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Contribuições do yoga à educação no brasil: um encontro com os grandes yogues brasileiros

Contribuições do yoga à educação no brasil: um encontro com os grandes yogues brasileiros

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Contribuições do yoga à educação no brasil: um encontro com os grandes yogues brasileiros

Comprimento:
385 página
4 horas
Lançado em:
Jan 1, 2016
ISBN:
9788581929736
Formato:
Livro

Descrição

O interesse pela prática do Yoga no Brasil tem crescido consideravelmente nos últimos anos. Mas seria possível afirmar que o Yoga trouxe contribuições à educação brasileira? Quais foram as pessoas responsáveis pela introdução dessa filosofia no país? Quais livros, textos e apostilas serviram de base a essa incorporação?

Essas e outras perguntas serão meticulosamente abordadas e respondidas ao longo deste livro, mostrando, ao contrário do que se pode pensar, que existem cursos sequenciais e de pós-graduação da área em diversas universidades e faculdades no território nacional.

A obra examinará os Projetos Pedagógicos desses cursos, demonstrando que se constituem como verdadeiras pedagogias do Yoga.

Para embasar os conteúdos da pesquisa, o autor utiliza-se, além de diversas documentações históricas, de entrevistas realizadas com os introdutores desse conceito no Brasil, dentre os quais se encontram Jean-Pierre Bastiou, De Rose, José Hermógenes de Andrade Filho e vários outros.
Lançado em:
Jan 1, 2016
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9788581929736
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Livro

Sobre o autor


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Amostra do Livro

Contribuições do yoga à educação no brasil - Carlos Alberto Tinoco

Ao professor doutor Geraldo Balduino Horn,

pela dedicação, paciência e amizade.

Do irreal, conduza-me ao real,

das trevas, conduza-me à luz,

da morte, conduza-me à imortalidade.

(Brhadaranyaka Upanishad, I, 3, 28)

APRESENTAÇÃO

As contribuições do Yoga à educação brasileira foram extremamente significativas. Atualmente no Brasil existem cinco cursos de pós-graduação lato sensu e dois cursos sequenciais em Yoga, sendo os últimos localizados no estado do Paraná, mais precisamente em Curitiba e Ponta Grossa. Os Projetos Pedagógicos desses cursos se constituem em verdadeiras pedagogias desse conceito. No mundo todo, as únicas instituições encontradas que abrigam cursos de pós-graduação nessa área foram a Universidad del Salvador, na Argentina – que possui um curso de tecnicatura, o que equivale, em carga horária, aos cursos sequenciais no Brasil –, e na Universidade Técnica de Lisboa – que abriga um curso de pós-graduação lato sensu em Yoga.

Este livro está voltado apenas aos cursos sobre Yoga existentes no Brasil. Entretanto, faz uma incursão no campo do ensino dessa prática no mundo, de Ocidente a Oriente. Nessas duas regiões a pesquisa revelou a existência de curso superiores, em nível de mestrado e doutorado, em especial na Índia.

Neste estudo, foram feitas análises das grades curriculares dos cursos sequenciais e de pós-graduação lato sensu em território nacional, assim como uma análise dos perfis profissiográficos dos egressos desses cursos. Foram feitas também pesquisas sobre os documentos oficiais que foram responsáveis pela transformação do Yoga em carreira profissional no Brasil, e elaborados resumos das dissertações de mestrado, teses de doutorado e pesquisas sobre os efeitos da prática do Yoga realizados no país.

Visando definir os saberes e conhecimentos que devem ter os egressos desses cursos, que os habilitem a ensinar Yoga em academias, escolas públicas ou privadas e em universidades, foram realizadas entrevistas com os precursores dessa filosofia milenar no Brasil, como professores, coordenador e pessoa ligada à programação curricular dos cursos referidos. O resultado desses depoimentos revelou quais são esses conhecimentos necessários. Dentre os fundadores entrevistados estão Jean-Pierre Bastiou, De Rose, José Hermógenes de Andrade Filho, Theodolina Marques Cury, Maria Alvin Veiga, Monsserat Rosa Fernades e Neyda Nerbass Ulysséa.

