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A Pedagogia da Infância Indígena Guarani Ñandeva

A Pedagogia da Infância Indígena Guarani Ñandeva

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A Pedagogia da Infância Indígena Guarani Ñandeva

Duração:
267 páginas
3 horas
Lançados:
21 de set. de 2018
ISBN:
9788547315610
Formato:
Livro

Descrição

A Pedagogia da Infância Indígena Guarani Ñandeva é um mergulho nas práticas pedagógicas da escola indígena que revelam o desenvolvimento da infância na educação escolarizada. Com uma narrativa poética, o autor revela novos olhares dos estudos culturais pós-críticos sobre a infância indígena. De forma didática, demostra que os processos de ensino e aprendizagem da escola indígena reconhecem que a autonomia pedagógica da criança indígena é construída no desenvolvimento das práticas culturais no contexto da comunidade.

O presente estudo é um esforço em compreender a diversidade cultural da infância no contexto dos Guarani Ñandeva do estado do Mato Grosso Sul da Tekoha Porto Lindo. O propósito principal é construir subsídios teóricos e pedagógicos que ajudem a compreender a diversidade cultural da infância indígena para organização dos currículos e programas para a educação escolar indígena. Com base nos paradigmas da pedagogia cultural, o livro revela que os diálogos interculturais da educação escolar indígena contribuem para a consolidação de projetos político-pedagógicos de escolas diferenciadas.

Infância, interculturalidade e educação são revelações dos estudos pós-críticos que oferecem a leitura dos Guarani Ñandeva de Mato Grosso do Sul sobre o desenvolvimento pedagógico da criança na educação escolar. As reflexões apresentadas configuram a necessidade de desconstruir as certezas imóveis para ressignificar e recriar novos saberes que flexibilizam e ajudam a compreendermos que a escola não pode tudo, mas alguma coisa ainda é possível na construção dos diálogos interculturais.

A Pedagogia da Infância Indígena Guarani Ñandeva é um livro que tem por objetivo mobilizar educadores, professores, alunos e acadêmicos dos estudos culturais à reflexão e à discussão das relações entre sociedade, cultura, educação e infância.
Lançados:
21 de set. de 2018
ISBN:
9788547315610
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

A Pedagogia da Infância Indígena Guarani Ñandeva - João Carlos Gomes

Editora Appris Ltda.

1ª Edição - Copyright© 2018 do autor

Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE

AGRADECIMENTOS

Minha eterna gratidão ao coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCDB, Heitor Queiroz de Medeiros, que me acolheu como amigo e irmão das aguerridas lutas culturais em defesa da dignidade humana. Ser humano singular que aprendi a admirar pelo jeito cuidadoso com a mãe, a esposa, os filhos e os amigos. Muito me honra sua amizade e da sua esposa, Cely, que sempre cuidaram de mim com carinho e apreço. Foram mais do que pais comigo, nos momentos de alegria e solidão dos estudos pós-críticos.

Aprofundamento grato à Prof.ª Dr.ª Edir Casaro Nascimento, que supervisionou meus estudos voltados à infância indígena, abrindo as portas do Observatório de Educação e do Grupo de Pesquisa em Educação e Interculturalidade, sob sua liderança, na Universidade Católica Dom Bosco de Mato Grosso do Sul. Com ela aprendi a pedagogia do cuidado com os povos indígenas e o amor pelas diferenças culturais na identificação dos conhecimentos e saberes dos povos indígenas.

Aos pesquisadores indígenas da etnia Guarani Ñandeva, da Tekoha Porto Lindo, Joaquim Adiala Hara e Júlio Cesar Lopes, com quem aprendi e vivenciei momentos brilhantes da infância indígena no contexto da educação escolar da Escola Polo Municipal Indígena de Educação Infantil e Ensino Fundamental Mbo’ehao Tekoha Guarani e a extensão Joaquim Martins (Mbo’Eháo Chamõi Po’i) em Japorã – MS.

Minhas saudações fraternas pela aprendizagem cultural com os pesquisadores indígenas presentes no Observatório de Educação e na linha de pesquisa de Diversidade Cultural e Educação Indígena do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Dom Bosco: Lídio Cavanha Ramires, Claudemiro Pereira Lescano, Gerson Pinto Alves, Eliel Benites e Maioque Terena.

PREFÁCIO

Compartilhar este projeto e este processo de construção, do que agora se transforma em livro, com João Carlos Gomes, foi um grande prazer.

Essa satisfação se dá por estarmos empenhados em aprofundar os nossos conhecimentos e com isso colaborar com a construção de políticas de metodologias e de formação que possam respeitar as diferenças que constituem as diversas infâncias/crianças indígenas com as quais temos tido contato.

