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Formação de Professores Para o Uso da Mídia na Escola

Formação de Professores Para o Uso da Mídia na Escola

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Formação de Professores Para o Uso da Mídia na Escola

Duração:
368 páginas
4 horas
Lançados:
20 de dez. de 2018
ISBN:
9788547326159
Formato:
Livro

Descrição

O livro Formação de professores para o uso da mídia na escola apresenta uma proposta formativa voltada aos docentes para a utilização dos diferentes meios e processos de comunicação em sala de aula na contemporaneidade. Trata-se de uma experiência empírica que rompe, de vez, com o paradigma da racionalidade técnica, pois possibilita que o professor vivencie a prática reflexiva no seu contexto escolar, mesmo diante do complexo cenário educativo. A obra explica como constituir um grupo colaborativo de docentes para uma prática transformadora, utilizando as mídias nos processos de ensino e de aprendizagem. A autora problematiza quando, como e por que usar os recursos tecnológicos a favor da formação do cidadão crítico, considerando o professor como autoformador e pesquisador de sua própria prática. Ao priorizar a dimensão política da educação, este livro discute em profundidade as questões envolvendo o discurso midiático e o contexto escolar. E vai além: vivencia a autonomia como emancipação docente por meio da experiência de seis professoras do ensino básico, que constituíram um grupo colaborativo de pesquisa para utilizar a mídia enquanto ferramenta pedagógica.
Lançados:
20 de dez. de 2018
ISBN:
9788547326159
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Formação de Professores Para o Uso da Mídia na Escola - Thaisa Sallum Bacco

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE

Ao Théo e ao Thúlio, razões de tudo.

AGRADECIMENTOS

A Deus, companheiro inseparável de todos os segundos;

À minha família: meu marido Thiago; meus amados filhos, Théo e Thúlio; minha mãe, Tânia; meu pai, Walter (in memoriam); meus irmãos, Leonardo, Thalita e Tharsila, e meus sobrinhos, Thainá, Bento, Thaila, Tania Maria e Thalia;

À professora doutora Claudia Maria de Lima, pela parceria, ensinamentos, paciência, carinho, preocupação e confiança;

Aos professores doutores Julio Cesar Torres, Leny Rodrigues Martins Teixeira, Maria Raquel Miotto Morelatti e Monica Fantin, pelas contribuições e todo o apoio;

Ao Grupo de Pesquisa As tecnologias de informação e comunicação, práticas pedagógicas e a docência, pela convivência, motivação e trabalhos realizados em parceria;

Ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/Unesp);

À Secretaria Municipal de Educação de Presidente Prudente, por permitir a realização da pesquisa;

Aos gestores escolares, que me acolheram durante todo o processo;

A todos os 65 docentes, que responderam ao questionário na primeira fase da pesquisa;

E um agradecimento especial às professoras integrantes do grupo colaborativo por todo o respeito, carinho, amizade e exemplo de docência.

Precisa-se, neste ‘tempo detergente’, de um pacto de silêncio, de uma pausa que permita ver para além da poeira dos dias que correm. Pensar exige tranquilidade, persistência, seriedade, exigência, método, ciência. [...] Em educação, tudo são evidências. Definitivas. Crenças. Doutrinas. Dogmas. Ilusões. Palavras gastas. Inúteis. O que é evidente, mente. Evidentemente.¹

APRESENTAÇÃO

Falar de educação no século XXI pressupõe considerar as mudanças da sociedade ao longo da história. As formas de se relacionar entre as pessoas já não são as mesmas de quando a escola surgiu, há mais de dois mil anos. Não há como pensar a sociedade contemporânea sem considerar a presença da mídia, que está, hoje, em todos os lugares, como também na escola.

A premissa deste livro é considerar a mídia como uma das forças ocultas que interferem no pensamento humano. Problematizar essa questão é um dos desafios da escola, um dos espaços possíveis para entender as dimensões pedagógicas e políticas do uso da mídia.

À frente da mobilização para compreender o processo de produção midiática, está o docente. Mais do que ler criticamente a mídia, é necessário que o professor reflita sobre seu verdadeiro papel, para que o uso desse recurso em sala de aula seja mais uma ferramenta para vivenciar a dimensão política da educação, visando à autonomia dos sujeitos e ao exercício da cidadania. Não se trata mais de uma opção inserir a mídia no ambiente escolar, pois sua importância, hoje, supera sua dimensão de ferramenta, sendo uma forma de interação da cultura digital. Presente, fortalecida e responsável pelas relações humanas, a mídia deve ser problematizada sob o ponto de vista da mediação pedagógica.

