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Música brasileira: O chorinho através dos tempos

Música brasileira: O chorinho através dos tempos

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Música brasileira: O chorinho através dos tempos

Duração:
714 páginas
11 horas
Editora:
Lançados:
4 de mar. de 2016
ISBN:
9788584740895
Formato:
Livro

Descrição

"De forma despretensiosa, Celso Rizzi leva o leitor a ingressar nesse mundo "Chorão" acerca de temas não muito cogitados e por vezes muito deles ávidos de conhecimento ou curiosidade acerca da história desse gênero. Constitui uma coletânea de informações, cujo objetivo é demonstrar os atributos de nossa mais importante manifestação.

Os relatos aqui contidos são frutos de peregrinações de anos de pesquisa. Celso Rizzi é um desses observadores inquietos, documentarista sensível e apaixonado cuidadosamente sensato e brilhante, demonstrando total erudição no tema em questão.

Nas páginas do presente trabalho, os leitores encontrarão informações sobre a grande maioria dos Chorões brasileiros, compositores antigos e atuais, intérpretes, dirigentes – muitos já falecidos, outros esquecidos – bem como aqueles que tiveram o privilégio de ingressar na vida artística e se conservarem ainda em certa evidencia. Encontrarão ainda um enorme relato sobre a discografia do gênero – e com tanta informação, toca ainda em outra motivação bastante significativa: o desejo de contribuir para a formação de uma consciência musical brasileira – "a nossa mais verdadeira pura manifestação". Reúne vários episódios rigorosamente estudados e pesquisados, e garanto, não será decepcionante para quem espera considerações intelectuais."

Izaias Bueno de Almeida
Editora:
Lançados:
4 de mar. de 2016
ISBN:
9788584740895
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Música brasileira - Celso Rizzi

Celso Rizzi

MÚSICA BRASILEIRA

O chorinho

através dos tempos

Sumário

Prefácio

Apresentação

Capitulo 1 – Considerações sobre a música

Capitulo 2 – Choro, origem etimológica

Capitulo 3 – Pequena história do choro

Capitulo 4 – Linha do tempo

Capitulo 5 – Alguns nomes importantes

Capitulo 6 – Dicionário do choro de A a Z

Capitulo 7 – Instrumentos musicais

Capitulo 8 – Histórias, causos, curiosidades

Capitulo 9 – Discografia parcial do choro (1902 a 2004)

Glossário

Bibliografia

Sobre o autor

À ELAINE,

Estrela guia que a Eternidade me deu por companheira,

a maior incentivadora de Música Brasileira: O Chorinho através dos tempos.

Meu caro amigo Carinhoso, parabéns pela sua obra imortal.

Conhecemo-nos de muitas e muitas passagens, estamos com você, nós sofremos com você, nós pesquisamos com você, nós nos alegramos com você, sonhamos e choramos com você.

Coloquei no plural porque estamos numa Equipe Chorona, isto é, de bastante Chorões.

Arlindo Neto do Nascimento

***

Você está de parabéns por este magnífico trabalho. Tomara que seu perfeccionismo exagerado não o permaneça inconcluso... Não só o assunto como também a estrutura e a linguagem – mistura de clássico e quotidiano (como o próprio Choro!) – tornam o trabalho irresistível.

Carlos de Morais

***

"Caro amigo Celso,

Recebi Música Brasileira: O Chorinho através dos tempos e confesso que não consegui segurar a curiosidade de folhear a obra, do começo ao fim.

Parece brincadeira, mas comecei essa leitura rápida de reconhecimento lá pelas oito e trinta e parei agora, porque estão me chamando para almoçar.

O seu trabalho é impressionante! Uma Enciclopédia do Choro (com letra maiúscula)!!

Tenho certeza que a leitura completa será muito instrutiva e agradável.

Li seu livro todo, sim!

O livro é excelente! Um trabalho de pesquisa impressionante! Um manual do Choro! Uma Bíblia!

Parabéns, e um grande abraço."

Ozien Guerrini

***

Quanta música se ouviu neste quintal! Celso é violonista e na década de cinquenta, molecão ainda, integrava o Regional Carioca, na PRD-6, passando depois para o Regional D-6 da Rádio Difusora de Piracicaba PRD-6 e pelo Regional do Tatai", da Voz Agrícola do Brasil ZYR-209. Tudo isso para dizer que Celso Rizzi sempre viveu no meio musical e afirmava querer, um dia, escrever sobre uma de suas paixões: o Chorinho - Gênero musical que, apesar dos pesares, conquistando novos seguidores vai em frente.

Pois aí está o livro, um trabalho de fôlego, resultado de muita pesquisa. História e estórias, biografias de autores/ interpretes, cronologia, discografia do Choro e muito mais, que você só saberá mergulhando de cabeça em sua fácil leitura de cunho didático. Afinal, Professor é sempre Professor..."

Linneu Lara Coelho

Diz a lenda:

"o deus egípcio THOT ¹

soltou sua voz

e o universo foi criado...

Passeando feliz pelas margens do Nilo

pegou,

na mão esquerda,

a carapaça vazia de uma tartaruga

e,

com a direita,

dedilhou seus tendões,

já secos e tensos;

um som doce foi ouvido:

ele havia acabado de

inventar a lira"!