Não faz muito tempo que os estudiosos das culturas indígenas têm se preocupado em ouvir, observar e ter uma compreensão outra dos mundos infantis que se revelam nas crianças indígenas. Descolonizar o nosso pensamento genérico e idealizado sobre crianças tem sido o nosso primeiro grande desafio epistemológico e metodológico; desconstruir estereótipos e verdades para compreender as singularidades das crianças indígenas a partir de suas histórias de contatos, de seus contextos, de suas culturas, de suas tradições ressignificadas talvez venha sendo um desafio maior ainda.

Comprometidos que somos politicamente com os povos indígenas, nós, da chamada academia, que ainda carrega a fixidez e as metanarrativas da modernidade, temos como compromisso produzir novos conhecimentos, que tenham como suportes epistemes outras, para que como militantes possamos participar ativamente do diálogo intercultural que possibilite novas teorias, compreendidas como enriquecimento do campo teórico/científico e que venham fazer a diferença na implementação de políticas públicas destinadas aos diferentes povos.

Conhecer a criança indígena, os seus processos próprios de aprendizagem, as suas leituras de mundo, linguagens, saberes e crenças, noção de tempo e espaço, os fenômenos da natureza é, hoje, mais do que nunca, uma necessidade, considerando a sua presença cada vez mais cedo nas escolas, o distanciamento do ambiente cultural da família, da comunidade, dos espaços da aldeia e como compreendem os Ñandeva: o tekohá.

Ao realizar sua pesquisa com crianças Guarani Ñandeva de Mato Grosso do Sul, João Carlos nos apresenta pistas de como nos aproximar de crianças de culturas e cosmovisões outras, de como dialogar com as diferentes gerações e as suas concepções de infância e criança, nos provoca a problematizar as existências de escolas monoculturais, pedagogias verticalizadas e a legitimação de um único conhecimento como verdade absoluta e que historicamente tem colonizado aqueles que se orientam e dialogam com o mundo guiados por outros saberes, por outras lógicas de compreensão e produção de conhecimento.

Dialogar com João Carlos, nesta leitura, é nos prepararmos conceitualmente e politicamente para compreender e respeitar a criança indígena frente a uma sociedade que nos impõe tantos desafios.

Dr.ª Adir Casaro Nascimento

Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica Dom Bosco de Mato Grosso do Sul

Coordenadora do Observatório de Educação Escolar Indígena do MS

APRESENTAÇÃO

Confesso que fiquei honrado com o convite de meu querido amigo, professor João Carlos Gomes, por quem confessadamente nutro grande respeito e admiração, por tudo que conheço de sua vida, portanto por ele ser quem é, para fazer a apresentação deste seu livro A pedagogia da infância indígena Guarani Ñandeva.

Nossa amizade e parceria de trabalhos e sonhos de transgressões nem sempre realizados vem de longe, dos encontros e desencontros mediados pela área da comunicação e da militância no movimento socioambiental em Mato Grosso, pelo trabalho como parceiros no Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e pela inesquecível experiência em cursar juntos (em ritmo de aventuras) o doutorado em Ciências, na área de Ecologia e Recursos Naturais, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com foco na Educação Ambiental, ambos orientados pela brilhante professora Michèle Sato. Vivência essa que nos possibilitou tantas experiências inesquecíveis que só ela poderia nos dar, um livro de memórias, generoso em superação, para dar conta de nossas responsabilidades, que só foram possíveis por conta de nosso pacto de viver regidos pelo bom humor, com doses generosas de irreverências e desobediências, quando possíveis.

Quantos momentos silenciosos e prazerosos de negacear urutau nas noites quentes cuiabanas, onde ao mesmo tempo em que se aprendia enxergar o invisível, também abríamos espaços para os sonhos de um mundo que só nos sonhos dos dom quixotes é possível fazê-lo tão real e absoluto, pegando caronas ligeiras na garupa dos poetas que sabem fazer o mundo ser mais parecido com o que sonhamos e queremos do que com a chatice do que ele na maioria das vezes nos possibilita viver.

As asas coloridas das borboletas que ziguezagueiam pelas margens dos córregos transparentes e cristalinos de Chapada dos Guimarães são aconchegantes para voos matinais, sem as réguas e regras da sociedade de consumo que nos consome vorazmente no cotidiano da realidade irreal e não raras vezes medíocre que somos obrigados a viver. Melhor mesmo é viajar junto aos poetas, brilhantes como Manoel de Barros, beber devagarinho na medida de nossa condição de seres humanos limitados da genialidade dos poemas visuais de um Wladmir Dias-Pino, pois isso nos alimenta de possibilidades de sonharmos juntos.

