócrates? Ou Sócrates, entre a ironia e o cuidado

    O Sócrates irônico de Kierkegaard

    Desde os primeiros socráticos até o século XIX

    Sócrates não é indiferente a quem transita pela filosofia, muito menos àqueles que estiveram próximos da sua vida e da sua morte. Sabemos que Platão e Antístenes escreveram cerca de uma centena de diálogos; nos Memorabilia, de Xenofonte, há fragmentos de umas sessenta conversas; de outros, como Aristipo, Críton, Símias, Glauco e Simon conservamos textos semelhantes contendo entre uma e duas dezenas dessas conversas (Rossetti, 2007, p. 17). Sabemos que, na primeira metade do século IV a.C., floresce o gênero dos diálogos socráticos, e que não é possível então fazer filosofia sem ser afetado de alguma forma pelo socratismo. Há também alguns escritos críticos, como a Vida de Sócrates, de Aristóxeno, ou do polêmico Heródico em Em torno aos socráticos. Progressivamente, os diálogos recebem corpos doutrinais até dar lugar aos tratados. Aos neoplatônicos, interessa particularmente o daímon de Sócrates, que dá, por exemplo, título a um texto de Plutarco (O daímon de Sócrates). Os estoicos veem em Sócrates o pai da filosofia, o que desceu dos céus para a vida de suas pessoas (Cícero, Tusculanas V, 4, 10). Esse interesse pela dimensão ética do pensamento e a vida de Sócrates continua nos primeiros séculos da era cristã, por exemplo, em Orígenes, que o considera o paradigma da melhor vida (Contra Celso III, 66). Santo Agostinho afirma que Sócrates queria libertar o espírito de suas paixões, reconhece a multiplicidade de discípulos e se mostra surpreso com a extrema diversidade com que os seguidores de Sócrates interpretam o soberano Bem (A Cidade de Deus VIII, 2-4). No decorrer da Idade Média cristã, a figura de Sócrates é retomada, de maneira direta ou indireta, sempre de modo afirmativo, tanto que se fala de um socratismo cristão, bastante estendido na época,[1] nas artes, na literatura e na arquitetura. O mesmo pode ser dito do platonismo renascentista.[2] A imagem de Sócrates como um Sileno que Alcibíades oferece no Banquete de Platão é bastante recorrente nesse período, bem como as comparações entre Sócrates e Cristo ou São Paulo (Erasmus, Sileni Alcibiadis). Contudo, é só no final do século XVI, nos Essais de Michel de Montaigne, que Sócrates ganha o papel principal e se torna uma referência constante.[3] Sócrates é, para Montaigne, um modelo de aproximação da natureza através da razão, de autoconhecimento e autodomínio; em última instância, um espelho para o modelo da

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