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De Quem é o Dinheiro?: Ganância, medo, azar e sorte: Vitórias e tropeços na Bolsa.
De Quem é o Dinheiro?: Ganância, medo, azar e sorte: Vitórias e tropeços na Bolsa.
De Quem é o Dinheiro?: Ganância, medo, azar e sorte: Vitórias e tropeços na Bolsa.
E-book198 páginas1 hora

De Quem é o Dinheiro?: Ganância, medo, azar e sorte: Vitórias e tropeços na Bolsa.

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Sobre este e-book

As aventuras e desventuras de personagens marcantes e quase reais do mundo das Bolsas de Valores, e seus lances incríveis e ousados para atrair, capturar e as vezes ludibriar os incautos, no dia a dia emocionante do mercado acionário.
51 histórias apimentadas, engraçadas e educativas sobre como, sob o domínio da ambição e do medo, se perde e se ganham milhões no jogo com ações.
Cada história traz uma mensagem, direta ou subliminar, sobre os sentimentos e riscos presentes no jogo e nos jogadores, convidando o leitor a aprender com elas.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento5 de jun. de 2015
ISBN9788578940218
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    De Quem é o Dinheiro? - Adley Piovesan

    1 | Pôquer na Bolsa

    Todo aprendiz interessado ou jogador experiente de pôquer se esforça para identificar a hora certa de jogar e a hora perfeita para abandonar a partida, com receio da derrota.

    No pôquer, assim como na Bolsa de Valores, é ideal trabalhar na presença de uma ótima oportunidade, seja com boas cartas ou com a vantagem da posição na mesa, sempre analisando as variáveis dos adversários.

    Temos um cacife limitado em mãos e almejamos o sucesso da vitória. Precisamos usar bem nosso dinheiro nas apostas certas e avaliar as prováveis derrotas e abandonar antes, limitando nossas perdas. Devemos jogar avaliando as chances de ganho e somente apostar alto neste cenário.

    Simplificando: existem as cartas, que são os ativos. E os preços, que são as expectativas. E a questão fundamental: em que preços devemos jogar cartas? Isto depende dos outros participantes.

    Todavia a decisão de jogar ou sair é sempre e somente sua. Pretende blefar ou apostar?

    As histórias a seguir irão definir aos seus olhos os bons e os maus jogadores de bolsa.

    2 | Conto das Arábias

    O ano era 1989.

    Um mega especulador² foi pego num movimento de corner, uma sinuca difícil de jogar, ou movimento contrário muito intenso, com dificílima saída por via operacional.

    Tinha os joelhos dobrados. Estava debruçado sobre a minha mesa no setor de underwriting³, colado na divisória da sala de operações da Bolsa de Valores.

    O clima estava tenso, gélido mesmo. Pouco se falava e os olhos miúdos indicavam a dúvida e a indecisão no ar.

    Nosso narrador, Apolo, jovem dinâmico, neto de italiano e filho de político neoliberal, leitor assíduo de revistas em quadrinhos e com uma educação britânica exemplar, era ainda um novato no ramo, um estagiário recém-contratado numa bem conceituada corretora. Neste dia sentiu que algo não ia bem. Na verdade, ia de mal a pior.

    Um gerente da área de operações especiais entrou na sala e comentou que comprara opções de compra no mercado de derivativos no dia anterior. Mas que tinham virado pó.

    Os ativos perderam todo o valor do dia para a noite em um único pregrão. Residia aí um pedaço do quebra-cabeça que todos os operadores montariam nos próximos dias, anos, até nos dias atuais. Vários perdedores e poucos ganhadores num jogo de cartas muito bem marcadas.

    Seus financiadores puxaram seu tapete na véspera sem aviso prévio, cancelando seus créditos e ele não tinha mais como honrar e pagar suas operações.

    Estava sem alternativas.

    Ou errou nas operações e não tinha mesmo o dinheiro ou decidiu não pagar os credores, gerando o perverso efeito dominó, que dizem com o tempo ter culminado na perda de credibilidade e negócios na Bolsa de Valores agora coadjuvante.⁴ E esta Bolsa entrou em declínio até desaparecer.

    A espada penetrou fundo na carne.

    Antes pequena, a atual Bolsa predominante⁵ cresceu forte e passava a ascender com vigor até a retumbante vitória de oferta de ações ao público geral no IPO⁶, em meados dos anos 2000.