Essa reflexão pode ocorrer em momentos formativos. Momentos que visem a mudanças didático-metodológicas da prática docente, como a proposta deste livro. O desejo é me afastar de um tipo de pesquisa do deve ser assim sem criar meios para esse dever ser. Já não basta mais a ciência se preocupar em achar culpados – governo, instâncias educativas e até mesmo professor –, como se existissem condições para tudo ser diferente. Estou certa de que vontade política não é suficiente pra mudar. Faltam recursos. Falta crença no sistema falido. São muitas faltas, uma lista interminável diante de nós, diagnósticos documentados nas prateleiras das bibliotecas. O que esse diagnóstico pode resolver? Pode sinalizar e encorajar a seguir novos rumos, mas não pode efetivamente mudar realidades.

Toca-me a fala de Imbernón², que questiona o papel do pesquisador como juiz das práticas escolares e dos professores, fazendo denúncias, ditando verdades e criando resistências. Em contrapartida, está a expectativa dos profissionais da escola em relação à pesquisa: [...] acreditando que ela pode dar respostas imediatas ou apontar soluções aos intricados problemas da prática escolar cotidiana e, como isso não acontece, mostram-se céticos quanto a seu valor e sua utilidade.

Nunca me senti confortável em qualquer postura de juiz, prefiro assumir o papel de colaboradora, pela própria natureza prática de minha história de vida. Também nunca gostei de mágica, e foi fácil me posicionar contra uma proposta de trabalho de formação continuada que propusesse transformação pela palavra, ou seja, pensar que minha fala diante de docentes bastasse para inovar e promover novos projetos educacionais, como preconizaram durante muitos anos as propostas formativas sob o paradigma da racionalidade técnica. Reciclar não é sinônimo de transformar, é dar outro sentido, outra finalidade a algo. Mas ninguém muda diante do olhar diferente do outro. É preciso aprimorar o foco do próprio olhar, afinal, quem tem o poder de mudar o ângulo da própria visão é o sujeito em si. A formação do professor deve partir de um projeto elaborado por ele mesmo, e a autonomia docente é uma conquista, que pode ser trabalhada em processos formativos.

Isso significa que colocar novas ferramentas dentro da sala de aula para o professor trabalhar do jeito que quiser não é dar autonomia, é criar um novo problema. Quem deve escolher e avaliar o meio para ensinar é o docente. O investimento final em tecnologia é um desperdício por si só, pois ela não media relações, é somente um meio para a mediação docente que, se bem conhecido e administrado, oferece contribuições sem fim, como o giz e a lousa em outro momento da história.

Diante dessas questões, tracei o objetivo geral desta obra, que é analisar a potencialidade de um processo formativo, constituído a partir de um grupo colaborativo, para formação de professores do ensino fundamental I da rede municipal de ensino de Presidente Prudente (SP) para o uso da mídia na escola, bem como para compreensão de suas possibilidades e limites. Para atender ao objetivo geral, os seguintes objetivos específicos foram delineados: 1) Identificar e analisar as principais correntes teóricas que subsidiam os projetos, programas e propostas de formação contínua de professores que tratam do uso da mídia na escola no contexto brasileiro; 2) Identificar e analisar a formação dos docentes da rede municipal de ensino de Presidente Prudente sobre o uso de mídia no contexto escolar; 3) Identificar e analisar as representações do professor sobre a utilização de mídia na escola enquanto processo pedagógico; 4) Definir, elaborar e implementar uma proposta formativa para e com professores do ensino fundamental I da rede municipal de ensino de Presidente Prudente sobre o uso da mídia na escola, a partir de um grupo colaborativo; 5) Avaliar a proposta formativa para compreender o alcance do grupo colaborativo na formação continuada de professores da rede municipal de ensino de Presidente Prudente sobre o uso da mídia na escola.

O livro está organizado em seis capítulos. Inicialmente, trago a discussão sobre as relações existentes entre Educação e Comunicação, áreas do conhecimento humano que podem produzir um diálogo construtivo entre o sujeito e o mundo. Nesse capítulo, apresento minha visão da sociedade contemporânea e discuto as duas principais correntes teóricas que tratam da interface entre os dois campos: mídia-educação e educomunicação. As reflexões teóricas e experiências empíricas apresentadas, nos cenários nacional e internacional, ajudam-nos a entender as bases epistemológicas das teorias que surgem a partir do pensamento educacional e as que emergem dos teóricos da área da Comunicação. Busco, no decorrer do texto, introduzir as falas de quem tem pensado e trilhado os caminhos que inter-relacionam as duas grandes áreas do saber.