1 THOT: Na mitologia egípcia é o pesador de almas.(Livro dos Mortos do Egito, 2000 a.C.)

PREFÁCIO

Ao ler os originais de Música Brasileira: O Chorinho através dos tempos surpreendi-me ao constatar que Celso Rizzi, realmente é profundo conhecedor do tema – o nosso Choro – e pode se dar ao luxo de se manifestar livremente em razão de todo esse conhecimento, pois de alguma forma ele está ligado à raiz dos acontecimentos. Relata com os mínimos detalhes, acontecimentos que em grande parte das vezes, fogem até das lembranças dos mais experientes estudiosos do tema em questão.

De forma despretensiosa, Celso Rizzi leva o leitor a ingressar nesse mundo Chorão acerca de temas não muito cogitados e por vezes muito deles ávidos de conhecimento ou curiosidade acerca da história desse gênero. Constitui uma coletânea de informações, cujo objetivo é demonstrar os atributos de nossa mais importante manifestação.

Os relatos aqui contidos são frutos de peregrinações de anos de pesquisa. Celso Rizzi é um desses observadores inquietos, documentarista sensível e apaixonado cuidadosamente sensato e brilhante, demonstrando total erudição no tema em questão.

Nas páginas do presente trabalho, os leitores encontrarão informações sobre a grande maioria dos Chorões brasileiros, compositores antigos e atuais, intérpretes, dirigentes – muitos já falecidos, outros esquecidos – bem como aqueles que tiveram o privilégio de ingressar na vida artística e se conservarem ainda em certa evidencia. Encontrarão ainda um enorme relato sobre a discografia do gênero – e com tanta informação, toca ainda em outra motivação bastante significativa: o desejo de contribuir para a formação de uma consciência musical brasileira – a nossa mais verdadeira pura manifestação. Reúne vários episódios rigorosamente estudados e pesquisados, e garanto, não será decepcionante para quem espera considerações intelectuais.

Com certeza esta obra ainda servirá de estimulo para futuras pesquisas, destinadas a contribuir para o desenvolvimento em nossos alunos, de uma consciência histórica no terreno da Música Brasileira, história do nosso passado musical, mais rico do que se possa imaginar e que ainda apresenta lacunas muito sérias, pois limitar-se ao mero registro de tudo o que se produziu musicalmente no Brasil ainda é inconteste.

O Choro já esteve mortalmente ferido, assim como quase toda a música instrumental em virtude de não transmitir de uma forma geral uma história, um poema, enfim uma letra onde se pudesse chegar a uma emoção em particular, ou talvez por exigir certa habilidade técnica de seus executantes, ou ainda pela mídia aniquiladora. Hoje quase recuperado, temos jovens que felizmente estudam e promovem tal gênero agindo como verdadeiros bálsamos, assim como Celso Rizzi que nos presenteia com esse trabalho extraordinário que visa mostrar como é maravilhoso esse mundo Chorão.

Izaias Bueno de Almeida

APRESENTAÇÃO

"De vez em quando vem alguém e diz que fulano. sicrano,

Eu mesmo, estão, estou ‘revivendo’, ‘fazendo renascer’,

‘revitalizando’ o Choro.

Besteira, o Choro nunca morreu.

O Choro é uma praga, não morre.

O que acontece é que as pessoas param de ouvir,

porque não toca no rádio, na televisão".

(Paulo Sérgio Santos. Jornal O Estado de São Paulo, Caderno 2, 7/Nov/2001)

Um livro pode ser uma reunião de ideias e de informações históricas e técnicas, racionalmente encadeadas por posicionamentos filosóficos, a identificarem-se a partir da proposta inicial do autor. Pois que assim seja Música Brasileira: O Chorinho através dos tempos.

Já no século dezoito, Mademoiselle Bertin, costureira de Maria Antonieta (1755–1793) então Rainha da França - ao reformar um velho chapéu, observava sabiamente:

– Não existe nada de novo, exceto aquilo que se esqueceu.

É possível pois, muitos venham descobrir, ou redescobrir aqui o que para outros seja sobejamente conhecido. Isto, evidentemente, não invalida o esforço, embora modesto, de tornar mais conhecida nossa música de raiz, como também de divulgar fatos históricos aglutinados ao longo do tempo, a escreverem a História do Choro, a qual indubitavelmente, se confunde com a História da Música Brasileira.

Motivou-nos escrever, a ausência, no início desta pesquisa, de obra que tratasse do Choro de forma exclusiva, pois tão somente abordagens curtas e esparsas foram encontradas quando nos dispusemos – ainda no início dos anos noventa – a um aprofundamento no tema.

O escritor alemão Johann Wolfgang Von Goethe (1749–1832) afirmou:

Tudo o que é inteligente já foi pensado; só o que podemos tentar é pensá-lo de novo e a escritora chilena, Isabel Allende, por ocasião do lançamento de seu livro Afrodite, em entrevista ao jornal A Folha de São Paulo, citou o conhecido dito de Wilson Mizner (1876–1933):

Se você copia ideias de um autor é plágio. Se você copia de muitos autores, é pesquisa.

É verdade também que:

Adão tinha muita sorte: quando dizia alguma coisa interessante sabia que ninguém havia dito antes. (Mark Twain, (pseudônimo do escritor americano Samuel Langhorne Clemens (1835–1910).