As questões abordadas nesta obra não foram estudadas ou tratadas em nenhum livro, congresso, tese de doutorado ou dissertação de mestrado, no Brasil e no mundo. Com isso, espero com este estudo preencher uma lacuna sobre os temas aqui pioneiramente explanados.

Carlos Alberto Tinoco

Doutor em História da Educação

www.carlostinoco.blogspot.com

PREFÁCIO

A história do Yoga no Ocidente é ainda bastante recente, pelo menos em uma perspectiva histórica mais ampla, quando consideramos o caráter multimilenar desse complexo de tradições espirituais de recorte vivencial originárias na Índia e que somente no séc. XX se disseminou pelos países ocidentais. No Brasil, ainda não completamos as oito décadas desde as primeiras incursões de pioneiros a desbravar esse território enevoado de práticas corporais, mentais e morais ao qual denominamos de Yoga. Esses pioneiros, cada um a seu modo e segundo as fontes de seu aprendizado, desenvolveram linhas de práticas diversificadas, e hoje sabemos, sem dúvida, que auxiliaram muitas pessoas em variadas situações de vulnerabilidade psicológica, física e social. Esses resultados empíricos positivos ajudaram a tornar o Yoga uma panaceia cuja crescente fama em solo brasileiro conheceu o ápice nas décadas de 1990 e 2000, na esteira de artistas e personalidades públicas estrangeiras e brasileiras que abraçaram práticas extraídas da tradição do Yoga (e.g., ásanas, pranayamas, técnicas de meditação etc.), bem como da crescente validação científica sobre a eficácia dessas práticas como promotoras da saúde integral (psíquica, mental e social) dos indivíduos.

Nesse contexto, o Yoga ocidental se tornou, em grande medida, um estilo de ginástica singular, ensinado regularmente por professores de educação física e terapeutas holísticos em ambientes como academias, clínicas e estúdios, fortemente orientado pelo conceito contemporâneo de wellness (bem-estar físico e mental do praticante) e configurando uma nova arena de disputas profissionais e iniciativas de regulação burocrática do Estado (veja-se o caso bem noticiado das disputas judiciais entre o Conselho Federal de Educação Física e diversas associações e academias brasileiras sobre quem deve regulamentar a profissão de professor de Yoga no país). Esse fenômeno do yoga moderno (ou da ioga, como muito ainda se ouve falar) se estruturou em detrimento de uma compreensão mais plena dos aspectos espirituais mais profundos do Yoga, a qual exige um mergulho transcultural em uma vasta literatura escriturística na língua sânscrita e em um complexo de crenças e práticas bastante estranhas aos olhos modernos, como a noção de karman como princípio moral governante de nosso destino, os conhecimentos esotéricos passados em situação de relativo segredo entre mestre (guru) e discípulo (chellah), a prática de rituais como o do fogo, a construção de mandalas mentais e físicas para proteção do praticante, a invocação devocional contínua de divindades, conjugada com a recitação de mantras etc. Tudo isso, digamo-lo sem rodeios, exige um afastamento interior do praticante/estudioso sério do Yoga em relação a vários valores e crenças culturais que são caros ao ocidental – brasileiro, inclusive (conquanto não exija necessariamente uma hinduização da pessoa) –, por exemplo, a noção que somos nós, enquanto egos, que conduzimos os rumos de nossas existências individuais e coletivas e que, por isso, temos liberdade quase irrestrita para sermos o que queremos, sem atentar para a influência exercida pelo karman e por poderes cósmicos superiores (Devas, Asuras), os quais, segundo a visão hindu, também habitam nos recessos mais ocultos de nosso complexo corpo-mente e condicionam nossas escolhas e ações.

