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Músicos Independentes na Internet: Novas Lógicas de Consagração Artística

Músicos Independentes na Internet: Novas Lógicas de Consagração Artística

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Músicos Independentes na Internet: Novas Lógicas de Consagração Artística

Duração:
212 páginas
2 horas
Lançados:
5 de dez. de 2017
ISBN:
9788547306908
Formato:
Livro

Descrição

No cenário da Sociedade em Rede, artistas independentes têm alcançado reconhecimento graças à visibilidade conquistada em determinados ambientes digitais, muitas vezes sem a presença de intermediários tradicionais, como a indústria fonográfica. Começam a fazer sucesso entre nichos específicos de ouvintes e, posteriormente, chegam a um público muito mais amplo, tornando-se, então, populares na mídia tradicional e massiva, como televisão e rádio.

Músicos Independentes na Internet: novas lógicas de consagração artística analisa como se dá esse processo de consagração dentro do cenário de cultura de convergência, em que a comunicação midiática é certamente fator fundamental, ao mesmo tempo em que fronteiras entre usuários/receptores e músicos/emissores passam a se dissipar e a se embaralhar.
Lançados:
5 de dez. de 2017
ISBN:
9788547306908
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Músicos Independentes na Internet - Liliane de Lucena Ito

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO

Para Érico e Giovana, e para meus pais,

aqueles que, todos os dias, de todas as formas,

mostram-me as diversas faces do amor.

AGRADECIMENTOS

Inicialmente, agradeço a Deus pelo dom da vida, pela oportunidade de estar aqui neste mundo, fazendo a minha parte. Em seguida, agradeço a meus pais amados, Lúcia e José, meus primeiros grandes mestres e meus mestres para sempre, por terem me trazido ao mundo e me ensinado tudo com a motivação mais nobre de todas: o amor.

A minha família querida, em especial, que me oferece apoio para continuar firme em minhas pesquisas, e que me sustenta em tudo o que faço. Obrigada por se fazerem presentes nos momentos e nas situações mais essenciais e delicadas. Obrigada por partilharem comigo alegrias, conquistas, caminhadas, desafios. Em especial, deixo aqui meu agradecimento a meu esposo Érico, que sempre acredita em meus sonhos e me mostra formas de realizá-los. Obrigada pelo companheirismo, pela paciência, pelo amor e pelo carinho. Sem tudo isso, minha jornada seria muito menos feliz, quiçá impossível.

Agradeço ao programa de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que me ofereceu apoio acadêmico, conhecimento e vivências que foram primordiais para a realização deste livro.

E, por fim, sou grata ao professor doutor Mauro de Souza Ventura, por todos os ensinamentos – teóricos, acadêmicos e até mesmo de vida – e pelo crédito e pela confiança em mim depositados.

APRESENTAÇÃO

A música, uma das expressões culturais de maior relevância social e artística ao longo da História, é a grande inspiração para este trabalho. Todas as pessoas, de certa forma, têm algum tipo de envolvimento com a música. Mães costumam cantar canções de ninar para acalmar seus filhos. Os pássaros nos presenteiam com suas melodias encantadoras. Uma trilha sonora adequada provoca a reação desejada no espectador. As nações cantam seus hinos em momentos de expressão patriótica. E, não à toa, ouvir uma canção que marcou uma fase específica de nossas vidas no passado é capaz de nos transportar – meio que magicamente – para tal época, e podemos reviver sentimentos esquecidos. Nietzsche disse, com razão: Sem música, a vida seria um erro.

Por outro lado, houve mais uma grande inspiração para este livro: a comunicação. Porque, sem ela, estaríamos certamente fadados a viver num mundo de trevas – muito pior do que a realidade, ainda que por vezes implacável, que vivemos. É por meio do comunicar que se aprende, que é possível compreender, analisar, aceitar, perdoar, é por onde ocorre o empoderamento, caminho para a luta pela igualdade e dignidade. Enfim, comunicar é um ato tão essencial, que está presente em todos os níveis da sociedade, dos círculos íntimos da casa e da família até à mídia especializada de alcance global, bem como no cinema, na arte e, claro, na música, uma das mais eficazes formas de comunicar ideias, sensações, sentimentos.