O material por nós utilizado, recolhido com dificuldade, em face da exígua literatura sobre o assunto, constou de artigos de revistas e jornais, capas e encartes de LPs e CDs, enciclopédias, dicionários, programas de Rádio, TV, internet e conversas com Chorões de diferentes épocas e lugares, assim como de consultas a alguns dos poucos livros sobre Música Brasileira, dos quais grande parte, infelizmente, encontra-se esgotada.

Informações divergentes, às vezes, puderam ser esclarecidas recorrendo-se a outras fontes. Nem sempre, porém, havia outras fontes para o desejável e necessário cotejo.

Em Música Brasileira: O Chorinho através dos tempos, as palavras Choro, Chorinho, Chorões, Música Brasileira e Professor, aparecem sempre com letra maiúscula por questão de respeito. Também por respeito procuramos manter a grafia original dos nomes.

Possivelmente, muitos autores deixaram de ser mencionados, composições deixaram de ser citadas e histórias deixaram de ser contadas ... mesmo porque fica a certeza de termos iniciado um trabalho e não a de tê-lo concluído.

Na oportunidade, expressamos nossos sinceros agradecimentos a todos aqueles que, direta ou indiretamente, puderam, de alguma forma, colaborar. Contudo, os agradecimentos maiores são para os nossos maravilhosos melodistas, instrumentistas, letristas, arranjadores e cantores, como também para os cultores do gênero, os quais mantiveram viva, ao longo do tempo, a chama do Choro.

Por derradeiro, possa O Grande Arquiteto do Universo nos ajudar em mais esta empreitada.

LER, ENTENDER, APRECIAR

Ao prefaciar Caminhar Vazio, de Lin Ch’ Eng Yü, Elzio Ferreira de Souza estabeleceu interessantes observações sobre os livros. Afirma ele: uns repetem tudo o que sabemos ou pensamos, ao passo que outros parecem contrariar totalmente nossas opiniões; alguns parecem prolixos e outros sintéticos demais.

É necessário, em qualquer caso, não olvidar que o mais importante não é nossa concordância prévia com as ideias expressas numa obra, mas, sim, que ela nos force a pensar.

Realmente, é provável que muita informação possa ser encontrada nos livros, na imprensa ou na internet. Nesse caso, qual a função das escolas?

Nelas, principalmente, os Professores devem levar as pessoas a pensarem!

A educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo (Paulo Freire, 1921–1997).

Quanto aos leitores, Elzio Ferreira de Souza divide-os em três grupos:

Os que o fazem para passar o tempo ou pelo gosto de folhear alguma novidade editorial, resultando o livro ficar abandonado após rápida e superficial leitura.

Ao segundo grupo pertence o pessoal da leitura opiniática:

Aquela em que o leitor abre o livro já entrincheirado em seus pré-juízos: o resultado é sempre uma entusiasmada concordância ou violenta oposição.

No terceiro grupo ficam os leitores que examinam o livro, passo a passo, questionando-o, mas de maneira livre, com a mente aberta, sedenta, capaz de defender seus pontos de vista ou de renová-los.

Os primeiros ajudam a retirada dos livros das prateleiras das livrarias ou das bibliotecas; os segundos constituem-se grandes divulgadores gratuitos da obra, porém somente os terceiros talvez consigam, realmente, tirar real proveito da leitura.

Não obstante, conclui o citado prefaciador, todos os três tipos de leitores são importantes por desempenharem, a seu modo, importante papel na relação livros/leitores.

A abordagem em foco, supondo tipos e grupos puros, serve à configuração de um modelo didático bastante válido, sem contemplar, porém, toda uma gama de situações intermediárias, tanto com relação aos livros como também aos leitores.

Paisagens, quadros, estórias, poemas, textos, composições musicais e, obviamente, os livros impressionam, alimentam a mente e apaixonam as pessoas, na medida exata da capacidade de percepção e de análise de que são capazes essas pessoas.

Na verdade, cada leitor, em função de suas experiências anteriores e interesses atuais, estabelece com o livro uma relação única.

Aprender consiste em amarrar o novo ao velho, ou seja, de acordo com a sabedoria bíblica aos que têm, mais se lhes dará, pois, nossa capacidade de entendimento é como a Escada de Jacob, na qual, por meio de nosso esforço, um degrau leva ao outro.

Numa Escola, os alunos de um Professor podem realizar diferentes níveis de aprendizado, embora o ensino oferecido seja o mesmo. Num livro, de forma idêntica, os leitores compreendem e aprendem de modo diferenciado, a partir do mesmo texto, ou seja, tiram da obra o proveito que conseguem.

Adicionando aos conhecimentos adquiridos as suas próprias vivências, as pessoas moldam seu quadro de valores, ou seja: o referencial a partir do qual estabelecem seus julgamentos. No mais, diferentes objetivos, níveis de interesse e ângulos de observação diversificados constituem-se algumas das variáveis intervenientes a presidirem, até mesmo de forma inconsciente, o processo de análise e escolha.

O dramaturgo suíço Max Frisch (1911–1991) afirmou: Palavras só ligam pessoas que têm sintonia.

Não obstante, nós acreditamos que palavras podem, também, estabelecer novas sintonias.

