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O que é vereador
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E-book78 páginas37 minutos

O que é vereador

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Sobre este e-book

Muita gente não sabe quais são as funções de um vereador, nem as da Câmara. Juntando esse desconhecimento com a desconfiança em relação aos políticos em geral, até se esquecem em quem votaram nas últimas eleições.

Escrito por quem entende muito de política, este livro mostra o que é um vereador na teoria e na prática. Indispensável para você votar de maneira consciente - a primeira condição para ser cidadão.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento8 de set. de 2017
ISBN9788511350661
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    Pré-visualização do livro

    O que é vereador - Francisco Whitaker

    utopias.

    Introdução

    Muita gente não se lembra do nome do vereador em quem votou, nem sabe muito bem o que é, o que faz e para que serve um vereador. Quanto maior a cidade, mais distante e desnecessária parecem. Não são poucas as pessoas que os consideram somente aproveitadores que desperdiçam o dinheiro público. A única utilidade de elegê-los parece ser a de se ter um político a quem recorrer para solucionar problemas pessoais ou do bairro.

    De fato, o descrédito dos vereadores é ainda maior que o dos demais políticos. Duas imagens são comumente associadas às Câmaras municipais: a de ineficiência e a de corrupção. Quando os jornais noticiam alguma coisa, frequentemente é para dizer que não se vota nada, que a pauta está carregada de projetos que esperam decisão, que se ganha para não fazer coisa nenhuma, que houve brigas e trocas de insultos nas sessões. De tempos em tempos surgem denúncias de mordomias ou levantam-se suspeitas de acertos escusos, de balcão de negócios para a aprovação de leis, de traições a peso de ouro.

    Quem assiste às sessões das Câmaras fica ainda mais mal impressionado. Não entende o que se passa, nem por que se formam rodinhas que não escutam os oradores na tribuna, enquanto outros telefonam ou leem jornais, os trabalhos sendo suspensos e reabertos por inesperados acordos. O espetáculo oferecido é muitas vezes deprimente. Mesmo quem ache graça vai embora decepcionado.

    Nas cidades grandes, a imensa maioria nem chega a conhecer de perto um vereador, o que eventualmente poderia mudar sua impressão. E há os que têm a má sorte de, ao cruzar com algum, ficar sabendo que era um vereador porque este fez valer – às vezes com prepotência – seus privilégios. Essa visão negativa cresce nas épocas de eleições: de todos os lados surgem candidatos prometendo mundos e fundos.

    Mas o vereador tem uma função política importante: toma decisões sobre muitas coisas que interferem em nossas vidas. As Câmaras estabelecem, em nome da população, qual é a vontade da maioria, na busca de soluções para os problemas coletivos.

    Se mais gente soubesse disso, escolheria com mais critério aqueles a quem delega seu próprio poder nas Câmaras municipais. O objetivo da primeira parte deste livro é trazer elementos de conhecimento que contribuam para essa conscientização.

    * * *

    O descrédito das Câmaras tem muitas causas, Entre estas, as distorções que falseiam seu funcionamento. Muita gente desconfia disso mas não o afirma, porque nem todos podem conhecer as Câmaras por dentro. Há quem diga que elas foram feitas para não funcionar. Na verdade, funcionam – e muito bem –, só que para objetivos diferentes dos teóricos. Na verdade, Câmaras e vereadores foram se enredando em desvios que se acumularam e se reforçaram ao longo do tempo, aprisionando-os em verdadeiros impasses.

    O problema não é somente das Câmaras. Atinge também nossos demais Parlamentos: as Assembleias Legislativas Estaduais e o Congresso Nacional. Ocorre igualmente em outros países. Em todo o mundo os Parlamentos vivem uma certa crise. Não se encontrou ainda outra forma de assegurar um sistema de representação para se aferir a vontade da maioria. Mas os representantes do povo tendem a cair no descrédito. Uma pesquisa nos EUA indicou que 66% dos norte-americanos consideram seus congressistas incompetentes e venais. A corrupção é frequentemente denunciada em Parlamentos de países desenvolvidos. Na América Latina o povo bate palmas quando um golpe fecha o Congresso.

    No Brasil, a ditadura instalada em 1964 aprofundou as distorções. Os militares desmoralizaram os vereadores, deputados e senadores, utilizando-os somente para dar uma fachada democrática ao país. Durante quase vinte anos, nossos Parlamentos serviram para legitimar, juridicamente, decisões tomadas autoritariamente. Com isso, sobreviveram ao regime de força. Mas sofreram uma grande degenerescência. Há mesmo quem diga que, agora, nos seria mais fácil reaprender a democracia se os militares os tivessem fechado de vez.

    A credibilidade dos Parlamentos é, no entanto, essencial para a democracia, como assembleias de representantes dos diferentes interesses que existem na sociedade. Por isso é preciso reformá-los. Muitos parlamentares estão empenhados nesse esforço. Somente os partidários de ditaduras preferem deixar que nossos Parlamentos se autodestruam. Se funcionarem melhor, a imprensa não comprometida com o autoritarismo veiculará uma imagem que lhes será mais favorável. O que, fechando o círculo, ajudará a continuidade de nossa democracia.

    Mas essas mudanças só se concretizarão se rompermos os muros que isolam os Parlamentos e a sociedade os controlar e fizer pressão, de fora para dentro. A segunda parte deste texto pretende alimentar essa pressão. Ela apresenta as causas das deficiências e sugere caminhos para sua superação, a partir de experiências positivas já vividas.

    * * *

    Nossas observações se referirão a Câmaras municipais de cidades grandes ou médias. Talvez seja possível generalizá-las para Assembleias Estaduais, Câmara Federal e Senado, mas não se possa fazer o mesmo, em todos os detalhes, para Câmaras de pequenas cidades, embora as dinâmicas sejam as mesmas.

    A teoria

    Funções dos vereadores e das câmaras municipais

    Diferentes níveis de governo atuam na busca de solução para os problemas coletivos que interferem em nossa

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