Como a proposta contributiva deste livro se assenta na análise de uma proposta formativa envolvendo professores da educação básica, trago no capítulo 3 uma reflexão sobre formação de professores. Discuto as mudanças nas concepções de formação docente ao longo da história, e reflito sobre os saberes docentes, antes de problematizar e conceituar minha ideia de formação continuada a ser aplicada. Os princípios da pesquisa colaborativa também são apresentados nesse capítulo, pois sustentam todo o caminho trilhado e explicitado no capítulo 4.

Ao falar da metodologia, incluo esclarecimentos sobre a escolha da abordagem (pesquisa qualitativa) e da natureza (pesquisa do tipo colaborativa) da investigação, cujo universo pesquisado corresponde a professores de 4º e 5º anos da rede pública de ensino de Presidente Prudente (SP). Ainda nesse capítulo, apresento as duas fases da pesquisa: mapeamento e proposta formativa. Na primeira, faço um levantamento por meio da aplicação de questionário, junto a 65 docentes sobre o seu perfil e sua experiência com o uso de mídia na escola. A segunda fase consistiu no planejamento, implementação e avaliação da proposta formativa a partir de um grupo colaborativo de pesquisa, visando a compreender o alcance do grupo colaborativo na formação continuada de professores da rede municipal de ensino de Presidente Prudente sobre o uso da mídia na escola.

A você, leitor, apresento os limites e as possibilidades da proposta formativa vivenciada, na certeza de que é preciso compartilhar conhecimento vivido para abrir novas discussões sobre as relações entre escola e mídia.

PREFÁCIO

Inicio este texto, tomada por muitas lembranças das escolhas ao longo da trajetória acadêmica da autora que se confundem com as minhas, com as das professoras participantes e de todos aqueles que vivem a Educação como escolha de vida e ideal de uma sociedade.

Prefaciar o livro da Thaisa Bacco é reviver escolhas pessoais, coletivas e profissionais do ser professora, é compreender os processos colaborativos de construção de uma tese e reverberar suas causas políticas, caminhos acadêmicos-científicos, afetos e desejos de um país. Falar desta obra é, em especial, destacar a importância acadêmico-científica de suas contribuições ao campo de Educação e Comunicação e apresentar a todos e a todas o compromisso e dedicação da autora à formação de professoras e professores e suas relações com as mídias.

O livro apresenta uma proposta de formação docente para uso de mídia na escola construída com base em pressupostos dialéticos e colaborativos e que entende o professor como intelectual e autor de suas próprias histórias formativas. Desenvolvida no município de Presidente Prudente (SP), a pesquisa de doutoramento que deu origem a esta obra, teve por objetivo analisar a potencialidade de um processo formativo, constituído a partir de um grupo colaborativo, para formação de professores do ensino fundamental I da rede municipal de ensino de Presidente Prudente para o uso da mídia na escola, bem como para compreensão de suas possibilidades e limites.

De maneira complexa e reflexiva, a autora retrata as principais abordagens teóricas sobre formação de professores para uso de mídias na escola apoiando-se em conhecimento de duas áreas e assumindo um trabalho multidisciplinar que aproxima e consolida as diferentes contribuições da Educação e Comunicação ao tema. Em princípio, como parte de um trabalho interdisciplinar, o livro apresenta uma retomada de diferentes conceitos que têm como eixo central o debate das mídias na escola e assume epistemologicamente o conceito de mídia-educação como o elemento central da formação de professores. Em seguida, Thaisa Bacco retrata os limites de abordagens que falam sobre professores e sua formação para, por fim, dialogar com as que trabalham com os professores em sua formação. Nesse diálogo, define como base conceitual os pressupostos da pesquisa colaborativa e suas possibilidades de contribuição para essa formação de docentes para uso de mídias e adota o grupo colaborativo como modelo formativo, defendendo a tese de que esse é o caminho legítimo e potencializador para formar professores autônomos para o uso da mídia na escola.