Que possa Música Brasileira: O Chorinho através dos tempos:

– Informar,

– Instruir,

– Recordar,

– Deleitar,

– Divertir,

– Emocionar,

Não, necessariamente, nessa ordem, é claro.

E, por que não? Até educar.

Mas que possa também, despertar, ou, se preciso, até formar uma Consciência Nacional de valorização da Música Brasileira de nível superior, da qual o Choro é lídimo representante.

Possa, Atena, para os gregos e, Minerva, para os romanos - deusas da Sabedoria – possa Euterpe: deusa da música, bem como as deusas da Beleza e da Inteligência iluminarem os leitores de Música Brasileira: O Chorinho através dos tempos.

Possam alguns brasileiros descobrirem o que muitos estrangeiros já sabem:

Há no Brasil uma música de alta qualidade, cultivada por importantes músicos brasileiros – como também por muitos músicos estrangeiros – porém inexplicavelmente, pouco divulgada e, por conseguinte, aqui mesmo, pouco conhecida.

Estamos falando do

CHORO!

Também conhecido por

CHORINHO!

Capitulo 1

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MÚSICA

O coração inspira, a mente projeta e as mãos executam.

(Silvio L. Cardoso)

A palavra ‘música’ deriva do grego mousike por intermédio do latim música. Ela é formada no grego da palavra mousa, a Musa, que vem do egípcio, e da terminação grega ike, derivada do celta. A palavra egípcia, mas ou mous, na verdade significa geração, produção ou desenvolvimento a partir de um princípio, ou seja, manifestação formal ou mudança de estado letárgico para ativo de algo que estava latente. Ela é composta pela raiz ash, que caracteriza o princípio universal, primordial, e da raiz ma, que expressa tudo aquilo que gera, desenvolve ou se manifesta, cresce ou toma forma exterior. As significa, em muitas línguas, unidade, o ser único, Deus, e ma se aplica a tudo que é fecundo, formativo, gerador, na verdade significa ‘uma mãe’ . (Fabret d’Olivet, p.63)

Segundo a mitologia grega, as musas eram deusas que presidiam às artes liberais.

Numa composição musical, o resultado criativo é um cordão de símbolos abstratos significando notas, melodias e temas. Estes formam o corpo ou a roupagem de um ideal harmônico. (O Homem – Alfa e Ômega da Criação, Biblioteca Rosacruz, 1985, 2ª edição, Vol. 2, pag. 93)

O plano da composição musical é obviamente mental; os sons se ajustam, formam frases e melodias no silêncio da alma do compositor (...). A música pode ser materializada, em seguida, na combinação física dos sons, impregnada de emoção, da sensibilidade ou intuição do compositor, mas o seu primeiro conhecimento há de ser no campo invisível do pensamento. (RAMATIS, 1996) ¹

Considerar a música como uma linguagem equivale a dizer que nela reconhecemos um código a ser decifrado para que a comunicação ocorra. A comunicação verbal, por exemplo, depende de uma língua (código) comum aos sujeitos envolvidos no processo de estender entre si uma ponte de coisas comuns. (Ricardo Oliveira, p. 151)

Realmente, não obstante linguagem ser um termo cognato de língua, nem toda linguagem implica em comunicação verbal. Numa significação ampliada, linguagem ganha a conotação de comunicação. Complementando, logo em seguida, OLIVEIRA ensina:

Possivelmente, mais do que qualquer outro tipo de discurso, a música penetra no receptor e interfere no seu comportamento sem que haja, necessariamente, ‘entendimento’ ou mesmo domínio comum de um código ao nível cultural. Apesar de existirem características específicas na música de diferentes culturas, é indiscutível que a música, como a arte em geral, transcende os limites da cultura do seu criador, muito mais do que a língua.

Embora a voz humana – um dos primeiros instrumentos musicais – nem sempre possa produzir grande variação em termos de: altura, duração, intensidade e timbre: quatro qualidades essenciais do som, o emprego de outros instrumentos musicais pode fazê-lo.

Em linguagem musical, altura não é volume, e sim a capacidade de o som ser mais agudo (alto) ou mais grave (baixo). Duração significa o espaço de tempo durante o qual um som se mantém. Intensidade sim, é volume. O timbre consiste na característica sonora que nos permite identificar cada som, seja voz ou instrumento musical.

Basicamente, os instrumentos musicais se dividiam em: cordas, sopro e percussão. Posteriormente, a esses, nova categoria se juntou: os instrumentos eletrônicos.

Nos instrumentos de corda, as finas produzem sons agudos ao passo que as cordas grossas produzem sons graves, cabendo às caixas de ressonância a ampliação dos sons. O comprimento das cordas constitui-se outro fator determinante da altura do som: quanto mais longa a corda, o som se torna mais grave. Ao pressionar a corda contra a madeira, o instrumentista diminui seu comprimento, conseguindo, assim, um som mais alto.

Nos instrumentos de sopro, produzidos em madeira ou metal, geralmente de latão: liga de cobre e zinco, são as chaves e os botões que alteram a dimensão da coluna de ar posta em vibração, produzindo sons de alturas diferentes. Segundo relatos da Bíblia, os israelitas teriam sido, possivelmente, os pioneiros na utilização de metais para a produção de instrumentos de sopro.