Viver em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é mesmo um merecimento de aprendizados perenes, e Rondônia também já pertenceu a esses matos, que não é pouca coisa, pois além de tudo ainda é mesmo grosso, que significa floresta, exuberância, vida, onde os povos indígenas reinaram secularmente livres e leves, sem trazer essa onda de destruições diversas que vivemos na atualidade, onde os Ñandeva resistem e nos ensinam como viver com sabedoria.

Para mim, foi um imenso prazer reencontrar o professor João Carlos Gomes nesses momentos vividos em seu pós-doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Católica Dom Bosco, a partir da linha de pesquisa em diversidade cultural e educação indígena, sob a supervisão da professora Adir Casaro Nascimento, que com seu brilhantismo e compromisso ético com a luta dos povos indígenas, possibilita ao professor João Carlos esse mergulho na sabedoria Ñandeva, dos que vivem em Mato Grosso do Sul, quase na divisa com o Paraguai, para pesquisar sobre a infância desse povo que nos ensina todo dia a construir e viver na ‘terra sem males’ onde as crianças têm lugar de destaque, e sobre elas nosso nobre amigo professor e pesquisador faz sua pesquisa para seu pós-doutorado.

O livro, agora disponibilizado a um público maior, a partir de uma pesquisa que nos mostra o esforço do pesquisador "em compreender a diversidade cultural da infância no contexto dos Guarani Ñandeva da Tekoha Porto Lindo", tem como propósito principal:

Construir subsídios teóricos que ajudem a compreender a diversidade cultural da infância indígena para organização dos currículos e programas para a educação escolar indígena na perspectiva das relações interculturais, com base nos paradigmas das relações interculturais da educação escolar para a consolidação de projetos político-pedagógicos de escolas indígenas que sejam de fato e de direito diferenciadas.

E confesso que o livro nos possibilita momentos de leitura prazerosa, no qual podemos aprender sobre a infância indígena de meninos e meninas Guarani Ñandeva no contexto da educação escolar no ensino fundamental, tendo como base de pesquisa o Tekoha Porto Lindo.

Boa leitura a todas e todos!

Heitor Queiroz de Medeiros

Professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação (mestrado e doutorado) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

Sumário

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I

ETNOGRAFIA DO MAR DE DENTRO

1.1 Revelando as entranhas da minha identidade cultural

1.2 Etnografia das carências familiares

1.3 Os tempos da educação escolar

1.4 As dificuldades de estudo e trabalho

1.5 Os amores líquidos e sólidos de um Guató

1.6 O casamento e a parceria em busca do ensino superior

1.7 O acesso à pedagogia e à experiência docente

1.8 A busca pelo mestrado em Educação

1.9 A dialética do amor acadêmico

1.10 A formação de identidade Guató como pesquisador

1.11 A conquista de uma vaga como docente e pesquisador

1.12 O pós-doutorado em infância indígena

CAPÍTULO II

A NAÇÃO GUARANI NO CENÁRIO INTERNACIONAL

2.1 O mundo guarani na busca pela terra sem males...

2.2 A etnografia Guarani na produção clássica 

2.3 As práticas religiosas em busca da Terra sem Male

2.4 Os pressupostos históricos da cosmologia Guarani

2.5 Os Guarani Ñandeva no contexto do Mato Grosso do Sul

2.6 A cultura e identidade Ñandeva

2.7 Os Guarani Ñandeva de Porto Lindo

2.8 Os impactos na cultura e na identidade Ñandeva

CAPÍTULO III

A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA GUARANI

3.1 Os processos próprios de ensino-aprendizagem guarani

3.2 O movimento do princípio da criação

3.3 Os princípios e valores da educação guarani

3.4 Os conflitos e a resistência da educação guarani

CAPÍTULO IV

A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA GUARANI ÑANDEV

4.1 Contextualizando a educação escolar indígena Guarani Ñandeva

4.2 Fundamentos da educação escolar Guarani Ñandeva

4.3 O currículo da escola indígena Guarani Ñandeva

4.4 Os temas geradores presentes na escola indígena

4.5 A temporalidade na organização da escola indígena

4.6 As temporalidades da infância Guarani Ñandeva

4.7 A escola Guarani Ñandeva e o currículo

4.8 O funcionamento da educação escolar Ñandeva 

4.9 A construção dos diálogos interculturais

4.10 A pedagogia da infância indígena

4.11 As brincadeiras interculturais das crianças

capítulo V

PALAVRAS FINAIS

REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

Nosso conhecimento não era de estudar em livros.

Era de pegar de apalpar de ouvir e de outros sentidos.

Seria um saber primordial?