E quais as motivações dessa interrelação? Por que trazer mídia para as discussões de formação de professores se o assunto isoladamente já é tão polêmico e complexo? A autora considera que a sociedade contemporânea reinventou seus processos e hoje o produto mais sofisticado e complexo é a informação. Assim, as mídias assumem posição de destaque no debate cultural, social e econômico e não podem ser mais vistas isoladamente como meios de manipulação e alienação, mas como integrantes de um projeto de debate público e de formação para o exercício da cidadania. Nesse sentido, pensar em como aproximar a linguagem midiática dos professores e professoras e torná-los proficientes nos discursos e práticas da comunicação torna-se central para a sua formação crítica e autonomia profissional, uma vez que a exclusão dos conhecimentos é o elemento central das relações de poder desiguais e opressoras que relegam ao docente uma condição de semiprofissional.

Assim, compreendo que as ricas discussões apresentadas pelo livro se tornam fundamentais para a compreensão dos significados de como preparar professores e professoras para uso de mídias na escola e também, para, principalmente, atuarem de maneira crítica e responsável na formação de sujeitos capazes de construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Como diz Bacco, a sociedade que queremos começa

Se a escola compreender de forma crítica as mídias, principais ferramentas que produzem, reproduzem e abrigam o esvaziamento ocasionado pelo espetáculo, se o professor estiver convicto de que seu papel é fundamental para potencializar a formação política nesse contexto, as ações envolvendo a alfabetização midiática passarão do estágio de experiências pontuais, para, de fato, se constituírem como parte do processo de formação de sujeitos. A aproximação entre os campos de Educação e Comunicação trata-se, pois, de algo necessário. (BACCO, 2018, p. 35)