Se essa pauperização da riquíssima cosmovisão que orienta e anima as autênticas tradições do Yoga indiano se deu durante o processo de sua transposição para solos ocidentais, configurando o Yoga moderno em grande medida como um aleijão transcultural, é forçoso reconhecer também os esforços, muitos deles com elevada dose de abnegação e senso de compromisso com a verdade, de indivíduos e grupos de pesquisa e prática de Yoga, dentro e fora de ambientes acadêmicos, no sentido de recuperar e disseminar os saberes teóricos e vivenciais que integram as raízes desse complexo de tradições, por meio de livros, pesquisas e publicações acadêmicas, bem como cursos de extensão, graduação e pós-graduação.

É nesse sentido que obras como a deste livro, fruto dos esforços de Carlos Alberto Tinoco em concluir sua tese de doutoramento em Educação, contribuem, e muito, para avaliar os espaços de diálogo entre os saberes tradicionais do Yoga e suas possibilidades reais e concretas de contribuição para uma educação superior mais plural e rica, em nível de graduação e pós-graduação no Brasil e alhures. Saliente-se o fato de que Tinoco não é apenas um pesquisador teórico do Yoga, já tendo publicado, em português, vários livros sobre o tema, mas é, ele mesmo, um praticante de longa data e responsável pela implantação de cursos de graduação e de pós-graduação nessa área no Brasil. Assim, o leitor saberá que esta obra é resultado das pesquisas, reflexões e vivências pessoais de alguém seriamente comprometido com os destinos do Yoga em solo brasileiro.

Parabenizo o autor pelo seu intento, pelo esforço realizado e pelas contribuições resultantes desse esforço, que certamente renderão bons frutos para muitas outras pessoas que desejam ir além dos aspectos mais superficiais do Yoga em suas vidas e experiências profissionais.

Om Namastê!

Aristides da Rocha Oliveira Junior

Universidade Federal do Amazonas-UFAM

Manaus, 24 de julho de 2015

SUMÁRIO

1- INTRODUÇÃO

2 - PRODUÇÃO ACADÊMICA SOBRE YOGA NO BRASIL

3 - A LITERATURA DO YOGA 

4 - OS DARSHANAS E O YOGA

5 - MUDANÇAS CULTURAIS E ESPIRITUAIS CONTEMPORÂNEAS 

6 - UNIVERSIDADES ALTERNATIVAS 

7 - O YOGA E A SOCIEDADE BRASILEIRA 

8 - COMO FORAM REALIZADAS AS PESQUISAS PARA ESTE LIVRO 

9 - ELEMENTOS FILOSÓFICOS DO YOGA CLÁSSICO 

10 - VIAS DO YOGA 

11 - CONCEITUAÇÃO E OBJETIVOS DO YOGA CLÁSSICO: NATUREZA DO YOGA 

12 - BENEFÍCIOS DO YOGA 

13 - SIGNIFICAÇÃO DO YOGA EM TERMOS EDUCACIONAIS 

14 - YOGA E EDUCAÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO 

15 - QUAL O MELHOR LOCAL PARA O ENSINO DO YOGA NO BRASIL? 

16 - RESULTADO DAS ANÁLISES DAS GRADES CURRICULARES

17 - ANÁLISE E COMPARAÇÃO ENTRE OS OBJETIVOS DOS CURSOS SEQUENCIAIS 

18 - ANÁLISE E COMPARAÇÃO ENTRE OS OBJETIVOS DOS CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO LATO SENSU EM YOGA

19 - ANÁLISE DOS PERFIS PROFISSIOGRÁFICOS DOS EGRESSOS DOS CURSOS SEQUENCIAIS 

20 - CONVERGÊNCIA E DIVERGÊNCIA DAS DISCIPLINAS DOS CURSOS DE YOGA CITADOS NESTE LIVRO

21 - EXAME DOS CONTEÚDOS DOS CONCEITOS EXPRESSOS PELOS ENTREVISTADOS 

22 - RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS NORTEADORAS 

23 - RECOMENDAÇÕES 

REFERÊNCIAS

ANEXOS 

1

- INTRODUÇÃO -

Este livro traz, dentre outras preocupações, a resposta à pergunta: Qual é a natureza do Yoga e quais são as suas contribuições pedagógicas à Educação no Brasil?