Não obstante, o foco desta obra se restringe à comunicação midiática, ou seja, aquela que se dá por meio de uma mídia específica, como a televisão, o rádio, o impresso ou a internet, que vem a convergir todas as outras; bem como a música se circunscreve a sua forma popular e contemporânea. Não que não haja intersecções interessantíssimas e complexas de outras ordens entre esses dois elementos, mas, para este trabalho, escolheu-se estudar como, por meio da comunicação midiática, são atribuídos valores a música e seus autores, de forma a contribuir para a legitimação destes dentro de um campo específico.

Com as novas tecnologias, surgem campos inéditos de consagração artística, muitos deles não previstos por Pierre Bourdieu em sua teoria dos campos. Mesmo assim, é possível aplicar seus pensamentos a nossa realidade atual. A internet e a sociedade conectada em rede possibilitam um novo campo de legitimação musical, com engrenagens que funcionam de forma muito distinta da tradicionalmente utilizada pela indústria fonográfica até então.

Artistas independentes alcançam reconhecimento e sucesso graças à visibilidade conquistada por eles dentro de determinados ambientes digitais, muitas vezes sem a presença de intermediários tradicionais. Geralmente, começam a fazer sucesso com nichos específicos de público para, posteriormente, alcançar um público mais amplo. Nesta fase, tornam-se populares também na mídia tradicional, como televisão e rádio. Este livro analisa como se dá esse processo de consagração artística dentro do cenário de cultura de convergência, em que as fronteiras entre usuários/espectadores e músicos/canais de comunicação passam a se dissipar e a se embaralhar.

Para isso, foi realizada revisão bibliográfica em torno de diversos conceitos que se entrelaçam a fim de dar base ao trabalho, entre eles, a própria ideia da constituição do campo das artes e do mercado de bens simbólicos (Bourdieu, em estudos de 1974, 1983, 2008a e 2008b), bem como o novo papel dos intermediários culturais (Featherstone, em 1995); a questão da cultura de convergência (Jenkins, em 2008); e trabalho imaterial e afetivo (Hardt e Negri, em 2010), que considero dois alicerces fundamentais da cultura fandom¹. Além disso, a pesquisa compreende etapa empírica, em que foram realizadas observações de comunidades de fãs no âmbito da etnografia virtual durante o período de seis meses, bem como o estudo de dois casos emblemáticos de músicos que conquistaram popularidade primeiro na internet, para depois serem reconhecidos em outros meios de comunicação.

Na etapa empírica, o objeto de estudo foi o MySpace, rede social que já foi a mais popular no mundo. Precursor no sentido de modelo de negócio, o MySpace realmente passou por transformações profundas em sua trajetória, a ponto de não ser mais visto, hoje, como rede social. Entretanto, o estudo do recorte temporal (2003-2013) em que o site funcionou plenamente como plataforma de comunicação direta entre usuários e músicos continua válido e importante, por revelar algo que vai muito além do mero design de sites e ferramentas por eles oferecidas, uma vez que é natural e esperado que tais elementos evoluam e deem lugar a novas versões, geralmente mais funcionais do que as anteriores. Também saliento aqui que outras iniciativas, como a Trama Virtual (que teve seu encerramento em 2013) ou o Bandcamp (que continua a pleno vapor colocando em contato músicos independentes e público interessado), também têm diversos pontos em comum com o MySpace, o que reforça a ideia de que a questão da plataforma utilizada é importante, mas não central. A centralidade encontra-se no uso dessa plataforma e como ocorre a valoração do conteúdo musical por meio dela. Trata-se, portanto, de um estudo focado muito mais no social e cultural do que no tecnológico.