Professora doutora Claudia Maria de Lima

Departamento de Educação da Universidade Estadual

Paulista -Unesp – Campus de São José do Rio Preto

LISTA DE SIGLAS

Sumário

1

UMA COMPREENSÃO INTRODUTÓRIA DE MUNDO

2

EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

2.1 INTERFACE ENTRE OS DOIS CAMPOS

2.2 PRINCIPAIS CORRENTES TEÓRICAS

2.2.1 Mídia-educação

2.2.2 Educomunicação

2.3 MÍDIA E ESCOLA NA CONTEMPORANEIDADE

3

FORMAÇÃO DE PROFESSORES

3.1 O SABER DOCENTE COMO ATO COMPLEXO

3.2 A AUTOFORMAÇÃO COMO ATO POLÍTICO 

3.3 A FORMAÇÃO CONTINUADA COMO ATO REFLEXIVO

3.4 A COLABORAÇÃO COMO ATO FORMATIVO

3.4.1 De que colaboração estamos falando?

4

GRUPO COLABORATIVO DE PESQUISA

4.1 PRIMEIRA FASE

4.1.1 Locus e universo da investigação

4.1.2 Questionário aplicado

4.2 SEGUNDA FASE

4.2.1 Constituição do corpus

4.2.2 Instrumentos de coleta de dados

4.3 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS

5

PROPOSTA FORMATIVA PARA USO DA MÍDIA NA ESCOLA

5.1 PERFIL DOS PROFESSORES PARTICIPANTES

5.1.2 Práticas e formação para o uso de mídia

5.2 EXPERIÊNCIA COLABORATIVA

5.2.1 Leitura crítica da mídia

5.2.2 Papel da mídia na sociedade 

5.2.3 Uso do computador para construir conhecimento

5.2.4 Compartilhamento de arquivos online

5.2.5 Fotografia como ferramenta pedagógica 

5.2.6 Intencionalidade da linguagem fotográfica 

5.2.7 Discurso audiovisual 

5.2.8 Prática de produção de vídeos

5.2.9 Processo mídia-educativo

5.2.10 Ferramentas da web 2.0

5.2.11 Linguagem jornalística impressa 

5.2.12 Sessão reflexiva a partir de fotografias 

5.2.13 Acompanhamento do processo de produção 

5.2.14 Troca de experiências entre os pares 

5.2.15 Montagem de boneco para jornal impresso

5.2.16 Compartilhamento das conquistas

5.2.17 Atendimentos individuais

5.2.18 Descrição, informação de dados, confronto e reconstrução

5.2.19 Fechamento das mídias produzidas 

5.2.20 Relato oral das docentes 

5.2.21 Orientações finais dos projetos

5.2.22 Resultados da Mostra Pedagógica

5.2.23 Proposta de Avaliação do Projeto

5.2.24 Contribuição individual 

5.2.25 Repercussões no contexto escolar 

5.2.26 Administração de conflitos 

5.2.27 Colóquio com estudantes de Pedagogia

5.2.28 Avaliação coletiva da proposta

5.3 SÍNTESE DAS REFLEXÕES EMPÍRICAS

5.3.1 Negociação

5.3.2 Colaboração

5.3.3 Reflexão crítica

6

UMA COMPREENSÃO CONCLUSIVA DE FORMAÇÃO

REFERÊNCIAS

1

UMA COMPREENSÃO INTRODUTÓRIA DE MUNDO

Minha experiência com a docência iniciou-se em 1996. Marca minha trajetória de vida mais o debutar na experiência de atuar na educação do que o debutar na vida. Aos 15 anos, estava com um aluno em uma pequena sala do Conservatório Municipal Carlos Gomes em Rancharia (SP) para cumprir as horas de estágio do curso técnico preparatório para me formar no curso de piano. Vamos começar? O que quer tocar?. Ele me olhou bem desconcertado e pela própria expressão respondeu que não estava preparado para decidir sobre o que devia fazer. E eu, estava preparada para estar ali? Quanta ingenuidade a minha. Quanta imaturidade e quanto sofrimento para ser professora sem ter me preparado para a docência. Bom senso, muitas orientações com as supervisoras de estágio me fizeram concluir essa fase, o que não quer dizer que a tenha feito com êxito. Tocar piano não era a solução para ensinar o outro a tocar o mesmo instrumento. Afinal, assumir o estado de docente não garante sucesso ao ensinar. É preciso se formar para formar. E mais: é preciso ter consciência dessa necessidade perpétua de formação, não por uma questão de reserva de mercado e garantia profissional, mas porque não existe outra área do conhecimento que tenha mais prioridade na continuidade da formação do que a educação.

Você pode até ter pensado que na área de informática, com as novas tecnologias, a necessidade de atualização seja mais emergente. Mas quem pensa, reflete e ensina sobre tecnologia? Um professor. Pensou também nos profissionais na área da saúde? A busca por novos medicamentos, tratamentos, intervenções para salvar vidas é de muita relevância para a sociedade. Profissionais dessa área necessitam de novos aprendizados. E sabe com quem? Com professores. Por mais que o conhecimento esteja disponível a um clique, o seu aprofundamento, a sua aplicabilidade e as suas finalidades sob o ponto de vista ético necessitam de um debate mediado por quem traz em seu repertório uma visão política e de responsabilidade social. Esse mediador é um profissional da educação.

Não importa a área do conhecimento. Será um professor, de natureza investigativa, na maior parte das vezes, quem assinará ou auxiliará as descobertas. Evidentemente, nem todos os pesquisadores assumem o estado da docência, formam-se para si ou para os pares. Colocam à disposição da sociedade seus conhecimentos, conforme fazem os cientistas.

O professor não. Ser professor, mesmo que para uma centena de estudantes, é assumir a condição de transformação do outro de forma individual. Assumo e declaro um posicionamento que me custa muito caro: não é possível ensinar para todos; ensina-se, pois se aprende individualmente, ainda que diante de um coletivo e com a ajuda de muitos.

Essa argumentação serve para embasar o meu posicionamento e a minha escolha pela docência. Formei-me em Comunicação Social com bacharelado em Jornalismo no final de 1998 e até 2002 atuei somente com atividades jornalísticas. Desde então, minha trajetória profissional e minha vida têm passado pela docência. A experiência prática como professora concentrou-se no ensinar e no aprender sobre Jornalismo. E a necessidade de saber sobre a área do conhecimento de origem cresceu na mesma medida que a vontade de me preparar para a docência. Na verdade, era uma busca de reflexão teórica sobre uma prática vivenciada concomitantemente. Aprender e ensinar sobre o uso da mídia⁴ – e suas implicações positivas e negativas – é uma prática que marca minha história e, de certa forma, abarca este livro.

Foi na especialização na área de Educação na Unesp de Presidente Prudente (SP), em 2004, que nasceu o desejo de adicionar o pensamento do campo educativo às minhas intervenções no âmbito comunicacional. No Mestrado, percebi que só ter o desejo de relacionar a Educação com a Comunicação poderia ser eficiente no papel enquanto análise, mas não diante da realidade. Mas antes de agir, era necessário escolher meu lugar. Por que, então, definir pela Educação? Considerando as interfaces

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