Trata-se de uma pergunta ainda não respondida, em livros, teses, seminários e congressos, no Brasil e no mundo. Essa indagação também não foi respondida em nenhuma instância da Educação no Brasil, portanto, é uma questão aberta.

No Brasil, o Yoga é uma forma de saber muito respeitada, onde inúmeras Academias de Yoga são abertas anualmente. Segundo a Federação Brasileira de Yoga, mais de cinco milhões de pessoas praticam, estudam ou estão ligadas ao Yoga, de alguma forma. Isso, por si só, é um fato de extrema importância para justificar este livro.

A pergunta acima, pode ser desdobrada em seis outras, especificadas abaixo, que denominaremos de perguntas norteadoras:

a) Como o Yoga chegou ao Brasil, em termos educacionais?

b) Quais são os conhecimentos e saberes que deve ter o profissional egresso das Universidades brasileiras, que os fundamentem e legitimem a lecionar Yoga em universidades, academias e escolas, públicas ou privadas?

c) Quais são as Instituições, no Brasil, mais importantes e fundamentais sobre Yoga?

d) Quais são as contribuições do Yoga à educação no Brasil?

e) Quais livros, manuais e escritos foram responsáveis pela construção do Yoga no Brasil?

f) Qual é a natureza educativa do Yoga?

Após ser feita longa análise sobre o Yoga, na qual serão destacadas suas principais vias ou linhas, principais textos de acordo com essas linhas, seus elementos filosóficos e objetivos, será definida a sua natureza.

As resposta a essas indagações serão dadas ao longo deste livro.

1.1 Como o yoga foi introduzido no Brasil

O Yoga foi introduzido, no Brasil, nas seguintes etapas:

Figura 1

Fonte: Sêvananda Swami (www.igrejaexpectante.org/patriarca_sevananda.ht)

a) Primeira etapa – 1930 a 1956

Em 1930 Swami Sivananda chega ao Brasil, dando início à tradição do Yoga no país. Mas essa prática oficialmente se iniciou em 1944, com a vinda do francês Swami Asuri Kapila (1901-1955) a Porto Alegre. Swami Asuri pertencia ao Ramana Ashram – Escola Internacional de Yoga. Seu amigo, Sêvananda Swami, e sua esposa, Mestra Sadhana, desenvolveram atividades em Yoga no período de 1953 a 1960.

Na primeira fase da história do Yoga no Brasil, ele se desenvolveu em organizações místicas, como academias e locais de retiro.

A Ordem dos Sarvas e o Mosteiro AMO-PAX

Anteriormente, em 1947, Sêvananda Swámi apresentou seus ensinamentos em um congresso no Rio de Janeiro. Sêvananda, nascido na França, cujo nome verdadeiro era Léo Costet de Mascheville, fundou a Ordem dos Sarvas.

Dentre as pessoas que com ele trabalharam, deve-se destacar o Swami Vayuananda, Vasudev (Jean-Pierre Bastiou), Swamini Sádhana, Ishadevi, Nivédita, Mestra Isis, Sarvananda (Georg Kritikós), dentre outros. É importante assinalar que frequentaram o Monastério AMO-PAX José Hermógenes de Andrade Filho, Caio Miranda, Alberto Lohman e o casal Neyda Nerbass Ulysséa e Octávio Melchíades Ulysséa. Estes últimos fundaram em Curitiba-PR as Faculdades Integradas Espírita (FIES), que mantém o curso sequencial em Yoga, formando Yogaterapeutas. Sêvananda foi iniciado pelo seu pai, o Mestre Cedaior. Fez viagens a pé, com o yoguin Bauer, foi instrutor da Ordem Martinista, desde 1925, e fundou a AMO-PAX, ou seja, Associação Mística Ocidental PAX, por ordem do Mestre Essênio Philippe, fazendo votos de se tornar Swámi e iniciador da Autoridade Externa do Suddha Dharma Madalam.

