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O que é capital internacional

O que é capital internacional

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O que é capital internacional

Comprimento:
84 páginas
1 hora
Editora:
Lançado em:
Sep 8, 2017
ISBN:
9788511350784
Formato:
Livro

Descrição

O que representam as nações dentro das relações econômicas internacionais? E como essas relações se transformam a partir do fluxo de mercadorias e de serviços que se estabelecem entre os países?

O autor deste livro analisa as concepções econômicas de nação e os problemas surgidos com a passagem do sistema de troca internacional para a internacionalização do capital.
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Sep 8, 2017
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9788511350784
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O que é capital internacional - Rabah Benakouche

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Introdução

Quando os economistas falam de Economia Internacional, a que eles se referem, exatamente? Em geral, qualquer que seja a sua tendência, eles se referem aos fluxos de mercadorias e de serviços que se estabelecem entre as nações. Na verdade, a única diferença que existe entre os economistas de tendência teórica liberal e os marxistas é que a contabilidade desses fluxos é construída sobre bases dessemelhantes. Ambos, porém, chegam ao mesmo resultado. Assim é que, tanto liberais como marxistas admitem a existência de um desequilíbrio nas trocas entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, sendo que os primeiros consideram tal desequilíbrio como de ordem conjuntural, e os seguintes, de ordem estrutural.

Deixando de lado importantes diferenças existentes entre os diversos autores de ambas as correntes, observa-se que os economistas de tendência liberal usam os esquemas teóricos dos fundadores da Economia Política (Adam Smith e David Ricardo), enquanto os marxistas usam aqueles de Karl Marx. Esses dois esquemas teóricos foram elaborados para analisar as realidades dos séculos XVIII e XIX, respectivamente; por conseguinte, não tem sentido aplicá-los integralmente e sem nenhuma modificação ou melhoria para explicar a realidade econômica internacional atual, que mudou consideravelmente desde aquela época até nossos dias. Para tomar apenas um exemplo a título ilustrativo, o peso das trocas entre as nações é atualmente bastante inferior àquele das que se realizam entre as multinacionais e suas filiais. Assim, mesmo que o comércio intrafirmas (comércio entre as matrizes de sociedades multinacionais e suas filiais) seja superior às transações tradicionais entre nações, continua-se ainda a ler da mesma maneira as estatísticas do comércio exterior. Por exemplo, a multinacional Volkswagen vende e compra produtos de outras empresas instaladas fora do Brasil, mas ainda se continua a dizer que é o Brasil que comercializa com esse ou aquele país.

Este fato já faz com que se questione a noção de relações econômicas internacionais, que designa as transações comerciais entre agentes econômicos de nacionalidades diferentes. Essa, porém, não é a única razão deste questionamento, podendo ainda ser destacadas duas outras:

A concepção econômica de nação implícita à noção de relações econômicas internacionais consiste em vê-la como um recipiente fechado de fatores de produção (capital e trabalho). Ora, o capital é hoje internacionalizado, ou seja, o mesmo capital atua em várias nações ao mesmo tempo. Por exemplo, o capital Volkswagen atua simultaneamente na Alemanha, Brasil, Argentina e Hong Kong. São os capitais internacionais, como o da Volkswagen, que fizeram com que a produção internacional (produção das filiais fora dos seus países de origem) seja hoje bastante superior aos fluxos tradicionais de mercadorias entre as nações.

A teoria do comércio internacional não é mais do que uma simples transposição da análise microeconômica. Isto quer dizer que a Economia Internacional estaria regulada pelas mesmas leis do mercado interno. Assim sendo, nesse nível de análise as vantagens do liberalismo econômico são louvadas: praticar o liberalismo econômico ao nível mundial – é o que fica subentendido em todo este raciocínio – não é mais nada do que fazer justiça à ordem natural das coisas. Isto tem dois significados: de um lado, seria o bom funcionamento do mercado que permitiria realizar o equilíbrio econômico, tanto na economia nacional como a nível internacional; de outro lado, o mercado é visto como um mecanismo de distribuição dos preços justos dos produtos e fatores. Por conseguinte, o mercado é considerado como algo de uma necessidade absoluta para o bom desempenho da economia, e, portanto, de tantas outras coisas. Ele é, desse modo, um espaço de justiça por excelência. É desta maneira que o capitalismo é louvado.

Em resumo, pode-se dizer que a Economia Internacional é entendida como um conjunto de trocas entre nações. A partir daí pode-se perguntar: será que as relações econômicas se realizam mesmo entre as nações? O que os analistas da Economia Internacional entendem por nação?

Se tais analistas não colocam abertamente esta questão, eles se referem implicitamente a uma concepção bastante conhecida, a saber, a nação como uma massa de indivíduos. Entretanto, essa categoria nação-massa de indivíduos está totalmente errada, porque não leva em conta a divisão da sociedade em classes, o papel e a função do Estado etc. Mas, não se pode reduzir as relações econômicas mundiais apenas às relações entre as burguesias.

É por essa razão que me parece necessário nos interrogarmos sobre o que são as nações dentro das relações econômicas internacionais ou sobre o

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