    O que valia alguns milhares há poucos anos virou alguns milhões. Mega sena acumulada. Dez vezes mais.

    Neste mesmo ano, o mega especulador ganhou na Justiça e fez valer sua versão do ocorrido, com quase duas décadas de atraso.

    Suas centenas de milhões de dólares em ações na derrocada seriam alguns bilhões de reais ao valor atual de mercado, dizem alguns.

    Ele pretende ser indenizado e segue o desfecho bilionário.

    Dizem as más línguas que ainda é um voraz e incomparável operador.⁷ Contudo, desta vez, usa dinheiro e ativos de terceiros, nobres parentes do outro lado do oceano Atlântico, em terras áridas e desertas, ricas com o famigerado ouro negro.

    Diz-se que está maior e melhor do que antes.

    E de quem é a Bolsa hoje senão dos acionistas⁸ minoritários?

    Quem estará pagando esta conta, afinal?


    2

    Indivíduo que especula. Especular é negociar em qualquer mercado, com o objetivo de auferir lucros em curto prazo, aproveitando uma situação temporária do mercado.

    3

    Como é chamado o local de subscrição de ações nas bolsas.

    4

    Bolsa de Valores onde se efetuam a minoria dos negócios com poucos clientes, muitas vezes somente pequenas ou poucas transações.

    5

    Bolsa predominante – Bolsa de valores onde a maioria dos negócios e das maiores transações são negociadas com inúmeros clientes.

    6

    IPO – Oferta Pública Inicial (usualmente referida como IPO, do inglês Initial Public Offering) é um tipo de oferta pública em que as ações de uma empresa são vendidas ao público em geral numa Bolsa de Valores pela primeira vez. É o processo pelo qual uma empresa de capital fechado torna-se uma empresa de capital aberto.

    7

    Definido como Operador de Pregão. Representante de uma sociedade corretora que executa ordens de compra e venda de ações no Recinto de Negociações de uma Bolsa de Valores.

    8

    Proprietário de uma ou mais ações de uma Sociedade Anônima.

    3 | Três Mosqueteiros

    Após alguns anos, Apolo se tornou sócio minoritário de uma enxuta, porém renomada consultoria com expertise em gráficos. Operava em cinco corretoras de tamanhos diferentes. Era a época do pregão viva voz ainda, onde os operadores bradavam gritos de compra e venda nos escritórios e os funcionários no floor⁹ se acotovelavam para cumprir as ordens.

    Seu operador foi de longe o melhor durante muitos anos. Operava ferozmente em duas ou três rodas operacionais de ações ou derivativos¹⁰ ao mesmo tempo. Era a certeza de que não ficaria com a operação voando, ou seja, ordem dada e não executada. Muitos esquemas passaram por seus olhos. Falta de energia, linha telefônica ocupada ou derrubada, computador congelado e a mais cruel de todas as armadilhas: Vendedor ou comprador que desapareceu da roda de operações no calor da batalha, bem no momento que você mais precisava e pela ponta oposta. Coincidência? Não, é claro!

    O operador sabia sua ponta e operava ao contrário, isto é, lucrando em cima do seu desespero em zerar.¹¹ O sistema integrado computadorizado da Bolsa paulista eliminou o tradicional e romântico pregão, bem como suas severas perversidades.

    O que não te mata te fortalece.

    No mesmo prédio da consultoria, alguns andares acima, ficava uma das corretoras parceiras, o que facilitava a comunicação diária minuto a minuto e também a possibilidade de fazer amizade num evento, almoço ou happy hour.

    Outro sócio minoritário recém-chegado se tornou seu amigo confidencial. Veio de um banco de investimento famoso, hoje banco estrangeiro, onde começou como estagiário e saiu com MBA de ponta integralmente pago. Dono de uma lábia fantástica, era um aprendizado vê-lo na área comercial.

    Na corretora acima, havia uma funcionária conceituada, de extrema confiança do único dono, um gentleman de atitudes equilibradas, que trabalhava dez longas horas por dia e era bem casado com uma das netas de um ex-Presidente da República. Andrea, ex-psicóloga, a mulher avassaladora e perfumada, loba de 35 anos, era uma diva com olhos verdes claros impetuosos, cabelos lisos e longos com mechas loiras, malicioso sorriso largo de dentes branqueados e belo rosto universitário, um corpinho escultural de violão, com vigorosas pernas trabalhadas por horas diárias de

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