Sêvananda e sua esposa, Swamini Sadhana, venderam tudo quanto possuíam (casa, carro etc.) para que fosse realizada a Cruzada Continental de Vida Espiritual, desde 1952.

O mestre fundou em Resende-RJ – cidade situada a 175 quilômetros do Rio de Janeiro, então capital do Brasil –, em 29 de outubro de 1953, o Monastério AMO-PAX. Nesse local ficaram centralizadas todas as atividades do referido monastério, que podem ser assim resumidas:

• Ordem dos Sarvas Swámis;

• Ashram de Sarva Yoga e Essênio;

• Associação Mística Ocidental PAX (AMO-PAX).

• Além desses, também foram criadas:

• Igreja Expectante;

• Cruzada Continental de Vida Espiritual;

• Movimento Alba Lucis

Os três primeiros citados eram a parte iniciática, esotérica, reservada aos discípulos, que eram de dois tipos:

• Renunciados ou residentes;

• Externos.

As atividades da Igreja, até o Alba Lucis, eram consideradas externas.

Em 29 de outubro de 1953, foi procedido o registro jurídico do Monastério, que foi registrado sob número 3055. Diziam seus estatutos, ou bases, que pessoas poderiam passar temporada no Monastério, fazer estágios ou vir para etapas de recuperação, a serem organizadas por médicos, que deveriam ali residir.

A instituição sobrevivia de doações, tanto dos residentes como dos que colaboravam, sem ali residirem, e foi criada segundo o modelo de ashran do guru Maharaj de Kumbakoram.

Com Sêvananda aprenderam Yoga todos os professores da velha guarda; entre eles podemos citar, ainda, os veteranos: Zenaide de Castro (Lajes), Dalva Arruda (Florianópolis), Guilherme Wirz (São Paulo), Carlos Totra (Rio de Janeiro).

O Sarva Yoga não fornece nada por escrito nem oralmente. Exige que cada discípulo possa provar sua própria condição interior. Então, o adepto dirá ao instrutor tudo o que alcançou, fez, viu, intuiu, meditou, realizou etc. É uma forma elementar de pedagogia, a Pedagogia do Sarva Yoga. Pode-se dizer que o Sarva Yoga pode ser resumido nas três palavras: verdade, experiência, realidade.

O conjunto de tudo o que foi escrito acima constitui elementos primários de uma Pedagogia do Sarva Yoga, ou melhor, uma contribuição para a criação de Pedagogias do Yoga no Brasil. O Sarva Yoga, no Brasil, está quase extinto. Em Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, existe um trabalho implantado por Swámi Sarvanada, discípulo de Sêvanada Swami. As pessoas que tomaram parte nesses primeiros trabalhos pertenciam à classe social mais elevada, possuindo um bom nível intelectual. O que se ensinava, tanto no Monastério AMO-PAX como nas primeiras academias de Yoga no Brasil, era uma forma de saber que atendia às expectativas do público que para ali acorria. Esses pioneiros falavam francês, inglês e outros idiomas, além do português (BOTELHO, s/d).

b) Segunda etapa: as primeiras academias – os primeiras livros sobre yoga e os primeiros professores de yoga no Brasil-1957 a 1975

Em 1960, após passar por vários países, chega ao Brasil outro grande líder mundial, Shri Swami Vyaghrananda Pashupati Bhagwan, também conhecido como Mestre Kim (Hee Song Kim) ou Dr. Song (também era médico). Foi ele o introdutor do Raja Vidya Yoga no Brasil, assim como o Vajramushti em 1960. Pouco se fala nele, porque sendo um Swámi, era bastante discreto e, após sua vida pública no exterior, decidiu migrar para o Brasil e aqui estabelecer-se e terminar seus dias.