Dispostos pelo nível de altura, os sons formam a escala diatônica, na qual passam a ser classificados como graus. Três ou mais sons agrupados e executados simultaneamente formam acordes que, por sua vez, são responsáveis pela harmonia.

Iniciando-se em qualquer grau da escala natural (diatônica ou cromática) pode-se constituir uma nova escala. As relações melódicas e harmônicas formadas entre os graus da escala constituem a tonalidade, às vezes também chamada de tom, que caracteriza mais a altura na qual se formam essas relações melódicas e harmônicas. A passagem de uma tonalidade para outra, ou seja, a mudança de tonalidade durante a execução de uma peça, chama-se modulação.

O intervalo entre dois sons se define pela relação de suas frequências, entendendo-se frequência como o número de vezes que um fenômeno – neste caso, vibrações – se repete num intervalo de tempo.

Se os sons emitidos simultaneamente formam os acordes, os sons sucessivos formam a melodia que encerra o sentido musical criado pelo compositor. No Dicionário Grove de Música, p. 592, lemos que a melodia se constitui: Uma série de notas musicais dispostas em sucessão, num determinado padrão rítmico, para formar uma unidade identificável.

É claro, porém, que o conceito de melodia varia muito entre diferentes culturas.

Melodia, ritmo e harmonia são considerados os três elementos fundamentais da música; encará-los como independentes, porém, seria uma simplificação excessiva. O ritmo é componente importante da própria melodia não apenas porque cada nota tem uma duração, mas também porque a articulação rítmica numa escala mais ampla lhe dá forma e vitalidade; por outro lado, a harmonia geralmente desempenha papel essencial, ao menos na música ocidental, na determinação do contorno e direção de uma linha melódica, cujas implicações harmônicas podem, por sua vez, dar vida à melodia. (Dicionário Grove de Música, p. 592)

Toda a ‘gama’ dos sentimentos e dos pensamentos pode se exprimir por meio da melodia: esses dois princípios, um ‘fixo’ (ou constante), o outro ‘móvel’ (...). (Chaboche, p. 68)

O ser humano reage ao ritmo desde tenra idade. Ele é a ação no tempo, acrescida da forma de acentuação. Chaboche ensina, também que o ritmo é a dimensão viva do número.

A música que é basicamente rítmica afeta o corpo físico; a música que é essencialmente melódica lida com as emoções; e os harmônicos da música estão relacionados com energias espirituais. (Mary Bassano, p. 22).

No desenvolvimento da música, a melodia e a harmonia sucederam ao ritmo, evoluindo à medida que a nossa percepção e que a nossa sensibilidade evoluíam. (Mary Bassano, obra citada, p. 23 e 24).

Aliás, em grego, harmonia significa ordem.

Alguns séculos antes do início da nossa era, os gregos usavam as letras do alfabeto - cuja espessura era modificada de uma oitava à outra - para representar as notas musicais. Os povos anglo-saxões continuam utilizando letras do alfabeto para denominar as tonalidades: A = Lá; B = Si; C = Dó; D = Ré; E = Mi; F = Fá; G = Sol.

Os gregos, dedicando-se ao estudo da música, construíram teorias musicais mais elaboradas do que qualquer outro povo da antiguidade.

Assim, não é de surpreender, o fato de que os platônicos tenham falado da arquitetura como de uma ‘música fixa’ . (Chaboche, p. 67)

Pitágoras (570-495 a.C), matemático e filósofo grego, a quem se atribuí a descoberta das razões numéricas correspondentes aos intervalos principais da escala musical, como também a elaboração do conceito de oitava musical, tendo vivido no quinto século a.C., acreditava que o estudo das relações entre a música e a matemática poderia fornecer a chave para se conhecer os segredos do mundo, pois concluiu que a natureza se organiza de acordo com relações numéricas.

Apesar dos questionamentos científicos que, já no início do Renascimento, começavam a colocar em dúvida essa visão, a música manteve com a matemática uma relação tão sólida que outras artes, em especial a pintura, a tomaram como modelo. (Caznok, p. 91)

Hoje sabemos que as porções cerebrais responsáveis pela música e pela matemática são vizinhas.

"Aliás, as palavras música, matemática e mancia (advinhação) têm a mesma raiz etimológica indo-européia". (Chaboche, p. 65)

Em seu Traité des Études, III, 3, Charles Rollin ensina:

Há no homem um gosto natural que o torna sensível ao número e à cadência (...) .

A palavra número também veio do grego némô, passando pelo latim numerus. Interessante notar, Galileu Galilei (1564–1642), dois mil anos depois, chegou à idêntica conclusão:

A música é inteiramente condicionada pelo número que é, em si próprio, uma formulação da ‘música das esferas’ ou harmonia cósmica (síntese de inteligência e beleza). (Chaboche, p. 67)

Pitágoras, em seus experimentos, ao produzir som por meio de um fio esticado sobre uma caixa - o monocórdio - além de inventar, possivelmente, o tetravô do alaúde, começou a perceber as relações matemáticas existentes entre os sons produzidos por fios de diferentes tamanhos, ou seja, notou que as notas musicais correspondem a frações de um inteiro inicial.