Nossas palavras se ajuntavam uma na outra por amor

e não por sintaxe.¹

O presente livro sobre A Infância Indígena Guarani Ñandeva é um projeto que já existia nos sonhos de quem busca a utopia de mergulhar nas descobertas sobre como os povos indígenas reconhecem a infância. O olhar deste pesquisador pretende revelar novos olhares dos estudos culturais sobre a infância indígena no contexto da educação escolar. Compreendendo as dinâmicas dos Estudos Culturais como campo teórico pós-colonial que reconhece que a autonomia dos sujeitos e é construída na pluralidade cultural. Reconhecemos nos estudos culturais pós-críticos² que existe pedagogia, modos de ensinar e possibilidades de aprender nos mais diferentes artefatos culturais que ajudam a compreendermos a infância dos povos indígenas do Brasil.

O presente estudo é um esforço deste pesquisador em compreender a diversidade cultural da infância no contexto dos Guarani Ñandeva da Tekoha³ Porto Lindo, terra indígena localizada no município de Japorã, situado ao Sul do estado de Mato Grosso do Sul, há 25 quilômetros de distância do município, situada à margem direita do rio Iguatemi, território considerado como tradicional pelos Guarani Ñandeva. O propósito principal deste estudo é construir subsídios teóricos que ajudem a compreender a diversidade cultural da infância indígena para organização dos currículos e programas para a educação escolar indígena na perspectiva das relações interculturais, com base nos paradigmas das relações interculturais da educação escolar indígena para a consolidação de Projetos Político-Pedagógicos que sejam de fato e de direito diferenciados.

Este livro identifica as relações entre territorialidade e os processos próprios de ensino e aprendizagem na educação escolar indígena. Nesse pressuposto, considera a realidade da educação escolar indígena com base nas práticas educacionais construídas relacionadas aos artefatos culturais da pedagogia Guarani Ñandeva na Escola Polo Tekoha Guarani em Porto Lindo.

É importante afirmar que tínhamos como objetivo inicial compreender as representações de infância construídas por meninos e meninas Guarani e Kaiowá nos espaços de sociabilidade da comunidade, da família e da escola indígena. Entretanto direcionamos o olhar pesquisador para a compreensão da infância indígena de meninos e meninas Guarani Ñandeva no contexto da educação escolar no ensino fundamental Tekoha Guarani, em Porto Lindo. Esse direcionamento foi necessário, considerando a necessidade que existe de aprofundamento dos estudos voltados para territorialidade, processos próprios de ensino-aprendizagem e educação escolar diferenciada para os Guarani Ñandeva no contexto do núcleo do observatório de educação indígena da Universidade Católica Dom Bosco.

Dessa forma, pautamos as pesquisas na compreensão dos seguintes objetivos específicos:

1. Conhecer as práticas de educar e de cuidar da comunidade Guarani Ñandeva como parte fundamental da educação escolar da infância nos espaços e tempos socioculturais da educação escolar indígena;

2. Reconhecer as atividades socioculturais que as crianças desenvolvem nos espaços institucionais de convivência e sociabilidade da escola indígena relacionadas à formação da identidade cultural da infância;

3. Identificar como as práticas de educar e cuidar na perspectiva da infância do Guarani Ñandeva podem contribuir para a organização de uma escola indígena diferenciada.

A metodologia dos estudos e da pesquisa foi sustentada nos pressupostos e premissas dos paradigmas dos estudos culturais pós-críticos⁴. Essa opção epistemológica foi porque não buscamos um método fechado para refletir as questões que motivaram este estudo e pesquisa. Buscamos um conjunto de teorias que nos permitiram refletir um modelo de produção dos dados e desenvolver análises com aportes das teorias tradicionais, críticas e pós-críticas. Isso significa dizer que trilhamos pelos campos híbridos dos estudos culturais, estabelecendo rupturas e transgressões que nos permitiram assegurar resultados que não se encontram fechados e acabados, mas estão abertos a outras construções e significações.

O arcabouço teórico deste estudo e pesquisa foi construído na perspectiva de que os resultados fomentarão outros estudos voltados para a infância indígena. A opção epistemo-metodológica foi orientada por um arcabouço teórico de inspiração pós-crítica⁵ com base em premissas e pressupostos das teorizações contemporâneos do pós-estruturalismo e pós-modernismo que contribuem para as reflexões relacionadas aos pensamentos das diferenças. O que significa dizer que não foram necessárias longas reflexões teóricas para a construção de caminhos que nos guiam por novas maneiras de compreender, refletir, perceber, ver e sentir a infância indígena. Diferentemente de um grupo pesquisador ou de intervenção educativa para identificar um problema, o nosso propósito de estudos pós-crítico foi construir uma ‘gestação’ de estratégias de reflexões das questões motivadoras que permitisse criarmos e recriarmos outros meios de produzir os dados e gestar outros olhares etnográficos voltados para a infância indígena.

Nessa perspectiva pós-crítica, um dos primeiros pressupostos que buscamos refletir foi em relação à epistemologia da

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