Foi na década de 1960 que os Beatles, a famosa banda de rock, visitou a Índia, e lá recebeu a influência de vários gurus, difundindo-os no Ocidente. Isso repercutiu em todos os países, o que serviu de atrativo para o estudo das filosofias da Índia e do Oriente, de um modo geral, incluindo-se o Yoga. Essa década de 1960 foi caracterizada, dentre outras coisas, pela chegada do pensamento de escolas de filosofias da Ásia ao Ocidente. O Brasil não ficou imune a esse fato. Algumas pessoas dessa fase eram oficiais do Exército Brasileiro, pessoas com diplomas de conclusão de cursos universitários, fazendo parte da classe média brasileira. A seguir, as principais Academias de Yoga desse período.

Sivanada School of Hatha Yoga

A primeira Academia de Yoga do Brasil foi fundada em dezembro de 1957, por Vasudev, que é o nome espiritual do francês Jean-Pierre Bastiou, residente no Brasil. Essa Academia recebeu o nome de Sivanada School of Hatha Yoga, no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Bastiou ingressou no Monastério AMO-PAX em 1954. Como afirmou Hermógenes, escrevendo sobre Bastiou:

Sivananda, um dia, autorizou-o a ministrar aulas de Hatha Yoga, assim como, utilizar-se de seu próprio nome. Foi Jean assim o primeiro professor de Hatha Yoga que o Brasil conheceu. […] Cursou o Yoga Institute de Santa Cruz em Bombain.Trouxe para o Brasil o primeiro diploma conferido a um ocidental: diploma de Yoga Education. De Sivananda, Jean recebeu a sagração de Sacerdote de Siva. (BASTIOU, 1967. p. 17-18).

Não oficialmente, a primeira academia de Yoga do Brasil foi fundada em São Paulo, em abril de 1958 por Shotaro Shimada.

Sarvananda, já falecido, descreve, minuciosamente seu ingresso no Mosteiro AMO-PAX e o seu memorável encontro com Sêvananda, no início da década de 1950, no seu livro intitulado Memórias: Foi uma atração, uma união oculta, abarcante e incompreensível, multimilenar, e à primeira vista. Tal como agora, ao reviver aquela hora que mudou minha vida e destino. O coração se ampliou, transbordando em um ritmo de sentir novo, em meu peito (SARVANANDA, 2000, p. 123).

Shotaro Shimada, foi também um dos pioneiros do Yoga no Brasil. Começou a ensinar a prática em 1956. Em meados da década de 1960, criou um instituto dedicado ao ensino e à prática científica do Yoga, na capital do estado de São Paulo. Ele relata a sua luta e interesse pelo Yoga em seu livro intitulado A Ioga do Mestre e do Discípulo (SHIMADA, 2008).

Ashran Vale da Libertação

O General Caio Miranda, oficial do Exército Brasileiro, no final da década de 1950 era membro da Sociedade Teosófica no Brasil. Militar de personalidade forte e controvertida, também era, ao mesmo tempo, muito carismático e suave. Nessa época, como literatura teosófica, lia muito sobre filosofia, ocultismo e Yoga. Fazia parte da Escola Esotérica (Escola Interna da Sociedade Teosófica) e tinha um mestre espiritual, o qual denominava Ad.B. Como autodidata, começou a se interessar pelo Raja Yoga após ler um livro de Ramacharaca, denominado As 14 Lições da Filosofia Yogi. Aprendeu a fazer exercícios respiratórios e, depois que entrou para a Reserva, começou a dar aulas de Raja Yoga em sua própria casa. Em 1960, Caio Miranda escreveu um dos primeiros livro em língua portuguesa sobre Yoga, A Libertação Pelo Yoga (MIRANDA, 1960) e, devido à intensa procura, teve de abrir o Instituto de Yoga Caio Miranda, introduzindo a prática de Laya Yoga e Hatha Yoga além do Raja Yoga. Ele fazia diferença entre Yôga e Yóga, afirmando que o primeiro era a filosofia e o segundo era a prática física (Hatha Yoga), como documentado no livro Hatha Yóga: a Ciência da Saúde Perfeita (MIRANDA, 1962, p. 26). Ele definiu Yôga como sendo todo método capaz de produzir a união real do homem com Deus, ou ainda a doutrina toda em si e Yóga como qualquer das práticas do sistema yógui. Embora imprecisas, essas foram as primeiras definições registradas que diferenciam Yôga (pronunciado com ô fechado) e Yóga (pronunciado com ó aberto).