A escala chamada de Zarlin, ou escala natural, representa os intervalos expressos em números fracionários. (Chaboche, p. 66)

Por esse motivo, marimbas, xilofones e vibrafones possuem partes tangíveis diminuindo de tamanho numa escala constante. A essa relação fracionária entre as notas musicais, Pitágoras chamou de Regra de Ouro.

Em seu livro ‘Evolução do Cérebro e Inteligência’, o neurocientista Herry J. Jerison, da Universidade da Califórnia, confere um papel fundamental à percepção do som. Para ele, essa é a chave para a capacidade humana de construir internamente um modelo do mundo externo. (Música, Linguagem das Emoções, por Jack Fincher, Revista Ele & Ela)

A Bíblia está crivada de referências à música e os instrumentos musicais aparecem repetidas vezes na pintura, cerâmica e escultura da arte clássica. Lamentavelmente, não foi inventado nenhum sistema de notação eficiente que trouxesse os sons dos antigos para nossos ouvidos de hoje. (Jourdain, p. 385)

Com o passar do tempo, a ampliação dos repertórios levou à necessidade de padronização da escrita musical. Os neumas – do grego, gestos – foram os primeiros sinais da antiga notação musical medieval. Mesmo sem indicar a altura do som, nem mesmo sua duração, porém apenas o movimento linear da melodia, isto é, quando a voz deveria elevar-se ou abaixar-se, a partir do século nove buscou-se normatizar a escrita do canto: única manifestação musical aceita oficialmente pela Igreja Católica, durante a idade média.

No século onze, os estudos de um religioso constituíram-se marco de grande importância na lenta evolução do processo da escrita musical. O frade beneditino Guido d’Arezzo, também conhecido como Guy Arentino, que viveu, possivelmente, entre os anos 995 e 1050, resolveu parte do problema dos compositores daqueles tempos: escrever as músicas para torná-las conhecidas daqueles que nunca as tivessem ouvido. O genial monge inventou a pauta de onze linhas, mais tarde dividida em três claves: clave de sol, clave de ut, clave de fá, como também criou nomenclatura padronizada para as notas musicais. Para isso valeu-se da sílaba inicial dos versos do Hino a São João, composto, em língua latina, dois séculos antes, por Paul Diacre Warnefrid (740–80l):

UT queant laxis – Para que teus fiéis

REsonare fibris – possam, com todas as fibras

MIra gestorum – de sua alma,

FAmulti tuorum – cantar as maravilhas da vida,

SOLve polluti – purifica seus lábios manchados

LAbii reatum – de pecado

SAncte Joannes – Ó São João

Guido D’Arezzo, na verdade, idealizou uma notação musical, pois nota trata-se da grafia do som, na qual se expressava a diferença de altura dos sons.

João XIX, Papa entre os anos 1024 e 1032, grande apreciador das ideias musicais de D’Arezzo, ajudou-o a difundi-las.

Em 1651, Le Main modificou a grafia da sétima nota, de "SA" para "SI : abreviatura de São João, pois em latim as letras j e i " são pronunciadas da mesma forma.

Em 1673, "UT" – a primeira nota – passou a ser denominada "", por ser mais sonora sua pronúncia no solfejo.

Somente mais tarde, Jean de Maris acrescentaria à notação musical, as indicações de duração do som, por meio das figuras musicais.

De acordo com o Dicionário Folha/Aurélio, pag. 296, Figura é:

Cada um dos oito sinais gráficos (breve, semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, fusa, semifusa) que indicam a duração de uma nota (figura positiva) ou de uma pausa (figura negativa) (...).

Nossa música ocidental, bastante relacionada com as teorias de Pitágoras e seus compatriotas, permanece estruturada a partir de uma escala cromática de doze notas musicais: sete sons naturais e apenas cinco sons intermediários. A ausência dos semitons ocorre sempre entre os III e IV graus e entre os VII e VIII graus. No piano e no acordeão, nos quais os teclados foram construídos na escala de Do Maior a ausência dos semitons se dá entre mi/fá, como também entre si/dó, por isso entre esses sons, não há teclas pretas.

A palavra sinestesia, do grego sýn (reunião, ação conjunta) + aísthesis (sensação) – também denominada multissensorialidade – se define como a mistura espontânea de sensações. Embora a sinestesia trate da abrangência dos cinco sentidos, pela natureza desta obra estaremos nos referindo, especificamente, aos cruzamentos dos sentidos: audição e visão.

Para algumas pessoas, muitas vezes, determinadas melodias têm o dom de evocar imagens ou lembranças escondidas nos recônditos do passado.

Seja lá o que o cérebro encontre – visão, som, cheiro ou sensação – ele a disseca em busca de suas relações mais profundas, e é esta rede de relações que o cérebro guarda. Mais tarde, quando o cérebro relembra alguma coisa, ele evoca essas relações, para gerar ‘uma lembrança’ . (Jourdain, p. 217/218)

Evidentemente, a música vocal, em razão da sugestão das imagens trazidas pelo texto literário – ou seja, a letra – propicia, mais facilmente, a construção ou a lembrança de imagens perdidas nas dobras do tempo. É o que leciona CAZNOK:

Sem dúvida, em um repertório vocal a visão cumpre um papel quase tão significativo quanto o da audição.

A ‘ideia’ ou a paisagem representada são destinadas a um visível/audível que remete não aos sentidos do corpo, mas aos do ‘espírito’, capaz de apreendê-las de forma inteligível e nítida.