Assim, para além da questão do avanço das interfaces, está a sustentação da ideia central deste livro: a de que, na cultura de convergência, a interação entre usuários comuns, em coletivo, pode subverter as engrenagens tradicionais de determinados campos. Isso tem ocorrido, por exemplo, em outras esferas, como em relação ao consumo, ao jornalismo e ao entretenimento. Aqui, neste livro, a atenção é voltada ao campo da música, em que os atores principais são o coletivo de fãs que, em conjunto, agregam valor ao objeto de sua devoção e contribuem consideravelmente para sua legitimação.

Uma boa leitura!

Liliane de Lucena Ito

PREFÁCIO

No momento em que as redes sociais consolidam-se, cada vez mais, como expressão da individualidade e da sociabilidade mediadas pela tecnologia, a leitura deste livro surge como uma rara oportunidade para conhecer um pouco sobre como tudo começou nesse mundo de conexões, interatividade e compartilhamentos.

Ainda que esse processo tecnológico seja relativamente novo, já há muito o que contar desta que é hoje a face mais visível da cibercultura: a interação entre produtores e receptores em multiplataformas digitais. E é exatamente isso o que Liliane Ito examina neste estudo.

Nas páginas que seguem, o leitor (em especial, o estudioso da cibercultura, mas não só este) vai conhecer a fascinante história do MySpace, o site que inovou ao deixar de ser apenas site para se transformar em uma plataforma criada para ser também rede social. Lançado em 2003, o MySpace foi uma plataforma de entretenimento cujo objetivo era fazer a mediação tecnológica para artistas independentes divulgarem seu trabalho.

No decorrer desta pesquisa, que nasceu no programa de pós-graduação em Comunicação da Unesp, Liliane Ito, a quem tive a grata satisfação de orientar, mostra em detalhes as características desse site que já nasceu com cara de rede social, possibilizando aos usuários ferramentas de conversação, postagem e compartilhamento de conteúdo, além de uma rede de contatos. Tudo isso num tempo em que quase não se falava em rede social.

Em seu apogeu, ocorrido em 2009, o MySpace chegou a cerca de 300 milhões de usuários no mundo todo. A versão brasileira do site ficou no ar durante sete anos, de 2007 a 2014. Aos poucos, o site foi se transformando em referência na área de música e entretenimento.

No MySpace, a divulgação de um artista era feita de usuário para usuário, dispensando as formas tradicionais de intermediação no campo cultural, como produtores musicais, divulgadores, críticos e especialistas. Havia também um recurso no site que possibilitava montar um ranking, baseado em algoritmo, dos artistas mais tocados. A partir desses dados, os músicos no topo do ranking passavam a ganhar atenção para, por fim, serem divulgados em veículos da grande mídia.

Assim, graças à exaustiva pesquisa de Liliane Ito ficamos sabendo que, no Brasil, o primeiro artista a ganhar visibilidade na internet por meio do perfil no MySpace foi a cantora Mallu Magalhães. A hoje conceituadíssima compositora da MPB era, naquela época, apenas uma garota de 15 anos que costumava cantar para as paredes de seu quarto. Quando decidiu postar quatro singelas composições no MySpace, Mallu Magalhães jamais imaginaria que, em pouco tempo, seu perfil no site chegaria a centenas de acessos. Na esteira da visibilidade conquistada pela jovem e desconhecida compositora, grandes gravadoras, políticos e personalidades perceberam no site uma plataforma eficiente de disseminação de conteúdo e para lá se transferiram.

Percurso semelhante foi feito pela banda Restart, outro objeto estudado neste livro. Cansados de dar murro em ponta de faca num circuito já saturado de bandas nacionais, os garotos da Restart decidiram, certo dia, postar algumas faixas de música no MySpace. Uma semana depois, eles levaram um susto: o perfil da banda chegou a 10 mil plays, número impressionante para tão pouco tempo no MySpace. Graças à divulgação dos garotos entre seu pequeno público, o link da banda foi ganhando popularidade e, em apenas uma semana, o grupo ficou em primeiro lugar no Top 10 Brasil do MySpace, figurando na 36ª posição mundial.

Os exemplos estudados neste livro são evidências de que algo mudara de forma irremediável no mundo da cultura, o que está muito bem apontado pela autora. Novos artistas podiam agora chegar

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