Figura 2: General Caio Miranda

Fonte: .

Criou um método próprio, à base de exercícios respiratórios, asanas de resistência seguidos de um relaxamento induzido feito em uma prancha inclinada. Era rigoroso na execução correta das posturas. A sua técnica de Laya Yoga induzia a uma sedação da emotividade e cessação da atividade mental, uma valiosa prática para superar transtornos excitatórios e depressivos da mente. Formou os primeiros instrutores de Yoga no Brasil, que abriram sucursais (franquias) do Instituto de Yoga Caio Miranda em vários estados do país e até fora dele (Córdoba, na Argentina, e Porto, em Portugal). Entre os professores brasileiros, podemos citar Maria José Marinho (Belo Horizonte), Isolda Meyer Pslung (São Paulo) e Neusa Veríssimo (Fortaleza). Introduziu o Yoga como profissão, ao contrário da direção mística e monástica de Sevananda Svami. Os critérios de formação de instrutores era bastante rígido, e o requisito básico era ser aluno do instituto por, pelo menos, dois anos. Fumante inveterado desde os 12 anos de idade, varava as noites escrevendo e fumando. Morreu de câncer de pulmão, em 1969, aos 60 anos. A partir de sua morte, sua filha Leda Miranda não quis administrar as sucursais e fechou o negócio. Todas as filiais ou fecharam ou mudaram seus nomes, ocorrendo um grande cisma. Caio Miranda fundou no Estado do Rio de Janeiro, próximo ao maciço das Agulhas Negras, o Ashran Vale da Libertação, situado a 1200 metros de altitude na Serra da Mantiqueira. Ali, cursos sobre Yoga eram ministrados gratuitamente. Tudo representava um curso de dois anos. O Ashran foi fundado em 15 de janeiro de 1958. Havia uma sede nas montanhas, destinada à prática e à estada ou moradia dos membros que assim desejassem.

Academia Hermógenes de Yoga

Em 1960, Hermógenes lançou a o seu primeiro livro, intitulado Auto Perfeição com Hatha Yoga. Em 1962, Hermógenes fundou a Academia Hermógenes de Yoga, no centro do Rio de Janeiro-RJ, em funcionamento até hoje, com o nome de Salão das Sete Janelas. Nas Palavras do próprio Hermógenes (2005, p. 48):

[...] fiz da Academia uma oferenda a Deus. Iniciei as atividades do ‘Salão das Sete Janelas’ atendendo a todos que me bateram à porta [...] A Academia nasceu como fruto da renúncia, desejo de servir, sinceridade, e principalmente de um divino mutirão de verdadeiros amigos.

Deve ser assinalado que esses fundadores iniciaram ou introduziram o Yoga no Brasil por meio da criação das suas academias de Yoga. No caso de Sêvananda, foi com a criação do monastério, no qual se praticava Sarva Yoga.

Hermógenes faleceu em 2014, aos 94 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro. Sua academia, por ele denominada Salão das Sete Janelas, está sendo dirigida pelo seu neto, Thiago Leão.

Alguns dos principais livros e apostilas que foram responsáveis pela introdução do Yoga no Brasil foram Os Aforismos da Yoga de Patañjali (1951), Yoga,o elo perdido (1957), A

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