Acredita-se que o percentual de sinestésicos gire em torno de quatro por cento da população.

O poder da música para evocar imagens ou sensações, criar até sonhos, pode explicar sua associação com estados psíquicos nos quais a individualidade, o tempo e o espaço desaparecem ou tomam outra dimensão. (ARAUJO, 1981).

Na mesma linha de abordagem, OLIVEIRA (1996), acrescenta:

(...) as informações contidas nas formas musicais, ao serem processadas pelo músico ou pelo ouvinte, entram em ressonância com a sua memória corporal, arquetípica e pessoal. Assim, a música pode desencadear toda uma gama de reações, não apenas pela energia que contém em si mesma, mas principalmente pela ressonância com estruturas já incorporadas anteriormente.

Referindo-se à musica vocal (OLIVEIRA, 1996, p. 142):

Como estudar os efeitos do canto sobre o cantor, levando-se em conta que ele escuta não só o som projetado no meio externo, mas também as suas vibrações internas, nas formas de som, sensações, sentimentos e pensamentos? A fonte, o meio e o receptor se fundem e se confundem.

Alguns sinestésicos, contudo, num nível mais apurado, vão além dos relacionamentos música/imagem visual, pois estabelecem ligações entre tonalidades e cores. Sobre o tema cor e música realizaram-se, entre os anos 1920 e 1930, quatro congressos na Universidade de Hamburgo, na Alemanha.

Estabeleceu-se, de acordo com a teoria pitagórica das cores e da música, que há frequências vibratórias comparáveis entre as sete cores do espectro e a escala musical de sete notas (...). As sete cores puras estão relacionadas com a oitava média do teclado. No entanto, as relações prosseguem entre as oitavas agudas e graves e as várias gradações de cores do espectro. (Bassano, p. 12).

Em BASSANO, lemos: O som é a cor audível e a cor é o som visível.

Há a observar, contudo, que essa relação – tonalidade e cor – percebida pelos sinestésicos não é padronizada, ou seja, nem todos fazem a ligação de determinado tom à mesma cor.

O compositor brasileiro Jorge Antunes, autor do livro A correspondência entre os sons e as cores (1982), com base em cálculos matemáticos e físicos, estabeleceu uma tabela de correspondências cromofônicas.

Numa visão diferenciada, o pintor russo Vassili Kandinsky (1866–1944), para quem a pintura, assim como a música, antes de tudo, era uma forma pessoal de expressão, mais do que uma maneira de contar uma história ou expressar uma ideia, acreditava que as cores têm uma sonoridade ligada, não necessariamente às tonalidades, porém ao timbre dos instrumentos musicais.


1 RAMATIS. A Vida no Planeta Marte. Livraria Freitas Bastos, l996, 11ª edição, p. 180)

SOBRE A MÚSICA, DISSERAM...

DICIONÁRIO FOLHA/AURÉLIO:

Arte e ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido.

ANDRÉ LUIZ:

A música intensifica o rendimento do serviço, em todos os setores de esforço construtivo.

ARNALDO COHEN:

A música sempre expressa sensações que o ser humano tem. Ela depende de sua fantasia. Seu sentido abstrato é como uma fumaça que entra no subterrâneo do consciente e do inconsciente.

ARTUR DA TÁVOLA:

Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão.

CARLOS D. FREGTMAN:

A música pode transmudar nossa vida modelando-a com as suas pulsações. Convertermo-nos em ‘músicos pela paz’ é compreender que estamos imersos numa sequência rítmica de circuitos interconectados, e que a perda dos inocentes jogos com os sons é a renúncia à espontaneidade e a queda na rigidez.

A música provoca certas mudanças e alterações biológico-físicas. Ocasiona uma modificação na pulsação, na respiração e na pressão externa do sangue, retarda a fadiga muscular e aumenta os processos metabólicos, amplia o nosso umbral de sensibilidade e nos facilita o acesso a outras formas de estímulo e de percepção.

A música é um elemento catalisador dos processos mentais, que ativa material inconsciente proveniente de diversos níveis profundos da personalidade e de informações holonômicas que transcendem os nossos sistemas lineares de pensamento.

CLAUS BANG

A música é uma linguagem para todas as pessoas.

A música é uma das melhores maneiras de manter a atenção de um ser humano devido à constante mistura de estímulos novos e estímulos já conhecidos.

CONFÚCIO:

A música do homem de espírito é nobre, suave e delicada, assim o seu estado de alma uniforme, anima-o e comove-o. Um homem assim não abriga o sofrimento nem o luto no coração; os movimentos violentos e temerários lhe são estranhos.

ELIS REGINA:

A música é o meu motor; meu combustível, meu arco, minha flecha... e minha solidão.

EMÍDIO SILVA FALCÃO BRASILEIRO:

"Levantou-se o Sacerdote da Música, Nadir, e falou:

¢Que dizeis da Música’?

Ele respondeu carinhosamente:

¢A Música é o vosso sentimento expresso em forma de sons.

E em cada nota descortina-se vosso íntimo,

constrói-se vosso sonho,

amenizam-se vossas dores e eleva-se vossa alma.

Não há maior expressão de beleza do que a sublimidade da Música.

Até mesmo o amor busca inspiração no infinito

para musicalizar a serenidade de sua doçura.

Buscais a música na tristeza porque ela coroa vossa alegria.

Buscais na música a vossa identidade.

Buscais na música a imagem de Deus quando dizeis:

¢Esta é a suave candura de meu amado¢.

Também meu Pai é a harmoniosa Lira do infinito.

Em seu Reino tudo se constrói com sons. E vossos ouvidos

não os percebem; todavia, algumas vezes sonhais percebê-los quando compondes vossas músicas.

Vós sois a melodia Divina. Tornai-vos dóceis instrumentos do vosso som e contribuireis para a grande orquestra da vida’ ".

(Um dia em Jerusalém, p. 71/72).

FRANÇOIS-XAVIER CHABOCHE:

A música é, entre as artes, uma das mais aptas a comunicar estados de espírito ou da alma. Ela é, talvez, a linguagem matemática mais precisa, da qual se poderiam servir os psicólogos em suas pesquisas... Ela permite ao mesmo tempo a comunicação (linguagem) e a harmonização (terapia).

GOETHE:

A arquitetura é a música petrificada.

HEITOR VILLA-LOBOS:

Único motivo de minha existência. Válvula de escape para a humanidade. Tão útil e essencial como o pão e a água.

H. M. BORCHGREVINK:

A música pode ser definida como uma progressão sonora não-linguística organizada no tempo.

ISAAC KARABTCHEVSKY:

Minha convicção pessoal é que toda a música tem um poder expressivo, algumas mais, outras menos, mas todas elas possuem algo ‘atrás das notas’, o que constitui na realidade o significado de cada composição.

LARS ROAR LANGSLET:

A música está enraizada nas camadas mais profundas de nossa personalidade, onde percepções sensoriais, sentimentos e pensamentos se integram.

LIN CH’ ENG YÜ:

"Música Divina.

A música é apenas um som,

variação de sete notas

que se tocam e se afastam,

harmonizando-se no todo,

em espaços de tempo,

ritmos e modulações.

Sustenidos e bemóis,

colcheias e semicolcheias,

não lhe mudam a natureza,

mas podem mudar-te os sonhos.

Como a executas e como ouves?

Execuções são singulares como pinturas no céu;

és o destinatário único de toda audição.

Ninguém pode senti-la por ti

nem a teu modo percebê-la:

as notas dançam além do sensível

e mergulham no abismo da alma.

Do mistério que encontram,

apenas sentimentos ecoam,

sem que ele de todo se desfaça.

A música é mistério,

ou mistério é tua alma?

Na multiplicidade das notas,

encontras a unidade da música.

Por que duvidas que no múltiplo das coisas

resida a Unidade divina?

Das origens apenas um som se ouve

o marulho do Infinito nas praias de tua alma".

LUDWIG VAN BEETHOVEN:

A música é a revelação superior à toda sabedoria.

A música é uma revelação mais elevada do que a filosofia.

LUIZ HEITOR:

È na música, entre todas as atividades artísticas, que o gênio brasileiro conseguiu realizar alguma coisa fortemente original e diferente dos moldes europeus.

MAC KENDRICK:

As raízes dos nervos auditivos se distribuem por uma extensão maior e tem mais longas conexões. Assim se compreende, até de um modo mecânico, porque a música se difunde e abala todo o organismo, pois não há nenhuma função do corpo que não possa ser afetada pelas pulsações rítmicas, pelas progressões melódicas, e pelas combinações harmônicas dos sons musicais. (Orestes Barbosa, obra citada, pag. 30).

MARTIN LUTHER:

A música é a arte dos profetas. A única que pode apaziguar os distúrbios psíquicos.

MARY BASSANO:

A música é a mais sutil das formas de arte, mas, provavelmente, exerce a maior influência sobre os nossos centros psíquicos e sobre o nosso sistema nervoso simpático. (A cura..., obra citada, pag. 2l).

O CORREIO (Unesco):

A música põe à disposição de todos uma linguagem diferente da das palavras, uma base privilegiada de expressão artística, capaz de transmitir uma mensagem de caráter universal.

PABLO CASALS:

O sentido humano da música torna a arte e a vida inseparáveis.

PETER MICHAEL HAMEL:

O maravilhoso na música é que através dela pode-se chegar à concentração e à meditação independentemente do pensamento.

PLATÃO:

O ritmo e a harmonia vão até os recônditos da alma.

RAMATIS:

"A música em qualquer latitude é linguagem universal; é uma dádiva

que Deus concede ao espírito para a sua ventura eterna. É poesia cósmica expressa em sons, em vez de palavras".

"Se o meio influi na Educação do homem, é óbvio que

também influi no seu estado de espírito e nas suas emoções.

As músicas pesarosas são obras de compositores nascidos

e vividos em países melancólicos, de atmosfera triste, úmida

e nevoenta, que enregela a alma e a algema aos motivos pessimistas.

No entanto, a música buliçosa e contagiante, é originária dos países

tropicais, onde as criaturas se fartam de luz, sol, ar e cores festivas"!

THOMAS CARLYLE:

Veja profundamente e verá musicalmente, pois o coração da natureza é música, em toda parte, basta-nos poder alcançá-lo.

"Bem se diz que a música

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